Petroleiros preparam greve e acusam presidente da Petrobras de beneficiar grupos internacionais

Por Joelma Pereira

paralisação dos caminhoneiros ainda nem acabou e os petroleiros já ensaiam um movimento grevista para os próximos dias. Indignados com a política de preços e condução dos trabalhos da Petrobras, petroleiros em todo o país se movimentam para uma mobilização geral. De acordo com a Federação Nacional dos Petroleiros (FNP), que já manifestou apoio à paralisação contra a alta do combustível, a categoria está unida contra a tentativa de sucateamento da estatal e das refinarias brasileiras e critica a gestão do presidente da petrolífera, Pedro Parente, a quem acusa de beneficiar grupos internacionais.

O grupo denuncia, entre outras coisas, que Pedro Parente vem praticando “autoboicote” contra a empresa, com intuito de entregar a estatal ao capital estrangeiro. Diretor da FNP e do Sindicato dos Petroleiros do Litoral Paulista (SindiPetro-LP), Fábio Mello afirmou que desde o início da gestão de Parente, em 31 de maio de 2016, a carga das refinarias diminuiu, inviabilizando a produção de 100% do diesel e da gasolina consumidos no país. Procurada pela reportagem, a presidência da Petrobras informou que não comentaria as acusações.

“Ele reduziu as cargas das refinarias fazendo com que o custo da produção nacional aumentasse. Com a gasolina mais cara produzida pela Petrobras, a gasolina internacional vem para o Brasil com preço competitivo. Então, se eu aumentar a minha produção interna, eu vou ter um custo menor desse produto e o produto externo não vai ser interessante. Logo o meu preço final fica menor se eu estou operando com toda a capacidade”, reclamou Fábio Mello.

Em Minas Gerais, esta sexta-feira (25) foi de paralisação. De acordo com o diretor de Comunicação do Sindicato dos Petroleiros de Minas Gerais (SindiPetro-MG), Felipe Pinheiro, o movimento de hoje, que durou oito horas, foi apenas um “esquenta” até que seja definida a data da paralisação geral da categoria. Pinheiro também condenou a política de preços adotada pelo presidente da Petrobras e reforçou a menção ao “autoboicote” na empresa.

“Pedro Parente está promovendo a abertura deliberada do mercado brasileiro para empresas estrangeiras, que estão colocando gasolina e diesel aqui dentro do país. É um pacote. Você coloca uma política de preços que é mais vantajosa para iniciativa privada internacional e ainda abre mão do seu mercado, como se fosse um ‘autoboicote’ da produção do seu próprio mercado, que tem toda uma infraestrutura de produção e de logística que foi criado pelo povo brasileiro”, ponderou o dirigente à reportagem.

Carga reduzida

Após a diretoria da Petrobras anunciar seu plano de vender quatro refinarias, mais o conjunto de terminais que as atendem nos eixos Nordeste e Sul, petroleiros em todo o país fazem manifestações pontuais em vários estados. De acordo com Fábio, as refinarias brasileiras têm condição de produzir gasolina e diesel para consumo em todo o país e ainda lucrar com a exportação do petróleo.

No entanto, as usinas de refino, que transformam o petróleo bruto em gasolina e diesel, tem trabalhado, em alguns lugares, com 50% da carga, que foi restrita por determinação de Parente. O outro montante do petróleo é vendido para grupos estrangeiros, que refinam o óleo no exterior e depois vendem o produto final a custos mais elevados para o Brasil.

“A linha do Parente, que é a linha do [presidente Michel] Temer, é a de tornar a Petrobras uma mera exportadora de produto interno. A Petrobras, que é uma empresa integrada, pega o petróleo do poço, transforma ele em gasolina e atua em todas as pontas do mercado do petróleo. Com essas medidas, está seguindo uma linha de ser uma mera exportadora do óleo cru”, afirmou.

Ele também criticou a tramitação no Congresso de propostas que revogam a participação obrigatória da Petrobras no modelo partilha de produção de petróleo, em voga na exploração da camada pré-sal. André diz que Parente e o governo de Michel Temer (MDB) tentam difamar a Petrobras para o povo brasileira para, posteriormente, privatizá-la.

