Gabo, o mago

Gabo, o mago
O boom da literatura latino-americana não teria ocorrido sem a participação de Gabriel García Márquez (Foto: DIvulgação)
Menalton Braff

Estabelecer alguns pontos de contato entre Gabriel García Márquez e a literatura brasileira exige alguma cautela, pois não se trata de um escritor facilmente classificável em virtude da diversidade de sua obra, o que exige, prontamente, o estabelecimento de alguns conceitos como fundamentais.

Nas décadas de cinquenta e sessenta, o boom da literatura latino-americana não teria ocorrido ou, pelo menos, teria sido bem menor sem a participação de Gabriel García Márquez. A Europa geralmente manteve uma atitude de curiosidade em relação ao que vem de fora, ao que vem do que os europeus chamam de países exóticos, dentre os quais nós, sul-americanos, estaríamos incluídos. Somos o recreio divertido deles quando se cansam de tanta civilização. Mas deixando de lado as razões porque, vez por outra, lançam-nos olhares curiosos, atenhamo-nos ao fato de que naquelas décadas a Europa traduziu, leu, chegou a sentir certo fascínio pela literatura do lado de cá do oceano, sobretudo dos países de fala espanhola.

No afã de nos entenderem, reduziram-nos para que coubéssemos em algumas poucas definições. É assim que tem sido com todas as tentativas de se capturar o mundo em uma gaiola de palavras. E talvez não possa ser diferente. Então surgiram por lá, com reflexos por aqui, as classificações que, no caso de García Márquez, transitaram quase sempre entre o “realismo mágico” e o “realismo fantástico”, podendo-se ainda acrescentar o “absurdo”, como tratamento dado pelo autor a sua matéria narrativa. Para que se evitem generalidades, em que quase sempre tudo cabe, é preciso que se estabeleça com um mínimo de precisão o significado que tais expressões tomam aqui.

O “realismo mágico”, como designação de certo tipo de literatura, segundo a professora Dra. Selma Calasans Rodrigues, deve ser abandonado, pois “A literatura pode usar uma causalidade mágica que se opõe à explicação oferecida pela lógica científica, mas ela não é mágica.”.

Propõe-se, então, como caracterização de boa parte da produção literária de GM, a expressão “realismo fantástico”. E essa expressão abrangeria toda literatura em que realidade e fantasia se misturam. Para maior clareza, pode-se dizer que tem o caráter de fantástica toda ação que represente alguma ruptura com as leis naturais e que só nossa imaginação pode conceber. Nesse sentido, a classificação de GM está correta, uma vez que parte de seus romances, como é o caso de Cem anos de solidão, operam em tal espaço.

“… teve um filho que passou toda a vida de calças larguíssimas e frouxas e que morreu de hemorragia depois de ter vivido quarenta e dois anos no mais puro estado de virgindade, porque nascera com uma cauda cartilaginosa em forma de saca-rolhas e com uma escova de pêlos na ponta.”

Subir ao céu carregada por lençóis, façanha de Remedios, nesse mesmo romance, contraria a lei da gravidade. Outro exemplo de atuação fantástica é o do homem que chega do céu batendo suas grandes asas e instala-se em um galinheiro.

O “fantástico” em literatura, como o entendemos hoje, tem, se não sua origem, pelo menos sua renovação, em Hoffmann, um de seus maiores cultores. Então cabe uma pergunta: qual o parentesco entre o fantástico de Hoffmann e aquele de García Márquez e em que sentido o primeiro pode ter influenciado o segundo?

Em Hoffmann, o que encontramos é o fantástico do tipo “questionado”, ou seja, personagem e leitor hesitam entre aceitar o fato como produto de um sonho, de uma ilusão, ou aceitá-lo como realidade misteriosa para a qual buscam alguma explicação.

O fantástico de García Márquez é “naturalizado” porque os fatos não são questionados. Reportando-nos ainda ao livro referido da professora Selma C. Rodrigues, temos:

“No texto de García Márquez não há explicação: os atores se encontram integrados num universo de ficção total onde o verossímil se assimila ao inverossímil numa completa coerência narrativa, criando o que se poderia chamar de uma verossimilhança interna.”

