Ex-catadora de latinhas passa em concurso

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    Veja como todo mundo pode melhorar na vida. É só ter vontade, estudo e disciplina.

Uma catadora de latinha do Distrito Federal conseguiu passar em um concurso de nível médio do Tribunal de Justiça estudando apenas 25 dias.

Com isso, ela trocou uma renda mensal de R$ 50, por um salário de R$ 7 mil. “Foi muito difícil. Hoje, contar parece que foi fácil, mas eu venci”, afirma Marilene Lopes. Agora, ela diz que pensa em estudar direito.

Sem dinheiro nem para comprar gás e obrigada a cozinhar com gravetos, Marilene Lopes viu a vida dela e a da família mudar em 2001, depois de ler na capa de um jornal a abertura das inscrições para o concurso do Tribunal de Justiça do Distrito Federal.

 Latinhas
Ela, que até então ganhava R$ 50 por mês catando latinhas em Brazlândia, cidade a 30 quilômetros de Brasília, decidiu usar os 25 dias de repouso da cirurgia de correção do lábio leporino para estudar com as irmãs, que tinham a apostila da seleção.

Apenas Marilene foi aprovada.
“Minha mãe disse que, se eu fosse operar, ela cuidava dos meninos, então fui para a casa dela. Minha mãe comprou uma apostila para as minhas irmãs, aí dei a ideia de formarmos um grupo de estudo. Íamos de 8h às 12h, 14h às 18h e de 19h às 23h30. Depois eu seguia sozinha até as 2h”, explica.

O esforço de quase 12 anos atrás ainda tem lugar especial na memória da família. Na época, eles moravam em uma invasão em Brazlândia.

     Fome
Marilene já havia sido agente de saúde e doméstica, mas perdeu o emprego por causa das vezes em que faltou para cuidar das crianças. Como os meninos eram impedidos de entrar na creche se estivessem com os pés sujos, ela comprou um carrinho de mão para levá-los e aproveitou para unir o útil ao agradável: na volta, catava as latinhas de alumínio.

Segundo ela, a situação durou um ano e meio, e na época a família passava muita fome. “Nunca tinha nem fruta para comer. Eu me lembro que passei um ano com uma só calcinha. Tomava banho, lavava e dormia sem, até secar, para vestir no outro dia. Roupas, sapato, bicicleta [os filhos puderam ter depois da aprovação no concurso]. Nunca tive uma bicicleta”, conta.
Fonte: Band Notícias / Boas Ações

Após pressão, Senado desiste de afrouxar regras eleitorais

Proposta deve ser votada nesta quarta-feira

Senado desiste de afrouxar regras eleitorais Foto: Agência Senado/Roque de Sá

Após pressão interna e externa, o Senado se viu obrigado a recuar e desistiu de votar o afrouxamento das regras eleitorais.

Em acordo anunciado no fim da tarde desta terça-feira (17) pelo relator do projeto, Weverton Rocha (PDT-MA), e pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), apenas as regras sobre fundo eleitoral serão aprovadas. As demais alterações serão rejeitadas.

O projeto aprovado neste mês pela Câmara altera normas eleitorais e partidárias, amplia brechas para caixa dois e reduz a possibilidade de punição por irregularidades, além de esvaziar os mecanismos de controle e transparência no uso de verbas públicas eleitorais. ?

Uma sessão extraordinária da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) foi convocada para esta tarde e, logo em seguida, o texto vai para o plenário do Senado.

O projeto terá que retornar à Câmara e a ideia é que seja votado lá nesta quarta-feira (18), para garantir que o presidente Jair Bolsonaro (PSL) tenha condições de sancioná-lo antes de 4 de outubro, data limite para que a regra esteja vigente na eleição de 2020.

– Em acordo com líderes partidários, o PL que define novas regras eleitorais segue agora para a CCJ, em sessão extraordinária. Os senadores pretendem corrigir o texto aprovado pelos deputados. O valor do financiamento de campanha será mantido e as demais regras serão rejeitadas – anunciou Alcolumbre em uma rede social.

