MÚSICA – Michael Bolton – A Love So Beautiful

MÚSICA – Michael Bolton – A Love So Beautiful

Nelson Rodrigues ao telefone – Por Arnaldo Jabor

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   Quando fico angustiado com as notícias brasileiras, ligo para o Nelson Rodrigues. Ele me dá bons conselhos lá do céu de papelão, entre nuvens de algodão e estrelas de papel prateado — seu paraíso é um cenário de teatro de revistas. O telefone toca como uma trombeta suave.

Ele já sabe quem é:

— Você, hein? Só me liga quando está encalacrado.

— Estou mesmo, Nelson, mas não sei se sou eu ou o Brasil.

— Deixa de frases, rapaz, você e o Brasil são a mesma coisa. O Brasil não é feito de florestas e cachoeiras. O Brasil é uma região dentro de nossas cabeças. Você é o Brasil. Levaram séculos para aperfeiçoar nosso atraso e você me vem com essa. Subdesenvolvimento não se improvisa. É uma obra de séculos.

— Ninguém entende mais nada… Eu nunca vi o Brasil assim…

— Eu sempre vi assim. O Brasil não mudou nada. O problema é que você quer “entender” e o país é muito maior que seu entendimento. Não mudou nada; só está vindo a furo, como um bom furúnculo. Você está nervoso porque sempre achou que havia salvação. Não existe isso. Nunca vamos chegar a lugar nenhum, porque não há ponto final… a não ser aqui em cima, claro. O que muda mesmo não são os fatos, como querem os idiotas da objetividade. O que nos muda não são as famosas “relações de produção” não; são bobagens nas brechas dos fatos. Quais foram as grande mudanças do país, nos últimos 50 anos? Getúlio se matou, o Jânio tomou um porre e se foi, o Tancredo morreu de nó na tripa, o Collor caiu porque não respeitava nem as cunhadas (como o meu Palhares), o Lula foi eleito por um publicitário, como uma boa margarina. É isso. O Brasil não é épico; nunca tivemos um Stalingrado, um Waterloo… Nem a Batalha de Itararé.

— Mas por que esta estagnação, esta zona geral?

— O Brasil não vai para a frente com planos messiânicos ou “epopeias de Cecil B. de Mille”, sejam elas epopeias “socialistas” ou liberais. O “óbvio ululante” é que os brasileiros odeiam justamente o óbvio. Bastava fazer umas reformas, não jogar dinheiro fora, amarrar os corruptos no pé da mesa, diminuir impostos, chupar a carótida dos chefes das Estatais como tangerinas. Mas, não; só querem apoteoses ou dilúvios de quinto ato do “Rigolleto”.

— Mas o cinismo dos políticos está cada vez maior!

— Não veja os políticos como gênios do bem ou do mal, Stalins ou Josés Bonifácios. São apenas uns sujeitinhos de cabelo pintado de preto ou acaju. Uns fingem de socialistas, outros de conservadores. Mas todos querem é o poder, as mãos dentro das cumbucas do Estado. Esses que estão aí querem criar “sovietes”, grupos corporativos como na Rússia. Já pensaram em Dirceu e Genoino dirigindo o país? Na época da ditadura ainda dava. Todos nós babávamos na gravata, imbecilizados, sem informação. O que nos salva é que eles são muito ignorantes. Antigamente, os cretinos se escondiam pelos cantos, babando pelos inteligentes de carteirinha. Agora estão aí, achando que vão mudar o país. Para eles, o capitalismo ainda é tratado como uma pessoa. “Hoje o capitalismo acordou de mau humor” ou “o capitalismo é muito egoísta, só pensa em lucro.” Nunca ninguém leu nada. Eu os chamava de marxistas de galinheiro. Eles me odiavam. Eu era chamado de pornográfico e depois virei o reacionário fundamental. Mas perdem sempre, pois a burrice é uma força da natureza. A burrice é a Pedra da Gávea.

— Querem controlar a imprensa…

— Querem controlar os brasileiros, fazê-los obedientes… Mas esquecem que os brasileiros têm a alma de feriado. Somos incontroláveis. Tem um Brasil sob as calçadas, nas sarjetas, nos bueiros que renasce e reage. E o pior dessa turma é que eles têm certezas profundas e isso os destruirá em breve. A dúvida sempre me pareceu mais sábia, mais clarividente.

