Odacy retira pré-candidatura ao Governo do Estado

Nota oficial

Como é do conhecimento de todos no PT e na sociedade, acredito bastante no protagonismo e na missão do nosso partido nessas eleições e, sobretudo, no papel do presidente Lula, como candidato preferido da maioria do povo brasileiro, cuja liderança e força tem conseguido derrotar a manipulação e a perseguição política sem precedentes que está sofrendo.

Com essas posições, tenho feito a defesa da candidatura própria do PT ao Governo do Estado e por isso me coloquei à disposição do partido para essa disputa. Além disso, sou defensor da inocência de Lula, do seu direito à liberdade e da sua candidatura vitoriosa à presidente da república. Considero que essa é uma prioridade do povo brasileiro e pernambucano, do PT e do país e, nessa condição, deve orientar o nosso posicionamento partidário em todo o Brasil e, naturalmente, em Pernambuco.

Entendo, ainda, que esse é um momento que demanda unidade do PT de Pernambuco em qualquer das alternativas de táticas eleitorais que ao final for adotada, seja a candidatura própria que sempre defendi, ou seja a aliança que vem sendo tentada pela direção nacional do PT.

Para contribuir com essa unidade, estou retirando a minha pré-candidatura ao Governo do Estado. Em seguida a esse gesto, anuncio que vou, de um lado, me dedicar a disputa de um mandato de Deputado Federal e à defesa do PT e de Lula nessa campanha. De outro lado, vou contribuir com o diálogo interno para construir consensos e pactos no PT-PE, lutando para que eles contemplem – também e com prioridade – à região e o povo sertanejo que tenho o orgulho de representar na minha atuação política e que são a razão da minha militância.

Faço um gesto concreto acreditando que ele possa estimular a todos os petistas a adotar idêntico posicionamento e, com isso, construir uma unidade sólida e vencer os desafios e disputas que temos pela frente até outubro, bem como para assegurar a vitória que, tenho certeza, teremos na eleição nacional e estadual.

Odacy Amorim é deputado estadual pelo PT de Pernambuco

Lula tem 65% das intenções de voto em Pernambuco

A pesquisa realizada em parceria da Datamétrica com o Diário de Pernambuco fez simulações de segundo turno. Lula venceria os dois adversários testados, Jair Bolsonaro e Geraldo Alckmin, com larga vantagem: 74% a 11% (cenário com Bolsonaro) e 73% a 7% (com Alckmin). Os números são de maior vantagem ainda para Lula nessa pesquisa do que foram em junho (de 69% a 14% e 71% a 7%, respectivamente).

As duas simulações com Fernando Haddad, novamente com a informação de que esse tem o apoio de Lula, repetem a liderança de um candidato do PT. Entre Haddad e Bolsonaro, o petista teria 45% e o pré-candidato do PSL, 14%. Fosse a disputa entre o petista e o pré-candidato do PSDB, Haddad teria 46% e Alckmin, 9%.

Bolsonaro e Alckmin tampouco superam Marina, nas duas simulações equivalentes feitas com a pré-candidata da Rede. Entre Marina e Bolsonaro, 35% preferem Marina, 15% Bolsonaro. Entre Marina e Alckmin, os resultados seria de 35% a 10% em favor da candidata da Rede.

Finalmente, quando se considera Ciro no segundo turno, ele vence tanto Bolsonaro (25% a 16%) como Alckmin (23% a 14%). “Pernambuco, neste momento, está dizendo que prefere Lula ou um nome que receba sua indicação a qualquer outro. E que prefere qualquer nome menos identificado com o campo do centro ou da direita. Ou, pelo menos, que não nutre simpatias por qualquer dos dois postulantes desse campo de mais visibilidade até aqui – Bolsonaro e Alckmin”, comenta Analice Amazonas, sócia diretora da Datamétrica responsável técnica pela pesquisa.

AMOSTRA

A amostra da pesquisa produzida pela Datamétrica foi composta por 600 entrevistas realizadas junto a eleitores que moram e votam no estado de Pernambuco. A pesquisa foi realizada nos dias 11 e 12 de julho. A margem de erro é de quatro pontos percentuais para mais ou para menos. A pesquisa está registrada no TRE e no TSE.