Weverton Rocha disse haver um acordo entre os partidos políticos para que, na discussão do Orçamento 2020, seja previsto para o fundo eleitoral do próximo ano o mesmo valor de 2018, R$ 1,7 bilhão.

*Folhapress

Lava Jato: Ministro diz que pode decidir sobre anulações

Ricardo Lewandowski diz que espera o plenário do STF analisar casos de anulação de sentença

Ministro Ricardo Lewandowski Foto: Carlos Humberto/ SCO/ STF

O ministro Ricardo Lewandowski afirmou nesta terça-feira (17) que, se o plenário do STF (Supremo Tribunal Federal) “demorar muito” para analisar o caso da anulação de uma sentença da Lava Jato, poderá “decidir sim ou não”, individualmente, sobre pedidos semelhantes.

No dia 27 de agosto, a Primeira Turma do STF anulou, por 3 votos a 1, a condenação de Aldemir Bendine, ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobras.

Bendine havia sido condenado por corrupção e lavagem de dinheiro em uma ação ligada à Lava Jato. Foi a primeira vez que o Supremo anulou uma decisão do ex-juiz Sergio Moro, hoje ministro da Justiça.

A questão central foi a definição da ordem das alegações finais -se quem fala por último é o réu ou os delatores. Bendine foi delatado.

Desde a decisão, Lewandowski recebeu ao menos quatro pedidos para que condenações sejam canceladas seguindo a mesma lógica. Nesse sentido, os réus, e não os delatores, deveriam expor sua defesa por último.

Relator da Lava Jato no STF e integrante da Primeira Turma, o ministro Edson Fachin submeteu o caso ao plenário da corte. Ainda não há data para o julgamento.

– Se o Supremo, pelo seu plenário, estiver na iminência de examinar essa questão, não há porque eu me antecipar. Há várias questões, mas vai depender do meu convencimento. Se demorar muito, eu vou decidir sim ou não [sobre os pedidos de anulação] – afirmou Lewandowski.

O ministro disse que, por ora, não pretende tomar decisões sobre os pedidos já realizados. “Vou aguardar um pouquinho, não sei se o plenário vai pautar. Vamos aguardar”, disse o ministro.

Questionado sobre se a tendência é esperar o posicionamento do plenário, ele respondeu “sim ou não”.

– Se eu me convencer, eu estendo ou não estendo”, disse ele, sobre anular as decisões questionadas. “Como há a possibilidade de o plenário analisar, vamos aguardar um pouco os acontecimentos – apontou.

Lewandowski explicou, porém, que antes de qualquer decisão precisa avaliar caso a caso.

– Primeiro vou ver se cabe a extensão, em sendo uma outra ação penal; se cabe sendo um outro processo, uma outra ação penal”, disse. “Normalmente as extensões ocorrem dentro do mesmo habeas corpus, dentro do mesmo processo, em réus que estejam na mesma situação – ressaltou.

O ministro do Supremo explicou que o Código de Processo Penal prevê que réus com uma sentença mais branda que um outro no mesmo processo têm direito ao mesmo entendimento.

– Isso tem sentido porque vigora entre nós o princípio máximo da isonomia, da igualdade. Por que não dar o mesmo tratamento? Primeira coisa é verificar se estão na mesma situação – disse.

*Folhapress

Fachin volta a cobrar Toffoli sobre delação de donos da JBS

Relator da Lava Jato quer que validade das delações seja pautada no plenário do STF

Ministro Edson Fachin Foto: Agência Brasil/Nelson Jr.

O ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), voltou a cobrar o presidente da corte, Dias Toffoli, para que a validade das delações da J&F seja pautada no plenário do tribunal. Fachin reiterou nesta terça-feira (17) que o caso da colaboração dos irmãos Batista, donos do frigorífico JBS, já pode ser julgado pelos 11 ministros.