“O Congresso, que infelizmente está tomado de pessoas que tem interesses totalmente alheios ao Brasil e a nossa soberania, aprovou o PL 131. Fizeram essa barbárie de tirar a Petrobras como operadora única. Ainda fizeram a MP do trilhão que isentou as transnacionais de impostos para poder estar participando dos leilões e explorar nosso pré-sal. Com isso, o Brasil libera o capital internacional e onera a população aos custos dos combustíveis”, alertou.

A estatal foi criada em 1953, ainda no governo de Getúlio Vargas, sob a promessa de ser uma das mais promissoras estatais do mundo, a Petrobras (Petróleo Brasileiro S.A). A empresa possui 51% das ações pertencentes ao governo e o restante é de capital misto.

Preço da refinaria

De acordo com André, o custo Petrobras é de apenas 30% do que é praticado na bomba. “O Custo vem do poço, tanto faz ser do pré-sal ou do poço terrestre. Hoje, por exemplo, com a gasolina a R$ 5, essa conta que sai do poço do petróleo até as refinarias, antes da distribuição, sai das refinarias a R$1,50.

A partir daí vem os tributos como PIS, Confis, ICMS, Cide e ainda mais a adição do gás anidro. Toda essa parte aí faz com que nossa gasolina seja mais cara”, explicou o diretor da FND, que ressaltou ainda que, se as refinarias operassem com 100% de sua capacidade, o custo seria inferior a R$ 1,50.

 

Anistia Internacional condena uso de força contra protestos de caminhoneiros

De acordo com o órgão, o uso de Forças Armadas pode levar a uma escalda da violência

Em nota, a Anistia Internacional afirmou na noite desta sexta-feira (25) que a “autorização e convocação do uso das Forças Armadas para desocupar as rodovias obstruídas por caminhoneiros em greve é extremamente preocupante”.

“O papel das Forças Armadas não é atuar em protestos, manifestações e greves. A liberdade de expressão e manifestação são um direito humano”, diz a nota.

De acordo com o órgão, o uso de Forças Armadas pode levar a uma escalda da violência e “um passo inadmissível no caminho da militarização da gestão das políticas públicas”, afirma Jurema Werneck, diretora executiva da Anistia Internacional Brasil.

O presidente Michel Temer fez um pronunciamento na manhã desta sexta no qual anunciou o plano de segurança para liberar as estradas.

Temer disse que vai usar as forças federais e pediu que os governadores façam o mesmo. Segundo o presidente, uma minoria radical está impedindo “que muitos caminhoneiros levem adiante seu desejo de atender a população e fazer seu trabalho”.

No fim da tarde, o ministro do STF (Supremo Superior Federal)Alexandre Moraes autorizou o uso da força para desbloquear rodovias.

O governo também editou um decreto que autoriza homens das Forças Armadas a conduzir os caminhões para garantir abastecimento da população, conforme anunciaram os ministros Eliseu Padilha e Raul Jungmann, em entrevista coletiva à imprensa.

Fonte: Folha de S. Paulo

Ministro do Supremo manda soltar mandante do assassinato de Dorothy Stang

Em 2010, Regivaldo Pereira Galvão foi condenado a 30 anos de reclusão por homicídio qualificado

O ministro Marco Aurélio Mello, do STF (Supremo Tribunal Federal), deferiu liminar que suspende a execução antecipada da pena do fazendeiro Regivaldo Pereira Galvão, condenado por encomendar a morte da missionária americana Dorothy Stang em 2005.

O ministro determinou que Justiça do Pará se abstenha de expedir mandado de prisão contra o acusado e, caso já o tenha cumprido, que mande soltá-lo. A decisão vale até julgamento de mérito pelo Supremo.

Em 2010, Galvão foi condenado em primeiro grau a 30 anos de reclusão, a serem cumpridos inicialmente em regime fechado, por homicídio qualificado, praticado por motivo torpe e sem permitir a defesa da vítima. A decisão foi confirmada pelas instâncias superiores.

Desde a condenação, o fazendeiro aguardava a apreciação de recursos em liberdade, mas em agosto do ano passado o Supremo revogou um habeas corpus que o beneficiava.

A medida foi tomada com base no entendimento, firmado em 2016 pela Corte, que permite execução provisória da pena quando o réu é condenado em segunda instância. É a mesma premissa que viabilizou a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva este ano, no caso do tríplex do Guarujá.

