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Gilmar Mendes e a síndrome de Estocolmo invertida

O que acontece com o magistrado do Supremo Tribunal Federal? A pergunta é feita por pessoas nas ruas

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federa, alvo de questionamentos nas ruas

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federa, alvo de questionamentos nas ruas ROBERTO JAYME ASCOM/TSE

JUAN ARIAS – EL PAÍS

O que acontece com o magistrado do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes? A pergunta é feita por pessoas nas ruas, psicanalistas, bem como por mais de um de seus colegas de toga. Ao saber, por exemplo, que sou jornalista, enquanto esperava um ônibus, um senhor de meia-idade que nem se lembrava muito bem do nome do magistrado me perguntou, sem muita sutileza, o que eu pensava “desse juiz que solta os corruptos importantes, é contra a Lava Jato e defende o trabalho escravo”.

Diante de algumas das atitudes do juiz em relação a seus próprios colegas, ou contra a Procuradoria-Geral, ou diante da superioridade que mostra na hora de opinar, há quem pense que poderia estar sofrendo da síndrome de Hubris, descrita pelo britânico David Owen, que pode afligir aqueles que exercem o poder. Trata-se de “um comportamento irresponsável, próximo à grandiosidade e ao narcisismo”, escreve o psiquiatra espanhol Manuel Franco. Na Grécia Antiga, a deusa Nêmesis era a responsável por punir “os excessos daqueles que sofriam, dentro do poder, de uma complacência pessoal exagerada”.

Não acredito, no entanto, que Gilmar Mendes esteja acometido pela síndrome de Hubris, uma vez que esta normalmente afeta personagens bastante medíocres, que precisam se revestir até mesmo dos atributos divinos para compensar sua pequenez. O magistrado goza de uma boa biografia profissional e de um conhecimento jurídico inquestionável, a tal ponto que alguns de seus colegas do Supremo o consideravam — ainda hoje? — seu mestre. O que talvez aflija Gilmar Mendes, segundo um psicanalista brasileiro que me pede anonimato, poderia ser a síndrome de Estocolmo, mas invertida. É a síndrome em que geralmente há uma estranha identificação do sequestrado com o sequestrador, da vítima com o verdugo. Só que, no caso do magistrado, essa síndrome ocorre ao contrário. Na metáfora, Gilmar Mendes, que deveria ser o juiz que condena, é quem se sente, por sua vez, identificado e grato aos condenados. Sente pena deles. Sofre em vê-los na prisão.

Mas com uma particularidade: Gilmar Mendes, neste caso, não parece se identificar com todas as vítimas igualmente, e sim apenas com políticos ou empresários importantes, por quem sente tanta compaixão que prefere não os ver sofrer na prisão. Somente no Rio, o juiz libertou oito presos importantes. E sente uma espécie de desassossego sempre que a Procuradoria pede, por exemplo, a prisão de um político. Esta semana, voltou a criticar as delações premiadas, tão temidas pelos corruptos.

O que talvez mais incomode a opinião pública é que Gilmar Mendes não parece sentir essa possível síndrome de Estocolmo invertida em relação aos milhares de presos comuns, os sem história e sem poder, muitos dos quais não só ainda não foram condenados, mas também nem sequer julgados ou interrogados, e que continuam amontoados e esquecidos nas cadeias. Prisões tão violentas e desumanas que José Eduardo Cardozo, então ministro da Justiça de Dilma Rousseff, disse a repórteres que preferia a pena de morte a estar preso em uma delas. Com esses presos comuns, a estranha síndrome de compaixão de Gilmar Mendes parece não funcionar.

Em uma entrevista recente a este jornal, o escritor britânico Salman Rushdie, autor dos famosos e polêmicos Versos Satânicos, afirmou que “somos governados pelo grotesco” e acrescentou que “quando chegamos ao poder, tudo se torna uma caricatura”. Estava se referindo à tendência atual em quase todo o mundo de rejeição à antiga forma de governar. Também seria o caso do Brasil?

Nas ruas, começa a surgir o alerta de que também poderíamos estar vivendo no Brasil esse estado em que se destacam o grotesco e a caricatura. A pergunta é feita por todos aqueles que, vendo como o desconcertante magistrado atua, suspeitam, como o fiel Marcelo na tragédia de Hamlet, a famosa obra de Shakespeare, de que “há algo de podre no Reino da Dinamarca”. Neste caso, onde parece não cheirar rosas seria em Brasília, não só na ágora gritante do Congresso, mas até no templo sagrado dos supremos de toga.

