MÚSICA – Casa no Campo – Elis Regina

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 Casa no Campo – Elis Regina

“Eu quero uma casa no campo onde eu possa compor muitos rocks rurais. E tenha somente a certeza dos amigos do peito e nada mais. Eu quero uma casa no campo onde eu possa ficar no tamanho da paz. E tenha somente a certeza dos limites do corpo e nada mais. Eu quero carneiros e cabras pastando solenes no meu jardim. Eu quero o silêncio das línguas cansadas, eu quero a esperança de óculos e meu filho de cuca legal. Eu quero plantar e colher com a mão a pimenta e o sal. Eu quero uma casa no campo do tamanho ideal, pau-a-pique e sapé, onde eu possa plantar meus amigos, meus discos e livros e nada mais…”

Bolsonaro é diplomado no dia dos 70 anos da aprovação na ONU da Declaração Universal dos Direitos Humanos


É, portanto, um dia adequado para contar a história de um trabalhador torturado por um ‘superministério’ do último presidente militar do Brasil eleito pelo voto direto

Por Hugo Souza

Bolsonaro é diplomado no dia dos 70 anos da aprovação na ONU da Declaração Universal dos Direitos Humanos
Registros da prisão política do operário Lucidio de Castro e Souza no governo de Eurico Gaspar Dutra (Foto: Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro)

Está no prontuário policial número 42.442 da Divisão de Polícia Política e Social (DPS) do antigo Departamento Federal de Segurança Pública (DFSP), órgão do ministério que naquela feita chamava-se da Justiça e dos Negócios Interiores: o operário Lucidio de Castro e Souza foi preso na cidade de São Gonçalo, região metropolitana do Rio de Janeiro, no dia 2 de maio de 1949, durante o governo Eurico Gaspar Dutra (1946-1951), após ser abordado na rua por policiais que disseram ter encontrado com ele “material de propaganda comunista”.

Na época, Lucidio tinha 34 anos e exercia o oficio de caldeireiro de ferro na ilha do Mocanguê, em Niterói, a serviço da Companhia de Navegação Lloyd Brasileira. Cerca de um ano e meio antes de sua prisão, em outubro de 1947, Lucidio e mais oito operários do Mocanguê tinham enviado um telegrama para a presidência da República, ao próprio Dutra, protestando contra as sistemáticas depredações das oficinas do jornal Tribunal Popular, órgão de imprensa do Partido Comunista Brasileiro (PCB), que aconteciam sob a cumplicidade do chefe de polícia Pereira Lima.

O Tribuna deixaria de circular pouco tempo depois, no fim de 1947, quando ao “Partidão” mais uma vez fechava-se o cerco para atirá-lo à ilegalidade. Questionado, quando foi preso, sobre sua ligação com o Tribuna Popular, Lucidio respondeu que havia adquirido uma ação do jornal, logo que ele foi aberto, “com o fito exclusivo de auferir renda”.

Cópia de telegrama enviado ao presidente Eurico Gaspar Dutra em outubro de 1947, pouco antes de o Tribuna Popular deixar de ser impresso, por nove operários da ilha do Mocanguê, entre eles Lucidio de Castro e Souza

Questionado sobre para onde se dirigia quando uma viatura policial interrompeu-lhe o passo em São Gonçalo, o caldeireiro declarou que estava a caminho da casa do sogro, “para matar um porco”. “Um porco” era como nos meios operários chamavam quem fosse um fascista. O delegado Cecil Bohrer, notório simpatizante do nazismo, estava presente no interrogatório de Lucidio na qualidade de chefe da seção.

“Lembro do estado em que meu pai chegou em casa, após longo período de tortura, com o corpo todo coberto de hematomas, ainda vomitando sangue por causa das hemorragias internas”, conta a mais velha dos sete filhos de Lucidio, Solange, que na época tinha apenas quatro anos de idade.

Lucidio tinha 74 quando morreu, em junho de 1989. Os registros de sua prisão pela polícia política do governo Dutra estão hoje sob os cuidados do Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro (Aperj). Foram guardados, inicialmente, “graças” ao decreto-lei 20.532 de 1946, que atribuiu à DPS a incumbência de manter atualizado “o fichário e a galeria fotográfica de indivíduos expulsos do território nacional e dos reconhecidos como nocivos à ordem pública e aos interesses do país”.

‘Vigilância político-social’

Nesta segunda-feira, 10 de dezembro, está sendo diplomado o primeiro presidente militar do Brasil eleito pelo voto direto desde o general Eurico Gaspar Dutra: o capitão de artilharia Jair Bolsonaro, que prometeu: “esses marginais vermelhos serão banidos da nossa pátria”. Diante de Lucidio, Bolsonaro já deu mostra do que diria: “pela memória do delegado Cecil Bohrer, o pavor de Lucidio de Castro e Souza”. Nesta segunda, dia da diplomação de Bolsonaro, completam-se 70 anos da aprovação na ONU da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Dutra foi eleito presidente da República em 1945, com 55,39% dos votos válidos, amealhando a preferência de 3.251.507 eleitores num Brasil onde a maioria da população era analfabeta e aos analfabetos não era permitido votar. Bolsonaro foi eleito em 2018, com 55,13% dos votos válidos, votado por 57.797.847 brasileiros. A maioria deles, ao contrário do completo analfabeto político descrito por Bertolt Brecht, a maioria deles muito ciente sobre “o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio”.

Em maio de 2019 fará aniversário de 70 anos, também, a prisão e tortura de Lucidio pelos órgãos do “superministério” da Justiça do governo Dutra incumbidos da “vigilância especializada do ponto de vista político-social”, como previa a portaria 4.333, também de 1946, que regulamentou o Serviço de Investigações da DPS.

Há 70 anos, o “superministro” da Justiça dos Estados Unidos do Brasil era Adroaldo Mesquita da Costa, um antecessor de Sérgio Moro que, animado com a possibilidade de ser o candidato de Dutra à presidência nas eleições de 1950, demitiu-se do cargo em abril daquele ano, a dias do prazo para a desincompatibilização. Sua candidatura à sucessão de Dutra acabaria sabotada por correntes políticas que lhe eram concorrentes. Civil, o máximo que Adroaldo da Costa logrou no futuro foi ser “consultor da República”, entre 1964 e 1967, na Ditadura Militar.

Amuleto

Menos como relíquia, mais como amuleto, a família de Lucidio preservou sua carteira de trabalho, onde constam as anotações dos nove empregos formais por ele ocupados ao longo da vida, nos ofícios de caldeireiro, servente, chapeador e montador de 3ª classe. Emitida em janeiro de 1936, ela é de um tempo em que se chamava “Carteira Profissional” e não trazia anotado em suas folhas, por assim dizer “de fábrica”, nem um direitozinho sequer; trazia no máximo latente, talvez escondido, como as mensagens secretas escritas com suco de limão, que “toda a beleza da humanidade irradia desses homens endurecidos pelo trabalho”.

