Cinco filmes para entender a política brasileira

'Getúlio' (2014) é uma das opções de filmes que abordam a política brasileira

Não é só a série ‘House of cards’ que ajuda a explicar as negociações políticas no Congreso Nacional brasileiro. A crise vivida pelo país é, em parte, resultado de dramas e conflitos ocorridos há décadas e que moldaram a história nacional. O cinema brasileiro já retratou nas telas diferentes períodos e governos que fazem a ponte com esse momento em que o Brasil vive. O #focanovoto selecionou cinco filmes que pode ampliar ainda mais o seu conhecimento sobre a história da nossa política.

Tony Ramos encarnou o presidente Vargas em 'Getúlio' (2014)

Getúlio (2014):

Os últimos dias da intimidade de Getúlio Vargas são contados neste filme dirigido por João Jardim. Isolado no Palácio do Catete, Vargas resiste enquanto seus opositores o acusam de ser o responsável pela tentativa de assassinato do jornalista, e futuro governador do estado da Guanabara, Carlos Lacerda.

'Terra em transe' (1967) é um dos clássicos de Glauber RochaTerra em transe (1967):

Um dos clássicos do Cinema Novo. O terceiro longa-metragem dirigido por Glauber Rocha se passa em um país imaginário chamado Eldorado, mas que não deixa de ter a cara do Brasil. Entre militantes, artistas e políticos populistas de esquerda e direita, o filme constrói uma provocadora alegoria política que causou polêmica no seu lançamento, em 1968.

'O ano em que meus pais saíram de férias' (2006) retrata o período da ditadura

O ano em que meus pais saíram de férias (2006):

Em plena ditadura militar, às vésperas da Copa do Mundo de 1970, os pais do pequeno Mauro, de 12 anos, são obrigados a fugir do país por serem militantes de esquerda. O jovem passa a morar com um vizinho, um senhor solitário. Dirigido por Cao Hamburguer, é um retrato sensível dos anos de chumbo pelo olhar de uma criança.

Em 'Tropa de elite 2', José Padilha se volta à políticaTropa de elite 2 (2010):

Passado treze anos depois do primeiro filme, ‘Tropa de elite 2’ dá mais atenção ao que acontece nos níveis mais altos do poder. Não é, portanto, só a Polícia Militar que está na mira do diretor José Padilha. Esquemas escusos entre milicianos, criminosos e políticos do Rio de Janeiro são partes centrais da trama.

Leandro Hassum vive o presidente da república em 'O candidato honesto 2'O candidato honesto 2 (2018):

Se a procura é por algo menos compromissado e divertido, a sequência de ‘O candidato honesto’, estrelada por Leandro Hassum, pode ser uma boa pedida. A comédia, atualmente em cartaz nos cinemas, se utiliza de sátiras e humor leve para retratar as dificuldades no exercício do mandato de um presidente da República.

Por Paulo Assad e Vitor Seta, estagiários sob supervisão de Daniel Biasetto

oglobo

Parlamentares têm biografias alteradas em páginas da internet para esconder escândalos

Givaldo Barbosa

Votos polêmicos suprimidos, escândalos ocultados, e elogios. O GLOBO identificou ao menos 32 políticos, deputados e senadores, que tiveram suas páginas alteradas. A lista de mudanças feitas por parlamentares (27 deles candidatos nestas eleições) é extensa nas páginas do Wikipédia, enciclopédia online referência nos buscadores da internet. Entre os nomes listados, constam os dos senadores Flexa Ribeiro (PSDB-PA) e Hélio José (PROS-DF), além dos deputados Carlos Zarattini (PT-SP), Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) e Herculano Passos (MDB-SP). Todos disputam um novo mandato.

Analisando o histórico da página de Zarattini é possível verificar mais alterações nesse sentido. No dia 17 de abril, o usuário “Castro vanessa38” retirou um parágrafo sobre um escândalo em que a esposa de Zarattini, Maria Aparecida Perez, se envolveu durante a gestão de Marta Suplicy na prefeitura de São Paulo. Condenada por improbidade administrativa, ela firmou contrato sem licitação junto a Fundação Getúlio Vargas quando foi secretária da Educação. O usuário que fez a mudança tem nome parecido com o de uma assessora de Zarattini: Vanessa Castro.

— Se houve alteração da nossa parte, foi no início do ano. Mas a gente segue olhando as mudanças, porque qualquer pessoa pode mexer. Além disso, as páginas de parlamentares são alteradas frequentemente, para atualizar projetos aprovados por eles — justificou Vanessa Castro, que não confirmou ser a responsável pelo perfil “Castro vanessa38”.