— Deus queira.

— Eu nunca vejo Deus por aqui. Parece que anda deprimido por ter inventado o “livre arbítrio” dos homens, que está gerando essa esculhambação aí embaixo. Mas, se Deus me perguntasse o que eu fiz de bom na vida, eu responderia: “Senhor, eu descobri o óbvio!”. Sempre vi o que ia acontecer. Essa gente é muito óbvia. Você veja o Zé Dirceu, por exemplo, bom rapaz, era o Marlon Brando das comunistas, mas ele só amava os postes. Via um poste, subia nele e começava a falar da Utopia. Os passantes ouviam e perguntavam: “Quem é essa tal de d. Utopia? É mulher dele?”. A Dilma, coitada, é uma boa senhora que amava o Brizola, amava o Lula. Ela queria ser uma dona de casa, uma mãe de família “revolucionária”. Foi corajosa na juventude e hoje está aí… É uma Dilma que não existe, é um clone de si mesma. Mas estou te achando muito pessimista, rapaz…

— Nada. Sou um otimista bem informado…

— Não faz frase, rapaz… Não adianta se atolar em euforias brutais nem viver com complexo de vira-latas. Um retrato bom do país é o PMDB, feliz em sua mediocridade. O Brasil é o PMDB. O Brasil não é épico; é coloquial.

— E a Copa?

— Talvez ganhemos porque estamos com medo até das manifestações. Sem medo não há vitórias. Em 1950, perdemos porque estávamos mascarados…. Máscara é fogo… rapaz…

— Mas está morrendo mais gente aqui do que na Síria, Nelson…

— Vocês achavam que iam escapar? Ninguém escapa. O Brasil se achava uma ilha protegida, mas o mundo invade tudo. O Oriente, a África, o mundo quase em guerra e o Brasil numa boa? Impossível. Não há piedade na História… O Hegel e o Nietzsche vivem brigando aqui dentro. Ontem o Nietzsche disse isso: “A História não tem hora; é intempestiva! Cai feito um raio!”. O Hegel não gostou nada e anda deprimido pelos cantos. Agora a história do mundo atual está nos contaminando. Mas isso é bom. Sabe por quê? Porque teremos de assumir nossa miséria, assumir a nossa lepra, que o mundo agora vai ver. Não sabemos o que fazer com o Brasil, mas ao menos estamos conhecendo nossa cara…

— É isso aí, Nelson.

— Não se preocupe. Daqui a alguns anos, vão lembrar desta época como um “fascismo de galinheiro” disfarçado de “marxismo de galinheiro”. Fascismo é a burrice no poder, rapaz…

E desligou.

Consolo na praia – Carlos Drummond de Andrade

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Vamos, não chores.
A infância está perdida.
A mocidade está perdida.
Mas a vida não se perdeu.

O primeiro amor passou.
O segundo amor passou.
O terceiro amor passou.
Mas o coração continua.

Perdeste o melhor amigo.
Não tentaste qualquer viagem.
Não possuis carro, navio, terra.
Mas tens um cão.

Algumas palavras duras,
em voz mansa, te golpearam.
Nunca, nunca cicatrizam.
Mas, e o humour?

A injustiça não se resolve.
À sombra do mundo errado
murmuraste um protesto tímido.
Mas virão outros.

Tudo somado, devias
precipitar-te, de vez, nas águas.
Estás nu na areia, no vento…
Dorme, meu filho.

8 grandes perguntas filosóficas complexas

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     Ainda que instalados plenamente no século XXI, nossa condição humana coletiva arrasta perguntas que parecem não ter solução definitiva: a realidade é real? A liberdade existe? Será mesmo possível perceber algo objetivamente? A mente humana, imperfeita como é, foi capaz, no entanto, de gerar becos sem saída do pensamento, proposições de índole metafísica que parecem residir nas fronteiras de nossa capacidade intelectual; apesar de que, paradoxalmente, por estas mesmas chegamos a elas.

