Filme narra trajetória do escritor colombiano Gabriel García Márquez

Vencedor do prêmio Nobel de Literatura, autor foi dono de personalidade multifacetada e, por vezes, contraditória

Luiz Zanin Oricchio, O Estado de S.Paulo

Gabo: a Criação de Gabriel García Márquez, de Justin Webster (disponível na Netflix), pode ter um título meio óbvio. Mas descreve, à perfeição, a proposta do Justin Webster, uma tentativa de entender a estranha história do menino nascido na pobreza de um lugarejo colombiano e que se torna um gênio da literatura.

O escritor colombiano Gabriel García Márquez em foto de 2014 Foto: Edgard Garrido/Reuters

Gabriel nasce em 1927, em Aracataca, o mais velho de 11 irmãos. Foi criado pelos avós, pois os pais haviam se mudado para Barranquilla. Em dificuldades financeiras, não puderam levar o filho. Gabo cresceu ouvindo as histórias de guerra do avô e as narrativas místicas da avó. Como sabem os leitores, são esses relatos as fontes de construção de seu romance mais famoso, Cem Anos de Solidão. E de outros livros também, como Ninguém Escreve ao Coronel, que Gabo, contrariando a crítica, considera sua obra-prima.

Se o realismo fantástico define Cem Anos de Solidão, em que a Aracataca dos avós se transforma na mítica Macondo, a realidade comparece com mais força quando Gabo deseja falar de seus pais. É assim no comovente O Amor nos Tempos do Cólera. “Quando falo do amor entre os dois, não há nenhuma ficção. Eu procuro apenas descrever os fatos como eles se passaram e como eles mesmos me contaram, depois de muita hesitação”, diz o escritor em uma das inúmeras entrevistas incluídas no filme.

Colhendo depoimentos entre contemporâneos, amigos, ex-mulheres e conhecidos do escritor, Webster refaz os traços dessa trajetória acidentada e multifacetada. Gabo iniciou a vida como jornalista em Cartagena das Índias e depois se mudou para Bogotá em busca de trabalho. Foi um grande repórter e nunca abandonou de fato o métier. Pelo contrário, chamava o jornalismo de “a profissão mais linda do mundo”. Trabalhou na cubana Prensa Latina, foi correspondente na Europa e, mais tarde, já consagrado, criou a Fundação do Novo Jornalismo Latino-americano para estimular e formar novos talentos.

O vício do jornalismo estava em seu coração. Porém, dividido com a literatura. Quando conseguiu fundir a objetividade jornalística com os tons narrativos da avó Tranquilina e do avô Nicolás Márquez Mejía, deu forma ao realismo mágico, pedra de toque do chamado boom da literatura latino-americana.

Um dos principais depoentes do livro é Gerald Martin, britânico, autor da biografia considerada definitiva do escritor – Gabriel García Márquez – Uma Vida (Ediouro). Martin ajuda a retraçar os pontos principais dessa vida agitada, da Aracataca natal aos périplos pelo mundo. Do ativismo literário ao engajamento político, com a polêmica amizade com Fidel Castro e seu apoio incondicional a Cuba, mesmo no clima pesado da Guerra Fria.

Se os depoimentos ajudam a reconstruir essa personalidade multifacetada, e por vezes contraditória, seus pontos mais luminosos vêm das palavras do próprio escritor. Gabo fala coisas sérias, mas temperadas por seu conhecido senso de humor. Por exemplo, conta como ele, “costeño”, do multicolorido Caribe, estranhou a capital Bogotá quando para lá se mudou. “Fazia frio, os homens todos vestidos de preto, da cabeça aos pés, e nenhuma mulher na rua!”, espanta-se. Cheio de graça, também, quando recebe o Nobel e vai a Estocolmo recebê-lo. A uma repórter que pergunta se aquele é o dia mais importante de sua vida, responde: “Que nada. O dia mais importante da minha vida foi aquele em que nasci”.

