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LITERATURA

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ADÉLIA PRADO

Com licença poética

Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
— dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.

 

 

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PF identifica compra de Porsche a Eduardo Cunha pelo dono da Gol

Acionista da Gol Linhas Aéreas, Constantino afirmou à Lava-Jato ter feito pagamentos para Cunha e Lúcio Funaro, em troca de apoio na liberação de valores do fundo de investimento do FGTS

(foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil )
 ((foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil )
)

A Polícia Federal identificou, entre planilhas do corretor Lúcio Funaro, notas fiscais relativas a pagamentos de supostas propinas que o delator teria operado em nome do dono da Gol, Henrique Constantino. O empresário, que tenta acordo de colaboração, é citado em diversos trechos dos anexos de Funaro como pagador de vantagens indevidas a peemedebistas em troca de edições de Medidas Provisórias. Entre os itens identificados nos documentos do doleiro pela PF e confirmados por ele, está a compra de um Porsche Cayenne, pelo executivo da empresa aérea, para o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Acionista da Gol Linhas Aéreas, Constantino afirmou à Lava-Jato ter feito pagamentos para Cunha (PMDB-RJ) e ao corretor Lúcio Funaro, em troca de apoio na liberação de valores do fundo de investimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

Ele tenta acordo de colaboração com os investigadores de Curitiba e Brasília desde que passou a ser citado nas Operações Sépsis e Cui Bono?, que investigam desvios na Caixa Econômica Federal. A Gol já assinou acordo de leniência que prevê multa de R$ 12 milhões.

No âmbito do relatório que concluiu pela existência de um “Quadrilhão do PMDB” na Câmara dos Deputados e embasou a última flechada do ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot contra o presidente Michel Temer, a Polícia Federal destaco uma suposta atuação pelos peemedebistas em benefício do “Grupo Constantino” no âmbito de edições de medidas provisórias e da liberação de empréstimos pela Caixa Econômica Federal.

“Desse modo, fica demonstrada que a empresa BRVIAS, pertencente ao Grupo Constantino, também alvo da ‘Operação Sépsis’, a qual foi comentada no tópico anterior, beneficiava-se da sistemática ilícita para obtenção de recursos junto à Caixa Econômica Federal, contando com a participação ativa de Geddel Quadros Vieira Lima, quando este era Vice-Presidente de Pessoa Juridica da CEF, bem como do ex-Deputado Federa Eduardo Cunha”, afirma a PF

Já no âmbito de influência no Legislativo, a Polícia Federal identificou, por meio de quebra de sigilo telefônico, análise de planilhas apreendidas e na delação premiada do doleiro Lúcio Funaro, a suposta compra de Medidas Provisórias em benefício das empresas de Constantino. Uma delas é a MP 563/2012, posteriormente convertida em lei, que desonerou a folha do setor de transporte rodoviário municipal e intermunicipal. A outra é a MP n° 652/2014, que flexibilizaria a participação de capital estrangeiro nas companhias aéreas brasileiras.

O suposto lobby na Câmara Federal em prol de leis que beneficiavam a Gol e outras empresas de Henrique Constantino teria sido feito com ajuda de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), segundo entende a Polícia Federal.

Em delação premiada, Lúcio Funaro auxiliou a corporação a decifrar pagamentos e mensagens relativas à compra de Medidas Provisórias.

Em um diálogo entre Constantino e Cunha, em 2013, o empresário lamenta: “Infelizmente os ‘vermelhos e os azuis’ não vão ajudar”, “Que era realmente importante e que ele só poderia ‘apresentar a sua parte'”, diz a fala.

Segundo a Polícia Federal, “planilhas controlavam o movimento financeiro diário de Lúcio Bolonha Funaro, verifica-se que as propinas foram pagas por Henrique Constantino” por meio de cinco formas de repasses.

Em depoimento, o dono da Gol chegou a admitir que fez pagamentos à campanha de Gabriel Chalita, ex-secretário de Educação dos governos Alckmin e Haddad.

A versão foi corroborada pela delação de Lúcio Funaro, que ainda cita uma suposta interferência do presidente Michel Temer em torno do pedido a Constantino para que doasse ao então candidato à Prefeitura de São Paulo, em 2012.