Marco Aurélio tem se posicionado contra a antecipação da pena. Ao deferia a liminar, ele argumentou que a decisão de 2016, tomada pelo plenário do Supremo, não pode ser potencializada. “Precipitar a execução da pena importa antecipação de culpa, por serem indissociáveis”, justificou, acrescentando que a Constituição só prevê a formação da culpa após o trânsito em julgado da sentença penal condenatória.

O ministro alegou que o fato de o STF ter confirmado nova jurisprudência e reconhecido repercussão geral sobre o assunto não é obstáculo para o Judiciário afastar lesão ao direito, demonstrada, no caso sob sua análise, no descumprimento de uma cláusula pétrea da Carta Magna.

Ele afirmou que, ao tomar posse como ministro da Corte, jurou obediência à Constituição e não a decisões sem efeito vinculante ou tomadas pelo que chamou de maioria eventual.

“Tempos estranhos os vivenciados nesta sofrida República! Que cada qual faça a sua parte, com desassombro, com pureza d’alma, segundo ciência e consciência possuídas, presente a busca da segurança jurídica. Esta pressupõe a supremacia não de maioria eventual – conforme a composição do tribunal –, mas da Constituição, que a todos, indistintamente, submete, inclusive o Supremo, seu guarda maior”, escreveu.

Marco Aurélio observou haver a sinalização de que a questão da segunda instância será julgada novamente, com a possibilidade “de um dos que formaram na corrente majoritária – e o escore foi de 6 a 5 – vir a evoluir” – ele se referiu à ministra Rosa Weber.

“Em época de crise, impõe-se observar princípios, impõe-se a resistência democrática, a resistência republicana”, acrescentou.

Dorothy Stang foi morta em 2005, na região de Altamira (PA). Segundo as investigações da Polícia Civil, Galvão foi um dos mandantes do crime, ao lado de Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida.

A acusação sustentou que o assassinato foi motivado por denúncias da missionária contra os dois mandantes, que ocupavam ilegalmente um lote do PDS (Projeto de Desenvolvimento Sustentável) Esperança. Rayfran das Neves Sales confessou ter atirado em Dorothy. Amair Feijoli da Cunha e Clodoaldo Carlos Batista foram apontados como intermediários da ação.

A missionária era freira da congregação Notre Dame, tinha origem norte-americana e era naturalizada brasileira. Ela iniciou seus trabalhos no país na década de 1960, no Maranhão, e viveu cerca de 20 anos no Pará.

Crise expõe fragilidade do governo Temer e articulações para eleição

A discórdia entre aliados visando as eleições em outubro atravessou a Praça dos Três Poderes e provocou impasse

 

Temer durante discurso, na noite dessa quinta-feira (24), na Sala Minas Gerais. Foto: Marcos Vieira/EM/D.A Press

 