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Assembleia do Rio determina libertação de Picciani da cadeia

Deputados do PMDB fluminense haviam sido detidos na quinta-feira pela Polícia Federal por suspeita de corrupção

Jorge Picciani, do PMDB, que se entregou à Justiça

Jorge Picciani, do PMDB, que se entregou à Justiça YASUYOSHI CHIBA AFP

EL PAÍS 

Em sessão realizada nesta sexta-feira (17), a Assembleia dos Deputados do Rio de Janeiro votou pela libertação do presidente da Casa, Jorge Picciani, e dos parlamentares Edson Albertassi e Paulo Melo. Os três peemedebistas haviam sido presos preventivamente na quinta-feira por ordem do Tribunal Regional Federal da 2ª Região sob suspeita de receber propina para favorecer empresas dentro da Alerj, lavagem de dinheiro e associação criminosa. No total, 39 deputados defenderam a soltura dos colegas, 15 foram contra e houve uma abstenção. Durante a manhã, a Comissão de Constituição e Justiça da Casa já havia aprovado um relatório pró-libertação dos deputados. Do lado de fora do plenário um protesto contra os peemedebistas reuniu centenas de pessoas.

O correligionário dos detidos André Lazaroni (PMDB) atacou em seu discurso o ex-presidente Lula (“que já deveria estar preso”), o Judiciário e os colegas que defendem a prisão dos peemedebistas. “Isso [a prisão de deputados sem ser em flagrante] não existe na Carta Magna, a não ser no entendimento de alguns desembargadores e procuradores. Os membros da Alerj não podem ser presos, salvo em flagrante”, disse. De acordo com Lazaroni, “a História irá nos julgar”. Ao final, ele chamou o poeta e dramaturgo Bertold Brecht de “Bertoldo Brecha”, para risos de alguns deputados.

O oposicionista Marcelo Freixo (PSOL) discursou pela manutenção das prisões. “A denúncia é muito grave, e nossa decisão é política. No tribunal houve unanimidade, com cinco votos a zero”. De acordo com o deputado, isso “não é irrelevante”. “A decisão do tribunal diz: ‘para a garantia da ordem pública’. Não há decisão contra a função dos deputados. Elas não foram retiradas”, concluiu.

Andre Correa (DEM), outro deputado que também defendeu no plenário a libertação dos peemedebistas, afirmou que “não tem vocação de urubu para trepar na carniça de ninguém”. Ele afirmou que a Operação Lava Jato é “salutar”, mas disse que as prerrogativas parlamentares “precisam ser cumpridas”, logo os deputados presos só poderiam ser detidos em flagrante. Correa também bateu na tecla de que a prisão dos colegas era uma interferência do Judiciário no Legislativo. “Durmo com a consciência tranquila de quem está respeitando a Constituição”, concluiu.

Inicialmente a presidência da Casa havia determinado que as galerias do plenário ficassem fechadas para “evitar tumultos”. Uma decisão liminar da Justiça, no entanto, reverteu a decisão. Porém, deputados da oposição denunciaram que um oficial de Justiça que portava o documento que garantia o acesso da população ao plenário estava sendo impedido de entrar na Assembleia. Posteriormente as galerias foram abertas.

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SARNEY NO COMANDO: FLÁVIO DINO É A PRIMEIRA VÍTIMA DA MUDANÇA NA DIREÇÃO DA PF

Esq.: Ag. Senado / Dir: Fábio Pozzebom-ABR

O novo diretor da Polícia Federal chama-se Fernando Segóvia, ex-superintendente da PF no Maranhão durante o governo Roseana Sarney; diferentes fontes garantem que seu nome foi sacramentado no cargo após um jantar entre o presidente Michel Temer e o ex-presidente José Sarney, aquele cujo domínio da política maranhense durou 50 anos; se alguém tinha dúvida de que a nomeação de Segóvia não tinha sido política e que as relações dele com Sarney e o PMDB não iriam politizar as ações do órgão, pode ir tirando o cavalinho da chuva

O novo diretor da Polícia Federal chama-se Fernando Segóvia, ex-superintendente da PF no Maranhão durante o governo Roseana Sarney. Diferentes fontes garantem que seu nome foi sacramentado no cargo após um jantar entre o presidente Michel Temer e o ex-presidente José Sarney, aquele cujo domínio da política maranhense durou 50 anos.

