MÚSICA – VAMBORA – ADRIANA CALCANHOTTO

MÚSICA – VAMBORA – ADRIANA CALCANHOTTO

 

FILME – CORAGEM PARA VENCER

FILME – CORAGEM PARA VENCER 

MPF oferece denúncia envolvendo Casa de Farinha e Hospital de Servidores do Estado de Pernambuco

Ao todo, nove pessoas foram denunciadas por irregularidades em contratos celebrados para o fornecimento de refeições ao Hospital dos Servidores do Estado de Pernambuco

O Ministério Público Federal (MPF) divulgou, na última sexta-feira (8), que ofereceu denúncia, à Justiça Federal, contra nove pessoas envolvidas em irregularidades em contratos celebrados pelo Instituto de Recursos Humanos de Pernambuco (IRH) com a empresa Casa de Farinha, referentes ao fornecimento de alimentação para pacientes, funcionários e acompanhantes do Hospital dos Servidores do Estado de Pernambuco. A empresa e os nove denunciados também são alvo de ação de improbidade administrativa ajuizada pelo MPF.

Os números dos processos, que correm em segredo de Justiça, são 0818346-52.2019.4.05.8300 (ação penal) e 0818344-82.2019.4.05.8300 (ação de improbidade).

Segundo o MPF, a denúncia é fruto de procedimento investigatório criminal instaurado a partir de representação feita ao MPF pelo Ministério Público de Contas de Pernambuco, vinculado ao Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE/PE). De acordo com as apurações, entre 2014 e 2018, o IRH formalizou sucessivas e indevidas dispensas de licitação que culminaram na contratação da Casa de Farinha, sem cobertura contratual, para a produção e distribuição das refeições. As contratações irregulares haviam sido questionadas, inclusive, por meio de pareceres e recomendações da Procuradoria-Geral do Estado (PGE).

Ainda de acordo com o Ministério Público Federal, as investigações também apontaram o superfaturamento na prestação de serviços e fornecimento da alimentação. Em alguns dos casos, as dispensas indevidas contaram, ainda, com a anuência de integrantes da Secretaria de Administração do Estado de Pernambuco. O prejuízo causado aos cofres públicos ultrapassa R$ 415 mil, valor referente ao superfaturamento. Os recursos destinados ao IRH para as contratações foram oriundos do Sistema Único de Saúde (SUS). Quase R$ 9 milhões foram repassados em cerca de quatro anos de contratações.

A ação explicou o MPF, já foi recebida pela titular da 36ª Vara Federal da Subseção Judiciária de Recife, Carolina Souza Malta. São réus: André Longo Araújo de Melo e Francisco Antônio Souza Papaléo (ambos ex-diretores do IRH), Júlio Araújo da Cruz Júnior (gerente administrativo de Contratos e Licitações do IRH), Jonathan Nichols Batista Maiko (ex-gerente de Licitações e Contratos e presidente da Comissão de Licitação da Secretaria de Administração do Estado de Pernambuco), Rafael Vilaça Manço (secretário-executivo de Compras e Licitações do Estado de Pernambuco), Kaline Neves Filgueiras Cabral de Souza Goulart (gerente-geral de Licitações do Estado de Pernambuco), Karen Viviane de Souza Ferreira (gestora do Núcleo de Apoio de Nutrição do IRH), Valéria dos Santos Silva (representante da Casa de Farinha) e Romero Fittipaldi Pontual Filho (administrador da Casa de Farinha).

Denúncia por enriquecimento ilícito

Segundo a denúncia do MPF, André Longo Araújo de Melo, Karen Viviane de Souza e Júlio Araújo desviaram os recursos do SUS por meio de contratos superfaturados com a Casa de Farinha, permitindo o enriquecimento ilícito de terceiros às custas dos recursos públicos. Valéria dos Santos Silva e Romero Fittipaldi Pontual são acusados de se beneficiarem do esquema, seja participando ativamente dos processos licitatórios ou assinando os contratos irregulares.

Além da condenação pelos crimes praticados, o MPF requer que a Justiça Federal decrete a perda de eventual cargo ou função pública exercida pelos denunciados, bem como o pagamento de indenização, no mínimo, no montante dos valores superfaturados, para reparação dos danos causados.