Por Estado de Minas

A greve dos caminhoneiros expôs a fragilidade do governo Michel Temer, revelou movimentos políticos para as eleições de outubro e mostrou o distanciamento de antigos aliados no Congresso. Pré-candidato ao Palácio do Planalto, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), entrou em nova rota de colisão com Temer e com seu colega Eunício Oliveira (MDB-CE), que comanda o Senado. A briga atravessou a Praça dos Três Poderes e provocou impasse.
Dias após desistir de disputar novo mandato e anunciar a candidatura do ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles pelo MDB, Temer sofre as consequências do fim de um governo impopular. Além de enfrentar o racha no MDB, ele também perdeu apoio na Câmara e no Senado.
Em BH, Temer anuncia trégua com caminhoneiros e alfineta governo estadual
Em votação simbólica, Maia conseguiu aprovar na Câmara, na noite de quarta-feira, 23, um projeto que acaba com a desoneração da folha de pagamento para 28 setores da economia, mas embutiu ali a proposta de zerar a alíquota do PIS/Cofins sobre o diesel até o fim do ano.
Foi um gesto calculado para ganhar protagonismo, mas passou longe dos acertos com o Senado e com o Planalto, que já havia pedido uma trégua aos caminhoneiros. De uma só tacada, porém, Maia contrariou Temer e irritou Eunício, que vai concorrer à reeleição e também tenta mostrar serviço. Os dois, no entanto, não deixaram dúvidas de que querem descolar suas imagens do desgaste do presidente.
Pouco antes da aprovação do projeto pela Câmara, o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, chamou o deputado Orlando Silva (PC do B-SP), relator da proposta, para uma conversa reservada no plenário. Estava apreensivo com o impacto da perda de receita provocada pela isenção do PIS/Cofins. Havia sido alertado antes por um telefonema do secretário da Receita Federal, Jorge Rachid, para quem a renúncia seria de R$ 12 bilhões, e não de R$ 3,5 bilhões, como sustentava Maia.
“Eu disse a ele: ‘Marun, a base do governo está votando contra o governo'”, contou Silva, que, apesar de ser da oposição, é aliado de Maia. Por volta de 15 horas, naquele dia, Temer também já tinha telefonado para o presidente da Câmara. Queria saber o que seria votado. “Vou avaliar, presidente”, respondeu Maia.
Na manhã de ontem, Marun batia na tecla de que os cálculos feitos pela Câmara estavam equivocados. “Agora temos de enfrentar as consequências da medida aprovada”, lamentava.
Maia previa que receitas extras com os royalties de petróleo compensariam a isenção do PIS/Cofins e apostou no risco. “Fiz aquilo que considero correto para o Brasil”, afirmou ele, minimizando o erro dos números. Eunício, por sua vez, viajou ontem para o Ceará, sem pautar a votação do projeto no Senado. Teve de retornar a Brasília, após ligação nervosa do ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha.
“Temos apoio de 80% da população. Se autoridades querem pôr fogo nesse País, estão conseguindo”, dizia o presidente da Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam), José da Fonseca Lopes. Nos bastidores, Eunício culpou Maia pela crise.
Para a líder do MDB no Senado, Simone Tebet (MS), a disputa deu o tom das articulações para pôr fim à greve. “O jogo eleitoral está por trás de tudo isso, mas o Senado não pode ser o bandido dessa história”, argumentou Tebet.

Governo ainda não sabe de onde tirar R$ 5 bilhões para subsidiar diesel

Técnicos terão de analisar quais investimentos ou programas federais serão afetados

Sede da Petrobras, no Rio de Janeiro (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)
Por Nonato Viegas
Apesar do anúncio do subsídio de R$ 4,9 bilhões para a Petrobras segurar o preço do óleo diesel por um mês, conforme prometido a caminhoneiros, o governo não sabe de onde tirar esses recursos. Auxiliares do presidente Michel Temer afirmaram a EXPRESSO que faltam estudos para chegar a essa conclusão. O mais provável é que o dinheiro desfalque algum investimento.

A esperança é que haja pressão pública contrária ao subsídio. Com isso, Temer teria margem para desistir de honrar a promessa.

O poder dos ultrajovens

A geração que vai romper (e já está rompendo) com tudo o que se quis e se imaginou

Capa Revista Época Ed 1039-Home560 (Foto: Época)
Por Nina Finco

“Se, na conjuntura, o poder jovem cambaleia, vem aí, com força total, o poder ultrajovem”, escreveu Carlos Drummond de Andrade no final dos anos 1960, em uma crônica que versava sobre o embate de um pai com a filhinha em torno de uma lasanha. Ele insistia, ela ignorava. Ele repetia, ela se mantinha firme em seu propósito. Ele tergiversava, ela o lembrava do que queria. Ela ganhou por coerência. Ele perdeu por não entender a dinâmica dos tempos. A premissa é mais atual do que nunca. A força do poder ultrajovem é inexorável.

De acordo com pesquisas recentes, se depender da geração que tem por volta dos 20 anos (a mesma idade de ÉPOCA), estão encrencados os hotéis, as lojas de departamentos, as cadeias de restaurantes, a indústria automobilística, o comércio de diamantes, a produção de guardanapos e de canudinhos, os programas de fidelidade de hotéis e de cartões de crédito, os jogos de azar, os bancos, a produção de amaciantes de roupa, o sonho da casa própria, a ideia de casamento estável, os acasos felizes, as viagens de cruzeiro, as emissoras de TV aberta, os políticos de ocasião, os planos de aposentadoria, Paris e até o milk-shake do Bob’s.