MARÍLIA EMPATA COM PAULO CÂMARA EM PERNAMBUCO

Temer diz que Meirelles já tem maioria no MDB para viabilizar sua candidatura

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Charge do Nani (nanihumor.com)

Gerson Camarotti
G1 Brasília

Cálculo realista feito no Palácio do Planalto indica que Henrique Meirelles, ex-ministro da Fazenda do governo Michel Temer, está com a candidatura à Presidência da República consolidada pelo MDB. Do total de 629 votos previstos na convenção nacional do partido, marcada para o início de agosto, Meirelles teria 440 votos já consolidados. Até então, havia dúvidas sobre a viabilidade de o MDB lançar um nome próprio.

Ainda há resistências, mesmo com a maioria dos votos do partido, como o MDB de Alagoas, que tem influência direta do senador Renan Calheiros, ex-presidente do Senado.

INDICATIVO – No último fim de semana, em conversa com o próprio presidente Michel Temer, em São Paulo, Meirelles recebeu o indicativo de que já há maioria no partido pela sua candidatura.

O que facilitou a viabilidade do ex-ministro da Fazenda é que ele deixou claro que está disposto a bancar integralmente os gastos de sua campanha. Com isso, vai sobrar dinheiro para candidatos da legenda ao Senado, à Camara dos Deputados e aos governos estaduais.

Agora, o MDB está em busca de um nome para ser o vice na chapa à Presidência da República, de preferência, de outro partido. Há tentativa de aliança com o PRB que, recentemente, desistiu da candidatura do empresário Flávio Rocha, executivo do grupo Guararapes, que controla a rede de lojas Riachuelo, entre outras empresas.

Executiva do PTB aprova coligação com PSDB e apoio a Alckmin

Do G1

A Comissão Executiva do PTB aprovou, por unanimidade, hoje, a indicação de uma coligação com o PSDB em apoio ao pré-candidato tucano à Presidência da República, o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin.

Agora, a indicação da Executiva terá de ser submetida à deliberação da convenção nacional do PTB, marcada para o próximo dia 28, em Brasília. A convenção do PSDB destinada a sacramentar Alckmin como candidato está prevista para 4 de agosto.

No documento resultante da reunião da executiva, o presidente do PTB, Roberto Jefferson, afirma que o Brasil vive uma “grave crise” política, econômica e institucional prestes a se tornar uma “bomba-relógio”. Para ele, o atual cenário, “caótico” e “monstruoso”, impede o país de trilhar o “caminho da prosperidade, da modernidade e da competitividade”.

Ao declarar apoio a Alckmin, a legenda afirma que o tucano é capaz de lidar com essas situações.

“Precisamos apoiar alguém que defenda menos impostos, menos gastos públicos, gestão eficiente, combata privilégios, respeite os municípios e, sobretudo, foque na geração de emprego e renda e melhore a qualidade da educação”, diz trecho do documento.

Para a executiva do partido, o momento é de “construir pontes”, não construir “barreiras”. “O Brasil precisa de construtores como Geraldo Alckmin, e não de gladiadores”, diz o presidente do PTB.

Homem caminha 32 km para chegar ao 1º dia de trabalho e ganha um carro do chefe

Homem caminha 32 km para chegar ao 1º dia de trabalho e ganha um carro do chefe

Por BBC – Para não chegar atrasado no primeiro dia de trabalho, Walter Carr caminhou a noite inteira. Ele decidiu percorrer, a pé, 32 quilômetros depois que o carro dele quebrou, nos subúrbios de Birmingham, no Alabama (EUA).

No caminho, foi interpelado por um policial, que, impressionado com sua determinação, levou-o para tomar café da manhã antes do início de seu primeiro turno em uma empresa de mudanças.

A história de Carr, estudante de 20 anos, atraiu comoção nas redes sociais – e o dono da empresa decidiu dar a ele um carro.

Foi a partir do relato de uma cliente, publicado no Facebook, que a história de Carr viralizou.

Jenny Lamey contou que estava esperando os funcionários da empresa de mudança às 8h na última sexta-feira para empacotar suas coisas.

Às 6h30, ouviu a campainha. Era Carr, acompanhado do policial.

“Ele contou que tinha pego aquele bom rapaz em Pelham, logo cedo pela manhã”, disse Lamey. “Walter disse que estava ali para me ajudar na mudança.”

