Ciro lança campanha nessa sexta e já tem slogan

Do Congresso em Foco

O pré-candidato à Presidência da República pelo PDT, Ciro Gomes, divulgou nesta quarta-feira (19), no seu perfil no Twitter, o que deverá ser o seu slogan na campanha pelo Palácio do Planalto em outubro. Pelo que divulgou, Ciro pretenderá explorar o que, em outros momentos, foi visto como uma fragilidade: o seu temperamento explosivo, que passaria a ser interpretado agora mais como forte franqueza no trato das questões do país.

A ideia de que, em um momento em que a democracia vê-se ameaçada por posições extremadas vindas do governo de Jair Bolsonaro, é preciso alguém de pulso forte e temperamento mais decidido para confrontá-lo.

O slogan divulgado por Ciro Gomes é “A rebeldia da esperança”. “A ansiedade é tanta que decidi antecipar esta logomarca para vocês. Esta frase é mais que um slogan, é o lema da minha vida! Há mais surpresas na sexta. Vamos que vamos!”, escreveu Ciro.

Ciro – a rebeldia da esperança’ é o slogan da campanha do pedetista

Na verdade, a estratégia de Ciro de se antecipar tem relação também com algumas vacilações no PDT diante do fato de que o candidato não decola como se esperava nas pesquisas. Há alguns dias, setores do partido chegaram a cogitar adiar o lançamento da pré-candidatura, marcada para esta sexta-feira (21), em Brasília.

O lançamento está confirmado. Mas o eventualmente, por conta da Covid-19, não será totalmente presencial, como se cogitava inicialmente. Será um evento híbrido. E Ciro antecipa-se para, desde já, ir criando um ambiente para que o evento cresça em importância.

Na última pesquisa do Instituto Ipespe, divulgada no dia 14 de janeiro, Ciro Gomes aparece com 7% das intenções de voto, atrás de Sergio Moro, do Podemos, que aparece com 9%.

Elza Soares morreu no mesmo dia que Garrincha, após 39 anos

Cantora foi casada com atleta por 17 anos: “O maior amor da minha vida”

Elza Soares e Garrincha, em 1965
Elza Soares e Garrincha, em 1965 Foto: Reprodução / Youtube

A cantora Elza Soares morreu no mesmo dia que o seu ex-marido, o jogador Garrincha, passados exatos 39 anos. O astro do futebol faleceu aos 49 anos, em 20 de janeiro de 1983, também em uma quinta-feira. O casal manteve um relacionamento intenso e conturbado por 17 anos.

A morte de Garrincha decorreu de lesões no fígado e pâncreas, devido ao seu alcoolismo. Elza, por sua vez, viveu até seus 91 anos, partindo nesta quinta-feira (20) por causas naturais.

O casal começou a se relacionar quando Garrincha ainda era casado, fato que rendeu críticas por parte da sociedade na época. Eles oficializaram o namoro em 1963 e trocaram alianças em 1966.

No decorrer do casamento, Elza e Garrincha tiveram um único filho, Manoel Francisco dos Santos Júnior, que morreu em acidente de carro, aos 10 anos de idade.

Além desta grande tristeza, o casal colecionou episódios de agressões e tumultos, que tempos depois foram atribuídas ao alcoolismo de Garrincha. Eles se separaram em 1982, mas mesmo passados muitos anos, Elza nunca esqueceu do antigo amor.

– Eu sonho muito com o Mané. O maior amor da minha vida foi ele – disse ela, em conversa com Pedro Bial, em 2018.

Durante a entrevista, ela também recordou que Garrincha lhe prometeu o título da Copa de 1962.

– Ele me prometeu e disse: “Olha criola, essa Copa eu vou dar pra você, vou fazer gol pra você”.

Elza morreu em sua casa, no Rio de Janeiro, e a notícia foi dada por sua assessoria.

