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A bomba era Joesley, mas Temer só pensava em Cunha

 

Veja – Radar Online

Um assessor de Michel Temer o informou em 10 de maio, portanto uma semana antes de vir à tona a delação da JBS, de que uma bomba cairia sobre o colo presidencial.

Temer pensou, pensou e concluiu que só poderia ser a delação de Eduardo Cunha.

Nem lembrou do papo que tivera dois meses antes com Joesley no porão do Jaburu

O segundo semestre da Lava-Jato no No Rio de Janeiro o segundo semestre da Lava-Jato promete ser mais agitado do que o primeiro.

Já a delação de Lúcio Funaro tem um capítulo para detalhar suas conexões com laboratórios farmacêuticos e a Anvisa.

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‘Tem que ter coragem para processar poderosos’

É o que acha a procuradora da República Thaméa Danelon

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Estadão Conteúdo

Na avaliação da procuradora da República Thaméa Danelon, para processar poderosos são necessários conhecimento jurídico, técnico e uma boa dose de destemor. A procuradora faz parte da recém-criada força-tarefa da Operação Lava Jato, em São Paulo. Doze inquéritos já foram instaurados com base na delação da Odebrecht.

“Tem que ter coragem. Os poderosos nos processam na Corregedoria, entram com ação contra a gente. Tem que fazer nosso trabalho, mas com uma boa dose de coragem”, considera Thaméa.

Ela faz uma previsão sobre o alcance da grande investigação. “Não dá para colocar um limite. Ela vai chegar onde tiver que chegar.”

O Supremo Tribunal Federal enviou à Procuradoria da República em São Paulo 14 petições desmembradas da delação da Odebrecht. Duas se referem ao ex-presidente Lula. Na lista estão ainda supostos “pagamentos de vantagem indevida não contabilizada” em campanhas eleitorais de José Anibal (2010), Alexandre Padilha (2014), Edson Aparecido (2010) – ex-chefe da Casa Civil do Governo Alckmin – e o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (2012). Todos negam enfaticamente terem recebido valores de origem ilícita em suas campanhas ou gestões.

A criação da força-tarefa vai permitir uma melhor organização das investigações ligadas à Lava Jato. Em vez de serem livremente distribuídas dentro do Ministério Público Federal, as apurações têm destino certo: o grupo formado pelos procuradores Thiago Lacerda Nobre, José Roberto Pimenta Oliveira, Anamara Osório Silva e Thaméa.

“Já sabemos que o que vier da Lava Jato, vai acabar vindo, vai vir para um dos quatro”, afirma Thaméa. “Trabalhando em equipe, se eu saio de férias, os colegas já estão familiarizados. Fica mais fácil de organizar o trabalho.”

Segundo a procuradora, a força-tarefa vai facilitar também o contato com autoridades estrangeiras e pedidos de cooperação internacional.

“Eles já sabem quem procurar. Vai facilitar a condução das investigações”, diz.

Veja a íntegra da entrevista:

Estado: A criação da força-tarefa em São Paulo indica que a Lava Jato não está no fim?

Thaméa Danelon: Exatamente. Não está no fim, porque a cada semana novos fatos surgem, novas pessoas são apontadas como criminosas, então o serviço não pode parar, tem que apurar. Alcance quem alcançar, chegue em quem chegar tem que continuar. Essa é a maior operação de combate à corrupção da humanidade, de todos os tempos. Três anos não é muito, é até pouco.

Estado: Por que levou mais de três anos e meio para a formação de uma equipe da Lava Jato em São Paulo?

Thaméa Danelon: Porque não tinha havido desmembramento para cá. Tinha só havido um desmembramento, no que se refere à Operação Custo Brasil, no primeiro fatiamento do Supremo. Esse fatiamento gerou a operação que investigou o ex-ministro Paulo Bernardo. Só tinha chegado esse caso para cá. Curitiba está trabalhando super bem e o Rio de Janeiro também. Como essas petições chegaram somente nesse ano, a gente estava avaliando quantos casos viriam para analisar se seria interessante criar uma força-tarefa. Conversamos com os colegas de Curitiba, do Rio, não foi uma decisão só nossa e concluímos que seria mais adequado.

