PGR reforça pedido de prorrogação de inquérito que investiga Romero Jucá

O senador Romero Jucá (MDB-RR) 

Por Matheus Leitão

A Procuradoria-Geral da República (PGR) reiterou pedido de prorrogação das investigações de inquérito que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) e investiga o senador Romero Jucá (MDB-RR). Em setembro, a PGR já havia pedido a prorrogação das investigações por 60 dias, mas, segundo a PGR, não houve resposta do ministro Edson Fachin, relator do processo.

Neste inquérito, Romero Jucá é suspeito de receber R$ 10 milhões em propina da Odebrecht e da Andrade Gutierrez para beneficiar empresas na licitação do Projeto Madeira (Usina Hidrelétrica de Santo Antônio).

O senador Romero Jucá não conseguiu a reeleição para o cargo e deixará o Senado no fim deste ano, após três mandatos consecutivos. Ele perdeu as duas vagas em Roraima para os candidatos Chico Rodrigues (DEM) e Mecias de Jesus (PRB), que teve 434 votos a mais que Jucá.

G1

Mensagens falsas “mataram” o rei da Espanha (há 450 anos)

Felipe 2º, Rei de Espanha (1527-1598), filho de Carlos I de Espanha e Isabel de Portugal

O fenômeno das notícias e mensagens falsas que se propagam de forma viral nas redes sociais preocupa cada vez mais governos, organizações internacionais e acadêmicos, mas não é algo de novo.

Desde a campanha eleitoral de 2016 nos Estados Unidos e agora com as eleições brasileiras, os holofotes da imprensa se voltaram para combater as chamadas “fake news”.

Este é um fenômeno viral que se propaga nas redes sociais e preocupa cada vez mais governos, organizações internacionais e acadêmicos, e que pode influenciar o resultado das eleições. Esta sexta-feira, o TSE abriu uma ação para investigar o uso do envio de mensagens em massa por apoiadores de Jair Bolsonaro

O fenômeno não é algo novo. Nos últimos meses, a BBC revelou como um “Exército virtual” foi usado para influenciar eleições brasileiras de 2014 e como um blog usou em 2010 uma rede de fakes para defender DFilma Rousseff.  Mas na verdade, as mensagens falsas são documentadas há séculos.

“Antigamente, essas ‘fake news’ eram citadas nos documentos como ‘notícias falsas’ou ‘notícias mentirosas’, mas não deixam de ser mentiras propagadas com um propósito desestabilizador”, diz à BBC Almudena Serrano Mota, diretora do Arquivo Histórico de Cuenca, na Espanha.

A principal diferença é que, séculos atrás, as mensagens falsas obviamente não eram disseminadas pelas redes sociais, mas transmitidas diretamente no boca a boca. Mas isso não diminuía sua capacidade destrutiva.

Um exemplo da propagação de notícias falsas ocorreu em 1564. E sua vítima foi ninguém menos que o homem mais poderoso do mundo na época: o rei espanhol Felipe 2º.

Um boato no império

Durante o reinado de Felipe 2º, o império espanhol atingiu seu esplendor máximo: se expandia das Filipinas até a América do Sul – por isso, diziam que o sol nunca se punhaem seus domínios – ou seja, quando desaparecia no Ocidente, surgia no Oriente.

Com esse vasto território, imagine o que aconteceria se alguém fizesse correr um boatosobre a vida do monarca… Pois foi exatamente o que aconteceu em 1564, quando “uma notícia falsa foi usada para tentar sabotar seriamente o reinado de Felipe 2º“, conta Almudena Serrano.

Já há oitos no trono, o monarca soube que um boato de sua própria morte “a tiros” havia se espalhado. A notícia foi divulgada “em Madri e outras partes dos reinos de Castilla”, segundo documentos históricos.

E, por essa razão, era necessário evitar, o mais rápido possível, que se propagasse para outras partes da Europa, “diante do risco que implicaria à monarquia“, ressalta o especialista.

“Imediatamente, o rei teve que acionar toda a máquina burocrática dos correios e da transmissão de mensagens, a fim de chegar o mais rápido possível às áreas que ele considerava convenientes que aquela notícia falsa era um boato sem fundamento”, diz Serrano.

