Fundaj celebra ‘As 7 vidas de Edson Nery da Fonseca’

Haverá na programação concertos musicais, depoimentos e exposição fotográfica, trazendo os gatos, uma das paixões do bibliotecário

Gatos eram uma das paixões do homenageado. (Gata Maria)
Gatos eram uma das paixões do homenageado. (Gata Maria) – Foto: Malu Didier/Divulgação
Nesta segunda-feira (6), às 18h, a Fundaj faz homenagem ao escritor e bibliotecário Edson Nery da Fonseca (1921—2014) com a exposição “As 7 vidas de Edson Nery da Fonseca”.A montagem ocupa o Ateliê Arte Machê Café, mesmo número 90 onde Edson viveu. Haverá na programação concertos musicais, depoimentos e exposição fotográfica, trazendo os gatos, uma das paixões do bibliotecário.

A casa do homenageado, localizada na Rua do São Bento n° 90, em Olinda, já foi um paraíso para os felinos. Eram mais de 1.800 enfeites sobre o tema. Mais de 50 deles viviam por lá, com destaque especial para Daminha, Rosinha, Chiquinha, Princesa e Fernando.

Concertos musicais, depoimentos e exposição fotográfica integram a programação que traz os gatos, uma das paixões do bibliotecário, em comemoração ao seu centenário

“É com alegria que a Fundaj celebra o centenário desse grande documentarista, bibliotecário, escritor e amigo Edson Nery da Fonseca. A Fundação foi sua casa e lhe deve essa justa homenagem”, ressalta o presidente da Fundaj, Antônio Campos.

O bibliotecário revelou o motivo da paixão por bichanos em uma de suas últimas entrevistas, à revista Piauí.“Minha mãe gostava de gatos e ela morreu muito jovem, com 52 anos. Dias depois a gata dela, Catuxa, morreu de desgosto. Achei muito leal”, assinalou.

Nos Anos 1960, quando ele se mudou para integrar o corpo docente da Universidade de Brasília (UnB), adotou o primeiro gato por conta de ratos no imóvel onde morava sozinho.. De certo, a espécie foi testemunha das façanhas e versatilidade deste pernambucano do Recife. “Homenagear Edson é homenagear todos os gatos do mundo”, aferiu o antropólogo Antonio Motta.

Gata RabiolaRabiola. Foto: Malu Didier/Divulgação

“As setes vidas se manifestam nas sete faces de um autor devoto do catolicismo, de Gilberto Freyre, da literatura, das bibliotecas e da poesia. Não menos na virtude com que exerceu a docência universitária e a administração pública”, aponta o diretor de Memória, Educação, Cultura e Arte (Dimeca), da Fundaj, Mario Helio, que divide a curadoria com a jornalista Karla Veloso.

Entre algumas realizações de Edson Nery estão a fundação do primeiro curso de Biblioteconomia do Nordeste e reformou as bibliotecas da Faculdade de Direito e da Escola de Engenharia. Autor de “Introdução à Biblioteconomia” (Briquet de Lemos, 2007), no Recife.

Já no Distrito Federal, Nery da Fonseca tem sua assinatura também no acervo da biblioteca do Palácio da Alvorada.Pela Editora Massangana, da Casa, ele lançou os títulos “Um livro completa meio século” (1983), um ensaio sobre o maior clássico freyriano, e “Em torno de Gilberto Freyre” (2007), publicado 20 anos após a morte do mestre de Apipucos. Ao todo, dedicou 135 ensaios à obra de Gilberto Freyre.

Programação

17h — Concerto da Orquestra Sinfônica dos Meninos de São Caetano, no Mosteiro de São Bento

18h — Exposição “As 7 vidas de Edson Nery da Fonseca” + Recital da escritora Geórgia Alves

Serviço

Homenagem “As 7 vidas de Edson Nery da Fonseca”

Quando: Começa às 17h; Homenagem ocorre às 18h

Onde: Ateliê Arte Machê Café – R. de São Bento, 90 – Varadouro, Olinda
Episódios sobre Edson Nery no Youtube da Fundaj

Fonte:Portal Folha de Pernambuco

O direito ao delírio – Eduardo Galeano

   Um texto magnífico, um vídeo muito belo! Vale ser visto e lido.
“Mesmo que não possamos adivinhar o tempo que virá, temos ao menos o direito de imaginar o que queremos que seja.
As Nações Unidas tem proclamado extensas listas de Direitos Humanos, mas a imensa maioria da humanidade não tem mais que os direitos de: ver, ouvir, calar.
Que tal começarmos a exercer o jamais proclamado direito de sonhar?
Que tal se delirarmos por um momentinho?
Ao fim do milênio vamos fixar os olhos mais para lá da infâmia para adivinhar outro mundo possível.
O ar vai estar limpo de todo veneno que não venha dos medos humanos e das paixões humanas.
As pessoas não serão dirigidas pelo automóvel, nem serão programadas pelo computador, nem serão compradas pelo supermercado, nem serão assistidas pela televisão.
A televisão deixará de ser o membro mais importante da família.
As pessoas trabalharão para viver em lugar de viver para trabalhar.
Se incorporará aos Códigos Penais o delito de estupidez que cometem os que vivem por ter ou ganhar ao invés de viver por viver somente, como canta o pássaro sem saber que canta e como brinca a criança sem saber que brinca.
Em nenhum país serão presos os rapazes que se neguem a cumprir serviço militar, mas sim os que queiram cumprir.
Os economistas não chamarão de nível de vida o nível de consumo, nem chamarão qualidade de vida à quantidade de coisas.
Os cozinheiros não pensarão que as lagostas gostam de ser fervidas vivas.
Os historiadores não acreditarão que os países adoram ser invadidos.
O mundo já não estará em guerra contra os pobres, mas sim contra a pobreza.
E a indústria militar não terá outro remédio senão declarar-se quebrada.
A comida não será uma mercadoria nem a comunicação um negócio, porque a comida e a comunicação são direitos humanos.
Ninguém morrerá de fome, porque ninguém morrerá de indigestão.
As crianças de rua não serão tratadas como se fossem lixo, porque não haverá crianças de rua.
As crianças ricas não serão tratadas como se fossem dinheiro, porque não haverá crianças ricas.
A educação não será um privilégio de quem possa pagá-la e a polícia não será a maldição de quem não possa comprá-la.
A justiça e a liberdade, irmãs siamesas, condenadas a viver separadas, voltarão a juntar-se, voltarão a juntar-se bem de perto, costas com costas.
Na Argentina, as loucas da Praça de Maio serão um exemplo de saúde mental, porque elas se negaram a esquecer nos tempos de amnésia obrigatória.
A perfeição seguirá sendo o privilégio tedioso dos deuses, mas neste mundo, neste mundo avacalhado e maldito, cada noite será vivida como se fosse a última e cada dia como se fosse o primeiro.”