É também, portanto, espólio de Lucidio, de Arecy, dos operários em geral da ilha do Mocanguê, de quem mais disse “presente!” na história das lutas por direitos no Brasil, que mais tarde a Carteira de Trabalho e Previdência Social brasileira passasse a trazer impresso em suas primeiras folhas o inciso I do artigo XXIII da Declaração Universal dos Direitos Humanos: “Todo ser humano tem direito ao trabalho, à livre escolha de emprego, a condições justas e favoráveis de trabalho e à proteção contra o desemprego”.

fonte:O&N

Ensinamentos do Caminho de Santiago . Por Marina Bessa

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 Por Marina Bessa

O caminho de Santiago entrou na minha vida há alguns anos, quando morei em Pamplona, primeira grande cidade espanhola pela qual passa o trajeto de peregrinação mais famoso do mundo. Existem muitas rotas que levam a Santiago – o mais conhecido é o francês, que começa, oficialmente, em Saint Jean Pied de Port, na França. Mas peregrinos não gostam de determinações oficiais. Isso porque consideram que essa é uma jornada individual, que pode começar onde você desejar, ser feita como você decidir e no tempo que necessitar. Não há certo ou errado. Há apenas a sua experiência e um desejo implícito de chegar diferente ao final do percurso.

No meu caso, não houve grandes revelações, ou sensações arrebatadoras. Cheguei até a pensar que, apesar da viagem inesquecível, nenhuma transformação ocorreria.

Mas, sem nos darmos conta, a caminhada diária de cerca de oito horas nos transporta a uma realidade paralela, em que nossa jornada é construída do zero. Onde ninguém sabe quem você é, o que faz, nem mesmo como se veste. Um pé atrás do outro, um dia atrás do outro, poucas decisões a serem feitas – acordar, caminhar, comer, dormir. E, aos poucos, seu corpo e sua cabeça entram em uma sintonia inédita, que muda seu olhar, sua resistência, sua percepção dos espaços e do tempo.

Ao terminar o percurso e olhar para trás, vi que o caminho é mesmo uma metáfora da vida. Dos vários ensinamentos, listei apenas aqueles que, até o momento, consegui decifrar.

Generosidade aquece a vida
Peregrinos são, por definição, amáveis e gentis. Sempre que passam, desejam “Buen camino!”. Sempre que encontram alguém cuidando dos pés, oferecem ajuda. Sempre abrem um sorriso para quem chega para dividir a mesa. Em cinco minutos, você faz amigos capazes de te ceder uma cama, oferecer os seus últimos anti-inflamatórios, diminuir o passo para te acompanhar por perceber que o dia está sendo duro para você. Acredite: você faria o mesmo. No caminho, é a predisposição em ser generosos que nos cerca de amigos e nos faz sentir queridos, protegidos e sempre acompanhados.

A gente se adapta, sempre
Eu achava que não iria caminhar sob chuva, que não iria suportar os albergues, que sentiria dor nas costas por carregar uma mochila de 6 kg durante todo o dia. Mas vi que a gente se adapta. Ao calor, ao frio, à chuva, ao vento. A gente se adapta a uma nova comida, a uma cama diferente a cada noite, aos roncos dos peregrinos cansados. A gente se adapta às pedras do caminho, ao asfalto quente, à trilha com barro encharcado. O que parecia difícil no começo logo vira uma rotina fácil de ser manejada.

A cabeça está no comando
Nos dias em que a minha meta era caminhar 20 km, os últimos quilômetros eram muito difíceis. Nos dias em que teria de caminhar 30 km, 20 eram fichinha e os últimos cinco ficavam intermináveis. Cheguei a caminhar 43 km em um dia, e adivinha? Os 30 primeiros passaram sem eu ver, e só nos últimos comecei a sentir sinais de cansaço. Não importa a quantidade: é a cabeça quem determina os limites. O corpo é forte e só chia quando ela avisa: “ei, já está quase acabando. Pode relaxar.”

O corpo fala
Você quer estar bem, pés sem bolhas, pernas fortes. O melhor a fazer é cuidar para detectar qualquer sinal de problema antes que ele dê as caras deverdade. O corpo dá todas as pistas: uma sensibilidade diferente nos dedos é sinal de que uma bolha vai aparecer, uma dorzinha de leve no tornozelo pode indicar uma tendinite, muito tempo sem ir ao banheiro é sintoma dedesidratação. Quem insiste em ignorar essas mensagens tem constantemente a sua caminhada interrompida. Os que escutam e atendem a esses chamados têm um caminho bem mais fácil e aumentam consideravelmente as chances dechegar bem até o final.

A beleza está por toda parte
Algumas paisagens são obviamente bonitas: montanhas verdes sob céu azul, um rio correndo entre campos floridos. Essa paisagem existe no caminho. Mas há também os dias de chuva, vilas abandonadas, campos áridos, planícies infinitas. E todas elas dão belíssimas fotos e são capazes de emocionar. Basta procurar o ângulo certo.

Depois da tempestade, vem a bonança
Houve dias de muito sol, de céu claro. E houve dias de chuva. Nesses dias, vestia minha capa impermeável e colocava música (estratégia reservada somente para os momentos mais desafiadores). Aí eu apenas andava, sem pensar no destino. Não havia nada que pudesse ser feito: era aceitar e esperar. Podia levar algumas horas ou alguns dias, mas a chuva sempre passava. E as más lembranças eram totalmente apagadas por um novo dia desol.

O caminho mais fácil nunca é o mais bonito
Às vezes o caminho se bifurca e você pode optar por seguir por uma estrada mais curta ou pegar uma trilha mais longa e montanhosa. Quem vai pela estrada sempre chega antes e mais descansado. Quem vai pela trilha chega tarde e esgotado. Mas sempre com as melhores histórias, as fotos mais lindas e uma sensação inigualável de ter superado um desafio.

As suas escolhas constroem o seu caminho
Havia algumas escolhas a se fazer: de onde vou começar? Vou dormir em albergues ou pensões? Andar em grupo ou seguir sozinha? Sair cedo para aproveitar a cidade de destino ou ir sem pressa para chegar, aproveitando as pequenas surpresas do percurso? O caminho é feito de escolhas. Nem mais certas nem mais erradas. Mas determinantes e, muitas vezes, irreversíveis. Elas fazem com que o seu caminho seja só seu.

Um pouco de planejamento estrutura. O excesso aprisiona
Era importante começar o dia sabendo em que cidade eu pretendia dormir. Foi fundamental estudar o percurso para saber se precisava levar mais água ou algum lanche. Por outro lado, sair de casa com todas as paradas decididas, hotéis reservados e data de chegada inflexível quase tornou minha jornada burocrática. Como planejar tanto alguma coisa que você não conhece? É preciso deixar espaço para o improviso – ele pode mudar nossos planos para melhor.