Mais tensos são os momentos em que se relembram os problemas com a revolução cubana. Escritores, mesmo amigos de Cuba, censuravam a perseguição a intelectuais como Heberto Padilla, e encaminharam uma carta de protesto a Fidel. Todos assinaram, mas Gabo não foi localizado. Assim, seu amigo de juventude, o também escritor Plínio Apuleyo Mendoza, resolveu assinar em seu nome (“Afinal, eram nossos princípios comuns sobre liberdade de expressão que estavam em jogo”, diz). Mas García Márquez o desautorizou.

Ele mesmo se justifica dizendo que, ao manter aberto o canal de diálogo com Fidel, poderia ajudar muito mais os perseguidos políticos do que assinando manifestos contra o regime. São os bastidores da política, menos nobres que o ofício de escrever, mas centrais para uma geração que pensava politicamente, como aquela do boom literário latino-americano.

O fato é que Gabo sentia fascínio pelas figuras de poder, dizem os amigos, bastando citar como exemplo outro de seus livros, O Outono do Patriarca. E, de fato, ele tinha amigos não apenas entre os revolucionários de Cuba, mas, surpreendentemente, privava da intimidade de Bill Clinton. Este aparece várias vezes no documentário. Diz-se fã da literatura de Gabo e fascinado por Cem Anos de Solidão. Clinton conta que, ao receber um exemplar de Notícias de Um Sequestro, cancelou todos os compromissos da tarde para devorar o livro na privacidade do Salão Oval da Casa Branca.

Essa proximidade entre poderosos deixou Gabo a um passo do que seria uma façanha, levantar o bloqueio econômico dos Estados Unidos a Cuba. Era ele quem servia de intermediário entre Fidel e Clinton. O próprio ex-presidente norte-americano admite que o fim do bloqueio esteve por um fio. Mas, por fim, o Congresso interveio e nada de prático pôde ser feito. As tramas da política às vezes são mais enredadas que as do realismo fantástico.

WhatsApp adia início da polêmica nova política de privacidade

Termos passariam a valer em 8 de fevereiro, mas aplicativo decidiu estender prazo para 15 de maio após repercussão negativa

Correio Braziliense
 (crédito: Getty Images)
(crédito: Getty Images)

O aplicativo de mensagens WhatsApp anunciou, nesta sexta-feira (15/1), que vai adiar para 15 de maio a nova política de privacidade — a data anterior era 8 de fevereiro.

Desde o dia 6 de janeiro, o grupo, que também gerencia as redes sociais Facebook e o Instagram, vem avisando aos usuários sobre os novos termos, que prevê o compartilhamento de novos dados com o vizinho, Facebook. A extensão do prazo servirá para que os usuários “tenham mais tempo de entender a política”, segundo o WhatsApp.

A decisão sobre a nova política, no entanto, causou polêmica, já que era um tanto quanto compulsória às pessoas que escolhessem continuar utilizando o aplicativo. Por causa disso, aplicativos concorrentes, como o Telegram e o Signal, sofreram com um boom de novos usuários que decidiram migrar para novas redes.

A repercussão fez com que o WhatsApp se manifestasse, reforçando que o conteúdo de mensagens e ligações é protegido por criptografia e não pode ser acessado pela companhia. Além disso, segundo eles, os dados que serão compartilhados entre o aplicativo de mensagens e o Facebook permanecem os mesmos desde 2016.

“Esta atualização não muda as práticas de compartilhamento de dados entre o WhatsApp e o Facebook, e não impacta como as pessoas se comunicam de forma privada com seus amigos e familiares em qualquer lugar do mundo”, disse o grupo por meio de nota.

Contas comerciais

A nova data coincide com as mudanças que vão ocorrer na coleta de dados em conversas com contas comerciais. Com a atualização o Facebook passa a oferecer hospedagem de mensagens para as empresas.

Zygmunt Bauman, o sociólogo da “modernidade líquida”

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   O pensador foi responsável por cunhar o conceito de “modernidade líquida”, usada para definir as condições da “pós-modernidade”  — que ele considerava um termo ideológico — e discutir as transformações do mundo moderno nos últimos tempos. Ele explorou os efeitos do individualismo e da sociedade de consumo nas relações humanas modernas.

