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Planalto reconhece que demorou para perceber gravidade de movimento de caminhoneiros

Temer durante fala na reunião do Conselho Nacional de Política Fazendária, nesta sexta-feira (25) (Foto: Cesar Itiberê/PR)

Por Gerson Camarotti

e forma reservada, ministros próximos do presidente Michel Temer reconhecem que a demora na reação do governo para perceber a gravidade da insatisfação dos caminhoneiros e do setor de transportes tem um motivo especial: o governo estava com todo o foco na sobrevivência política diante das investigações da Lava Jato e o enfraquecimento cada vez maior junto ao Congresso Nacional.

“Já havia sinais dessa insatisfação dos caminhoneiros desde o final do ano passado. Mas o governo não deu a dimensão correta porque estava preocupado com a própria situação do presidente Temer”, reconheceu um auxiliar próximo do presidente.

A avaliação interna é que o avanço das investigações na Lava Jato contra Temer e a dificuldade para comandar a base aliada no Congresso tiraram do Planalto a energia necessária para cuidar de outros temas.

Por isso, admitem interlocutores do presidente, as queixas do setor foram minimizadas. Mesmo depois de iniciada a greve, o Palácio do Planalto subestimou o movimento num primeiro momento.

Na terça-feira (22), quando a paralisação da categoria já era intensa em todo o Brasil, o governo estava focado na agenda eleitoral com o pré-lançamento da candidatura do ex-ministro Henrique Meirelles ao Palácio do Planalto.

“Se o governo tivesse dimensionado o potencial da greve dos caminhoneiros teria adiado o evento do Meirelles. Mas o foco era outro”, observou essa fonte.

Tanto que o Planalto recebeu de forma positiva – no primeiro momento – a iniciativa do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), de zerar a Cide em troca da reoneração da folha de pagamento de vários setores da economia.

Nas palavras de um assessor, seria transformar um limão em uma limonada.

“Esse foi outro grande erro: achar que tão pouco solucionaria uma crise que já era muito maior. Quando o governo acordou, o movimento já tinha outra dimensão”, admitiu esse assessor palaciano, lembrando que os empresários do setor também agiram para mobilizar a paralisação dos caminhoneiros.

Veja memes e reações da internet sobre a Greve dos caminhoneiros

Veja memes sobre a greve

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ali@oalezo

– amor eu queria jantar em um lugar caro hoje
– ok

Internet brinca com greve dos caminhoneiros  (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

Internet brinca com greve dos caminhoneiros (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

Internet faz piada de greve dos caminhoneiros (Foto: Reprodução/Redes Sociais)Internet faz piada de greve dos caminhoneiros (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

Internet faz piada de greve dos caminhoneiros (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

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vida boa & cachacinha@ly_carr

Imagem exclusiva de um caminhão se alongando durante a greve pois ficar muito tempo parado porém deixar as pernas dormentes

Meme sobre preço de combustíveis (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

Meme sobre preço de combustíveis (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

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Bic Müller

@bicmuller

Se a gasolina continuar subindo, cenas como essa se tornarão comuns no Brasil

Internet reage aos preços dos combustíveis (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

Internet reage aos preços dos combustíveis (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

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victor oliveira

@victoroliveira

temer e marcela já se adaptaram a nova realidade

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Bic Müller

@bicmuller

– amor, abasteceu o carro? Como tava o posto?
– ah, até que tava tranquilo, mas meio que tinha uma fila

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Karen@itsrenner

Eu chegando na greve dos caminhoneiros

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victorac@victorac

britney se junta à greve dos caminhoneiros

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Vayne@gilsleeping

Eu tava rindo com esses meme de caminhão até receber este aqui

Gustavo Rocha@RockNGustavo

Olha! Um caminhão de combustível!

