PRIMEIRA MOSTRAGEM. Por CLAUDEMIR GOMES

Por CLAUDEMIR GOMES

A nona rodada do Brasileiro da Série B começou a ser disputada na segunda-feira, e somente será concluída no domingo. O espaço entre os jogos cria uma expectativa nos torcedores em relação a combinação dos resultados. Reação natural nas competições de tiro longo, principalmente quando elas são marcadas pelo equilíbrio de forças.

Sport e Náutico já disputaram os seus jogos nesta nona rodada. A derrota – 1×0 – do time rubro-negro para o CRB pode lhe custar a saída do G4, cobiçado grupo formado pelos clubes que terão acesso à Série A, no final da competição. Por outro lado, o empate se gols do time alvirrubro, com o Ituano, pode lhe colocar na zona de rebaixamento. Naturalmente que, o posicionamento dos times na tabela de classificação somente será definido com a conclusão da rodada.

Ainda restam 29 rodadas para serem disputadas, fato que torna qualquer prognóstico sobre o futuro dos clubes prematuro. Contudo, é importante ficar atento para o que o mestre, José Joaquim Pinto de Azevedo, chama de “formação da tendência”. Os resultados apresentados até o momento atestam a consistência de dois times: Cruzeiro e Vasco. Bahia, Sport e Grêmio se colocaram na briga por uma vaga, mas ainda buscam uma regularidade na disputa.

Com exceção do Novorizontino, que vem descrevendo boa campanha, os outros cinco clubes que no momento brigam pelo acesso – Cruzeiro, Vasco, Grêmio, Bahia e Sport – têm em seus currículos títulos de Campeão Brasileiro da Série A. Embora alguns analistas defendam a tese de que, hoje em dia o “peso” da camisa não interfira mais na disputa, sigo considerando que se trata de um “escudo” a ser respeitado.

Naturalmente que a tradição não vai assegurar o acesso de nenhum clube, entretanto, numa dividida ela pode funcionar como ponto de desequilíbrio. Mas para que isto aconteça é preciso que o time, ou o grupo, esteja à altura do desafio.

E é por não acreditar que os times estão à altura do desafio, que as torcidas de Sport e Náutico se mostram a beira de um ataque de nervos. Sem vencer há cinco partidas, os alvirrubros que tiveram um alento com duas vitórias, quando da chegada do técnico Roberto Fernandes, começaram a enxergar mais além, ou seja, que as limitações do grupo não se restringiam ao comando técnico.

O futebol apresentado pelo time do Sport nunca convenceu aos torcedores. O técnico Gilmar Dal Pozzo é uma unanimidade negativa, ou seja, nove entre dez leoninos querem sua saída, em que pese os resultados positivos que contabilizou.

A tendência é que, a partir da décima rodada, com a maioria dos clubes já tendo definido seus elencos, os grupos começam a ser definidos: os que brigarão pelo acesso; os que lutarão pela manutenção e os que tentarão escapar do rebaixamento. As metas são definidas de acordo com o tamanho dos elencos que foram montados pelos clubes.

Obviamente que surpresas sempre acontecerão. Afinal, no “futebol não existe verdade absoluta”, como nos ensina o mestre, Lenivaldo Aragão.

Fundação Joaquim Nabuco e Central Única das Favelas iniciam campanha para ajudar desabrigados pelas chuvas   

Donativos podem ser doados nos três campi da instituição: Casa Forte, Derby e Apipucos

        

A Fundação Joaquim Nabuco, realiza mais uma edição da “Fundaj Solidária”, em parceria com a Central Única das Favelas Pernambuco (CUFA-PE), para arrecadar donativos a partir desta sexta-feira (27). A campanha foi motivada pelos transtornos causados pelas fortes chuvas desta semana, na Região Metropolitana do Recife, em que ao menos cerca de 700 pessoas ficaram desabrigadas, segundo dados da Defesa Civil do Estado.