Despedir-se
Faz parte da vida a gente conhece pessoas incríveis pelo caminho, com quem compartilha momentos inesquecíveis. Mas sempre chega a hora de dizer adeus – depois de um dia, uma semana ou um mês. É preciso ter consciência disso, não para evitar o apego, mas para desfrutar com intensidade cada momento que vai passar com elas. E quando for a hora de se despedir, é preciso deixar claro o quanto elas foram importantes para o seu caminho. Sua felicidade não pode depender de ninguém, mas é bom saber que com algumas pessoas você é ainda mais feliz.

Esteja sempre atento
Aos sinais o caminho é todo marcado por sinais: quem está atento dificilmente se perde. Em uma bifurcação, bastava parar, olhar atentamente e buscar a seta amarela. Ela sempre estava ali, mostrando por onde seguir. A vida também é assim, cheia de sinais. Mas é preciso estar pronto para decifrá-los (de que serve uma seta amarela na sua frente se você não sabe o que ela significa?).

Você carrega o peso dos seus medos
Para ter um caminho tranquilo, é preciso levar uma mochila leve. E o que deixa a mochila pesada são nossos medos. Medo de ficar doente, de passar frio, deter fome. E aí a mochila se enche de itens desnecessários. Há farmácias, lojas, vendas pelo caminho. Encher a mochila é sofrer por antecipação e tornar a jornada muito mais penosa.

Pessoas são a essência de tudo
Terminado o caminho, são muitas as lembranças. E elas estão cheias derostos. Às vezes me esqueço do nome de um vilarejo, mas nunca de quem me acompanhou naquele dia. Posso não me lembrar do que jantei em um restaurante, mas sempre me lembro de quem jantou comigo. Os lugares foram melhores ou piores de acordo com a companhia do dia. Cerque-se das pessoas certas e tudo estará bem.

Somos todos iguais
Na mochila cabem poucas coisas – só as essenciais. Todos usam as mesmas vestimentas, dormem em lugares simples, comem nos pequenos bares que encontram pelo caminho. Ali, a gente se despe de qualquer vaidade, perde a profissão, deixa para trás o passado. Não é possível fazer qualquer distinção entre classes sociais, raças ou credos. No caminho, resumidos à nossa essência, todos somos iguais.

O importante não é chegar, é caminhar
Chegar a Santiago não é a melhor parte, nem o dia mais importante da viagem: é só uma consequência inevitável. O desfecho do qual não é possível fugir (e quem não escolheria caminhar mais um pouco?). Mais importante que chegar é aproveitar cada dia do caminho. A nostalgia de chegar ao final é inevitável. Ela pode gerar uma tristeza imensa por representar o fim de todas as possibilidades ou ser compensada pela sensação plena de ter vivido intensamente.

Fonte: Vida Simples

Ferreira Gullar, o poeta do espanto

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    Manuel da Costa Pinto – Folha de S.Paulo/Ilustrada

Se fosse para definir numa frase o legado de Ferreira Gullar para a literatura brasileira, uma formulação possível seria: o autor de “Poema Sujo” reabilitou na poesia contemporânea a meditação sobre temas como a angústia da morte e o maravilhamento diante do simples acontecer da vida, sem deixar de sustentar um rigor formal e um sentido de inovação linguística característico das vanguardas do século 20.

Ao avaliar a trajetória do escritor maranhense, é necessário refletir sobre os caminhos da própria poesia nos últimos cem anos, que Gullar percorreu às avessas.

Do modernismo de 1922 (Mario e Oswald de Andrade, Manuel Bandeira) à poesia concreta dos irmãos Haroldo e Augusto de Campos e de Décio Pignatari, passando pelo caráter construtivista de João Cabral de Melo Neto, a poesia brasileira atingiu um tal grau de refinamento da linguagem que acabou por exigir, dos leitores, um repertório capaz de identificar o modo como cada poeta dialogava com essa linhagem renovadora.

Dito de outra maneira: mesmo em seus momentos mais “prosaicos”, atentos às coisas miúdas do cotidiano (o poema-piada de Oswald, as nostalgias da humildade em Bandeira), essa poesia carregava a ideia de que cada poema, por singelo que fosse, era um gesto singular de ruptura com a tradição beletrista, com a retórica herdada da poesia portuguesa, embutindo uma sensibilidade especificamente brasileira -mas só acessível, paradoxalmente, a leitores argutos, em geral com formação acadêmica, cientes dessa tradição e, portanto, apartados do leitor comum.

O melhor exemplo é o célebre poema “No Meio do Caminho”, de Drummond, em que as variações sobre o mote “tinha uma pedra no meio do caminho” eram simples na forma, porém enigmáticas no conteúdo.

Gullar surgiu poeticamente quando esse percurso já havia avançado muito. Depois de “Um Pouco Acima do Chão” (livro de 1949 que o próprio autor descartaria como ingênuo), publicou “A Luta Corporal” (1954), em que a contemplação inicial de coisas elementares (um galo “desamparado, num saguão do mundo”; peras que “no prato, apodrecem”) deriva, ao final, para versos que desconstroem a fala ordinária até a implosão sintática e fonética do poema “Roçzeiral”.

Intuitivamente, Gullar se sintonizava assim com pesquisas formais que o levariam, nos anos 1950 e 60, a ser um companheiro de viagem da poesia concreta -corrente de vanguarda que pensava tais experimentações de modo muito mais sistemático e erudito.

Até o momento em que se indispôs com o que considerava um excessivo cerebralismo, dando uma guinada para formas de expressão menos herméticas, com maior comunicabilidade e até mesmo apelo popular -como nos poemas de cordel escritos no momento de efervescência política do governo João Goulart, que o próprio autor considera um exercício de proselitismo.

Nem vanguardista nem artista engajado, talvez se possa dizer que o Gullar que permanecerá, após sua morte, como nome fundamental da poesia brasileira tenha começado a nascer com “Poema Sujo”, escrito no exílio em Buenos Aires, na atmosfera caótica que precedeu o golpe militar argentino de 1976.

O poema se inicia com uma cadência vertiginosa (“turvo turvo/ a turva/ mão do sopro/ contra o muro/ escuro/ menos menos/ menos que escuro”), criando um turbilhão de “vozes perdidas na lama”, com imagens expressionistas da infância maranhense e dos desastres da história.

A partir daí, Gullar publica, entre longos intervalos, livros que combinam lirismo violento e objetividade, abismo existencial e uma perspectiva social expressa em seu ouvido atento à fala das ruas, como em “Muitas Vozes” (1999). “Todas as coisas de que falo estão na cidade/ entre o céu e a terra/ […]/ Todas as coisas de que falo são de carne/ como o verão e o salário”, escreve ele em poema do livro “Dentro da Noite Veloz” (1979).

Com isso, Gullar conserva o sentido perturbador (na temática crítica e na forma explosiva) da poesia de vanguarda, porém estabelecendo uma empatia com o público geral que só encontra paralelo na poesia em tom menor do gaúcho Mário Quintana e do mato-grossense Manoel de Barros.