“Lúcio Funaro controlava o recebimento de recursos financeiros advindos de Henrique Constantino por meio de uma planilha específica denominada Henr Const.xls. Essas transações foram detalhadas no âmbito do Relatório de Análise de Polícia Judiciária Nº 110/2017 – GINQ/DICOR/PF, de modo que deixaremos de reapresentá-las aqui neste”, anota a PF.

Delação

Funaro ainda afirmou, em delação, que, pouco antes de ser preso, se reuniu com Henrique Constantino em São Paulo, aonde tratou sobre um suposto crédito de R$ 100 mil com o empresário. O doleiro diz que “esse valor era referente a um saldo era referente a uma nota fiscal emitida por uma empresa do deputado Eduardo Cunha contra uma empresa do Grupo Constantino”.

Segundo Funaro, “o objetivo dessa operação era possibilitar que a empresa do Deputado Eduardo Cunha tivesse caixa oficial para pagar um veículo Porshe Cayene adquirido da empresa Auto Miami”.

Jesus.com.

Quando Eduardo Cunha foi preso, em outubro de 2016, a força-tarefa da Operação Lava Jato em Curitiba apontou que empresas ligadas ao empresário Henrique Constantino teriam pago propinas ao deputado cassado por meio de transferências à Jesus.com – de Cunha e Cláudia Cruz, sua mulher. Os pagamentos também são citados no acordo de leniência da Gol.

Em 2015, quando Cunha era apenas alvo de um pedido de inquérito pela Procuradoria-Geral da República, foi identificada uma frota de carros de luxo em nome da Jesus.com: um Porsche Cayenne (R$ 429.478 mil) um Ford Edge V6 (R$ 120.165 mil) e um Ford Fusion NA WD GTDI (R$ 92.693).

Defesas

“A Gol informa que conduziu uma investigação interna conduzida por auditores externos independentes e não localizou quaisquer atos ou atividades relacionados à negociação citadas pela reportagem. A companhia segue à disposição das autoridades para prestar informações”.

A defesa de Constantino também se manifestou: “Referente à compra do veículo para Eduardo Cunha, Henrique Constantino afirma que desconhece essa informação”.

A reportagem fez contato com a assessoria de Gabriel Chalita e não obteve resposta. Da mesma forma procurou o advogado Délio Lins e Silva, defensor de Eduardo Cunha. O espaço está aberto para as manifestações dos citados.

Fonte: DP

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Joesley e Wesley Batista são indiciados por uso indevido de informação privilegiada

A Polícia Federal indiciou os empresários Joesley e Wesley Batista, donos da holding J&F, por uso indevido de informações privilegiadas para “realizar operações no mercado de capitais e auferir vantagens”. De acordo com a PF, os irmãos teriam praticado o chamado “insider trading”, que é o uso de informações privilegiadas para lucrar na venda ou na compra no mercado financeiro.

No documento da PF, o delegado federal Edson Fabio Garutti Moreira acusa Joesley pela prática contínua de manipulação de mercado e uso indevido de informação privilegiada. Já Wesley, o indiciamento foi realizado por uso indevido de informação privilegiada agravada por abuso de poder.

“Enquanto participavam dos procedimentos de negociação de colaboração premiada, sabendo do potencial desta delação no mercado de valores mobiliários brasileiro, utilizaram esta informação privilegiada, ainda sigilosa, determinando a realização de operações de compra/venda no mercado de valores mobiliários”, diz o delegado no documento.

“O uso desta “informação relevante” era capaz de propiciar vantagem em negociações no mercado de capitais. Esta “vantagem” era “indevida”, nos termos da lei, porquanto feria o princípio da simetria informacional e quebrava as regras legais de vedação de uso de informação relevante ainda não divulgada ao mercado (colocava os detentores da informação relevante em posição diferenciada frente aos demais participantes do mercado)”, aponta o delegado em uma das nove premissas postas no texto do indiciamento.

A venda de ações da empresa JBS por parte da empresa controladora (FB Participações) no mesmo período em que a própria empresa JBS foi a mercado recomprar suas ações (dentro do programa de recompra divulgado), representa uma combinação de interesses que caracteriza manipulação de mercado, de acordo com o delegado.

“O crime de uso indevido de informação privilegiada não exige a ocorrência de vantagem, mas apenas que a informação seja capaz de gerar vantagem indevida, razão pela qual não há relevância se as operações foram realizadas com finalidade especulativa ou protetiva (“hedge”) – nos dois casos haveria uma vantagem em se utilizar a informação privilegiada”, ressalta o texto.