Assim, o rei enviou cartas a seus diplomatas pedindo-lhes que neutralizassem os rumores e que fizessem vir à tona “a verdade em todos os lugares”. Além disso, ordenou “uma grande diligência para descobrir de onde surgira o boato e com que propósito”, segundo consta na documentação do Arquivo Geral de Simancas, em Castilla e León.

Ainda que, para o monarca, “o objetivo fosse claro”: “Está subentendido que foi propagado com má intenção”, diz a documentação.

Segundo Serrano, nunca se soube a origem do boato. “Mas quase tão importante do que descobrir a autoria era conseguir que o falso assassinato do rei não se espalhasse. Significaria uma perda de prestígio para a monarquia (o suposto fato de) terem conseguido assassinar o rei de Espanha”, diz o especialista.

Nem a primeira, nem a última

Essa não foi a única mensagem falsa que afetou a monarquia espanhola na época. Antes, o pai de Felipe 2º, imperador Carlos 5º, também havia sido vítima de uma notícia falsa sobre sua suposta morte.

O caso foi relatado pelo embaixador espanhol em Gênova. Ele informou ao rei que seus inimigos na Alemanha tinham espalhado o rumor entre os soldados espanhóis:

“As notícias vêm do acampamento dos inimigos. Muitos declararam publicamente que, se soubessem que o imperador estava vivo, que não serviriam a outro homem, é um sinal de que os franceses espalharam que sua majestade está morta” , diz outro documento preservado no Arquivo Geral de Simancas.

“Circularam boatos sobre outras mortes, navios holandeses que disseminaram notícias falsas sobre rebeliões contra o rei da Espanha, por exemplo, nas ilhas do Pacífico, durante o reinado de Filipe 4º, ou rumores de falsos tratados de paz que eram notoriamente prejudiciais à monarquia espanhola”, acrescenta Serrano.

BBC – Museo del Prado / Wikimedia

Delator diz que posto que forneceu combustíveis para campanha de Taques fechou contrato de R$ 41 milhões sem licitação

Governador Pedro Taques (MDB) 

Alan Malouf firmou termo de delação premiada 

Parte da doação teria sido declarada à Justiça Eleitoral, enquanto o restante ficou como saldo a pagar para o caixa 2.

Por Flávia Borges

O empresário Alan Malouf afirmou em delação premiada que o governador Pedro Taques (MDB) contratou a empresa Marmeleiro Auto Posto Ltda., com dispensa de licitação, no valor de R$ 41 milhões, na tentativa de saldar uma dívida de campanha.

Em nota emitida pela assessoria do governo, Taques nega caixa 2 e diz já ter constituído advogados para atuar no processo.

A empresa teria fornecido combustível durante toda a campanha de Taques ao governo. Parte da doação teria sido declarada à Justiça Eleitoral, enquanto o restante ficou como saldo a pagar para o caixa 2.

O Marmeleiro Auto Posto é um “antigo” fornecedor aos órgãos públicos de Mato Grosso. A empresa também foi a principal fornecedora de combustível ao Governo durante a gestão do ex-governador Silval Barbosa (PMDB).

A empresa foi alvo da 5ª fase da “Operação Sodoma” por pagamento de propina a uma suposta organização criminosa liderada pelo ex-governador Silval Barbosa (PMDB).

O contrato da Marmeleiro Auto Posto com o governo Pedro Taques é objeto de um inquérito civil do Ministério Público Estadual (MPE), sob responsabilidade do promotor Roberto Aparecido Turin, devido à dispensa de licitação para compra de R$ 41 milhões em combustíveis.

O contrato citado por Malouf é 031/2015/Seges, cujo valor é de R$ 41.157.924,49 milhões.

Delator

No ano passado, Alan Malouf foi condenado a 11 anos de prisão por integrar uma organização criminosa que desviou verba da Secretaria Estadual de Educação (Seduc-MT) entre 2015 e 2016. As fraudes são investigadas na Operação Rêmora. Malouf foi preso em dezembro do ano passado, mas solto alguns dias depois.

No entanto, por meio da defesa dele, propôs acordo de colaboração premiada e apresentou detalhes de um esquema de desvio de dinheiro público.

