Camilo anuncia isenção de impostos a bares e restaurantes, e auxílio de mil reais a desempregados do setor no Ceará

Por G1 CE

O setor de alimentação fora do lar é um dos mais afetados pela pandemia no Ceará. — Foto: Helene Santos/SVM

O setor de alimentação fora do lar é um dos mais afetados pela pandemia no Ceará. — Foto: Helene Santos/SVM

O governador Camilo Santana, nesta quinta-feira (4), anunciou um pacote de medidas para auxiliar o setor de bares e restaurantes do Ceará. Dentre elas, está a concessão de auxílio financeiro de R$ 1 mil a desempregados do setor. Segundo o gestor, a quantidade de pessoas nessa situação gira entre 5 mil e 10 mil. Ainda não há mais informações sobre como será o processo para solicitar o auxílio.

Foi anunciada também a isenção do Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) do ano de 2021 a veículos registrados nos nomes das empresas. Aqueles pequenos empreendedores cujos veículos são registrados nos próprios nomes terão direito à isenção em um automóvel. As contas de água de março, abril e maio também não precisarão ser pagas.

Já em relação ao Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), o valor poderá ser parcelado em até 60 vezes.

Confira as medidas:

  • Parcelamento de todos os débitos de ICMS em 60 vezes
  • Isenção do IPVA de 2021 para veículos registrados na empresa, e até um carro que esteja no nome do profissional autônomo ou MEI que atue no segmento
  • Criação do Selo Lazer Seguro (que fornece tratamento diferenciado por comprovar que o estabelecimento cumpre os protocolos de segurança)
  • O governo vai pagar a conta de água de março, abril e maio de todos os estabelecimentos (restaurantes, bares, lanchonetes, barracas de praia, e outros similares)
  • Isentar todos os débitos de conta de água de março de 2020 até final de fevereiro de 2021 serão também isentados
  • Isentar o pagamento da tarifa de contingência
  • Auxílio financeiro para os desempregados do setor de alimentação em R$ 1 mil, a ser pago em duas parcelas (março e abril).

Potencial de voto de Lula supera o de Bolsonaro

Ipec (Inteligência em Pesquisa e Consultoria), novo instituto de pesquisas da estatística Márcia Cavallari (ex-Ibope)

Daniel Bramatti, O Estado de S.Paulo

Em pesquisa de opinião que mede o potencial de voto de dez possíveis candidatos nas eleições presidenciais de 2022, apenas o ex-presidente petista Luiz Inácio Lula da Silva demonstra ter mais capital político que o atual ocupante do Palácio do Planalto, Jair Bolsonaro.

No levantamento, feito pelo Ipec (Inteligência em Pesquisa e Consultoria), novo instituto de pesquisas da estatística Márcia Cavallari (ex-Ibope), 50% dos entrevistados disseram que votariam com certeza ou poderiam votar em Lula se ele se candidatasse novamente à Presidência, e 44% afirmaram que não o escolheriam de jeito nenhum. Bolsonaro aparece com 12 pontos porcentuais a menos no potencial de voto (38%), e 12 a mais na rejeição (56%).

Lula discursa no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Berrnardo do Campo

Pesquisa que mede capital político de dez possíveis presidenciáveis mostra que apenas petista (hoje impedido de concorrer) tem mais aceitação que atual ocupante do Planalto

Não se trata de levantamento que avalia um possível confronto entre Lula, Bolsonaro ou outros concorrentes. Enquanto uma pesquisa de intenção de voto mostra como está a corrida eleitoral, a de potencial busca medir o piso e o teto de aceitação de cada um dos possíveis candidatos. Há outro fator determinante no caso do petista: Lula está impedido pela Lei da Ficha Limpa de concorrer em 2022, pois tem condenações penais proferidas por órgão colegiado. Seus advogados têm buscado anular as sentenças que envolvem imóveis em Guarujá e Atibaia, mas, em entrevistas recentes, ele negou a intenção de se candidatar.

Na pesquisa de potencial, em vez de apresentar uma lista de candidatos e pedir ao entrevistado que aponte seu preferido, o instituto cita o nome de cada possível concorrente e pergunta se o eleitor votaria nele com certeza, se poderia votar, se não votaria de jeito nenhum ou se não o conhece suficientemente para responder. A soma das duas primeiras respostas – “votaria com certeza” e “poderia votar” – é o potencial de votos.