“Ele andou a noite toda para sair de Homewood e chegar a Pelham. Porque ele precisava trabalhar. Para os que estão lendo isso e não são da região, são 20 milhas”, escreveu Lamey.

Ela ainda contou que o policial lhe disse que, ao encontrar Carr, o levou para tomar café e, depois de conferir a história, o levaram à casa dela.

Enquanto estava ajudando com as coisas na cozinha, Carr contou que passou a infância em Nova Orleans, mas que a família se mudou para Houston, Texas, depois que a casa foi destruída pelo furacão Katrina.

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Pelham Police Dept@PelhamPoliceAL

Proud to have encountered this young man. He certainly made an impact on us!#PelhamPD #belikewalter

“Eu não posso descrever o quão emocionada fiquei com Walter e a história dele”, escreveu Lamey.

“Mal consigo imaginar essa caminhada solitária…no meio da noite. Quantas vezes ele deve ter pensado em desistir e voltar pra casa.”

Luke Marklin, chefe executivo da empresa de mudanças Bellhops, para quem Carr está trabalhando, dirigiu do Tennesse até o Alabama para encontrar o novo funcionário.

Depois de conversar e de tomar um café com ele, Marklin entregou-lhe as chaves do próprio carro, um Ford Escape, ano 2014.

“Estou sinceramente impressionado com ele”, disse Marklin. “Tudo o que ele fez naquele dia é exatamente quem somos – coração e coragem.”

Ao receber as chaves do carro, Carr emocionado, chorou.

Uma campanha online que tinha sido lançada para ajudar Carr a consertar o carro chegou a juntar US$ 8 mil (R$ 30 mil) antes de ser fechada.

Carr pretende se formar em dezembro, em um curso na área da saúde. Também tem planos de se juntar aos fuzileiros navais dos EUA e de estudar fisioterapia.

Na segunda, ele disse a repórteres que estava grato por ter tido a oportunidade de trabalho.

“Esta foi minha primeira oportunidade de trabalho há um bom tempo”, disse ao site AL.com.

“Eu queria mostrar a eles que sou dedicado. Eu disse que iria chegar ao trabalho de uma forma ou de outra.”

“Quero que as pessoas saibam disso – não importa qual seja o desafio, você pode superá-lo. Nada é impossível”.

Depois que Carr recebeu o carro, Jenny Lamey disse: “Walter, você não tem ideia de quantas vidas você mudou e inspirou. Você é um jovem muito especial e vai fazer grandes coisas”.

TSE rejeita pedido para já declarar Lula inelegível

Ministra Rosa Weber nega petição do MBL sem julgá-la no mérito. Para ela, pedido de inelegibilidade não pode ser analisado antes de petista registrar candidatura, e movimento não tem competência para levantar a causa.

O ex-presidente LulaCondenado a mais de 12 anos de prisão, Lula está detido em Curitiba desde 7 de abril

A ministra Rosa Weber, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), rejeitou nesta quarta-feira (18/07) um pedido feito pelo Movimento Brasil Livre (MBL) para que o tribunal declarasse inelegível o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva antes mesmo do registro de sua candidatura.

Weber decidiu extinguir o processo sem nem mesmo julgá-lo no mérito, alegando que, antes do período destinado à oficialização das candidaturas, não se pode discutir legalmente a questão de inelegibilidade de pré-candidatos.

Em sua decisão, a presidente em exercício do TSE entendeu também que os representantes do MBL não têm legitimidade para levantar a causa.

Segundo a ministra, o “pedido de exclusão de candidato” foi apresentado por meio de “instrumento procedimental atípico, oriundo de agente falho de legitimação, fora do intervalo temporal especificamente designado pela lei para tanto”.

Na petição enviada ao TSE na última sexta-feira, Rubens Alberto Gatti Nunes e Kim Kataguiri, coordenadores do MBL, argumentaram que a corte deveria reconhecer “desde logo a evidente inelegibilidade” de Lula, preso após condenação em segunda instância.

O pedido tinha como base a Lei das Inelegibilidades, que torna inelegíveis os condenados em decisão transitada em julgado ou proferida por órgão judicial colegiado, que é o caso do petista.