As doações podem ser entregues nos três campi da Fundaj – Derby, Casa Forte e Apipucos – diariamente das 8h às 17h. “A campanha Fundaj Solidária reafirma o nosso compromisso com as questões sociais e contamos com a população para ajudar os pernambucanos que foram afetados pelas chuvas. Entendo que uma instituição como a Fundaj tem como uma das suas funções mobilizar a sociedade diante de situações como esta”, destaca o presidente da Fundação Joaquim Nabuco, Antônio Campos.

A campanha Fundaj Solidária seguirá até o mês de agosto e todos os donativos arrecadados serão distribuídos para favelas nas cidades do Recife, Olinda e Paulista. De acordo com a Central, a renovação dessa parceria é uma forma de convergir recursos e esforços do governo e da sociedade civil para atender às demandas sociais existentes. “É muito importante o envolvimento de todos neste momento de dificuldade. As famílias já estavam em situação de extrema vulnerabilidade devido aos impactos gerados pela Covid-19. Infelizmente, agora com a chuva, há muitas pessoas que precisam de acolhimento e ajuda. Por isso, quem puder colaborar, deve procurar a Cufa Pernambuco e/ou Fundaj”, afirma a presidente da CUFA-PE, Altamiza Melo.

Confira os endereços para fazer sua doação:

Fundação Joaquim Nabuco Derby

Rua Henrique Dias – 609, Derby, 52010-100, Recife

Fundação Joaquim Nabuco Casa Forte

Avenida Dezessete de Agosto – 2187, Casa Forte, 52061-540, Recife

Fundação Joaquim Nabuco Apipucos

Rua Dois Irmãos – 92, Apipucos, 55071-440, Recife

Semana Nacional dos Museus, que ocorreu no Campus Sede da Fundaj, em Casa Forte

Essência cultural: Ancestralidade e religiões de matrizes africanas

Pai Ivo de Xambá, líder do terreiro e do Quilombo do Portão de Gelo/Olinda, ladeado pela coordenadora-geral do Museu do Homem do Nordeste, Fernanda Cavalcanti, e pela coordenadora do educativo do Muhne, Edna Silva, durante evento da Semana Nacional dos Museus, que ocorreu no Campus Sede da Fundaj, em Casa Forte.

O evento debateu sobre ancestralidade e religiões de matrizes africanas.

Fachin: projeto de novo Código Eleitoral esvazia TSE

Casa Legislativa se prepara para votar o projeto que altera as regras atuais

Por Gabriela Coelho,  da CNN –Brasília

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Edson Fachin, enviou ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), um ofício com sugestões sobre o novo Código Eleitoral. A proposta consolida toda a legislação eleitoral.

A Casa Legislativa se prepara para votar o projeto que altera as regras atuais. O projeto está na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça). O relator, Alexandre Silveira, escreveu em rede social que está estudando muito para, sem pressa, apresentar um bom relatório para o projeto.

“Quem afirma que meu parecer será assim ou assado está mentindo porque não o conhece”.

No ofício, Fachin pede que o Congresso Nacional adie no mínimo até 1º de janeiro de 2023 o início da vigência da norma, para prevenir a incerteza jurídica quanto à sua aplicação.

“Leva tempo para o TSE ter uma compreensão verticalizada do Código, com a análise de cada ponto nele contido e seu impacto para as eleições de 2022 e a diplomação dos eleitos”, diz.

O ministro também afirma no documento que a redação atual da proposta compromete as competências da Justiça Eleitoral.

“A Constituição Federal de 1988 garante a segurança jurídica ao fixar o princípio da anualidade eleitoral. Por esse conceito, apesar de entrar em vigor na data de sua publicação, a lei que altera o processo eleitoral não pode ser aplicada à eleição que ocorra a menos de um ano da data de vigência”, diz.

Segundo Fachin, para a análise da lei, o TSE precisaria direcionar servidores para a elaboração de um estudo amplo dos dispositivos.

“Isso interromperia todas as atividades de rotina da Corte e também as fixadas no Calendário Eleitoral deste ano. Em nome do TSE, o ministro afirma no documento que a redação atual da proposta compromete as competências da Justiça Eleitoral”, explica.