O Que é o Mundo VUCA ?

   Os americanos usam uma abreviatura para explicar o mundo de hoje. Eles dizem que o mundo é VUCA (em inglês) ou VICA (em português). E eles tem razão! O mundo muda em velocidade muito acelerada e com destino incerto, proporcionando várias respostas para uma mesma questão.

O exército americano já usava a sigla VUCA para descrever a volatilidade (volatility), a incerteza (uncertainty), a complexidade (complexity) e a ambiguidade (ambiguity) nas diversas situações e contextos de guerra. O uso militar dessa sigla começou no final dos anos 90 para tratar das ferramentas e métodos necessários para fazer frente a um ambiente extremamente agressivo e desafiador. Após os atentados terroristas desde 2001, os contextos VUCA passaram a ser o novo “normal” no ambiente militar americano.

O uso no mundo dos negócios é mais recente, começou a ser usado a partir de 2010, mas não difere do pensamento militar, afinal, o ambiente empresarial na atualidade também é agressivo, desafiador, competitivo e veloz, ou seja, esse também é o novo “normal” das organizações de qualquer natureza.

O mundo VUCA não poder ser dissociado da gestão baseada em riscos. Estar aberto às novas possibilidades em um ambiente de incertezas certamente passa pelo desejo e coragem de transitar em novos caminhos antes nunca utilizados. É neste MU-VUCA (Mundo VUCA) que estamos vivendo. E, já que estamos inseridos nele, temos que nos reinventar e compreender para sobreviver dia após dia, enfrentando os diversos desafios e riscos.

Sintetizando diversos conceitos e suas definições, podemos explicar o VUCA dessa forma:

VOLATILIDADE

Trata-se da velocidade em que ocorrem as mudanças e seus impactos. Atualmente nada é permanente e as tecnologias, preferências,
tendências e certezas são inconstantes e altamente mutáveis. Quer dizer que o mundo é muito fluido, muito líquido, ou seja, muda muito
rapidamente. Aquilo que ontem era de um jeito, amanhã já é de outro. E essa volatilidade faz com que o mundo empresarial seja bastante
desafiador. Essa característica indica a magnitude das mudanças, que podem ser maiores e mais surpreendentes.

INCERTEZA (Uncertainty)

Se relaciona com as dúvidas, indecisões e imprecisões típicas de um contexto em que os conhecimentos são normalmente incompletos. Por isso é cada vez mais difícil levantar cenários futuros com base em acontecimentos passados. Nós temos dificuldade de enxergar para onde vamos e qual o próximo passo. Nós não sabemos, ao certo, o que vai acontecer amanhã. Há alguns anos atrás, seria um pouco mais fácil fazer previsões, ou seja, olhar para frente e identificar como seria a empresa no futuro. Hoje é muito difícil fazer previsões justamente por causa dessa incerteza. O futuro está difícil de ser previsto.

COMPLEXIDADE

É a dificuldade de compreender o resultado das interações das inúmeras variáveis de uma determinada situação, desafio ou problema. É comum encontrarmos contextos que possuem múltiplos aspectos ou elementos cujas relações de interdependência são incompreensíveis ou confusas. As respostas para o mundo são muito difíceis assim como as relações são diferentes. Não podemos dizer que existe apenas uma resposta correta, mas sim diversas possibilidades de respostas para as situações. Essa característica mostra que existem diversos fatores internos e externos que podem afetar o negócio e que, muitas vezes, estão fora do controle do gestor.

AMBIGUIDADE

A maioria das situações em que vivemos aceita diversas possibilidades de caminhos diferentes justamente porque podem assumir diferentes sentidos. São várias possíveis respostas a uma única questão, mas, nem todas costumam apresentar as melhores soluções. Essa característica nos mostra que, muitas vezes, é muito difícil entender a natureza do problema. Pelo fato de existir tantas incertezas e falta de clareza no mundo empresarial, torna- se cada vez mais difícil encontrar uma coerência nos acontecimentos em busca da melhor solução, o que pode gerar más interpretações e falsas respostas. Não é mais “isso OU aquilo”.

O cenário agora é “isso E aquilo”. Podemos representar VUCA através de uma matriz que faz a correlação entre o “conhecimento que temos sobre uma determinada situação” e a “previsibilidade dos resultados possíveis de nossas ações”. Quando temos uma situação onde conhecemos bastante sobre ela e temos ampla noção da previsibilidade de nossas ações, podemos dizer que estamos em um contexto Volátil, pois, apesar desses dois atributos derem positivos, sabemos que as coisas podem mudar rapidamente e as certezas e conhecimentos podem ficar obsoletos.

A Incerteza é fruto de situações com ações de resultados imprevisíveis, mesmo que tenhamos conhecimento sobre elas. Quando possuímos pouco conhecimento sobre determinados contextos e cenários podemos dizer que estamos em situação de Complexidade, mesmo que saibamos com bastante precisão os resultados de nossas ações. A Ambiguidade, por sua vez, é decorrente de situações em que temos pouca previsibilidade das ações e baixo conhecimento.

