Mensagem a Leonardo Boff sobre sua proposta de “revolução espiritual”

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Ilustração reproduzida do Arquivo Google

Jorge Béja

Acabei de ler este seu artigo “Só uma revolução espiritual pode aliviar o peso kármico que o Brasil suporta”,  reproduzido na Tribuna da Internet, blog em que também consta meu nome como um dos articulistas (o menor deles) e que tem raiz na antiga, respeitada e sempre presente Tribuna da Imprensa, do quase, quase centenário Hélio Fernandes. A Tribuna da Internet foi criada cerca de 9 anos atrás pelo combatente, experiente e admirável jornalista Carlos Newton, pessoa de longa tradição na Imprensa brasileira. E CN (ele próprio assim abrevia seu nome e assim se auto-identifica), sozinho e com parcos recursos, mantém o blog no ar, 24 horas por dia, nunca estático e sempre rotativo. É uma espécie de GloboNews da internet: nunca desliga. Anos atrás busquei conselho com o Leonardo Boff.

Foi por causa de um desentendimento que tive com o então arcebispo Orani Tempesta, a quem procurei e que me pareceu frio, oculto, desatencioso, vaidoso…bruto mesmo.

O OPOSTO – Vi em Tempesta o oposto de Waldyr Calheiros (o grande amigo que tive), de Helder Câmara (que não conheci pessoalmente), de Bruno Trombetta (juntos, enfrentamos o Estado na defesa das prerrogativas da população carcerária, ele, o sacerdote, pela pastoral do Arcebispado daquela época;  eu, como advogado das famílias das vítimas mortos nos cárceres) e do próprio Eugênio Salles. Sim, Eugênio Salles.

E Leonardo Boff me respondeu com profunda e mística mensagem. Enérgica, corajosa, mas pacificadora. Suficiente para fazer desaparecer a mágoa que aquele denominado “príncipe da Igreja” me havia causado.

Sobre o tema de seu artigo de hoje, permita-me dizer. E se disser errado, por favor, então, corrija-me e ensina-me a entender e dizer. Digo que a mente humana não foi criada para, minimamente, compreender o Mistério da vida, da morte e depois da morte. É algo que a Humanidade nunca desvendará, por ser Metafísico. Nem tateá-lo poderemos.

SABEMOS POUCO – Conhecemos apenas uma vida. Outras, são deduções, interpretações, intuições, inspirações, que até podem chegar próximo ao Mistério. Mas nele penetrá-lo — perdão, exímio e exemplar professor Rivail —, jamais. Seu brado druída, inscrito lá no seu mausoléu do Père Lachaise (“Nascer, morrer, renascer ainda, sem cessar e progredir, tal é a lei”) é para ser admirado, refletido, respeitado. Não, mais e tão só.

Na Carta Encíclica “Fides Et Ratio”, João Paulo II também abordou tão místico assunto:

“Aliás, basta um simples olhar pela história antiga para ver com toda a clareza como surgiram simultaneamente, em diversas partes da terra animadas por culturas diferentes, as questões fundamentais que caracterizam o percurso da existência humana: Quem sou eu? De onde venho e para onde vou? Por que existe o mal? O que é que existirá depois desta vida? Essas perguntas encontram-se nos escritos sagrados de Israel, mas aparecem também nos Vedas e no Avestá; são encontradas tanto nos escritos de Confúcio e Lao-Tse, como na pregação de Tirtankara e de Buda; e assomam ainda quer nos poemas de Homero e nas tragédias de Eurípedes e Sófocles, quer nos tratados filosóficos de Platão e Aristóteles”.

SER HUMANO – Como se vê, doce irmão Leonardo Boff, a criatura humana não foi dotada de poder e capacidade de desvendar o Mistério. A tecnologia, a cibernética, podem até chegar, no futuro breve ou remoto, a criações e inventos hoje inimagináveis. Mas nunca será capaz de criar um ser humano. E por mais assemelhada e mesmo mais perfeita que seja eventual e futura criação, não haverá quem infunda-lhe alma e espírito e tenha o poder de dar-lhe um sopro e ordenar: “Fale” (parla). Ou: “Tenha vida”.

Mas a Lei do Karma é mesmo uma realidade. Talvez possa ela ser explicada de uma forma simples, prática e popular: colhe-se o que se planta. É verdade que este nosso Brasil paga um preço caro e punitivo pelo que fez e deixou de fazer no passado, como o senhor explica no seu artigo. Mas é preciso pagar, irmão Leonardo. É inútil e inócuo tentar dar o “calote”.  É dívida que não pode ser anistiada. Que não prescreve e perdura ao longo do tempo, até que seja quitada. É dívida irrenunciável.

NÃO SE APAGA – A Lei do Karma é insusceptível de ser contornada ou driblada. É inexorável. Suas contemplações e apenações têm berço em ações ou omissões que cada um de nós (ou toda a coletividade) cometeu um, dois, três ou mais segundos atrás, ou, quiçá, em vidas passadas. Tudo fica registrado no “akasha”, que não se apaga e de onde nada se deleta nada sem que antes a pena seja cumprida.

E é visível que sobre este nosso Brasil a Lei do Karma não tem sido contemplativa. Atravessamos demorada época de pesadas cobranças e pesadas quitações. Seria heresia, seria errado afirmar que, para nós brasileiros, o mal venceu o bem? Talvez não. Os três Poderes existem. A autoridade existe. As instituições, as leis, o Estado Nacional existem também. Apenas existem, mas não conseguem agir, atuar e funcionar, porque no Estado oficial brasileiro encontra-se encravado um outro estado, o estado-extraoficial e maligno que naquele pisa, esmaga e o deixa manco, cego, vulnerável, sem o menor poder de reação.

UMA EVOLUÇÃO – Não seria oportuna e necessária uma revolução, tal como sugere o título do artigo que o senhor escreveu? Não uma revolução armada, com a tomada do poder pelo poderio dos canhões, aeronaves e belonaves. Mas uma revolução de consciência. Uma pregação e peregrinação intensa, por palavras, gestos, atitudes e ações, a difundir que somente a solidariedade, a entrega ao próximo, o despojamento, a verdade, a honestidade são os caminhos para a purgação de tão pesado Karma que sofre o povo brasileiro.

E com o estágio avançado em que se encontram as comunicações de massa, a difusão seria tão rápida, não é mesmo irmão Leonardo Boff?.

Em Cristo, com Cristo e por Cristo.

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