No documento, o ministro recorda que já começou o período de pré-campanha para as eleições de 2022, inclusive com o oferecimento de representações eleitorais junto ao TSE para o controle de eventuais violações à legislação eleitoral. Também informa que já está no período de fiscalização das condutas vedadas aos agentes públicos em campanha, bem como da prática de outros atos, por partidos, federações partidárias e pré-candidatos.

“Além disso, eventual suspensão de norma regulamentar atinente às convenções partidárias, na véspera ou durante o período previsto em lei
para a sua realização, poderia comprometer a higidez de sua realização e, ainda, criar situação jurídica na qual duas, ou mais, convenções partidárias seriam regidas por um conjunto distinto de dispositivos normativos, rendendo superada a garantia constitucional de segurança jurídica e, também, a de isonomia perante a lei”, diz o ministro.

Um poema desesperadamente erótico, na criatividade sempre audaciosa de Hilda Hist

A ficcionista, dramaturga, cronista e poeta paulista (1930-2004) Hilda Hist é considerada pela crítica especializada como uma das maiores escritoras em língua portuguesa do século XX. Para Hilda, o desejo não lhe mete medo, conforme revela neste poema.

DO DESEJO
Hilda Hilst

Porque há desejo em mim, é tudo cintilância.
Antes, o cotidiano era um pensar alturas
Buscando Aquele Outro decantado
Surdo à minha humana ladradura.
Visgo e suor, pois nunca se faziam.
Hoje, de carne e osso, laborioso, lascivo
Tomas-me o corpo. E que descanso me dás
Depois das lidas. Sonhei penhascos
Quando havia o jardim aqui ao lado,
Pensei subidas onde não havia rastros.
Extasiada, fodo contigo
Ao invés de ganir diante do Nada.

Ver-te. Tocar-te. Que fulgor de máscaras.
Que desenhos e rictus na tua cara.
Como os frisos veementes dos tapetes antigos.
Que sombrio te tornas se repito
O sinuoso caminho que persigo: um desejo
Sem dono, um adorar-te vívido mas livre.
E que escura me faço se abocanhas de mim
Palavras e resíduos. Me vêm fomes
Agonias de grande espessuras, embaçadas luas
Facas, tempestade. Ver-te. Tocar-te.
Cordura. Crueldade.

Colada à tua boca a minha desordem.
O meu vasto querer.
O incompossível se fazendo ordem.
Colada a tua boca, mas descomedida
Árdua
Construtor de ilusões examino-te sôfrega
Como se fosses morrer colado à minha boca.
Como se fosse nascer
E tu fosses o dia magnânimo
Eu te sorvo extremada à luz do amanhecer.

Se eu disser que vi um pássaro
Sobre o teu sexo, deverias crer?
E se não for verdade, em nada mudará o Universo.
Se eu disser que o desejo é Eternidade
Porque o instante arde interminável
Deverias crer? E se não for verdade
Tantos o disseram que talvez possa ser.
No desejo nos vêm sofomanias, adornos
Impudência, pejo. E agora digo que há um pássaro
Voando sobre o Tejo. Por que não posso
Pontilhar de inocência e poesia
Ossos, sangue, carne, o agora
E tudo isso em nós que se fará disforme?

Existe a noite, e existe o breu.
Noite é o velado coração de Deus
Esse que por pudor não mais procuro.
Breu é quando tu te afastas ou dizes
Que viajas, e um sol de gelo
Petrifica-me a cara e desobriga-me
De fidelidade e de conjura. O desejo
Este da carne, a mim não me faz medo.
Assim como me veio, também não me avassala.
Sabes por quê? Lutei com Aquele.
E dele também não fui lacaia.

JUSTIÇA ELEITORAL DETERMINA QUE PT FILIE ATRIZ PORNÔ

O TRE (Tribunal Regional Eleitoral) do Mato Grosso determinou na quarta-feira (25) que o PT da cidade de Barão de Melgaço faça a filiação, no prazo de três dias, da atriz pornô Ester Caroline Henrique Bonometo Pessatto, conhecida como Ester Tigresa.