Fonte: administradores.com / Marcelo Elias

Ensinamentos do Caminho de Santiago – Marina Bessa

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   O caminho de Santiago entrou na minha vida há alguns anos, quando morei em Pamplona, primeira grande cidade espanhola pela qual passa o trajeto de peregrinação mais famoso do mundo. Existem muitas rotas que levam a Santiago – o mais conhecido é o francês, que começa, oficialmente, em Saint Jean Pied de Port, na França. Mas peregrinos não gostam de determinações oficiais. Isso porque consideram que essa é uma jornada individual, que pode começar onde você desejar, ser feita como você decidir e no tempo que necessitar. Não há certo ou errado. Há apenas a sua experiência e um desejo implícito de chegar diferente ao final do percurso.

No meu caso, não houve grandes revelações, ou sensações arrebatadoras. Cheguei até a pensar que, apesar da viagem inesquecível, nenhuma transformação ocorreria.

Mas, sem nos darmos conta, a caminhada diária de cerca de oito horas nos transporta a uma realidade paralela, em que nossa jornada é construída do zero. Onde ninguém sabe quem você é, o que faz, nem mesmo como se veste. Um pé atrás do outro, um dia atrás do outro, poucas decisões a serem feitas – acordar, caminhar, comer, dormir. E, aos poucos, seu corpo e sua cabeça entram em uma sintonia inédita, que muda seu olhar, sua resistência, sua percepção dos espaços e do tempo.

Ao terminar o percurso e olhar para trás, vi que o caminho é mesmo uma metáfora da vida. Dos vários ensinamentos, listei apenas aqueles que, até o momento, consegui decifrar.

Generosidade aquece a vida
Peregrinos são, por definição, amáveis e gentis. Sempre que passam, desejam “Buen camino!”. Sempre que encontram alguém cuidando dos pés, oferecem ajuda. Sempre abrem um sorriso para quem chega para dividir a mesa. Em cinco minutos, você faz amigos capazes de te ceder uma cama, oferecer os seus últimos anti-inflamatórios, diminuir o passo para te acompanhar por perceber que o dia está sendo duro para você. Acredite: você faria o mesmo. No caminho, é a predisposição em ser generosos que nos cerca de amigos e nos faz sentir queridos, protegidos e sempre acompanhados.

A gente se adapta, sempre
Eu achava que não iria caminhar sob chuva, que não iria suportar os albergues, que sentiria dor nas costas por carregar uma mochila de 6 kg durante todo o dia. Mas vi que a gente se adapta. Ao calor, ao frio, à chuva, ao vento. A gente se adapta a uma nova comida, a uma cama diferente a cada noite, aos roncos dos peregrinos cansados. A gente se adapta às pedras do caminho, ao asfalto quente, à trilha com barro encharcado. O que parecia difícil no começo logo vira uma rotina fácil de ser manejada.

A cabeça está no comando
Nos dias em que a minha meta era caminhar 20 km, os últimos quilômetros eram muito difíceis. Nos dias em que teria de caminhar 30 km, 20 eram fichinha e os últimos cinco ficavam intermináveis. Cheguei a caminhar 43 km em um dia, e adivinha? Os 30 primeiros passaram sem eu ver, e só nos últimos comecei a sentir sinais de cansaço. Não importa a quantidade: é a cabeça quem determina os limites. O corpo é forte e só chia quando ela avisa: “ei, já está quase acabando. Pode relaxar.”

O corpo fala
Você quer estar bem, pés sem bolhas, pernas fortes. O melhor a fazer é cuidar para detectar qualquer sinal de problema antes que ele dê as caras deverdade. O corpo dá todas as pistas: uma sensibilidade diferente nos dedos é sinal de que uma bolha vai aparecer, uma dorzinha de leve no tornozelo pode indicar uma tendinite, muito tempo sem ir ao banheiro é sintoma dedesidratação. Quem insiste em ignorar essas mensagens tem constantemente a sua caminhada interrompida. Os que escutam e atendem a esses chamados têm um caminho bem mais fácil e aumentam consideravelmente as chances dechegar bem até o final.

A beleza está por toda parte
Algumas paisagens são obviamente bonitas: montanhas verdes sob céu azul, um rio correndo entre campos floridos. Essa paisagem existe no caminho. Mas há também os dias de chuva, vilas abandonadas, campos áridos, planícies infinitas. E todas elas dão belíssimas fotos e são capazes de emocionar. Basta procurar o ângulo certo.

Depois da tempestade, vem a bonança
Houve dias de muito sol, de céu claro. E houve dias de chuva. Nesses dias, vestia minha capa impermeável e colocava música (estratégia reservada somente para os momentos mais desafiadores). Aí eu apenas andava, sem pensar no destino. Não havia nada que pudesse ser feito: era aceitar e esperar. Podia levar algumas horas ou alguns dias, mas a chuva sempre passava. E as más lembranças eram totalmente apagadas por um novo dia desol.

O caminho mais fácil nunca é o mais bonito
Às vezes o caminho se bifurca e você pode optar por seguir por uma estrada mais curta ou pegar uma trilha mais longa e montanhosa. Quem vai pela estrada sempre chega antes e mais descansado. Quem vai pela trilha chega tarde e esgotado. Mas sempre com as melhores histórias, as fotos mais lindas e uma sensação inigualável de ter superado um desafio.

As suas escolhas constroem o seu caminho
Havia algumas escolhas a se fazer: de onde vou começar? Vou dormir em albergues ou pensões? Andar em grupo ou seguir sozinha? Sair cedo para aproveitar a cidade de destino ou ir sem pressa para chegar, aproveitando as pequenas surpresas do percurso? O caminho é feito de escolhas. Nem mais certas nem mais erradas. Mas determinantes e, muitas vezes, irreversíveis. Elas fazem com que o seu caminho seja só seu.

