Após protestos, Nicarágua vai revogar reforma da Previdência

Dezenas de pessoas teriam morrido durante os confrontos entre manifestantes e policiais

Após protestos, Nicarágua vai revogar reforma da Previdência

Após protestos marcados por confrontos violentos entre manifestantes e policiais desde a última quarta-feira (22), o presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, resolveu desistir da reforma previdenciária. A revogação da reforma foi anunciada oficialmente neste domingo (22), após as notícias de dezenas de mortes nos protestos ganharem a imprensa internacional.

Conforme relata a agência France Presse, a novidade foi revelada em um encontro com empresários. A reforma do Instituto Nicaraguense de Seguro Social (INSS) pretendia aumentar as contribuições dos trabalhadores e patronais, sob a justificativa de dar estabilidade financeira ao sistema de pensões.

As manifestações ocorridas ao longo da semana lutavam conta o aumento das contribuições pagas ao INSS daquele país. A reforma teria sido decretada inicialmente pelo governo do presidente Daniel Ortega como forma de atender à recomendação do Fundo Monetário Internacional (FMI), de acordo com informações da agência.

Humberto: kits para conselhos tutelares no Sertão

Humberto anuncia quatro kits para conselhos tutelares do Sertão pernambucano

Os kits são automóvel, geladeira, computadores, impressora e mobiliário.

Em giro pelo Sertão, neste final de semana, o senador Humberto Costa (PT-PE), líder da Oposição no Senado, anunciou emendas para aquisição de kits de equipagem aos conselhos tutelares das cidades de Granito, Serrita, Salgueiro e Bodocó. Os kits são compostos por um automóvel, geladeira, computadores, impressora e mobiliário. Ao todo, o senador já entregou mais de 30 kits para entidades de todo o Estado.

O anúncio foi feito durante encontro com conselheiros tutelares do Sertão Central e do Sertão do Araripe, que aconteceu na cidade de Parnamirim. Participaram representantes de 13 cidades.

Humberto também falou sobre outras ações que podem ser adotadas em prol dos conselhos. Uma delas é a importância de estabelecer um piso salarial para a categoria de conselheiro.

Sobre Lula

Durante a visita ao Sertão, Humberto passou também por Serra Talhada, Salgueiro, Granito e Petrolina. O parlamentar teve encontro com lideranças políticas dessas cidades para falar sobre as ações em defesa de Lula e sobre como foi a visita que fez ao ex-presidente, na última terça-feira, juntamente com outros senadores da Comissão de Direitos Humanos do Senado.

“As mobilizações têm que ser constantes para continuarmos denunciando essa absurda e injusta condenação de Lula. Vamos mostrar cada vez mais que o povo está com Lula e quer vê-lo novamente como presidente do Brasil” , destacou o senador.

Recife: morre aos 75 anos ex-deputado Gilson Machado

Gilson lutava contra um câncer e morreu neste domingo (22), em Boa Viagem, na Zona Sul, na casa onde morava.

G1 PE

O ex-deputado federal constituinte Gilson Machado morreu aos 75 anos na tarde deste domingo (22). Lutando há alguns meses contra um câncer, ele faleceu na casa onde morava, em Boa Viagem, na Zona Sul do Recife. O velório de Gilson Machado ocorre na segunda-feira (23), no Cemitério Morada da Paz, no município de Paulista, no Grande Recife. A cremação está prevista para as 19h do mesmo dia.

Empresário do setor canavieiro, Gilson Machado tomou posse como deputado em fevereiro de 1987, sendo reeleito no pleito de outubro de 1990. Permaneceu no cargo até janeiro de 1995, após decidir não disputar nova reeleição nas votações de 1994.

Biografia

Gilson Machado Guimarães Filho nasceu em 14 de maio de 1942, no Recife, filho de Gílson Machado Guimarães e de Cordélia Lopes Machado Guimarães. Integrante da diretoria do Sindicato da Indústria do Açúcar no estado, ele deixou o curso de Direito na Universidade Católica de Pernambuco. Em 1981, fez parte da comitiva do presidente general João Figueiredo a Washington, nos Estados Unidos, e ao México, em 1982 e 1983, respectivamente.