A seguir 8 destes supostos muros que, talvez, no fundo não sejam mais que armadilhas de nossa abstração, da forma histórica e inevitavel que construímos nossas maneiras de pensar. Algumas filosofias, como o behaviorismo radical, tem respostas interessantes a algumas dessas questões mas isto é tema pra um outro post.

1. Por que há algo em vez de nada?
Parece justo que a existência seja o primeiro destes grandes enigmas. Por que algo existe quando parece perfeitamente possível que nada fosse a norma? Que impulso secreto do universo físico foi decisivo para que o nada se convertesse em algo?

2. Nosso universo é real?
Uma das perguntas mais recorrentes do pensamento humano: a constante dúvida sobre a realidade deste mundo. Dos textos sagrados do hinduismo a Jean Baudrillard, parece que não há recurso mental que nos permita discernir a realidade real de nossa realidade (assim tão redundante e tautológico como pode ser nosso pensamento). E ainda que, em certo momento de seu desenvolvimento intelectual, Wittgenstein assegurou que na dor seria possível encontrar o fundamento da realidade, a questão permanece aberta. Por mais complexa que seja a noção de dor, por mais subjetiva e personalíssima, não poderia uma inteligência superior que nos mantenha neste mundo simulado simular também, com todos os detalhes, essas sensações?

3. Temos livre arbítrio?
“O ser humano nasceu livre e por toda parte está acorrentado”, escreveu famosamente Rousseau. O paradoxo da liberdade é que, ainda que uma condição supostamente possível, acontece em um contexto contingente no qual é condicionado por um monte de fatores. Às vezes pensamos que quando tomamos uma decisão plenamente conscientes, considerando suas causas e suas consequências, os motivos pelos quais a tomamos, essa decisão é já por isso uma decisão livre. Mas isto é verdadeiro? Ou só é um autoengano de quem anseia desesperadamente crer em liberdade? São os outros, os que pensam que a liberdade é absolutamente impossível, que têm a razão neste dilema?

4. Deus existe?
Uma entidade onisciente e todo-poderosa governa este mundo desde sua criação até sua destruição, compensando e retribuindo, castigando, ou mantendo à margem, mas igualmente com um plano secreto que de qualquer forma terminará por acontecer. Uma entidade metahumana que dá ordem e sentido ao que vemos e vivemos, ao que existe, inclusive quando esta ordem toma a forma do caos e do incompreensível. Uma vez imaginado, é possível demonstrar sua existência ou sua inexistência? E um paradoxo lógico para incrementar o impasse: pode Deus criar uma pedra tão pesada que nem sequer ele mesmo pode carregar? Se não pode então não é onipotente, mas se pode então também não é onipotente, porque não tem a força para carregá-la. Esta redução ao absurdo mostra-nos, em todo caso, que não é com a linguagem humana ou com a razão que se distingue um Deus. Simplificando, não podemos saber se Deus existe ou não. Ambos os ateus e crentes estão errados em suas proclamações, e os agnósticos estão certos. E, como mencionado anteriormente, podemos viver em uma simulação onde os deuses hackers controlam todas as variáveis. Quem vai saber?

5. Há vida após a morte?
É muito possível que o medo à morte, ou o fato de que não entendamos seu significado, tenha dado origem à crença de que a vida não termina com esta. Talvez, neste caso, antes de responder se há vida ou não após a morte -uma vida que, ademais, imaginamos essencialmente idêntica à que agora temos-, teríamos que responder em primeiro lugar por que devemos morrer. A ciência moderna considera a morte como um buraco negro, um horizonte de acontecimentos do qual nada se pode dizer, nenhuma informação a extrair, já que ninguém regressou deste estado para contar. O budismo tibetano por outro lado considera que todos regressamos da morte, nesse ciclo kármico da existência, e inclusive criaram um manual para escapar da reencarnação.