Veja outros detalhes da delação de Alan Malouf:

Empresário diz que ex-governador prometeu doar R$ 10 milhões para a campanha do atual governador de MT em 2014

Delator diz que governador de MT recebeu cerca de R$ 7 milhões de grupo empresarial em caixa 2 na campanha de 2014

Ex-secretários de MT ganhavam dinheiro extra do governo como complemento de salário, afirma delator

Delator de esquema de corrupção em MT se compromete a devolver R$ 5,5 milhões

Em vídeo, empresário revela como funcionou um suposto esquema de fraudes no governo de MT

Cervejaria doou R$ 3 milhões ao governador de MT em 2014 em acordo para benefícios fiscais, diz delator

Deputado de MT teria usado dinheiro desviado da Educação para pagar dívida de campanha, diz delator

Delator diz que deputado de MT deu apoio político para esquema de fraude na Educação ser colocado em prática

Delator diz que ex-secretário de Fazenda o procurou para que juntos entregassem o governador de MT à Justiça

Delator diz que recebeu R$ 1 milhão de empresário do agronegócio a pedido de governador de MT como retorno de doação para caixa 2

Empresário afirma que ex-secretário de Segurança de MT pediu R$ 3 milhões para ‘blindá-lo’

G1

O cérebro equivale a milhões de minicomputadores trabalhando em conjunto

Um estudo recente revelou uma diferença estrutural fundamental entre os neurônios humanos e de cobaias, que poderia ajudar a explicar nossos poderes de inteligência.

 Adrianna Williams / Corbis / HypeScience

Concluído o primeiro registro de atividade elétrica em células humanas em nível incrivelmente detalhado, os cientistas afirmam agora que cada uma das nossas células cerebrais poderiam funcionar como um minicomputador, escrevem em um novo estudo científico, publicado no dia 18 de outubro na Cell.

Humanos e ratos de laboratório são diferentes, começando pelos neurônios. As células cerebrais se comunicam disparando impulsos elétricos, que os pesquisadores conseguem detectar e medir colocando eletrodos microscópicos dentro dos neurônios.

Apesar de os cientistas já terem tido oportunidade de realizar essa experiência em cobaias, Mark Harnett, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, em Cambridge, tinha a ambição de ir mais longe: observar de que forma os neurônios humanos poderiam se destacar, em comparação com os dos ratinhos.

Assim, o cientista utilizou tecido vivo obtido através de cirurgias nas quais os especialistas removiam pedaços de cérebro de pessoas com epilepsia. A equipe de Harnett usou então eletrodos muito finos para registrar a atividade dentro dos ramos mais finos, conhecidos como dendrites, no final do tronco cerebral.

Cada neurônio pode ter até 50 dendrites e cada dendrite tem centenas de sinapses ou pontos de conexão com outros neurônios. Os sinais cerebrais passam por essas sinapses entrando na dendrite, tornando assim provável que a própria dendrite lance um sinal elétrico ao longo do seu comprimento.

Em comparação com as cobaias, as dendrites de neurônios humanos apresentam menos canais de íons, moléculas inseridas na membrana externa da célula que deixam a eletricidade fluir ao longo da dendrite.

À primeira vista, essa informação pode parecer uma desvantagem, mas na verdade a característica denota aos humanos maiores e melhores “poderes de computação” para cada célula do cérebro.

Na prática, em um neurônio de uma cobaia, se um sinal iniciar em uma dendrite, existem imensos canais iônicos para conduzir a eletricidade, o que irá fazer com que o sinal, provavelmente, continue no tronco principal do neurônio.

Por sua vez, em um neurônio humano, é menos certo que o sinal rume até tronco principal: tudo dependerá da atividade nas outras dendrites.

Essa dinâmica, explica a New Scientist, permite que as milhares de sinapses das dendrites de cada neurônio determinem coletivamente a “decisão” final. “Em conjunto, procuram padrões específicos de entrada para se unirem e, finalmente, produzirem um sinal”, explica Harnett.

No fundo, podemos imaginar nosso cérebro como sendo o repositório de milhares de milhões de minicomputadores trabalhando em conjunto. Uma autêntica máquina que nos permite, entre muitas outras tarefas, ler esta matéria até o fim.

Cib/ZAP

Começa a Crise dos Mísseis

Em 22 de outubro de 1962, o confronto entre os Estados Unidos e a União Soviética colocou o mundo à beira de um conflito nuclear

Começa a Crise dos Mísseis
Aviões americanos descobriram mísseis soviéticos instalados em Cuba (Foto: Wikimedia)
No dia 22 de outubro de 1962, a crise dos mísseis se tornou pública, depois que o então presidente americano John Kennedy denunciou a existência dos mísseis soviéticos em Cuba. “Essas rampas não devem ter outro objetivo que o ataque nuclear contra o mundo ocidental”, declarou. “Nem os Estados Unidos nem a comunidade internacional irão se iludir e aceitar esta ameaça”, advertiu.