Os irmãos estão presos em São Paulo, na sede da superintendência da Polícia Federal em São Paulo, na Lapa, Zona Oeste da capital paulista. Joesley Batista foi preso no dia 10 deste mês, a pedida da Procuradoria-Geral da República.  Já o empresário Wesley Batista foi preso em um desdobramento da Operação Tendão de Aquiles, no dia 13 de setembro.

Fonte: Congresso em Foco.

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Um dos mais fiéis da base, DEM ameaça rebelião em meio à segunda denúncia contra Temer

 

Por Fábio Góis

A depender das declarações feitas ontem (quarta, 20) pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), em rápida visita aos colegas, o governo Michel Temer terá uma preocupação extra no enfrentamento da segunda denúncia, por organização criminosa e obstrução de Justiça, apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Ressentido com o cortejo do PMDB, partido de Temer, a parlamentares antes propensos a migrar para o DEM, Maia comparou a ação peemedebista a uma “facada nas costas” e mencionou a iminência de uma rebelião no partido. Seria apenas uma crise nos moldes da protagonizada pelo PSDB se não o fato de que o DEM foi um dos mais fiéis partidos da base quando da votação da primeira denúncia da PGR, por corrupção passiva, ocasião em que 263 votos interromperam a continuidade das investigações contra o presidente.

Dos 29 deputados do DEM, 23 votaram a favor de Temer sob a orientação do líder da bancada, Efraim Filho (PB). Apenas cinco se posicionaram contra o presidente, enquanto um nome preferiu se abster de votar na sessão plenária de 2 de agosto, quando o governo logrou êxito depois de conceder verbas a aliados e distribuir cargos estratégicos. Em sua fala de advertência, Maia deu sinais de que o jogo pode virar no partido.

“Nós queremos saber qual é a verdadeira posição do PMDB e do governo em relação ao Democratas. Tem parecido um tratamento de adversário. Espero que não vire uma relação entre inimigos”, declarou Maia, enquanto seus pares tentavam avançar na reforma política.

Foram várias as “traições” na base aliada durante a votação da primeira denúncia, em 2 de agosto. Representantes de várias legendas com ao menos um ministério votaram contra Temer. No caso do DEM, que chefia o Ministério da Educação na pessoa do deputado licenciado Mendonça Filho (PE), foi um dos partidos proporcionalmente mais fiéis ao presidente, junto com PP (47 membros e sete votos contra o presidente), PR (28/9) e, obviamente, o próprio PMDB (53/6).

Temer decidiu atuar pessoalmente para reverter o esboço da crise entre DEM e PMDB. Segundo apuração do jornal Folha de S.Paulo, o presidente ligaria para Maia ainda hoje (quinta, 21) com o objetivo de assegurar que o PMDB não tem o objetivo de enfraquecer o DEM, como o próprio deputado aventou nas declarações à imprensa. Reservadamente, Temer tem destacado a importância dessa aliança e minimizou o mal estar, mas auxiliares mais próximos relatam ter recebido com estranheza a fala de Maia, notadamente em razão do tom de enfrentamento do discurso.

Papel duplo

Maia reclama que o PMDB tem disputado parlamentares com o DEM e cortejado nomes cobiçados por seu partido – o deputado cita como exemplo a recente troca de partido por parte do ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, e seu pai, o senador Fernando Bezerra (PE), do PSB pelo PMDB. Ambos chegaram a ser adesões certas ao DEM, mas optaram pelo PMDB após intervenção do presidente nacional do partido, senador Romero Jucá (RR).

A situação há semanas irrita Maia, uma das principais lideranças do DEM, que dava como certa a filiação do senador e do ministro ao seu partido. Mas, depois de o PSB ter rompido com o governo em maio, na esteira das delações da JBS e das gravações comprometedoras que flagraram Temer, alguns membros da legenda passaram a ver mais vantagem em ficar no governo – caso de Fernando Bezerra e seu filho.