Além de solicitar uma decisão liminar que já declarasse o ex-presidente inelegível, o MBL pedia ainda que ele fosse impedido de registrar sua candidatura, de fazer campanha e de ser mencionado em pesquisas de intenção de voto.

Lula foi condenado em segunda instância em janeiro deste ano a 12 anos e um mês de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. O caso envolve um tríplex no Guarujá, no litoral paulista. Ele sempre negou as acusações.

Em linha com o entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF), o juiz Sérgio Moro determinou sua prisão assim que se esgotou a possibilidade de recursos na segunda instância. Ele se entregou à polícia em 7 de abril e, desde então, está preso na sede da Polícia Federal em Curitiba.

Com a condenação, o petista foi enquadrado na Lei da Ficha Limpa, que impede a candidatura de condenados pelos órgãos colegiados da Justiça. No entanto, o ex-presidente ainda pode ser beneficiado por uma liminar e disputar as eleições.

Mesmo com Lula preso e virtualmente inelegível, o PT ainda insiste que ele será candidato à Presidência. Ele tem até 15 de agosto para registrar sua candidatura.

Por enquanto, a situação legal do petista não diminuiu significativamente seu apelo eleitoral. Uma pesquisa do Ibope divulgada em junho o coloca na liderança da corrida presidencial, com 33% dos votos. Ele também venceria em qualquer cenário de segundo turno, segundo o Datafolha.

EK

Barack Obama oferece defesa apaixonada da igualdade em Nelson Mandela, veja o vídeo

Mais de 14.000 pessoas vieram para ouvir o ex-presidente dos EUA falar em Joanesburgo. Obama pediu uma rejeição da “política de medo, ressentimento e retração”.

Barack Obama

O ex-presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, fez a palestra anual de Nelson Mandela em Joanesburgo na terça-feira, usando o primeiro grande discurso desde que deixou a Casa Branca para homenagear o falecido líder sul-africano no que seria seu centésimo aniversário.

Em uma conversa abrangente, Obama criticou a política “reacionária” e “forte”, enquanto pedia um respeito mais amplo pelos direitos das mulheres e de uma mídia independente.

Com uma referência velada ao seu sucessor, Donald Trump, Obama abriu comentando sobre os “tempos estranhos e incertos em que estamos … e eles são muito estranhos”. O ex-presidente observou que, em um momento cheio de “manchetes perturbadoras”, era imperativo “ter alguma perspectiva”.

“Mais de um quarto de século depois que Madiba saiu da prisão, eu ainda tenho que ficar aqui dizendo que pessoas de todas as raças e mulheres e homens são os mesmos”, disse Obama, referindo-se ao nome do clã de Nelson Mandela.

Assista ao vídeo

Obama alerta sobre ‘tempos incertos’ no discurso do Mandela Day

‘Eu não estou sendo alarmista’

Em um discurso caracterizado por sua defesa apaixonada da igualdade entre raça, gênero, orientação sexual e linhas nacionais, Obama criticou a natureza “mesquinha” das “políticas de medo, ressentimento e retração”, sem nomear nenhum político específico.

No que foi talvez outra alusão a Trump, ele criticou líderes que “apenas inventam coisas … quando são apanhados em uma mentira e eles apenas dobram para baixo”.

“Aqueles que estão no poder procuram minar todas as instituições … isso dá significado à democracia”, incluindo a imprensa livre, disse o ex-líder.

Ele acrescentou um aviso severo: “Não estou sendo alarmista. Estou simplesmente declarando os fatos. Olhe em volta”.

As 14.000 pessoas que vieram ver Obama falar em Joanesburgo regularmente irromperam em aplausos estrondosos durante a palestra.

