Em entrevista, mãe de Paulo Gustavo se emociona: “Corrupção mata; roubar na pandemia é assassinato”

Declaração foi exibida na noite deste domingo (9).

Reprodução | TV Globo

A mãe do ator e humorista Paulo Gustavo, em entrevista ao Fantástico, da Globo, neste domingo (9), se emocionou ao falar sobre a morte do filho.

O artista faleceu na última terça-feira (4), após quase dois meses meses internado, em decorrência da Covid-19.

Considerado o ‘rei’ da comédia, o carioca era um fenômeno no teatro e recordista de público nos cinemas. A cada lançamento, Paulo Gustavo constatava a força do seu humor, constantemente sucesso de bilheterias.

Ao falar sobre o período de internação, a mãe frisou que estava em fase de oração ininterrupta.

“Eu fiquei durante 53 dias rezando, pedindo a Deus que me desse força. A morte é uma coisa certa na vida da gente. A gente só espera que uma mãe vá na frente. Então, é muito duro”, disse Dona Déa.

“Não estou bem, mas eu sou capaz de rir. Eu quando conto, falo dele, eu conto as coisas, eu rio, porque ele detestava quando eu chorava”, prosseguiu.

Em determinado momento da conversa, ela desabafou: “Corrupção mata! Roubar na pandemia é assassinato!”.

A Dona Herminia, principal personagem do artista, foi inspirada justamente em Dona Déa.

Após uma longa batalha pela vida, Paulo Gustavo não resistiu e faleceu. Ele deixou o marido, o médico Thales Bretas, e dois filhos, de apenas 1 ano e meio. Romeu e Gael, nascidos em agosto de 2019.

MÚSICA – Tony Stevens – If You Could Remember

MÚSICA

Tony Stevens – If You Could Remember

Tony Stevens – If You Could Remember

Política externa estratégica de Biden busca criar uma “coexistência competitiva” com China

Ian Bremmer
Folha

O relacionamento entre Estados Unidos e China caminha para mais confrontos —tanto porque o tema é importante demais internamente para Joe Biden para que ele busque “resetar” a relação quanto porque o presidente americano (e, a bem da verdade, praticamente todo o espectro político do país) faz objeções sérias à visão de Pequim de como o mundo deve ser administrado.

No curto prazo, isso significa que os dois países continuarão a impor tarifas e sanções um ao outro. A questão, para o resto do mundo, é até onde a administração Biden vai impor esse relacionamento agressivo EUA-China a outros países, forçando-os a optar entre Pequim e Washington.

HAVERÁ PRAGMATISMO – Por sorte, a equipe da Casa Branca é composta de pessoas pragmáticas. Não faz muito tempo, a administração Trump pressionou fortemente outros países a eliminarem equipamentos chineses de suas redes 5G. Enquanto alguns cederam à pressão —mais notadamente o Reino Unido e outros aliados eternos dos EUA, como a Austrália—, a maioria evitou estrategicamente tomar essa decisão.

A não ser que você precise desesperadamente conservar-se nas boas graças de Washington por outros motivos importantes (o Reino Unido, por exemplo, precisa de um acordo de livre comércio e de boas relações comerciais com os EUA pós-brexit), aliar-se a uma das duas superpotências econômicas do mundo hoje, excluindo a outra, é algo a ser evitado e que limita suas possibilidades de jogar com uma ou com a outra, conforme a necessidade geopolítica do momento.

E há o fato de que a maioria dos países em desenvolvimento não tem o luxo de poder recusar dinheiro e tecnologia oferecidos por Pequim (boa parte deles por meio da iniciativa da Nova Rota da Seda) para melhorar a vida de seus cidadãos.

UM RISCO ENORME – Se Washington exigir que fazer negócios com os EUA requer que não se façam negócios com a China, correrá o risco de entregar boa parte do mundo de mão beijada a Pequim —o oposto do que precisa fazer neste momento geopolítico crítico.

A equipe de Biden tem consciência disso; ela está mais sintonizada com as visões que outros países têm dos EUA do que estava a administração Trump e compreende os limites de se tentar forçar países a tomar essas decisões difíceis.