Fonte: JC online

Tristeza e comoção marcam o velório do jornalista Inaldo Sampaio

O velório do jornalista Inaldo Sampaio, que faleceu nesta madrugada devido a uma parada cardíaca, aconteceu na tarde desta segunda-feira (11), no cemitério Morada da Paz, em Paulista, o sepultamento estava marcado para às 17h. Além de familiares, amigos conterrâneos e de trabalho, o velório do colunista estava repleto de autoridades da política local pernambucana. Dentre elas, a vice-governadora Luciana Santos (PCdoB), a vereadora Aline Mariano (PP), o deputado estadual Marco Aurélio (PRTB), o deputado Lucas Ramos (PSB).

De acordo com seu irmão, Ideginaldo Sampaio, Inaldo foi um profissional sério e de renome no estado. “O trabalho dele tinha uma repercussão extraordinária. Ele sempre gostou e pontuou um jornalismo sério e responsável”, ressaltou.

No ambiente familiar não poderia ser diferente, era considerado a pérola da família. “Dentre todas as dificuldades que atravessamos na vida, hoje, talvez, seja uma das maiores dela. Inaldo Sempre foi um bom filho, um bom pai e um ótimo esposo”, pontuou.

O diretor operacional da Folha de Pernambuco, José Américo, esteve presente representando o presidente do grupo, Eduardo Queiroz Monteiro e atenuou o exercício de Inaldo como jornalista, “ele é jornalista 24h por dia”. “Tinha o domínio e compreensão da política de Pernambuco, além de relações republicanas com os entes políticos do estado”.

Aline Mariano exaltou o legado deixado por Sampaio e a sua trajetória como jornalista. “Ele deixa um princípio básico da ética no jornalismo, na boa notícia. Ele deixa experiência para uma nova geração. O Estado hoje está mais pobre por ter perdido um profissional no nível de Inaldo, que a gente admirava muito”, afirmou.

Lucas afirmou ter tido a satisfação de conhecê-lo acompanhando as matérias nos jornais e ressaltou as suas posições políticas. “Inaldo como pai, como marido, como servidor público do Tribunal de Contas do Estado sempre se pautou na verdade, fazendo do seu trabalho a sua maior marca, a referência em honestidade e com posições firmes. Muitas vezes, polêmicas. Mas que nenhum momento desrespeitava o próximo”.

FOLHAPE

Manuela d’Ávila lança ‘Por que Lutamos?’, no Recife

Manuela d'Ávila fará uma noite de autógrafo nesta quinta (12), às 19h, no Shopping Tacaruna

Manuela d’Ávila fará uma noite de autógrafo nesta quinta (12), às 19h, no Shopping Tacaruna  Foto: Reprodução / Instagram

A ex-candidata a vice presidente, Manuela d’Ávila (PCdoB) estará no Recife para uma noite de autógrafos de lançamento de seu livro intitulado “Por que Lutamos – Um livro sobre amor e liberdade”, nesta terça-feira (12), às 19h, na Livraria Leitura do Shopping Tacaruna.

“O livro versasobre feminismo. Através do olhar amoroso, da acolhida generosa, do entendimento de que este é um assunto de todas, todos, todxs nós. Não pretende ser uma bíblia do feminismo, mas sim, uma conversa, um abraço, um ponto de apoio, um boas-vindas pra quem acaba de chegar, um “que bom que você está aqui” pra quem já anda cansada de lutar. Escrito em tom de conversa, traz referências, sugere reflexões, desfaz o medo. Sin perder la ternura”, escreve a autora na sinopse.

Os interessados podem adquirir o livro autografado pelo site www.esefossevc.com.br.

manuCrédito: Reprodução / Instagram

Em carta aberta, Jô Soares ironiza e chama Bolsonaro de ‘rei dos animais

Jô comenta vídeo em que Bolsonaro se compara a um leão

Deu no Correio Braziliense

O apresentador Jô Soares publicou uma segunda carta dirigida ao presidente Jair Bolsonaro. Em tom de ironia, o humorista chama o chefe  do Executivo de “rei dos animais” em referência ao vídeo postado pelo presidente nas redes sociais em que ele se comparava a um leão.