Estado: O grupo vai ter 4 procuradores e receber 14 petições encaminhadas pelo Supremo. O quadro é suficiente?

Thaméa Danelon: Suficiente nunca é, mas a Procuradoria aqui não pode parar. Tem outras atuações, como no meio ambiente, no consumidor, na saúde, na educação. Não dá para ficar desguarnecida uma área. A criação originária dessa força-tarefa foi os três membros do Núcleo de Combate à Corrupção, dr. José Roberto Pimenta Oliveira, dra. Anamara Osório Silva e eu, e pedimos para o dr. Thiago Lacerda, que é o chefe da Procuradoria, que tem muita experiência, para integrar. Para o início está bom.

Estado: O fato de os procuradores da força-tarefa não terem exclusividade com a Lava Jato prejudica as apurações?

Thaméa Danelon: Como está muito no começo, nós optamos por continuar, porque cada um já tem outras operações e investigações. Como está nesta fase inicial, nós pensamos em manter como está. Havendo necessidade de algum colega ficar com exclusividade, isso pode ser pedido.

Estado: Onde a Lava Jato pode chegar em São Paulo?

Thaméa Danelon: Não dá para colocar um limite. Ela vai chegar onde tiver que chegar.

Estado: Entre os citados nas petições que chegaram do Supremo há muitos políticos, entre eles o ex-presidente Lula. Isso dificulta as investigações?

Thaméa Danelon: Somente veio para nós pessoas que não têm foto privilegiado. Dificultar, não, é o nosso trabalho. Temos que investigar. Se vai ter manifestação a favor, militância, não diz respeito a nossa atuação. O que a gente tem de fazer é investigar o fato. Não é investigar a pessoa, é investigar o fato. Qual é o fato? Valores pagos à empresa tal ou ao político tal. Vamos investigar o fato. Foi pago mesmo para esse político? Sim, então, vamos processar o político ou ex-político. Manifestações externas, a gente tem de respeitar, desde que sejam pacíficas, que sejam de acordo com a Constituição. Mas isso não vai atrapalhar nosso trabalho.

Estado: Caixa 2 é propina?

Thaméa Danelon: Nem sempre. Às vezes é um simples caixa 2, um valor não contabilizado. Mas na grande maioria dos casos, que foi até constatado na Lava Jato, em Curitiba, era propina. Não era doação de campanha, não. Eram adiantamentos de propina. Os executivos, empresários doavam, pagavam a propina para no futuro ter a contrapartida. Há casos em que há apenas a doação não contabilizada. Mas grande parte é propina, sim.

Estado: Qual a expectativa para a chegada da nova procuradora-geral da República Raquel Dodge?

Thaméa Danelon: A dra. Raquel Dodge sempre foi muito combativa, muito séria, muito corajosa. Acho que essa é uma das características mais importantes, porque não é fácil investigar poderoso, não basta ter conhecimento jurídico e técnico. Tem que ter coragem. Os poderosos nos processam na Corregedoria, entram com ação contra a gente. Tem que fazer nosso trabalho, mas com uma boa dose de coragem. Acho que ela tem a coragem necessária. Acredito que ela vai continuar fazendo um bom trabalho nos moldes do dr. Rodrigo Janot, que foi um procurador-geral da República extremamente corajoso, combativo. Acredito que vai continuar como tem que continuar. Eu tenho confiança que ela vai fazer um bom trabalho, sim.

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M.P.E. quer investigar denúncia de Haddad contra Doria

Juiz de primeiro grau arquivou sem apreciar o mérito

 O prefeito eleito João Doria Jr (PSDB) e o ex prefeito Fernando Haddad  (Foto:   Moacyr Lopes Junior/Folhapress)

Por Mateus Coutinho

O prefeito eleito João Doria Jr (PSDB) e o ex prefeito Fernando Haddad (Foto: Moacyr Lopes Junior/Folhapress)

O Ministério Público recorreu à Justiça Eleitoral para investigar o prefeito de São Paulo, João Doria, por abuso de poder político e econômico na campanha de 2016. Candidato derrotado, o petista Fernando Haddad afirmou que empresas de Doria foram favorecidas com contratos de governos tucanos. O MP diz que o juiz de primeiro grau arquivou a denúncia sem apreciar o mérito. Advogado de Doria diz que a Justiça já enfrentou os “frágeis argumentos” da denúncia e que o Tribunal Eleitoral deverá ter o mesmo entendimento.