Se alguém tinha dúvida de que a nomeação de Segóvia não tinha sido política e que as relações dele com Sarney e o PMDB não iriam politizar as ações do órgão, pode ir tirando o cavalinho da chuva.

Ontem a PF realizou no Maranhão a “Operação Pegadores”, um desdobramento da “Operação Sermão ao Peixes”, que apura fraudes no sistema estadual de saúde iniciadas em 2012, quando o secretário de Saúde, do governo Roseana Sarney, era Ricardo Murad (PRP), cunhado dela.

Só que nesta nova etapa, Murad que era citado pela PF como líder da organização criminosa que teria desviado cerca de R$ 1,2 bilhão da saúde estadual, ficou de fora das investigações.

Mais do que isso, a operação policial foi toda costurada com os grupos de comunicação locais ligados à Sarney para transformar Dino num ladrão de dinheiro da saúde. E para atacar secretários importantes do seu governo, como Márcio Jerry, também do PCdoB.

Entre outras acusações, a delegada responsável da operação diz ter achado mais de 400 funcionários fantasmas na saúde, mas não apresentou a respectiva relação de nomes. O governador Flávio Dino já requereu formalmente os nomes da suposta lista. “Estamos esperando a lista dos alegados 400 fantasmas, para verificar se isso procede, quem foi o responsável, em qual época e por qual motivo”, escreveu Dino em suas redes sociais.

A operação da PF ainda acusa o governo atual de contratar para prestar serviços à saúde uma antiga sorveteria, que teria emitido notas fiscais frias, que permitiram o desvio de R$ 1.254.409,37 (hum milhão, duzentos e cinquenta e quatro mil, quatrocentos e nove reais e trinta e sete centavos).

Até o momento, porém, não teria sido apresentado pela PF nenhum contrato assinado por qualquer autoridade do governo Dino com a tal sorveteria que teria virado empresa médica.

Ou seja, está claro que Flávio Dino vai comer o pão que o diabo amassou daqui até o final do seu mandato. E que terá que buscar fora do estado apoio para poder continuar governando.

Outro político que ousou enfrentar Sarney, o já falecido Jackson Lago (PDT), ganhou a eleição de Roseana mais foi cassado durante o governo para que ela pudesse assumir.

Quem achava que o velho Ribamar Ferreira de Araújo Costa era carta fora do baralho, enganou-se. Ele está de novo no comando. E da PF. O que não é pouca coisa para quem é especialista em fazer política da forma mais heterodoxa possível.

 

fonte: Blog do Rovai

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Barroso estaria sendo monitorado pela Abin

Voz progressista no STF, Luis Roberto Barroso vem chamando a atenção de alguém muito poderoso. Na Polícia Federal circula a informação de que ele está sendo monitorado pela Abin.

 

Veja – Radar on line

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“Coisa De Preto”

… Só homens conscientes podem se considerar verdadeiramente livres. O que tem duas consequências. Uma retrospectiva, que é não se poder aceitar censura. Outra prospectiva, que é o direito de podermos dizer o que quisermos. Até barbaridades. Como aquelas palavras do jornalista. Fora disso, não há sentido em ser livre.

Resultado de imagem para “Coisa De Preto”

Resultado de imagem para A Princesa E O Infante    Por José Paulo Cavalcanti Filho  –  Escritor, poeta,membro da Academia Pernambucana de Letras e um dos maiores conhecedores da obra de Fernando Pessoa. Integrou a Comissão da Verdade.