Bauman escolheu o “líquido” como metáfora para ilustrar o estado dessas mudanças: facilmente adaptáveis, fáceis de serem moldadas e capazes de manter suas propriedades originais. As formas de vida moderna, segundo ele, se assemelham pela vulnerabilidade e fluidez, incapazes de manter a mesma identidade por muito tempo, o que reforça esse estado temporário das relações sociais.

Além da modernidade no geral, suas mais de 50 obras e diversos artigos se dedicam a temas como o consumismo, a globalização e as transformações nas relações humanas. Em um de seus best-sellers, Amor Líquido, de 2003, ele discute como os relacionamentos de hoje em dia tendem a ser menos frequentes de duradouros.

Nascido em Poznan, no oeste polonês, em 1925, Bauman serviu na Segunda Guerra Mundial, e, em seguida, fez parte do Partido Comunista Polaco. Anos mais tarde, formou-se em sociologia. Como professor na Universidade de Varsóvia, teve algumas de suas publicações censuradas e acabou afastado em 1968.

Após sofrer perseguições antissemitas na Polônia, partiu para a Inglaterra e trabalhou, onde trabalhou como professor titular da Universidade de Leeds. De todas as suas contribuições, a obra Modernidade e Holocausto talvez tenha sido a mais emblemática e lhe rendeu, em 1989, o Prêmio Europeu Amalfi de Sociologia e Ciências Sociais.

 3 reflexões para entender o pensamento de Zygmunt Bauman

A SOCIEDADE PÓS-MODERNA SOFRE MUDANÇAS EM RITMO INTENSO

Para definir as condições da pós-modernidade e discutir as transformações do mundo moderno nos últimos tempos, o sociólogo sempre preferiu usar o termo “modernidade líquida”, por considerar “pós-modernidade” um conceito ideológico.

Bauman escolhe o “líquido” como metáfora para ilustrar o estado dessas mudanças: facilmente adaptáveis, fáceis de serem moldadas e capazes de manter suas propriedades originais. As formas de vida moderna, segundo ele, se assemelham pela vulnerabilidade e fluidez, incapazes de manter a mesma identidade por muito tempo, o que reforça esse estado temporário das relações sociais.

Há 100 anos, ser moderno significava buscar um ponto de perfeição e hoje representa o progresso constante, sem um resultado final único prestes a ser conquistado.

A ESTRUTURA FAMILIAR MUDOU DRASTICAMENTE

Em entrevista ao canal Quem Somos Nós?, o professor Luís Mauro Sá Martino explica as transformações do conceito de “família” segundo Bauman: “A partir do século 19 ou 20, o afeto e amor surgem como elementos fundadores da família, mas nem sempre foi assim e não é por acaso que nosso imaginário sempre gostou de idealizar as histórias de amor”, observa.

“No passado, as pessoas casavam com quem os pais mandavam, mas os laços de uma família ainda eram algo sagrado. Hoje, por outro lado, constituímos várias “famílias”, assumindo as diferenças disso em relação ao mundo pré-moderno, com a independência e também as dificuldades que essa pluralidade de relacionamentos pode trazer.”

AS CONEXÕES NO MUNDO MODERNO FORAM INDIVIDUALIZADAS

Bauman observa que o século 20 sofreu uma passagem da sociedade de produção para a sociedade de consumo. Com isso, também passamos pelo processo de fragmentação da vida humana e deixamos de pensar em termos de comunidade — a qual nação, grupos ou movimento político pertencemos. A identidade pessoal, após essa transformação, restringiu o significado e propósito da vida e da felicidade a tudo aquilo que acontece com cada pessoa individualmente.

“A ideia de progresso foi transferida da ideia de melhoria partilhada para a de sobrevivência do indivíduo”, resumiu o sociólogo em entrevista para a Revista Cult. “O progresso é pensado não mais a partir do contexto de um desejo de corrida para a frente, mas em conexão com o esforço desesperado para se manter na corrida.”

