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A Pátria de tornozeleiras

O Brasil já é o segundo país do mundo com maior número de portadores do equipamento, cujo uso é um pouco mais complicado do que parece

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Por Renato Onofre

O Brasil tem a segunda maior população de usuários de tornozeleiras eletrônicas do mundo. Hoje, pelo menos 28 000 pessoas são monitoradas 24 horas por dia pela Justiça. A adoção do equipamento cresceu exponencialmente nos últimos cinco anos e deve quadriplicar nos próximos anos. Ultimamente, diante do brutal desequilíbrio entre oferta e procura, a busca do equipamento é disputada a tapas. O ex-deputado e assessor do presidente Michel Temer, Rodrigo da Rocha Loures, corre o risco de perder o seu equipamento e, consequentemente, ser obrigado a voltar para a cadeia. O Ministério Público de Goiás entrou com um pedido para que a justiça reconsidere a decisão que negou o recolhimento do equipamento. Para o promotor Fernando Krebs, o aliado de Temer furou a fila para conseguir sair da prisão. Hoje, 25 pessoas estão atrás das grades em Goiás por conta da falta do equipamento.

O equipamento que proporciona uma liberdade – ainda que restrita aos usuários – é também alvo de reclamação. A doleira da Lava-jato Nelma Kodama adaptou um assessório usado por jogadores de tennis no pulso – uma munhequeira – na perna para evitar o incômodo de passar o dia com o equipamento preso ao corpo. Já o ex-diretor da Petrobrás Nestor Cerveró teve que ficar mais de 30 minutos na chuva para que o sinal da tornozeleira fosse captado. Como se vê, é ruim a tornozeleira, bem pior sem ela.

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Sonia Braga ganha prêmio Platino de melhor atriz por ‘Aquarius’

Brasileira já havia recebido Prêmio de Honra em cerimônia de 2014. Longa argentino ‘El ciudadano ilustre’ foi principal vencedor da noite.

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Por France Presse

Brasileira já havia recebido Prêmio de Honra em cerimônia de 2014. Longa argentino ‘El ciudadano ilustre’ foi principal vencedor da noite.

A atriz Sônia Braga ganhou o prêmio Platino de melhor atriz por seu papel em “Aquarius”, em uma cerimônia realizada neste sábado (22) em Madri.

O filme argentino “El ciudadano ilustre” foi o grande vencedor do Prêmio Platino de Cinema Ibero-americano, com os prêmios de melhor filme, melhor ator para Óscar Martínez e melhor roteiro para Andrés Duprat.

Nos últimos prêmios Goya, considerados o Oscar do cinema espanhol, essa história sobre o doloroso regresso de um nobel argentino de Literatura a sua pequena cidade natal levou o prêmio de melhor filme ibero-americano.

Gastón Duprat, codiretor junto com Mariano Cohn e irmão de Duprat, lembrou que eles demoraram cinco anos para fazer o filme, e comemorou que este “tenha sido desfrutado por públicos de tantos países e tão diferentes”.

A cerimônia foi celebrada no estádio da Caja Mágica e apresentada pela atriz uruguaia Natalia Oreiro e pelo comediante espanhol Carlos Latre

O filme de fantasia “Un monstruo viene a verme”, do espanhol Juan Antonio Bayona, elogiado pelos seus efeitos especiais, ganhou quatro prêmios nas categorias técnicas, e Pedro Almodóvar recebeu o prêmio de melhor diretor por “Julieta”.

Sônia Braga, que recebeu o Prêmio de Honra na primeira edição do Platino, em 2014, foi reconhecida como a melhor atriz pelo seu papel de Clara em “Aquarius”, de Kleber Mendonça Filho.

O filme de Bayona, que tinha o maior número de indicações, em sete das 15 categorias, ficou com quatro prêmios: montagem, direção artística, fotografia e som.

“Julieta” tinha chegado com quatro indicações, e venceu em duas categorias: melhor música original, para Alberto Iglesias, e melhor diretor, para Almodóvar.

“Desde allá”, do venezuelano Lorenzo Vigas, ganhou o prêmio de melhor obra-prima de ficção.

“Neruda”, do chileno Pablo Larraín, era o segundo com mais indicações, em quatro categorias, mas não ganhou nenhum prêmio.