A carta, publicada no jornal Folha de S. Paulo, neste domingo, dia 10, começa, questionando, em latim “Até quando abusarás da nossa paciência?”. A frase é uma referência ao escritor romano Cícero, que escreveu o questionamento em  relação a Catilina, militar que tentara derrubar a República.

CASO MARIELLE – Em referência a revelação de que o nome de Bolsonaro foi citado no processo que investiga a morte  da vereadora Marielle Franco, Jô Soares diz que é “excesso de diversos predadores atacar um leão solitário, tentando proteger-se e aos seus filhotes.”

E continua. “A calúnia não para! Agora, querem lhe responsabilizar pelo fato de sua ilibada residência localizar-se na mesma região onde, por uma coincidência estúpida, habitava também um certo Ronnie, de alva notoriedade (mas em outro lar doce lar, é claro!). Sem nenhuma ligação, um valhacouto de papalvos!”

“REI DOS ANIMAIS” – Para finalizar, o apresentador diz que depois de muito meditar concluiu que a definição do presidente é perfeita. “vossa excelência é o leão. Vossa excelência é o rei dos animais!”

Em julho, Jô Soares também não poupou críticas ao presidente em outra carta direcionada a Bolsonaro. Em francês, o apresentador lembrou de fatos como a escolha do filho do presidente Eduardo Bolsonaro para o cargo de embaixador do Brasil nos Estados Unidos.

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ÍNTEGRA DO ARTIGO :

Carta ao nosso caríssimo presidente

Vossa excelência é mesmo o leão, o rei dos animais!

Très cher président: “Quo usque tandem abutere patientia nostra?!”

Frase que, em latim, vossa excelência, melhor latiador do que eu, conhece perfeitamente, foi dirigida em quatro cartas do senador e escritor romano Cícero ao Senado e ao povo em relação a Catilina, militar e senador que pretendia derrubar a República. Veja que ousadia! Isso antes do AI-5!

Mas o que me leva a esta monótona missiva é associar-me a vossa excelência no episódio do leão contra as hienas.

Realmente é um excesso de diversos predadores a atacar um leão solitário, tentando proteger-se e aos seus filhotes: são chacais supremos, racuns, capivaras e gambás, sem falar das folhas, cujo destino é inominável, e das eternas hienas globais.

A calúnia não para! Agora, querem lhe responsabilizar pelo fato de sua ilibada residência localizar-se na mesma região onde, por uma coincidência estúpida, habitava também um certo Ronnie, de alva notoriedade (mas em outro lar doce lar, é claro!). Sem nenhuma ligação, um valhacouto de papalvos!

(Para os menos ilustrados: 1- Valhacouto: lugar seguro onde se encontra refúgio; abrigo, esconderijo; o que se usa para encobrir o aspecto de uma coisa, ou as intenções de alguém; disfarce, dissimulação; 2 – Papalvo: diz-se de indivíduo simplório, pateta ou tolo.)

Voltando ao tema principal: cheguei a pensar, quando vi o vídeo (por sinal, parabéns pela montagem), que talvez a figura de Mogli, o Menino Lobo, criado na selva, enfrentando múltiplos perigos, fosse mais adequado a vossa excelência.

Meditei muito, passei a noite sem dormir, mas antes de apagar a luz estava começando um filme da Metro com aquele rugido característico: para mim, aquela mensagem foi decisiva. Pude finalmente dormir em paz: a sua definição é perfeita: vossa excelência é o leão. Vossa excelência é o rei dos animais!

Jô Soares
Humorista, escritor e influenciador analógico

Jânio não quis acordo com Amador Aguiar, do Bradesco, e perdeu a eleição de 1962

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Charge do Nássara, na eleição de 1962 em São Paulo

Sebastião Nery

Voltando de Londres, depois da renúncia à Presidência da República em agosto de 1961, Jânio surpreendeu mais uma vez o país lançando-se candidato ao governo de São Paulo contra Adhemar de Barros e José Bonifácio Nogueira, candidato de Carvalho Pinto.