O deputado lembrou que o próprio Temer foi à residência oficial da Presidência da Câmara negar que a migração de nomes do PSB para o PMDB foi o motivo de sua visita à deputada Teresa Cristina (MS), líder do PSB na Câmara, em 18 de julho, em um café da manhã. Jantaria com Maia no mesmo dia, para acalmar os ânimos do aliado. Mas, segundo o noticiário da ocasião, Temer fez mesmo o convite de ingresso no PMDB para parlamentares insatisfeitos com a direção do PSB em romper a aliança com a base governista.

Horizonte tenso

Beneficiado pela legislação – que exige de um presidente denunciado apenas 172 votos em um universo de 513, em um cenário de fisiologismo e autoproteção em tempos de Operação Lava Jato –, Temer e seus auxiliares ainda consideram ter margem folgada de apoios para barrar, mais uma vez, uma denúncia da PGR. No entanto, um eventual desembarque do DEM poderia representar uma perda ainda mais sentida em uma base aliada já repleta de problemas.

Permanece o mal estar no chamado “Centrão”, grupo periférico de legendas que reúne cerca de 300 nomes, como o PSDB, dado o protagonismo dos tucanos na Esplanada dos Ministérios, com quatro pastas. Líderes da agremiação dizem que, enquanto se mantém fiéis ao Planalto, o PSDB continua dividido, com votos contra Temer, e mesmo assim continuam recebendo benesses palacianas.

Foi no PSDB, com seus quatro ministérios, que a divisão foi mais evidente na análise da primeira denúncia: 22 tucanos se posicionaram a favor do presidente, e outros 21 se manifestaram em favor das investigações. Outros quatro faltaram à sessão. Em reunião realizada no dia da votação, a liderança do partido decidiu orientar o voto pela continuidade da denúncia contra o peemedebista no Supremo Tribunal Federal, mas, ao mesmo tempo, liberar a bancada para votar como quisesse. A ala contrária às apurações foi reforçada pelos ministros Antonio Imbassahy, da Secretaria de Governo, e Bruno Araújo, das Cidades, exonerados por um dia por Temer apenas para votar a favor dele na Câmara.

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As mentiras que contam sobre os servidores públicos

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Por Bráulio Santiago Cerqueira

As declarações do assessor especial do Ministério do Planejamento Arnaldo Lima Jr. destacadas na reportagem “Governo não vai aumentar quadros”, da edição de 6 de setembro de 2017 do Correio Braziliense, ensejam alguns contrapontos.

O assessor especial afirma que “não há por que aumentar o quadro de pessoal do Governo Federal, que gira em torno de 650 mil servidores ativos”, uma vez que “o tamanho atual do governo está dentro do que consideramos ideal”. Mas tamanho ideal em relação ao quê? Se o ideal for o quantitativo de servidores federais de meados dos anos 1990, marcados pela reforma gerencialista do Estado, então os números agregados apontam insuficiência de pessoal na ativa. De acordo com o Boletim Estatístico de Pessoal do Ministério do Planejamento, entre 1994 e 2015, o número de servidores civis ativos do governo federal, incluindo os três poderes, cresceu de 654 mil para 716 mil, aumento de 9,4%. Nesse mesmo intervalo, a população brasileira saltou de 156 milhões para 204 milhões de habitantes, aumento de 30%.

Por outro lado, se o ideal corresponder à prestação de serviços públicos na quantidade e qualidade exigidos pela população, em linha com a prática dos países da OCDE de renda mais elevada, os números da força de trabalho revelam que o Brasil ainda possui um longo caminho a percorrer. Considerando as três esferas de governo, estudo da OCDE em 2010 revelava que, no Brasil, os servidores públicos civis ativos, que atendem diretamente a população e respondem pelo funcionamento da máquina pública, representavam 12% da força de trabalho, enquanto que nos países da OCDE – organização a qual o Brasil pretende se integrar – chegavam a 22% da força de trabalho.

Noutra parte da reportagem, o assessor do ministro do Planejamento “lembrou, ainda, que os servidores federais que negociaram reajustes salariais em quatro anos, até 2019, ganharam aumento real em torno de 2%, enquanto os trabalhadores da iniciativa privada tiveram redução de renda”. O dado mais recente, contudo, encobre as perdas reais impostas a estes servidores – que incluem especialistas em gestão de políticas públicas, técnicos do Ipea, auditores federais de finanças e controle, analistas de planejamento e orçamento, dentre outros – entre 2010 e 2016: 19,5%. Daí a assinatura no ano passado com o governo atual, após dois anos de negociações, de acordo plurianual de recomposição parcial dos vencimentos, acordo chancelado em lei pelo Congresso e agora unilateralmente rompido pela administração. Pela medida provisória enviada ao Congresso, as parcelas de reajuste devidas em janeiro de 2018 e janeiro de 2019 serão adiadas em 12 meses, ou seja, o governo atual procura deslocar para o próximo governo o cumprimento de um acordo que ele mesmo não cumpriu.