– É com muita tristeza e pesar que informamos o falecimento da cantora e compositora Elza Soares, aos 91 anos, às 15 horas e 45 minutos em sua casa, no Rio de Janeiro, por causas naturais.

“A próxima pandemia vai ser mais mortal”, prevê Bill Gates

Magnata defende que países se unam para preparar o mundo para uma nova epidemia

bill gates
Bill Gates durante o Global Investment Summit (GIS) Foto: EFE/EPA / Hollie Adams

O magnata e empresário Bill Gates pediu que filantropos e países ricos contribuam com milhões para preparar o mundo para a próxima pandemia. Na avaliação do fundador da Microsoft, a epidemia global que virá após a Covid-19 será ainda mais mortal.

– Quando se trata de gastar bilhões para salvar trilhões em danos econômicos e dezenas de milhões de vidas, eu diria que é uma apólice de seguro muito boa – disse Gates, em entrevista ao Financial Times.

Esta não é a primeira vez que o bilionário faz previsões sobre a saúde global. Antes do surgimento da Covid-19, ele já havia alertado sobre os riscos de uma pandemia. Hoje, ele considera que as variantes Delta e Ômicron são alguns dos vírus mais transmissíveis já vistos, mas que o mundo deve estar preparado para um patógeno ainda pior.

– Foi o dinheiro em risco que fez com que os testes ocorressem. Portanto, houve um enorme benefício global. Estamos todos muito mais inteligentes agora. E precisamos de mais capacidade para a próxima vez – acrescentou ele.

Pensando nisso, a Fundação Bill & Melinda Gates e o Welcome Trust, do Reino Unido, decidiram doar um total de 300 milhões de dólares para a organização filantrópica que ajudou a criar o Covax Facility, programa de distribuição de vacinas anticovid da OMS.

A organização, chamada Coalition for Epidemic Preparedness Innovations (Cepi), pretende arrecadar 3,5 bilhões de dólares para reduzir o tempo de criação de vacinas para 100 dias.

Zé Dirceu revela plano do PT para o Brasil: ‘Projeto socialista’

Aliado de Lula defendeu vitória do partido ao poder

Ex-ministro José Dirceu diz PT irá implementar “projeto socialista” no Brasil Foto: Fotos Públicas/Lula Marques

Voltou a circular uma entrevista do petista José Dirceu em que ele revela os objetivos do Partido dos Trabalhadores com uma eventual vitória nas eleições deste ano. Segundo Dirceu, o retorno do partido ao poder irá facilitar a criação de “bases para o nosso projeto socialista”.

– No momento histórico que estamos vivendo, no período histórico que não é revolucionário – apesar de na América do Sul [ter havido] levantes populares […] -, há uma situação de equilíbrio de correlação de forças […]. Nós voltamos a ter governos progressistas, esse é o período que nós estamos vivendo. O projeto político nosso é disputar eleições e ganhar, e defender os interesses da classe trabalhadora, os interesses nacionais, evidentemente criar as bases para o nosso projeto socialista – disse o ex-ministro do governo Lula ao site Opera Mundi, em dezembro do ano passado.

Em seguida, o político passa a defender as medidas que um governo “socialista” deve adotar para manter seu viés ideológico sobre o Estado. Ele afirmou que as ações serviriam para viabilizar uma “mudança de regime”.

– Quando você mantém as estatais, mantém os bancos públicos, cria uma economia solidária, democratiza as relações de poder em todos os âmbitos, não só do Estado, mas inclusive das empresas e também da sociedade; quando você cria empresas mistas e o país volta a ter soberania sobre a política econômica dele – com essa abertura financeira, […] a economia brasileira daqui a pouco está dolarizada – você está criando as bases para uma mudança no regime. É isso o que eu posso dizer, é assim que eu vejo – afirmou.

A entrevista de Zé Dirceu foi relembrada pelo deputado federal Marcel Van Hattem (Novo).