6. Há algo que em realidade possamos experimentar objetivamente?
A dualidade entre objeto e sujeito é um dos pilares do pensamento humano, ao que parece herdado das filosofias orientais aos primeiros grandes pensadores de Ocidente. Em essência trata-se de um conflito com nossa percepção, da qual obtemos uma versão da realidade que, ao mesmo tempo, intuímos que não corresponde exatamente com algo que poderíamos chamar de realidade real, a realidade objetiva. Se tivéssemos a capacidade visual dos falcões ou a olfativa dos cães, como mudaria a realidade que percebemos? Ou, sem incorrer nestas fantasias, pensemos quão limitado pode ser o mundo para alguém que nasce cego ou surdo. Sabemos que existe uma realidade absoluta para além de nossos sentidos, mas ao mesmo tempo parece que estamos condenados a nunca ser capazes de discernir essa realidade.

7. Qual é o melhor sistema moral?
A moralidade, essa série de costumes e normas que, de algum modo, nos permitiram sobreviver coletivamente como espécie, vem mudando substancialmente com o tempo, conquanto há alguns elementos mais ou menos comuns a todas as culturas e épocas. Por exemplo, o incesto, amplamente estudado pelo antropólogo Claude Lévi-Strauss. No entanto, também cabe a possibilidade de que a moralidade seja uma tela que as narrativas históricas se encarregaram de sobrepor a determinadas épocas, por comodidade discursiva, mas que não necessariamente tenha sido a norma e, na prática, no cotidiano, o ser humano seja tão liberal ou tão reprimido, tão relaxado ou tão estrito, tanto na época vitoriana quanto no medievo ou na que agora vivemos.

8. Que são os números?
Uma das invenções mais geniais da mente humana, os números são no entanto de uma natureza em essência incompreensível. Imprescindíveis no uso diário e, no entanto, enigmáticos e quase inexplicáveis. O que é 2? O que é 5? De novo a tautologia como único recurso. Parece que só podemos dizer que 2 é 2 e aceitar que estamos em um beco sem saída (ou é um assunto de semântica? Um problema nada mais que lingüístico?). Estruturas matemáticas podem consistir em números, conjuntos, grupos e pontos, mas eles são objetos reais ou simplesmente descrevem relações que necessariamente existem em todas as estruturas? Platão argumentou que os números eram reais (não importa se você não pode vê-los), mas os formalistas insistiram que eles eram meramente sistemas formais (construções bem definidas de pensamento abstrato com base em matemática). Este é essencialmente um problema ontológico, onde ficamos confusos sobre a verdadeira natureza do universo e que aspectos são construções humanas e que são realmente tangíveis.

Fonte:  io9.

Governo e Congresso põem a carga no lombo do pobre e aliviam montadoras

Charge do Carlos (Arquivo Google)

Carlos Andreazza
Estadão

Mais um projeto de incentivo à indústria automotiva foi aprovado. São décadas de protecionismo. O fracasso da competitividade agora embalado com sofisticação verde. Pela descarbonização da frota. O caô da vez. Chama-se Mover. Projeto do governo Lula. Que, sem dúvida, nos move.

Projeto do governo Dilma 3 também é o da taxação de compras internacionais até U$ 50. Assim – leio – se fará “justiça” via tributação no Brasil, pela isonomia concorrencial à indústria e ao varejo locais. Contrabando – o da taxa sobre as blusinhas – embutido no programa de carinho a industrial fabricante de carros nem artificialmente capaz de competir.

TUDO A VER – Uma coisa tem tudo a ver com a outra. Governo e Congresso optaram por botar carga no lombo de pobres e remediados enquanto requintavam o alivio à indústria automobilística. A justiça sendo feita com os justiceiros envergonhados… A justiça é impopular. O justo imposto das blusinhas malocado no pacote com novos benefícios fiscais à produção de automóveis.

Não há uma reforma tributária em curso? Por que não se discute a taxação das blusinhas na sala 171 da Câmara? Por que não se faz justiça – para início de conversa – no espaço adequado? Quanto custariam blusinhas e outros produtos de até US$ 50 com a nova taxação de 20%?

Não se faz justiça com desespero. Haddad, cuja PEC da Transição expirou, precisa arrecadar. Qualquer tostão vale. A grana acabou. Precisa rebater despesas que só crescem e incentivos que se multiplicam.

ENTREGUEM A FATURA – A geração de receitas via revisão de gasto tributário – vê-se – é insuficiente. Sobram a fabricação de dinheiros e o aumento de impostos. A classe média baixa pagará a fatura.