O trecho acabou recuperado por outro usuário. No entanto, no dia 10 de agosto, um usuário de nome Wilberty extirpou do texto o segmento “Escândalos Pré 2018”, que incluía o caso da esposa do deputado. No trecho, contavam-se casos de corrupção em que Zarattini esteve envolvido, como quando sofreu denúncias por ter feito repasses ilegais para empresas de ônibus, durante sua gestão como secretário de transportes de Marta Suplicy. Na própria Wikipedia, Wilberty explicou que cortou trecho porque ele carecia de “apoio de fontes confiáveis”. Não é possível saber o IP de Wilberty, pois a Wikipedia protege informações de usuários cadastrados.

oglobo

Um dia após Haddad, Ciro Gomes cumpre agenda no Recife

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Ciro Gomes (PDT) cumpriu agenda no RecifeFoto: Ed Machado/Folha de Pernambuco

*Com informações de Ullysses Gadelha, da editoria de Política.

presidenciável Ciro Gomes (PDT) está no Recife para cumprir agendas de campanha neste domingo (23). O primeiro compromisso do pedetista foi uma roda de conversa com a juventude, às 14h30, em uma universidade do bairro das Graças, onde concedeu coletiva de imprensa. De lá, Ciro seguiu para um ato político no comitê do candidato a deputado federal, Tulio Gadelha (PDT).

A visita à capital pernambucana acontece um dia depois de um grande ato realizado por Fernando Haddad (PT), principal concorrente para disputar o segundo turno contra Jair Bolsonaro (PSL), segundo os últimos levantamentos de intenção de voto. Ciro voltou a colocar em dúvida a seriedade dos institutos de pesquisa e fez um apelo aos eleitores.”O que eu recomendo ao povo brasileiro, com muito amor e compaixão, é que a gente não entregue nossa decisão para os instituto de pesquisa. Lembrem-se que estamos num país em que tudo pode estar de cabeça para baixo por mero erro, porque os votos estão migrando, estão mudando, há muitas emoções e reviravoltas na campanha”, disse.

“Este é um país em que se ouve falar, muito sistematicamente, em compra e venda de deputados. Se um deputado pode ser comprado num país como o nosso, você imagina que os instuitutos de pesquisa estão assim tão protegidos da decência?”, questionou Ciro, que alertou para a importância do pleito de 2018. “Estamos vivendo a pior e mais grave crise da nossa história e isso transforma essas eleições nas mais importantes desde da redemocratização. Nós não podemos errar”, advertiu.

Vídeo: música em ato pró-Bolsonaro no Recife causa revolta nas redes

Paródia entoa críticas à esquerda, ao feminismo e à CUT

Polêmica com mulheres marca ato pró-Bolsonaro na Zona Sul do Recife / Foto: Reprodução / Facebook

Polêmica com mulheres marca ato pró-Bolsonaro na Zona Sul do Recife
Foto: Reprodução / Facebook
Uma música cantada durante a caminhada de apoio ao candidato à presidência Jair Bolsonaro (PSL), que ocorreu na manhã deste domingo (23), na Avenida Boa Viagem, na Zona Sul do Recife, tem gerado revolta nas redes sociais. A gravação mostra uma paródia da música ‘Baile de Favela’, que entoa críticas à esquerda, ao feminismo e à Central única dos Trabalhadores (CUT). Veja a letra e o vídeo abaixo:

Vídeo

Letra

“Dou pra CUT pão com mortadela 
e pras feminista ração na tigela 
as mina de direita são as top mais bela 
enquanto as de esquerda tem mais pelo que as cadelas
Bolsonaro salta de paraquedas
Bolsonaro capitão da reserva
E o Bolsonaro casou com a cinderela 
Enquanto o Jean Wyllys só tava vendo novela 
Maria do Rosário não sabe lavar panela 
Jandira Feghali nunca morou na favela 
Luciana Genro apoia os sem terra
Mas não dá o endereço pra invadir a casa dela”

O ato em Boa Viagem

Mesmo em segundo lugar nas intenções de voto em Pernambuco (17%), a campanha de Jair Bolsonaro (PSL) à presidência da República ganhou reforço em caminhada de apoio ao candidato, que ocorreu na manhã deste domingo (23) na Avenida Boa Viagem, na Zona Sul do Recife.