Em vez disso, está levando os EUA de volta ao princípio fundamental do capitalismo: a concorrência. O objetivo maior de Washington é “coexistir competitivamente” com a China no maior número possível de países, para garantir que nenhum deles entre completamente na órbita de Pequim.

TUDO POR DINHEIRO – Os EUA reconhecem a necessidade de competir com a China na distribuição de recursos e investimentos aos países que mais os necessitam —e na América Latina, na Ásia, na África Subsaariana e na Europa, essas nações também já estão sendo cortejadas por Pequim.

Esses países podem nem sempre fazer o que Washington lhes pede em um ambiente tão competitivo, mas tampouco é garantido que farão o que a China lhes pedir.

Seguir essa política de “coexistência competitiva” será um desafio. A China é uma economia dirigida pelo Estado; isso significa que Pequim é capaz de empregar e direcionar empresas e recursos com mais eficiência e de maneiras que beneficiam diretamente os interesses nacionais. Mas os EUA ainda têm muito para oferecer se agirem estrategicamente na distribuição de assistência externa e de incentivos a empresas privadas para investirem em projetos em países importantes.

INFLUÊNCIA INSTITUCIONAL – E os EUA também podem utilizar sua influência para pressionar instituições multilaterais como o FMI a conceder empréstimos com termos favoráveis e com financiamento mais transparente do que os empréstimos oferecidos pelos chineses (isso sem mencionar o benefício adicional de fortalecer essas instituições multilaterais nesse próprio processo).

Já vimos países começarem a se afastar de certos projetos da Nova Rota da Seda, sinal de que alguns países destinatários começaram a reagir negativamente aos termos onerosos exigidos por Pequim para construir projetos que normalmente são de qualidade inferior aos das alternativas apoiadas pelo Ocidente.

Os setores americanos que adotam linha dura em relação à China vão fazer objeções à ideia de os EUA direcionarem dinheiro a países que também estão fazendo negócios com os chineses. Mas essa é a maneira equivocada de encarar o confronto.

BIDEN ESTÁ CONFIANTE – A administração Biden sente confiança na capacidade dos EUA de competir com a China no âmbito internacional, fazendo uso para isso dos pontos fortes particulares dos EUA.

Mais importante ainda, ela reconhece que é do interesse americano no longo prazo mostrar ao mundo por que é melhor formar parcerias com Washington que com Pequim, e não apenas simplesmente exigir que ele o faça.

Tradução de Clara Allain

Novas matrizes energéticas são vitais para acelerar crescimento da economia brasileira

600 Energia eólica

Terra do sol, dos rios e do vento, o Brasil é país privilegiado em energia

David Zylbersztajn
O Globo

Na véspera da recente Cúpula do Clima, o presidente americano, Joe Biden, apresentou um plano preconizando investimentos de US$ 2,3 trilhões, centrado na reconstrução da infraestrutura americana, em bases que definiu como um esforço transformacional que poderia criar “a mais resiliente e inovadora economia do mundo”.

O catálogo de medidas é imenso, como reconstrução de rodovias, pontes, reforma de aeroportos, substituição da canalização de chumbo no suprimento de água e diversas outras ações voltadas à criação de milhões de empregos em curto período de tempo e a incrementar a competitividade da economia americana no longo prazo.

AQUECIMENTO GLOBAL – Biden fez questão de ressaltar a transversalidade da questão do aquecimento global em todas as medidas propostas. Num planeta mais aquecido, tais transformações levariam a grandes avanços em pesquisa de tecnologias limpas e à melhoria da eficiência energética global.

O que se pode chamar de doutrina Biden traz de volta a relevância do papel do Estado como agente estimulador das políticas e ações de desenvolvimento econômico no enfrentamento dos impactos do aquecimento global, uma espécie de remake do capitalismo americano.

Simplificando, a descarbonização com a necessidade de geração de empregos associados a essa nova economia. E mais, caminhamos para a economia digitalizada e eletrificada, onde as fontes renováveis de energia exercerão um papel central no processo de transformação e de definição da economia do futuro. Um futuro hoje.