Fonte: Revista Galileu/Globo.com

Um retrato caprichado do Nordeste, na criatividade de Geraldo do Norte, o “Poeta Matuto”

Geraldo mantém as tradições nordestinas

O radialista, declamador, letrista e poeta Geraldo Ferreira da Silva, nascido em Parelhas (RN), mais conhecido como Geraldo do Norte, “O Poeta Matuto”, em suas poesias aborda sempre temas regionais, como a vida no sertão, o trabalho do vaqueiro, as festas religiosas, além de denunciar problemas sociais, como a fome e o preconceito contra o nordestino, e homenagear grandes nomes da região, como neste poema “Diploma de Nordestino”.

DIPLOMA DE NORDESTINO
Geraldo do Norte

Deus quando criou o mundo, fez uma obra completa,
como um poema matuto, feito pelo Deus poeta.
Destes que sai redondo, metrificado profundo, que nem precisa de teste.
Fez rios, vales e serras, Terra e sementes da Terra: fez uma obra de mestre!

O planisfério terreno, com todos os continentes.
Vales grandes e pequenos, regiões frias e quentes!
Oceanos Pacífico e Ártico. Atlântico, Índico e Antártico.
Ecossistema perfeito, com tudo quanto é vivente.
Lavas, girinos, sementes; a essência do bem feito.

No curso da natureza vieram os conquistadores.
Manipularam riquezas, dilapidaram valores.
Pelo mar plantaram, pela terra escravizaram
e, em nome do progresso, poluem, desmatam,
agridem, prostituem, matam e denigrem, virando o mundo do avesso!

Sei que Deus pensou em tudo na hora de fazer o mundo.
O Seu pequeno descuido foi dar asas a vagabundo.
Que expulso do paraíso, fez tudo que foi preciso para pagar sua parcela
e é através dos humanos, que continuam cobrando, juros e juros em cima dela!

Faz parte da Natureza, desde Caim e abel.
Por gozo, fama e riqueza nosso limite é o céu.
Deus fez o mundo perfeito: o povo veio desse jeito para ver se passa no teste,
mas deixo neste segundo, a grande história do mundo, para falar do meu Nordeste!

É um mundo dentro d’outro, como se fosse a maquete.
O que há de mais profundo; podem fazer uma enquete,
que as raças mais resistentes, e eu falo de bicho e gente,
sem desmerecer ninguém, mas nas outras religiões,
ninguém tem as privações, que o nordestino tem.

Em toda a velha glamura, tu não verás nada igual.
Lendas, costumes, bravuras, para o bem o para o mal.
Tem que nascer na miséria para ser Maria Quitéria, Padim Ciço ou Lampião;
porque Deus fez o Nordeste para oficina de teste e vestibular de sertão.

O Brasil sem o Nordeste, é um time sem goleiro;
um aluno sem seu mestre ou um galo sem terreiro;
uma casa sem criança, um povo sem esperança,
um vaqueiro sem cavalo. Uma noite sem estrela,
um rio sem cachoeira ou uma flor sem orvalho!

É como um divisor de águas; difícil até de falar;
tem a beleza da lágrima, a bravura do marruá!
É pedra de fazer aço, cozida pelo mormaço de caldeira de sol quente;
é a saga de um povo, que nem Deus fazendo de novo, fazia tão resistente!

Diploma de nordestino não se compra em faculdade:
se arranca do destino com luta, força e vontade,
afrontando a própria sorte e troféu de cabra forte, que levanta quando cai,
não aceita desaforo e nem põe anel de ouro, em dedo de papagai .

As trovas de Zé Limeira, as rimas de Patativa,
são cultura de primeira e sertaneja nativa.
Leonardo Motta Cascudo, deixaram para ser estudo, livros e livros de história
e Catulo fez canção, como Luar do Sertão para ficar na memória.

Às vezes tentam mostrar, outro nordeste que existe:
feio, violento e vulgar, mas as tradições resistem.
Elomar, Vital Farias, os congressos de poesia,
nossas festa de São João e não vai ser uns infelizes,
que vão podar as raízes, plantadas por Gonzagão.