Por fim, sobre a limitação do salário de entrada do servidor com nível superior a R$ 5 mil, o assessor especial justifica a medida por meio da comparação com o setor privado: “A formação dos nossos servidores é mais em administração, direito, economia e contabilidade. E o salário inicial dessas pessoas no setor privado é menos que R$ 5 mil.” No entanto, omite-se que R$ 5 mil correspondia ao salário de entrada nas carreiras típicas de Estado em 2003, e que entre aquele ano e hoje a inflação acumulada foi de 137%. Além disso, desconsideram-se as especificidades do trabalho no serviço público federal em atividades de alta complexidade e responsabilidade, e a idade média de ingresso do servidor no governo federal, mais elevada que a do primeiro emprego no setor privado.

Debater e ouvir a população, como recomenda o assessor do Planejamento no caso dos servidores, é necessário – ainda que seja essa a prática do governo em tantos outros temas de interesse do país, como na aprovação do novo regime fiscal que congela o gasto público por 20 anos reduzindo a oferta de serviços básicos em saúde, educação e assistência, na aprovação da terceirização e da reforma trabalhista que precarizam o emprego, nas privatizações anunciadas etc. Mas também importa informar, e não apenas desinformar, a opinião pública, assim como honrar a palavra, os acordos, as leis e a Constituição Federal.

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Parlamentares aprovam convocação de Janot, Joesley e Wesley Batista para depor na CPI da JBS

Por Joelma Pereira

 

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da JBS aprovou nesta quinta-feira (21) as convocações dos empresários Joesley e Wesley Batista e o convite ao ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot para depor na comissão. No caso de Janot, os parlamentares querem que o ex-procurador preste esclarecimentos sobre os procedimentos que resultaram no acordo de colaboração firmado entre o Ministério Público Federal (MPF) e executivos da JBS. Também foi aprovado o convite para Eduardo Pelella, que foi chefe de gabinete do ex-procurador-geral da República.

Comandada por aliados do presidente Michel Temer, a CPI da JBS foi instalada semana passada e deve mirar as negociações para a delação de executivos do grupo JBS. As convocações aprovadas nesta quinta-feira (21) também incluem o executivo da JBS Ricardo Saud, o ex-procurador da República Marcello Miller, acusado de ter orientado os irmãos Batista, enquanto ainda atuava no Ministério Público, para fechar o acordo de colaboração premiada, além do ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) Luciano Coutinho.

Ainda na lista de nomes convidados a prestar esclarecimentos à comissão estão o ex-presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) Leonardo Porciúncula Pereira e Márcio Lobo, advogado da associação de acionistas minoritários da JBS.

Ontem (quinta-feira, 21), o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) ingressou com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF)  pedindo a suspensão dos trabalhos da CPI. A mudança de enfoque é o principal argumento de Randolfe no pedido entregue ao Supremo. O senador cita requerimentos de convocação e convite de Janot, procuradores e outras autoridades com o objetivo de questionar atos de ofício que estão protegidos pela Constituição.

Na sessão dessa quarta-feira (20), o colegiado aprovou o plano de trabalho da CPI apresentado pelo relator, deputado Carlos Marun (PMDB-MS). O deputado é um dos capitães da tropa de choque de Temer na Câmara.

Segundo Marun, além dos executivos da JBS e de Janot, poderão ser convocados para depor os procuradores e ex-procuradores da República, delegados e servidores da Polícia Federal, além de executivos e ex-executivos do BNDES, da JBS, entre outros envolvidos.

Por falta de quórum, 15 requerimentos de transferência de sigilo não foram votados hoje, ficando para a próxima reunião da CPMI, na semana que vem. Os pedidos são relacionados às operações financeiras do grupo J&F, aos dados telefônicos de seus diretores e aos sigilos eletrônico, telefônico e bancário do ex-procurador Miller.