RÁPIDA ACELERAÇÃO – A transição energética, termo à la mode, assumiu uma velocidade em rápida aceleração na conjunção aquecimento global e pandemia. E a nova e agressiva postura do governo americano incorpora a dimensão ambiental como uma das principais ferramentas de desenvolvimento e semeadura de uma nova economia, onde retóricas até pouco tempo atrás e pejorativamente consideradas poéticas passam não só a liderar as tomadas de decisão, como se transformam no vetor do que se almeja ser um século XXI de forte desenvolvimento. Por analogia, impacto tão significativo como foi a predominância do petróleo no século XX.

No Brasil, ao menos no curto prazo, não podemos esperar uma transformação, mesmo que retórica, que se alinhe às grandes diretrizes acima descritas. Vivemos um paradoxo entre sermos potencialmente um dos principais atores dessa transformação e, ao mesmo tempo, termos um discurso oficial que pouco adere ao caminho do desenvolvimento moderno e sustentável.

FOI OPÇÃO NATURAL – Nossa matriz energética, por circunstâncias históricas, é uma das de menor emissão de gases de efeito estufa. Nosso parque de geração hídrica e o etanol se desenvolveram dadas as condições naturais e conjunturais em sua origem, e não por políticas voltadas à preservação ambiental.

Hoje, o Brasil se encaixa entre os melhores candidatos ao prêmio de protagonista em relação a um futuro sustentável em termos de emissões decorrentes da produção e uso de energia. Nosso desafio será planejar diante de um cenário de grande diversidade de possibilidades.

Nossa matriz elétrica se expande a partir de fontes renováveis cada vez mais competitivas, especialmente as energias eólica e solar. E, em futuro muito próximo, o hidrogênio verde, produto da eletrólise da água utilizando a eletricidade gerada a partir de fontes renováveis.

UM FUTURO MELHOR – Devemos ter em mente que o caminho da infraestrutura e as fontes renováveis de energia deverão ser os alavancadores do desenvolvimento brasileiro do século XXI, especialmente quanto à geração de empregos e ao desenvolvimento de novas tecnologias.

O que chamamos de transição energética para uma economia de baixo carbono é uma extraordinária oportunidade para um novo e moderno futuro para o Brasil.

Na era Bolsonaro, a “República das Alagoas” está de volta dividida entre Renan e Arthur Lira

Renan e Lira se tornaram inimigos cordiais na disputa por Alagoas

Felipe Frazão e Vera Rosa
Estadão

A eleição do deputado Arthur Lira (Progressistas), líder do Centrão, para a presidência da Câmara e a escolha do senador Renan Calheiros (MDB) como relator da CPI da Covid devolveram protagonismo à “República de Alagoas” no cenário nacional. Mais do que isso, transportaram para Brasília uma rivalidade que domina o Estado nos últimos anos.

À frente do Progressistas, a família de Lira desafia a cada eleição o domínio do clã Calheiros num dos Estados mais desiguais do País, famoso pelos destinos turísticos, mas que tem um dos piores Índices de Desenvolvimento Humano (IDHs) e sofre para se reerguer economicamente.

DE VOLTA AO PALCO – Desde o governo de Fernando Collor de Mello (1990-1992), o presidente que renunciou para não sofrer impeachment, Alagoas não figurava com tanto destaque nesse jogo do poder com reflexos não só no Congresso como no Palácio do Planalto. A força dos clãs Lira e Calheiros e a projeção do deputado e do senador se explicam pelo controle da máquina partidária do Progressistas e do MDB no Estado.

Agora, o confronto também está exposto na CPI da Covid. Lira sempre discordou da abertura da comissão parlamentar de inquérito. Disse várias vezes que a investigação é inoportuna e serve mais à “briga política e ideológica”. Para o presidente da Câmara, a CPI não tem efeitos imediatos, interpretação oposta à de Renan, que vê o governo cada vez mais pressionado a agir.