Um pouco de planejamento estrutura. O excesso aprisiona
Era importante começar o dia sabendo em que cidade eu pretendia dormir. Foi fundamental estudar o percurso para saber se precisava levar mais água ou algum lanche. Por outro lado, sair de casa com todas as paradas decididas, hotéis reservados e data de chegada inflexível quase tornou minha jornada burocrática. Como planejar tanto alguma coisa que você não conhece? É preciso deixar espaço para o improviso – ele pode mudar nossos planos para melhor.

Despedir-se
Faz parte da vida a gente conhece pessoas incríveis pelo caminho, com quem compartilha momentos inesquecíveis. Mas sempre chega a hora de dizer adeus – depois de um dia, uma semana ou um mês. É preciso ter consciência disso, não para evitar o apego, mas para desfrutar com intensidade cada momento que vai passar com elas. E quando for a hora de se despedir, é preciso deixar claro o quanto elas foram importantes para o seu caminho. Sua felicidade não pode depender de ninguém, mas é bom saber que com algumas pessoas você é ainda mais feliz.

Esteja sempre atento
Aos sinais o caminho é todo marcado por sinais: quem está atento dificilmente se perde. Em uma bifurcação, bastava parar, olhar atentamente e buscar a seta amarela. Ela sempre estava ali, mostrando por onde seguir. A vida também é assim, cheia de sinais. Mas é preciso estar pronto para decifrá-los (de que serve uma seta amarela na sua frente se você não sabe o que ela significa?).

Você carrega o peso dos seus medos
Para ter um caminho tranquilo, é preciso levar uma mochila leve. E o que deixa a mochila pesada são nossos medos. Medo de ficar doente, de passar frio, deter fome. E aí a mochila se enche de itens desnecessários. Há farmácias, lojas, vendas pelo caminho. Encher a mochila é sofrer por antecipação e tornar a jornada muito mais penosa.

Pessoas são a essência de tudo
Terminado o caminho, são muitas as lembranças. E elas estão cheias derostos. Às vezes me esqueço do nome de um vilarejo, mas nunca de quem me acompanhou naquele dia. Posso não me lembrar do que jantei em um restaurante, mas sempre me lembro de quem jantou comigo. Os lugares foram melhores ou piores de acordo com a companhia do dia. Cerque-se das pessoas certas e tudo estará bem.

Somos todos iguais
Na mochila cabem poucas coisas – só as essenciais. Todos usam as mesmas vestimentas, dormem em lugares simples, comem nos pequenos bares que encontram pelo caminho. Ali, a gente se despe de qualquer vaidade, perde a profissão, deixa para trás o passado. Não é possível fazer qualquer distinção entre classes sociais, raças ou credos. No caminho, resumidos à nossa essência, todos somos iguais.

O importante não é chegar, é caminhar
Chegar a Santiago não é a melhor parte, nem o dia mais importante da viagem: é só uma consequência inevitável. O desfecho do qual não é possível fugir (e quem não escolheria caminhar mais um pouco?). Mais importante que chegar é aproveitar cada dia do caminho. A nostalgia de chegar ao final é inevitável. Ela pode gerar uma tristeza imensa por representar o fim de todas as possibilidades ou ser compensada pela sensação plena de ter vivido intensamente.

Fonte: Vida Simples

Monólogo de Orfeu – Vinícius de Moraes

Orfeu da Conceição – Peça teatral escrita por Vinicius de Moraes em 1954, baseada no drama da mitologia grega de Orfeu e Eurídice. A trilha sonora da peça foi lançada em vinil no ano de 1956, pela Odeon, com música escrita por Antônio Carlos Jobim e letra de Vinicius.

Voz de Maria Bethânia.

Principais mudanças no mundo para este século

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     Em termos de evolução, a espécie Homo sapiens é extremamente bem sucedida. As populações de outras espécies posicionadas semelhantes a nós na cadeia alimentar tendem a chegar, no máximo, na casa dos 20 milhões.

Nós, pelo contrário, levamos apenas 120 mil anos para alcançar o nosso primeiro bilhão de membros, e, em seguida, precisamos de apenas outros 206 anos para adicionar mais 6 bilhões. De acordo com a Divisão de População das Nações Unidas, a nossa população vai chegar a 7 bilhões em 31 de outubro, e, embora as taxas de fecundidade começaram a declinar em grande parte do mundo, ainda estamos projetados para alcançar 9 bilhões em meados do século, e nos estabilizar em cerca de 10 bilhões até 2100.

E quais os impactos dessa explosão da população humana? Confira cinco mudanças marcantes que você, seus filhos ou seus netos podem esperar para ver ainda esse século.

1 – TROCAS EM POPULAÇÃO

Atualmente, é fato bem conhecido que a China é o país mais populoso do mundo, e que a África, embora repleta de problemas, não é necessariamente superpovoada considerando seu tamanho. Esses fatos vão mudar drasticamente.

A política chinesa do filho único restringiu significativamente seu crescimento, enquanto que, em alguns países africanos, a média das mulheres dá à luz a mais de 7 filhos.

De acordo com o biólogo Joel Cohen, a população da Índia vai superar a da China por volta de 2020, e a da África subsaariana alcançará a da Índia em 2040. Além disso, em 1950, havia três vezes mais europeus do que africanos subsaarianos. Em 2100, haverá cinco africanos subsaarianos para cada europeu. Essa é uma mudança de 15 vezes na relação da população, que pode ter um impacto geopolítico e sobre a migração internacional.

A migração de pessoas da África para a Europa pode apresentar um grande desafio nos próximos anos. Pode ser um potencial enorme do ponto de vista europeu, ou pode ser visto como uma ameaça. Como o mundo vai gerir a imigração para que o continente europeu ainda tenha benefícios enquanto a administra vai ser uma grande questão.

2 – URBANIZAÇÃO

Globalmente, o número de pessoas vivendo em áreas urbanas alcançou e ultrapassou o número de pessoas vivendo em áreas rurais em algum momento nos últimos dois anos.