Atrás de Lula e Bolsonaro no ranking de potencial de voto estão Sérgio Moro (31%), Luciano Huck (28%), Fernando Haddad (27%), Ciro Gomes (25%), Marina Silva (21%), Luiz Henrique Mandetta (15%), João Doria (15%) e Guilherme Boulos (10%).

Todos esses – com exceção de Moro, cuja taxa de rejeição é de 50% – são descartados como opção de voto pela maioria absoluta do eleitorado. Empatados tecnicamente com os 56% de Bolsonaro no quesito “não votaria de jeito nenhum” estão Marina (59%), Huck (57%), Doria (57%), Ciro (53%) e Haddad (52%).

A pesquisa do Ipec também mostra em quais segmentos do eleitorado os candidatos têm mais apoio. Bolsonaro encontra mais simpatizantes entre evangélicos (53% de potencial de voto), moradores da região Sul (46%) e na faixa de renda entre dois e cinco salários mínimos (45%).

Entrevistas

O Ipec ouviu 2.002 pessoas em 143 municípios do País. O levantamento foi realizado entre os dias 19 e 23 de fevereiro e a margem de erro é de 2 pontos porcentuais para mais ou para menos.

MÚSICA- Terry Winter – Our love dream

MÚSICA

 

Terry Winter – Our love dream

Pandemia faz pobreza absoluta na Itália atingir maior nível desde 2005

Pandemia pobreza Itália

O índice de pobreza absoluta na Itália voltou a crescer em 2020, ano da pandemia do novo coronavírus, e atingiu o maior valor desde o início da série histórica, em 2005.

Segundo estimativas divulgadas pelo Instituto Nacional de Estatística (Istat) nesta quinta-feira (4), a porção da população que vive nessa condição subiu de 7,7% em 2019 para 9,4% no ano passado, totalizando 5,6 milhões de pessoas.

Em termos de famílias, o índice saltou de 6,4% para 7,7% em um ano, totalizando pouco mais de 2 milhões. O crescimento da pobreza absoluta em 2020 reverteu os ganhos registrados em 2019, período que havia interrompido quatro anos consecutivos de aumento.

Com exceção das famílias com apenas um integrante, todos os outros tipos de núcleos tiveram alta na pobreza absoluta, com o índice crescendo progressivamente de acordo com o número de componentes.

Para famílias de duas pessoas, a pobreza absoluta subiu de 4,3% para 5,7%; para famílias de três pessoas, de 6,1% para 8,6%; para famílias com quatro pessoas, de 9,6% para 11,3%; e para famílias com cinco ou mais pessoas, de 16,2% para 20,7%.

Além disso, segundo o Istat, o índice de pobreza absoluta entre menores de 18 anos cresceu de 11,4% para 13,6%, também recorde desde 2005 e totalizando 1,346 milhão de indivíduos.

Para calcular os índices, o instituto define o valor monetário, em preços correntes, do “conjunto de bens e serviços considerados essenciais para uma família”, sendo que essa cifra varia de acordo com o tamanho do núcleo, a idade dos seus componentes e o local de residência.

Uma família é considerada em situação de “pobreza absoluta” quando tem uma renda mensal inferior ao custo dessa cesta básica de bens e serviços.

Para um núcleo formado por um casal e dois filhos adolescentes e residente em uma área metropolitana do norte da Itália, por exemplo, o índice de pobreza absoluta é de 1.773,52 euros (considerando a renda total da família), o que equivale a R$ 12 mil pela cotação atual.

Já para uma família de composição idêntica, mas moradora de uma pequena cidade do sul, o valor mínimo diminui para 1.304,41 euros (R$ 8,81 mil).

*Com informações de ANSA

MPF de Goiás emite nota defendendo tratamento precoce da Covid-19 com hidroxicloroquina e ivermectina

O Ministério Público Federal de Goiás (MPF-GO) emitiu uma nota técnica em que apoia o uso da hidroxicloroquina e da ivermectina no tratamento precoce contra a Covid-19.