Cultura não é quinquilharia! Rapina não é conquista.
Dom não se compra em padaria: Gigolo não é artista,
política não é negócio, vendas não é sacerdócio, vício nunca foi virtude!
Mentira não tem verdade, esmola não é caridade nem religião, plenitude!

E quando o povo acordar, droga não der inspiração.
Vagabundo não mandar, o herói não for ladrão.
Prostituição sucesso. Promiscuidade progresso
e Deus tiver absoluto, eu vou estar no meu cantinho,
fazendo com muito carinho, mais um poema matuto!

TI/Poemas & Canções

Calote de estados e de municípios cresceu 59,6%, em 2020, e bateu seu novo recorde

Tribuna da internet: "O esquema internacional das dívidas públicas  transforma os países em reféns", por M.L.Fattorelli - Auditoria Cidadã da  Dívida

Charge do Paixão (Gazeta do Povo)

Rosana Hessel
Correio Braziliense

Em 2020, o calote no pagamento de empréstimos de estados e municípios com garantias da União somou R$ 13,3 bilhões, o maior da série histórica do Tesouro Nacional, iniciada em 2016, conforme relatório divulgado nesta quinta-feira (07/01).  Segundo o órgão, o valor do volume de dívidas com garantias da União não pagas pelos entes federativos, no ano passado, é 59,6% superior aos R$ 8,35 bilhões honrados pelo governo federal em operações de crédito no ano anterior.

De acordo com o Tesouro, cinco estados foram responsáveis por 94,6% do valor pago pela União, que é o fiador dos entes federativos, no ano passado: Rio de Janeiro (R$ 8,25 bilhões, ou 61,9% do total), que está incluído no Regime de Recuperação Fiscal (RRF), Minas Gerais (3,18 bilhões, ou 23,8%), Goiás (R$ 553,18 milhões, ou 4,1%), Pernambuco (R$ 354,85 milhões, ou 2,7%) e Maranhão (R$ 280,16 milhões, ou 2,1%).

CALOTES EM ALTA – Apenas no mês de dezembro, a União saldou R$ 5,539 bilhões em dívidas dos entes subnacionais, “sendo R$ 4,942 bilhões relativos a inadimplências do Estado do Rio de Janeiro, R$ 557,85 milhões de Minas Gerais e R$ 39,12 milhões do Rio Grande do Norte”.

De acordo com o órgão, o valor honrado para o Estado do Rio de Janeiro inclui o pagamento de R$ 4,28 bilhões do contrato da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae).

“Desde 2016, a União bancou R$ 32,95 bilhões em dívidas garantidas dos entes subnacionais”, informou o comunicado do Tesouro.

SEM GARANTIAS – O órgão destacou ainda que a União está impedida de recuperar as contragarantias dos estados que obtiveram liminares judiciais suspendendo o pagamento à União e também as relativas ao Estado do Rio de Janeiro, que está sob o Regime de Recuperação Fiscal, os valores honrados no ano aumentaram a necessidade de financiamento dívida pública federal e amplia o rombo das contas públicas, que, de janeiro a novembro, somou quase R$ 700 bilhões, o maior da história.

Com isso, o montante gasto pela União e que não foi recuperado, em 2020, somou R$ 12,4 bilhões, o que corresponde às dívidas dos estados do Amapá, do Rio de Janeiro, de Goiás, de Minas Gerais, do Rio Grande do Norte e do Maranhão.

‘Constituição Cidadã’ expandiu as castas privilegiadas e garantiu a impunidade dos corruptos

TRIBUNA DA INTERNET | Para reeleger Maia e Alcolumbre, é preciso mudar a  Constituição ou então desobedecê-la

Charge do Sponholz (sponholz.arq.br)

Celso Serra

Nossa primeira Constituição, após a independência de Portugal, data de 1824 e vigorou por 65 anos, até 1889 com a Imposição da República. Sim, escrevi “imposição” pois o marechal Deodoro não “proclamou” coisa nenhuma, foi um traiçoeiro golpe de estado sem o menor apoio do povo.