Mas se realidade e fantasia coexistem em Cem anos de solidão, e fantasia, aqui, tomado o termo como ruptura com as leis naturais, o mesmo não ocorre com seu esboço, como alguns críticos se referem ao romance Ninguém escreve ao coronel, que o antecede, apresentando algumas das personagens que aparecerão na obra que celebrizou o autor. As situações vividas no primeiro são todas situações corriqueiras, possíveis dentro de uma ordem natural e segundo nossa visão cartesiana do mundo. Não podemos, portanto, classificar a obra do autor apenas como “realista fantástica” sem incorrer em erro de simplificação/redução.

Houvesse, contudo, somente essas duas fontes da literatura de GM, não seria assim tão complicado classificá-lo, mas há obras suas que operam em outra faixa de visão do mundo, que provêm de outras correntes. É o caso, por exemplo, de A incrível e triste história da cândida Erêndira e sua avó desalmada. De um ponto de vista meramente científico, não é impossível aquela fila quilométrica de homens que pretendem praticar sexo com a cândida Erêndira, engordando a burra de sua avó desalmada. Isso é cientificamente possível, mas se trata de um absurdo, operando-se agora o ingresso em outro terreno, o das ações cientificamente possíveis, mas que ferem intensamente, isto é, que rompem de maneira drástica com os costumes.

Às vezes realista, em seguida fantástico, outras vezes absurdo, quase sempre temperando com os três ingredientes suas narrativas,  o fato é que, depois de Cem anos de solidão, o Gabo tornou-se escritor dos mais lidos no Brasil, sobretudo se cotejado com outros autores latino-americanos. Nem por isso, contudo, pode-se detectar qualquer tipo de influência clara de sua obra sobre autores brasileiros. Não que não haja por aqui cultores daquelas modalidades literárias, que os há. Parece-nos, entretanto, que derivam  de outras fontes, principalmente as européias.

Não é inútil, a esta altura, fazermos um bosquejo do fantástico e do absurdo no Brasil, sem a pretensão de um levantamento exa-ustivo do assunto, mas apenas como ilustração do que se tem afirmado.

Após o declínio do Realismo entre nós, albores do século 20, um dos grupos que liderou o Modernismo brasileiro propunha o primitivo como raiz cultural de nosso povo.

Erro de português
Quando o português chegou
Debaixo duma bruta chuva
Vestiu o índio
Que pena!
Fosse uma manhã de sol
O índio tinha despido
O português

E foi Mário de Andrade quem, na execução literária dessa proposta poética de Oswald, uma proposta de inconformismo com os processos de colonização europeia, criou Macunaíma. É interessante notar que o seu indianismo, se assim pode ser chamado, inverte aquilo que fizeram os românticos, que botaram nos índios óculos de europeus. Peri é um cristão antes de conhecer o cristianismo. Em I-Juca-Pirama, de Gonçalves Dias, outro romântico, o jovem tupi e seu pai cego contracenam um episódio em que sobrelevam sentimentos de nobreza, lealdade e coragem que, mesmo nos cavaleiros medievais, é idealização. Em Macunaíma, contrariamente, o que se tem, são os óculos do índio no rosto do narrador. O pensamento primitivo (pré-lógico ou mágico) do índio anula relações espaço/temporais, e tudo pode transformar-se em qualquer coisa.

“O berreiro foi tão imenso que encurtou o tamanhão da noite e muitos pássaros caíram de susto no chão e se transformaram em pedra.

(…)

No outro dia Macunaíma depois de brincar cedinho com a linda Iriqui, saiu pra dar uma voltinha. Atravessou o reino encantado da Pedra Bonita em Pernambuco e quando estava chegando na cidade de Santarém topou com uma viada parida”.

O fantástico de Mário de Andrade tem com certeza algumas das motivações do fantástico de García Márquez, como o desejo de dar expressão literária ao pensamento primitivo. Deve-se, porém, levar em conta que Macunaíma foi dado à luz no mesmo ano em que o escritor colombiano. Além disso, há diferenças muito grandes entre os processos de colonização da América espanhola, incluindo-se aí a miscigenação do europeu com o inca (em estágio de civilização bem mais adiantado do que nossos índios) e os correspondentes processos entre nós.

Depois dessa incursão pelo fantástico, assistimos ao surgimento do neo-realismo da segunda geração do Modernismo brasileiro, com o romance de denúncia social, sobretudo de origem nordestina. Não há, neste período, nada a destacar.