Na lista das divergências, mais uma se destaca: Lira apoia o presidente Jair Bolsonaro enquanto Renan é aliado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

EM LADOS OPOSTOS – Bolsonaro e Lula prometem se enfrentar na disputa de 2022 ao Palácio do Planalto. Mas onde estarão os dois alagoanos que foram alvo de investigações da Lava Jato? “Desde 2014, tenho tentado fazer aliança com Arthur Lira. Ele que não quer. Eu sempre quis que a gente subisse junto no palanque”, disse o relator da CPI ao Estadão.

No 1º de Maio, um sábado, os dois demonstraram descontração num almoço oferecido pela senadora Kátia Abreu (Progressistas-TO) a autoridades da República, em Brasília. A feijoada preparada por Moisés, marido de Kátia, animou o encontro e serviu para Renan se aproximar do antigo adversário.

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“Eu disse ao Arthur Lira que, no fundo, fiquei orgulhoso com a vitória dele. Torci pelo Baleia, mas a vitória do Lira é significativa. Foi a vitória da política”, afirmou Renan. “Sei o que é uma pessoa de Alagoas se tornar presidente da Câmara”, prosseguiu ele, que foi presidente do Senado por três períodos. Em fevereiro deste ano, o MDB de Renan ficou contra Lira e apoiou a candidatura de Baleia Rossi (SP). O deputado tinha o respaldo de Rodrigo Maia (DEM-RJ), que comandava a Câmara, mas perdeu a eleição no primeiro turno.

OUTROS PARTICIPANTES – Naquele Dia do Trabalho, o almoço na casa de Kátia reuniu também o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, o procurador-geral da República, Augusto Aras, e os ministros do Tribunal de Contas da União Bruno Dantas e Vital do Rêgo Filho, além do ex-presidente do TCU José Múcio Monteiro.

A conversa girou sobre CPI, economia, China e vacina, entre outros temas. Como não poderia deixar de ser, a sucessão de erros cometidos por Bolsonaro também se fez presente. “Falamos sobre tudo”, resumiu Renan. “Eles acham que eu sou terrorista, mas o Bin Laden lá é o Omar Aziz”, afirmou o senador, rindo, numa alusão ao presidente da CPI.

Questionado se Lira foi emissário de algum recado do Palácio do Planalto, o senador respondeu: Absolutamente, ninguém me pediu nada”. E o deputado, por sua vez, tem dito que Bolsonaro nunca lhe solicitou ajuda para a articulação política da CPI. “Não sou senador”, retruca ele, sempre que perguntado sobre o tema.

MAIS BRIGA EM 2022 – No xadrez político de Alagoas, o futuro dos grupos Lira e Calheiros vai se cruzar novamente em 2022. É que Renan Filho, já reeleito, terá de se licenciar do governo seis meses antes da eleição para disputar o Senado, como planeja. A ideia é que ele concorra à cadeira hoje ocupada por Fernando Collor (Pros), que flerta com Bolsonaro, mas é visto regionalmente como individualista.

Como o ex-vice-governador Luciano Barbosa (MDB) se elegeu prefeito de Arapiraca no ano passado, o presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Victor (Solidariedade), é o primeiro na linha sucessória. O deputado estadual é aliado de Lira. Dessa forma, Renan entregaria a máquina pública do Estado, influente nos 102 municípios, ao grupo rival.

É por isso que interessa aos Calheiros uma aproximação com os Lira. “O Palácio do Planalto fará qualquer lance para tirar forças do Renan e do filho dele, inclusive cedendo mais apoio a Lira ou a quem quer que seja. Do ponto de vista nacional, o presidente da Câmara tem mais força e vai capitalizar isso para tentar conquistar o governo do Estado, mesmo sem ser ele o candidato”, argumentou o cientista político Ranulfo Paranhos, professor da Universidade Federal de Alagoas.

Será que algum dia o ex-juiz Moro perdoará o STF pelas indignidades feitas contra ele?