Só em 1891, dois anos depois da imposição é que a Constituição foi parida, com ferros e pólvora, tendo Ruy Barbosa como parteiro da principal legislação de nossa suposta “república” – que o tempo, o senhor da razão e pai da verdade, se encarregou de provar que essa Constituição não passava de uma “lei transitória”.

UMA ATRÁS DA OUTRA – Eu a considero “lei transitória”, porque depois dela veio a de 1934, que foi revogada com o golpe do Estado Novo e a imposição da Constituição de 1937. Depois dessa “lei transitória” de 1937 veio a de 1946. Em seguida, surgiu a de 1967. Depois veio a Constituição Federal de 1988, apelidada por Ulysses Guimarães de “Constituição Cidadã” (será?), que está em vigor até hoje, mais remendada do que fantasia de caipira.

No entanto, que ninguém espere que seja feito um remendo necessário para consertar o país. Isso jamais acontecerá. A “Cidadã”, além de ter estimulado a expansão de castas privilegiadas, permitiu que fosse implantada no Brasil a corrupção impune por decisão judicial, através da redação contraditória de diversos dispositivos, fato que permitiu a “interpretação” de que criminoso condenado só possa ser preso após a quarta instância, permissividade que só existe no Brasil entre os 193 países-membros da ONU.

CULPA DO EXÉRCITO – Esses fatos mostram que vivemos a pior fase da República brasileira desde que foi proclamada – sim, apenas proclamada, pois jamais foi implantada – em 1889 através de histórica quartelada, ou seja, a Ditadura da Corrupção Impune.

O grande culpado de tudo é o Exército que, comandado por Deodoro da Fonseca, em um autêntico golpe de estado, impôs uma falsa “república”, sem o apoio do povo brasileiro, que amava D. Pedro II e nele confiava.

Hoje, devido a essa imposição, qualquer quadrúpede disfarçado de bípede pode chegar a presidente.

Após optar por agenda negacionista, Bolsonaro pede “calma” à população e nega atraso na vacinação

Governo tenta convencer que país segue a “cronologia correta

Ingrid Soares
Correio Braziliense

Em meio à expectativa para o início do programa de vacinação nacional contra a covid-19, o presidente Jair Bolsonaro pediu “calma” à população. Em transmissão de live, nesta quinta-feira, dia 14, o chefe do Executivo negou que o Brasil esteja atrasado e voltou a dizer que os fornecedores do insumos interessados na venda é que devem procurar o país. Ele disse, ainda, que alguns laboratórios não procuraram o governo por conta das exigências às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

“Alguns reclamam que o Brasil está atrasado. ‘O governo está atrasando’. ‘O governo não tomou providência para a vacinação’. Calma. Nós somos um mercado aqui de 210 milhões de pessoas. O mundo, são quase 8 bilhões de pessoas. Então, os laboratórios, as empresas que querem vender vacinas, procuram os grandes centros, que somos nós. Agora, por que não vieram? Porque reconhecem que a Anvisa é um obstáculo para o bem? Aqui não é uma republiqueta. O cara vai checar aqui, vai fazer uma negociata, e o pessoal da agência lá ‘toca o barco, quantos bilhões é, vamos comprar, não interessa o preço, não sei o quê, tudo justifica, não tem licitação’. Não é assim que funciona”, apontou.

“CRONOLOGIA” – O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, que também participou da live, apontou ainda que o país segue a “cronologia correta” e que, até o fim do mês, o país poderá ultrapassar os EUA e ser a nação que mais vacinou no mundo.

“Hoje, claro que os EUA é o mais forte. A última vez que eu vi o quadro, estava entre seis e sete milhões de pessoas vacinadas. Somando todas as vacinas do mundo, China, Estados Unidos e todos os países, é a cidade de São Paulo. No mundo. O que é que a gente precisa compreender? Há uma estratégia do governo federal com o SUS, que já foi desenhada a seis meses atrás. Nós estamos na cronologia correta dessa estratégia e nós vamos, em janeiro, iniciar essa vacinação”, destacou.