É com Guimarães Rosa que retornamos ao fantástico. Em Grande sertão: Veredas, Riobaldo faz um pacto com o demônio para derrotar seu inimigo Hermógenes. O romance, publicado em 1956, não pode ter sofrido influências de García Márquez. Além do mais, a fonte do fantástico em nosso autor é o mito cristão, de origem europeia, portanto. Primeiras estórias tem também alguns contos em que o sobrenatural (A menina de lá, Um moço muito loiro, por exemplo) deve ser entendido como de feição fantástica. Assim como o escritor colombiano trabalha com mitos e lendas encontrados entre povos primitivos das aldeias de seu país, assim também Guimarães Rosa vai penetrar fundo nos mitos do sertanejo de seu estado natal. Apesar de suas semelhanças, é improvável qualquer influência vinda de García Márquez, vinte anos mais novo que Guimarães Rosa. Além disso, maiores, muito maiores do que as semelhanças, são as diferenças entre os dois. E aquilo que se tem chamado de “invenção de linguagem”, marca de Guimarães Rosa, é uma dessas diferenças.

J. J. Veiga transita entre o fantástico e o absurdo em livros como A hora dos ruminantes e Sombras de reis barbudos, por exemplo. Quando fantástico, não está tentando expressar algum tipo de pensamento primitivo e seu absurdo é kafkiano. Em ambos os casos, J. J. Veiga lança mão de tais recursos narrativos como alegorias, isto é, a transfiguração da realidade por meio de sua metaforização. Os muros mandados construir pela fábrica ou os bois que invadem a cidade até o ponto de enfiarem as cabeças pelas janelas das casas são representações concretas de conceitos como opressão e liberdade. O mesmo pode-se dizer de Murilo Rubião, que trilhou caminhos semelhantes, mas sempre em um Brasil mais voltado para a Europa do que para a América do Sul. Em nenhum dos dois se encontram aqueles ingredientes formadores do pensamento primitivo, que são o assombro e a magia. Há mais Breton nos dois do que García Márquez.

Existem exemplos mais recentes de escritores que transgridem o real, e entre eles pode-se contar Moacyr Scliar, principalmente em alguns de seus contos, em que não é difícil encontrar-se a influência de Kafka. Lygia Fagundes Telles, tributária confessa de Poe, vez por outra percorre trilhas fantásticas, mas ela, assim como Ignácio de Loyola Brandão, pratica um fantástico urbano que incorpora muitos elementos modernos.

(Foto: Divulgação)

Influência sem seguidores?

Antonio Candido, citando Fausto, afirma em determinado momento que “…tudo é tecido num conjunto, cada coisa vive e atua sobre a outra.” Dando-se a afirmação como verdadeira, isto é, nada existe que não exerça influências no todo ou que não sofra influências dele, não é descabida a afirmação de que García Márquez tenha deixado suas marcas entre nós. Partindo-se do princípio de que tudo o que lemos nos afeta, pois somos o resultado de todas as nossas experiências, não podemos negar que alguma influência o Gabo terá exercido sobre a literatura brasileira, lido e admirado que foi a partir da década de 1960. Uma influência difusa e que tão-somente mostrava como possíveis alguns caminhos, um modo de afetar sem propriamente aliciar. Sua Aracataca transfigura-se naquela Macondo de seus livros, esquecida da civilização. Que ele tenha deixado marcas em todos nós, isso é indiscutível. Mas há elementos distintivos entre a sociedade brasileira e a colombiana que, aliados a histórias literárias também distintas nos dois países, inviabilizaram o surgimento de epígonos de GM entre nós, como ele tem em outros países sul-americanos.

Por circunstâncias biográficas, só tive acesso à obra de Gabriel García Márquez no início da década de 1970, quando a antiga Editora Sabiá lançou a 11a edição de Cem anos de solidão. A leitura desse romance causou-me impacto pela linguagem repleta de humor e poesia, mas principalmente pelo mundo que descortinava, um mundo que em tudo parecia parado no tempo, fora da corrida vertiginosa que bem conhecemos no encalço da modernidade. Ambos, linguagem e ambiente, produziram aquele encantamento, que é o primeiro objetivo da literatura. A seguir vieram os outros, como Ninguém escreve ao coronel, Os funerais da mamãe grandeOlhos de cão azulO outono do patriarca, O amor nos tempos do cólera e muitos outros, todos eles confirmando a impressão inicial: trata-se de um dos maiores escritores sul-americanos.