Jânio saiu numa campanha forte, responsabilizando as “forças terríveis” que haviam levantado um muro diante de seu plano de governo. O slogan do publicitário João Dória, depois deputado, era a síntese do esquema da campanha: “A renúncia foi uma denuncia”.

MUDOU O TOM – Adhemar, contido a duras penas pela sua assessoria política e publicitária, mudou o velho tom, bonachão mas duro. Não atacava Jânio, não falava na renúncia, pregava a paz e a tranquilidade para um Estado ainda traumatizado pelo gesto do ex-presidente, que deixara o país e sobretudo São Paulo deserdados pela renúncia.

A campanha ia chegando ao fim. Jânio crescendo nas prévias eleitorais, Adhemar impaciente, mas obedecendo ao staff. No comício de encerramento, em São Carlos, explodiu. Deixou de lado os conselhos e o projeto de discurso discutido com a assessoria e voltou ao velho tom, direto, irreverente, aberto, cara a cara com o povo. Foi um sucesso: “Povo de São Paulo, eu não aguento mais. Esse homem é maluco. Ele vai botar o professor Carvalho Pinto na cadeia. Ele vai me botar na cadeia. Outra vez! Meu Deus, lá vou eu de novo para a Bolívia!”

Estava em lágrimas. Ganhou por 30 mil votos. Com aquele discurso.

No meio dessa campanha de 1962, em que se candidatou pela segunda vez ao governo de São Paulo contra Adhemar, o vice de Jânio era o brigadeiro Faria Lima. Laudo Natel saiu candidato sozinho, em faixa própria. Parecia clara a vitória de Jânio e de Faria Lima.

LAUDO NATEL – Amador Aguiar, o homem do Bradesco, telefonou para o ex-presidente e marcou encontro na casa de um funcionário do banco. Queria que Jânio retirasse a candidatura Faria Lima para apoiar Laudo Natel, diretor do Bradesco e presidente do São Paulo Futebol Clube:

“Dr. Jânio, sei que sua campanha está com muitas dificuldades financeiras. Poderíamos resolver o assunto e assim seriam eleitos o senhor e o Laudo, que eu trouxe comigo para o senhor conhecer pessoalmente”.

“ Meu caro, já estou eleito. O povo já manifestou sua preferência. Mais uma vez, Dr. Amador. Vou ganhar em São Paulo e em todas as grandes cidades. Nem vou mais às pequenas, porque não precisa. Está na hora de ver quem é ou não é meu amigo, para não haver queixas depois”, replicou Jânio.

AMADOR INSISTE – Mas, presidente, o Laudo está mais forte do que o Faria Lima. Juntos, daremos uma surra no Ademar.

“Não posso, meu caro. Não posso trair o Faria, que é meu amigo dileto. Di-le-to, entendido?”

Na ponta da mesa, baixinho, caladinho, ao lado de José Aparecido, Laudo não tugia nem mugia. Jânio chamou-o para sentar-se mais perto: “Doutor Laudo, o senhor já foi candidato antes a alguma coisa?”

“Não, presidente. Não gosto de política. Foi seu Amador que mandou. Abaixo de Deus, é o pai que eu conheci”.

JÂNIO PERDEU – “Mas de futebol o senhor gosta”, insistiu Jânio, acrescentando: “É presidente do São Paulo”.

“Também não gosto de futebol, presidente. Foi seu Amador que mandou. Abaixo de Deus, foi o pai que conheci. O senhor não imagina o homem bom que ele é”.

O acordo não foi feito. Jânio perdeu por 30 mil votos (das pequenas cidades que não visitou). Laudo (quer dizer, seu Amador, o pai que ele conheceu) ganhou para vice. E Adhemar se elegeu governador.

Maia recua: “2ª instância não é a única urgência do Brasil”

Presidente da Câmara não quer decisão precipitada do parlamento

Presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia Foto: Agência Brasil/Fabio Rodrigues Pozzebom

Quatro dias depois da decisão do STF que derrubou a prisão após condenação em segunda instância, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), recuou sobre o assunto. Para ele, o tema “não é a única urgência do Brasil”.