Época

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E ela ainda vai dar aula… de quê?

Um instituto petista de Chapecó convidou Dilma Rousseff para ministrar um curso para discutir “A Esquerda no Século XXI”. Será que ela vai ensinar a estocar vento?


Com o colapso de governos populistas no mundo, e após 13 anos de uma gestão petista responsável por mergulhar o País na maior crise econômica e moral da história recente, é inegável até mesmo entre os próprios militantes do PT a urgência da revisão e modernização das ideologias e práticas da esquerda. Por iniciativa do deputado federal Pedro Uczai (PT-SC), o Instituto Dom José Gomes, de Chapecó, em Santa Catarina, ligado ao PT, resolveu lançar um curso de pós-graduação batizado de “A Esquerda no Século XXI”.

Até aí, tudo bem. Reflexões plurais são sempre bem-vindas na democracia. Mas como se fosse uma piada de mau gosto, convidaram para ser uma das “professoras” do curso, que custará R$ 7.200 por aluno, ninguém menos que a ex-presidente Dilma Rousseff. Isso mesmo. A pessoa que conseguiu estraçalhar as bandeiras e a imagem da esquerda brasileira, pois em apenas seis anos de gestão foi capaz de aumentar a desigualdade sócio-econômica, tirar a sociedade da condição de pleno emprego para arremessar 14 milhões de trabalhadores para fora do mercado de trabalho e a afundar a economia nacional. Em seu fracassado governo, ela já dava aula: mas de como se quebrar um País em tão pouco tempo.

Suas pérolas são conhecidas e inspiradoras de memes nas redes sociais. Como não lembrar do dia em que Dilma quis ensinar o País a estocar vento? E o discurso em que afirmou que a bola, símbolo da nossa evolução, nos transformou em “homo sapiens” e “mulheres sapiens”? Fora o “respeito pelo ET de Varginha” e a célebre saudação à mandioca, “uma das maiores conquistas do Brasil”. Para usar outra expressão celebrizada por Dilma, nas aulas ministradas no instituto Dom José Gomes, em Chapecó, “nem quem ganhar nem perder, vai ganhar ou perder. Vai todo mundo perder”. Vai mesmo.

A trajetória da jovem Dilma Vana Rousseff, militante que enfrentou a ditadura militar poderia até servir de inspiração. Mas essa, pelo que se sabe, não será a pauta das aulas. Nem mesmo o desempenho dela como ministra-chefe da Casa Civil no governo Lula deve servir de ensinamento, já que foi a partir de sua autorização que a Petrobras adquiriu o bilionário mico chamado refinaria de Pasadena, no Texas, apelidada de “ruivinha”, em razão da ferrugem que tomava conta das estruturas físicas da empresa.

Além de constituir um exemplo bem acabado de tudo o que não se deve fazer em um governo, Dilma também deveria servir como modelo do comportamento que leva ao fracasso: jamais praticar a autorreflexão, a de não saber ouvir críticas e sequer permitir espaço para as ideias de seus auxiliares, e assumir-se como centralizadora e dona absoluta da verdade. Visto por esse ângulo, até que as aulas ministradas pela ex-chefe do Executivo poderiam ser produtivas. Algo como: “O que não praticar, por Dilma Rousseff”.

Outras “estrelas”

Entretanto, a disciplina para a qual ela está destacada não tem nada disso. Chama-se “Partidos Políticos e a Esquerda Brasileira” e será ministrada em parceria com o petista Olívio Dutra, ex-governador do Rio Grande do Sul e ministro das Cidades no governo Lula. Há 50 vagas para o curso, que deve durar um ano. Como há a procura de mais de 500 interessados, o Instituto Dom José Gomes deve fazer uma seleção, levando em consideração critérios da “atuação em entidades ligadas à classe trabalhadora”. Leia-se: petistas confessos. O curso terá o aval da Fundação Perseu Abramo, ligada ao PT, onde Dilma é conselheira.