Ninguém quer ser pai do bicho. O Parlamento fugindo das votações nominais. A tunga aprovada simbolicamente, enquanto Lula tentava colar em Lira a paternidade do monstro. O projeto é de Haddad. O presidente nada teria com a coisa. Gostaria até de vetá-la. Não foi o que se plantou? Não vetará. Mui contrariado. Fez acordo. Com Lira. Que tem acordo com os varejistas brasileiros. Que não querem – sejamos claros – concorrência na importação de produtos chineses.

E a turma a querer nos convencer de que isso beneficiará a indústria brasileira. O varejista brasileiro armando lobby para garantir a competitividade de suas importações desde a China.

ANDAMOS PARA TRÁS – Sejamos claros: a disputa é entre importadores, o projeto prosperando contra o consumidor importador direto de bugigangas.

E a turma a querer nos convencer de que o Brasil se desenvolverá com a população pagando mais caro pelo mesmo produto.

Conforme definiu o economista Roberto Ellery Jr., “saímos do modelo de substituição de importações para o modelo de substituição de importadores”. Movemo-nos, sem dúvida. Andamos até tabelando o preço do arroz.

O que os irmãos Batista viram que o resto do mercado não viu na venda de termelétricas?

Os irmãos Joesley e Wesley Batista

Em matéria de trambiques, ninguém supera os irmãos Batista

Lauro Jardim
O Globo

A pergunta acima foi feita dezenas de vezes na segunda-feira por integrantes do setor de energia, a partir do momento em que a Eletrobras anunciou que vendeu por R$ 4,7 bilhões 13 de suas usinas termelétricas para a Âmbar, empresa da J&F, dos irmãos Wesley e Joesley Batista.

Motivo: algumas dessas usinas fornecem gás natural à Amazônia Energia, empresa completamente quebrada e inadimplente em R$ 10 bilhões com a ex-estatal.  Por que, então, comprar termelétricas cujo único cliente, a Amazonas Energia, não paga as suas contas?

MEDIDA PROVISÓRIA – Na quinta-feira, a resposta à pergunta veio em forma de uma MP editada pelo governo. Nela, em resumo, consta que o dinheiro com que a Amazônia Energia pagará pelo gás natural virá de recursos retirados das contas de luz dos consumidores de todos os estados brasileiros nos próximos quinze anos.

Parte do mercado de energia atribui a tacada da J&F a uma “excepcional visão estratégica do grupo”, segundo o diretor de uma empresa do setor. Outro executivo admite que “o nível de risco que eles aceitam é muito grande.”

Outra parte diz que a MP reflete o resultado do relatório do grupo de trabalho criado pelo próprio Ministério de Minas e Energia, que era público.

Se Lula 3 não romper o tabu econômico, será sucedido pelo bolsonarismo 2.0. Por Demétrio Magnoli

RPD || Charge – JCaezar - Fundação Astrojildo Pereira

Charge do JCaesar (Veja)

Demétrio Magnoli
Folha

“É melhor um fim trágico que uma tragédia sem fim”, decretou Jaques Wagner diante da devolução da MP do PIS/Cofins pelo presidente do Senado. Ao que parece, Lula aplaudiu o gesto de Rodrigo Pacheco, ralhando com seu círculo mais próximo por um erro político crasso cometido com seu aval. O evento rocambolesco assinala o encerramento da primeira etapa de Lula 3. Começa, agora, Lula 3.2.

Não foi um equívoco circunstancial, mas o fruto de uma estratégia geral. Lula vive no passado: o mundo do dinheiro farto de seus mandatos anteriores. Ancorado nas suas memórias e hipnotizado pela crença arrogante de que sua genialidade pariu aquele mundo, o candidato Lula pregou a restauração da política econômica exercitada numa era de ilusões. A dura prova da realidade tardou meros 18 meses.

GASTO É VIDA – Na campanha, o candidato entregou-se à quadratura do círculo. De um lado, praticando a sabedoria, firmou uma aliança com o centro político, expressa na cooptação de Alckmin, Tebet e Marina Silva.