O ex-deputado presidiu a Cooperativa dos Usineiros do Açúcar e do Álcool de Pernambuco.. Em 1992, foi um dos 38 parlamentares contrários ao impeachment de Fernando Collor de Melo, que respondeu no Supremo Tribunal Federal pelos crimes de corrupção, peculato e falsidade ideológica.

Conservador Mario Abdo Benítez é o novo presidente do Paraguai

Ele tinha 46,5% dos votos com 96% das urnas apuradas, contra 42,7% de Efraín Alegre (Partido Liberal). Tribunal Superior da Justiça Eleitoral declarou a disputa presidencial irreversível.

Conservador Mario Abdo Benítez é o novo presidente do Paraguai

ex-senador Mario Abdo Benítez, 46, do Partido Colorado (direita), venceu as eleições presidenciais no Paraguai neste domingo (22).Homônimo de seu pai, braço direito do ditador Alfredo Stroessner (1912-2006), ele tinha 46,5% dos votos com 96% das urnas apuradas, contra 42,7% de Efraín Alegre, 55, do Partido Liberal (centro), que fez aliança com a Frente Guasú (esquerda), do ex-presidente Fernando Lugo.

Por volta das 22h10 (horário de Brasília), o Tribunal Superior da Justiça Eleitoral declarou a disputa presidencial irreversível. Está previsto que o candidato, que acompanhava a apuração na sede do Partido Colorado, em Assunção, se pronuncie ainda neste domingo.

Segundo a Justiça Eleitoral, o comparecimento na eleição foi de 64%, quatro pontos acima do registrado em 2013, quando o atual presidente, Horacio Cartes, venceu Alegre. Cerca de 4,2 milhões de paraguaios estavam aptos a votar, incluindo cerca de 300 mil cadastrados em EUA, Espanha, Argentina e Brasil. Com a confirmação da vitória, os colorados manterão a hegemonia no país – a sigla só ficou de fora do poder em cinco dos últimos 70 anos.

O candidato defendeu a continuidade das políticas econômicas do presidente Horacio Cartes, junto com uma agenda conservadora alinhada com seu movimento, o Colorado Añetete (verdadeiro, em guarani). Propôs o serviço militar obrigatório para filhos de mães solteiras como forma de diminuir a insegurança e o consumo de drogas e se colocou contra a legalização do aborto e o casamento entre pessoas do mesmo sexo, em um país com 96% da população cristã.

Porém, amenizou o discurso sobre corrupção para não atingir Cartes e outros colorados envolvidos em processos. No campo da campanha, priorizou os discursos em vídeos sociais em vez de entrevistas e debates, para as críticas de Alegre, que se expunha mais aos jornalistas.

O liberal também teve propostas mais concretas, como a redução da tarifa de energia e a construção de infraestrutura para usar a parte vendida a Brasil e Argentina das usinas hidrelétricas de Itaipu e Yacyretá; a saúde pública gratuita e o imposto sobre o tabaco. Salvo as propostas mais polêmicas, o colorado teve um programa de governo menos detalhado em todas as áreas.

Sobre política externa, só pronunciou-se neste domingo, com as perguntas dos jornalistas internacionais no café da manhã antes da votação.Ele disse que priorizará a abertura do Mercosul a outros países do mundo.

“O Mercosul tem um potencial ainda não desenvolvido à profundidade que eu gostaria. Nós vamos continuar aprofundando os laços com os países do bloco e abrirmos ao mundo.” Também prestou solidariedade aos venezuelanos pela crise e disse que continuará com o tom crítico da administração de Cartes contra o regime de Nicolás Maduro.