As comemorações de Mandela aconteceram enquanto a África do Sul ainda se recupera de um escândalo de corrupção que viu o ex-presidente Jacob Zuma, do partido do Congresso Nacional Africano (ANC) de Mandela, renunciar em desgraça em favor de Cyril Ramaphosa. Ramaphosa era um amigo próximo do falecido líder.

dw

Entrevista exclusiva com Alexya Salvador: Pastora trans e pré-candidata a deputada estadual pelo PSOL

A sua vida, como ela mesma define, já é em si um ato político. Casada, tem dois filhos adotivos, uma trans como ela e o outro com necessidades especiais, e em sua igreja atende a todos os excluídos, indiscriminadamente

A pastora Alexya Salvador. Foto: Reprodução Facebook
Por Julinho Bittencourt 

Alexya Salvador é uma mulher transgênero, pastora da Igreja da Comunidade Metropolitana (ICM), cuja sede em que atua fica no centro de São Paulo. Além disso, ela é também pré-candidata a deputada estadual pelo PSOL. É casada com Roberto, professor da rede pública estadual, e tem dois filhos adotivos, um deles o Gabriel, de 11 anos, que tem necessidades especiais e a outra é a Ana Maria, 11, transgênero como a mãe.

A sua vida, como ela mesma define, já é em si um ato político. A igreja onde é pastora é uma comunhão brasileira e internacional de comunidades cristãs da vertente protestante que aceita de forma irrestrita irmãos excluídos – todos os excluídos e não só LGBTs, como faz questão de deixar claro – entre eles lésbicas, gays, bisexuais, transsexuais e afins (LGBT), além, é claro, de seus familiares.

A sua candidatura, de acordo com ela, representa todas as travestis, transexuais e homens trans que já foram assassinados. Ela conversou com a Fórum sobre a sua trajetória de vida, a sua candidatura, as dificuldades que enfrentou – e enfrenta ainda – e, sobretudo, como consegue conciliar coisas aparentemente incompatíveis, como a devoção a Deus, a militância LGBT e, agora também, a política partidária.

Alexya e o marido Roberto. Foto: Facebook

Fórum – O que representa a sua pré-candidatura, neste momento em que o Brasil e o mundo dão essa guinada conservadora?

Alexya Salvador – A minha pré-candidatura representa todas as travestis, transexuais e homens trans que já foram assassinados. Eu represento todas essas pessoas. A minha candidatura é por eles, porque se hoje tem alguém ligando para mim de uma revista querendo saber um pouco da minha vida, é porque essas pessoas deram a vida delas. E eu não posso esquecer dessas almas, dessas pessoas que nos precederam, como a Dandára. Homens trans que são violentados todos os dias no Brasil, e isso quase não é falado. Então, a minha candidatura é a representação dessas pessoas. O meu desejo é poder representar, porque se não tiver representantes transgêneros na política, nunca as nossas demandas serão atendidas de maneira completa e de maneira eficaz.

Fórum – E como você espera atuar neste sentido?

Alexya Salvador – Num esforço pela empregabilidade e saúde trans, com um olhar mais humano no processo de adoção. A revisão do cadastro nacional de adoção e também criar projetos para os jovens que não são adotados e que aos 18 anos são obrigados a deixar o abrigo. Além disso, é preciso melhorar esses abrigos, que não recebem a atenção devida do Estado.

Fórum – Mas e em outras áreas?

Alexya Salvador – Meu esposo é professor contratado. Entra ano e sai ano e ele fica de duzentena, que significa duzentos dias sem poder pegar aulas. É humilhante. O governo de São Paulo maltrata os professores, em todos os sentidos, principalmente os contratados. Eu quero atuar nisso, em melhorias para uma educação com qualidade, com professores bem remunerados, fim da divisão de classe entre os professores, pois os professores contratados recebem tratamento diferenciado, como por exemplo, não ter direito ao convênio de saúde, o IAMSPE. Além disso, a rede pública, assim como nos municípios, não oferece tratamento adequado para crianças especiais. Eu sou mãe do Gabriel, um menino com necessidades especiais. Sofri muito na rede municipal para encontrar tratamento de qualidade. Sou professora efetiva há dois anos e hoje tenho o convênio do Estado. Mas antes era professora contratada e não tinha acesso a esses serviços para o meu filho.

Alexya. Foto: Facebook

Fórum – E como foi que você resolveu entrar para a política?