Nem por me sentir encantado com sua prosa ágil e seu mundo nebuloso, jamais senti o menor desejo de erigi-lo em modelo, tantas e tais são nossas diferenças de meio e propósitos.

MENALTON BRAFF é romancista e contista, autor de Na teia do sol (Planeta) e Como peixe no aquário (Ed. S.M.)

Por unanimidade, Turma do STJ nega habeas corpus ao empresário Aldo Guedes

Os cinco ministros da Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília, votaram para não conceder um habeas corpus requerido pelos advogados do empresário Aldo Guedes.

Votaram nesse sentido os ministros Laurita Vaz, Sebastião Reis Júnior, Rogério Schietti, Antonio Saldanha e Olindo Herculano de Menezes.

Aldo Guedes, ex-presidente da Copergás nos governos Eduardo Campos (PSB) e Paulo Câmara (PSB), recorreu, em dezembro de 2020, ao STJ, em Brasília, para obter um habeas corpus em inquérito policial derivado da Operação Lava Jato.

Segundo o processo judicial, o objeto do inquérito eram “investigações conduzidas pela Superintendência Regional da Polícia Federal em Pernambuco apontam para a existência de um suposto esquema entre agentes públicos (ligados ao Governo do Estado de Pernambuco) e privados (relacionados às empreiteiras) instituído para garantir, de um lado, o direcionamento de algumas obras do Complexo de Suape, de outro, o pagamento de vantagens indevidas para determinados agentes públicos ligados ao governo estadual – contrapartida pelo direcionamento das obras, no caso, do Cais V e Píer Petroleiro”.

Ainda segundo os autos judiciais, foi informado que o “apuratório em questão foi formado após a cisão do INQ 4593/STF, no intuito de apurar a prática, em tese, dos delitos de corrupção passiva e ativa, bem como lavagem de dinheiro, tendo em vista as informações oriundas dos acordos de colaborações premiadas firmados por executivos do grupo Odebrecht”.

Os advogados de Aldo Guedes questionaram a continuidade da tramitação de um inquérito na Justiça Federal. Segundo os advogados, a investigação deveria ir para a Justiça Eleitoral, outro ramo do Judiciário.

‘Constrangimento ilegal’

No pedido de habeas corpus, os advogados alegaram que houve suposto “constrangimento ilegal atribuído ao Juízo da 4ª Vara Federal de SJ/PE, consubstanciado no indeferimento do pedido de remessa dos autos do IPL 668/2017 ao Juízo Eleitoral, formulado no bojo do processo 0805353- 74.2019.4.05.8300, a despeito (i) do recente posicionamento firmado pelo Plenário do STF nos autos do INQ 4435, bem como (ii) dos fortes indícios da adequação de crimes eleitorais nos fatos em apuração”.

Os advogados de Aldo Guedes alegaram que havia decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) determinando que a investigação seja da Justiça Eleitoral.

“Dessa maneira, (I) considerando que as investigações apuram, dentre outros, a possível prática de crime eleitoral; e (II) a recente decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal em sede de Agravo Regimental nos autos do INQ 4435 acerca do Juízo competente para analisar crimes eleitorais e conexos, os impetrantes suscitaram Questão de Ordem perante o Juízo da 4a Vara Federal de Pernambuco requerendo a remessa da investigação à Justiça Eleitoral, o que fora indeferido pela autoridade judicial, razão da presente impetração”, disse o processo de habeas corpus.

Sócio

Amigo pessoal e sócio do ex-governador Eduardo Campos, o empresário Aldo Guedes deixou o governo Paulo Câmara após ser alvo da Operação Politeia, deflagrada em julho de 2015 pela Polícia Federal.

Em dezembro de 2015, o empresário Aldo Guedes também foi alvo da Operação Catilinárias, com o cumprimento de 53 mandados de busca e apreensão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), referentes a sete processos instaurados a partir de provas obtidas na Operação Lava Jato.

Na ocasião, os mandados foram cumpridos na loja Grillo Presentes, na Imbiribeira, Zona Sul do Recife, que pertence ao empresário e outro mandado na Agropecuária Nossa Senhora do Nazaré LTDA, situada na Fazenda Esperança, em Brejão, Agreste do Estado. O ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, falecido em 2014, era sócio de Guedes nesta Agropecuária.

