Por CLAUDEMIR GOMES – O que faz o mundo girar são as mudanças. Isto é fato. Nós somos mutantes. Até a Branca de Neve deixou de ser branca. Na nova versão do clássico da literatura infantil, a Walt Disney Studios, para entrar em sintonia com a nova ordem, trocou a pigmentação da musa dos sete anões e de nós todos. Entretanto, há coisas que resistem a ação do tempo e se tornam imutáveis, ou imexíveis, como a rivalidade existente ente o futebol brasileiro e o futebol argentino.
Nesta terça-feira teremos mais uma edição do clássico – Brasil x Argentina – válido pelas Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa do Mundo de 2026. Na véspera deste que é um dos maiores confrontos do futebol mundial, independentemente dos protagonistas que estejam vestindo as camisas das duas seleções no momento, o assunto dominante foi a língua ferina do atacante brasileiro Rafinha, que ao ser entrevistado pelo ex-jogador, e atual senador, Romário usou expressões como “Fodam-se eles”, “Porrada neles”.
Coisa da rivalidade.
Virou moda no futebol brasileiro, ex-jogadores serem transformados em comentaristas, comunicadores, ancoras de programas esportivos. É como se fosse uma regra imposta pela “guerra” em busca da audiência: se foi craque com a bola nos pés, também será craque com o microfone nas mãos.
Como jogador Romário foi fantástico dentro das quatro linhas, mas nunca demonstrou habilidade no trato com as palavras. Suas declarações bombásticas deixavam dirigentes em polvorosa, irritavam ou intimidavam adversários.
Pois bem! O baixinho Romário, ciente de que a Seleção Brasileira não vive um bom momento, e nem tem jogadores casca grossa no atual grupo, lançou mão de sua malícia para instigar Rafinha no jogo com as palavras. O atacante do Barcelona escorregou na “casca de banana” e liberou a língua ferina. Os insultos ecoaram na terra do tango. Dizem que até Maradona estremeceu no seu túmulo.
Ninguém sabe o que vai acontecer no “baile” de hoje à noite no Monumental de Núñez.
Durante vinte e tantos anos como jornalista esportivo do Diário de Pernambuco, tive a oportunidade de cobrir diversas edições do clássico Brasil x Argentina. Em todos os cenários a rivalidade falava mais alto. Testemunhar, a poucos metros, a troca de solavancos entre Ricardo Rocha e Caniggia, na Copa América do Chile, em 1991, quando as duas seleções estavam perfiladas para entrar em campo, foi a melhor tradução que vi da rivalidade que emoldura este clássico.
A Disney mudou o estereótipo dos personagens do Clássico Branca de Neve. As mudanças dividem opiniões, como era esperado.
No futebol brasileiro, enquanto não mudarem o DNA dos dirigentes da CBF, vamos ter que nos contentar com Romário sendo referência de comunicação, e Rafinha chutando o chão com as palavras.
Vamos ao jogo!