“Sempre fui crítico à condução política da Venezuela. Minha solidariedade com esse grande povo, que em um momento foi o farol democrático da América Latina e que tem que recuperar seu caminho democrático.”

Marito tinha a seu favor a capacidade de mobilização do Partido Colorado, que lhe rendeu comícios com milhares de pessoas, e o apoio do empresariado, a começar pela família do presidente, maior produtora de tabaco do país. Também contou a seu favor a ligação de Efraín com a Frente Guasú, embora o liberal tenha tentado diminuir a influência dos esquerdistas em temas como as políticas econômica e externa, o que aproximou as propostas dos dois lados.

Segundo a Justiça Eleitoral, o comparecimento na eleição foi de 64%, quatro pontos superior ao registrado em 2013, quando Cartes venceu Alegre. Cerca de 4,2 milhões de paraguaios estavam aptos a votar, incluindo cerca de 300 mil cadastrados em EUA, Espanha, Argentina e Brasil.

PERFIL

Marito nasceu em 10 de novembro de 1971, na época em que o pai trabalhava para Stroessner. Estudou a infância e a adolescência no Colégio San Andrés, um dos melhores de Assunção. Em 1999, último ano da ditadura, uniu-se às Forças Armadas, tornando-se paraquedista. Empresário do setor asfáltico, aderiu à política em 2005. Tornou-se vice-presidente do Partido Colorado e, sete anos depois, elegeu-se senador.

Foi presidente do Congresso entre 2015 e 2016, ao mesmo tempo em que fomentava seu projeto de buscar a Presidência. Na campanha, preferiu omitir a defesa aberta da ditadura que marcou sua carreira. Reiterava que defendia um regime democrático e se irritava com menções ao assunto, como a feita por um jornalista antes de votar. “Crítica ridícula”, disse, cortando a pergunta. Apesar da mudança de posição, ele manteve um ritual. Logo depois de votar foi com a família visitar o mausoléu do pai, como fez em todas suas campanhas por diferentes cargos.

DESAFIOS

O próximo presidente do Paraguai assumirá em 15 de agosto um país com a economia crescendo cerca de 4% por ano, mas sem reduzir a pobreza e a desigualdade, e um tenso ambiente político. Em quase cinco anos de governo, Horacio Cartes usou o lado negociante para atrair investimentos e compradores para a soja e a carne, principais produtos agropecuários paraguaios. O resultado foi a manutenção do crescimento econômico apesar da crise financeira na Argentina e no Brasil, dos quais se tornou menos dependente.

Com as chegadas de Mauricio Macri e Michel Temer ao poder, pôde retomar as negociações de acordos no âmbito do Mercosul. O país aumentou as importações e incentivou o consumo ao facilitar o crédito para a compra de veículos, eletrônicos e eletrodomésticos.O boom econômico, porém, evidenciou os problemas da infraestrutura. As construções de vias rurais e urbanas e linhas de transmissão e energia não foram suficientes para evitar os engarrafamentos nas estradas, em sua maioria de pista simples, e os apagões.

Outra dívida que Cartes deixa é em relação a sua maior promessa em 2013, a redução da pobreza. Apesar da facilidade de crédito e da redução do deficit habitacional, a parcela de pessoas abaixo da linha caiu 1,6 ponto percentual de 2013 a 2017, passando de 28% para 26,4% da população. Ele mesmo reconheceu o descumprimento da promessa ao votar neste domingo em Assunção.

“Não pudemos reduzir a pobreza, apesar da riqueza que temos no país. Sempre há dívidas sociais.” Cartes renunciará ao cargo em 1º de julho para assumir uma vaga no Senado.

Com informações da Folhapress.