O ato, mesmo sem a presença de Bolsonaro, que continua sua recuperação no hospital, contou com a presença de centenas de pessoas, inclusive muitas mulheres e vários líderes religiosos.

Temer, Moreira e Padilha terão de prestar depoimentos

QUADRILHÃO DO MDB

Presidente e ministros terão de dar esclarecimentos à Justiça como testemunhas do caso conhecido como ‘Quadrilhão do MDB’

Temer, Moreira e Padilha terão de prestar depoimentos
Temer não precisará comparecer à Justiça e poderá responder os questionamentos por escrito (Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil)

O presidente Michel Temer e os ministros Moreira Franco, de Minas e Energia, e Eliseu Padilha, da Casa Civil, foram convocados para prestar depoimentos à Justiça sobre o esquema conhecido como “Quadrilhão do MDB”. Além deles, o empresário Joesley Batista também foi convocado pelo juiz federal Vallisney de Oliveira, da 10ª Vara da Justiça Federal em Brasília.

Os convocados terão de prestar esclarecimentos como testemunhas do caso, que revelou a atuação de integrantes do partido, antigo PMDB, na Câmara que atuavam em órgãos públicos, como a Caixa Econômica Federal, garantindo vantagens em troca de propina. Temer não precisará comparecer à Justiça e poderá responder os questionamentos por escrito.

Em junho, o ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha foi condenado a 24 anos de prisão pelo esquema. O deputado Henrique Eduardo Alves foi condenado a oito anos. Também são réus na investigação o ex-ministro Geddel Vieira Lima, o ex-deputado Rodrigo Rocha Loures, José Yunes, João Baptista Lima Filho, coronel Lima, Altair Alves Pinto e Sidney Norberto Szabo.

“A par de que o MPF [Ministério Público Federal] e o réu Rodrigo Santos da Rocha Loures, além de outros denunciados em suas respectivas respostas, fazem referências ao Exmo. Senhor Presidente da República Michel Temer, bem como aos ministros Wellington Moreira Franco, Eliseu Padilha e, ainda, a Joesley Batista, também tenho como imprescindíveis seus testemunhos (do Juízo), em data a ser designada para depois da oitiva das testemunhas de acusação”, afirmou o magistrado no despacho, segundo noticiou o Congresso em Foco.

Arqueólogos encontram nova esfinge no Egito

Acredita-se que a estrutura tenha mais de 2 mil anos e date da Dinastia Ptolemaica, entre 300 a.C. e 30 a.C

Arqueólogos encontram nova esfinge no Egito
Com apenas 38 cm de altura, a esfinge foi descoberta na cidade de Aswan (Foto: Ministry of Antiquities/Facebook)

Arqueólogos encontraram uma nova esfinge no Egito. Acredita-se que a estrutura tenha mais de 2 mil anos e date da Dinastia Ptolemaica, entre 300 a.C. e 30 a.C. Os pesquisadores ainda estudarão melhor as estruturas para dar maiores detalhes.

Ao contrário do que normalmente ocorre, a nova esfinge foi descoberta sem querer. Isso porque a estátua de arenito foi descoberta a partir de um trabalho de drenagem para reduzir o nível de um lençol freático do templo Kom Ombo, na cidade de Aswan.

As imagens divulgadas nas redes sociais pelo Ministério de Antiguidades do Egito mostram uma esfinge clássica, com corpo de leão e cabeça de humano. As primeiras fotos mostram que a estrutura está praticamente intacta e bem preservada.

Segundo o texto do ministério, a esfinge foi encontrada próxima ao local onde dois relevos de arenito do rei Ptolomeu V foram descobertos há dois meses. Por isso, a crença de que a estátua date do mesmo período é reforçada, apesar de ainda não ser confirmada.

Ao contrário da famosa grande esfinge de Gizé, que tem 73 metros de comprimento e 20 metros de altura, a nova estátua é bem menor. A esfinge descoberta em Kom Ombo tem apenas 38 centímetros de altura.

O templo Kom Ombo é considerado incomum, mesmo para o antigo Egito. Isso porque o espaço é dedicado a duas divindades da época: o deus crocodilo Sobek e o deus falcão Haroeris. Mais de 300 múmias de crocodilo já foram descobertas perto do templo.

Mesmo milhares de anos depois, os arqueólogos ainda buscam maiores informações sobre o passado do Egito. Muitos mistérios e frequentes descobertas seguem aparecendo. Recentemente, restos humanos mumificados também foram descobertos próximos às margens do rio Nilo.