A comissão já recebeu 215 requerimentos de convocação de depoentes e solicitação de informações junto às empresas e órgãos públicos que foram protocoladas até ontem (quarta-feira, 20). O prazo para conclusão dos trabalhos é de 120 dias.

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C H A R G E

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Deputados federais cariocas atacam Pezão

Radar Online

Deputados federais cariocas detonaram o governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) em audiência pública na Câmara. As críticas foram direcionadas à política de segurança do estado fluminense.

Morador de Itaguaí, o deputado Alexandre Valle (PR-RJ) classificou como “estelionato eleitoral” o fato do governador criar, às vésperas das eleições, um batalhão da Polícia Militar na cidade. Três anos depois, o ajuntamento ainda não saiu do papel.

Além disso, desde abril o deputado tenta ter uma audiência com o comandante-geral da PM-Rio, sem sucesso. Ele estava presente na audiência pública.

Já o deputado Marcelo Delaroli (PR-RJ) foi ainda mais contundente ao comentar o número elevado de mortes de civis e policiais. Somente em 2017, foram 103 PMs assassinados no Estado do Rio.

“Se o Pezão não tem condições de resolver o problema, pede para sair! O que não dá é para ficar assim, com esse tanto de gente morrendo”, criticou Delaroli.

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Planalto vê com desconfiança críticas de Maia

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Blog da Andréia Sadi

Interlocutores de Michel Temer avaliaram reservadamente ao Blog que veem as novas críticas de Rodrigo Maia (DEM-RJ) ao Planalto com desconfiança, em meio ao processo que vai discutir a segunda denúncia contra o presidente na Câmara dos Deputados.

Nesta quarta-feira, Maia acusou os ministros do governo de quererem enfraquecer o DEM, seu partido. Os alvos de Maia são os ministros Eliseu Padilha e Moreira Franco, e o presidente do PMDB, Romero Jucá (PMDB-RR).

No entanto, o discurso no Planalto, agora, é evitar atritos com Maia – que ditará o ritmo da segunda denúncia na Câmara. Temer, antes das críticas, já havia conversado com Maia sobre o ambiente da votação na Câmara.

Nos bastidores, a avaliação do Planalto é de que o presidente quer votar a segunda denúncia rapidamente na Câmara, porque teme que a delação de Geddel Vieira Lima se concretize – e que isso possa contaminar o ambiente entre os deputados.

Temer conta com o presidente da Casa para dar celeridade ao processo.

Além das críticas aos movimentos dos ministros, chamou a atenção de aliados de Temer o fato de que Maia recebeu no Planalto artistas que defendem o “Fora, Temer”, enquanto o presidente estava em Nova York. A agenda irritou Temer.

PMDB x DEM

Ontem, o presidente da Câmara alertou Temer sobre o movimento dos ministros em relação ao DEM, que considerou grave.

Ao blog, auxiliares do presidente tentam blindar Temer do novo atrito com Maia, argumentando que ele nada tem a ver com os movimentos do PMDB para convencer políticos do PSB a se filiarem ao partido de Temer. Esses parlamentares estavam em negociação com o DEM.

Um dos casos que mais irritou Maia foi o do senador Fernando Bezerra. O ato de filiação dele contou, inclusive, com as presenças dos ministros Moreira e Padilha.

Apesar do discurso do governo de que Temer está alheio ao processo de cooptação de políticos do PSB para o PMDB, Maia lembra, nos bastidores, de uma operação liderada por Temer em julho. O presidente foi pessoalmente a um café da manhã na casa da líder do PSB, Teresa Cristina, com objetivo de atrair deputados do partido para o PMDB.

O mal-estar gerou uma crise entre Maia e Temer em meio às discussões sobre a primeira denúncia.

Agora, Maia afirma que suas críticas não influenciam o processo da segunda denúncia na Câmara.

Mas a ordem no Planalto é baixar a temperatura.

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Sentimento de propriedade fez Jarbas perder o PMDB

Por Fernando Castilho

Agora que o PMDB de Pernambuco e mais os partidos de amigos fizeram um desagravo em nome do deputado Jarbas Vasconcelos reivindicando o direito dele continuar no comando da legenda no estado, cabem dois dedos de conversa sobre como foi que, com mais de 50 anos na liderança e comando da agremiação em Pernambuco, o experiente político não percebeu que, ao votar contra Michel Temer na ocasião da primeira denúncia proposta por Rodrigo Janot no Congresso, ele perdeu o comando local da agremiação.