O documento, publicado nessa terça-feira (02), tem 117 páginas e leva o título “As evidências científicas acerca do atendimento integral das pessoas acometidas com a Covid-19: o estado da arte atual, com ênfase no tratamento na fase inicial (replicação viral) da doença”.

De acordo com o documento, existem evidências científicas que comprovam os benefícios dos medicamentos. O estudo foi solicitado pelo procurador da República Ailton Benedito, ex-secretário de Direitos Humanos e Defesa Coletiva do MPF.

O texto é assinado pelos infectologistas Ricardo Ariel Zimerman e Francisco Eduardo Cardoso Alves; pela biomédica Rute Alves Pereira e Costa; e pelo psicólogo Bruno Campello de Souza.

O material foi encaminhado a órgãos e instituições ligados ao enfrentamento da pandemia. O MPF aponta no material que a “aplicação de políticas de ‘tratamento inicial’ em larga escala já foi realizada em outros países do mundo” e que “há diversos protocolos de sucesso na temática do tratamento inicial no Brasil e no âmbito internacional”.

Polícia Federal faz operação contra fraudes no Auxílio Emergencial em oito estados

PF fraudes Auxílio Emergencial

A Polícia Federal deflagrou hoje (4/3) a Operação Quarta Parcela, para combater a fraudes nos Benefícios Emergenciais, disponibilizados pelo Governo Federal à população carente. Esta operação policial é fruto do trabalho conjunto da Polícia Federal, Ministério Público Federal, Ministério da Cidadania, CAIXA, Receita Federal, Controladoria-Geral da União e Tribunal de Contas da União, Instituições que participam da Estratégia Integrada de Atuação contra as Fraudes ao Auxílio Emergencial (EIAFAE).

Cerca de 100 policiais federais dão cumprimento a 28 Mandados de Busca e Apreensão e a 7 Mandados de Sequestro de Bens, nos Estados do Amazonas, Bahia, Goiás, Mato Grosso, Paraná, Rondônia, Maranhão e São Paulo. Foram bloqueados, por determinação judicial, mais de R$ 170 mil.

Os objetivos da atuação conjunta e estratégica são a identificação de fraudes massivas e a desarticulação de organizações criminosas que atuam causando prejuízos ao programas assistenciais e, por consequência, atingindo a parcela da população que necessita desses valores.

Seguindo todos os protocolos de cuidados do Ministério da Saúde, a Polícia Federal prossegue com a realização de ações em prol da sociedade.

Ministério da Saúde negocia compra de 63 milhões de doses de vacina da Moderna

O Ministério da Saúde estima fechar um contrato com a Moderna para receber 13 milhões de doses da vacina do laboratório contra a Covid-19 até dezembro, com o primeiro 1 milhão de doses entregue até julho.

A compra consta em documento com o cronograma de entregas previsto pela pasta obtido pela agência de notícias Reuters.

O cronograma também prevê mais 50 milhões de doses do imunizante do laboratório norte-americano até 31 de janeiro de 2022, totalizando 63 milhões de doses da farmacêutica.

O cronograma do ministério foi entregue na tarde desta quinta-feira (04) pelo secretário-executivo da pasta, Élcio Franco, a senadores que participaram de uma sessão para discutir as ações da pasta no enfrentamento à pandemia de coronavírus.

O Brasil distribuiu até o momento cerca de 19 milhões de doses de vacinas aos Estados, sendo a maior parte a CoronaVac, da Sinovac em parceria com o Instituto Butantan, que inicialmente era rejeitada pelo Ministério da Saúde. Só para vacinar os primeiros grupos prioritários -trabalhadores de saúde, idosos, indígenas e pessoas com morbidades – são necessárias 104,2 milhões de doses de vacina.

Os valores dos acordos em negociação não foram divulgados, mas o governo federal destinou R$ 20 bilhões para a vacinação contra a covid-19 por meio de uma medida provisória assinada pelo presidente Jair Bolsonaro no ano passado.

No caso da Moderna, o Ministério da Saúde, comandado por Eduardo Pazuello, negocia receber 13 milhões de doses da vacina do laboratório norte-americano este ano.