Com a diferença que, enquanto estes têm algo de sentimental e até mesmo piegas, Gullar mereceu também da parte de poetas e críticos o reconhecimento por ter restaurado um sentimento de perplexidade que está no coração da experiência moderna.

Fonte: UOL/Folha de S.Paulo

Paulo Câmara admite reforma administrativa

João Campos cotado para assumir uma secretaria

João Campos cotado para assumir uma secretariaFoto: Folhape

governador Paulo Câmara (PSB) admitiu, ontem, após ser diplomado para o segundo mandato à frente do Palácio do Campo das Princesas, que estuda uma reforma administrativa, conforme a Folha de Pernambuco antecipou. O gestor, todavia, não adiantou o formato que ficará o secretariado, tampouco as pastas que serão fundidas, apenas que deixará para anunciar no final do mês. “Está sendo estudado isso (reforma administrativa). Fizemos reajuste em 2014 ainda com Eduardo Campos. Outros ajustes devem vir e vamos anunciar tal qual esteja pronto”, declarou.

Apesar de restar menos de 25 dias para o final do ano e 15 dias para o final da legislatura, Câmara sugeriu não ter pressa para finalizar o estudo. “Quando a gente formatar a reforma (administrativa) faz o envio para a Assembleia Legislativa (de Pernambuco) e começa as negociações (com os partidos). Ainda temos o mês todo para trabalhar. Vamos deixar essa questão do novo secretariado para o final do mês”, afirmou. O Executivo, contudo, tem até o dia 20 de dezembro – último dia legislativo – para encaminhar o projeto à Alepe, que, neste caso, teria de convocar sessões extraordinárias. Caso o projeto chegue com antecedência, não seria necessário.

Nos bastidores, é dado como certo que João Campos (PSB) vai assumir uma pasta e Milton Coelho (PSB) o mandato de deputado federal. Comenta-se também que algum deputado estadual eleito na coligação formada por PSB, MDB e PSD também será convocado para dar lugar a Sivaldo Albino (PSB) na Alepe.

O estudo está sendo realizado pelas equipes das secretarias de Administração e Planejamento. E um dos critérios levado em consideração é a futura Esplanada dos Ministérios do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL). O futuro governo Bolsonaro terá 22 pastas, o mesmo número do atual governo.

MPPE celebra os 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos

MPPE terá programação voltada aos 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos

MPPE terá programação voltada aos 70 anos da Declaração Universal dos Direitos HumanosFoto: Divulgação

Para marcar a comemoração pelos 70 anos da Declaração Universar dos Direitos Humanoso Ministério Público de Pernambuco (MPPE) realiza, a partir da próxima segunda-feira (10) a Semana do MPPE, evento que vai mobilizar a sociedade e os integrantes da Instituição nas cidades do Recife, Caruaru e Petrolina. Os interessados em acompanhar a programação da Semana do MPPE já podem realizar sua inscrição através do link https://doity.com.br/semana-do-mp/inscricao.

A abertura da Semana será às 10 horas da segunda, no Centro Cultural Rossini Alves Couto (CCRAC), com uma breve solenidade e a exibição da peça teatral Educação contra a Corrupção e a Sonegação Fiscal, que está percorrendo as escolas de todo o Estado para apresentar às crianças e adolescentes a discussão sobre a temática. O público alvo da ação inclui os integrantes do MPPE e seus filhos, além de entidades educacionais.

Já a terça-feira (11) será denominada Dia da Solidariedade, com o recebimento dos presentes da campanha Adote um desejo de Natal, capitaneada pela Promotoria de Justiça da Infância e Juventude da Capital, e de materiais de higiene fraldas geriátricas para entidades que cuidam de idosos. Também haverá inscrição de voluntários para atuar junto a instituições de caridade. As atividades ocorrem no CCRAC se iniciam a partir das 14 horas. Em seguida, às 15 horas, será realizada a palestra Gratidão: emoção preventiva, ministrada pelo professor da Faculdade de Ciências Médicas da UPE, José Antônio Spencer.

No dia 12 de dezembro, as ações da Semana rumam para o interior do Estado. O primeiro compromisso do dia é a inauguração da sede da Promotoria de Justiça de Escada, às 10 horas; e a partir das 15 horas, o Armazém da Criatividade, em Caruaru, recebe as palestras A era digital e a sobrevivência institucional e MPLabs como solução, ministradas respectivamente pelo coordenador executivo do MPLabs, Roberto Arteiro, e pelo presidente MPLabs e do Comitê Estratégico de Tecnologia da Informação (Ceti), promotor de Justiça Antônio Rolemberg. Os dois vão apresentar a perspectiva da inovação aberta como metodologia para criar soluções inovadoras para os desafios do Ministério Público dos próximos anos.

E a inovação será o tema central da tarde do dia 13, quando serão apresentadas quatro soluções tecnológicas (mínimos produtos viáveis ou MVPs) desenvolvidas no âmbito do 1º Ciclo de Inovação Aberta do MPLabs, em parceria com o Porto Digital. Os produtos serão apresentados por volta das 16h30, após a realização das palestras Transformação digital e Direitos Humanos na gestão pública: perspectivas, oportunidades e desafios, do consultor Cláudio Marinho, e O futuro dos Direitos Humanos e das máquinas, do futurista profissional, escritor e jornalista Jacques Barcia.

Na sexta-feira (14), é a vez da palestra Direitos Humanos e o mundo do trabalho: as contrarreformas no serviço público, ministrada pelo advogado Cézar Britto, que atua junto a entidades sindicais, movimentos populares e organizações não governamentais. Para finalizar a Semana do MPPE, a cidade de Petrolina receberá, na manhã do dia 17 de dezembro, as palestras da equipe do MPLabs já apresentadas em Caruaru.

Paulo Câmara assina cinco decretos anticorrupção

Governador assinou um pacote para combater a corrupção no Palácio do Campo das Princesas nesta sexta-feira

Governador assinou um pacote para combater a corrupção no Palácio do Campo das Princesas nesta sexta-feiraFoto: Aluisio Moreira/ SEI

governador Paulo Câmara (PSB) assinou, nesta sexta-feira (7), cinco decretos que regulamentam aspectos da Lei Estadual Anticorrupção, de Nº 16.309/2018. Os decretos assinados pelo governador, no Palácio do Campo das Princesas, estão sintonizados com as ações do Dia Internacional Contra a Corrupção, celebrado neste domingo (9). A data foi instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) para conscientizar sobre a corrupção em nível mundial.

“Assinamos hoje, cinco decretos que vão ao encontro daquilo que tanto prezamos no serviço público, que é o combate às más práticas e o olhar que precisa ser dado para a ética e a integridade na administração pública. Então, é uma modernização da nossa legislação, que vai ao encontro do que nós queremos, que é fomentar servidores cada vez mais engajados, trabalhando e oferecendo melhores serviços públicos, com ética e integridade. O Governo do Estado é incansável nessas ações. Isso é primordial para servir bem a população”, disse o governador.