– Qualquer resposta precipitada que o Parlamento der, vai ser o responsável por gerar mais instabilidade política. Não podemos de forma nenhuma achar que essa é a única urgência que o Brasil tem. É uma das. O trabalho da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) é melhorar o texto – disse Maia em entrevista o jornal O Estado de São Paulo.

O presidente da Câmara também classificou o discurso do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como “muito raivoso”. Ele defendeu Bolsonaro e disse que o presidente “não tem culpa dos problemas que o Lula vive”.

– Foi um discurso muito raivoso, ruim. Ele é um ex-presidente da República, o presidente Bolsonaro não tem culpa pelos problemas que o Lula vive. É um discurso já politizando eleitoralmente e é ruim. O que mais me impactou é quando ele fala que nós não temos que nos defender, citando o Chile, [dizendo] ‘temos de atacar’. O Brasil já tem muitos problemas para ouvir um discurso desses. Algumas pessoas ficaram preocupadas com a virulência do discurso e vão aguardar as próximas semanas. Como também são os primeiros dias, é aguardar e ver qual vai ser a ação dele nos próximos, para ver se vai ser em um caminho de inviabilizar, de atrapalhar o governo – afirmou.

Para salvar os filhos, Bolsonaro caiu na armadilha de Gilmar e agora é tarde para recuar

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Bolsonaro foi iludido por Toffoli e entrou numa gelada

Carlos Newton

Se tivesse algum verniz de cultura, Jair Bolsonaro saberia que não pode haver pacto entre os Três Poderes em regime democrático. Desde a publicação dos pensamentos políticos do nobre francês Charles-Louis de Secondat, Barão de La Brède e Montesquieu, especialmente o livro “O Espírito das Leis” (1748), a independência dos Poderes passou a ser o mais importante dogma político, como principal característica da democracia.

O presidente Bolsonaro, infelizmente, funciona como um analfabeto político e se deixou enredar pela conversa fiada do presidente do Supremo, Dias Toffoli, que na abertura dos trabalhos legislativos, dia 4 de fevereiro, discursou no Congresso propondo um “pacto” entre os três Poderes da República.

CRIATIVIDADE – Como se sabe, Toffoli atua como um garoto de recados do ministro Gilmar Mendes, que é uma nova versão do Satânico Doutor No, sem que apareça um agente 007 capaz de enfrentá-lo.

Gilmar é competente, tem vasto conhecimento jurídico e demostra invulgar criatividade, adaptando-se às mais diversas situações. Sempre foi a favor da prisão após segunda instância, como se lê no livro que escreveu em parceria com o professor Paulo Gustavo Branco, “Curso de Direito Constitucional”:

Esgotadas as instâncias ordinárias com a condenação à pena privativa de liberdade não substituída, tem-se uma declaração, com considerável força, de que o réu é culpado e a sua prisão necessária. Nesse estágio, é compatível com a presunção de não culpabilidade determinar o cumprimento das penas, ainda que pendentes recursos”, escreveu Gilmar no livro que é vendido a seus alunos. Mas agora, no julgamento das ADCs 43, 44 e 54, o ministro deu um voto exatamente ao contrário do que ele ensina na Faculdade.

IMPUNIDADE – Na verdade, foi Gilmar Mendes que armou essa arapuca jurídica para soltar todos os presos da Lava Jato e garantir a impunidade dos réus de corrupção, lavagem de dinheiro, improbidade administrativa e enriquecimento ilícito.

Até 2016, Gilmar era coerente e continuava apoiando a prisão após segunda instância, mas mudou de ideia quando seus amigos passaram a réus, como Michel Temer, Aécio Neves e tantos mais, inclusive Lula da Silva, e sua mulher, Guiomar Mendes, era íntima da ex-primeira-dama Marisa Letícia.

Ainda no governo Temer, no qual agia como se fosse uma versão jurídica do Rasputin, o irrequieto ministro do STF então bolou a tese da “descriminalização da política”, sugerindo passar a borracha no passado e encarar um novo futuro.