Bic Müller

@bicmuller

O Brasil só não tá pegando fogo por falta de gasolina

Punished Gui@Guilherme_2236

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victorac@victorac

brasil, 10º dia da greve dos caminhoneiros

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julionetto🎭@JulioCGNetto

Sobre essa greve só tenho uma frase a dizer:

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ciclope@craisck

o ano é de 2020

a gasolina esta 20 reais o litro

brasileiros agora estao assim:

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πetra@pinhodepietra

Eu e minhas amigas na fila da balada

Greve dos caminhoneiros deve piorar a atividade econômica e levar a aumentos de preço, dizem analistas

Greve dos caminhoneiros obrigou uma série de empresas a interromper as atividades e provocou escassez de produtos. Economistas dizem que impacto econômico é certo.

Por Luiz Guilherme Gerbelli

A greve dos caminhoneiros deve trazer dois impactos para a economia brasileira: a piora da atividade econômica e um efeito pontual de aumento nos índices de inflação de maio.

Os economistas consultados dizem que ainda é cedo para dimensionar o tamanho do impacto causado pelo movimento que se espalhou pelo País – até porque não é possível precisar qual será a duração do protesto -, mas dizem que é certo que eles terão reflexos econômicos.

O movimento obrigou uma série de empresas a interromper as atividades. O caso mais emblemático foi o das montadoras: na sexta-feira elas pararam as fábricas por causa da falta de peças e problemas de logística.

“Claramente esse movimento traz um efeito negativo para a economia”, afirma a economista e sócia da consultoria Tendências, Alessandra Ribeiro.

“Os efeitos mais evidentes serão em toda a linha de produção da indústria, mas até mesmo em serviços deve respingar, como no segmento de transporte”, diz.

Montadoras de todo o país pararam as atividades na sexta-feira. (Foto: Inês Campelo/Jeep/Divulgação)

A piora de perspectiva para o cenário econômico por causa da greve dos caminhoneiros ocorre num momento bastante delicado. Os números divulgados até agora mostram que o desempenho da economia está mais fraco do que o esperado, o que já levou os analistas a reduzirem a projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano.

No último relatório Focus, do Banco Central, os analistas consultados esperam um crescimento de 2,50% em 2018. Há quatro semanas, a expectativa era de alta de 2,75%.

“Se essa situação se prolongar, ela já começa em colocar em risco até o crescimento de cerca de 2,5% que se esperava para o fechamento de 2018”, afirma o sócio-diretor da consultoria MacroSector, Fabio Silveira.

Na sexta-feira (25), o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, admitiu que a greve tem um impacto muito relevante na economia.

Preços devem ter impacto pontual

Parte dos analistas também espera um impacto pontual na inflação. A greve provocou escassez de vários produtos, o que levou a um aumento recente dos preços de alimentos e combustíveis. Quando há falta de oferta de produtos, a tendência no mercado é de alta de preços. Se a greve afetar outros setores, outros segmentos também poderão ser afetados.

“É bastante possível que essa greve traga impactos no curto prazo”, afirma o economista da consultoria GO Associados.

“Por causa da escassez, os preços de alimentos e combustíveis devem ser os mais impactados.”

O aumento esperado para a inflação, no entanto, não deve alterar as projeções para o ano . Com a fraqueza da economia, a inflação de serviços está mais baixa do que o esperado e, portanto, há margem de manobra para absorver qualquer choque pontual.

Ceasa de Brasília enfrenta desabastecimento no 5º dia da greve de caminhoneiros (Foto: EVARISTO SA / AFP)

A GO Associados, por exemplo, espera que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de maio fique em 0,22% – a projeção não inclui os impactos da greve – e encerre o ano em 3,6%, bemabaixo da meta do governo, que é 4,5%.

Os efeitos na economia causados pela greve podem ser mitigados se o movimento tiver uma curta duração, segundo os analistas. Se isso ocorrer, é provável que os indicadores de junho tenham um desempenho acima do esperado e possam compensar parte das perdas de maio na produção e o aumento pontual da inflação.