Fundamentais para promover um maior controle social e ético na administração do Estado, a medida dialoga ainda com a modernização e profissionalização da gestão pública, um dos pilares estratégicos para as ações de prevenção à corrupção.

Os decretos dispõem sobre a atuação e a conduta dos agentes públicos, de acordo com os aspectos tratados na Lei. São eles: Código de Ética dos Agentes Públicos da Administração Direta e Indireta do Poder Executivo Estadual (Nº 46852/2018); Sistema de Gestão de Ética dos Agentes Públicos da Administração Direta e Indireta do Poder Executivo Estadual (Nº 46853/2018); Código de Conduta da Alta Administração do Poder Executivo Estadual (Nº 46854/2018); Política de Governança da Administração Pública Estadual Direta, Autárquica e Fundacional (Nº 46855/2018); e Critérios de Avaliação do Programa de Integridade no âmbito do Poder Executivo Estadual (Nº 46856/2018).

O secretário da Controladoria Geral do EstadoRuy Bezerra, ratificou a importância dos decretos no aprimoramento do controle social e de ética na administração pública.

“Diante dessa temática de trabalhar a administração pública na prevenção e no combate à corrupção, o governador está editando, na passagem do Dia Internacional contra a Corrupção, cinco decretos que têm uma temática muito ligada à nossa Lei. Entre eles, um que trata da modernização e profissionalização da gestão pública, com a implantação dos programas de governança, iniciativa que ainda não existia em âmbito estadual no Brasil, apenas na Federação. Ou seja, Pernambuco está sendo pioneiro e vai trabalhar essa questão da governança também em todos os órgãos e entidades da administração pública”, explicou.

DECRETOS – O Código de Ética serve como base para a administração pública, trazendo um ganho exponencial na questão da orientação do agente, servindo também como parâmetro para a solução de problemas. Além desse, a Lei prevê o Código de Conduta da Alta Administração, que aplica-se aos Secretários de Estado; titulares de cargos de natureza especial, ocupantes de cargo de Direção e Assessoramento Superiores e Presidentes e Diretores de Autarquias, inclusive as especiais, e de Fundações Públicas ou autoridades hierarquia equivalentes; Presidentes e Diretores de Empresas Públicas e Sociedades de Economia Mista, dependentes ou independentes do Tesouro Estadual. Partindo da premissa de que a postura das autoridades serve como exemplo, o código versa sobre transparência dos atos praticados e comportamento.

A partir desses normativos, foi desenvolvido pela Secretaria da Controladoria-Geral, com apoio da Procuradoria Geral do Estado (PGE) e da Secretaria de Administração (SAD), o Sistema de Gestão de Ética, que traz a estrutura operacional necessária para atuação das comissões de ética, além da criação da Comissão de Ética Pública (CEP), composta por sete brasileiros de reconhecida idoneidade moral, reputação ilibada e notória experiência em administração pública, designados pelo Governador do Estado, constituindo ainda a Rede de Ética do Poder Executivo Estadual.

Em uma iniciativa pioneira no âmbito estadual, está o decreto que regulamenta a Política de Governança da Administração Pública Estadual Direta, Autárquica e Fundacional. A iniciativa pretende, entre outros aspectos, direcionar ações para a busca de resultados para a sociedade, encontrando soluções tempestivas e inovadoras para lidar com a limitação de recursos e com as mudanças de prioridades; promover a simplificação administrativa, a modernização da gestão pública e a integração dos serviços públicos, especialmente aqueles prestados por meio eletrônico.

Finalizando o pacote, está o decreto sobre os critérios de avaliação do Programa de Integridade no âmbito do Poder Executivo Estadual. Com isso, ficam estabelecidos procedimentos internos implementados pelas empresas com o intuito de evitar, detectar e sanar práticas de desvios, fraudes, irregularidades e atos ilícitos em geral por seus administradores, empregados, representantes e, até mesmo, fornecedores e prestadores de serviços, contra a administração pública.

‘O Poder da Corrupção nas Democracias Contemporâneas’ será lançado terça

"O Poder da Corrupção nas Democracias Contemporâneas"

“O Poder da Corrupção nas Democracias Contemporâneas”Foto: Divulgação

A grave crise democrática que se estende por diversas nações e apresenta a corrupção como uma espécie de quarto poder é o tema central do livro “O Poder da Corrupção nas Democracias Contemporâneas“, do escritor Paulo Roberto Cannizzaro, que será lançado na próxima terça-feira (11), na Rua Januário Barbosa, 266, Madalena.

Produzido pela editora portuguesa Chiado, o livro mostra, constituído de forma paralela às instituições legais. Em 2019, virá a público o terceiro exemplar da série, tratando de forma específica sobre dívida pública com o olhar especializado de alguém que tem larga experiência na área tributária.

“Em ‘O Poder da Corrupção nas Democracias Contemporâneas‘ eu apresento a corrupção como um marco civilizatório, já que nenhuma sociedade está imune ao problema. Mas as que apresentam mais degradação são justamente aquelas onde a inapetência política é maior. É um paradoxo. A minha teoria é a de que as pessoas estão desenvolvendo aversão aos políticos e ao mundo da política, tornando o ambiente mais propício para a corrupção, num verdadeiro círculo vicioso. Já nas sociedades onde a soberania popular é mais viva, é mais difícil haver este processo”, analisa.

O autor ressalta que todos os países são afetados pela corrupção. “A diferença é que nas sociedades mais desenvolvidas, existe um cuidado em se aperfeiçoar os mecanismos de proteção, controle e combate“, destaca Cannizzaro, ao mesmo tempo em que lamenta o fato de que também vem se generalizando uma falência social e política.

Os principais países da Europa e mesmo os Estados Unidos da América, que por tanto tempo se gabaram de avanços sociais em seus sistemas democráticos, entraram também em colapso quando suas legendas políticas assumiram condutas econômicas antissociais, levando à perda de legitimidade de seus sistemas. Como resultado, partidos tradicionais vem perdendo o apoio das sociedades civis e as pessoas passaram a desprezar cada vez mais os temas políticos, enquanto muitas sociedades estão se tornando excessivamente judicializadas. 

“Despolitizou-se a sociedade civil, ninguém confia mais nestes personagens políticos, além de ter havido uma expansão de comportamentos desviados de corrupção em todas as dimensões. É o resultado de um Estado deformado que já não consegue atender as necessidades sociais. Uma democracia liberal profundamente adoentada, que foi definida antes como um regime de ‘democracia ideal’, mas que entrou em crise, sob o impacto da perda de legitimidade dos governos”, descreve.