A previsão é que haja 1 milhão de doses para cada mês em julho, agosto e setembro, e ainda outros 10 milhões de doses até dezembro. A pasta ainda contabiliza receber em janeiro de 2022 outros 50 milhões de doses da Moderna.

Castello Branco aplicou o ‘conto do vigário’ na Petrobras, diz Assis Pereira, consultor da empresa

O economista Roberto Castello Branco assume a presidencia da Petrobras -  Fotos Publicas

A desfaçatez de Castello Branco surpreendeu o mercado

Deu no Correio do Brasil

Parte do Conselho da Petrobras saiu em defesa do executivo da empresa, Roberto da Cunha Castello Branco, após o rompante do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) de destituí-lo do posto, em público, e indicar o almirante Joaquim Silva e Luna para o lugar. A decisão intempestiva custou o declínio das ações, nas bolsas de todo o mundo, na semana passada, e uma perda de valor acima de US$ 100 bilhões, em questão de horas.

Castello Branco foi indicado ao cargo de presidente da Petrobras pelo ministro da Economia, Paulo Guedes. Uma semana depois, o responsável pela indicação do executivo ainda não se pronunciou sobre os acontecimentos.

HÁ CONTROVÉRSIAS – Já o consultor da companhia, o economista João Batista de Assis Pereira, em texto publicado neste domingo no portal de investimentos GuiaInvest, para assinantes, tem uma ideia bem diferente daqueles que simpatizam com a gestão de Castello Branco, ainda no cargo.

Segundo Assis Pereira, “o estratosférico lucro de R$ 59,89 bi da Petrobras no quarto trimestre foi montado para satisfazer a maioria de seus acionistas estrangeiros, aqueles detentores das American Depositary Receipt (ADR’s, recibos de ações emitidos nos EUA para negociar ações de empresas de fora do país) negociadas em Dow Jones, representando, na verdade, o maior conto do vigário da história das empresas de capital aberto no Brasil”.

RESULTADO FALACIOSO – “Não fica difícil de observar que essa cifra toda remete a fatores não recorrentes, mediante os quais o Castello Branco e séquito montaram esse falacioso resultado, utilizando de reversão de impairment (deterioração de ativos na contabilidade) de R$ 31 bilhões, ganhos cambiais de R$ 20 bilhões e reversão arbitrária de gastos passados do plano AMS (plano de saúde dos funcionários ativos e aposentados) montados em R$ 13,1 bilhões, decorrente da revisão de obrigações futuras da empresa com seus empregados, aposentados e pensionistas em seu Plano de Saúde. Façam o somatórios desses resultados não recorrente para certificarem que o resultado real, excluídos fatores não recorrente, sairia no vermelho”.

Ainda segundo o economista, “em relação a reversão de gastos pretéritos do Plano AMS de R$13,1 bilhões, tudo leva a crer que a Petrobras deverá voltar atrás, já no próximo balanço. Não vai demorar muito para que milhares de aposentados e pensionistas, que foram prejudicados, recuperarem, em caráter liminar os direitos na justiça, daquilo que lhes foram usurpados pela estatal petroleira, em acordo de trabalho com sindicatos da FUP”.

AO LONGO DOS ANOS … – “Uma boa parte do estrondoso lucro da Petrobras que resultou em falacioso lucro líquido de R$ 59,89 bilhões no quarto trimestre de 2020 decorre principalmente, da baixa contábil dos gastos da Petrobras no seu Plano Multidisciplinar de Saúde, deixando transparecer que será suportado por milhares de aposentados e pensionistas da estatal, ao longo dos anos vindouros, graças a gigantesca ampliação da margem de descontos consignados a serem praticados doravante nos contracheques de milhares de aposentados e pensionistas da Petrobras, passando, absurdamente dos 13% para 30%, redundando em um gigantesco valor de reversão de gastos passados do plano AMS da Petrobras em R$ 13,1 bilhões”, detalha.

Assis Pereira acrescenta que “essa quantia bilionária decorre da revisão de obrigações futuras da empresa com o Plano de Saúde.

ACORDO ABSURDO – A brutal mudança no percentual de descontos consignados transferirá uma boa parte dos R$ 13,1 bilhões dos contracheques de aposentados e pensionistas da Petrobras, diretamente para investidores institucionais norte-americanos, na forma de dividendos, aqueles possuidores das ADR”.