A esfinge é uma das grandes figuras mitológicas do Egito antigo. Acredita-se, a partir da mitologia, que ela narrava enigmas para os seus desafiadores. Sua aparição mais conhecida é na saga de Édipo, que está exposta em uma pintura de Jean-Auguste Dominique, chamada “Édipo e a Esfinge”, no museu do Louvre, em Paris.

Fontes:
CNN-New sphinx uncovered in Egypt

Avanço da tecnologia pode expandir mercado de trabalho

Segundo um relatório recente do Fórum Econômico Mundial, em 2025 as máquinas executarão mais tarefas do que os seres humanos, mas podem gerar outras vagas

Avanço da tecnologia pode expandir mercado de trabalho
Serão criadas 133 milhões de funções diferentes no mercado de trabalho (Foto: Hong Chang Lin/Flickr)
Existe um número que as pessoas não citam quando lamentam o uso crescente de máquinas inteligentes e a ameaça que elas representam no mercado de trabalho.

Não se trata do número de segundos que um robô demora para solucionar o quebra-cabeça do cubo de Rubik  (0,38 segundos), ou o número de horas que um robô demora para aplicar um algoritmo a fim de detectar casos de câncer, que os seres humanos fazem em duas horas.

O número omitido refere-se à quantidade de empregos que serão criados com o uso de máquinas inteligentes em determinadas atividades. A maioria dos progressos tecnológicos dispensa a ação humana. Mas nos últimos 140 anos, a história mostrou que, apesar das ameaças potenciais da automação, a tecnologia criou mais empregos do que eliminou.

Um  relatório do Fórum Econômico Mundial divulgado em 17 de setembro, mencionou que em 2025 as máquinas serão responsáveis pela execução de mais da metade de todas as tarefas realizadas no ambiente de trabalho, em comparação com a proporção atual de 29%, o que eliminará 75 milhões de empregos até 2022. Porém, no mesmo período de cinco anos, serão criadas 133 milhões de funções diferentes no mercado de trabalho, que resultarão em 58 milhões de novos empregos.

Segundo o relatório, haverá uma demanda maior por analistas de dados e desenvolvedores de software nos próximos cinco anos, enquanto os profissionais encarregados de tarefas burocráticas como controle de entrada de dados, contabilidade e preparação de folhas de pagamento serão substituídos por máquinas.

Esse progresso tecnológico requer uma recapacitação da força de trabalho. Na avaliação do relatório, 54% de profissionais de diferentes áreas terão de desenvolver novas qualificações em um cenário dominado pela internet de alta velocidade, inteligência artificial, análise de grandes quantidades de dados e computação em nuvem.

“É fundamental que as empresas assumam um papel ativo de apoio aos funcionários por meio da recapacitação e de treinamento constantes. Por outro lado, esse novo mundo competitivo exige que as pessoas tenham uma postura proativa diante das mudanças. Este é o principal desafio de nossa época”, disse Klaus Schwab, fundador e presidente executivo do Fórum Econômico Mundial.

Fonte:
Quartz-By 2025, machines will do more work than humans, a new report says

Sigmund Freud, pai da psicanálise

Em 23 de setembro de 1939, morreu Sigmund Freud, o pai da psicanálise

Sigmund Freud, pai da psicanálise
As ideias de Freud são motivo de controvérsia até hoje (Reprodução/Internet)
Sigmund Freud nasceu em 6 de maio de 1856, na Áustria. O famoso psicanalista começou a ter interesse pela área da histeria, praticando a hipnose como forma de tratamento. A psicanálise, a psicologia e a psiquiatria não existiriam hoje se não fosse por Freud.

As ideias de Freud o fizeram ser rejeitado por algumas pessoas em sua época e, até hoje, ainda são motivo de controvérsia. Em seu famoso livro “A Interpretação dos Sonhos”, Freud aponta que parte de seus problemas psicológicos se deviam a uma atração pela própria mãe. Esse tipo de declaração, que daria origem ao Complexo de Édipo, marginalizou Freud.

Atualmente, são feitas críticas ao método psicanalítico de Freud, uma das mais contundentes seria a de que a psicanálise não seria uma ciência, pois seu resultado não poderia ser comprovado por fatos. Freud morreu de câncer na boca, no dia 23 de setembro de 1939.