Além de fornecer uma visão mais ampla do problema, Paulo Roberto Cannizzaro aprofunda sua análise acerca do Brasil (que já havia sido iniciada no volume anterior da trilogia, em que destacou as raízes do processo, antes mesmo de nos tornarmos uma república). O livro está atualizado até o último julgamento do presidente Lula. “Tentei mostrar todos os lados da questão, trazendo uma visão analítica e imparcial sobre a corrupção, que não é exclusiva de um partido político ou de um momento histórico”, conta o autor, que finaliza conclamando os leitores a se envolverem com as questões políticas. “É fato que este modelo de gestão do Estado e da política nacional fragmentou-se. Mas é tempo de refundar a República e o Estado brasileiro”.

Serviço:

Lançamento do livro “O Poder da Corrupção nas Democracias Contemporâneas”, de Paulo Roberto Cannizzaro. Editora Chiado.
Local: Rua Januário Barbosa, 266, Madalena.
Dia: 18.12
Hora: 18h

Estreias dos filmes da semana

Veja os trailers e as sinopses dos lançamentos desta semana

Estreias dos filmes da semana (06/12)
Cena do filme ‘O Chamado do Mal’ (Fonte: Reprodução/Divulgação)
1 – O Chamado do Mal

Direção: Michael Winnick
Elenco: Josh Stewart, Delroy Lindo, Bojana Novakovic
Gênero: Terror, Suspense

Ao aceitar um novo emprego como professor universitário, ele e sua esposa, que está prestes a ter um bebê, serão os responsáveis por um ato com consequências horrendas: eles liberam, involuntariamente, uma entidade maligna com pretenções perigosas de uma caixa que não era para ser aberta. Juntos, o casal precisa entender o que a entidade quer para, então, tentar contê-la.

2 – Encantado
Duração: 1h25min
Direção: Ross Venokur
Elenco: Larissa Manoela, Avril Lavigne, Ashley Tisdale
Gênero: Animação, Família, Comédia

Quando criança, o príncipe Felipe Encantado foi alvo da bruxa Morgana, que aplicou nele um feitiço que faz com que todas as mulheres por ele se apaixonem assim que o veem. Com isso, ele não apenas salva como se torna noivo de três princesas em apuros: Branca de Neve, Cinderela e Bela Adormecida. O feitiço apenas será quebrado quando o príncipe encontrar o amor verdadeiro, algo bastante difícil diante de tamanha adoração. Precisando cumprir um desafio em três etapas, ele encontra apoio na ladra Leonora Quinonez, que está imune ao seu galanteio e se traveste de homem para ajudá-lo.

3 – A Vida em Si
Duração: 1h58min)
Direção: Dan Fogelman
Elenco: Oscar Isaac, Olivia Wilde, Annette Bening
Gênero: Drama, Romance

O relacionamento amoroso vivido por um casal (Oscar Isaac e Olivia Wilde) é contado através de diferentes décadas e continentes, desde as ruas de Nova York até Espanha e como diferentes pessoas acabam se conectando a ela através de um evento marcante.

4 – Rasga Coração
Duração: 1h53min
Direção: Jorge Furtado
Elenco: Marco Ricca, Luisa Arraes, Drica Moraes
Gênero: Drama

Manguari Pistolão (Marco Ricca) é ao mesmo tempo um herói e um homem comum. Atuante na militância em boa parte da vida, agora ele terá que enfrentar o mesmo que seu pai enfrentou: o seu filho Luca (Chay Suede) pretende deixar a faculdade de Medicina e ingressar de vez no movimento hippie. Em um crescente conflito com as escolhas do filho, ele verá seu passado sendo reinventado na figura dele.

5 – 2 Outonos e 3 Invernos
Duração: 1h33min
Direção: Sébastien Betbeder
Elenco: Vincent Macaigne, Maud Wyler, Bastien Bouillon
Gênero: Comédia

Arman (Vincent Macaigne) tem 33 anos e resolve mudar de vida. Para começar, começa a correr no parque aos sábados. No primeiro dia, conhece Amélie (Maud Wyler). A primeira impressão é de um choque, a segunda será uma punhalada no coração. Benjamin (Bastien Bouillon) é o melhor amigo de Arman. Entre dois outonos e três invernos as vidas de Amélie, Arman e Benjamin se cruzam, cheias de encontros, acidentes, histórias de amor e memórias.

6 – Meu Tricolor de Aço
Duração: 1h11min
Direção: Glauber Filho, Tibico Brasil, Valdo Siqueira
Elenco: Raimundo Fagner, Halder Gomes, Bráulio Bessa
Gênero: Documentário

Completando 100 anos de existência no ano de 2018, o Fortaleza Esporte Clube é considerado, além de um respeitado time de futebol, um patrimônio cultural do Ceará e da vida de centenas de jogadores e torcedores. Remontando a trajetória repleta de glórias, derrocadas e alegrias, dirigentes, empresários e apaixonados pelo Fortaleza prestam emocionados depoimentos sobre uma história que começou a ganhar forma ainda em 1912.

7 – Raiva
Duração: 1h24min
Direção: Sérgio Tréfaut
Elenco: Hugo Bentes, Diogo Doria, Leonor Silveira
Gênero: Drama

Nos remotos campos do Baixo Alentejo, no sul de Portugal, a miséria e a fome assolam a população. Quando dois violentos assassinatos acontecem em uma só noite, um mistério toma o lugar: qual poderia ser a origem desses crimes?

8 – A Mata Negra
Duração: 1h38min
Direção: Rodrigo Aragão
Elenco: Carol Aragão, Jackson Antunes, Clarissa Pinheiro
Gênero: Terror

Numa floresta do interior do Brasil, uma garota vê sua vida – e a de todos ao seu redor – mudar terrivelmente quando encontra o Livro Perdido de Cipriano, cuja Magia Sombria, além de outorgar poder e riqueza a quem o possui, é capaz de libertar uma terrível maldição sobre a terra.

9 – Henfil
Duração: 1h15min
Direção: Angela Zoé
Elenco: Jaguar, Ziraldo, Lucas Mendes
Gênero: Documentário

O documentário registra uma proposta curiosa feita a uma turma de jovens animadores: tentar trazer para a atualidade as obras do cartunista, jornalista e ativista brasileiro Henrique de Souza Filho, o Henfil. Além desse processo, o filme traz depoimentos de amigos e revelações sobre como o artista hemofílico lidava com sua doença e utilizava seus desenhos como instrumento de luta contra a censura política de sua época.

10 – Maria Callas – Em Suas Próprias Palavras
Duração: 1h59min
Direção: Tom Volf
Elenco: Maria Callas, Fanny Ardant, Vittorio De Sica
Gênero: Documentário

Maria Callas nasceu na cidade de Nova York em 1923, numa família de imigrantes gregos. Incentivada pela mãe a desenvolver dotes artísticos desde cedo, teve aulas de canto lírico com Elvira Hidalgo no Conservatório de Atenas e não tardou a ser reconhecida internacionalmente como a melhor cantora de ópera de todos os tempos. Através de entrevistas, imagens raras de arquivo, filmagens pessoais e cartas íntimas, a vida e a carreira da artista são reconstituídas.