Alexya Salvador – A minha vida em si já é um ato político, desde muito sempre mas nessa configuração que a gente entende assim por política foi há quase dois anos, quando eu fui a um congresso em Brasília. Era um congresso LGBT que aconteceu na Câmara. O deputado Jean Wyllys falava que outros LGBTs deveriam estar ocupando aquelas cadeiras também para o enfrentamento das demandas da nossa comunidade. Naquele momento, assumidamente, ele era o único deputado gay LGBT da história. Eu voltei para casa e aquilo ficou na minha cabeça, porque me envolver de maneira metafórica mesmo, ou até de maneira mais abrangente nesse aspecto, eu nunca havia pensado, mas aquilo ficou martelando, martelando e eu falei: “ah, porque não, né?”, porque se nós não formos pra dentro desses lugares a gente sempre vai ficar por baixo, sem poder exigir os nossos direitos.

Fórum – O Jean Wyllys foi uma inspiração para você por ser o primeiro parlamentar homossexual assumido, mas eu acredito que há uma grande diferença, até na forma de proceder na política, entre ser homossexual e ser transgênero. Você deve sofrer um tantinho de preconceito a mais do que um homossexual, não?

Alexya Salvador – Um tantinho não, um tantão, né? (risos).  A vivência de um homem gay ou de uma mulher lésbica hoje no Brasil ainda é muito doída, são lutas diárias, isso é fato.  A vivências das pessoas trans, e quando eu digo pessoas trans eu estou dizendo travestis, transexuais e pessoas transgêneras, – eu me defino com uma mulher transgênera. Essas lutas são assim de um grau muito maior, porque a sociedade meio que aceitou o gay, mas as pessoas trans a sociedade ainda vê como o desnecessário. Elas acham que, ou você é doente mental ou, como eu ouvi de muitas pessoas que me cercavam quando eu fiz a minha transição que falavam assim: “mas você precisa se vestir de mulher? Precisa colocar silicone? Precisa alterar RG?”. Quando na verdade ele não entende que são coisas completamente diferentes.

Fórum – Inclusive, seu pai foi, num primeiro momento, uma das pessoas a dizer que você pode ser gay, mas não queria te ver vestido de mulher, né?

Alexya Salvador – Quando eu fui me assumir, aos 22 anos, eu já ia me assumir como uma pessoa transgênero, mas quando eu comecei a contar, eu vi que ele ficou muito nervoso e deu uma porrada na porta do quarto, ele se exaltou muito. E eu tive que pensar muito rápido naquele momento: “eu me assumir gay já é um começo”. Aos poucos, fui mostrando pra ele esse universo, que até então pra minha família, como pra grande maioria, é difícil, – eu nasci na década de 80 e o meu pai é da década de 50 – ia ser muito difícil pra ele lidar com essa realidade e naquele momento eu só me assumi gay: “vou comendo pelas beiradas e com o tempo eu vou mostrando para ele esse universo”. E eu penso que fiz bem. Os anos se passaram e até chegar aos 28 anos, quando eu fiz a transição, o meu pai já tinha um conteúdo melhor, já estava mais inserido dentro do universo LGBT. Não é que foi fácil.

Fórum – Ele foi inserido por você?

Alexya Salvador – Sim, por mim. O linguajar, as palavras, conviveu com LGBTs que iam na minha casa, isso ajudou. A minha mãe sempre me apoiou, desde o começo ela sabia que eu era uma mulher e ela falou “Olha eu tô com você e não abro mão disso”. Mas pro meu pai foi mais complicado, tanto que no dia que eu fui conversar, eu sai de casa e falei: “é hoje, vou enterrar o Alexander de vez na minha vida, não dá mais”. Meu pai tava na área de casa chupando uma laranja e quando me viu ele engasgou, porque eu tava de cabelão, de salto e ele quase teve um treco (risos). Daí ele ficou uma semana sem falar comigo e me procurou. Eu lembro que eu estava na minha casa pintando as unhas de vermelho quando ele entrou. Então ele falou para mim chorando: “Eu não sei lidar com isso, não sei como que é isso, mas eu te amo e não posso te virar as costas, é só você me dar um tempo”. Já se passaram quase oito anos da minha transição e só recentemente que o meu pai começou a me tratar completamente no feminino. Ele foi no tempo dele e eu soube esperar, mas de outras pessoas eu não abri mão, não esperei. E foi muito lindo porque o meu pai dá a vida dele por mim.

Fórum – Qual a diferença, a distância que tem entre perceber a homossexualidade e perceber que você é trans, uma mulher com corpo de homem?