Arun Gandhi, neto do Mahatma (Mohandas Karamchand) Gandhi, conta em seu livro “O Dom da Ira” (ainda não publicado no Brasil) que na África do Sul, durante uma tempestade, ficaram encharcados todos que estavam no último vagão de um trem – destinado aos de sua cor. Decidiram ir ao dos brancos, para se proteger da chuva. E de lá foram expulsos pelo maquinista. Um homem preto.  Cumpria seu trabalho, é certo. Mas o preconceito, naquele tempo, estava entranhando em todas as almas.
Hoje, por sobre uma consciência mais difusa dos males desse preconceito, há também o peso das novas mídias. Sem qualquer controle. Avassaladoras. Brutais. E, com elas, tudo muda. Em todo lugar. Nos Estados Unidos, por exemplo, se alguém se referir a outro como nigro (em vez de black), está perdido. Em palavras de Fernando Pessoa (“Lusitâna, Europa e Orpheu”), A hora da raça chegou, enfim.
… O homem deve ser entendido no seu conjunto. E na sua trajetória. Somos seres feitos de equívocos e virtudes.
Meu velho pai dizia sempre que Para construir um muro, são necessários 30 anos. Tijolo por tijolo, um por ano. Para derrubar, só um segundo. Não se referia, claro, a muros reais. Feitos com tijolos e cimento. Mas às reputações. Todo esforço de construir vidas retas se perde em um silêncio, um gesto, uma frase. Tinha toda razão. Como sentiu agora na própria pele, e da pior forma, o jornalista William Waack. Ao dizer baixinho, no intervalo de uma entrevista, Não vou nem falar porque eu sei quem é. É preto. É coisa de preto.
De um ponto de vista conceitual, esse linchamento moral que sofre não faz nenhum sentido. Porque principal liberdade, pilar de todas as outras, é a da consciência. Só homens conscientes podem se considerar verdadeiramente livres. O que tem duas consequências. Uma retrospectiva, que é não se poder aceitar censura. Outra prospectiva, que é o direito de podermos dizer o que quisermos. Até barbaridades. Como aquelas palavras do jornalista. Fora disso, não há sentido em ser livre. De que nos adiantaria?, se ficarmos presos a convenções. Entre elas, a praga do Politicamente Correto.
…somos todos imperfeitos. Quantos de nós podem se gabar de não haver cometido algum deslize?, nesta vasta e insensata vida. Quantos não atravessaram nunca um sinal vermelho. Ou não deram bola a guardas de trânsito. Ou não omitiram algum dinheiro, ao declarar o Imposto de Renda. Ou falaram palavras erradas. Sem contar pecados piores.
Problema, senhores, é que somos todos imperfeitos. Quantos de nós podem se gabar de não haver cometido algum deslize?, nesta vasta e insensata vida. Quantos não atravessaram nunca um sinal vermelho. Ou não deram bola a guardas de trânsito. Ou não omitiram algum dinheiro, ao declarar o Imposto de Renda. Ou falaram palavras erradas. Sem contar pecados piores. Sobretudo, não há proporção nessas condenações. Fico só num caso. Para lembrar o número grandioso de políticos que se apropriam de recursos públicos, para fins partidários ou pessoais. Muitos deles são réus. Outros já estão condenados. Por corrupção. E têm a petulância de se considerar perseguidos políticos. Pior mesmo é haver os que acreditam nisto, só mesmo rindo. Em uma espécie de sagração do lema deletério de Ademar de Barros, Rouba mas faz. Isso perdoam. Roubar, tudo bem. Mas frase dita brincando, por pessoa que não rouba, é algo imperdoável. Difícil entender.
Voltando ao neto de Gandhi, ele também diz que seu avô Não nasceu santo. Nasceu uma pessoa comum. Era um ladrão, roubava dinheiro, mentia aos pais. Tinha todas as fraquezas que nós temos. Só depois compreendeu a grandeza das virtudes. E se transformou.
Em resumo, assim penso, não é justo julgar (e condenar) Gandhi, ou Waack, ou qualquer indeterminado cidadão por suas fraquezas. O homem deve ser entendido no seu conjunto. E na sua trajetória. Somos seres feitos de equívocos e virtudes. Sanchos e Quixotes. Barros e estrelas. E merecemos ser julgados, por quem está do nosso lado, considerando tudo isso. Nas democracias é assim. Deveria ser.
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Reforma trabalhista é tema de workshop em Petrolina

 

O Sindicato dos Produtores Rurais (SPR) de Petrolina, no interior de Pernambuco, realizou um workshop sobre a reforma trabalhista, na última terça-feira. Com o tema ‘Como era e como ficou’, os cerca de 120 agricultores esclareceram dúvidas quanto às alterações na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), que começaram a entrar em vigor desde do último sábado.

Dentre os assuntos discutidos, foram abordados: convenção e acordo coletivos, jornada de trabalho, deslocamento, equiparação salarial, banco de horas, férias, extinção do contrato de trabalho e plano de demissão voluntária. A palestra foi ministrada pelo advogado e especialista do Direito do Trabalho, Marcelo Brandão, no auditório do Hotel Nobile Suites Del Rio (antigo Quality), que fica na orla 2 do município.

O evento foi marcado pelas intervenções dos produtores, que foram ao workshop cheios de dúvidas. Marcelo Brandão falou sobre as 200 alterações da nova legislação, fez uma análise sobre os pontos positivos e negativos da reforma e deu exemplos reais e práticos de como as mudanças vão influenciar na rotina produtiva dos agricultores. “Com a reforma trabalhista, os acordos coletivos que serão firmados entre vocês [produtores] e os trabalhadores, a partir de janeiro, terão mais valor que as normas legisladas. É o acordado sobre o legislado”, explicou ele.