Aldo é casado com uma prima de Eduardo Campos e trabalhou nas duas campanhas ao Governo do Estado e também na eleição presidencial até a morte de Eduardo, em agosto de 2014.

Fonte: NE10/JC ON-LINE

STF rejeita recurso que busca manter condenações de Lula

O Supremo Tribunal Federal formou maioria, no final da tarde de hoje, pela rejeição do recurso da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra decisão do ministro Edson Fachin, que anulou as condenações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva impostas pela Justiça Federal do Paraná, na Operação Lava Jato.

Sete ministros (Fachin, Alexandre de Moraes, Rosa Weber, Dias Toffoli, Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski e Cármen Lúcia) votaram pela rejeição do recurso e um pela aceitação (Nunes Marques). Faltam os votos de outros três. O julgamento terá continuidade no próximo dia 22.

Prevalecendo o entendimento pela rejeição do recurso, as anulações das condenações serão mantidas, e Lula permanecerá elegível. Faltam os votos de outros três ministros (Luís Roberto Barroso, Marco Aurélio Mello e Luiz Fux). O julgamento deve ter continuidade na sessão do próximo dia 22.

Fachin é o relator dos recursos apresentados pela PGR e pela defesa de Lula sobre a decisão individual dele próprio que anulou as condenações. A PGR recorreu a fim de reverter a decisão. A defesa de Lula quer evitar que a decisão de Fachin leve à extinção de outros processos relacionados ao caso, entre os quais o que resultou na declaração de parcialidade do ex-juiz Sergio Moro ao julgar processo de Lula.

A questão da parcialidade ainda será julgada pelo plenário, possivelmente na sessão do próximo dia 22. Na sessão desta quinta, os ministros apreciaram somente o recurso da PGR.

O julgamento teve início nesta quarta (14), quando, primeiramente, os ministros decidiram, por 9 votos a 2, que o plenário pode decidir sobre o caso — e não somente a Segunda Turma, formada por cinco ministros, que já deliberou a favor da anulação das condenações e da declaração da parcialidade de Moro

Com isso, o julgamento foi retomado nesta quinta no plenário, com a apresentação dos votos dos ministros – o primeiro, o de Fachin – sobre o conteúdo dos recursos.

Pacheco confirma nomes para CPI da Pandemia

 

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, confirmou nesta quinta-feira (15) os nomes que vão compor a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia, que vai investigar a condução do combate à pandemia pelo governo federal e o uso de verbas federais transferidas a estados e municípios. Os indicados são os seguintes senadores:

TITULARES

Eduardo Braga (MDB-AM)

Renan Calheiros (MDB-AL)

Ciro Nogueira (PP-PI)

Omar Aziz (PSD-AM)

Otto Alencar (PSD-BA)

Tasso Jereissati (PSDB-CE)

Eduardo Girão (Podemos-CE)

Marcos Rogério (DEM-RO)

Jorginho Mello (PL-SC)

Humberto Costa (PT-PE)

Randolfe Rodrigues (Rede-AP)

SUPLENTES

Jader Barbalho (MDB-PA)

Luis Carlos Heinze (PP-RS)

Angelo Coronel (PSD-BA)

Marcos do Val (Podemos-ES)

Zequinha Marinho (PSC-PA)

Rogério Carvalho (PT-SE)

Alessandro Vieira (Cidadania-SE)

A partir de agora, a comissão já pode ser instalada – na primeira reunião devem ser eleitos o presidente, o vice-presidente e o relator da CPI. O senador Otto Alencar, como membro mais idoso entre os titulares da comissão, vai comandar a instalação e a eleição, que acontecerão em encontro presencial. A data da instalação ainda não foi definida. Pacheco adiantou que está discutindo o assunto com a Secretaria-Geral da Mesa do Senado e que em breve levará as opções para os membros da comissão.

O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), autor do requerimento de criação da CPI (RQS 1.371/2021), defendeu que os trabalhos comecem já na próxima quinta-feira (22). “Consultei boa parte dos membros da comissão. Eles estão prontos para virem a Brasília assim que forem chamados. A possibilidade de adiamento já foi vencida pelos fatos. Creio que todos têm essa convicção”, disse.