Ministro diz que governo tem ‘convicção de locaute’ na greve de caminhoneiros e que PF pediu prisão de empresários

Carlos Marun, da Secretaria de Governo, afirmou ainda que governo começou a aplicar multa de R$ 100 mil às transportadoras por hora parada. Greve entrou no sexto dia neste sábado (26).

ministro Carlos Marun, da Secretaria de Governo, afirmou neste sábado (26) que a Polícia Federal já fez pedidos de prisão para empresários que, segundo a corporação, estão por trás de um locaute na paralisação de caminhoneiros.

Locaute (termo originado a partir da palavra em inglês lock out) é o que acontece quando os patrões de um determinado setor impedem os trabalhadores de exercer a atividade. A prática é proibida por lei.

Marun concedeu entrevista no Palácio do Planalto, após participar de reunião com o presidente Michel Temer e outros ministros para monitorar os efeitos da paralisação dos caminhoneiros, que chegou ao sexto dia neste sábado.

O ministro afirmou que o governo formou a convicção de que existe a prática de locaute e que a Polícia Federal já tem inquéritos abertos para investigar os casos. Na sexta-feira (25), o governo publicou um decretoautorizando ação das Forças Armadas na liberação de rodovias.

“Hoje temos a convicção de que, além do movimento paredista, existe o locaute”, disse Marun.

“A PF já tem inquérito abertos para investigar essas suspeitas. E os empresários suspeitos serão intimados. Rogério Galloro [diretor-geral da PF] também nos informou que já existem pedidos de prisão. Estão aguardando manifestação da Justiça”, completou o ministro.

O ministro disse, no entanto, que a PF não pode dar mais detalhes sobre os pedidos de prisão.

Marun informou ainda que o governo começou a aplicar multas no valor de R$ 100 mil por hora parada para donos de transportadoras.

Segundo o ministro, as primeiras ações adotadas pelo governo na sexta-feira (25), quando foi anunciado a ação de forças federais para desbloquear rodovias, garantiram o abastecimento das usinas termelétricas em Roraima. Além disso, de acordo com Marun, os aeroportos de Congonhas, em São Paulo, Porto Alegre e do Rio de Janeiro estão abastecidos e operacionais.

Segundo apurou a TV Globo, a Polícia Rodoviária Federal aplicou 349 multas de trânsito desde o início da greve dos caminhoneiros. O valor das multas chega a R$ 1,7 milhão.

Abastecimento de hospitais

O ministro afirmou que o que presidente Michel Temer está muito preocupado com a situação dos hospitais. “O que o preocupou sobremaneira o presidente Temer é a situação da saúde. Não obstante nós tenhamos os principais hospitais do país em funcionamento, abastecidos, os seus estoques são de minutos e existe nesse momento uma grande preocupação”, disse.

Segundo Marun, já foi determinada a aplicação de multa em caminhões que estejam transportando insumos de saúde e que estejam parados.

Contratação de motoristas

Marun afirmou que o governo avalia contratar motoristas para conduzir caminhões que estão parados. O ministro disse que motoristas que já prestam serviços ao governo vão dirigir caminhões.

“O governo vai atuar, sim, utilizando motoristas que existem já prestando serviço ao governo em vários órgãos, federais e estaduais. Podemos abrir a possibilidade de contratação de motoristas, mas não é esse objetivo e solução. Objetivo e solução é que os trabalhadores de transportem voltem a trabalhar e produzir”, disse.

“O governo vai atuar sim utilizando motoristas que existem já prestando serviço ao governo em vários órgãos, federais, estaduais. Podemos sim abrir a possibilidade de contratação de motoristas, mas esse não é o objetivo”, declarou Marun, que acrescentou que o objetivo é a volta ao trabalho dos caminhoneiros.

Marun destacou que o fato de caminhoneiros liberarem rodovias é positivo, mas reconheceu que veículos continuam parados. Segundo ele, a crise será resolvida quando o transporte de mercadorias for retomado.

“Nós precisamos que todos os trabalhadores voltem a produzir”, argumentou o ministro.