Alexya Salvador – Olha, ainda criança na escola, eu apanhava praticamente toda semana. Isso pra não falar quase todos os dias.

Fórum – E você é uma mulher grande, né?

Alexya Salvador – Sou, eu sou uma mulherona, sempre fui a mais alta da turma, mas era a mais boba. Eu sou nascida e criada na área rural de Mairiporã da Periferia e não tinha referência de pessoas trans. Para você ter uma ideia, todas as cidades do entorno de Mairiporã têm pontos de prostituição com muitas trans e Mairiporã parece ser a única cidade que não tem isso, então eu cresci sem ver pessoas trans, sem ter referência. Uma situação bem diferente da minha filha, que eu busquei em Pernambuco, que é uma menina trans de 10 anos que agora tem 11. Na década de 80 não se falava nisso. Se falava de Roberta Close, mas eu nem imaginava quem era Roberta Close. Então, a figura mais próxima que eu tinha era a figura gay. Então eu cresci achando que era homossexual, mas eu tinha o desejo de brincar com as bonecas da minha irmã, eu tinha o desejo de ter o cabelo grande, de cuidar da casa, eu sempre fui afeminada, então na minha adolescência, no início da minha fase adulta, acreditava que eu era um gay.

Fórum – Você começou a sentir atração por homens desde quando?

Alexya Salvador – Sempre. Desde pequena. Eu sempre fui de igreja, eu com sete anos procurei a Igreja Católica e desde então eu cresço dentro da igreja, porque era o único lugar que não apanhava. Não apanhava fisicamente, porque depois, na minha adolescência, com a chegada da puberdade, os hormônios e aquela ebulição toda, eu vou sofrer um tipo de violência dentro da igreja que eu acho que foi a pior de todas, que foi a violência psicológica, a violência espiritual. Como eu tinha essa relação eu gostava muito de estar envolvida nas coisas da igreja, para mim Deus não me amava, Deus me abominava, Deus ia me mandar para o inferno.

Alexya. Foto: Facebook

Fórum – Mas algum padre falou isso para você?

Alexya Salvador – Principalmente quando eu me confessava, quando vinham padres de fora, porque eu sempre procurava um padre novo para me confessar, para ver se ele tinha algo novo para me falar, porque os meus padres diziam: “Olha, você tem que sublimar isso, porque Deus não criou você assim. Então pensa, uma jovem do mato, uma caipirona que não tinha internet, não acessava as informações que temos hoje. Então o que eu vou fazer aos 19 anos? Virar seminarista. “Eu vou sublimar isso e vou virar padre”. Então eu fui e fiquei por quase quatro anos no seminário. Eu terminei Filosofia na PUC Campinas, foi quando, já no primeiro ano de filosofia, voltando à noite de um evento na PUC, eu vi pela primeira vez um ponto de prostituição de travestis. Aí eu olhei e falei: “Eu sou isso”.

Fórum – E você teve relações com alguém dentro do seminário?

Alexya Salvador – Não. Tive oportunidades, tive insinuações, mas se eu falar pra você que eu vi alguma coisa dentro do seminário, eu vou estar mentindo. Eu até poderia aproveitar as várias entrevistas que eu dei e descer o sarrafo e colocar lenha na fogueira, mas eu não vou fazer isso. Não vi. Tive sim desejos por seminaristas, tive situações em que eu sei que se eu tivesse permitido teria sim acontecido, mas eu tinha sempre aquele medo de Deus, eu tinha pavor de Deus. Então eu segurei o máximo e quando eu vi que não ia conseguir mais, que eu ia pecar – abre aspas, né? – eu cheguei no meu bispo, que depois foi arcebispo de Campinas, que já faleceu e disse: “Eu quero ir embora”, e ele falou: “Jovem, mas você é o melhor seminarista que eu tenho, é dedicado”, e eu falei: “Eu vou viver a minha vida, que eu não quero ser uma desonra para igreja”. Ele deve ter entendido. Foi neste momento que eu voltei pra casa e tive a conversa com os meus pais. Eu não tive força para enfrentar o meu pai naquele momento, eu tive medo e tentei agir com astúcia e foi bom, porque eu consegui construir a minha história.

Fórum – E aí você chega a essa Igreja protestante, que é muito mais liberal.