Eles resolvem a vida (para o bem e para o mal) pelo celular, sorvem coisas de cor verde (comer virou questão de identidade), têm um pendor para medicamentos identificados com uma tarja preta, passam a noite em claro, não se sabe se estão trabalhando ou relaxando, gostam de empunhar bandeiras universais, mas se preocupam mesmo é com sua persona nas redes sociais, pensam igual a quase todo mundo da mesma geração, comportam-se como adolescentes apesar de terem idade de adultos, tecnologia lhes é tão intrínseco como respirar, ser de esquerda é do jogo, ter o nariz em pé é condição sine qua non, gostam de Insta Stories porque ele dura pouco, arriscam tudo por terem pouco a perder, rechaçam qualquer coisa que contenha plástico, gostam de viajar para lugares onde podem mostrar novidades no Instagram. Eles são o que são ou são o que querem parecer ser?

“Eles se tornam personagens de suas próprias vidas, preocupados com narrativas, contextos, motivações. Estão sempre esperando pelo terceiro ato — que nunca chega”, disse um estudo da Box1824, conduzido pelos pesquisadores Sean Monahan e Sophie Secaf nos Estados Unidos, sobre o que chamaram de GenExit, a geração que opta por experimentar novas possibilidades identitárias, mais livres e menos deterministas, mas não menos disruptivas.

Ainda que esteja cansado depois de um dia longo, o estudante de publicidade Luigi Dalmolin, de 21 anos, só vai para a cama após um banho quente. Por isso, entre uma ensaboada e outra, Dalmolin assiste a vídeos no YouTube ou responde a mensagens no WhatsApp. Graças a uma providencial capinha à prova d’água, ele faz parte de uma minoria — surgida recentemente — que toma banho com o telefone celular dentro do box. Estar com o celular nas mãos o tempo todo como faz Dalmolin, conectado, com os olhos vidrados e os dedos tocando a tela, é um dos principais comportamentos identificadores dos ultrajovens (ou geração Y). São as pessoas nascidas entre 1982 e 2000 (segundo o Census Bureau, agência governamental encarregada pelo censo nos Estados Unidos), ou entre 1981 e 1997 (segundo o instituto de pesquisa americano Pew Research Center). Os jovens apresentam características que os diferenciam das gerações anteriores e refletem mudanças relevantes no mundo.

A principal distinção dos ultrajovens é a necessidade de estar conectado o tempo todo. Smartphones são sua porta de acesso ao mundo; 43% dos jovens são como Dalmolin: não vão ao banheiro sem seus celulares. O aparelho é tão importante que 42% deles afirmam que deixariam de ir à academia se não pudessem levá-lo.

A fixação por smartphones atinge outras faixas etárias, mas, no caso dos ultrajovens, deu origem à “era da distração”. A fartura de dispositivos conectados à internet está reduzindo cada vez mais a capacidade de concentração. No início de maio, Carl Marci, neurocientista e médico especialista em questões ligadas ao consumo e ao comportamento, esteve no Brasil para apresentar o resultado de pesquisas neurológicas realizadas por sua empresa, um braço da gigante teuto-americana Nielsen.

Marci encara a tal distração como resultado da falta de tempo ocioso. Os “nativos digitais” não se enfadam, porque estão sob constante estímulo. Se estão na fila do mercado, não precisam “esperar”; é só sacar o celular e responder a uma mensagem ou dar uma conferida nas notificações das redes sociais e pronto: a fila andou rapidinho.

Moro cancela audiências de processo que envolve Sítio de Atibaia por causa da paralisação dos caminhoneiros

Juiz justificou a dificuldade de deslocamento aos locais de audiência por parte das testemunhas, do Ministério Público Federal (MPF), advogados e outras partes envolvidas.

Juiz Sérgio Moro, que é responsável pelos processos da Lava Jato na primeira instância, decidiu suspender as audiências de um processo da Operação Lava Jato marcadas para segunda-feira (28) por causa da greve dos caminhoneiros.

As audiências envolvem testemunhas de defesa relacionadas ao processo do Sítio em Atibaia. O ex-presidente Lula é um dos 13 réus neste processo e responde por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

A força-tarefa da Lava Jato diz que Lula recebeu propina proveniente de seis contratos firmados entre a Petrobras e a Odebrecht e a OAS. Os valores foram repassados ao ex-presidente em reformas realizadas no sítio avaliadas em R$ R$ 1,02 milhão. Lula nega as acusações.

O juiz justificou a dificuldade de deslocamento aos locais de audiência por parte de testemunhas, representantes do Ministério Público Federal (MPF), advogados e outras partes do juízo envolvidas.