Ele havia liberado o caso para julgamento em março. A procuradora-geral Raquel Dodge, cujo mandato termina nesta terça, pediu na semana passada urgência na avaliação das delações.

Há dois anos, o então procurador-geral Rodrigo Janot, também em fim de mandato, anunciara a rescisão dos acordos. O caso atingiu à época principalmente o então presidente Michel Temer (MDB).

Os irmãos Joesley e Wesley Batista, donos da companhia, e os executivos Ricardo Saud e Francisco de Assis e Silva foram acusados por Janot de omitir informações. Segundo o então procurador-geral, eles não informaram que foram orientados durante a negociação da delação pelo ex-procurador Marcelo Miller. Eles sempre negaram a acusação de Janot.

– Reitero que a instrução se encontra encerrada e mantenho a indicação do feito à pauta – escreveu o ministro Fachin.

Toffoli, que determina a pauta da corte, ainda não agendou o julgamento.

Fachin escreveu ainda que, conforme argumentou Dodge no dia 9 de setembro, “a necessidade de concretização da duração razoável do processo, que deve pautar, em geral, as pretensões, manifestações e afazeres […] recomenda esse proceder [julgamento]”.

Na decisão, Fachin autorizou que a defesa dos executivos e donos da J&F e a Procuradoria-Geral da República enviem as alegações finais.

Dodge, em manifestação mais recente, escreveu que “observa-se a premente necessidade de manifestação do STF sobre a homologação desta rescisão [do acordo de delação]”.

Segundo ela, assim seriam “imediatamente interrompidos os benefícios decorrentes do referido acordo em diferentes processos penais em curso e restabelecido o trâmite regular da persecução penal, para evitar prescrição e propiciar a adequada prestação jurisdicional”.

Dodge, na manifestação, pediu “prioridade na decisão do colegiado do STF para viabilizar a adequada resposta penal aos fatos e prevenir prescrição penal”.

*Folhapress

Agressores de mulheres terão que reembolsar custos do SUS

Bolsonaro sancionou projeto nesta terça-feira

Agressores de mulheres terão que reembolsar custos do SUS Foto: Reprodução

Nesta terça-feira (17), o presidente Jair Bolsonaro sancionou um projeto, que apresenta uma alteração na Lei Maria da Penha. A nova medida determina que agressores de mulheres paguem as despesas das vítimas no atendimento recebido por elas no Sistema Único de Saúde (SUS).

A mudança começará a valer 45 dias após sua publicação, que deverá acontecer na quarta-feira (18), no Diário Oficial da União. A decisão foi um dos três projetos sancionados pelo mandatário nesta segunda, durante um evento restrito no Palácio da Alvorada, em Brasília.

A alteração, segundo o Planalto, tem como objetivo tornar o agressor responsável pelos danos materiais do crime.

– Por meio desta medida, busca-se reforçar a legislação e as políticas públicas que visam coibir a violência contra as mulheres e, consequentemente, garantir a proteção à família – informou uma nota emitida pela equipe da Presidência.

Ainda não foi revelado como o reembolso será cobrado.

O retorno da censura. Por Martha Medeiros

Eis que nossas famílias agora estão assim, desamparadas, precisando com urgência da tutela de homens sábios como Bolsonaro e Crivella

O atual presidente do Brasil foi eleito, entre outras razões, porque também prometeu proteger nossas famílias: ele garante que o cinema nacional não mais fará corar as senhoras de bem e continua incentivando cada pai a dar uma coça em seu filho ao primeiro sinal de que ele possa vir a ser maricas. Ufa, estamos protegidos.

Uma pena não termos tido essa sorte antes. Poderiam ter nos privado dessa onda feminista, em que mulheres vêm a público lutar contra a violência doméstica e contra salários desiguais, quando deveriam estar atrás de um fogão preparando o jantar do marido e limpando os ouvidos da criançada, cumprindo assim seus deveres de mãe e esposa. Um governo protetor jamais decretaria luto oficial pela morte de Leila Diniz, e sim divulgaria um “vade retro” em alto e bom som, para evitar que o mulherio valorizasse maus exemplos.