Alexya Salvador – Não é que nós somos liberais. O nosso entendimento é que a igreja não existe para legislar sobre a vida de ninguém, seja sua vida íntima, sua vida sexual. A igreja não existe para isso. Ela existe para ser uma comunidade, para gerar vida comunitária com pessoas que têm o desejo de construir uma sociedade justa e igualitária. Por isso que eu digo que nós não temos doutrina. Não temos um conjunto de regras estabelecidas na lei por um líder para que as pessoas sigam aquilo e quem não segue está fora. Nós não estamos preocupados com isso. Nós estamos preocupados se o meu irmão tem o que comer na casa dele, se conseguiu pagar o aluguel, se conseguiu marcar aquela consulta médica. Se ele tá preso, queremos saber se alguém foi visitá-lo. Se ele tá doente, se tem alguém cuidando dele.

Fórum – Você deve ter muitos fiéis, irmãos, que são também transgêneros.

Alexya Salvador – Sim. E heterossexuais cisgêneros também. Temos também homem que gosta de mulher e mulher que gosta de homem. Nós não somos uma igreja exclusivamente para a população LGBT, nós somos a igreja de todos os excluídos.

Fórum – As igrejas normalmente são distantes da política, sobretudo da política de esquerda, salvo raríssimas exceções. Você é pastora da igreja dos excluídos e por outro lado você é militante e vai ser candidata pelo PSOL, que também é um partido que luta pelos excluídos. Qual outras relações entre essas duas entidades?

Alexya Salvador – A gente entende que não há outro caminho. Segundo a prática de Jesus, não existe outra forma de ser. É claro que as outras igrejas se distanciam neste sentido, porque acabam tendo uma prática mais elitista, mais conservadora, preconceituosa, reacionária e a gente vem na contramão disso. Você veja, eu sou a primeira pastora trans do Brasil. Hoje, graças a Deus, nós somos em três pastoras transgêneras. Aliás, deixa eu falar bonitinho. Nós somos três pastoras “T”. Uma se apresenta como travesti, que é lá de Teresina, a Maria Laura. Nós temos a pastora de Maringá, no Paraná, que  se apresenta como transexual e eu, Alexya Salvador, em São Paulo, que se apresenta como pastora transgênera. Então são palavrinhas diferentes, respeitando a história das travestis que nos precederam, a grande luta daquelas mulheres, as que se entendem como transexual ou como transgênera. Então, a ICM, quando se fala do PSOL, a sua prática, é que eu te falo que esses ideais de que haja uma sociedade justa, em que o pobre seja ouvido e seja promovido, porque não adianta eu ir lá e dar uma cesta básica para ele hoje e matar a fome dele hoje. Eu tenho que ser aquela que vai gerar emprego, que vai fazer com que ele se mantenha de maneira justa e nós, na ICM, lutamos radicalmente por isso.

Fórum – A igreja apoia sua pré-candidatura?

Alexya Salvador – Apoia, a minha denominação no mundo inteiro já está sabendo e a nossa moderadora – nós somos a única denominação no mundo cristão liderada por uma mulher, que já está no segundo mandato – ela apoia, tá feliz, orgulhosa. E agora eu vou ser ordenada a primeira reverenda transgênera da América Latina.

Suspeito de corrupção, ex-ministro decide colaborar com investigação da PGR

Suspeito de corrupção, ex-ministro decide colaborar com investigação da PGR

Foto: José Cruz / Agência Brasil

O ex-ministro Helton Yomura decidiu colaborar com a Operação Registro Espúrio, que provocou o seu afastamento do Ministério do Trabalho no início deste mês. De acordo com informações da Folha de S. Paulo, ele e seus advogados procuraram voluntariamente a Procuradoria-Geral da República (PGR) e se colocaram à disposição para entregar documentos que podem ajudar nas investigações.

Pessoas próximas a Yomura alegam que a intenção dele não é fechar um acordo de delação premiada, pois ele não teria crimes para confessar. A intenção de contribuir com a apuração é evitar novas medidas cautelares, como uma eventual ordem de prisão.

Yomura foi afastado do Ministério do Trabalho por suspeita de integrar um esquema de corrupção para liberação de registros sindicais. Ele foi suspenso de suas funções no dia 5 e horas depois pediu demissão do cargo.