“Eis a formula mágica praticada por Castello e séquito, que, na prática retira dos aposentados e pensionistas da Petrobras e os transfere a investidores estrangeiros. Essa pratica de transferir elevado valor dos pobres e desprotegidos aposentados e pensionistas da Petrobras, deixará praticamente zerados os valores de vencimentos, nos contracheques de milhares de velhinhos sexagenários da Petrobras, resultado do absurdo “acordo” ocorrido entre o Sindicato dos Petroleiros e da alta administração da Petrobras, obtido na calada da noite, nos derradeiros momentos do dissídio coletivo bienal (2021/22), ocorrido em reunião não presencial por conta da Pandemia, que surpreendeu a todos nós brasileiros, sobretudo empregados, aposentados e pensionistas da Petrobras”, resume.

Procurado para repercutir o conteúdo do artigo dirigido aos investidores da companhia, a reportagem do Correio do Brasil não teve o retorno das ligações.

Um poema humorístico de Millôr Fernandes, para seu grande amigo Mário Lago

Millôr Fernandes | Frases sobre chuva, Citações sobre pensamento, CitaçõesO desenhista, humorista, dramaturgo, tradutor, escritor, jornalista e poeta carioca Milton Viola Fernandes (1923-2012), mais conhecido como Millôr Fernandes, revela a “Predestinação” que poetizou para o amigo Mário Lago.

PREDESTINAÇÃO
Millôr Fernandes

Tinha no nome seu destino líquido: mar, rio e lago.
Pois chamava-se Mário Lago.
Viu a luz sob o signo de Piscis.
Brilhava no céu a constelação de Aquário.

Veio morar no Rio.
Quando discutia, sempre levava um banho.
Pois era um temperamento transbordante.
Sua arte preferida: água-forte.

Seu provérbio predileto: “Quem tem capa, escapa”.
Sua piada favorita:
“Ser como o rio: seguir o curso sem deixar o leito”.
Pois estudava: engenharia hidráulica.

Quando conheceu uma moça de primeira água.
Foi na onda.
Teve que desistir dos estudos quando
já estava na bica para se formar.
Então arranjou um emprego em Ribeirão das Lajes.
Donde desceu até ser leiteiro.
Encarregado de pôr água no leite.

Ficou noivo e deu à moça uma água marinha.
Mas ela o traiu com um escafandrista.
E fugiu sem dizer água vai.
Foi aquela água.
Desde então ele só vivia na chuva
Virou pau de água.
Portanto, com hidrofobia.

Foi morar numa água furtada.
Deu-lhe água no pulmão.
Rim flutuante.
Água no joelho.
Hidropsia.
Bolha d’água.
Gota.
Catarata.
Morreu afogado.

90 anos de Toni Morrison: “Deus ajude essa criança” é boa opção para se ter o primeiro contato com a autora

Resenha: Deus ajude essa criança, Toni Morrison | Resistência Afroliterária

Toni Morrison, a primeira escritora negra a ganhar o Nobel

Júlia de Aquino
Instagram literário @juentreestantes

“Se eu pareço irritada, ingrata, parte disso é porque no fundo existe remorso”

O segundo livro que li este ano e o primeiro para o Desafio Entre Estantes 2021 – Desafio proposto por mim no meu perfil Ju Entre Estantes. Também foi meu primeiro contato com a Toni Morrison, e não poderia ter sido melhor, principalmente quando ela completaria 90 anos. Sempre ouvi falar muito de sua escrita impactante, principalmente por abordar questões de raça.

Explico abaixo os pontos que mais chamaram atenção durante a leitura e o porquê de tê-lo avaliado tão bem.

Observação: a obra pode conter alguns gatilhos – racismo; maus-tratos; violência doméstica e sexual; pedofilia; fogo.

TRAMA – Lula Ann, a Bride, é uma jovem cuja pele escura sempre foi motivo de desgosto dos pais. Criada sem amor por uma mãe que se recusava a reconhecer sua existência, Bride tenta conseguir afeto contando uma mentira que culmina na prisão de uma mulher inocente. Anos mais tarde, depois de se tornar uma profissional bem-sucedida, Bride procura reparar os danos causados pela sua invenção. Mas talvez seja tarde demais.