De acordo com o gerente executivo do Sindicato dos Produtores Rurais, Flavio Diniz, o workshop atende a uma demanda da categoria. “As alterações nas leis trabalhistas foram muito significativas e o SPR atento a isso, busca atender aos anseios dos produtores, que estavam preocupados com a data base, os acordos e todos esses assuntos discutidos aqui”, ressaltou.

Profissional de Recursos Humanos de uma fazenda que abrirá em breve em Petrolina, Lívia Dourado também tinha muitas dúvidas quanto a reforma trabalhista. A empresa em que ela trabalha vai passar contratar agricultores do campo nos próximos meses, e a RH afirma que o evento chegou em bom horário. “Minhas dúvidas acabaram quando o advogado Marcelo Brandão passou a explicar o assunto, principalmente na parte do acordado sobre o legislado, que será algo muito relevante para a empresa”, disse.

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Deputado: Deve-se ter cautela com Operação Torrentes

Citando fatos históricos de Pernambuco, o deputado estadual Romário Dias (PSD) falou sobre a Operação Torrentes, da Polícia Federal, deflagrada no último dia 9 para investigar o suposto desvio de recursos públicos. Em entrevista à Rádio Folha 96,7 FM, na última terça-feira, o parlamentar relembrou ao menos dois casos em que houve acusações contra políticos que, depois, provaram-se ser inverídicas.

“Comecei minha vida pública com Moura Cavalcanti e me lembro bem que em 1975, quando houve a cheia, Joaquim Francisco e Gustavo Krause, que na época eram secretários, foram acusados de desviar recursos. O que depois ficou provado que nunca ocorreu. Já como presidente da Assembleia Legislativa, no início dos anos 2000, eu coloquei para votação na Casa as contas de Miguel Arraes, com o caso dos precatórios. Nós absolvemos Dr. Arraes e, depois, o STF também absolveu”, detalhou.

Ainda de acordo com o deputado, as denúncias devem, sim, ser apuradas com rigor, porém é preciso cautela com os pré-julgamentos e as acusações antecipadas. “Vamos analisar e verificar tudo, mas a pessoa deve ter cautela. Esse negócio de procurar culpado a todo custo é muito errado”, explicou.

Mas Dias garante que o governador Paulo Câmara “não vai colocar panos mornos em nada”.

“O governador quer que se apure mesmo (a denúncia) e que os culpados sejam punidos com o rigor da lei. Fui conselheiro do Tribunal de Contas e Paulo Câmara, na época, era auditor. Um auditor muito rígido na análise das contas públicas de prefeituras, do Estado e de órgãos públicos, então, ele sabe como fazer (a apuração)”, disse.

ESPETACULARIZAÇÃO – A forma como a operação foi conduzida pela Polícia Federal, no entanto, foi criticada pelo deputado tanto durante a entrevista à Rádio Folha quanto em pronunciamento na tribuna da Assembleia Legislativa, na última segunda. Para Dias, a utilização de um grande efetivo, um helicóptero e a presença de policiais fortemente armados e com máscaras na frente do Palácio do Campo das Princesas foi desnecessária.

“A Polícia Federal tem todo o respeito e respaldo da sociedade e é um órgão sério que vem enfrentando com toda dureza o combate à corrupção, mas não precisava de todo o espetáculo que houve em Pernambuco. Provocando, inclusive, uma despesa desnecessária para a instituição”, disse.

Ainda segundo Dias, “o espetáculo que foi feito denegriu a imagem do pernambucano”. “Essa espetacularização não atingiu o governador, mas todos os pernambucanos. Ficamos todos abismados com a forma como a operação foi conduzida, parecia que íamos entrar numa guerra”, concluiu.

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Eis o novo dilema: com ou sem porteira fechada?

Por Josias de Souza

Como previsto, Michel Temer recuou da ideia de trocar antes do Natal os 17 ministros que devem pedir votos em 2018. Fará “ajustes pontuais” na Esplanada, de modo a saciar os apetites do centrão. E empurrará o grosso da reforma para o final de março, na fronteira do prazo legal para que os candidatos deixem os cargos. Definida essa regra preliminar, Temer está às voltas com um novo dilema: como entregar os ministérios aos partidos, com ou sem porteira fechada?, eis a questão.