– Tudo com o único intuito: seguir saqueando estatais, assim como fizeram com a Petrobras. Os escândalos do mensalão e do petrolão, capitaneados pelo PT, são a prova de que o Estado não deveria ter o controle sobre as estatais, pois abre-se um caminho fácil para a corrupção.

Covid: Djokovic compra 80% de empresa que estuda tratamento

Tenista investiu em empresa dinamarquesa que desenvolve remédio contra o coronavírus

Novak Djokovic virou sócio majoritário de empresa que estuda tratamento para Covid Foto: EFE/EPA/Diego Fedele

Novak Djokovic voltou ao noticiário nesta quarta-feira (19). Desta vez sem qualquer relação com tênis ou vacinas, mas ainda no tema da pandemia. O tenista sérvio foi apontado como cofundador e sócio majoritário da QuantBioRes, empresa dinamarquesa de biotecnologia que pretende criar um remédio para tratar a Covid-19.

A empresa foi criada em junho de 2020, ainda na parte inicial da pandemia. Mas a informação sobre a participação do número 1 do mundo só veio à tona nesta quarta em entrevistas do diretor da companhia, Ivan Loncarevic, às agências internacionais.

Ele revelou que o tenista e sua esposa, Jelena Djokovic, detêm juntos 80% da QuantBioRes. Loncarevic não revelou o valor investido pela família na empresa. De acordo com a revista Forbes, o tenista ganhou US$ 34,5 milhões (cerca de R$ 190 milhões) ao longo da temporada passada, entre premiações e patrocínios.

A empresa criada na Dinamarca tem cerca de 12 pesquisadores, que atuam também em outros países, como Reino Unido, Eslovênia e Austrália. De acordo com Loncarevic, o objetivo da companhia é desenvolver medicamentos contra vírus e bactérias resistentes. E a Covid-19 se tornou o principal alvo da equipe, que não trabalhará com vacinas.

Os primeiros remédios específicos contra a Covid-19 no mundo estão perto de serem lançados, nos próximos meses. O mais conhecido é o Paxlovid, da Pfizer. Mas os custos serão bem mais elevados do que as vacinas. O tratamento com este medicamento pode chegar a US$ 530 (cerca de R$ 2.880). No caso dos imunizantes, as doses custam cerca de US$ 10 (R$ 54,30).

Djokovic protagonizou uma das maiores polêmicas da história do tênis nos últimos dias ao ser deportado da Austrália e retirado da chave do primeiro Grand Slam do ano porque não tomou a vacina contra a Covid-19. A polêmica durou 11 dias, entre sua chegada e a saída do país, no domingo (16), após dois cancelamentos do seu visto e dois julgamentos na Justiça local.

O sérvio tentou entrar na Austrália sem apresentar o comprovante de vacinação, após obter uma “permissão médica especial” junto ao governo estadual e a Tennis Australia, a federação australiana de tênis. A questão mobilizou o governo federal e até gerou uma crise diplomática entre a Austrália e a Sérvia. Agora Djokovic corre o risco de não poder entrar no país da Oceania pelos próximos três anos.

*AE

Morre, aos 91 anos, a cantora e compositora Elza Soares

Artista faleceu nesta quinta-feira, em sua casa no Rio de Janeiro

Elza Soares Foto: Francisco Cepeda / AgNews

Morreu, nesta quinta-feira (20), a cantora e compositora Elza Soares. Ela tinha 91 anos de idade.

A notícia foi dada por familiares, nas redes sociais.

– É com muita tristeza e pesar que informamos o falecimento da cantora e compositora Elza Soares, aos 91 anos, às 15 horas e 45 minutos em sua casa, no Rio de Janeiro, por causas naturais – informou um comunicado assinado por Pedro Loureiro, Vanessa Soares, familiares e Equipe Elza.

A nota destaca ainda que Elza era um ícone da música brasileira.