PONTO FRACO -Temer adorou a ideia, mas não teve como concretizá-la. Assim, Gilmar voltou à carga no atual governo, com apoio entusiástico de Dias Toffoli, e os dois se aproveitaram do ponto mais fraco do presidente Bolsonaro – o envolvimento dos filhos dele com as “rachadinhas”, um abominável meio de enriquecimento ilícito que inclui lavagem de dinheiro.

A ideia do pacto seduziu Bolsonaro, e o novo passo do grupo que articulava a tal “descriminalização da política” foi preparar o julgamento da Ação Direta de Constitucionalidade (ADC 43) sobre o artigo 283 do Código de Processo Penal, impetrada pelo partido Patriota (ex-PEN), que tem como guru jurídico o advogado Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, amigo de Gilmar e Toffoli, e o grupo  conseguiu que a OAB apresentasse idêntica ação  (ADC 44) e depois o PCdoB (ADC 54).

VÁRIAS FRENTES – O grupo atuava ao mesmo tempo em várias frentes, e no dia 16 de julho surgiu a espantosa liminar de Toffoli a favor de Flávio Bolsonaro, com a suspensão de todos os inquéritos e processos abertos com base em relatórios do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), da Receita Federal ou do Banco Central. Foi uma decisão adotada de forma ilegal, porque o ministro a expandiu para todos os casos semelhantes, e isso não é permitido aos magistrados, que devem se ater à petição da parte.

Com essa absurda amplitude da liminar, dois dos beneficiados foram o próprio Dias Toffoli e o amigo Gilmar Mendes, cujas esposas estavam sendo investigadas por irregularidades nas contas bancárias e/ou declarações de renda, sem falar na mesada de R$ 100 mil que Toffoli recebia da esposa.

Bolsonaro, é claro, ficou felicíssimo, nem percebeu que havia caído numa armadilha, pois, ao se tornar cúmplice da “descriminalização da política”, jamais poderia atacar essa articulação do Supremo, teria de se omitir.

TUDO DOMINADO – Com Bolsonaro sob controle, estava tudo dominado, porque o Congresso em peso também apoia essa blindagem aos crimes cometidos pelos políticos – corrupção, lavagem de dinheiro, improbidade administrativa e enriquecimento ilícito, repita-se ad nauseam, como dizem os juristas.

Os ministros “garantistas” então tiveram liberdade total para concretizar o grande golpe da anulação da Lava Jato, usando este julgamento do Supremo, porque Kakay discretamente reformulou o pedido inicial e passou a sustentar que a presunção de inocência teria de ser respeitada até o trânsito em julgado, que só ocorre no Supremo. E nessa manobra foi acompanhado pelas defesas da OAB e do PCdoB.

A grande dúvida era Rosa Weber. Quando ela votou a favor do trânsito em julgado, Gilmar ficou tão contente que se levantou e foi à plateia abraçar Kakay, vejam a que ponto de desfaçatez chegamos. O resto todos sabem. A Lava Jato acabou, porque não pode mais prender ninguém. E todos os condenados serão soltos.

Tantas cenas fez, em busca apenas de carinho, na poesia eterna de Ana Cristina Cesar

Resultado de imagem para ana cristina cesar"A professora, tradutora e poeta carioca Ana Cristina Cruz Cesar (1952-1983) é considerada um dos principais nomes da chamada geração mimeógrafo (ou poesia marginal) da década de 1970. No poema “Samba-Canção”, Ana Cristina revela que fez tudo para o seu amor gostar, porque ela queria apenas carinho.

SAMBA-CANÇÃO
Ana Cristina César

Tantos poemas que perdi.
Tantos que ouvi, de graça,
pelo telefone – taí,
eu fiz tudo pra você gostar,
fui mulher vulgar,
meia-bruxa, meia-fera,
risinho modernista
arranhando na garganta,
malandra, bicha,
bem viada, vândala,
talvez maquiavélica
e um dia emburrei-me,
vali-me de mesuras
(era uma estratégia),
fiz comércio, avara,
embora um pouco burra,
porque inteligente me punha
logo rubra, ou ao contrário, cara
pálida que desconhece
o próprio cor-de-rosa,
e tantas fiz, talvez
querendo a glória, a outra
cena à luz de spots,
talvez apenas teu carinho,
mas tantas, tantas fiz…

P&C – TI