O Platino de Honra foi entregue ao americano Edward James Olmos, conhecido pelo seu papel como tenente Castillo na série televisiva ‘Miami Vice’ e pioneiro latino na indústria cinematográfica americana.

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A Bruzundanga de Lima Barreto

Por Hélio Gurovitz

O homenageado deste na na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) é o escritor Lima Barreto (foto).

Em meio aos relançamentos, ensaios críticos e biografias, destaca-se a sátira Os Bruzundangas, publicada postumamente, tema de minha coluna desta semana na revista Época. Nela, Lima Barreto cria uma república imaginária, A Bruzundanga, espelho do Brasil da República Velha.

É um país liderado por um “madachuva” escolhido entre os mais medíocres, em que os políticos se julgam diferentes do resto da população e, uma vez no poder, só pensam em enriquecer e em garantir o futuro da parentalha.

“Não há lá homem influente que não tenha, pelo menos, trinta parentes ocupando cargos do Estado; não há lá político influente que não se julgue com direito a deixar aos filhos, netos, sobrinhos, primos, gordas pensões pagas pelo Tesouro da República”, escreve Lima Barreto.

“Pode ser definida a feição geral da sociedade da Bruzundanga com uma palavra – medíocre. Vem-lhe isto não de uma incapacidade nativa, mas do contínuo tormento de cavar dinheiro, por meio de empregos e favores governamentais, do sentimento de insegurança de sua própria situação.”

Como se vê, mais de cem anos depois, quase nada mudou.

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Bens mais valiosos de Temer pertenceram a José Yunes

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Yunes é amigo de Temer há 50 anos e foi assessor especial da Presidência. Pediu demissão após ser citado em delação de ex-diretor da Odebrecht

De acordo com levantamento realizado pela revista Veja, parte dos bens do presidente Michel Temer (PMDB) teve como dono anterior José Yunes, amigo de longa data e ex-assessor especial do peemedebista. Yunes pediu demissão do cargo em dezembro e prestou depoimento voluntário ao Ministério Público em fevereiro, quando afirmou que foi “mula involuntária” do ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha.

Uma casa, duas salas comerciais e um andar inteiro em um prédio na cidade de São Paulo fazem parte da lista de bens que foram vendidos por Yunes e suas empresas para a família Temer. Apesar do padrão curioso e de algumas transações não terem seguido o padrão convencional, a revista não detectou nenhuma ilegalidade nas atividades.

As propriedades somavam R$ 18 milhões antes de serem vendidas a Temer. Uma das transações que mais chama a atenção é a do andar em um prédio em São Paulo. O edifício está localizado em área nobre da cidade e foi construído pela família de Yunes. Temer comprou o andar em 2011 por R$ 2,2 milhões. O montante equivale a apenas um terço do valor de mercado para um imóvel na região à época. Atualmente, o valor estimado de mercado é de R$ 14 milhões.

Citado por delatores e “mula involuntária”

José Yunes pediu demissão do cargo de assessor especial do governo em dezembro do ano passado, após ser citado por delator da Odebrecht. Cláudio Melo Filho, ex-diretor de relações institucionais da empreiteira, afirmou que parte da propina de R$ 10 milhões pedida por Temer foi repassada a Yunes e a Eliseu Padilha. O amigo de Temer teria recebido R$ 4 milhões em espécie no seu escritório.

Ao pedir demissão, Yunes escreveu uma carta entregando o cargo a Temer. “Nos últimos dias, Senhor Presidente, vi meu nome jogado no lamaçal de uma abjeta delação, feita por uma pessoa que não conheço, com quem nunca travei o mínimo relacionamento e cuja existência passei a tomar conhecimento, nos meios de comunicação, baseada em fantasiosa alegação, pela qual teria eu recebido parcela de recursos financeiros em espécie de uma doação destinada ao PMDB. Repilo com a força de minha indignação essa ignominiosa versão”, escreveu o advogado.

Em fevereiro, Yunes prestou depoimento ao Ministério Público de maneira espontânea. Ele disse que atuou como “mula involuntária” para o ministro Eliseu Padilha. Yunes disse que recebeu um envelope do doleiro Lúcio Bolonha Funaro a pedido de Padilha. José Yunes disse que não sabia o conteúdo do pacote e que não se preocupou em esclarecer o que havia dentro dele.