– Ícone da música brasileira, considerada uma das maiores artistas do mundo, a cantora eleita como a Voz do Milênio teve uma vida apoteótica, intensa, que emocionou o mundo com sua voz, sua força e sua determinação. A amada e eterna Elza descansou, mas estará para sempre na história da música e em nossos corações e dos milhares fãs por todo mundo. Feita a vontade de Elza Soares, ela cantou até o fim – destaca o texto.

Fãs e artistas lamentaram o falecimento. Usuários das redes sociais lembraram que o jogador de futebol Garrincha, que foi casado com Elza e morreu em 20 de janeiro de 1983.

Moro busca alianças com União Brasil, Cidadania, Novo e PSDB, para formar uma federação

Sérgio Moro

Charge do Duke (Arquivo Google)

Lauriberto Pompeu
Estadão

Em busca de alianças políticas que possam turbinar a campanha do ex-ministro Sérgio Moro (Podemos), a presidente do Podemos, deputada Renata Abreu (SP), se reuniu no fim de semana com o Cidadania para discutir a formação de uma federação partidária, uma das novidades desta eleição.

Caso confirmada, a união garantiria a primeira legenda na coligação de Moro, ampliando recursos e tempo de TV. O Podemos é considerada uma sigla pequena, com apenas a 12a. maior fatia do fundo eleitoral neste ano, de R$ 229 milhões.

UMA FRENTE AMPLA – Em entrevista a uma rádio da Bahia nesta segunda-feira, 17, Moro confirmou que busca alianças com Cidadania, Novo, União Brasil e PSDB, mas deixou claro que ainda não há definições. “Não existe governo de um partido só. A gente quer fazer uma grande aliança nacional entre partidos, mas também com a sociedade civil, em cima de um projeto que faça sentido”, afirmou.

O movimento do Podemos acontece depois de o Cidadania também abrir conversa para formar federação com o PSDB, que tem o governador de São Paulo, João Doria, como pré-candidato a presidente.

Diferentemente das coligações – proibidas nas eleições proporcionais já em 2020 -, as federações vão muito além da disputa eleitoral: criam uma “fusão” temporária entre as siglas envolvidas, que precisam permanecer unidas por pelo menos quatro anos.

DISSE FREIRE – O presidente do Cidadania, Roberto Freire, afirmou que no encontro com Renata Abreu, no último sábado, 15, os dois ficaram de discutir a ideia de uma união internamente nas legendas.

De acordo com o dirigente do Cidadania, se a aliança for confirmada a sigla retiraria a pré-candidatura do senador Alessandro Vieira ao Palácio do Planalto. “Na possibilidade de uma federação com um partido que tem candidato a presidente, você está assumindo que aquela será a candidatura sua também se você aprovar”, afirmou.

Tanto o Cidadania, com sete deputados, e o Podemos, com 11, estão ameaçados de ficarem sem o fundo partidário e o tempo de propaganda de rádio e televisão. A cláusula de desempenho determina que os partidos precisarão eleger pelo menos 11 deputados federais em 2022 para ter acesso aos recursos.

INDEFINIÇÃO – Segundo o dirigente partidário, o Cidadania precisa decidir se vai formar federação com o PSDB, com o Podemos ou se não vai formar com nenhum partido. Nas últimas semanas, Freire também tem conversado com o presidente do PSDB, Bruno Araújo.

O pré-candidato Alessandro Vieira evitou se posicionar e disse que vai aguardar o assunto ser debatido pela Executiva Nacional do Cidadania. “É preciso definir as condições, em especial nos palanques regionais”, declarou.

No Distrito Federal, os senadores Reguffe (Podemos) e Leila Barros (Cidadania) são pré-candidatos ao governo. Já em relação à união com os tucanos, na Paraíba o PSDB faz oposição ao governador João Azevedo (Cidadania).

REQUER APROVAÇÃO – Para ser chancelada, a federação precisa ser aprovada pelas executivas e diretórios nacionais das legendas envolvidas. O processo também envolve a elaboração de um programa partidário comum. O novo instrumento foi aprovado pelo Congresso no ano passado e virou uma alternativa às coligações, que deixaram de existir.