Um grito em favor dos restaurantes

 

Blog do Magno Martins

Brasília, que teve um lockdown muito mais amplo em tempo e radical nas medidas, reabriu os restaurantes permitindo o funcionamento até às 22 horas. Pernambuco, entretanto, continua maltratando, gerando prejuízo e desemprego a quem vive da gastronomia.

Impôs o toque de recolher às 20 horas, medida absurda e irracional. Afinal, quem vai a um restaurante jantar entre 18 e 20 horas? Ninguém em absoluto. Reza a tradição, e a cultura confirma, que o hábito do jantar fora de casa começa de 21 horas e se estende em média até meia noite.

Em função disso, os bons, refinados e demandados restaurantes do Recife passaram a ficar entregues às moscas no horário noturno. Muitos já quebraram, outros resistem demitindo, sem saber se conseguirão sobreviver.

Sinceramente, para quem vai a um restaurante jantar, qual a diferença de permanecer em seu ambiente até à meia noite em relação às 20 horas, levando-se em conta que todos estão funcionando sob o cumprimento rigoroso de todos os protocolos do Governo, obrigando o uso de álcool gel, máscaras e distanciamento de mesas?

Bares, compreendo, muitas vezes não obedecem aos protocolos e acabam sendo um risco para a disseminação do vírus, mas os restaurantes não. O Governo, portanto, não pode ou não deve tomar uma medida igual se, racionalmente, se propuser a ajudar a economia, preservar e gerar mais empregos.

Sebá lança Neto e diz que é unanimidade

Faltando um ano e sete meses para as eleições, o líder do Avante na Câmara dos Deputados, Sebastião Oliveira, resolveu meter a mão no vespeiro da aliança governista, hoje enxergando 22 apenas pela ótica da candidatura a governador do ex-prefeito do Recife, Geraldo Júlio. Em entrevista ao blog, há pouco, lançou a candidatura do secretário de Governo, José Neto, homem da mais absoluta confiança do governador Paulo Câmara e que ganhou visibilidade política ao assumir a articulação do Governo.

“Faça uma pesquisa na base do Governo na Assembleia Legislativa. Vais constatar que José Neto é um nome consensual. Nelson Rodrigues falou que toda unanimidade é burra, mas Neto é uma notável exceção, abre um paradigma na ampla aliança que elegeu e reelegeu Câmara”, disse Sebá, como é mais conhecido. Segundo ele, José Neto não tem arestas com nenhum partido ou líder partidário da coligação e por isso mesmo seu nome pode crescer e prosperar.

“Nunca vi alguém tão talhado para vida pública. Sério, fiel, leal e jeitoso, Neto resolveu todas as crises na relação da Assembleia com o Governo depois que assumiu a Secretaria de Governo”, disse, acrescentando que a aliança vive, hoje, um momento de tensionamento que só uma pessoa hábil e capaz com o perfil de José Neto poderia reacender a unidade construída com muito sucesso por Eduardo Campos lá atrás.

Sobrinho do ex-governador Joaquim Francisco, por quem foi alçado à vida pública como auxiliar de gabinete, José Neto é auditor do Tribunal de Contas do Estado, concursado na mesma turma de Paulo Câmara. A amizade com o governador floresceu na corte e ganhou a fortaleza de uma baraúna com o tempo. No atual Governo, é considerado um auxiliar polivalente, um coringa, com passagens e missões cumpridas nas Secretarias de Administração, Recursos Humanos e na Fazenda.

José Neto e Paulo Câmara tomaram posse juntos no TCE em 15 de março de 1995. A partir dali, se tornaram amigos próximos, de almoçar um na casa do outro. Em 2007, quando Paulo virou secretário no primeiro governo Eduardo Campos, o advogado não imaginava que um dia veria o colega chefiar o Palácio do Campo das Princesas.

Foi para ajudar e acabou se consolidando como homem de confiança de Paulo. Avalia o amigo governador como uma pessoa que tem um olhar diferenciado para as contas públicas, fundamental no momento político e econômico que o Estado e o País vivem.

BLOG DO MAGNO MARTINS

Inscrições para o Funcultura começam nesta sexta-feira (16)

Com informações da Assessoria de Imprensa — As inscrições para o edital 2020-2021 do Funcultura Geral, promovido pela Secretaria Estadual de Cultura (Secult-PE) e Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), terão início nesta sexta-feira (16). Os proponentes interessados deverão realizar sua inscrição exclusivamente pela internet, por meio da plataforma Prosas, até o dia 30 de abril deste ano.