Mas não. Deixaram passar a pílula anticoncepcional, o seriado “Malu Mulher”, a lei Maria da Penha. Só podia acabar em “Bruna Surfistinha”.

Eis que nossas famílias agora estão assim, desamparadas, precisando com urgência da tutela de homens sábios como Bolsonaro e Crivella. Graças a essas criaturas magnânimas, nossos filhos se sentirão tão envergonhados de serem “impróprios” que casarão com pessoas que não amam, e serão infelizes e recalcados como manda o figurino. Nossas famílias temerão a liberdade, vivendo tranquilas como gado num curral, mugindo em uníssono. O pensamento será condicionado, os questionamentos serão silenciados e as janelas que dão para o mundo, cerradas. Deem-se as mãos, irmãos. Não precisamos de arte, pesquisa, abertura. Não precisamos de empatia e de informação. É perigoso conhecer novas culturas, descobrir como vivem e sentem as pessoas que não são como nós. Fechem os olhos, apaguem a luz. Repitam: só há uma única maneira de ser feliz, nenhuma outra. A maneira certa é a de quem traz a Bíblia embaixo do braço, sem precisar ler mais livro algum. Acreditem na sorte que tivemos: o mito veio nos salvar da tentação de sermos independentes. Entreguemos a Deus e aos Estados Unidos os nossos desejos, confiemos cegamente no Paulo Guedes e no Moro, e rezemos.

Adriana Calcanhotto: ‘As pessoas estão comendo o plástico que jogam fora’

A preocupação ambiental está em ‘Margem’, show que estreia no Rio nesta terça; artista gaúcha reflete ainda sobre brasileiros em Portugal, mudanças no Rio e nos cariocas e a perda da companheira: ‘O luto não é um processo constante, que só melhora. Ele vai e vem’
A cantora Adriana Calcanhotto Foto: Leo Aversa / O Globo
A cantora Adriana Calcanhotto Foto: Leo Aversa / O Globo

Por Maria Fortuna – O Globo

Ano passado, quando embarcou na turnê “A mulher do Pau-Brasil”, em que falava sobre a identidade artística brasileira, Adriana Calcanhotto sentiu na plateia a efervescência pré-eleitoral e a polarização que tomaram conta do país.

— Houve momentos em que eu dava um passo para trás e deixava as pessoas se manifestarem — conta.

Agora, ela acredita, o mar está mais calmo para receber “Margem”, show que estreia nesta terça-feira, no Teatro Riachuelo, no Rio. A base é o disco homônimo lançado em junho, o último título da trilogia marinha iniciada por Calcanhotto em 1998 com “Marítimo”, e continuada com “Maré”, de 2008. O repertório tem ainda canções dos outros dois álbuns e sucessos da carreira, que ela apresenta ao lado de Rafael Rocha (bateria), Bruno Di Lullo (baixo) e Bem Gil (guitarra).

No single “Ôguntê” você aparece coberta de plástico, cercada de lixo. “Margem” também fala bastante da poluição dos oceanos , né?

O meu figurino é todo reciclado de outros trabalhos. A única coisa comprada é um tênis Parley, feito de lixo retirado do mar. É essa ideia de não produzir tanto lixo. Anos atrás, Sonia Braga botou um macacão abóbora, foi tirar lixo da rua e todo mundo disse que ela era doida. Todos é que estavam doidos, certa era ela. E foi ridicularizada. Quando a Lucélia Santos pegou um ônibus, foi ridicularizada. Isso não cabe mais, não dá mais tempo, temos que agir.

Acha que as pessoas veem com distanciamento as questões do meio ambiente?