A modalidade é mais rigorosa que a regra anterior porque exige que a união permaneça por no mínimo quatro anos e seja reproduzida também nos estados. Nas coligações, as alianças poderiam ser desfeitas a qualquer momento e não havia exigência de unidade em todos os estados.

Além do Cidadania, outro partido que Doria e Moro disputam é o União Brasil, que é a fusão do DEM com o PSL.

O eterno drama dos flagelados da seca, na visão poética e realista de Patativa do Assaré

Imagem analisada visualmente

Patativa do Assaré, nome artístico de Antônio Gonçalves da Silva (1909-2002), por ser natural da cidade de Assaré, no Ceará, foi um dos mais importantes representantes da cultura popular nordestina. Com uma linguagem simples, porém poética, destacou-se como compositor, improvisador, cordelista e poeta, conforme podemos perceber no poema “Dois Quadros”, que mostra o cotidiano do nordestino em busca de melhores condições de vida.

DOIS QUADROS
Patativa do Assaré

Na seca inclemente do nosso Nordeste,
O sol é mais quente e o céu mais azul
E o povo se achando sem pão e sem veste,
Viaja à procura das terra do Sul.

De nuvem no espaço, não há um farrapo,
Se acaba a esperança da gente roceira,
Na mesma lagoa da festa do sapo,
Agita-se o vento levando a poeira.

A grama no campo não nasce, não cresce:
Outrora este campo tão verde e tão rico,
Agora é tão quente que até nos parece
Um forno queimando madeira de angico.

Na copa redonda de algum juazeiro
A aguda cigarra seu canto desata
E a linda araponga que chamam Ferreiro,
Martela o seu ferro por dentro da mata.

O dia desponta mostrando-se ingrato,
Um manto de cinza por cima da serra
E o sol do Nordeste nos mostra o retrato
De um bolo de sangue nascendo da terra.

Porém, quando chove, tudo é riso e festa,
O campo e a floresta prometem fartura,
Escutam-se as notas agudas e graves
Do canto das aves louvando a natura.

Alegre esvoaça e gargalha o jacu,
Apita o nambu e geme a juriti
E a brisa farfalha por entre as verduras,
Beijando os primores do meu Cariri.

De noite notamos as graças eternas
Nas lindas lanternas de mil vagalumes.
Na copa da mata os ramos embalam
E as flores exalam suaves perfumes.

Se o dia desponta, que doce harmonia!
A gente aprecia o mais belo compasso.
Além do balido das mansas ovelhas,
Enxames de abelhas zumbindo no espaço.

E o forte caboclo da sua palhoça,
No rumo da roça, de marcha apressada
Vai cheio de vida sorrindo, contente,
Lançar a semente na terra molhada.

Das mãos deste bravo caboclo roceiro
Fiel, prazenteiro, modesto e feliz,
É que o ouro branco sai para o processo
Fazer o progresso de nosso país.

Mesmo sem filiar Alckmin, PSB se reúne com PT para cobrar palanques pelo apoio a Lula

Após reunião, presidente do PSB diz que Alckmin "demonstrou interesse"

Carlos Siqueira, do PSB, ainda aguarda a resposta de Lula

Andréia Sadi
G1 Brasília

O presidente do PSB, Carlos Siqueira, e a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, têm um encontro marcado nesta quinta-feira (20), em Brasília, para discutir ajustes em palanques estaduais em troca de apoio formal à chapa do ex-presidente Lula à Presidência da República.

Siqueira disse ao blog que, desde que o partido apresentou demandas por apoio a palanques estaduais — como São Paulo, Espírito Santo e Pernambuco —, o PT não só não deu resposta como avançou publicamente com anúncios de pré-candidaturas. Entre elas, ele cita a de Fernando Haddad (SP), Humberto Costa (PE) e Fabiano Contarato (ES).