Deus ajude essa criança | Amazon.com.brTEMAS ABORDADOS – O mais impressionante na narrativa é que Morrison consegue falar de diversas questões humanas dentro de uma mesma história – não, não é apenas sobre racismo.

Além de obviamente tratar da questão racial, ela aborda ganância, culto à aparência, poder e dinheiro, humildade, amor, e nos convida à seguinte reflexão ao longo de toda a obra: “E então, o que de fato importa?”. É importante ressaltar que, diferente de muitos livros que lemos, essa pergunta-mensagem se faz presente desde metade do livro mais ou menos, sem aquela “lição final” características de histórias de ficção.

FERIDAS DA INFÂNCIA – Embora o racismo seja o centro e a origem de tudo, é possível pensar e repensar sobre a questão da “infância” durante a leitura. Todas as ações e reações dos personagens têm como “ponto de partida” a infância de Bride.

Feridas da infância deixam marcas muitas vezes difíceis de cicatrizar – principalmente quando são criadas por figuras referências, como os pais e familiares. Invariavelmente, é necessária toda uma vida para repará-los. A trajetória de Bride, nesse sentido, nos inspira e nos mostra que, sim, é possível superar, apesar de certas percepções, memórias e “manias” (no geral, de autopreservação) nunca nos deixarem.

NARRATIVA – A cada capítulo, vemos a versão de um personagem. Até mesmo esse formato nos surpreende, pois acaba revelando pontos de vista de pessoas que no início nem consideramos importantes para a história.

Apesar de ser um livro curto, com capítulos curtos – um de seus pontos positivos –, Morrison consegue nos prender do início ao fim com essas diferentes perspectivas. As impressões dos personagens e as situações em que se envolvem agregam à história principal e levam a mente do leitor em diferentes direções.

PANORAMA GERAL – Dói acompanhar as lembranças e traumas da Bride. Mas elas nos fazem pensar muito. E por isso considero um livro maravilhoso!

Quem já desbravou as obras de Morrison mais a fundo, certamente terá impressões diferentes ou títulos “melhores” para comentar. Mas, como primeiro contato com a autora – por enquanto –, foi uma ótima escolha, que me deixou com vontade de ler seus outros. Recomendo a todos, sobretudo aos que queiram conhecer sua escrita.

90 ANOS – Por coincidência, nesse ano comemoramos os 90 anos de Toni Morrison! Ela, primeira escritora negra a vencer um Prêmio Nobel de Literatura; ela, criadora de diversos personagens fortes e inesquecíveis.

A marca registrada da autora é sua narrativa poética e crua, trazendo à luz questões históricas prementes, como a herança do sistema escravocrata nos Estados Unidos. Apesar da complexidade do tema, ela o apresenta através de personagens “reais”, tão humanos como você e eu.

Para quem se interessar em se aprofundar em seus traços narrativos ou quiser saber mais sobre suas obras, recomendo a seguinte publicação, da Revista “Pensar a Educação” (é um texto curto, mas objetivo e completo): https://tinyurl.com/2ejpx6jz

Livro: Deus ajude essa criança
Autora: Toni Morrison
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 168

###
TRECHOS MARCANTES

  • “Não levou mais de uma hora depois que tiraram a criança do meio das minhas pernas pra perceberem que tinha alguma coisa errada. Muito errada. Ela era tão preta que me assustou”.
  • “Uma voz macia. Que sabe que, depois de quinze anos atrás das grades, nada é de graça. Ninguém dá nada sem preço pra quem recebe”.
  • “Alguns de vocês podem achar que é ruim a gente se agrupar de acordo com a cor de pele. Mas de que outro jeito a gente pode ter um mínimo de dignidade?”
  • “Eu não fui uma mãe ruim, você precisa saber disso, mas posso ter feito alguma coisa dolorosa para minha única filha porque tinha que proteger a menina. Tinha. Tudo por causa de privilégios da cor de pele”.
  • “Eu fui bonita um dia, ela pensou, bonita mesmo, e acreditei que isso bastava.”
  • “Quando impera o medo, obedecer é a única opção de sobrevivência. E eu era boa nisso”.

TI