A decisão liminar atende a um pedido da atriz mato-grossense, que teve sua filiação barrada pela diretoria da sigla. Ela pretende ser candidata ao cargo de deputada estadual. O PT alega que a filiação foi rejeitada porque houve “irregularidades no processo”.

Segundo a defesa de Ester Tigresa, ela sofreu discriminação ao ter sua filiação rejeitada sem direito de defesa. “No caso Ester, o arbítrio, a hipocrisia e o preconceito foram derrotados pelo Estado Democrático de Direito. A verdade venceu a mentira. O Poder Judiciário demonstrou que não vivemos em terra sem lei. Restabeleceu a ordem e a justiça”, disse o advogado Paulo Lemos, representante da atriz.

A decisão é do juiz Alexandre Paulichi Chiovitti, da 38ª Zona Eleitoral de Santo Antônio do Leverger, a 35 quilômetros de Cuiabá. No pedido, Ester Tigresa alegou que, no dia 18 de abril, o PT fez uma “votação”, dirigida pela secretaria da legenda, cuja decisão resultou na suspensão da filiação da atriz.

Para o juiz, o processo de suspensão correu sem a observância dos direitos de defesa de Ester Tigresa, já que o partido não homologava a filiação e não respondia aos questionamentos da atriz.

Brasil tem mais smartphones que pessoas, aponta levantamento da FGV

Um levantamento anual feito pela Fundação Getúlio Vargas revela que o Brasil tem, atualmente, mais de um smartphone por habitante. Divulgado nesta quinta-feira (26), o estudo da FGV mostra que há no país 242 milhões de celulares em uso, enquanto a população, segundo projeção do IBGE, é de 214,6 milhões de pessoas.

Ao incluir notebooks e tablets, o levantamento indica que há 352 milhões de dispositivos móveis no Brasil, o equivalente a 1,6 por pessoa, segundo a FGV.

Os smartphones, no entanto, são os mais comercializados. Os dados mostram que são vendidos três vezes mais celulares do que televisões. Adicionando computadores, o número impressiona ainda mais: são cerca de dois dispositivos digitais per capita.

“Temos 447 milhões de dispositivos digitais (computador, notebook, tablet e smartphone) em uso no Brasil (corporativo e doméstico), ou seja, mais de 2 dispositivos digitais por habitante em junho de 2022. O smartphone domina a maioria dos usos, como nos bancos, compras e mídias sociais”, diz o levantamento.

A pesquisa também constata que o Brasil vai chegar à marca de um computador (desktop, notebook e tablet) por habitante no início de 2023. Serão 216 milhões em uso até o começo do ano.

As vendas dos aparelhos em 2021 tiveram um crescimento de 27%, com mais de 14 milhões de unidades comercializadas.

Para 2022, o levantamento da FGV estima um crescimento perto de 10%.

Ativista cobra ao prefeito do Recife respeito as pessoas e animais que vivem nas ruas

O ativista da causa animal Douglas Brito emitiu uma nota, hoje, cobrando das autoridades recifenses que olhassem com mais respeito para as pessoas que vivem em situação de vulnerabilidade no Recife. No documento, Douglas também cobra que o prefeito olhe para o caos em que vivem os animais do da cidade. Confira!

Nota oficial

Em mais um dia de chuvas intensas na Região Metropolitana do Recife, é de se esperar que a Prefeitura realize comunicados informando que não se esperava o volume de chuvas para o curto espaço de tempo.

No entanto, existe uma preocupação que se destaca em todos os dias de chuvas e que boa parte dos recifenses não percebe: a situação dos abrigos para pessoas em situação de rua.

Com as vias tomadas pela água, essas pessoas ocupam os abrigos em grande quantidade que, em muitas vezes, não têm capacidade para o contingente, com a prefeitura chegando a recusar cidadãos.

É importante lembrar que os abrigos são o principal ponto de apoio às pessoas em situação de rua, pois fornecem não apenas um local seguro para dormir, mas condições mínimas de conforto térmico e nutrição.