Hoje, parece claro que Jarbas não entendeu os recados de Temer (que é o presidente nacional licenciado do partido) e, hoje, na presidência da República mandou o comunicado pelo seu lugar tenente, o senador Romero Jucá, quando disse que haveria punições.

Jarbas conhece Michel Temer melhor que Fernando Bezerra Coelho. Sabe de sua capacidade de articulação para comandar o partido por décadas e que Temer é aquele sujeito que na política de mesa de bar é chamado de “pelvelso”.

O problema é que Jarbas avaliou mal até que ponto esse índice de maldade poderia ir. Certamente apostando que por ter, inclusive, ajudado a formar o governo Temer em 2016, o velho comandante partidário não faria a desfeita de tomar-lhe o partido em Pernambuco. Mas, Temer fez. Fez e fará com todos os infiéis. Importa pouco que tenham histórico no PMDB confederado.

Neste debate sobre a figura de Jarbas como ícone da resistência democrática, o deputado que propôs a Constituinte e o possível “herdeiro” do comando do partido, segundo dizia Ulysses Guimaraes, é importante observar que Temer será candidato à reeleição em 2018. Se vai ser eleito, isso é com o povo. Mas, ele vai sair candidato.

Achar que Temer não será candidato é o mesmo que achar que Paulo Câmara não será candidato em 2018. Por que não seria? Afinal, está na cadeira, tem o partido e sua máquina.

E esse parece ser o fundamento do jogo que Jarbas não entendeu. Temer está organizando, pela primeira vez, o seu PMDB para ser cabeça de chapa. E, sendo assim, precisará montar os palanques nos estados. Porque, como se sabe, as eleições gerais no Brasil exigem que os partidos que, de fato, disputam o cargo, precisem ter de candidato à presidente até o deputado estadual com potencial de votação. É uma pirâmide. E é isso que faz os chamados partidos pequenos terem chances mínimas de emplacar uma candidatura com potencial. Porque não tem gente pedindo votos para presidente em todos os estados. Mas, o PMDB tem.

Ora, se Temer é candidato e está organizando sua estrutura de disputa nacionalmente por que, em Pernambuco, deixaria Jarbas no comando, quando até Michelzinho sabe que o objetivo de Jarbas é formar uma chapa com o PSB de Paulo Câmara? Por que deixaria ele fazer isso aqui? E o resto do País, faria o quê?

Talvez, Jarbas tenha se apegado à sua história para entender que o Temer, em nome dela, não passaria por cima de seus 50 anos de militância. Só que Temer passou e passará.

Será assim, não porque tem disponível na prateleira “FBC & filhos”, mas porque o senador petrolinense lhe dará um palanque forte aqui, não só contra Paulo, mas contra o adversário de Temer na disputa nacional, seja ele quem for.

Política, ensinam os especialistas, é conversa, traição e maldade. Acordo político tem prazo de validade: a próxima eleição. Nome e tradição só servem para dar brilho, mas não são fatores determinantes.

É importante observar isso. Talvez, Jarbas não tenha entendido quando Jucá lhe transmitiu o recado do chefe. Não percebeu que, estando a decisão tomada em nível presidencial, o máximo que poderia fazer era estender o tapete e apresentar FBC como o mais novo correligionário, ainda que o PSB de Paulo ficasse soltando brasa pelo fundo feito ferro antigo de engomar. Talvez, Jarbas não tenha percebido que já não tinha mais o comando por que ele tinha sido pago como artigo político a FBC em 2018.

Há poucas chances de Jarbas ficar com comando do PMDB de Pernambuco agora. FBC & filhos vão chegar feito noivo rico em casamento de conveniência em que o dote da virgem paga as dívidas da família e o genro assume, de fato, o comando dos negócios.

A menos que decida deixar o PMDB e construir uma nova família, Jarbas não tem outro caminho senão aceitar o fato – ainda que cuspa no prato do genro enquanto ele não chega na sala com sua filha.

Certamente, não será fácil para Jarbas, e nem para todos os que orbitam em seu entorno. Afinal, serviram a ele por décadas. Mas, o jogo está feito. Mesmo que seja muito difícil ir para a festa como convidado quando, um dia, foi o anfitrião