“Há um movimento de paralisação de motoristas de caminhões nas estradas brasileiras. Há uma pauta de reivindicação legítima da respeitável categoria e que deve ser avaliada pelas autoridades competentes. No entanto, o prolongamento excessivo da paralisação e que inclui o questionável bloqueio de rodovias tem gerado sérios problemas para a população em geral, com prejuízos principalmente para o abastecimento de alimentos e de combustíveis nas cidades”, disse Moro.

“Espera-se que prevaleça o bom senso dos envolvidos, com a normalização da situação e antes que ocorram episódios de violência, mas considerando a incerteza em relação aos próximos dias, é o caso de, por prudência, suspender as audiências do dia 28/05/2018 e, oportunamente, redesigná-las”, argumentou Moro.

O juiz destacou que muito embora seja intenso o trabalho interno dos servidores, o expediente na Justiça Federal de Curitiba foi cancelado nesta sexta-feira (25).

Greve de caminhoneiros

A greve completou cinco dias nesta sexta-feira. A categoria protesta contra o aumento do diesel.

Apesar do acordo anunciado na noite de quinta (24) para suspender paralisação por 15 dias, há 221 pontos de manifestações em todo o estado nesta sexta-feira (25). A greve também continua em outros estados.

Governo diz que 45% dos bloqueios em rodovias estão liberados; decreto autoriza uso das Forças Armadas

Governo diz que 45% dos bloqueios em rodovias estão liberados; decreto autoriza uso das Forças Armadas

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Por Guilherme Mazui e Alessandra Modzeleski

O ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, afirmou que 419 de um total de 938 pontos interditados em rodovias de todo o país (quase 45%) tinham sido liberados até a tarde desta sexta-feira (25).

Também nesta sexta, informou o ministro Eliseu Padilha (Casa Civil), o presidente Michel Temer assinou decreto de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), que autoriza o emprego das Forças Armadas em casos de situações de perturbação da ordem pública.

As interdições são motivadas pelos protestos de caminhoneiros, que nesta sexta completaram cinco dias. Segundo o ministro, todas as 519 interdições que restavam eram parciais. Nesta sexta, o presidente Michel Temer determinou o emprego de forças federais para desobstruir as rodovias.

“As obstruções que continuam, todas elas são parciais, o que aponta para a adesão crescente dos senhores caminhoneiros ao acordo que foi fechado no Palácio do Planalto”, declarou Jungmann. Na noite desta quinta (24), governo e representantes de entidades de caminhoneiros anunciaram uma proposta de acordo para suspender a paralisação por 15 dias. Mas, pela manhã, os bloqueios nas estradas prosseguiam.

Jungmann deu a informação sobre a redução das interdições durante entrevista coletiva de ministros que integram o grupo de trabalho formado para acompanhar a crise gerada pelo movimento dos caminhoneiros. Os protestos bloquearam estradas e resultaram em desabastecimento de combustível nos postos e escassez de alimentos nos supermercados.

Participaram da entrevista, além de Jungmann, os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil), Carlos Marun (Secretaria de Governo), Sérgio Etchegoyen (Gabinete de Segurança Institucional) e Joaquim Luna (Defesa).

Coordenador do grupo que o governo criou para monitorar a greve dos caminhoneiros, o ministro Sergio Etchegoyen, que é general do Exército, declarou que o “gatilho” para o uso “enérgico dos recursos legais” foi o “risco de desabastecimento”.

“O fato gerador da decisão do emprego mais enérgico dos recursos legais que a União tem é o risco de desabastecimento, as reivindicações que levaram à negociação e o risco do desabastecimento, que disparou”, disse Etchegoyen.

Segundo ele, o acesso à Refinaria Duque de Caxias (Reduc), no Rio de Janeiro, foi liberado. “A Reduc já normalizou praticamente quase na integralidade, o que vai limpando o horizonte”, declarou.

Padilha voltou a afirmar que o fim da paralisação leva tempo. Segundo ele, a greve não está sendo desmobilizada na “velocidade sonhada”, mas demonstra avanço.

O ministro declarou que a negociação com os caminhoneiros “está encerrada”. “Agora é o cumprimento do acordo. Nós temos um acordo e estamos buscando cumprir 100% e esperamos que eles também cumpram 100%, e quem vai ganhar é a sociedade e os caminhoneiros, suas famílias”, disse.