Além de Dilma, outras figuras carimbadas que monopolizam há anos o comando dos movimentos sociais farão parte do “corpo docente” da pós-graduação em esquerdismo, como João Pedro Stédile, líder do MST e Guilherme Boulos, do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, conhecidos por suas táticas de invadir propriedades privadas. Também integra o elenco de professores o deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ), que nas últimas semanas se dirigiu às redes sociais para dizer que o juiz Sergio Moro condenou Lula a nove anos de prisão pelo fato de o ex-presidente só ter nove dedos. É melhor parar por aqui.

“PÉROLAS DA “PROFESSORA” DILMA “

“Eu queria dizer que tenho muito respeito pelo ET de Varginha”

“Não vamos colocar meta. Vamos deixar a meta aberta, mas quando atingirmos a meta, vamos dobrar a meta”

“O vento, podia ser isso também, mas você não conseguiu ainda tecnologia para estocar vento. Vamos supor que vente mais à noite, como eu faria para estocar isso?”

“Então, aqui, hoje, eu estou saudando a mandioca. Acho uma das maiores conquistas do Brasil”

“Para mim essa bola é um símbolo da nossa evolução. nós nos transformamos em Homo Sapiens ou “Mulheres Sapiens”.

Fonte: Istoé

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Lula não é a melhor opção para a esquerda

Por Cilene Pereira

O filósofo paulistano e professor emérito da Universidade de São Paulo Ruy Fausto é um dos um mais conhecidos pensadores da esquerda brasileira. Considerado um dos maiores especialistas nas ideias de Karl Marx, autor da obra “O Capital”, referência do pensamento anticapitalista, nos últimos tempos ele dedica parte de sua atenção à análise dos equívocos e do futuro do pensamento progressista no mundo. Um belo apanhado de suas reflexões está reunido no livro “Caminhos da Esquerda, elementos para uma reconstrução” (Cia. das Letras), lançado recentemente.

Lá está registrado de que maneira aspectos como o autoritarismo e a prática da corrupção por governos esquerdistas macularam as históricas bandeiras de igualdade e ética da ideologia e o que pode ser feito para restituir seu diálogo com uma sociedade cansada da política. Um dos caminhos seria estimular a entrada no cenário do que chama de movimentos da inteligência. “São formados por uma classe média pensante, progressista e crítica. Ela existe e é poderosa”, disse na entrevista a seguir.

Quais os principais erros da esquerda?

O totalitarismo foi a grande patologia da esquerda. Havia um partido que já era autoritário, a ala bolchevique do Partido Operário Social Democrata Russo, que deu origem a um governo muito autoritário. Depois, foi-se do leninismo (referente ao líder russo revolucionário Lenin) ao stalinismo (Josef Stalin, que comandou a União Soviética durante 32 anos após a morte de Lenin), com um totalitarismo medonho que matou milhões e comprometeu o nome da esquerda.

Houve o que chamo de adesismo, referente a aqueles que dentro da esquerda aderiram ao sistema. Isso veio da social democracia, mas não de toda ela, claro. Porém houve homens de esquerda que adotaram políticas econômicas de direita, como o ex-primeiro-ministro trabalhista inglês Toni Blair. O terceiro equívoco é o populismo, baseado em carisma do líder, no autoritarismo, na leniência com a corrupção e em uma política de conciliação de classes que se fez de forma discutível.

A esquerda brasileira se encaixa em qual destas categorias?

Para o caso do Brasil, o PT entraria na família do populismo, embora de uma forma atípica. Faltou ao ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva o caráter autoritário, mas ficou a ideia de conciliar classes. Ele fez um governo para os mais ricos e para os mais pobres, o que não foi absolutamente condenável. E o partido se comprometeu com os problemas de corrupção. Isso foi o mais grave, o desastre total. Eles adotaram uma política de redistribuição de renda reconhecida, mas entrou-se num processo de promiscuidade entre o Estado, as grandes empresas e o bolso dos dirigentes.