Petroleiros preparam greve e acusam presidente da Petrobras de beneficiar grupos internacionais

Por Joelma Pereira

paralisação dos caminhoneiros ainda nem acabou e os petroleiros já ensaiam um movimento grevista para os próximos dias. Indignados com a política de preços e condução dos trabalhos da Petrobras, petroleiros em todo o país se movimentam para uma mobilização geral. De acordo com a Federação Nacional dos Petroleiros (FNP), que já manifestou apoio à paralisação contra a alta do combustível, a categoria está unida contra a tentativa de sucateamento da estatal e das refinarias brasileiras e critica a gestão do presidente da petrolífera, Pedro Parente, a quem acusa de beneficiar grupos internacionais.

O grupo denuncia, entre outras coisas, que Pedro Parente vem praticando “autoboicote” contra a empresa, com intuito de entregar a estatal ao capital estrangeiro. Diretor da FNP e do Sindicato dos Petroleiros do Litoral Paulista (SindiPetro-LP), Fábio Mello afirmou que desde o início da gestão de Parente, em 31 de maio de 2016, a carga das refinarias diminuiu, inviabilizando a produção de 100% do diesel e da gasolina consumidos no país. Procurada pela reportagem, a presidência da Petrobras informou que não comentaria as acusações.

“Ele reduziu as cargas das refinarias fazendo com que o custo da produção nacional aumentasse. Com a gasolina mais cara produzida pela Petrobras, a gasolina internacional vem para o Brasil com preço competitivo. Então, se eu aumentar a minha produção interna, eu vou ter um custo menor desse produto e o produto externo não vai ser interessante. Logo o meu preço final fica menor se eu estou operando com toda a capacidade”, reclamou Fábio Mello.

Em Minas Gerais, esta sexta-feira (25) foi de paralisação. De acordo com o diretor de Comunicação do Sindicato dos Petroleiros de Minas Gerais (SindiPetro-MG), Felipe Pinheiro, o movimento de hoje, que durou oito horas, foi apenas um “esquenta” até que seja definida a data da paralisação geral da categoria. Pinheiro também condenou a política de preços adotada pelo presidente da Petrobras e reforçou a menção ao “autoboicote” na empresa.

“Pedro Parente está promovendo a abertura deliberada do mercado brasileiro para empresas estrangeiras, que estão colocando gasolina e diesel aqui dentro do país. É um pacote. Você coloca uma política de preços que é mais vantajosa para iniciativa privada internacional e ainda abre mão do seu mercado, como se fosse um ‘autoboicote’ da produção do seu próprio mercado, que tem toda uma infraestrutura de produção e de logística que foi criado pelo povo brasileiro”, ponderou o dirigente à reportagem.

Carga reduzida

Após a diretoria da Petrobras anunciar seu plano de vender quatro refinarias, mais o conjunto de terminais que as atendem nos eixos Nordeste e Sul, petroleiros em todo o país fazem manifestações pontuais em vários estados. De acordo com Fábio, as refinarias brasileiras têm condição de produzir gasolina e diesel para consumo em todo o país e ainda lucrar com a exportação do petróleo.

No entanto, as usinas de refino, que transformam o petróleo bruto em gasolina e diesel, tem trabalhado, em alguns lugares, com 50% da carga, que foi restrita por determinação de Parente. O outro montante do petróleo é vendido para grupos estrangeiros, que refinam o óleo no exterior e depois vendem o produto final a custos mais elevados para o Brasil.

“A linha do Parente, que é a linha do [presidente Michel] Temer, é a de tornar a Petrobras uma mera exportadora de produto interno. A Petrobras, que é uma empresa integrada, pega o petróleo do poço, transforma ele em gasolina e atua em todas as pontas do mercado do petróleo. Com essas medidas, está seguindo uma linha de ser uma mera exportadora do óleo cru”, afirmou.

Ele também criticou a tramitação no Congresso de propostas que revogam a participação obrigatória da Petrobras no modelo partilha de produção de petróleo, em voga na exploração da camada pré-sal. André diz que Parente e o governo de Michel Temer (MDB) tentam difamar a Petrobras para o povo brasileira para, posteriormente, privatizá-la.