Em conjunto, às pessoas em situação de rua temos os seus companheiros, muitas vezes seus únicos amigos: os animais que os acompanham dia e noite por serem um suporte emocional. Eles também são constantemente ignorados pelo poder público.

Esses animais não têm lugar nos espaços da prefeitura e nos dias de chuva devem ficar na rua, as mesmas ruas que ninguém tem coragem de pisar. Ano após ano, pessoas em situação de vulnerabilidade retornam aos seus pontos sem reencontrar seus companheiros, por simplesmente não haver espaço para eles nos locais de apoio.

É necessário um trabalho da prefeitura que abarque esses animais dentro dos espaços. Não há como fornecer suporte às pessoas em situação de rua sem apoio emocional. Esses animais são, acima de tudo, responsáveis pelo mínimo de atividades de lazer realizadas por pessoas em situação de rua e capazes de gerar vínculos emocionais. Não podemos tirar isso deles, tampouco dos animais.

Douglas Brito – ativista da causa animal

Bolsonaro veta psiquiatra Nise da Silveira do livro de Heróis da Pátria

O presidente Jair Bolsonaro (PL) vetou a inscrição do nome da psiquiatra Nise da Silveira no livro de Heróis e Heroínas da Pátria. O veto foi publicado no Diário Oficial da União (DOU) de hoje. A decisão ocorre uma semana depois que é lembrado o Dia Nacional da Luta Antimanicomial, em 18 de maio.

Nise da Silveira é conhecida por ter revolucionado a forma como é feita o tratamento de transtornos mentais no Brasil. O Senado tinha aprovado a inscrição dela no livro em 27 de abril. O PL 6.566/2019 foi proposto pela deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ).

De acordo com o Bolsonaro, “não é possível avaliar a envergadura dos feitos da médica Nise Magalhães da Silveira e o impacto destes no desenvolvimento da Nação, a despeito de sua contribuição para a área da terapia ocupacional”.

O Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria fica exposto no Panteão da Pátria, na Praça dos Três Poderes em Brasília. O livro reúne nomes importantes para a história nacional, como Tiradentes, Zumbi dos Palmares, Dom Pedro 1° e Anna Nery.

A psiquiatra alagoana nasceu em Maceió em 1905 e se formou na Faculdade de Medicina da Bahia. Nise era contrária aos tratamentos com eletrochoque e outras terapias agressivas que eram usadas na época.

Os projetos defendidos pela psiquiatra foram aos poucos sendo aceitos dentro dos hospitais psiquiátricos. Ela passou a usar a arte como forma de tratamento. Como coordenadoria do setor terapêutico do Centro Psiquiátrico Pedro II, Nise conseguiu bons resultados com seus métodos. No Brasil, ela é considerada pioneira da terapia ocupacional.

Nise morreu no Rio de Janeiro, em 30 de outubro de 1999, aos 94 anos de idade. Em 2015, a história dela virou filme. Em Nise – O Coração da Loucura, de Roberto Berliner, é contado como a médica enfrentou todo um sistema ao se recusar a usar os tratamentos da época em seus pacientes. A reforma psiquiátrica no Brasil só iria ocorrer em 2001. Foi quando começaram a ser fechados gradualmente os manicômios do país.

Os “mimos” que Lula recebeu de presente

Do Metrópoles

Foram bem animados (e faustosos) os dias que antecederam a cerimônia de casamento do ex-presidente Lula com Rosângela da Silva, a Janja, na confortável casa de dois andares que o casal escolheu para morar em Alto de Pinheiros, bairro nobre da zona oeste de São Paulo. As garrafas descartadas na porta da casa às vésperas do casamento deixam evidente que, na prática, o líder petista leva uma vida bastante diferente daquela que prega para os demais brasileiros de classe média.

No início de abril, ao discursar em um evento em São Paulo, o ex-presidente espinafrou o padrão de vida da classe média ao dizer que, enquanto a maioria da população tem dificuldades para se sustentar, uma parcela pequena ostenta luxos desnecessários.