No governo Dilma houve erros de todo tipo. Ela ajudou empresários em iniciativas que implicaram gastos de Estado sem vantagens para o País

O sr. falou da política de redistribuição de renda adotada pelos governos Lula e da ex-presidente Dilma Rousseff. Porém o Brasil continua sendo um dos países com maiores índices de desigualdade do mundo. Como explica isso?

Lula e Dilma deveriam ter pensado em primeiro lugar na reforma fiscal que o País precisa. A tributação no Brasil é muito injusta. Mesmo os economistas liberais estão de acordo que o imposto aqui é alto para os pobres. E no governo Dilma houve erros de todo tipo. Ela ajudou empresários em iniciativas que implicaram enormes gastos de Estado, mas sem vantagens para o País porque não geraram mais emprego, nem maior produtividade.

O PT mantém a narrativa de que é vítima de uma perseguição da Justiça e das elites. O que o sr. acha disso?

O partido não faz auto-crítica. Se fizesse, mudaria tudo.

Por que insistem em não reconhecer seus erros?

Os dirigentes do partido são um obstáculo. Não tenho nenhuma confiança neles.

O PT hoje é um empecilho à reconstrução da esquerda no Brasil?

A política atual da direção do PT não serve à esquerda. É verdade que o partido não morreu e o Lula tem prestigio. Espero que ele não seja condenado, mas, para mim, Lula não é a melhor opção para a esquerda. Jogar a carta no ex-presidente é jogar a carta no PT atual, que não tem legitimidade. São burocratas de partido, que sacrificaram os melhores deles. Temos que pensar em outros caminhos.

Quais, por exemplo?

É preciso mobilizar muita gente solta.

O que é essa ‘gente solta’?

Está cheio de gente de esquerda, por exemplo, que não é nem PT, nem Psol. Coloco fé em novos movimentos da sociedade civil. Existem movimentos sociais da periferia, de sem-teto etc. Mas precisaria haver movimentos sociais da inteligência.

O que seria a ‘inteligência’”?

É a classe media pensante, progressista e crítica. Ela existe e é poderosa. Considero-me alguém desse tipo. E parar com essa história de ter de ser de partido. Quando as direções partidárias são o que são hoje, é preciso mobilizar essas outras forças. Os partidos falam como se fossem os donos da bola. Não são. Eles têm força, mas se desmoralizaram muito, com todo o respeito que tenho por figuras do próprio PT e do Psol, por exemplo.

O que há de concreto na mobilização dessas forças?

Há embriões disso, porém muito mal-vistos pelo partidos. Mas somos mais fortes. Os movimentos não carregam as taras que os partidos têm sobre si. E muita gente quer esse tipo de ação como alternativa.

O sr. descreve um processo parecido com o que levou Emmanuel Macron à presidência da França, bastante ancorado em representantes da sociedade civil.

Ele catalisou um pouco isso. É um fenômeno surpreendente, que em um ano ganhou apoio e chegou à presidência da França. Mas o enxergo ainda com cautela, para ver no que vai dar. O programa de governo dele é o de um liberal moderado, quase todo favorável ao que querem os patrões.

Quais são as características de um bom candidato da esquerda para a presidência, em 2018?

Ele tem que ser um candidato razoável. É importante que seja democrata, que não tenha compromissos com nenhuma dessas características da esquerda de populismo, autoritarismo ou adesismo. E que apresente um programa político em que se dê papel ao Estado, mas não só isso: que desse estímulo às cooperativas, que cuidasse seriamente de uma reforma fiscal e política e que assegure importância à ecologia, por exemplo. Deveríamos abandonar o programa nuclear. A Alemanha e a Suíça abandonaram. O Brasil não precisa disso.

O que o sr. acha do silêncio de muitos expoentes da esquerda diante de governos autoritários como o de Nicolás Maduro na Venezuela?