De outro, praticando uma teimosia que reflete suas convicções profundas, prometeu repetir a orientação econômica sintetizada por Dilma Rousseff pelo refrão “gasto é vida”. Não funcionou: o presidente perdeu a confiança dos eleitores de centro, mesmo conservando, como enfeites natalinos, os três representantes desse setor do eleitorado.

Mas, sobretudo, a nau encheu-se de água nos porões da economia. O “gasto é vida” foi adotado tanto pelo Executivo quanto por um Congresso com poderes típicos do parlamentarismo mas sem as responsabilidades correspondentes.

DOM DE ILUDIR – O ministro Haddad, um santo com vaga garantida no paraíso, tentou o impossível para conciliar os impulsos de gastança com a meta elusiva do equilíbrio fiscal. Seu dom de iludir chegou ao limite, algo que ele mesmo admitiu ao declarar, resignado, após a devolução da MP, não dispor de Plano B para compensar as perdas arrecadatórias.

“Gasto é vida” só sobrevive em céu sem nuvens. A conjuntura internacional marcada pelo desmoronamento da ordem do pós-Guerra Fria não entrou no cálculo lulista. A trajetória inclemente dos juros nos EUA e o desastre climático no RS, com suas implicações inflacionárias, formaram uma sucessão de cumulonimbus no horizonte.

SEM CORTE NA SELIC – Os truques de prestidigitação fiscal do Ministério da Fazenda já não conseguem ocultar a curva de longo prazo. Não sem motivos, o Copom suspendeu as rodadas de corte da taxa Selic.

Qualquer governo eleito pelo povo beneficia-se de um período de graça. O arcabouço fiscal do ministro santificado, junto com a ortodoxia monetária do BC, propiciou uma lua de mel entre o governo e os agentes econômicos. O afeto, porém, encerrou-se.

Como de hábito, os economistas heterodoxos, Gleisi Hoffmann e o “gabinete do ódio” petista culparão os suspeitos de sempre, agravando a crise de comunicação do governo. Não se superam impasses políticos de fundo por meio de retórica balofa.

VIDA INTELIGENTE – Há tênues sinais de vida inteligente oriundos da Fazenda e do Planejamento. Haddad anunciou uma revisão “ampla, geral e irrestrita” das despesas públicas. Falta combinar com Lula e com o centrão. A noção de que o gasto estatal impulsiona o consumo e, por essa via, provoca crescimento econômico figura na mente presidencial, como tabu.

O centrão, por sua vez, não cultiva tabus, mas apenas seus interesses imediatos – e, precisamente por isso, associou-se ao manual lulista de teoria econômica.

Lula 3 foi inaugurado à sombra gloriosa do fracasso do golpismo bolsonarista. “Nós” contra “eles”: o antibolsonarismo sedimentou-se como ferramenta propagandística crucial do lulismo. Entretanto, por sua própria natureza, a polarização funciona melhor para a oposição que para o governo. Se Lula 3.2 revelar-se incapaz de romper o tabu econômico presidencial, será sucedido por um bolsonarismo 2.0. Ou seja, pela proverbial “tragédia sem fim”.

E Mário Quintana escreveu um poema triste e belo, apesar da sua tristeza… 

71 ideias de Mario Quintana em 2024 | pensamentos, citações, frases de mário  quintana

O jornalista, tradutor e poeta gaúcho Mário de Miranda Quintana (1906-1994), mostra que também se inspirava para fazer poemas tristes, mas que de certa forma até eram belos, apesar de sua tristeza.

EU ESCREVI UM POEMA TRISTE
Mário Quintana

Eu escrevi um poema triste
E belo, apenas da sua tristeza.
Não vem de ti essa tristeza
Mas das mudanças do Tempo,
Que ora nos traz esperanças
Ora nos dá incerteza…
Nem importa, ao velho Tempo,
Que sejas fiel ou infiel…
Eu fico, junto à correnteza,
Olhando as horas tão breves…
E das cartas que me escreves
Faço barcos de papel!      