DISSE A LULA – Na reunião prevista para quinta-feira, Siqueira vai repetir o que já disse pessoalmente pelo menos duas vezes ao ex-presidente Lula: “Já falei ao Lula que o PT precisa decidir se quer disputar pelo país [contra] um de seus principais aliados ou se quer a nossa ajuda para ganhar a eleição”.

O PSB quer ter candidatos em alguns estados onde o PT argumenta ter vantagem nas pesquisas, como São Paulo. “Nosso critério não é pesquisa, se fosse assim a gente apoiaria ACM Neto na Bahia e não Jacques Wagner. Nosso critério é critério político. Outra coisa: a vida não é só eleição, tem o governo depois”.

Na reunião desta quinta, também estará na pauta o ingresso de Geraldo Alckmin no PSB para compor a vice na chapa de Lula. Siqueira disse ao blog, no entanto, que até agora não recebeu resposta de Alckmin sobre o ingresso no partido.

APENAS CONVITE – “Convidei Alckmin a ingressar no PSB no dia 13 de dezembro, ele não é do PSB ainda, fiz o convite mesmo ele não sendo uma pessoa com perfil de esquerda, mas entendendo que o momento pede essa discussão mais ao centro. Ele tem muitos amigos de esquerda aqui, incluindo eu, mas ainda não nos deu resposta”.

Perguntado se existe alguma reunião prevista com Alckmin, Siqueira disse que não: “Sei que está conversando com outros partidos, ele vai decidir para onde vai. E, enquanto isso, temos que cuidar da nossa vida”.

Petistas que acompanham as negociações a respeito da chapa Lula-ALckmin afirmaram ao blog que um novo encontro entre os dois está sendo costurado para acontecer ainda em janeiro, antes da viagem de Lula para o México.

RACISMO DE NEGROS CONTRA BRANCOS GANHA FORÇA COM IDENTITARISMO. Por Antonio Risério (Folha de S.Paul0)


Por Antonio Risério
(Folha de S.Paul0)

Todo o mundo sabe que existe racismo branco antipreto. Quanto ao racismo preto antibranco, quase ninguém quer saber. Porém, quem quer que observe a cena racial do mundo vê que o racismo negro é um fato.

A universidade e a mídia norte-americanas insistem no discurso da inexistência de qualquer tipo de “black racism”. Casos desse racismo se sucedem, mas a ordem-unida ideológica manda fingir que nada aconteceu.

OPRIMIDO E OPRESSOR – O dogma reza que, como pretos são oprimidos, não dispõem de poder econômico ou político para institucionalizar sua hostilidade antibranca. É uma tolice. Ninguém precisa ter poder para ser racista, e pretos já contam, sim, com instrumentos de poder para institucionalizar o seu racismo.

A história ensina: quem hoje figura na posição de oprimido pode ter sido opressor no passado e voltar a ser no futuro. Muçulmanos escravizaram e mataram multidões de pretos durante séculos de tráfico negreiro na África.

No entanto, a visão atualmente dominante, marcada por ignorância e fraudes históricas, quando não pode negar o racismo negro, argumenta que o racismo branco do passado desculpa o racismo preto do presente. Mas o racismo é inaceitável em qualquer circunstância. A universidade e a elite midiática, porém, negaceiam.

ATAQUES NO METRÔ – Em “Coloring the News”, William McGowan lembra uma série de ataques racistas de pretos contra brancos no metrô de Washington. Em um deles, um grupo de adolescentes negros gritava: “Vamos matar todos os brancos!”. O Washington Post, contudo, não tratou o conflito como conduta racial criminosa e sim como “confronto de duas culturas”.

McGowan sublinha que a recusa em reconhecer a realidade do racismo antibranco é particularmente evidente na cobertura midiática de crimes de pretos contra brancos.