Jungmann disse que determinou à direção-geral da Polícia Federal a abertura de inquérito para apurar se empresários tiraram proveito do movimento dos caminhoneiros autônomos praticando locaute.

“Nós já temos uma relação de duas dezenas de empresas, ou seja, de empresários, que já estão sendo chamados a depor”, declarou.

Garantia da Lei e da Ordem

O ministro Eliseu Padilha disse que, nesta sexta, o presidente Michel Temer assinou um decreto de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), permitindo o emprego das Forças Armadas desta sexta-feira (25) até 4 de junho nas ações para desbloquear as rodovias, interrompidas pela greve dos caminhoneiros.

O ministro interino da Defesa, general Joaquim Silva e Luna, informou que o emprego das Forças Armadas será feito nesse contexto de Garantia da Lei e da Ordem.

Realizadas exclusivamente por ordem expressa da Presidência da República, as missões de GLO ocorrem nos casos em que há, segundo o Ministério da Defesa, “o esgotamento das forças tradicionais de segurança pública, em graves situações de perturbação da ordem”.

Ainda de acordo com o ministério, nessas ações, as Forças Armadas “agem de forma episódica, em área restrita e por tempo limitado, com o objetivo de preservar a ordem pública, a integridade da população e garantir o funcionamento regular das instituições”.

“O que vai ser garantido são essas necessidades críticas, particularmente na área de abastecimento de combustível, na área da saúde, produtiva, de alimentação”, disse o general.

Ele explicou que a Marinha já atua para desobstruir o canal do porto de Santos. A Força Aérea está em contato com os aeroportos, e o Exército emprega tropas.

Requisição de bens

Raul Jungmann explicou que o governo avalia utilizar o instrumento da “requisição de bens”, mas que não tem como foco os caminhoneiros autônomos, mas as empresas.

Jungmann disse que a Polícia Rodoviária Federal foi solicitada para fazer escolta de caminhões de abastecimento, porém, ao chegar nas transportadoras, “não havia disposição das empresas de liberar os seus motoristas” para o transporte da carga.

“Nosso foco não está sobre o autônomo, sobre o proprietário do caminhão. Nosso foco está naquelas transportadoras, distribuidoras que estão se negando a fazer o transporte de carga. Esse é o nosso foco e porque propusemos esse dispositivo”, disse.

A requisição de bens é amparada no artigo 5º da Constituição, inciso XXV, que prevê que “no caso de iminente perigo público, a autoridade competente poderá usar de propriedade particular, assegurada ao proprietário indenização ulterior, se houver dano”.

Há 50 anos, acontecia o primeiro transplante de coração no Brasil

Na madrugada de 26 de maio de 1968, equipe liderada pelo médico Euryclides de Jesus Zerbini fez no HC/USP o primeiro procedimento do tipo na América Latina

O primeiro paciente de transplante cardíaco do Brasil sobreviveu apenas 28 dias após a cirurgia. Apesar da morte precoce, João Boiadeiro viveu dez dias a mais que o primeiro paciente a passar pelo procedimento, na África do Sul. Apesar de já existirem medicamentos imunossupressores, usados para controlar a rejeição nos receptores de transplantes, esse ainda era um dos principais problemas da época.

Por esse motivo, o número de transplantes realizados por ano foi diminuindo no mundo inteiro até a década de 80, quando foi aprovado o uso da ciclosporina em humanos. Esse medicamento, capaz de reduzir as reações que causam a rejeição de órgãos, é utilizado até hoje como tratamento inicial ou de segunda linha, quando as medicações imunossupressoras usadas anteriormente não funcionaram.


Tecnologia à serviço da medicina

Outro empecilho resolvido pelo avanço da medicina foi o tempo entre a retirada do órgão e a sua instalação no corpo do receptor. Na época dos primeiros transplantes, era preciso que doador e receptor estivessem o mais próximo possível um do outro para que a transferência fosse imediata, impedindo que o coração ficasse muito tempo no gelo e a hipotermia pudesse impedir que ele voltasse a bater depois de reimplantado no receptor. Hoje em dia, o coração pode ficar até quatro horas fora do corpo e, muitas vezes, passa parte desse tempo viajando de avião, por exemplo, para chegar ao destino final.