Ex-ministro da Justiça, Sergio Moro

O Brasil deve muito a Moro, mas a força da corrupção fala mais alto

Carlos Newton

É muito citado o pensamento de Tom Jobim, que dizia: “Viver no exterior é bom, mas é uma merda; morar no Brasil é uma merda, mas é bom”. Outra inspiração dele era dizer: “O Brasil gosta de quem fracassa e odeia quem é bem sucedido”. E dava os exemplosdo amado Garrincha e do odiado Pelé.

Essa percepção de Tom se confirma no caso do ex-juiz Sérgio Moro, que enfrentou com desassombro a corrupção política e empresarial do país, tornou-se o magistrado mais importante e homenageado do mundo, mas de repente hoje é desprezado pela maioria dos brasileiros, pois quase não se vê quem o apoie, seja na mídia ou nas redes sociais.

NEM FREUD EXPLICA – O comportamento da opinião pública merece estudo profundo por sociólogos, psicólogos e antropólogos. A omissão, a inércia e a falta de reação contra o verdadeiro complô que se armou contra o ex-juiz federal são inaceitáveis, inexplicáveis e inacreditáveis.

De repente, Moro passou a ser o bandido, enquanto Lula da Silva agora posa de mocinho, diz ser inocente, perseguido político e outras cositas más.

Além da apatia da opinião, que considerou normais dois recentes julgamentos do Supremo –– um deles, descumprindo leis e regras processuais para anular os processos e condenações contra Lula, e o outro, também completamente fora da lei, para declarar a suspeição do então juiz Sérgio Moro. E ninguém reclama, ninguém diz nada, apenas a Tribuna da Internet mantém essa tocha acesa, para iluminar a crença de que deveriam existir juízes em Brasília.

SUSPEIÇÕES A VALER – Nesse imbroglio jurídico de cunho político, não faltam suspeições. Mas não se aplicam ao juiz Moro, um servidor concursado e sempre de conduta exemplar na defesa do interesse público.

As suspeições que abundam, mas não prevalecem, se aplicam a Fachin, um procurador que fazia campanha para o PT no Paraná; a Dias Toffoli, ex-funcionário do PT; a Ricardo Lewandowski, amigo da família de Lula; e Gilmar Mendes, cuja mulher, Guiomar, era íntima de Marisa Letícia e as duas costumavam assistir a shows juntas em Brasília.

Na forma da lei, esses ministros são suspeitos e não poderiam julgar nada que beneficiasse Lula. Portanto, o julgamento que declarou a suspeição de Moro devia ser nulo de pleno direito, até porque ele nem teve direito de defesa, com 15 dias para se manifestar, anexar documentos e indicar testemunhas, segundo o Código de Processo Civil, art. 146, parágrafo 1º.

“A Esperança não murcha, ela não cansa, e o mundo é uma ilusão completa”, dizia Augusto dos Anjos

O advogado, professor e poeta paraíbano Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos (1884-1914), mostra neste soneto que “A Esperança” é a panaceia para todos os sentimentos e momentos da vida.

A ESPERANÇA
Augusto dos Anjos

A Esperança não murcha, ela não cansa,
Também como ela não sucumbe a Crença.
Vão-se sonhos nas asas da Descrença,
Voltam sonhos nas asas da Esperança.

Muita gente infeliz assim não pensa;o mundo é uma ilusão completa,
No entanto o mundo é uma ilusão completa,
E não é a Esperança por sentença
Este laço que ao mundo nos manieta?

Mocidade, portanto, ergue o teu grito,
Sirva-te a crença de fanal bendito,
Salve-te a glória no futuro – avança!

E eu, que vivo atrelado ao desalento,
Também espero o fim do meu tormento,
Na voz da morte a me bradar: descansa!

Telegramas mostram que Ernesto mobilizou Itamaraty para garantir cloroquina, mesmo após alertas

Marcelo Camargo / Agência Brasil

Chanceler Ernesto Araújo colocou Itamaraty a serviço da cloroquina

Patrícia Campos Mello
Folha

O ex-chanceler Ernesto Araújo mobilizou o aparato diplomático do Brasil para garantir fornecimento de cloroquina ao país, mesmo após a Organização Mundial da Saúde ter interrompido testes clínicos com a droga e depois de associações médicas terem alertado para a ineficácia e o risco de efeitos colaterais.