Amazônia está queimando há tempos. Quando lancei o “Marítimo”, as questões eram os barcos de pesca japoneses, camuflados de barco de pesquisa, caçando baleia ilegalmente. Isso foi em 1998. Hoje, as pessoas sacaram que estão comendo o plástico que elas jogam fora. O microplástico tá na barriga dos peixes, os bebês estão mamando microplástico. Não tenho outra palavra que não seja cansaço. As pessoas ficam numa inércia como se fosse em outro planeta. Mas já tive menos esperança. A partir da Greta ( Thunberg, jovem sueca que deu início a um movimento internacional de greves de estudantes contra as mudanças climáticas )… Ela não pega um avião, pega um barco sem banheiro, isso é novidade.

Você está fazendo residência na Universidade de Coimbra. Como é olhar o Brasil de lá?

Li uma matéria da Cora ( Rónai ) em que ela articulou algo que eu sentia. Dizia que quando a gente está no Brasil, se adapta. Contorna a loucura, cria a bolsa do ladrão. Quando chego em Portugal, levo uns dias com uma sensação… ( se apalpa ). É porque eu não tô com medo. Poder olhar especialmente da Universidade de Coimbra para o Brasil, que é uma tradição, é algo que jamais imaginaria. Ando pelos corredores onde as pessoas pensavam a independência do Brasil. Poetas e historiadores circulam por ali. É bonito.

E a invasão de brasileiros?

Olho a quantidade de cabeças pensantes do Brasil que estão lá. Talvez faça um pouco de falta. Alguns brasileiros vão para Portugal sem entender o que o país é. Ficam apavorados que os apartamentos não têm dependência de empregada. Não têm consciência, de como Portugal é politicamente. No parlamento europeu, foi o país que melhor se colocou em relação a esse movimento de direita. Não que lá não tenha, mas não se impõe. No Brasil, me surpreendo o comportamento contra a educação e a cultura. Quando falamos de educação parece que é só alfabetização e construção de prédios escolares. Mas você vê que o túnel quase matou pessoas porque os ricos jogam lixo pela janela ( em maio, parte do Túnel Acústico Rafael Mascarenhas desabou por causa do despejo de lixo de uma casa de luxo na encosta ).

Você é autora de uma ode ao Rio, a música “Cariocas”. Como vê a cidade hoje?

Aquele Rio que eu via não existe mais. O carioca não é mais o mesmo. A alegria… Quando fiz a canção, saiu a lei de que era obrigatório o uso do cinto de segurança. No dia seguinte, os camelôs vendiam camisetas brancas com uma faixa preta. Hoje não é mais assim. Eu acho uma perda. Não acho que as cidades têm que permanecer. As coisas andam para a frente. Mas também não é possível, diante do que tem acontecido na cidade, reagir brincando. A cidade está com medo, uma criança levar um tiro dentro de casa não e aceitável.

Em 2015, você perdeu sua companheira, a atriz e cineasta Susana de Moraes, com quem foi casada por 25 anos. Como descreveria a vida sem ela?

O luto não é um processo constante, que só melhora. Ele vai e vem, depende das situações. A Susana era uma pessoa forte, faz muita falta no mundo. Waly Salomão, Cazuza, Cássia Eller… Há pessoas que relativizavam qualquer ambiente, qualquer caretice. Eles botavam tudo em xeque. Susana faz muita falta na minha vida, meu luto não acabou. Não sei se acaba, eu convivo.

Algumas lésbicas defendem que amar mulheres é um ato político e revolucionário, porque você desloca a centralidade do patriarcado. Concorda?

Não, porque acho que nos momentos em que o patriarcado não era tão assim, na  Grécia, por exemplo, o amor lésbico sempre existiu. Tive namorados também durante a minha vida, até que me casei. Pode ser, em outros casos, uma escolha política. Eu não consigo ver assim.