Fonte:
OperaMundi-Morre em Londres, Sigmund Freud, o criador da psicanálise

FHC diz que sua carta é dirigida aos eleitores, não aos candidatos ou partidos

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FHC está precisando de uma tradução simultânea

Deu em O Globo

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) disse neste sábado no twitter que a carta divulgada por ele na quinta-feira –  em que pregou a união de candidaturas de centro contra o que chamou de “marcha da insensatez” – era voltada “aos eleitores e eleitoras, não aos candidatos ou aos partidos”.

– Há meses repito ser necessário um “centro popular e progressista”. Parece que na conjuntura água mole não racha pedra dura. O que não muda minhas convicções – disse o tucano na rede social.

DURAS CRÍTICAS – Desde que divulgou a carta, FHC tem sido alvo de duras críticas de candidatos. No mesmo dia em que ele publicou o documento, a candidata da Rede, Marina Silva, desdenhou da proposta no twitter. “Ninguém chama para tirar as medidas com a roupa pronta”, escreveu ela. Já seu vice, Eduardo Jorge, disse que o ex-presidente havia ignorado proposta semelhante feita por ele no início do ano.

No dia seguinte, Ciro Gomes, do PDT, ironizou a proposta de FHC. “É muito mais fácil um boi voar de costas. O FHC não percebe que ele já passou. A minha sugestão para ele, que ele merece, é que troque aquele pijama de bolinhas que está meio estranho por um pijama de estrelinhas. Porque, na verdade, ele está preparando o voto no Fernando Haddad, porque ele não tem respeito a nada e a ninguém, a não ser ao seu próprio ego” – afirmou, em ato de campanha em Brasília.

CRIA DO PSDB – A presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann, criticou a carta e disse que Bolsonaro é cria do PSDB, pelo twitter. Por outro lado, o candidato do PSL escreveu em sua página oficial, sem citação às palavras do ex-presidente. “Tentaram nos tirar da disputa na covardia, mas o esforço de cada um, mesmo no momento mais crítico, só nos ergue ainda mais. Estamos mostrando que é possível vencer sem vender a alma, sem mentiras, e isso ninguém vai apagar! Vamos em frente! Chega de facções comandando o Brasil”.

Na carta em que pregou a união dos candidatos para evitar situações extremas, FHC não fez menção direta ao candidato de seu partido à Presidência, Geraldo Alckmin. Mas, no twitter, ele disse que Alckmin seria mais bem preparado para a missão. Publicamente, Alckmin elogiou a carta, mas refutou união de centro nesse momento: ‘Não vou procurar candidatos’.

PÃO, PÃO, QUEIJO, QUEIJO. Por FERNANDO GABEIRA

FERNANDO GABEIRA

 a polarização brasileira, de uma certa forma, reduziu as chances de um esboço de projeto nacional para enfrentar a crise e reconstruir o País…

        Por FERNANDO GABEIRA

Ando muito pelo Brasil, mas não faço pesquisas. Nem pergunto em quem o interlocutor vai votar. Apenas converso. E com isso vou formando um quadro que, às vezes, é confirmado pelas pesquisas que dizem ter estreita margem de erro.

Faz algum tempo que tento me acostumar com a realidade que vem pela frente, um confronto polarizado entre dois líderes populares, Lula e Bolsonaro. Como um está na cadeia e o outro no hospital, a eleição ganha um tom de realismo fantástico. É preciso abstrair a dimensão romanesca e cair na realidade: um dos dois será vitorioso, com todas as consequências que isso implica.

Senti no Nordeste que Lula tem muita força. Na Bahia, sobretudo, um sentimento de gratidão a Lula e a popularidade do governo local indicam uma supremacia da esquerda. No Norte, Sudeste e Sul, ouço muito o nome de Bolsonaro. Se o que vi tem o valor de uma pesquisa espontânea, minha inclinação é supor que a aspiração de mudança está encarnando nele.

Às vezes tendo a imaginar se essa imensa resistência ao governo de esquerda não se parece com o susto que os franceses tiveram com o Maio de 1968, optando pela volta de De Gaulle.

Não vejo o momento que virá pela óptica dos anos 60 no Brasil, pelo menos não o descreveria como Roberto Campos ao analisar a queda de Goulart e a tomada do poder pelos militares. Para ele, a alternativa eram anos de chumbo ou rios de sangue. E também não é, como às vezes dizemos brincando, um dilema entre Venezuela e Filipinas. O presidente das Filipinas é um peso-pesado no gênero. E um destino venezuelano é altamente improvável. Maduro não se aguentaria tanto tempo se não tivesse cooptado as Forças Armadas com empregos que rendem muito aos generais. No Brasil isso seria diferente.