A tendência vai continuar. O número de pessoas que vivem nas cidades vai subir de 3,5 bilhões hoje para 6,3 bilhões em 2050. Esta taxa de urbanização é equivalente a construção de uma cidade de um milhão de pessoas a cada cinco dias, a partir de agora, para os próximos 40 anos.

É claro, novas cidades não tendem a ser construídas; em vez disso, as cidades que já existem tendem a “lotar”. As megacidades se tornarão ainda mais caóticas – o que pode gerar novos conflitos. Quando você vive em pequenas cidades e áreas rurais, existem todos os tipos tradicionais de resolução de conflitos – uma espécie de equilíbrio estável. Com as megalópoles que se vê agora na África, como Monróvia (Libéria) e Kinshasa (República do Congo), vemos cidades onde a dinâmica não está mais sob controle. Ou seja, podemos estar indo em direção a novos tipos de conflitos – conflitos urbanos – e o mundo ainda não pensou nas consequências disso.

3 – GUERRA PELA ÁGUA

Não só a população humana explodiu nos últimos dois séculos, mas o consumo de recursos por pessoa – especialmente em nações industrializadas – tem crescido exponencialmente.

Os cientistas acreditam que a escassez dos recursos irá causar uma escalada de conflitos durante este século, ampliando o abismo entre ricos e pobres – os que têm e os que não têm.

Nenhum recurso é mais precioso e vital que a água, e, segundo o economista Jeffrey Sachs, já existem partes do mundo que, por causa do clima em rápida mutação, estão em um ponto de crise grave. A população da Somália, por exemplo, aumentou cerca de cinco vezes desde meados do século 20, e a precipitação diminuiu cerca de 25% no último quarto de século. Há uma fome devastadora após dois anos de completo fracasso das chuvas.

Conflitos sobre a escassez de água provavelmente se desenvolverão em luta de classes. A desigualdade da riqueza tende a crescer à medida que a população do país cresce, e este é um ponto muito importante a se notar, pois o consumo per capita de recursos aumentou dramaticamente.

Quando você soma tudo isso, tem um quadro sombrio: conforme a população cresce, há menos água por pessoa. Enquanto isso, o buraco entre ricos e pobres se alarga, e os ricos demandam mais recursos para acomodar seu estilo de vida. Inevitavelmente, eles vão comandar a água e outros recursos dos pobres. Com toda a probabilidade, isso levará a desafios, e talvez conflito de classes.

4 – ENERGIA FUTURA

Atualmente, não há energia suficiente para ser extraída de fontes conhecidas de combustíveis fósseis para sustentar 10 bilhões de pessoas. Isto significa que os seres humanos serão obrigados a recorrer a uma nova fonte de energia antes do final do século. No entanto, é um mistério qual será essa nova fonte.

Nenhuma tecnologia está completamente pronta para resolver o problema da energia. Sabemos que há uma abundância de energia solar, nuclear, no carbono, e outras fontes, para provavelmente 100 ou 200 anos. Mas todas elas ainda têm algum problema: eficiência, custo, etc.

Muitos especialistas estão otimistas de que as tecnologias podem ser desenvolvidas para resolver nossos problemas, mas outros acham que não temos as estruturas sociais que nos permitem empregar estas tecnologias.

Em suma, o futuro irá corresponder a uma destas duas imagens: ou alguma forma nova e superior de extração de energia (tais como painéis solares altamente eficientes) será generalizada, ou a tecnologia e sua implementação irão falhar, e a humanidade terá de enfrentar uma grande crise de energia.

5 – EXTINÇÕES EM MASSA

Conforme os seres humanos se espalham, deixam pouco espaço ou recursos escassos para outras espécies. Há boas evidências de que estamos na sexta extinção de espécies em massa da história do planeta, por causa da incrível quantidade de produção primária que tomamos por sermos uma espécie de 7 bilhões de indivíduos.

Além da falta de terra e recursos para outras espécies, nós também causamos mudanças rápidas para o clima global, com a qual muitas espécies não conseguem lidar. Alguns biólogos acreditam que, com a atual taxa de extinção, 75% das espécies do planeta desaparecerão nos próximos 300 a 2.000 anos. Estes desaparecimentos já começaram, e os eventos de extinção se tornarão cada vez mais comuns ao longo do século.

Fonte: Life’sLittleMysteries

Jobs revolucionou seis indústrias

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A saga de Steve Jobs é o mito de criação da revolução digital em grande escala: o início de um negócio na garagem de seus pais e sua transformação na empresa mais valiosa do mundo. Embora não tenha inventado muitas coisas de cabo a rabo, Jobs era um mestre em combinar ideias, arte e tecnologia de uma maneira que por várias vezes inventou o futuro. Ele projetou o Mac depois de apreciar o poder das interfaces gráficas de uma forma que a Xerox não foi capaz de fazer, e criou o iPod depois de compreender a alegria de ter mil músicas em seu bolso de uma forma que a Sony, que tinha todos os ativos e a herança, jamais conseguiu fazer. Alguns líderes promovem inovações porque têm uma boa visão de conjunto. Outros o fazem dominando os detalhes. Jobs fez ambas as coisas, incansavelmente.

Em consequência, revolucionou seis indústrias: computadores pessoais, filmes de animação, música, telefones, tablets e publicação digital. Pode-se até adicionar uma sétima: lojas de varejo, que Jobs não chegou a revolucionar, mas repensou. Ao longo do caminho, ele não só produziu produtos transformadores, mas também, em sua segunda tentativa, uma empresa duradoura, dotada de seu DNA, que está cheia de designers criativos e engenheiros ousados que podem levar adiante sua visão.

Jobs tornou-se assim o maior executivo de nossa época, aquele que com maior certeza será lembrado daqui a um século. A história vai colocá-lo no panteão, bem ao lado de Edison e Ford. Mais do que ninguém de seu tempo, ele fez produtos que eram completamente inovadores, combinando o poder da poesia com processadores. Com uma ferocidade que poderia tornar o trabalho com ele tão perturbador quanto inspirador, também construiu o que se tornou, ao menos por um período do mês passado, a empresa mais valiosa do mundo. E foi capaz de infundir nela a sensibilidade para o design, o perfeccionismo e a imaginação que fizeram da Apple, com toda probabilidade, mesmo em décadas futuras, a empresa que melhor prospera na intersecção entre arte e tecnologia.