Lupicínio Rodrigues

Considerado um dos maiores compositores do país, Lupicínio nasceu em Porto Alegre, em 16 de setembro de 1914

Lupicínio Rodrigues
Lupicínio é considerado o inventor do termo ‘dor-de-cotovelo’ (Reprodução/Internet)

O compositor Lupicínio Rodrigues. Gaúcho, nascido em 16 de setembro de 1914 , em Ilhota, um bairro pobre de Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul. Nesta segunda-feira, 16, o compositor estaria completando 105 anos de idade.

Aos 14 anos Lupicínio compôs sua primeira música, a canção “Carnaval”, feita para um cordão carnavalesco chamado Prediletos. Seu gosto pela boemia fez seu pai obrigá-lo a entrar para o exército como voluntário aos 15 anos.

Em 1933, foi transferido para a cidade Santa Maria, onde foi promovido a cabo e conheceu Iná, musa inspiradora de várias canções. Após cinco anos, a relação terminou, pois Iná não aprovava a vida boêmia do compositor. Em 1935, Lupicínio deixou o exército e retornou para Porto Alegre, onde começou a trabalhar como bedel na Faculdade de Direito. Foi quando começou a investir em sua carreira de compositor.

O sucesso veio em 1938, com a música “Se acaso você chegasse”, interpretada por Ciro Monteiro. Em 1950, a cantora paulista Linda Batista se tornou uma das mais importantes intérpretes das composições de Lupicínio. Foi na voz de Linda que o samba-canção “Vingança” ganhou destaque no país. A canção foi um dos maiores sucessos do compositor.

Ao longo de sua carreira, Lupicínio compôs outros sucessos, como “Nervos de aço”, “Cadeira vazia”, “Esses moços”, “Loucura” e “Ela disse-me assim”, grande sucesso na voz de Jamelão. Lupicínio também foi o compositor do hino do Grêmio, clube de Porto Alegre pelo qual o cantor era apaixonado.

Lupicínio é considerado o inventor do termo “dor-de-cotovelo”, que, segundo alguns autores, não faz referência à inveja, mas sim à prática de chegar em um bar, apoiar os cotovelos no balcão e chorar para o garçom as mágoas de um amor perdido.

Lupicínio morreu em 27 de agosto de 1974, aos 59 anos, em Porto Alegre. Seu corpo foi sepultado no Cemitério São Miguel e Almas, na capital do Rio Grande do Sul.

Em 2014, Lupicínio Rodrigues recebeu o título de Cidadão Emérito da Capital in memoriam, concedido pela Câmara Municipal de Porto Alegre.

Fonte:
Dicionário MPB-Lupicínio Rodrigues

Pacto sinistro entre os três Poderes é a desmoralização da democracia

Resultado de imagem para tres poderes charges

Charge do Luscar (arquivo Google)

Carlos Newton

Se ainda estivesse na ativa, o genial diretor Alfred Hitchcock certamente pensaria em processar as autoridades e políticos brasileiros, por terem bolado um pacto ainda mais sinistro do que o filmado por ele. No entanto, por incrível que pareça, no Brasil ainda há quem duvide da existência desse pacto entre os três poderes, embora todos os sinais da existência sejam mais do que claros. O Congresso, por exemplo, está fazendo a parte dele nesse complô contra a Lava Jato e a favor da “descriminalização” da política, pois já aprovou a Lei do Abuso de Autoridade, emparedou o Pacote Anticrime do ministro Sérgio Moro e está ressuscitando o Caixa Dois e outras excrescências legislativas.

Correndo na mesma raia, o Supremo entope a Justiça Eleitoral de processos criminais, sabendo que tudo vai prescrever; retira o poder de fiscalização do antigo Coaf, da Receita Federal e do Banco do Brasil; e promove a blindagem de importantes investigados tipo Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz, Gilmar Mendes, Dias Toffoli e muitos outros que se emaranharam no pente fino das declarações de renda e patrimônio.