De nada adianta a motivação racial ser ostensiva, como no caso de ataques a idosos brancos no Brooklyn, quando um membro da gangue preta declarou: “Fizemos um acordo entre nós de não roubar mulheres pretas. Só pegaríamos mulheres brancas. Foi um pacto que todos fizemos. Só gente branca”.

ATAQUES RACIAIS – O “detalhe” não foi mencionado nas reportagens do jornal The New York Times, e a postura foi a mesma quando três adolescentes brancos foram atacados por uma gangue de jovens pretos no Michigan. Os rapazes pretos curraram a moça branca e fuzilaram um jovem branco.

O New York Times não indigitou o caráter racial do crime e o relegou a uma materiazinha de um só dia. Se os papéis fossem invertidos, uma gangue de jovens brancos currando uma mocinha preta e assassinando um jovem negro, o assunto seria explorando amplamente —e  em mais de uma reportagem. Lá, como aqui, o “double standard” midiático é um fato.

Merece destaque o racismo preto antijudaico, que não é de hoje. Em Crown Heights, no verão de 1991, os pretos promoveram um formidável quebra-quebra que se estendeu por quatro dias, durante o qual gritavam “Heil Hitler” em frente a casas de judeus.

JUSTIFICATIVA – Mas a elite midiática, do New York Times à ABC, contornou sistematicamente o racismo, destacando que séculos de opressão explicavam tudo.

Vemos o racismo negro também contra asiáticos. Na história racial de Nova York, negros aparecem tanto como vítimas quanto como agressores criminosos. Judeus e asiáticos, ao contrário, quase que só se dão mal.

Em um boicote preto a um armazém do Brooklyn, cujos proprietários eram coreanos, os pretos foram inquestionavelmente racistas. Diziam aos moradores do bairro que não comprassem coisas de “pessoas que não se parecem com nós” e chamavam os coreanos de “macacos amarelos”.

VÍTIMAS COREANAS – Curiosamente, por mais de três meses, a grande mídia não deu a menor atenção ao boicote. Um jornalista do New York Post denunciou: “Se fosse boicote da Ku Klux Klan a um armazém de um negro, logo se tornaria assunto nacional. Por que as regras são outras quando as vítimas são coreanas?”.

Não são poucos, de resto, os comerciantes coreanos que perderam a vida em enfrentamentos com “consumidores” negros. Há casos de militantes pretos extorquindo amarelos. Extorsão e violência racistas, é claro.

Sob a capa do discurso antirracista, o racismo negro se manifesta por meio de organizações poderosas como a Nação do Islã, supremacista negra, antissemita e homofóbica. Discípula, de resto, de Marcus Garvey —admirador de Hitler (seu antissemitismo chegou a levá-lo a procurar uma parceria desconcertante com a Ku Klux Klan) e de Mussolini—, que virou guru de Bob Marley e do reggae jamaicano, fiéis do culto ao ditador Hailé Selassié, o Rás Tafari, suposto herdeiro do Rei Salomão e da Rainha de Sabá.

VERSÃO TROPICAL – A propósito, a Frente Negra Brasileira, na década de 1930, não só fez o elogio aberto de Hitler, inclusive tratando Zumbi como um “Führer de ébano”, como apoiou o Estado Novo de Getúlio Vargas, versão tristetropical do fascismo italiano —e o próprio Abdias do Nascimento, guru de nossos atuais movimentos negros, foi militante integralista.

O líder da Nação do Islã, Louis Farrakhan, sempre exibiu também um franco e ostensivo racismo antijudaico. Hoje, o Black Lives Matter pede a morte dos judeus em manifestações públicas.

Em um artigo recente no jornal Le Monde (“Biden, au coeur du combat identitaire”), Michel Guerrin sublinhou que o “antissemitismo está bem presente no poderoso movimento Black Lives Matter”.

RADICALIZAÇÃO – A turma discursa contra o “genocídio” palestino, “organiza manifestações onde podemos ouvir ‘matem os judeus’, é próxima do líder da Nação do Islã, Louis Farrakhan, que fez o elogio de Hitler, e tem como cofundadora da sua seção em Toronto, Canadá, Yusra Khogali, que praticamente chegou a pedir o assassinato de brancos”.