Em outubro de 1962, o confronto entre os Estados Unidos e a União Soviética colocou o mundo à beira de um conflito nuclear. Afinal, aviões americanos descobriram mísseis soviéticos instalados em Cuba, que teriam alcance o suficiente para atingir os Estados Unidos.

No dia 16 de outubro, Kennedy convocou então o Comitê Executivo do Conselho de Segurança Nacional, ou “Ex-Comm”, formado por 14 integrantes do primeiro escalão do governo e coordenado por seu irmão, Robert. Eles pensaram em três linhas de ação: bloqueio naval da ilha, ataques aéreos às bases de mísseis ou invasão em larga escala de Cuba.

O presidente americano resolveu manter a descoberta dos mísseis em segredo. No dia seguinte, outro voo flagrou novos mísseis soviéticos, desta vez de longo alcance, em Cuba, armas que seriam capazes de atingir praticamente qualquer ponto nos Estados Unidos.

No dia 18, Andrei Gromyko, o então ministro das Relações Exteriores da URSS, foi a Casa Branca (a reunião tinha sido marcada antes da descoberta dos mísseis). Enquanto Gromyko, que sabia dos mísseis, garantiu que as cargas entregues à ilha só serviam para “ajudar na capacidade de defesa de Cuba e no desenvolvimento de sua pacífica democracia”, Kennedy não confrontou o visitante. Depois de fingir que não sabia de nada, ele repetiu que não aceitaria a instalação de bases de ataque no país vizinho.

Finalmente, no dia 22, em discurso, transmitido em rede nacional de rádio e televisão, Kennedy anunciou a presença das armas nucleares em Cuba e lançou a ideia do bloqueio naval. Em Moscou, Nikita Khrushchov recebia uma cópia antecipada do discurso.

A crise de Cuba entrou para a história como a maior demonstração de força da administração Kennedy. Na época, a irritação não era só dos americanos, afinal outros países ocidentais também interpretaram os mísseis soviéticos como uma provocação bélica da antiga União Soviética.

Fontes:
DW-1962: Ultimato de Kennedy na crise dos mísseis de Cuba
Veja-Treze dias de angústia

PF diz não haver prazo para apurar fake news na campanha presidencial

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Elzio Vicente da Silva, da PF, diz como será a investigação

Breno Pires
Estadão

O diretor de Investigação e Combate ao Crime Organizado da Polícia Federal, Elzio Vicente da Silva, afirmou neste domingo, 21, que é imprevisível o prazo que vai levar para a conclusão da investigação aberta neste sábado a respeito de pagamentos ilegais de empresas para disseminar notícias falsas envolvendo as campanhas de Jair Bolsonaro e Fernando Haddad à Presidência da República.

“É imprevisível. Não se trata só de preservar a estratégia, mas seria temerário se falar em um prazo para determinar com clareza (o que houve)”, afirmou Elzio Vicente da Silva, ao ser questionado sobre o andamento do caso, em entrevista coletiva conjunta com demais órgãos envolvidos nas eleições 2018, na sede do Tribunal Superior Eleitoral.

SOB SIGILO – O caso tramitará sob sigilo na Polícia Federal e foi aberto após pedido da Procuradoria-Geral da República. Questionado sobre se a polícia solicitaria as informações do Whatsapp que levaram ao banimento de empresas, ele não respondeu devido ao sigilo, mas disse que, em tese, tudo que diz respeito ao tema da investigação interessa à PF.

“A investigação tramita em sigilo, não só para preservar a estratégia da apuração, mas as pessoas em torno do fato. Em abstrato, falando em termos de doutrina de investigação, interessa à PF obter o maior volume de dados que possam ajudar a trazer informações sobre o caso.

Bolsonaro amplia vantagem sobre Haddad na pesquisa BTG

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Ex-capitão lidera em todas as pesquisas

Nova pesquisa do BTG/FSB, divulgada nesta segunda-feira, 22,  mostra que o candidato Jair Bolsonaro (PSL) aumentou sua vantagem dentro da margem de erro contra Fernando Haddad (PT). Segundo o levantamento, o ex-capitão conta com 60% dos votos válidos, contra 40% do adversário. A margem de erro continua sendo de dois pontos percentuais.