Isso é um desastre. Espanto-me que tenha gente boa por aí citando a Venezuela como um exemplo. Se a esquerda lançar uma campanha para eleição afirmando isso, não vai ganhar. Para vencer eleição é preciso falar para ampla margem da população. Não dá para ficar pensando que o problema é o preconceito da classe média etc. Há uma reação contra esses tipos de governo, de bom senso da opinião progressista de dizer não a isso. Quem quer um governo do tipo do de Fidel Castro, em Cuba, ou de Nicolás Maduro? Isso acabou. Não tem mais futuro.

Trump faz um governo tresloucado, populista, de extrema-direita, inteiramente irresponsável. É um risco para o mundo

O discurso progressista não convence mais?

A esquerda não foi capaz de oferecer uma alternativa racional para quem quer pensar, para quem deseja respostas aos problemas, para quem não gosta de slogan. É preciso ganhar as pessoas.

Como seria possível fazer isso hoje?

É necessário introduzir racionalidade aos debates. Há muita insistência da esquerda em focar na paixão. O populismo cresceu muito nessas bases. É claro que a política tem um elemento retórico, tem a ver com paixão. Mas na base disso é necessário que exista um discurso racional. O totalitarismo é a negação da liberdade, o adesismo, da igualdade. O populismo é o peso da irracionalidade e a recusa da ética. Precisamos de uma bandeira racional e ética. Hoje há um abismo entre a sociedade e a política. Isso é muito perigoso. Fico muito assustado quando vejo jovens encantados com o Jair Bolsonaro (deputado do PSC defensor de ideias ultra-conservadoras que cresce nas pesquisas eleitorais sobre possíveis candidatos à presidência do País na próxima eleição).

O sr. teme muito a sua ascensão?

Sim. Ele cresce também com certo apoio de setores das classes média e alta. Temos que responder a isso.

Tomando posições, não falando de governos como o do Nicolás Maduro, Hugo Chávez (ex-presidente venezuelano) e coisas do tipo. Conversando com a classe média, que é demonizada pela esquerda.

Sem estratégias como essa, o País corre o risco de abrir espaço para líderes como Bolsonaro ou à moda do presidente americano Donald Trump?

Sim. O presidente Trump faz um governo tresloucado, populista, de extrema-direita, inteiramente irresponsável. Ele é um risco para o mundo. Veja o que ele fez em relação ao ambiente, tirando os Estados Unidos do Acordo de Paris. Ele não acredita no problema ambiental. E se continuarmos adotando as mesmas posturas no cuidado com a ecologia, em cinquenta anos o mundo sofrerá as consequências.

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Lula não se emenda. Nem seus lacaios

Por Carlos José Marques

O novo golpe na praça tem nome, sobrenome e condenação já emitida pela Justiça Federal. Chama-se pejorativamente de emenda Lula. E não poderia ter outra conotação a gambiarra em forma de projeto de lei, proposta pelo petista Vicente Cândido, relator da reforma política na Câmara dos Deputados, cuja votação aguarda o fim do recesso. Atente para o tamanho da mutreta sugerida sem a menor cerimônia, numa desfaçatez assombrosa, pelo nobre parlamentar.

O congressista aventa a possibilidade de dar imunidade criminal prolongada a todo e qualquer candidato em ano eleitoral, que duraria até oito meses antes do pleito. Assim ele não teria risco de ser preso nesse espaço de tempo. Seria uma releitura do texto previsto no Código Eleitoral que proíbe o encarceramento nos 15 dias restantes de campanha. O prazo – que em épocas de regimes de exceção evitava arbitrariedades contra a democracia – seria alargado estrategicamente de maneira a beneficiar réus, investigados e encalacrados em geral com a justiça, cujos processos se arrastam devido à decantada morosidade dos tribunais.

A turma de envolvidos com a Lava-Jato, que abarca majoritariamente o parlamento, sairia bem na fita. E pode votar advogando em causa própria. Perceba-se o quão indecoroso o dispositivo se mostra. Oito meses de alforria corresponde a uma espécie de “licença maternidade” eleitoral durante a qual esses aspirantes a cargos públicos (entre eles Lula, que se arvora o direito de ocupar novamente o Planalto) estariam, por assim dizer, resguardados, de qualquer punição por crimes cometidos e ainda não julgados em segunda instância.