Ciro Gomes, um pote até aqui de mágoa, agora ataca os artistas, sem haver razão

Ciro Gomes reafirma críticas à senadora Janaína Farias em entrevista ao Grupo IN - Portal IN - Pompeu Vasconcelos - Balada IN

Ciro não contém a decepção e ataca a amiga Paula Lavigne

Carlos Newton

Ex-prefeito, ex-governador, ex-deputado e ex-ministro, Ciro Gomes se mostra desapontado com a vida que ele próprio escolheu e desta vez escolheu como alvo “os artistas”, transformando-os em moinhos de vento que ataca quixotescamente.

O ex-presidenciável mostra que não consegue esquecer que na eleição os artistas preferiram apoiar novamente Lula, embora o petista já estivesse com prazo de validade vencido, como está sendo visto agora.

UM “SISTEMA” – Durante uma transmissão de voz no X (antigo Twitter), nesta sexta-feira (dia 14), o ex-governador do Ceará fez críticas à classe artística brasileira como um todo. Referindo-se a ela como um “sistema”, afirmou que os artistas agora devem ser vistos como inimigos.

“Esses artistas – intelectuais, comerciais ou esportistas – são do sistema. Eu estava enganado, eles são contra nós, são quinta coluna, usurparam nosso discurso, falam de Brasil, falam de pobres, mas são as pessoas que já aviltaram a política”, disse o político, acrescentando que “essa turma tem que ser entendida como inimiga”.

O ex-candidato à Presidência disse ter se esforçado para se aproximar de artistas, mas reclamou que, enquanto tentava “explicar economia”, eles perguntavam: “Vai legalizar minha maconha?”.

COOPTAÇÃO – De acordo com a reportagem distribuída pela Agência Minas e publicada pelo “Estado de Minas”, disse Ciro Gomes que os artistas foram cooptados pelo “lulopetismo” e menciona até mesmo “suborno”.

“O esforço de cooptação, de anestesia, de suborno que o lulopetismo produziu faz com que tenhamos intelectuais e artistas relativizando a esculhambação, as concessões, a corrupção”, acrescentou.

A produtora Paula Lavigne, mulher de Caetano Veloso, também foi alvo das críticas de Ciro Gomes. “Você acha que Paula Lavigne quer saber de saúde pública? Ela tem seu plano de saúde nos Estados Unidos”, afirmou.

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P.S. 
 – Como na belíssima música de Chico Buarque, é claro que Ciro Gomes se tornou um pote até aqui de mágoa, a ponto de ferir uma velha amiga como Paula Lavigne. Pensei que ele fosse superar a dor de mais uma eleição perdida, e seguir em frente, contribuindo de forma positiva para o país. Mas estou enganado. Pelo visto, Ciro vai se transformar num chato de galochas, como se dizia antigamente. É pena. (C.N.)

Entrevistado em Genebra, Lula se confunde e chama Haddad de “ministro da Defesa”. Deu na Folha

Lula sugere que Zelensky e Putin estão 'gostando da guerra' e cobra negociação entre Ucrânia e Rússia pela paz | Política | G1

Lula dá utra mancada e só falta chamar urubu de meu louro

Deu na Folha

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se confundiu e chamou Fernando Haddad de ministro da Defesa. Haddad comanda a pasta da Fazenda. O mandatário está em Genebra, onde participa da Conferência Internacional do Trabalho —realizada anualmente pela OIT.

“Eu não tenho nada contra o Haddad. O Haddad é um extraordinário ministro da Defesa”, afirmou o presidente ao ser questionado sobre dúvidas recentes em relação à força do titular da Fazenda, que levaram a uma disparada do dólar e dos juros futuros no Brasil nos últimos dias.

CENTRO DOS DEBATES – Na sequência, Lula se corrige e já fala em Fazenda. “Eu não sei qual é a pressão contra o Haddad. Todo ministro da Fazenda, desde que eu me conheço por gente, vira um centro dos debates, quando a coisa dá certo e quando a coisa não dá certo.”

De acordo com Lula, Haddad “tentou ajudar alguns empresários construindo uma alternativa à desoneração feita para aqueles 17 grupos de empresários”.

Segundo o presidente, agora cabe aos empresários e aos senadores encontrarem uma solução para manter neste ano a desoneração da folha de pagamentos.