O racismo antijudaico de pretos pobres dos guetos pode contar com alguma pequena motivação cotidiana, mas o que pesa mesmo é o antissemitismo generalizado nas lideranças da esquerda multicultural-identitária.

Tudo bem criticar o governo de Israel. Os próprios israelenses costumam fazê-lo, vivendo em um regime democrático, ave raríssima no Oriente Médio. Outra coisa é pregar o desaparecimento de Israel, como querem o Irã e alguns movimentos de esquerda. Aqui, o antissemitismo. O ódio multicultural-identitário a Israel parece não ter limites.

UM GRANDE EXEMPLO – Temos Yusra Khogali —jovem mulata sudanesa que não diz uma palavra sobre as atrocidades de negros contra negros em seu país natal, vivendo antes no Canadá, onde se compraz em xingar a opressão branca— como um caso exacerbado disso tudo.

Ela não só confessou que tem ímpetos de assassinar todos os brancos. Expôs também uma fantasia “acadêmica” que bem pode ser classificada como a primeira imbecilidade produzida por um “neorracismo científico”.

Vejam a preciosidade pseudobiológica de madame Khogali: os brancos não passam de um defeito genético dos pretos. “A branquitude não é humana. De fato, a pele branca é sub-humana”. Porque a brancura é um defeito genético recessivo. “Isto é fato”, afirma solenemente.

BAIXA MELANINA – Diz que as pessoas brancas possuem uma “alta concentração de inibidores de enzima que suprimem a produção de melanina” e que a melanina é indispensável a uma estrutura óssea sólida, à inteligência, à visão etc.

Enfim, apareceu a mulata racista para inverter o “racismo científico” branco do século 19 — e dizer que os brancos, sim, é que são uma raça inferior. Mas Yusra é apenas um exemplo, entre muitos, e ela teve a quem puxar.

O fato é que não dá para sustentar o clichê de que não existe racismo negro porque a “comunidade negra” não tem poder para exercê-lo institucionalmente. Mesmo que a tese fosse correta, o que está longe de ser o caso, existem já meios para o exercício do racismo negro.

Engana-se, mesmo com relação ao Brasil, quem não quer ver racismo, separatismo e mesmo projeto supremacista em movimentos negros. O retorno à loucura supremacista aparece, agora, como discurso de esquerda.

EM BUSCA DO PODER – Se quiserem manter a complacência, podem falar disso como de realidades apenas embrionárias, mas a verdade é bem outra. Militantes pretos, como pastores evangélicos, querem o poder.

Não devemos fazer vistas grossas ao racismo negro, ao mesmo tempo que esquadrinhamos o racismo branco com microscópios implacáveis. O mesmo microscópio deve enquadrar todo e qualquer racismo, venha de onde vier.

Como em um texto do escritor negro LeRoi Jones: “Nossos irmãos estão se movimentando por toda parte, esmagando as frágeis faces brancas. Nós temos que fazer o nosso próprio mundo, cara, e não podemos fazê-lo a menos que o homem branco esteja morto”.

EXCEÇÃO OU NORMA? – Resta, então, a pergunta fundamental. O neorracismo identitário é exceção ou norma? Infelizmente, penso que é norma. Decorre de premissas fundamentais da própria perspectiva identitária, quando passamos da política da busca da igualdade para a política da afirmação da diferença.

Ao afirmar uma identidade, não podemos deixar de distinguir, dividir, separar. Não existe identitarismo que não traga em si algum grau e alguma espécie de fundamentalismo.

Nesse fundamentalismo, se o que conta é a afirmação de um essencialismo racial, reagindo ressentido a estigmatizações passadas, dificilmente os sinais supremacistas não serão invertidos. As implicações disso me parecem óbvias.