É exatamente o que você está pensando: o tremendo despautério ajuda diretamente e sem disfarces o chefe maior, líder do partido do relator, Luiz Inácio Lula da Silva, nesse interregno em que ele aguarda a deliberação dos juízes no tribunal gaucho para ser trancafiado – ou não – na cadeia, na primeira de suas inúmeras ações como réu por delitos em série. A criatividade da oposição para manter vivas as chances de Lula concorrer não encontra limites. E resvala na delinquência. Se puder alterar as regras do jogo – como almejam os petistas -, melhor ainda. No mundo farsesco dos articuladores de Brasília pouco importa a opinião pública sobre o assunto. Vale mais o que os partidos podem ganhar com a medida.

Os interesses profanos conspiram a favor do plano e apenas alguns parlamentares, em manifestações isoladas, têm criticado tal instrumento. Uma razão adicional explica o movimento. Institutos de pesquisa vêm mostrando que sem Lula na disputa os demais adversários perderão o alvo de seus ataques durante a campanha, ficarão com o discurso anticorrupção capenga e, assim, o imponderável dominará as eleições. Ninguém naquela corriola quer isso.

Lula, de sua parte, continua na tática marota de fingir que não é com ele a enxurrada de acusações de desvios e posa de vítima injustiçada. Debocha das ações dos procuradores. Reitera a deplorável cantilena de divisão do País no modelo “nós” contra “eles”. Na semana passada, quando teve apreendido vários imóveis, carros e recursos, sua defesa alegou que estavam prejudicando a subsistência do petista.

Parece piada. Logo ele, que sempre atribuiu aos “amigos” a propriedade dos bens de que usufruía! Se apartamentos, carros, terrenos, sítios e quetais eram de amigos, por que cargas d’água vêm agora Lula e sua banca reclamarem que ele ficou sem nada? Sobra descaramento nessas reações midiáticas. Lula e os que lhe assessoram não se emendam. O falastrão, senhor da verdade, a “alma mais honesta que existe”, continua com toda a corda. Até o dia em que a lei coloque um ponto final nesta história.

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Para procurador, Brasil tem ‘tendência de esculhambação’

Júlio Marcelo de Oliveira, responsável por atestar as ‘pedaladas fiscais’ que condenaram Dilma, endurece o jogo contra o governo e as concessionárias

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Contrário a alterações no contrato de concessão das rodovias federais, o procurador Júlio Marcelo de Oliveira, que deu parecer contrário às pedaladas fiscais do governo Dilma, entrou em rota de colisão com o governo federal e as empresas do setor. Taxado como “algoz”, o representante do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) defende o cumprimento dos acordos já assinados e rebate as críticas. Ele afirmou que sua função é evitar irregularidades: “A tendência é a esculhambação no Brasil”.

Para o procurador, as empresas concessionárias “estão o tempo todo pleiteando alterações para melhorar sua rentabilidade, diminuir ônus e adiar investimentos”, o que segundo ele “passa à sociedade a mensagem de que o Brasil não é um país sério”. Júlio Marcelo rebate a tese de que os contratos são malfeitos, que segundo ele apenas é a busca “por uma flexibilidade que não existe em lugar algum no mundo”.

O procurador, que atua representando o MP na análise das contas feitas pelo TCU, ressalta que “não é obrigação do poder público garantir a lucratividade da empresa”. “Não queremos que nenhuma empresa vá à falência, mas é claro que ela tem de correr risco”, conclui.

Oliveira se disse “aberto” a analisar a situação de contratos malfeitos que exijam novas obras, mesmo que caras, no entanto observou que o novo modelo das concessões, que funciona por demanda, é deficitário. Ele alega que a Agência Nacional dos Transportes Terrestres (ANTT) não mede a atividade das estradas, se baseando unicamente nos dados informados pelas próprias concessionárias, ao justificarem pedidos de revisões e aditivos aos contratos firmados com o poder público.

Júlio Marcelo de Oliveira foi uma das principais testemunhas de acusação contra a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) durante o processo de impeachment. Na posição de procurador de contas, ele atestou a existência das “pedaladas fiscais”.

Fonte: Veja