Isso é o que revelam telegramas diplomáticos obtidos pela Folha e informações de pessoas envolvidas nas negociações. O ex-ministro, que pediu demissão no fim de março, será ouvido na CPI da Covid na próxima quinta (13), para explicar se houve prejuízo na aquisição de insumos e vacinas por causa da política externa de sua gestão.

POSSÍVEL CURA – A corrida do Itamaraty atrás da cloroquina começou pouco depois de o presidente Jair Bolsonaro falar em “possível cura para a doença” em suas redes sociais, em 21 de março do ano passado.

Hospital Albert Einstein e a possível cura dos pacientes com Covid-19. Agora há pouco os profissionais do hospital Albert Einstein me informaram que iniciaram um protocolo de pesquisa para avaliar a eficácia da cloroquina nos pacientes com Covid-19“, escreveu ele.

Um dia antes, a Prevent Senior e o hospital Albert Einstein haviam anunciado que tinham iniciado estudos com o medicamento. Em declaração durante reunião do G-20, em 26 de março, relatada em telegrama, Bolsonaro apontou para “testes bem-sucedidos, em hospitais brasileiros, com a utilização de hidroxicloroquina no tratamento de pacientes infectados pela Covid-19, com a possibilidade de cooperação sobre a experiência brasileira”.

IMPORTAÇÃO DE INSUMOS – No mesmo dia, mesmo não existindo nenhum “teste bem-sucedido” em hospitais brasileiros, o ministério das Relações Exteriores pediu, em telegrama, que os diplomatas tentassem “sensibilizar o governo indiano para a urgência da liberação da exportação dos bens encomendados pelas empresas antes referidas [EMS, Eurofarma, Biolab e Apsen] e outras que se encontrem em igual condição, cujo desabastecimento no Brasil teria impactos muito negativos no sistema nacional de saúde”. Na época, o governo indiano havia restringido a exportação da cloroquina.

Em outra comunicação, no dia 15 de abril, o ministério pede que a embaixada na Índia faça gestões junto ao governo indiano para liberar uma carga de hidroxicloroquina comprada pela empresa Apsen antes de a exportação ser vetada por Déli e para que a venda da droga seja normalizada.

Durante todo o mês de abril, houve inúmeros pedidos do Itamaraty para obtenção de cloroquina —defendida por Bolsonaro como “cura” para a Covid-19.

PEDIDO DO ITAMARATY – Um dos telegramas, por exemplo, afirma que o Itamaraty teria pedido à Organização Pan-Americana de Saúde que entrasse em contato com o governo indiano para conseguir a liberação de um lote de milhões de doses de hidroxicloroquina.

Em outro, datado de 24 de abril, o ministério pede apoio para uma farmacêutica brasileira conseguir importar sulfato de hidroxicloroquina e relata que ela forneceria habitualmente para “FURP [Fundação para o Remédio Popular], Fiocruz, LAQFA [Laboratório Químico-Farmacêutico da Aeronáutica] e Laboratório do Exército”. Na comunicação, o ministério pede à embaixada que sejam feitas gestões junto ao governo indiano para liberar a carga.

APESAR DE TUDO… – Mesmo depois de a Sociedade Brasileira de Infectologia, a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia e a Associação de Medicina Intensiva Brasileira desaconselharem o uso da cloroquina contra a Covid e apontarem efeitos colaterais graves, em 19 de maio, o Itamaraty continuou acionando o corpo diplomático, em telegramas em junho, para garantir o fornecimento de hidroxicloroquina.

Já o empenho do Itamaraty para garantir vacinas e medicamentos da China foi muito menor do que o dedicado à cloroquina. Até novembro de 2020, o ministério não havia enviado instruções específicas para diplomatas prospectarem potenciais fornecedores de vacinas ou medicamentos na China, segundo pessoas envolvidas em negociações.