No início do verão de 2004, recebi um telefonema de Jobs. Ele havia sido intermitentemente amigável comigo ao longo dos anos, com rajadas ocasionais de intensidade, em especial quando lançava um novo produto que queria na capa da Time ou em programa da CNN, lugares em que eu trabalhava. Mas agora que eu não estava mais em nenhum desses lugares, não tinha notícias frequentes dele. Conversamos um pouco sobre o Instituto Aspen, para o qual eu havia recentemente entrado, e o convidei para falar no nosso campus de verão no Colorado. Ele disse que ficaria feliz de ir, mas não para estar no palco. Na verdade, queria dar uma caminhada comigo para que pudéssemos conversar.

Isso me pareceu um pouco estranho. Eu ainda não sabia que dar uma longa caminhada era a sua forma preferida de ter uma conversa séria. No fim das contas, ele queria que eu escrevesse sua biografia. Eu havia publicado recentemente uma de Benjamin Franklin e estava escrevendo outra sobre Albert Einstein, e minha reação inicial foi perguntar, meio de brincadeira, se ele se considerava o sucessor natural naquela sequência. Supondo que ele estava no meio de uma carreira oscilante, que ainda tinha muitos altos e baixos pela frente, eu hesitei. Não agora, eu disse. Talvez em uma década ou duas, quando você se aposentar.

Mas depois me dei conta de que ele havia me chamado logo antes de ser operado de câncer pela primeira vez. Enquanto eu o observava lutar contra a doença, com uma intensidade incrível, combinada com um espantoso romantismo emocional, passei a achá-lo profundamente atraente, e percebi quão profundamente sua personalidade estava entranhada nos produtos que ele criava. Suas paixões, o perfeccionismo, os demônios, os desejos, o talento artístico, o talento diabólico e a obsessão pelo controle estavam integralmente ligados a sua abordagem do negócio, e decidi então tentar escrever sua história como estudo de caso de criatividade.

A teoria do campo unificado que une a personalidade de Jobs e os produtos começa com sua característica mais saliente, a intensidade. Ela era evidente já nos tempos de escola secundária. Naquela época, ele já começara com as experiências que faria ao longo de toda a sua vida com dietas compulsivas – em geral, somente de frutas e legumes – de tal modo que era tão magro e firme quanto um whippet. Ele aprendeu a olhar fixo para as pessoas e aperfeiçoou longos silêncios pontuados por rajadas em staccato de fala rápida.

Essa intensidade estimulou uma visão binária do mundo. Os colegas se referiam à dicotomia herói/cabeça de bagre; você era um ou o outro, às vezes no mesmo dia. O mesmo valia para produtos, ideias, até para a comida: As coisas ou eram “a melhor coisa do mundo” ou uma droga. Era capaz de provar dois abacates, indistinguíveis para os mortais comuns, e declarar que um deles era o melhor já colhido e o outro, intragável.

Julgava-se um artista, o que incutiu nele a paixão por design. No início da década de 1980, quando estava construindo o primeiro Macintosh, não parava de exigir que o projeto fosse mais “amigável”, um conceito estranho aos engenheiros de hardware da época. Sua solução foi fazer o Mac evocar um rosto humano, e chegou a manter a faixa acima da tela fina para que não fosse uma cara de Neanderthal.

Jobs compreendia intuitivamente os sinais que um projeto adequado emite. Quando ele e seu companheiro de projeto Jony Ive construíram o primeiro iMac, em 1998, Ive decidiu que o aparelho deveria ter uma alça situada na parte superior. Era uma coisa mais brincalhona e semiótica do que funcional. Tratava-se de um computador de mesa. Não muitas pessoas iriam carregá-lo para cima e para baixo. Mas a alça emitia um sinal de que você não precisava ter medo da máquina, que podia tocá-la e ela lhe obedeceria. Os engenheiros objetaram que aquilo aumentaria o custo, mas Jobs ordenou que fizessem daquele jeito.

Sua busca pela perfeição levou à compulsão de que a Apple tivesse um controle de ponta a ponta de todos os seus produtos. A maioria dos hackers e aficionados gostava de personalizar, modificar e conectar coisas diferentes em seus computadores. Para Jobs, tratava-se de uma ameaça para uma experiência de usuário inconsútil de ponta a ponta. Seu parceiro inicial Steve Wozniak, um hacker nato, discordava. Ele queria incluir oito slots no Apple II para que os usuários pudessem inserir as placas de circuito menores e os periféricos que quisessem. Jobs concordou com relutância. Mas, alguns anos mais tarde, quando construiu o Macintosh, ele o fez à sua maneira. Não havia slots extras ou portas, e chegou mesmo a usar parafusos especiais para que os aficionados não pudessem abri-lo e modificá-lo.

Seu instinto de controle significava que ele tinha urticária, ou algo pior, ao contemplar o excelente software da Apple rodando em hardwares ruins de outras empresas, e também era alérgico à ideia de aplicativos ou conteúdos não aprovados poluindo a perfeição de um dispositivo da Apple. Essa capacidade de integrar hardware, software e conteúdo em um sistema unificado lhe possibilitava impor a simplicidade. O astrônomo Johannes Kepler, declarou que “a natureza ama a simplicidade e a unidade”. O mesmo acontecia com Steve Jobs.

Isso o levou a decretar que o sistema operacional do Macintosh não estaria disponível para o hardware de qualquer outra empresa. A Microsoft seguiu a estratégia oposta, permitindo que seu sistema operacional Windows fosse promiscuamente licenciado. Isso não produziu os computadores mais elegantes, mas levou a Microsoft a dominar o mundo dos sistemas operacionais. Depois que a fatia de mercado da Apple caiu para menos de 5%, a estratégia da Microsoft foi declarada vencedora no reino do computador pessoal.