Gilmar: MP e juízes ameaçam a democracia

Do Conjur

“A maior ameaça à democracia no Brasil não vem das Forças Armadas, e sim de corporações, como a polícia, o Ministério Público e agrupamentos de juízes”, afirmou o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal. A declaração foi dada no programa Frente a Frente, da Rede Vida. O ministro disse que “não foi positivo” o efeito das declarações do comandante do Exército, Eduardo Villas Bôas, e de outros generais na véspera do julgamento pelo STF do pedido de Habeas Corpus preventivo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Na ocasião, militares criticaram a impunidade, em manifestações que foram interpretadas como uma ameaça aos ministros. Porém, Gilmar Mendes apontou que as falas não significam que as Forças Armadas têm desapreço pela democracia. A seu ver, elas contribuíram para a construção na nova república, após a Constituição de 1988. A ameaça agora são “grupamentos de corporações”, avaliou o magistrado.

“O Estado Democrático de Direito tem uma fórmula muito simples: todos estão submetidos à lei. Quando se começa a transformar a lei para o ‘eu acho que’, para se traduzir o sentimento social, a gente rompe com esses critérios. Em alguns momentos, a ameaça à democracia pode vir do Ministério Público”, exemplificou.

Moro em todo canto

Segundo Gilmar, práticas abusivas da operação “lava jato”, como prisões provisórias alongadas sem justificativa ou detenções para forçar delações premiadas criam um efeito negativo no sistema.

“Isso passa a ter um efeito lá embaixo, em todos os locais. Tanto é que agora você tem o ‘Moro do Rio de Janeiro’, o ‘Moro do Pantanal’, o ‘Moro do não sei o diabo’. Vai ter Moro assim, né?”, destacou, referindo ao juiz Sergio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba.

Além disso, o ministro questionou o discurso moralista daqueles que atuam na “lava jato”. Ele citou que o juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio, e sua mulher recebem dois auxílios-moradia, mesmo morando juntos e tendo imóvel próprio — o que torna o benefício ilegal. E ressaltou que o episódio de Marcelo Miller, ex-procurador da República que é acusado de ter defendido a JBS enquanto ainda estava no Ministério Público Federal, mostra que há corrupção na operação.

L I T E R A T U R A

L I T E R A T U R A

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                              Florbela Espanca

Vulcões

Florbela Espanca

Tudo é frio e gelado. O gume dum punhal
Não tem a lividez sinistra da montanha
Quando a noite a inunda dum manto sem igual
De neve branca e fria onde o luar se banha.

No entanto que fogo, que lavas, a montanha
Oculta no seu seio de lividez fatal!
Tudo é quente lá dentro…e que paixão tamanha
A fria neve envolve em seu vestido ideal!

No gelo da indiferença ocultam-se as paixões
Como no gelo frio do cume da montanha
Se oculta a lava quente do seio dos vulcões…

Assim quando eu te falo alegre, friamente,
Sem um tremor de voz, mal sabes tu que estranha
Paixão palpita e ruge em mim doida e fremente!

M Ú S I C A – Fernanda Takai – Mon Amour, Meu Bem,Ma Femme (Ao Vivo)

M Ú S I C A

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Fernanda Takai

Mon Amour, Meu Bem,Ma Femme (Ao Vivo)

M Ú S I C A Fernanda Takai – Mon Amour, Meu Bem,Ma Femme (Ao Vivo)

Arthur Virgílio sugere trocar Alckmin por Tasso

Josias de Souza

Num instante em que a candidatura presidencial de Geraldo Alckmin desperta na cúpula do PSDB o entusiasmo de um velório, Arthur Virgílio, o prefeito tucano de Manaus, inaugurou no partido um movimento em favor da troca do candidato. Passou a defender que o tucanato escolha para representá-lo na sucessão de 2018 não o ex-governador de São Paulo, mas o senador cearense Tasso Jereissati.

“Tasso talvez não ganhe a eleição. Mas conduzirá a refundação do partido”, disse Virgílio ao blog na noite deste sábado. “E não está descartada a hipótese de o Tasso surpreender aos que esperam do PSDB um Alckmin comportadinho e derrotadinho.”