No idioma da fisiologia, a exigência de um ministério de “porteira fechada” significa que o partido contemplado deseja receber a pasta como um fazendeiro que arremata uma propriedade rural com o gado dentro.

Num caso concreto, Temer resiste à ideia de entregar ao PP toda a estrutura do Ministério das Cidades, de cima a baixo. Prefere esquartejar a máquina, dando um pedaço a cada…

Leia a continuação do artigo clicando aí ao lado: Eis o novo dilema: com ou sem porteira fechada? 

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O pato caiu na delação

Em São Paulo, Pereira delatou  Skaf e Marta Suplicy

Bernardo Mello Franco – Folha de S.Paulo

As delações dos marqueteiros Duda Mendonça e João Santana ajudaram a desvendar os esquemas do PT. Agora é a vez de Renato Pereira abrir a caixa-preta do financiamento das campanhas do PMDB.

As confissões do publicitário atingem figurões do partido nas duas maiores cidades do país. No Rio, ele delatou Sérgio Cabral, Luiz Fernando Pezão e Eduardo Paes. O primeiro está preso, o segundo é o atual governador e o terceiro quer disputar a cadeira em 2018. O plano pode ser abortado se a doutora Raquel Dodge completar o serviço do antecessor.

Na delação, Paes é acusado de organizar um caixa clandestino com dinheiro de empreiteiras e da máfia dos ônibus. Numa passagem, o marqueteiro diz que o ex-prefeito o orientou a buscar R$ 1 milhão em espécie na sede das empresas de Jacob Barata Filho, que voltou a ser preso nesta semana. Paes nega as acusações.

Em São Paulo, Pereira delatou Paulo Skaf e Marta Suplicy. A dupla defendeu as cores do PMDB nas últimas eleições para o governo e a prefeitura. No ano que vem, Skaf pretende disputar o mesmo cargo. Marta tentará a reeleição no Senado.

Segundo o publicitário, a ex-prefeita usou um contrato do Ministério da Cultura para cobrir gastos eleitorais. Se as provas forem suficientes, ela pode ser denunciada por peculato.

Na terça-feira, o ministro Ricardo Lewandowski cobrou ajustes no acordo de delação. A decisão abre espaço para que Pereira esclareça alguns pontos cegos do depoimento.

No capítulo sobre Skaf, o marqueteiro diz que recebeu dinheiro da Fiesp e do Sistema S para promover o empresário “com vistas à disputa eleitoral de 2018”. O desvio de finalidade está claro, mas o valor do serviço ainda é desconhecido.

Pereira também afirma que a campanha “Quem vai pagar o pato?”, que ajudou a instalar o PMDB na Presidência, foi fruto de uma fraude. Ele conta que Skaf direcionou uma licitação para beneficiar sua produtora. Falta dizer quanto ganhou pela ideia.

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Arquibancada: senador leva preso algemado ao plenário

Um grupo de senadores tenta dar cabo da CPI dos Maus-Tratos, presidida por Magno Malta (PR-ES). Na sessão do dia 9, um dia depois de aprovar a condução coercitiva do artista que provocou polêmica ao se apresentar nu em SP, Malta levou ao plenário um acusado de pedofilia, algemado e com uniforme de detento. “O sr. foi abusado na infância?”, indagou. O depoente disse que sim, mas que não queria falar. O senador insistiu. O preso chorou. O depoimento virou peça de propaganda.

Alessandro da Silva Santos é acusado de abusar de 11 menores. Ele ainda não foi julgado. Chegou ao Senado desacompanhado de um defensor. “O sr. tem advogado?”, questionou Malta. “Tenho”, respondeu o homem. “Ele sabia que o sr. viria aqui?”. “Não. Nem eu sabia, excelência.”

O senador designou um advogado, funcionário da Casa, para auxiliar o preso. Eles conversaram por dois minutos. Depois o servidor saiu de cena. É possível ouvir o diálogo na gravação da TV Senado porque Malta não desligou o microfone. Fala entre defensor e cliente é inviolável.

O advogado avisou Alessandro de que tudo poderia ser usado em seu julgamento. No interrogatório, Malta quis que ele confessasse os crimes, detalhasse o número de vítimas e, diante do pedido do homem para só falar em juízo, disparou: “Se fosse juiz, ficaria ofendido. É como ficasse mais fácil”.

Procurado, Malta disse que constituiu advogado para que o preso pudesse conhecer seus direitos. “Quem deve ter sofrido constrangimento foram as crianças que ele abusou. Conheço o movimento a serviço de forças