Fonte: Congresso em Foco

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Cesar Maia defende o filho: “Não é conspirador”

“Quem tem intimidade com o Rodrigo sabe que ele não tem estilo conspirador em nenhuma hipótese.” A frase é do vereador Cesar Maia, pai e principal fonte de influência sobre o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Ele diz que o filho tem agido como um “estadista” no encaminhamento da denúncia contra o presidente Michel Temer (PMDB) e garante que, com “a experiência de cinco mandatos”, o deputado “construiu repelentes” para não ser picado pela mosca azul.

Cesar Maia, que tem defendido a manutenção da boa relação do filho com o presidente, ressalta, porém, que “se fosse verdade” o aceno de Temer ao PSB — partido que o DEM assedia na tentativa de filiar dissidentes — o gesto “seria grave”. “Ainda bem que não foi.”

Questionado sobre as chances de Temer se manter na Presidência até o fim do mandato, o vereador é cauteloso: “Essa primeira denúncia não tem lastro. As demais não conheço”.  (Radar – FSP)

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Efraim: gesto de Temer com PSB beirou a deslealdade

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Para o líder do DEM na Câmara, Efraim Filho (PB), o desafio de Michel Temer (PMDB) é manter a governabilidade após a votação da denúncia contra o presidente no plenário. “A grande expectativa é sobre o tamanho de base que sairá dessa votação, se é uma que garante governabilidade ou não”, disse à Folha.

Segundo ele, caso não se atinja essa margem, o partido pode reavaliar sua posição na base de Temer. “No momento que ela [a governabilidade] estiver ameaçada, é hora de começar a se pensar mais no Brasil que em nomes e partidos”, afirmou.

O líder da bancada também criticou o gesto do presidente de procurar nesta semana os dissidentes governistas do PSB, que articulam para se unir ao DEM. O ato gerou uma crise entre as legendas, que, diz, já foi debelada.

*Folha – Por que o DEM ainda apoia o governo?*

Efraim Filho – Porque entendemos que não é a hora de fazer mudanças. Estamos tendo muita cautela para não precipitar nenhuma conduta que possa aumentar a instabilidade. Essa é uma postura do presidente [da Câmara], Rodrigo Maia, que não se moveu um milímetro do papel institucional que lhe cabe.

Mas o DEM não vê com bons olhos a possibilidade de Maia assumir a presidência?

Temos que pensar primeiro no Brasil, que é maior do que nomes, do que partidos. E pensar num cenário que agrave a crise não é o melhor.

O DEM pensa na melhor forma de fazer a travessia da crise. Por enquanto entendemos que é não haver mudança de governo. Agora, não tenho dúvidas de que Maia está preparado para qualquer missão que a Constituição lhe designar, seja para agora, seja para o futuro.

O partido se sentiu traído com a movimentação de Temer com relação aos deputados do PSB nesta semana?

Gerou desconforto, um ruído absolutamente desnecessário nesse momento delicado. Não é a conduta que se espera de um aliado. Isso nós deixamos bem claro com o nosso posicionamento, e acreditamos que com o recuo do PMDB, arrefeceu a crise. Foi um gesto que beirou a deslealdade.

O partido fechará questão contra a denúncia na votação do plenário?

Não. Haverá orientação de bancada, mas divergências serão respeitadas.

O presidente tem força para barrar a denúncia?

Ele demonstrou que tem base para rejeitar a denúncia. A grande expectativa é sobre qual o tamanho da base que sairá dessa votação. Se é uma que dará condições de governabilidade, ou não.

Não adianta rejeitar a denúncia com 300 votos contra o governo. Esse é o grande desafio.

O sr. falou que o DEM permanece no governo por “estabilidade”. Caso não se atinja essa margem de governabilidade, o que o partido fará?

O DEM defenderá a manutenção da governabilidade, mas no momento que ela estiver ameaçada, é hora de começar a se pensar mais no Brasil que em nomes e partidos e aí fazer uma reavaliação.

O presidente tem aprovação de apenas 7%, segundo levantamento do Datafolha. O DEM não teme ser contaminado por essa baixa popularidade em 2018?

O DEM acredita que tomando-se decisões corretas, especialmente na agenda econômica, a popularidade pode mudar.