EXPECTATIVA – Pazuello relatou que a imunização brasileira pode ultrapassar a norte-americana em fevereiro. “E, a partir do início, com 2, 6 ou 8 milhões de doses, já em janeiro, nós já vamos nos tornar o segundo, talvez o primeiro, dependendo dos Estados Unidos, o país que mais vacinou no mundo. Apenas, talvez, atrás dos Estados Unidos ao final de janeiro. E, quando nós entrarmos, em fevereiro, com a nossa produção em larga escala e com o nosso PNI (Plano Nacional de Imunização), que tem 45 anos, nós vamos ultrapassar todo mundo, inclusive os Estados Unidos”, concluiu.

Segundo o Ministério da Saúde, o novo coronavírus vitimou fatalmente, até hoje, 207.095 brasileiros. Em 24 horas, foram contabilizados 1.131 óbitos.

 

 

Em vez de cortar a palavra de Trump, o certo é ter leis que combatam incitação à violência

Bloqueio de Trump nas redes sociais pode ser considerado censura? Não é bem assim - Gizmodo Brasil

Ilustração reproduzida do portal UOL

J.R.Guzzo
O Estado de S.Paulo

Todo mundo tem direito hoje em dia a seus quinze minutos de fama como herói da esquerda internacional, mas em geral é mais ou menos só isso que se consegue. O mais recente desses heróis foi o Twitter, que proibiu o presidente Donald Trump de mandar mensagens pela sua plataforma – acompanhado por seus companheiros Facebook e Instagram – depois da violenta invasão do Congresso norte-americano por grupos de militantes trumpistas.

Criou-se, rapidamente, um clima de esperança no chamado “campo progressista”: as empresas-gigante que controlam a comunicação através das redes sociais estariam assumindo a liderança da luta mundial contra a “direita”, e ninguém tem força para resistir a elas. Mas não rolou.

DISSE MERKEL – Logo em seguida a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, denunciou a decisão das redes americanas como uma “séria violação do direito fundamental à liberdade de expressão”.

Em vez de cortar a palavra de Trump, o certo é ter leis que combatam o incitamento à violência, como na Alemanha. Não se pode admitir, disse o porta-voz de Merkel, que “o Twitter e o Facebook façam as regras”. Não há como achar que a chanceler da Alemanha seja uma extremista de direita pró-Trump – ela é justamente o contrário disso. E agora?

A mesma reação aconteceu na França, onde o ministro das Finanças, Bruno Le Maire, declarou-se “chocado” pela censura à Trump – e disse que “a regulação da arena digital não pode ser feita pela própria oligarquia digital”. Isso, segundo o ministro do governo de Emmanuel Macron, tem de ser decidido “pela soberania do povo, através de suas instituições e de sua justiça”. Também não se pode dizer que haja alguma coisa direitista no governo da França.

CENSURA INACEITÁVEL – Outras vozes protestaram – inclusive o principal dissidente da Rússia, Alexander Navalny, para quem houve “um ato de “censura inaceitável, que vai ser aproveitado pelos inimigos da liberdade através do mundo.”

Essas reações, na verdade, refletem a divergência fundamental entre as visões que Europa e Estados Unidos têm sobre a questão. Na Europa, a tendência é que as redes sejam reguladas por lei. Nos Estados Unidos, a ideia é deixar isso a cargo das próprias redes. Para o governo da Alemanha, é perigoso entregar ao Twitter ou Facebook todas as decisões “Um direito de importância vital”, disse o porta-voz do governo alemão, “só deveria ser restrito pela justiça – e não pela gerência das redes”.

A mensagem que a Alemanha, a França e outros estão passando ao Twitter, Facebook o Instagram é bem clara: “Não tentem fazer a mesma coisa por aqui. Não vamos deixar.” É pouco provável que o chamado “Big Tech” compre essa briga.

MÚSICA – Bastidores – Chico Buarque

MÚSICA

Bastidores – Chico Buarque