Ao todo serão disponibilizados R$ 15,68 milhões para incentivar projetos das seguintes linguagens culturais: Artes Integradas, Artes Plásticas, Artes Gráficas e Congêneres, Artesanato, Circo, Cultura Popular e Tradicional, Dança, Design e Moda, Fotografia, Gastronomia, Literatura, Ópera, Patrimônio, Teatro, Formação e Capacitação e Pesquisa Cultural. Confira o edital e seus anexos.

Somado aos editais de Audiovisual, Música e Microprojeto Cultural, a Fundarpe irá incentivar neste ano a produção cultural independente do Estado com recursos na ordem de R$ 37 milhões.

O edital do Funcultura Geral irá permitir que, em algumas categorias, os projetos possam ser executados em formato presencial, online ou híbrido. Também haverá pontuação diferenciada para proponentes mulheres, idosos, pessoas com deficiência, negros(as), indígenas, e pessoas com identidade não cisgênera ou ageneridade, tais como pessoas trans, travestis, não bináries, intersexuadas, andróginas, fluídas ou outra variabilidade. Já em relação à regionalização, haverá uma reserva que estabelece o mínimo de 40% dos projetos aprovados oriundos do Interior.

MÚSICA – Hino ao Amor – Dalva de Oliveira

MÚSICA

Hino ao Amor – Dalva de Oliveira

Bolsonaro articula e tenta emplacar nomes de fora da base aliada para evitar Calheiros e Randolfe no comando da CPI

Charge do Gilmar Fraga (gauchazh.clicrbs.com.br)

Gustavo Uribe e Daniel Carvalho
Folha

Com pouca chance de emplacar uma maioria governista na CPI da Covid do Senado, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) tem defendido que os postos de presidente e relator da comissão parlamentar sejam ocupados por senadores que não sejam alinhados nem ao governo nem à oposição.

A estratégia ao pregar uma alternativa que represente um meio-termo é evitar que senadores como Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e Renan Calheiros (MDB-AL), críticos recorrentes do presidente, ocupem cargos de destaque e aumentem ainda mais o desgaste que a investigação pode provocar.

LINHA NEUTRA – Nesta terça-feira, dia 13, horas depois da sessão que criou a comissão de inquérito, assessores do presidente já defendiam que a investigação deve seguir uma linha neutra e que não seja contaminada pelo que chamam de paixões políticas.

O receio principal do Palácio do Planalto é que a investigação sobre a condução do combate ao coronavírus pelo Poder Executivo afete a popularidade do presidente a um ano da campanha à reeleição e leve o governo a responder por eventuais acusações criminais.

A avaliação na equipe presidencial é que, por contar com a maior bancada federal no Senado, é natural que o MDB ocupe um dos postos.Para evitar que o escolhido seja Renan, integrantes da articulação política não descartam um apoio a Eduardo Braga (AM) para o posto de relator. O senador é considerado pelo presidente um nome mais aberto ao diálogo.

ELOGIO – Em cerimônia de posse do ministro do Turismo, Gilson Machado, no fim de 2020, Bolsonaro elogiou Braga, que estava sentado na cerimônia ao lado dos senadores Eduardo Gomes (MDB-TO) e Fernando Bezerra (MDB-PE).

“Tenho certeza de que esse trio maravilhoso, que está na minha frente aqui, resolvendo a questão da Mesa da Câmara e do Senado, vai ser bem resolvido, tenho certeza disso”, afirmou.Para o cargo de presidente da comissão de inquérito, a articulação política do Palácio do Planalto tem atuado para evitar a escolha de Randolfe, autor do requerimento de criação da CPI da Covid. O senador já manifestou interesse no posto.

O Planalto também não tem simpatia por uma indicação para a função do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), que deve compor a comissão de inquérito e já disse que é preciso parar Bolsonaro.

GOVERNISTAS – A base aliada cita como nomes que poderiam representar um meio-termo para a presidência os dos senadores Marcos Rogério (DEM-RO) e Jorginho Mello (PL-SC), apesar de ambos serem considerados governistas por congressistas de oposição.