“O Congresso, que infelizmente está tomado de pessoas que tem interesses totalmente alheios ao Brasil e a nossa soberania, aprovou o PL 131. Fizeram essa barbárie de tirar a Petrobras como operadora única. Ainda fizeram a MP do trilhão que isentou as transnacionais de impostos para poder estar participando dos leilões e explorar nosso pré-sal. Com isso, o Brasil libera o capital internacional e onera a população aos custos dos combustíveis”, alertou.

A estatal foi criada em 1953, ainda no governo de Getúlio Vargas, sob a promessa de ser uma das mais promissoras estatais do mundo, a Petrobras (Petróleo Brasileiro S.A). A empresa possui 51% das ações pertencentes ao governo e o restante é de capital misto.

Preço da refinaria

De acordo com André, o custo Petrobras é de apenas 30% do que é praticado na bomba. “O Custo vem do poço, tanto faz ser do pré-sal ou do poço terrestre. Hoje, por exemplo, com a gasolina a R$ 5, essa conta que sai do poço do petróleo até as refinarias, antes da distribuição, sai das refinarias a R$1,50.

A partir daí vem os tributos como PIS, Confis, ICMS, Cide e ainda mais a adição do gás anidro. Toda essa parte aí faz com que nossa gasolina seja mais cara”, explicou o diretor da FND, que ressaltou ainda que, se as refinarias operassem com 100% de sua capacidade, o custo seria inferior a R$ 1,50.

 

Anistia Internacional condena uso de força contra protestos de caminhoneiros

De acordo com o órgão, o uso de Forças Armadas pode levar a uma escalda da violência

Em nota, a Anistia Internacional afirmou na noite desta sexta-feira (25) que a “autorização e convocação do uso das Forças Armadas para desocupar as rodovias obstruídas por caminhoneiros em greve é extremamente preocupante”.

“O papel das Forças Armadas não é atuar em protestos, manifestações e greves. A liberdade de expressão e manifestação são um direito humano”, diz a nota.

De acordo com o órgão, o uso de Forças Armadas pode levar a uma escalda da violência e “um passo inadmissível no caminho da militarização da gestão das políticas públicas”, afirma Jurema Werneck, diretora executiva da Anistia Internacional Brasil.

O presidente Michel Temer fez um pronunciamento na manhã desta sexta no qual anunciou o plano de segurança para liberar as estradas.

Temer disse que vai usar as forças federais e pediu que os governadores façam o mesmo. Segundo o presidente, uma minoria radical está impedindo “que muitos caminhoneiros levem adiante seu desejo de atender a população e fazer seu trabalho”.

No fim da tarde, o ministro do STF (Supremo Superior Federal)Alexandre Moraes autorizou o uso da força para desbloquear rodovias.

O governo também editou um decreto que autoriza homens das Forças Armadas a conduzir os caminhões para garantir abastecimento da população, conforme anunciaram os ministros Eliseu Padilha e Raul Jungmann, em entrevista coletiva à imprensa.

Fonte: Folha de S. Paulo

Ministro do Supremo manda soltar mandante do assassinato de Dorothy Stang

Em 2010, Regivaldo Pereira Galvão foi condenado a 30 anos de reclusão por homicídio qualificado

O ministro Marco Aurélio Mello, do STF (Supremo Tribunal Federal), deferiu liminar que suspende a execução antecipada da pena do fazendeiro Regivaldo Pereira Galvão, condenado por encomendar a morte da missionária americana Dorothy Stang em 2005.

O ministro determinou que Justiça do Pará se abstenha de expedir mandado de prisão contra o acusado e, caso já o tenha cumprido, que mande soltá-lo. A decisão vale até julgamento de mérito pelo Supremo.

Em 2010, Galvão foi condenado em primeiro grau a 30 anos de reclusão, a serem cumpridos inicialmente em regime fechado, por homicídio qualificado, praticado por motivo torpe e sem permitir a defesa da vítima. A decisão foi confirmada pelas instâncias superiores.

Desde a condenação, o fazendeiro aguardava a apreciação de recursos em liberdade, mas em agosto do ano passado o Supremo revogou um habeas corpus que o beneficiava.