11 – O Beijo no Asfalto
Duração: 1h38min
Direção: Murilo Benício
Elenco: Lázaro Ramos, Débora Falabella, Otávio Müller
Gênero: Drama

Baseado na peça homônima escrita por Nelson Rodrigues. Ao presenciar um atropelamento, Arandir, um bancário recém-casado, tenta socorrer a vítima, mas o homem, quase morto, só tem tempo de realizar um último pedido: um beijo. Arandir beija o homem, mas seu ato é flagrado por seu sogro Aprígio e fotografado por Amado Ribeiro, um repórter policial sensacionalista.

12 – O Ódio que Você Semeia
Duração: 2h12min)
Direção: George Tillman Jr.
Elenco: Amandla Stenberg, Regina Hall, Russell Hornsby
Gênero: Drama

Starr Carter (Amandla Stenberg) é uma adolescente negra de dezesseis anos que presencia o assassinato de Khalil, seu melhor amigo, por um policial branco. Ela é forçada a testemunhar no tribunal por ser a única pessoa presente na cena do crime. Mesmo sofrendo uma série de chantagens, ela está disposta a dizer a verdade pela honra de seu amigo, custe o que custar.

13 – Tinta Bruta
Duração: 1h58min
Direção: Filipe Matzembacher, Marcio Reolon
Elenco: Shico Menegat, Bruno Fernandes (II), Guega Pacheco
Gênero: Drama

O jovem Pedro (Shico Menegat) vive um momento complicado, ele responde a um processo criminal ao mesmo tempo em que precisa lidar com a mudança da irmã, sua única amiga. Como forma de catarse, ele assume o codinome GarotoNeon e passa a se apresentar anonimamente na internet dançando nu na escuridão do seu quarto, coberto apenas por uma tinta fluorescente.

Fontes:
Adoro Cinema – Agenda de estreias

A desconexão em um mundo hiperconectado

A necessidade de se manter afastado das tecnologias em um mundo que clama por conexão

A desconexão em um mundo hiperconectado
Digital Wellbeing prega o uso consciente das novas tecnologias (Foto: Pixabay)
Henrique Schmidt

As novas tecnologias inundaram o cotidiano nos dias atuais. Smartphones, smartwatches e tablets já fazem parte da realidade dos brasileiros. Em um mundo hiperconectado, ficar offline tem sido cada vez mais difícil, visto que tudo está a um clique de distância. Essa facilidade, porém, causa um grande problema cada vez mais comum: a dependência digital.

Se o desejo é por comida, basta acessar o Ifood. Se quiser ir a algum lugar, chame um Uber. Se o objetivo for conversar com alguém, abra o WhatsApp. Quer ver os seus amigos? Tudo disponível no Facebook e Instagram. E assim por diante.

Paralelo a todos esses benefícios e facilidades, foi-se descobrindo os malefícios e impactos que as novas tecnologias têm o potencial de causar ao corpo, mente e vida social dos seres humanos. Descobriu-se o vício em tecnologia, moderado e pesado – os famosos heavy users – e a nomofobia, termo que provém da junção das palavras em inglês “no”, “mobile” e “phobia” e significa o pavor de ficar sem o celular.

Esses problemas parecem ainda mais graves nas gerações mais novas. Em um artigo publicado na revista Atlantic, o psicólogo Jean Twenge, que estuda a influência da tecnologia em seres humanos, destacou que os mais jovens estão crescendo totalmente imersos num mundo de tecnologia, ao contrário do que aconteceu com seus antecessores. O especialista os chama de “geração iGen”.

“Nascidos entre 1995 e 2012, os membros desta geração [iGen] estão crescendo com smartphones, têm uma conta no Instagram antes de começarem o ensino médio e não se lembram de um tempo antes da internet. Os millennials cresceram com a web também, mas não estavam sempre presentes em suas vidas, a qualquer hora do dia e da noite”, afirmou o psicólogo.

Em contrapartida a todas essas questões, surge outro movimento: o bem-estar digital (Digital Wellbeing) – para o caso de vício em tecnologia ou algum tipo de dependência , o detox digital.

Algumas empresas de tecnologia, como Google, Apple e Facebook, já criaram novas maneiras de manter o controle sobre o tempo que passamos conectados aos aparelhos eletrônicos. Uma versão do Android nos Estados Unidos, por exemplo, permite ver quanto tempo cada usuário passou conectado ao celular.

O Facebook também anunciou que planeja uma interface similar para o seu aplicativo, e para o Instagram, permitindo que o usuário controle quanto tempo tem passado conectado. A novidade foi anunciada no início de agosto, com previsão de início para as semanas seguintes. No entanto, até a publicação desta reportagem, a função não estava disponível para todos os celulares.

As iniciativas vão de encontro com comunicados, pesquisas e notas públicas feitas por associações e centros de estudos. O grupo de investimento Jana Partners, em parceria com o fundo de aposentadoria de professores da Califórnia, o CalSTRS, publicou uma carta aberta no início de 2018 apontando uma série de pesquisas, demonstrando preocupação com os efeitos viciantes das novas tecnologias.

Já no Canadá, um estudo de dezembro de 2015 reuniu 2,2 mil professores e diretores de Alberta. Os profissionais de educação reconheceram a importância dos celulares, inclusive para pesquisas e comunicação, mas dois terços afirmaram que os aparelhos eletrônicos são uma distração crescente nas salas de aula. Ademais, três quartos deles apontaram que as crianças estão com dificuldade de se concentrar, e outros dois terços informaram que os jovens estão indo com sono para a escola.

Dependência tecnológica

“O vício em tecnologia se instaura quando a pessoa dá mais valor, despende mais tempo conectada do que fazendo suas atividades diárias, como estudar, trabalhar, socializar. O IAT (internet Addiction Test), da Kimberly Young, traduzido para o português pela equipe do Dr. Cristiano Nabuco, é um bom parâmetro para identificar a compulsão por internet, além disso, a qualidade do uso e impactos da vida ‘offline’ desta pessoa importa para identificar se a pessoa é dependente, usa em excesso e lhe traz prejuízos”, explicou o psicólogo Felipe Augustto Botelho, da equipe de dependências tecnológicas do Pro-Amitti, do Instituto de Psiquiatria (IPQ) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), em entrevista ao Opinião e Notícia.

Foto: PxHere

Foto: PxHere

Inúmeras pesquisas na área apontam para a influência do contínuo uso da tecnologia no desenvolvimento de doenças e condições mentais, como a depressão, o aumento da sensação de solidão, a dificuldade de interação social sem o intermédio da tecnologia, entre outros problemas.

“No decorrer do tempo se instaura uma falta de repertório e daí vem as comorbidades como: ansiedade, depressão, fobia social, entre outras. É difícil dizer se as comorbidades vieram antes ou depois. Por exemplo, se o dependente tecnológico adquiriu uma comorbidade ou se ele já apresentava esta e com isto colaborou para ser um adicto em tecnologia”, apontou Felipe Botelho.