Leia matéria na íntegra clicando ai ao lado: Arthur Virgílio sugere trocar Alckmin por Tasso 

Volta de Cármen Lúcia para 2ª Turma do STF preocupa acusados

Magistrada deixa a presidência em setembro deste ano, quando troca de cadeira com o ministro Dias Tofolli

Volta de Cármen Lúcia para 2ª Turma do STF preocupa acusados

Após deixar a presidência do Supremo Tribunal Federal (STF), em setembro deste ano, a ministra Cármen Lúcia vai voltar a integrar a Segunda Turma da Corte. A magistrada troca de lugar com o ministro Dias Tofolli, que assume a liderança. A troca de cadeiras já tira o sono de advogados e condenados.

Como apurado pelo Blog do Camarotti no G1, a substituição deve mudar o perfil da Segunda Turma, que costuma conceder habeas corpus para vários políticos investigados na Operação Lava Jato. Advogados costumam comemorar se o caso é analisado pelo grupo.

Ainda de acordo com o texto, o perfil é respaldado principalmente pelos votos de ministros dos ministros Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski e do próprio Toffoli.

“Pelo jeito, a Segunda Turma deixará de ser o Jardim do Éden para também se tornar uma câmara de gás”, comentou um ministro ao Blog.

Cientista político afirma que Lula está mantendo “a esquerda sitiada”

 

Wanderley dos Santos faz análise da eleição

Jeferson Ribeiro
O Globo

A sociedade ainda está polarizada, mas agora não apenas na política. Essa polarização avançou para o choque de valores, de culturas e de comportamento e cria um cenário perigoso para a democracia na avaliação do cientista político Wanderley Guilherme dos Santos. Segundo ele, a esquerda está “sitiada” pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso desde o início do mês, porque ele não abre as negociações para um candidato único no campo. O experiente especialista desmistifica ainda o papel dos “partidos de aluguel” ou “nanicos”, um dos temas de seu novo livro ‘A difusão parlamentar do sistema partidário’.

Mesmo com um cenário bastante incerto para a disputa presidencial, o que é possível prever para os próximos meses?
Primeiro vamos de Lula. Ele é uma figura carismática indestrutível, mas isso não significa que permanecerá com essa capacidade eleitoral. Nem todos que dizem votar no seu indicado, votarão. Mas o Lula tem que tomar decisões importantes nos próximos meses. Primeiro, terá de decidir se não será mais candidato. Uma segunda decisão relevante é se realmente vai apoiar alguém. Terceiro, quem será o escolhido. Essas três questões vão chacoalhar o quadro de hoje. Não sei se a polarização está morta, talvez a que exista entre PT e PSDB, sim. Mas pode acontecer com outros nomes.

Qual deveria ser a estratégia da esquerda?
Eu acho que a esquerda devia estar discutindo um outro candidato. Mas isso depende do Lula. Não há outro caminho e isso pode gerar o acirramento desse radicalismo, esse sebastianismo evangélico do PT, contra uma alternativa bastante interessante que é Ciro Gomes. Esse silêncio pode criar a inviabilidade de um acordo entre as forças lulistas e o Ciro e tem a capacidade de dividir a esquerda. E ele é o cara ideal para entrar em disputa com os conservadores, ele é um cara que tem tutano para fazer isso. O Jaques Wagner e o (Fernando) Haddad são ótimos quadros, mas não para o contexto desse debate duro. O Lula, para meu desgosto, manteve toda a esquerda sitiada. Está presa junto com ele. Então, a chance de vitória da direita, em tese, é maior. O problema da direita é que não tem candidato. Por isso, se o Joaquim Barbosa for candidato, eu acho que herdará os votos da direita. Ele é um homem para o momento, assim como o Ciro. A eleição será dura. Antes da prisão do Lula e do aparecimento do Joaquim, eu achava que a esquerda poderia levar fácil. Agora, a coisa muda de figura.