A medida foi tomada com base no entendimento, firmado em 2016 pela Corte, que permite execução provisória da pena quando o réu é condenado em segunda instância. É a mesma premissa que viabilizou a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva este ano, no caso do tríplex do Guarujá.

Marco Aurélio tem se posicionado contra a antecipação da pena. Ao deferia a liminar, ele argumentou que a decisão de 2016, tomada pelo plenário do Supremo, não pode ser potencializada. “Precipitar a execução da pena importa antecipação de culpa, por serem indissociáveis”, justificou, acrescentando que a Constituição só prevê a formação da culpa após o trânsito em julgado da sentença penal condenatória.

O ministro alegou que o fato de o STF ter confirmado nova jurisprudência e reconhecido repercussão geral sobre o assunto não é obstáculo para o Judiciário afastar lesão ao direito, demonstrada, no caso sob sua análise, no descumprimento de uma cláusula pétrea da Carta Magna.

Ele afirmou que, ao tomar posse como ministro da Corte, jurou obediência à Constituição e não a decisões sem efeito vinculante ou tomadas pelo que chamou de maioria eventual.

“Tempos estranhos os vivenciados nesta sofrida República! Que cada qual faça a sua parte, com desassombro, com pureza d’alma, segundo ciência e consciência possuídas, presente a busca da segurança jurídica. Esta pressupõe a supremacia não de maioria eventual – conforme a composição do tribunal –, mas da Constituição, que a todos, indistintamente, submete, inclusive o Supremo, seu guarda maior”, escreveu.

Marco Aurélio observou haver a sinalização de que a questão da segunda instância será julgada novamente, com a possibilidade “de um dos que formaram na corrente majoritária – e o escore foi de 6 a 5 – vir a evoluir” – ele se referiu à ministra Rosa Weber.

“Em época de crise, impõe-se observar princípios, impõe-se a resistência democrática, a resistência republicana”, acrescentou.

Dorothy Stang foi morta em 2005, na região de Altamira (PA). Segundo as investigações da Polícia Civil, Galvão foi um dos mandantes do crime, ao lado de Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida.

A acusação sustentou que o assassinato foi motivado por denúncias da missionária contra os dois mandantes, que ocupavam ilegalmente um lote do PDS (Projeto de Desenvolvimento Sustentável) Esperança. Rayfran das Neves Sales confessou ter atirado em Dorothy. Amair Feijoli da Cunha e Clodoaldo Carlos Batista foram apontados como intermediários da ação.

A missionária era freira da congregação Notre Dame, tinha origem norte-americana e era naturalizada brasileira. Ela iniciou seus trabalhos no país na década de 1960, no Maranhão, e viveu cerca de 20 anos no Pará.

Crise expõe fragilidade do governo Temer e articulações para eleição

A discórdia entre aliados visando as eleições em outubro atravessou a Praça dos Três Poderes e provocou impasse

 

Temer durante discurso, na noite dessa quinta-feira (24), na Sala Minas Gerais. Foto: Marcos Vieira/EM/D.A Press

 