Em alguns casos, o vício em tecnologia foi tamanho, que causou vítimas fatais. Ainda raras, existem pessoas que morreram após longas maratonas de jogos eletrônicos – tanto que a Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou o vício em videogame como uma doença mental.

“Essa preferência pelo mundo virtual, no qual a pessoa se sente mais protegida, está atrás de uma tela, passa inúmeras horas conectada em redes sociais, jogos online, entre outros, – é mais do que as horas, a qualidade do uso importa – ocorre também o afunilamento temporal, que é quando perdemos de vista quanto tempo estamos online”, apontou Botelho.

No entanto, o psicólogo também chama a atenção para o risco de confusão entre um usuário assíduo, e necessário, da tecnologia e o verdadeiro vício. Segundo Felipe Botelho, a qualidade do uso da tecnologia também importa.

“Se você está trabalhando, resolvendo alguma questão prática, como pagar uma conta de banco, fazendo um curso, esse tempo não é considerado como vicio. Mas, dependendo do tempo e importância, é um fator de risco. A vida dos dependentes tecnológicos fica restrita, geralmente diminui sua vida social, a atenção também é prejudicada, muitas vezes aumenta a irritabilidade”, completou o psicólogo.

Em alguns testes disponíveis em organizações especializadas em lidar com a dependência de tecnologia, como o Instituto Delete e o setor da Pro-Amiti, é possível verificar se o usuário tem problemas com vício de internet ou é apenas assíduo na rede. Caso a resposta seja positiva para o problema, o usuário deve começar a se policiar e, se necessário, procurar ajuda especializada para trabalhar a autorregulação.

“Atualmente, é quase impossível viver sem a tecnologia, em nosso programa nós trabalhamos com a autorregulação, na qual se tem uma maior consciência do uso, do tempo e da sua qualidade, não se restringe, mas tem como objetivo regular o uso, para que este, progressivamente, deixe de ser abusivo, fora do padrão que atrapalhe a vida desse indivíduo”, afirmou o psicólogo, explicando que o programa do Pro-Amiti tem duração de 16 semanas, com 16 encontros, discutindo os usos positivos e negativos da tecnologia, entre outras temáticas.

Bem-estar digital

O movimento Digital Wellbeing não quer banir as novas tecnologias nem censurar seu uso. A iniciativa, que é mais presente no exterior e conta com participação de algumas empresas tecnológicas, prega o uso consciente dos aparelhos eletrônicos e das redes sociais, equilibrando melhor o tempo entre a vida digital e a real.

Devido à necessidade de um controle maior sobre o tempo gasto com os aparelhos eletrônicos, alguns aplicativos começaram a ser desenvolvidos, permitindo que o usuário saiba como tem gastado seu tempo com o dispositivo. Um dos mais famosos para o sistema Android é o Quality Timeque dá acesso a relatórios em tempo real sobre como o usuário está usando seu tempo no celular. Ainda na tela de bloqueio, por exemplo, o aplicativo mostra quantas vezes o smartphone foi desbloqueado.

No entanto, nem todos os usuários apelam para outros aplicativos para combater o uso contínuo dos aparelhos eletrônicos. É o caso da arquiteta e influenciadora digital Maria Luiza Canedo, de 31 anos, que passou por um período de 30 dias afastada das redes sociais; e da blogueira Bruna Matos, de 30 anos, dona do blog “Virando Vegana”, que se afastou das tecnologias em duas oportunidades, ambas entre a noite de sexta-feira e a manhã de segunda-feira.

Por atuarem nas redes sociais, as influenciadoras digitais têm o costume de fazer postagens diárias nas mídias, por vezes em mais de uma oportunidade. Dessa forma, é de se imaginar que seria difícil para elas se manterem afastadas da internet durante esse período “sabático”. Bruna Matos, porém, afirmou que seu maior obstáculo foi o medo de estar perdendo algo importante. “Mas estava com a decisão tomada, então não enfrentei dificuldades”, explica a blogueira.

Maria Luiza, porém, admitiu ter enfrentado dificuldades. Apesar de classificar a experiência do detox digital como “libertadora”, a arquiteta destacou o longo período em que atua como influenciadora digital – mais de três anos – e o medo de perder a audiência durante o tempo que ficou afastada.

Foto: PxHere

Foto: PxHere

“Como eu trabalho como influencer há mais de 3 anos, no início fiquei com receio de perder audiência e trabalhos com marcas, assessorias e parceiros, mas sabia que essa atitude seria importante para mim. Foi uma mudança de rotina, pois eu vivia a maior parte do meu dia produzindo conteúdo para o blog e redes sociais. Ao mesmo tempo que foi libertador ter tempo para viver uma vida offline, também senti falta da minha rotina de trabalho como produtora de conteúdo”, explicou Maria Luiza, em entrevista ao O&N.

Bruna Matos também viu grandes benefícios nos períodos em que se manteve afastada. De acordo com a blogueira, os dias rendiam mais, com mais tempo para fazer as tarefas. Isso a fez perceber o quanto as redes sociais ocupavam o seu tempo diariamente.

Dessa forma, Matos aponta que a possibilidade de “dedicar mais atenção a mim mesma, fazer as coisas com mais calma, curtir o momento sem ter que registrá-lo, dar a devida atenção às pessoas, sem ter o telefone como barreira nas interações pessoais” foram os principais benefícios desse período de detox.

A blogueira afirma ainda que, apesar de ter usado o período afastada da internet para se dedicar a si mesma, ela pôde notar uma melhora nas relações pessoais, estando “mais presente”, dando “mais atenção” às pessoas. Enquanto isso, Maria Luiza destaca a sua reconexão com o mundo, “meu entorno, meus valores, amigos e familiares”.

“Nas redes sociais estamos constantemente ‘vivendo’ a vida dos outros, e isso pode afetar nossas emoções e também gerar insatisfações sem sentido. Quando paramos para viver a nossa vida, a nossa realidade, conseguimos alinhar os nossos objetivos sem nenhuma interferência, e assim nos dedicarmos para conquistá-los. E quando eu voltei do detox digital, não havia perdido audiência ou trabalho, foi ótimo”, apontou a arquiteta.

Para as influenciadoras digitais, “equilíbrio” se mostrou a palavra mais importante para manter a vida, digital e social, em ordem. Maria Luiza revelou que sempre nutriu bons relacionamentos com as outras pessoas, mesmo com as redes sociais, mas admitiu que, durante os encontros no período em que esteve afastada das mídias, ela já não tirava mais o celular da bolsa. “Eu estava plenamente focada naquele instante, e no quanto é gostoso viver, também, sem compartilhar”, explica a arquiteta.

Já Bruna Matos, por fim, disse que ainda busca um equilíbrio, mas afirmou que, após os períodos de desconexão, tem organizado melhor o seu tempo para não “sacrificar” outras atividades. “Sigo na busca do equilíbrio, me desconectando mais, me permitindo dias off-line ou dias sem postar conteúdo”, conclui a blogueira.