Qual o tamanho do impacto da prisão de Lula para esse campo?
Estão desorientados. Sem rumo. A posição majoritária do campo da esquerda é com Lula até o fim. Mas isso não pode ser até o dia 7 de outubro. Acho que está tudo desorganizado desde o impedimento da Dilma (Rousseff). Há uma desorientação grande e um erro estratégico tanto de esquerda quanto da direita. Pior, está se criando um contexto cívico de difícil recuperação. Hoje, não existe uma polarização eleitoral ou sequer partidária, o que há é uma divisão de culturas, de valores, de comportamento, enfraquecendo a direita e a esquerda. Basta ver as manifestações nas redes sociais. A esquerda está fazendo censura tanto quanto a direita. Assassinatos de caráter, falsificações de números e de fatos, um é o espelho do outro. Nunca aconteceu antes. Isso está tornando muito difícil a administração por parte das lideranças políticas, aquelas que ainda estão com um pouco de sanidade, desse período até outubro. Porque tem que chegar até outubro.

O senhor vê risco de não ter eleição?
São coisas que não estão fora do cenário das possibilidades. Por exemplo, um enfrentamento crescente nas ruas entre esquerda e direita, com vítimas, talvez pessoas mortas. Isso seria um pretexto, obviamente oportunista, mas poderiam dizer que não seria possível fazer eleição num contexto assim. Outra possibilidade, a Venezuela. Olhe o pedido de Roraima querendo fechamento da fronteira. Aí o Temer diz que é uma coisa “incogitável”, mas todo mundo sabe que isso não quer dizer nada na boca do Temer. Num contexto desses, parecerá até sensato se dizer que se deve adiar as eleições. Isso pode acontecer.

No seu livro, o senhor lança uma nova abordagem sobre os partidos com menor representação no Congresso, desmistificando a ideia de que as legendas com menos deputados federais são apenas “empresas de aluguel”. Por que temos 35 partidos formalizados no Brasil?
Algumas premissas das análises tem que ser postas à vista. Essa visão de fragmentação total e também do papel desempenhado pelos partidos chamados nanicos ou de aluguel vem de uma visão estritamente de Brasília. Quer dizer, da política nacional ou de representação nacional. Portanto, atribui-se que a política brasileira tem uma fragmentação e na verdade são extrapolações das opiniões de um visão de Brasília. E há ainda outra premissa errada de que os partidos de menor representação são apenas partidos de aluguel. Aliás, as investigações atingem os grandes partidos e não os nanicos. Um dos motivos para a existência de tantos partidos é que os grandes permitem o funcionamento dos pequenos e não conseguem ir onde eles estão. No interior do país, os partidos menores disputam as assembleias e câmara de vereadores e os grandes não. Outro motivo principal foi o financiamento privado das campanhas. Então, respondendo sucintamente: eles existem porque os grandes não vão lá acabar com eles e os grandes não vão acabar com eles porque economicamente e no cálculo eleitoral é interessante que as pequenas legendas existam.

O financiamento publico e individual tem força pra reduzir o número de partidos?
De algumas legendas possivelmente, mas não de todas. Porque não interessa no cálculo dos partidos grandes e médios investir muito em campanhas no interior ou em cidades pequenas se isso desvia recursos de conquistar mais deputados em grandes centros.

O senhor mostra, por exemplo, mais de 85% das legendas elegeram ao menos um parlamentar para 20 assembleias em 2008 e 2012. Ou seja, os brasileiros não se importam se há 35 legendas. É isso?
Nem tanto ao mar, nem tanto à terra. Depende, porque se fosse irrelevante os resultados eleitorais seriam profundamente aleatórios e não são. Nem a nível nacional e nem a nível estadual e nem a nível municipal. O eleitor vota distinguindo, por isso você tem ao longo do tempo em todos os níveis do Legislativo um padrão de votação. Muda só marginalmente. Quanto mais urbanizado e denso o município, mais ideologizado é voto. Quanto mais dependente da ação do poder público é a população, principalmente ligada a prestação de serviços, menos ideologizado.