Disse Lula na ocasião: “O país está pronto para 10% da população. Nós temos uma classe média que ostenta um padrão de vida em que nenhum lugar no mundo a classe média ostenta. Nós temos uma classe média que ostenta um padrão de vida que não tem na Europa, que não tem em muito lugar. Aqui, na América Latina, a chamada classe média ostenta um padrão de vida acima do necessário”.

Da porta de casa para dentro, o padrão de vida de Lula é exatamente assim: acima do que ele mesmo considera necessário para os outros. Entre as garrafas vazias deixadas para serem recolhidas pelo serviço de limpeza, havia, por exemplo, uma do exclusivo vinho português Pêra-Manca, da safra de 2014, superfestejada pelos especialistas.

Garrafa do vinho português Pêra-Manca safra 2014 custa, em média, R4 5 mil

Com notas de carvalho e tabaco, o Pêra-Manca é produzido no Alentejo, na região centro-sul de Portugal, e harmoniza bem com carnes. Uma garrafa similar é vendida em lojas do ramo por R$ 5 mil, em média.

Entre os vinhos estrelados consumidos na casa de Lula, tinha também um exemplar do Casanova di Neri, um legítimo Brunello di Montalcino, produzido na região italiana da Toscana. O preço na loja em que foi comprado (um adesivo na parte de trás da garrafa dá a pista): R$ 5,8 mil.

Havia, ainda, garrafas de vinhos um pouco mais modestos, como Angélica Zapata (argentino, R$ 500), Colomé (argentino, R$ 140) e Quinta Vale D. Maria (português, R$ 115).

Um cartão dispensado junto com as garrafas chama a atenção. E revela que, mesmo após a Operação Lava Jato, cujas investigações anuladas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) apontaram para relações heterodoxas de Lula com alguns dos empresários mais importantes do país, o petista mantém laços estreitos com medalhões do PIB nacional, que fazem questão de afagá-lo, de olho nas pesquisas eleitorais que apontam seu favoritismo na corrida presidencial deste ano.

O remetente foi Rubens Ometto, um dos homens mais ricos do país, dono de uma fortuna estimada em mais de R$ 45 bilhões. “Caro Presidente, conforme prometido, espero que goste!!! Abraços”, escreveu o empresário à mão. O cartão, que acompanhou um mimo enviado por Ometto, traz impresso o nome completo do megaempresário, sócio-fundador do grupo Cosan, com negócios nos ramos de álcool, açúcar, energia, lubrificantes e logística.

O cartão de Ometto: “conforme prometido”

Rubens Ometto é o típico empresário que reza para todos os santos – ou nem tão santos assim. Na mesma semana em que enviou o presente “prometido” a Lula, ele apareceu sentado ao lado de Jair Bolsonaro no almoço do presidente da República com Elon Musk, o homem mais rico do mundo, que veio ao Brasil para anunciar um projeto para levar internet a escolas situadas em áreas rurais e um plano para monitoramento da Amazônia.

Em 2018, Ometto declarou voto em Bolsonaro no segundo turno contra o petista Fernando Haddad. Ele foi o maior doador daquelas eleições, com R$ 7,5 milhões distribuídos a diversos candidatos e partidos, dentre os quais o ex-governador João Doria, do PSDB, de quem é amigo. A coluna perguntou ao empresário qual foi o mimo enviado a Lula na semana passada, mas ele não havia respondido até a publicação desta reportagem.

A nova casa de Lula em São Paulo tem 600 metros quadrados, com quatro suítes e uma generosa área de lazer com piscina e churrasqueira. Amigos do ex-presidente dizem que o imóvel foi alugado. O valor do aluguel é mantido em sigilo, mas há cerca de cinco anos a casa estava disponível pelo preço de R$ 22,5 mil por mês. Quem quisesse comprá-la tinha que desembolsar pelo menos R$ 4 milhões.

Até a mudança para o novo endereço, Lula seguia vivendo em seu apartamento de 120 metros quadrados em São Bernardo do Campo, comprado no fim dos anos 1990.