Apesar de a CPI ter sido criada na terça-feira, o governo federal aposta que o STF (Supremo Tribunal Federal), em sessão nesta quarta-feira, dia 14, deve estabelecer que ela inicie os trabalhos mais para frente, quando forem permitidas as reuniões presenciais no Senado.

Mesmo que ocorra um adiamento, o Planalto quer ganhar tempo. A ideia é que já seja preparada uma espécie de cartilha com indicadores e realizações da gestão federal para municiar a tropa de choque do governo na CPI. O material deve ser preparado em conjunto pelos ministros da Saúde, Marcelo Queiroga, e das Comunicações, Fábio Faria.

ANÁLISE DE CONTRATOS – Além disso, para evitar surpresas indesejáveis, a articulação política defende que seja promovida uma análise prévia nos contratos principais da Saúde para afastar indícios de irregularidades.

Na avaliação do entorno do presidente, questões como a crise do oxigênio em Manaus podem ser terceirizadas por Bolsonaro. Nesse caso, ele pode responsabilizar o ex-ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, ou o governo estadual.

Em relação à recusa de ofertas da Pfizer, o que permitiria entrega de vacinas ainda no ano passado, o governo já vem adotando a narrativa de que as cláusulas do contrato só podiam ser atendidas depois da aprovação de um projeto pelo Congresso.

CALCANHAR DE AQUILES – Bolsonaro, porém, tem um calcanhar de Aquiles, na avaliação de ocupantes do Planalto. A politização da Coronavac —uma guerra que ele travou com o governador de São Paulo, João Doria (PSDB)— tem todas as digitais do presidente.

Bolsonaro chegou a chamar o imunizante de “vacina chinesa” e a desautorizar Pazuello no dia seguinte ao anúncio de um acordo para aquisição da vacina, alvo de críticas presidenciais até se tornar a solução para o início da campanha de imunização no Brasil.

Para tirar o foco do governo federal, a estratégia desenha da pelo presidente é que a tropa de choque foque nos recursos federais enviados durante a pandemia do coronavírus a estados e municípios. Apesar de a CPI ser proibida de investigar estados, ela pode se debruçar sobre repasses federais.

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PROVÁVEIS NOMES INDICADOS PARA A CPI DA COVID:

Ligados ao governo Bolsonaro: Ciro Nogueira (PP-PI), Jorginho Mello (PL-SC), Eduardo Girão (Podemos-CE), Marcos Rogério (DEM-RO)

Independentes ou de oposição: Eduardo Braga (MDB-AM), Renan Calheiros (MDB-AL), Omar Aziz (PSD-AM), Otto Alencar (PSD-BA), Tasso Jereissati (PSDB-CE), Humberto Costa (PT-CE) e Randolfe Rodrigues (Rede-AP)

Distribuição das vagas na CPI da Covid:

MDB, PP e Republicanos: 3 titulares e 2 suplentes
PSDB, Podemos e PSL: 2 titulares e 1 suplente
DEM, PL e PSC: 2 titulares e 1 suplente
PT e PROS: 1 titular e 1 suplente
PDT, Cidadania, Rede e PSB: 1 titular e 1 suplente
PSD: 2 titulares e 1 suplente

Uma estranha criatura que dominava Wally Salomão e fazia versos como quem morde…

O advogado e poeta baiano Waly Dias Salomão (1943-2003), no poema “Amante da Algazarra”, fala sobre a criatura sobrenatural que se apoderou dele.

AMANTE DA ALGAZARRA
Waly Salomão

Não sou eu quem dá coices ferradurados no ar.
É esta estranha criatura que fez de mim seu encosto.
É ela !!!

Todo mundo sabe, sou uma lisa flor de pessoa,
Sem espinho de roseira nem áspera lixa de folha de figueira.
Esta amante da balbúrdia cavalga encostada ao meu sóbrio ombro
Vixe!!!

Enquanto caminho a pé, pedestre – peregrino atônito até a morte.
Sem motivo nenhum de pranto ou angústia rouca ou desalento:
Não sou eu quem dá coices ferradurados no ar.
É esta estranha criatura que fez de mim seu encosto
E se apossou do estojo de minha figura e dela expeliu o estofo.

Quem corre desabrida
Sem ceder a concha do ouvido
A ninguém que dela discorde
É esta selvagem sombra acavalada que faz versos como quem morde.