A longo prazo, no entanto, o modelo de Jobs mostrou ter algumas vantagens. Sua insistência na integração de ponta a ponta deu à Apple, no início do século XXI, uma vantagem no desenvolvimento de uma estratégia de hub digital, o que permitiu que seu computador de mesa se ligasse perfeitamente a uma variedade de dispositivos portáteis e gerenciasse seu conteúdo digital. O iPod, por exemplo, fazia parte de um sistema fechado e totalmente integrado. Para usá-lo, era preciso utilizar o software iTunes da Apple e baixar conteúdos da iTunes Store. Em consequência, o iPod, tal como o iPhone e o iPad que vieram depois, eram um deleite elegante, em contraste com os canhestros produtos rivais que não ofereciam uma experiência perfeita de ponta a ponta.

Para Jobs, a crença em uma abordagem integrada era uma questão de retidão. “Não fazemos essas coisas porque somos malucos por controle”, explicou. “Nós as fazemos porque queremos fazer grandes produtos, porque nos preocupamos com o usuário e porque gostamos de assumir a responsabilidade por toda a experiência, ao invés fabricar a porcaria que outros fazem.” Ele também acreditava que estava prestando um serviço às pessoas. “Elas estão ocupadas fazendo o que sabem fazer melhor e querem que façamos o que fazemos melhor. Suas vidas estão ocupadíssimas; elas têm mais coisas a fazer do que pensar em como integrar seus computadores e dispositivos.”.

Em um mundo cheio de dispositivos inúteis, software pesados, mensagens de erro inescrutáveis e interfaces irritantes, a insistência de Jobs em uma abordagem integrada levou à criação de produtos surpreendentes, caracterizados por uma experiência de usuário deliciosa. Usar um produto da Apple podia ser tão sublime quanto caminhar em um dos jardins zen de Quioto que Jobs amava, e nenhuma dessas experiências foi criada pela adoração no altar da abertura ou deixando mil flores florescem. Às vezes é bom estar nas mãos de um maníaco por controle.

Há algumas semanas, visitei Jobs pela última vez em sua casa de Palo Alto. Ele se mudara para um quarto no andar de baixo, porque estava fraco demais para subir e descer escadas, e estava encolhido com um pouco de dor, mas sua mente ainda estava afiada e seu humor vibrante. Conversamos sobre sua infância, e ele me deu algumas fotos de seu pai e da família para usar em minha biografia. Como escritor, estou acostumado a manter distanciamento, mas fui atingido por uma onda de tristeza quando tentei dizer adeus. A fim de disfarçar minha emoção, fiz a pergunta que ainda me deixava perplexo. Por que ele se mostrara tão disposto, durante quase cinquenta entrevistas e conversas ao longo de dois anos, a se abrir tanto para um livro, quando costumava ser geralmente tão discreto? “Eu queria que meus filhos me conhecessem”, disse ele. “Eu nem sempre estava presente, e queria que eles soubessem o porquê disso e entendessem o que fiz.”

Fonte: Folha de S.Paulo / Uol Tecnologia de 09 de novembro de 2012.

10 grandes descobertas científicas na história

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      Fonte: LiveScience via Luis Nassif Online por Wilson Yoshio

Fim do ano é uma época em que muito amor, caridade, e sentimentos bons são evocados – especialmente nas famílias mais religiosas, que gostam de lembrar o motivo pelo qual nós celebramos o Natal, o nascimento de Jesus. É uma época em que temos que ser agradecidos pelo que temos.

Nos EA, existe até um feriado voltado para o Agradecimento – o Thanksgiving. E o que nós, seres humanos, temos a agradecer? Muita coisa. E, no campo da ciência, alguns avanços nos ajudaram muito. Confira 10 descobertas científicas pelas quais deveríamos ser agradecidos:

1 – Vacinas

Vacinas salvam vidas. Mais de 1.000 anos atrás na China, África e Turquia, as pessoas inocularam-se com pus da varíola para se prevenir a doença. A prática se tornou viral, por assim dizer, em 1796, após o cientista inglês Edward Jenner descobrir que poderia usar o pus de uma forma mais branda de varíola para inocular a doença.

Nos séculos seguintes, os pesquisadores desenvolveram vacinas para doenças mortais como a difteria, tétano, febre tifoide, pólio e sarampo. Hoje, temos até vacinas que protegem contra o vírus do papiloma humano, que causa câncer. O próximo passo são vacinas terapêuticas, que estão sob investigação como um método de estimular o sistema imunológico em pacientes que já estão doentes com hepatite, HIV e câncer.

2 – Germes causadores de doenças

Durante os anos 1800, provas começaram a surgir de que as doenças não eram causadas por falta de ar ou geração espontânea. Acredite ou não, a ideia de que poderia haver algum tipo de “coisa” causando o contágio era controversa.

Esta controvérsia veio à tona em 1854, quando um surto de cólera atingiu o bairro Soho de Londres com fúria mortal. Nos três primeiros dias da epidemia, 127 pessoas morreram no bairro.

Dentro de semanas, o número de mortos chegou a 500. Mas o médico John Snow entrevistou famílias à procura de um fio condutor comum. Ele encontrou-o em uma bomba de água contaminada, na esquina da Broad Street. Uma vez que o punho da bomba foi removido para que os moradores não pudessem bombear a água, a epidemia parou. Foi preciso ainda vários anos para a comunidade científica aceitar plenamente que as doenças são causadas por germes.

Hoje, os surtos como a SARS (síndrome respiratória aguda grave), a gripe aviária e a gripe H1N1 têm o potencial de se tornarem globais em poucas horas. Obrigada aos epidemiologistas estudando o nível apropriado de resposta a essas ameaças.

3 – Ressonância magnética

O crânio é um osso duro de roer, por isso somos felizes que agora podemos olhar dentro dele sem precisar de uma serra. Neuroimagem é uma das tecnologias mais novas para pesquisadores e médicos.