No último estudo, publicado em 14 de outubro, Bolsonaro aparecia com 59% das intenções de voto, contra 41% do petista. No cenário espontâneo, quando o nome dos candidatos não é dito ao entrevistado, o ex-militar caiu um ponto percentual, ficando com 48%, enquanto Haddad cresceu um ponto, chegando a 31%. Os votos brancos e nulos atingem 6%, enquanto 5% responderam “nenhum” e 11% não souberam opinar.

Na intenção de voto estimulada, porém, o candidato do PSL cresceu um ponto percentual, de 51 para 52%. Haddad permaneceu com 35%. Votos brancos e nulos somaram 4%, não souberam 4% e 5% responderam que não escolheriam nenhum dos dois.

A pesquisa também abordou a decisão definitiva de votos de cada eleitor. Neste momento, 94% dos que votariam em Bolsonaro afirmaram que estão convictos da decisão. Nos eleitores do petista, o índice é de 90%.

A rejeição dos candidatos ficou em 52% para Fernando Haddad e 38% para Bolsonaro. Foram entrevistados 2 mil eleitores, entre 20 e 21 de outubro.

M Ú S I C A – Palavras ao vento – Cassia Eller

M Ú S I C A

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Palavras ao vento

Cassia Eller

M Ú S I C A

Palavras ao vento

Cassia Eller

F I L M E  – Um Domingo de Chuva

F I L M E

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Um Domingo de Chuva

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Um Domingo de Chuva

O falso sobre o fake. Por Marcus André Melo

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Por Marcus André Melo  – Folha de S. Paulo
 
Falando a verdade sobre acreditar em mentiras
Exposição às fake news podem levar as pessoas a mudar o voto? Esta pergunta adquiriu grande centralidade no debate público e a ciência política já produziu algumas respostas.
Um grupo de 16 pesquisadores de diversas áreas —da ciência política à economia comportamental— produziu uma avaliação do estado da arte das notícias falsas. Em “The Science of Fake News”, publicado na revista Science (2018), os autores concluem que não existem evidências robustas sobre o efeito da exposição às fake news no comportamento político (por exemplo, comparecimento às urnas ou como se vota). A afirmação vale para fake news, não para campanhas políticas.
A análise mais rigorosa sobre a influência das fake news nas eleições americanas de 2016 —quando a questão adquiriu centralidade na agenda pública— foi levada a cabo por Matthew Gentzkow (Universidade Stanford) e colaboradores.
Os pesquisadores utilizaram várias técnicas para estimar o efeito das fake news sobre o voto e fizeram testes de robustez. É complexa a tarefa de identificar este efeito: uma grande proporção de notícias falsas pró-Trump foi vista por eleitores que já iriam votar nele.
Por outro lado, saber quantas pessoas se depararam ou compartilharam as notícias não é a mesma coisa que saber quantas efetivamente as leram ou foram de fato afetadas.
Embora considerem ainda preliminares os achados da pesquisa, os autores concluíram que o efeito não é estatisticamente significante: “É da ordem de centésimos de um ponto percentual, o que é muito menor que a margem de erro da vitória de Trump nos estados pivotais, dos quais o resultado dependeu”.
Em “Falando a Verdade Sobre Acreditar em Mentiras”, o cientista político Adam Berinsky (MIT) relata um experimento buscando resposta para a seguinte questão: Quando as pessoas circulam fake news, estão revelando crenças arraigadas, ou trata-se apenas de “respostas expressivas”, voltadas para demonstrar sua rejeição a políticos e políticas, e não crença genuína em informação falsa?
Sua conclusão é que ao receber e compartilhar fake news nas sua redes, elas estão refletindo crenças arraigadas. Notícias falsas produzem polarização, mas não alteram o voto de forma significativa.
Esta conclusão sugere que as notícias só “pegam” quando ancoradas em uma estrutura de crenças estabelecida.
As pessoas preferem informação que confirme as atitudes pré-existentes (exposição seletiva), consideram informação consistente com suas crenças como mais persuasiva que informação dissonante (viés confirmatório), e são mais propensas a aceitar informação que lhes agrade (viés de desejabilidade).
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Marcus André Melo, professor da Universidade Federal de Pernambuco e ex-professor visitante do MIT e da Universidade Yale (EUA).