Ritmo de vacinação contra a Covid-19 no Brasil é mais que o dobro da média mundial

vacina

Ritmo da vacinação na média mundial é de apenas 3,8%¨já vacinados

José Carlos Werneck

A vacinação no Brasil, ao contrário do que alguns órgãos de comunicação vêm divulgando, não está “parada” ou segue “a passos lentos”. Os números desmentem isso, mostrando que essas informações errôneas são uma espécie de fake news. Segundo a plataforma independente de monitoramento vacinabrasil.org, o País aplicou ao menos uma dose em mais de 35 milhões de pessoas, ou 16,5% da população brasileira.

Isso equivale a mais que o dobro da média mundial de 8,11%, registrada no portal Our World in Data.

DUAS DOSES – Quando se fala em pessoas 100% vacinadas, são aquelas que já tomaram duas doses. O Brasil tem cerca de 18 milhões vacinados, ou 8,4%,  enquanto a média mundial é de 3,82%.

Se Brasil tem 8,4% da população imunizada, a rica Alemanha imunizou 8,78%, mesmo tendo começado a vacinar quase um mês antes.

A campanha no Brasil também segue ritmo melhor que a América do Sul, que tem média de só 6,25% da população completamente imunizada.

NO CAMINHO CERTO -Há cidades brasileiras já vacinando pessoas abaixo dos 60 anos mesmo que elas não tenham comorbidades.

Embora estejamos agora no caminho certo, a população não deve deixar de continuar cobrando a compra de mais vacinas, pois o País precisa, urgentemente, imunizar pessoas de todas as faixas etárias.

Não se pode esquecer que os jovens também correm sérios riscos, pois muitos deles, por razões diversas, não foram autorizados a continuar em “home office” e continuam expostos ao vírus.

FALTAM VACINAS – O mundo inteiro precisa de mais vacinas, não apenas o Brasil. E em muitos países estão faltando doses de imunizantes, o que, até agora, não tem acontecido aqui. Ao contrário, a média alcançada (que merece ter todo o destaque) é muito maior do que a da esmagadora maioria dos países, inclusive daqueles fabricantes de vacinas, como é o caso do Reino Unido.

Há duas projeções feitas por conhecidas e abalizadas instituições financeiras, o Credit Suisse e a XP Investimentos, que fizeram projeções (cada instituição promoveu a sua) sobre a vacinação no país. O resultado foi muito parecido: uma afirma que no final de setembro toda a população adulta brasileira (acima dos 18 anos) estará vacinada; a outra projeta este resultado para final de outubro.

São instituições que não têm qualquer vinculação com o Governo Federal.

“CPI: uma vitrine de marginais, antigos e novos…”. Por Paulo Telles

*Por Paulo Telles — Quem possui a chave do cofre já poderia ter resolvido o desfile de marginais com carteiras de sócios remidos da marginalidade política brasileira.

O único empecilho é o pequeno estado da terra dos marechais, Alagoas. Nele os dois caciques Renan Calheiros e Artur Lira, disputam a ferro e a fogo a hegemonia política local.

Se Bolsonaro conseguir essa trégua, até Pazuello irá ganhar o prêmio de oratória e racionalidade.

Os políticos derrubaram a Lava Jato e hoje os brasileiros assistem perplexos a volta do Lula, Geddel Vieira, Eduardo Cunha, etc. Todos livres, leves e soltos.

Arroubos ufanistas com o momento político atual é uma demonstração irracional da realidade. Ninguém se salva, do Oiapoque ao Chuí, todos contribuíram para essa zona atual, até os eleitores que não souberam votar.

Escolher o menos ruim é impossível, esse não tem votação, a grande maioria foi contaminada pelo vírus do maniqueísmo global e acéfalo.

Alguns preferem, até exaltam, o nome do Mourão, entretanto quem conseguirá resistir a um Congresso Nacional corrompido e um STF milionário facilitador de sentenças?

Ainda nos falta a Educação, o vetor principal para todos os nossos problemas.

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*Paulo Telles é geólogo, com especialização em Geotecnia. Nas horas vagas, arrisca-se a contemplar a vida , sem os pés no chão e com a cabeça no infinito.

Paulo Telles