O partido foi um dos grandes mobilizadores das manifestações contra Dilma Rousseff. Por que o sr. acha que as ruas estão caladas?

A população já percebe que nós temos eleições já em 2018 e é melhor fazer essa travessia do que dar um salto no escuro. E demonstra a falta de capacidade [de mobilização] da esquerda, a voz deles já não representa a voz da sociedade.

 

Folha de S. Paulo – Angela Boldrini

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Reforma incentiva concentração de sindicatos

Reforma Trabalhista

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O fim da contribuição sindical obrigatória promovido pela reforma trabalhista pode ter o efeito de fortalecer as organizações no longo prazo.

A atual estrutura sindical brasileira é pulverizada e horizontal: há mais de 10 mil entidades registradas, boa parte limitada a representar trabalhadores de um município. Quase dois terços delas não reúnem 500 filiados.

Sindicatos – Número de sindicalizados por atividade, em %

Segundo analistas, esse cenário é resultado da legislação. A Constituição Federal estabelece a chamada unicidade sindical -cada categoria pode ser representada por apenas uma organização.

“É um problema que acaba gerando uma fragmentação sindical e um enfraquecimento desses sindicatos. Na hora de sentar na mesa de negociação, eles são mais fracos”, diz Sérgio Firpo, professor de economia do Insper.

Sindicatos – Evolução do contingente de sindicalizados

Um exemplo é a FecomercioSP, sindicato patronal dos comerciários paulistas. Para o biênio 2016-2017, a organização negociou convenções coletivas com o sindicato dos empregados em comércio de Guarulhos, de Osasco e região, de Cotia e região, de Sumaré e Hortolândia (varejo), de Sumaré e Hortolândia (atacado) e de Santo André, entre outras. A lista é longa.

Enquanto a Constituição incentiva a fragmentação, a CLT veta entidades de abrangência nacional (o que pode ser feito apenas “excepcionalmente” com autorização do ministro do Trabalho).

Esse papel não é exercido pelas centrais sindicais, como a CUT e a Força Sindical, que têm entre suas bases uma variedade de categorias e não têm o poder de negociar acordos e convenções.

“O número de sindicatos no Brasil espelha sua fraqueza. A Alemanha, por exemplo, tem oito sindicatos, mas eles têm representações em cada empresa”, diz o economista da USP Hélio Zylberstajn, coordenador do projeto Salariômetro, que analisa acordos e convenções.

Sindicatos – Evolução do contingente de sindicalizados

“Getúlio Vargas liberou os sindicatos, mas permitiu no máximo a federação, e só. Ele não deixou os sindicatos se tornarem uma estrutura vertical e forte”, diz o professor.

FUSÕES

Sem poder contar mais com a contribuição compulsória, sindicatos serão pressionados a se unir, compartilhando receitas e despesas, caso queiram sobreviver e negociar bons acordos.

“O sindicato vai ser obrigado a se mexer: faz fusão, por exemplo. Os trabalhadores terão que discutir e deliberar para tornar a entidade forte. Legislação não tem que proteger sindicato fraco”, diz o sociólogo Clemente Ganz Lúcio, do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Econômicos).

Esse movimento de verticalização, contudo, não será bem-sucedido sem uma nova reforma que elimine as atuais limitações à organização.

Sindicatos – Distribuição de sindicatos por número de filiados

O fim da unicidade sindical seria a primeira mudança a ser feita, mas também a mais difícil, uma vez que só pode ser feita via Proposta de Emenda à Constituição (PEC).

“Se eu tiro o financiamento dos sindicatos mas não estabeleço caminhos para incentivar uma concentração entre eles, que seria via competição, você pode ter sindicatos mais fracos”, diz Firpo.

A segunda grande mudança seria a liberação de entidades nacionais, completando o circuito da base ao topo.

DESIGUALDADE

Se nada for feito e o prognóstico de enfraquecimento feito por Firpo se confirme, não apenas os sindicatos podem sair perdendo mas todo o mercado de trabalho.

Um estudo assinado por duas economistas do FMI (Fundo Monetário Internacional) apontou que o declínio dos sindicatos nos países desenvolvidos, medido pela queda do número de filiados, levou ao aumento da desigualdade de renda, ampliando a concentração no topo.

 

Folha de S. Paulo – Fernanda Perrin