Além disso, uma equipe de pesquisadores da Universidade da Califórnia (UCLA, na sigla em inglês), nos Estados Unidos, desenvolveram o Organ Car System (OCS), equipamento capaz de manter o coração e outros órgãos pulsando enquanto ocorre o transporte, o que aumenta o tempo de viabilidade dele fora do corpo humano. No entanto, como seu uso encarece o procedimento cirúrgico, o equipamento é usado apenas como último recurso, mas há previsões de que no futuro ele possa ser utilizado com maior frequência. Por enquanto, muitos médicos ainda preferem optar pelo método convencional, que oferece resultados satisfatórios.

O progresso tecnológico também permitiu a criação de corações e ventrículos artificiais capazes de auxiliar o coração debilitado a bater por mais tempo, mantendo o indivíduo vivo até o momento do transplante, que pode acontecer rapidamente ou levar anos. Eles podem ser utilizados interna ou externamente, dependendo da necessidade do paciente, sendo uma alternativa para pessoas que não podem receber transplante.

Infelizmente, no Brasil, o uso destes mecanismos ainda é limitado por causa dos custos – o Instituto do Coração é um dos poucos hospitais no país que dispõe de alguns em versão para adultos e crianças. O pioneirismo no implante de dispositivo de assistência ventricular (DAV) na América Latina também pertence ao Brasil, tendo sido realizado em 1993, no Incor.

O que esperar para o futuro

Segundo Fábio Jatene, diretor da divisão de cirurgia cardíaca e vice-presidente do Conselho Diretor do Incor, em São Paulo, apesar das dificuldades enfrentadas pelos pioneiros do transplante cardíaco, eles conseguiram provar que era possível substituir um órgão vital do corpo humano, demonstrando que doenças cardíacas poderiam ser superadas, especialmente as mais graves. Graças a este primeiro passo, a medicina evoluiu ainda mais com o passar dos anos.

“Eu vejo o futuro do transplante de uma forma muito otimista. Muitas mudanças estão ocorrendo, inclusive a possibilidade de desenvolver novos órgãos que possam ser encomendados geneticamente, o que poderia prevenir a rejeição nos pacientes para os quais eles são destinados. Nós tivemos avanços extraordinários nesses cinquenta anos e eles devem continuar. Eu imagino que nos próximos vinte anos nós tenhamos muito mais avanços do que nas primeiras décadas do transplante de coração. Essa é a minha expectativa pessoal”, comentou.

A volta do prisioneiro vip

Quatro são acusados de dar mordomias a Dirceu na Papuda

Condenado a trinta anos e nove meses de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro na Lava-Jato, o ex-ministro José Dirceu começou a cumprir sua pena na sexta-feira 18, na penitenciária da Papuda, em Brasília. Formado em direito, o petista pediu à Justiça autorização — negada — para ficar em uma cela especial. Dirceu está numa cela comum, equipada apenas com dois beliches e em companhia de mais três criminosos — situação bem diferente de sua primeira temporada na Papuda, quando ocupou uma sala de 23 metros quadrados, com TV, micro-­ondas, chuveiro elétrico e acesso a telefone celular. Mesmo sem as mordomias de antes, o ex-ministro pediu para continuar encarcerado na capital, com o objetivo de ficar mais próximo de sua família, que reside em Brasília.

Na semana passada, o Ministério Público do DF apresentou à Justiça o resultado de uma investigação feita durante o período em que Dirceu e outros condenados no processo do mensalão estiveram presos na Papuda. O governador era o petista Agnelo Queiroz, amigo de Dirceu. O trabalho revela que os condenados ilustres tiveram um tratamento vip, que ia além das instalações físicas mais confortáveis. Recebiam visitas fora dos horários estabelecidos, seus familiares eram poupados das constrangedoras revistas íntimas e não havia controle de entrada ou saída deles.

O relatório afirma que, embora as regalias se estendessem a todos os mensaleiros, o que incluía, entre outros, os petistas José Genoino e Delúbio Soares, ficou nítido que o maior beneficiário era Dirceu. “As visitas ao ex-ministro ocorriam, normalmente, fora do horário de expediente. Lá compareciam políticos, advogados e familiares”, confirma uma testemunha. Por isso, três delegados e um agente foram acusados de corrupção e improbidade administrativa. Desta vez, os privilégios sumiram.