Por Estado de Minas

A greve dos caminhoneiros expôs a fragilidade do governo Michel Temer, revelou movimentos políticos para as eleições de outubro e mostrou o distanciamento de antigos aliados no Congresso. Pré-candidato ao Palácio do Planalto, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), entrou em nova rota de colisão com Temer e com seu colega Eunício Oliveira (MDB-CE), que comanda o Senado. A briga atravessou a Praça dos Três Poderes e provocou impasse.
Dias após desistir de disputar novo mandato e anunciar a candidatura do ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles pelo MDB, Temer sofre as consequências do fim de um governo impopular. Além de enfrentar o racha no MDB, ele também perdeu apoio na Câmara e no Senado.
Em BH, Temer anuncia trégua com caminhoneiros e alfineta governo estadual
Em votação simbólica, Maia conseguiu aprovar na Câmara, na noite de quarta-feira, 23, um projeto que acaba com a desoneração da folha de pagamento para 28 setores da economia, mas embutiu ali a proposta de zerar a alíquota do PIS/Cofins sobre o diesel até o fim do ano.
Foi um gesto calculado para ganhar protagonismo, mas passou longe dos acertos com o Senado e com o Planalto, que já havia pedido uma trégua aos caminhoneiros. De uma só tacada, porém, Maia contrariou Temer e irritou Eunício, que vai concorrer à reeleição e também tenta mostrar serviço. Os dois, no entanto, não deixaram dúvidas de que querem descolar suas imagens do desgaste do presidente.
Pouco antes da aprovação do projeto pela Câmara, o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, chamou o deputado Orlando Silva (PC do B-SP), relator da proposta, para uma conversa reservada no plenário. Estava apreensivo com o impacto da perda de receita provocada pela isenção do PIS/Cofins. Havia sido alertado antes por um telefonema do secretário da Receita Federal, Jorge Rachid, para quem a renúncia seria de R$ 12 bilhões, e não de R$ 3,5 bilhões, como sustentava Maia.
“Eu disse a ele: ‘Marun, a base do governo está votando contra o governo'”, contou Silva, que, apesar de ser da oposição, é aliado de Maia. Por volta de 15 horas, naquele dia, Temer também já tinha telefonado para o presidente da Câmara. Queria saber o que seria votado. “Vou avaliar, presidente”, respondeu Maia.
Na manhã de ontem, Marun batia na tecla de que os cálculos feitos pela Câmara estavam equivocados. “Agora temos de enfrentar as consequências da medida aprovada”, lamentava.
Maia previa que receitas extras com os royalties de petróleo compensariam a isenção do PIS/Cofins e apostou no risco. “Fiz aquilo que considero correto para o Brasil”, afirmou ele, minimizando o erro dos números. Eunício, por sua vez, viajou ontem para o Ceará, sem pautar a votação do projeto no Senado. Teve de retornar a Brasília, após ligação nervosa do ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha.
“Temos apoio de 80% da população. Se autoridades querem pôr fogo nesse País, estão conseguindo”, dizia o presidente da Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam), José da Fonseca Lopes. Nos bastidores, Eunício culpou Maia pela crise.
Para a líder do MDB no Senado, Simone Tebet (MS), a disputa deu o tom das articulações para pôr fim à greve. “O jogo eleitoral está por trás de tudo isso, mas o Senado não pode ser o bandido dessa história”, argumentou Tebet.

Governo ainda não sabe de onde tirar R$ 5 bilhões para subsidiar diesel

Técnicos terão de analisar quais investimentos ou programas federais serão afetados

Sede da Petrobras, no Rio de Janeiro (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)
Por Nonato Viegas
Apesar do anúncio do subsídio de R$ 4,9 bilhões para a Petrobras segurar o preço do óleo diesel por um mês, conforme prometido a caminhoneiros, o governo não sabe de onde tirar esses recursos. Auxiliares do presidente Michel Temer afirmaram a EXPRESSO que faltam estudos para chegar a essa conclusão. O mais provável é que o dinheiro desfalque algum investimento.

A esperança é que haja pressão pública contrária ao subsídio. Com isso, Temer teria margem para desistir de honrar a promessa.

O poder dos ultrajovens

A geração que vai romper (e já está rompendo) com tudo o que se quis e se imaginou

Capa Revista Época Ed 1039-Home560 (Foto: Época)
Por Nina Finco

“Se, na conjuntura, o poder jovem cambaleia, vem aí, com força total, o poder ultrajovem”, escreveu Carlos Drummond de Andrade no final dos anos 1960, em uma crônica que versava sobre o embate de um pai com a filhinha em torno de uma lasanha. Ele insistia, ela ignorava. Ele repetia, ela se mantinha firme em seu propósito. Ele tergiversava, ela o lembrava do que queria. Ela ganhou por coerência. Ele perdeu por não entender a dinâmica dos tempos. A premissa é mais atual do que nunca. A força do poder ultrajovem é inexorável.