…O estímulo ao equilíbrio deve vir da sociedade, mas isso não é fácil quando a maioria dos eleitores pende para uma visão mais radical.

Ainda assim, descartando modelos mais assustadores, viveremos uma situação delicada. As duas forças em presença são dificilmente conciliáveis.

Nos Estados Unidos, apesar da rivalidade, em alguns e raríssimos momentos democratas e republicanos reconhecem o interesse nacional. Já a polarização brasileira, de uma certa forma, reduziu as chances de um esboço de projeto nacional para enfrentar a crise e reconstruir o País. Certamente cada uma das partes tem o seu. Mas ele dificilmente atravessa os limites dos seus entusiasmados seguidores.

O estímulo ao equilíbrio deve vir da sociedade, mas isso não é fácil quando a maioria dos eleitores pende para uma visão mais radical. O discurso do equilíbrio é sentido como uma das formas de manter o sistema político-eleitoral. As expectativas são muito maiores.

… Reconheço que vivemos num país com alto nível de imprevisibilidade. Mas, com os dados que tenho, creio que a tarefa será cada vez mais pensar os próximos passos…

Num posto de gasolina da estrada, um homem com um longo chapéu de palha me disse: “Voto no Bolsonaro porque é preciso virar a mesa”. Nesses momentos sinto a fragilidade dos instrumentos com que deveríamos contar quando o presidente assumir: Congresso e Supremo Tribunal.

O Congresso, na verdade, é a força sobre a qual a sociedade ainda pode exercer uma influência maior. Ainda assim, com discretíssimas mudanças será sentido mais como parte do problema do que como solução.

O Supremo… Bem, o Supremo todos sabemos que está parcialmente empenhado em neutralizar a Lava Jato. Cada vez que concede um habeas corpus, liberta um condenado, desmembra um processo para tirá-lo de Curitiba, está alimentando o desejo de uma renovação pela direita.

Vejo um amplo jogo de grandes forças sociais e, diante dele, poucas as chances da intervenção individual. Reconheço que vivemos num país com alto nível de imprevisibilidade. Mas, com os dados que tenho, creio que a tarefa será cada vez mais pensar os próximos passos, estabelecer um roteiro de redução de danos. É uma tarefa para todos os que querem sair do atraso, incluídos os eleitores mais moderados dos dois líderes.

Ultimamente têm surgido alguns livros no Brasil sobre a decadência da democracia, que não sofre mais golpes de Estado, mas simplesmente transita para regimes autoritários. Os livros são ótimos, porém o cenário dos últimos anos no Brasil é um livro aberto. Várias vezes o Congresso votou projetos absurdos sabendo que estava cavando um abismo maior entre os políticos e a sociedade. Os escândalos de corrupção, que levaram um grupo para a cadeia e deixaram seu principal aliado agonizando diante da pressão policial, tudo isso contribui para um desencanto geral com o sistema político-partidário.

Não se trata de um “bem que avisei” ou de caça aos culpados, apenas uma constatação importante de como será difícil a nova fase.

… Poderia divagar muito sobre o dilema brasileiro. Poderia até desejar que não fosse assim. Mas seria perda de tempo. Se não estou muito equivocado, essa é a realidade que está aí…

Se uma visão mais moderada perder a batalha eleitoral, e isso me parece provável no momento, não terá perdido com isso a sua importância. Ela pode ser um fio de esperança para que surja um projeto de reconstrução mais consensual. E ser uma espécie de algodão entre cristais, lembrando que a guerra fria acabou e é necessário superar os grandes dilemas ideológicos para recuperar o tempo perdido.

A polarização entre dois líderes populares de certa forma simplifica e torna o processo mais caloroso ainda. Mas revela como surgem os líderes nacionais no Brasil democrático. Eles simbolizam também a força da comunicação oral. São capazes de transmitir a mensagem que a forma literária dos intelectuais não consegue.

Claro que seu discurso também é lido, perpassa os jornais e revistas. No entanto, é a linguagem oral, com seus erros, hesitações e exageros, que consegue chegar ao coração dos eleitores em escala nacional. Outros podem usá-la sem êxito. Entra aí um outro fator importante: o papel do indivíduo, sua trajetória e personalidade.

Poderia divagar muito sobre o dilema brasileiro. Poderia até desejar que não fosse assim. Mas seria perda de tempo. Se não estou muito equivocado, essa é a realidade que está aí. E é com ela que teremos de construir incessantemente nossos sonhos, ainda que modestos.