CARA DE PAISAGEM – E o presidente Jair Bolsonaro também colabora, ao fazer cara de paisagem, fingindo que não sabe de nada, dizendo que a blindagem do filho Flávio e de Queiroz significa apenas amplo    direito de defesa e alegando que o corte das verbas da Polícia Federal foi mera coincidência.

Se não existisse o entendimento sinistro entre os Três Poderes, que é uma situação inimaginável em regime democrático, o presidente do Supremo, Dias Toffoli, já se apressaria a colocar em julgamento a decisão que tomou solitariamente, em pleno recesso do Judiciário em julho, quando não somente mandou suspender o inquérito de Flávio Bolsonaro e Fabricio Queiroz, como também resolveu estender o ato a todos os investigados pela Receita, incluindo ele próprio, o amigo Gilmar Mendes e as veneradas esposas.

PARA AS CALENDAS… – A prioridade a esse julgamento da blindagem geral seria obrigatória em qualquer país democrático. No Brasil do Pacto Sinistro, porém, vai ficar para as calendas, como se dizia antigamente. A prioridade de Toffoli é justamente ao contrário – quer julgar primeiro os recursos para cancelar as condenações da Lava Jato, soltar o ex-presidente Lula da Silva, junto com os outros políticos e empresários que cumprem pena, anular os inquéritos em curso e evitar a prisão de corruptos que ainda estão temporariamente fora da cadeia, como Michel Temer, Aécio Neves, Moreira Franco, Eliseu Padilha, Romero Jucá e muitos outros mais.

Este conluio entre os Três Poderes é uma novidade em país democrático, fruto do lobby mais bem estruturado que já se montou no Brasil, e não falta dinheiro para comprar consciências, inclusive na imprensa escrita, falada e televisada, como se dizia antigamente. Mas os militares que infestam o governo nada vêem e também fazem cara de paisagem, satisfeitos com a situação política, que lhes garante duplicidade de salários, altas mordomias, a sensação de poder e… o cartão corporativo, é claro.

PAUTA DE TOFFOLI – Em outubro, o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Dias Toffoli, deve colocar em pauta julgamentos do interesse dos criminosos, como os recursos que visam a anular as condenações do ex-juiz Sérgio Moro, questionam a constitucionalidade das prisões após condenação em segunda instância e discutem a validade da decisão da Segunda Turma que cancelou a sentença imposta por Moro a Aldemir Bendine, ex-presidente da Petrobras e do Banco do Brasil, aquele que “patrocinava “ a carreira artística da amante e alugava jatinho para lua-de-mel em Buenos Aires, tudo pago com dinheiro do Banco do Brasil, é claro.

E la nave va, cada vez mais fellinianamente.

STF aceita uso de fundo da Lava Jato para a Amazônia

Ministro Alexandre de Moraes homologou o acordo. Verbas também irão para a educação

Recursos serão usados na proteção da Amazônia Foto: Reprodução/Wikimedia Commons

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), homologou nesta terça-feira (17) o acordo que define a destinação dos recursos do fundo da Lava Jato para educação e proteção da Amazônia.

O acordo prevê que R$ 1,6 bilhão seja gasto com educação, sendo R$ 1 bilhão destinado ao Ministério da Educação para ações relacionadas à educação infantil e o restante divido entre o Programa Criança Feliz, bolsas de pesquisa, projetos de inovação e empreendedorismo e ações socioeducativas.

Para ações de prevenção, fiscalização e combate de desmatamento e incêndios florestais, será destinado R$ 1,06 bilhão do fundo da Lava Jato.

O fundo, criado a partir de acordo entre a Petrobras e a força-tarefa da Lava Jato, foi alvo de polêmica. Os valores, de cerca de R$ 2,6 bilhões, foram bloqueados por Moraes após a Procuradoria-Geral da República contestar sua criação, que seria gerido pela força-tarefa da Lava Jato.

Participaram do acordo sobre a destinação dos recursos a Procuradoria-Geral da República, a Advocacia-Geral da União, e os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado (DEM-AP).

*Folhapress/DANIELA LIMA