De acordo com pesquisas recentes, se depender da geração que tem por volta dos 20 anos (a mesma idade de ÉPOCA), estão encrencados os hotéis, as lojas de departamentos, as cadeias de restaurantes, a indústria automobilística, o comércio de diamantes, a produção de guardanapos e de canudinhos, os programas de fidelidade de hotéis e de cartões de crédito, os jogos de azar, os bancos, a produção de amaciantes de roupa, o sonho da casa própria, a ideia de casamento estável, os acasos felizes, as viagens de cruzeiro, as emissoras de TV aberta, os políticos de ocasião, os planos de aposentadoria, Paris e até o milk-shake do Bob’s.

Eles resolvem a vida (para o bem e para o mal) pelo celular, sorvem coisas de cor verde (comer virou questão de identidade), têm um pendor para medicamentos identificados com uma tarja preta, passam a noite em claro, não se sabe se estão trabalhando ou relaxando, gostam de empunhar bandeiras universais, mas se preocupam mesmo é com sua persona nas redes sociais, pensam igual a quase todo mundo da mesma geração, comportam-se como adolescentes apesar de terem idade de adultos, tecnologia lhes é tão intrínseco como respirar, ser de esquerda é do jogo, ter o nariz em pé é condição sine qua non, gostam de Insta Stories porque ele dura pouco, arriscam tudo por terem pouco a perder, rechaçam qualquer coisa que contenha plástico, gostam de viajar para lugares onde podem mostrar novidades no Instagram. Eles são o que são ou são o que querem parecer ser?

“Eles se tornam personagens de suas próprias vidas, preocupados com narrativas, contextos, motivações. Estão sempre esperando pelo terceiro ato — que nunca chega”, disse um estudo da Box1824, conduzido pelos pesquisadores Sean Monahan e Sophie Secaf nos Estados Unidos, sobre o que chamaram de GenExit, a geração que opta por experimentar novas possibilidades identitárias, mais livres e menos deterministas, mas não menos disruptivas.

Ainda que esteja cansado depois de um dia longo, o estudante de publicidade Luigi Dalmolin, de 21 anos, só vai para a cama após um banho quente. Por isso, entre uma ensaboada e outra, Dalmolin assiste a vídeos no YouTube ou responde a mensagens no WhatsApp. Graças a uma providencial capinha à prova d’água, ele faz parte de uma minoria — surgida recentemente — que toma banho com o telefone celular dentro do box. Estar com o celular nas mãos o tempo todo como faz Dalmolin, conectado, com os olhos vidrados e os dedos tocando a tela, é um dos principais comportamentos identificadores dos ultrajovens (ou geração Y). São as pessoas nascidas entre 1982 e 2000 (segundo o Census Bureau, agência governamental encarregada pelo censo nos Estados Unidos), ou entre 1981 e 1997 (segundo o instituto de pesquisa americano Pew Research Center). Os jovens apresentam características que os diferenciam das gerações anteriores e refletem mudanças relevantes no mundo.

A principal distinção dos ultrajovens é a necessidade de estar conectado o tempo todo. Smartphones são sua porta de acesso ao mundo; 43% dos jovens são como Dalmolin: não vão ao banheiro sem seus celulares. O aparelho é tão importante que 42% deles afirmam que deixariam de ir à academia se não pudessem levá-lo.

A fixação por smartphones atinge outras faixas etárias, mas, no caso dos ultrajovens, deu origem à “era da distração”. A fartura de dispositivos conectados à internet está reduzindo cada vez mais a capacidade de concentração. No início de maio, Carl Marci, neurocientista e médico especialista em questões ligadas ao consumo e ao comportamento, esteve no Brasil para apresentar o resultado de pesquisas neurológicas realizadas por sua empresa, um braço da gigante teuto-americana Nielsen.

Marci encara a tal distração como resultado da falta de tempo ocioso. Os “nativos digitais” não se enfadam, porque estão sob constante estímulo. Se estão na fila do mercado, não precisam “esperar”; é só sacar o celular e responder a uma mensagem ou dar uma conferida nas notificações das redes sociais e pronto: a fila andou rapidinho.