A tomografia computadorizada e a ressonância magnética (MRI) ajudam profissionais a dar uma boa olhada em tecidos moles, incluindo o cérebro. Com o advento da ressonância magnética funcional, ou fMRI, na década de 1990, pesquisadores foram capazes de observar o cérebro em ação, e descobrir que áreas tornam-se mais ativas durante várias tarefas mentais.

Ressonâncias magnéticas foram usadas para revelar de tudo, da maturidade do cérebro ao efeito de jogos de videogame violentos no cérebro adolescente. As varreduras do cérebro até já entraram como prova em julgamentos de assassinato.

4 – Microscópios

Microscópios foram essenciais para a descoberta da célula – o bloco de construção da vida como a conhecemos. E de que outra forma poderíamos assistir cromossomos se replicarem ou maravilhar-nos com o padrão de mosaico de um olho de mosquito? Sem microscópios, uma parte surpreendente de nosso mundo estaria invisível.

5 – Estudo do passado

Nossa compreensão da vida antiga na Terra através de restos fossilizados remonta ao grego Xenófanes, que, por volta de 750  a.C., reconheceu que moluscos presos em rochas em uma região montanhosa pareciam mariscos do mar.

No entanto, o campo progrediu pouco durante um longo período. No século 11, o naturalista persa, Ibn Sina, propôs uma teoria de fluidos petrificantes. Mas levou mais alguns séculos antes de fósseis e sua relação com a vida passada serem entendidos.

Agora, graças ao progresso constante da ciência, conhecemos muitos fósseis e suas histórias, que nos ajudam a compreender milhares de coisas. A foto acima é de um fóssil com mais de 120 milhões de anos. Cientistas mapearam traços de metais no fóssil para revelar padrões de pigmentação original do espécime.

6 – Telescópio Espacial Hubble

Orbitando 579 quilômetros acima da Terra e pesando até dois elefantes adultos, o Hubble da NASA é um gigante entre gigantes. O telescópio concluiu cerca de 93.500 viagens ao redor do planeta, tirou três quartos de um milhão de fotografias e analisou 24.000 objetos e fenômenos celestes. A cada dia, o telescópio envia 3 a 4 gigabytes de dados para Terra, o suficiente para encher seis CDs.

Hubble tem indiscutivelmente mudado a nossa visão do universo, com realizações como uma das primeiras fotos diretas de um exoplaneta. Com uma exposição de milhões de segundos de duração, suas pesquisas revelaram as primeiras galáxias da chamada “idade das trevas”, o tempo logo após o Big Bang. A foto acima é uma imagem da Nebulosa da Águia, obtida pelo Telescópio Espacial Hubble.

7 – Satélites

O primeiro satélite soviético a entrar em órbita na Terra pode ter dado medo em alguns corações em 1957, mas o mundo do século 21 agora é viciado em sua frota crescente de comunicação, navegação e sensoriamento remoto.
Satélites GPS ajudam os motoristas a encontrar o caminho da mais próxima farmácia, e guiam aviões com milhões de pessoas por todo o mundo.

As pessoas também podem ser gratas pelo rádio via satélite e a televisão via satélite, assim como todos estamos esperando a internet via satélite, carros inteligentes guiados por satélite e outras coisas. Enquanto isso, os satélites de sensoriamento nos dão, talvez, algumas das melhores vistas da Terra até à data.

8 – Grande Colisor de Hádrons

Colisões de velocidade super alta que liberam enormes quantidades de energia e poderiam revelar partículas exóticas, e até mesmo recriar as condições no universo apenas um trilionésimo de segundo após o Big Bang: isso é ciência que qualquer viciado em adrenalina pode amar.

Os segredos da matéria escura, os mistérios da partícula de Deus, e dimensões extras no universo são apenas algumas das exóticas descobertas que os cientistas estão esperando fazer com o Grande Colisor de Hádrons, que fica perto de Genebra. Façanha recente: a criação de pequenos big bangs.

9 – Busca por vida alienígena

A busca por inteligência extraterrestre (SETI), que oficialmente começou cerca de 50 anos atrás, não encontrou sinais de   homens verdes até agora. Mas ainda há muito a ser grato pelos astrônomos que escutam os sinais de rádio de sistemas estelares que poderiam ser a casa de estrangeiros.

Como um esforço de tentar entender um universo que se estende muito para além da humanidade e sua existência em um planeta rochoso, essas pesquisas nos obrigam a considerar o significado por trás de nossa existência – somos únicos, ou tem vida inteligente em outro lugar?

Alguns especialistas dizem que não vamos encontrar aliens por muitos séculos, e outros preveem que vamos encontrá-los dentro de 25 anos. (ainda vai dar pra eu ver, espero!!!).

10 – Dormir até tarde (ou a quantidade adequada)

Em 1999, Charles Czeisler descobriu que os relógios intrínsecos dos seres humanos têm um dia normal de 24 horas e 11 minutos. Claro, há muita variação dentro da população: alguns de nós, com relógios de curta duração, levantam cedo.

Outros dormem razoavelmente, enquanto o resto tem relógios mais lentos, dormindo e acordando mais tarde, os “noturnos”. As corujas entre nós são gratas por esta explicação, porque isso é prova de que querer dormir até tarde não nos faz preguiçosos! O problema está no ditado “Deus ajuda quem cedo madruga” (meu pai dizia isto!).
Qual o problema em recuperar o sono perdido? Nenhum, né?!

100 dicas de português para concursos

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1 – “Custas só se usa na linguagem jurídica” para designar despesas feitas no processo. Portanto, devemos dizer: “O filho vive à custa do pai”. No singular.    2 – Não existe a expressão “à medida em que”. Ou se usa à medida que correspondente a à proporção que, ou se usa na medida em que equivalente a tendo em vista que.    3 – ‘O certo é ” a meu ver” e não ao meu ver.    4 – “A princípio” significa inicialmente, “antes de mais nada”: Ex: A princípio, gostaria de dizer que estou bem. “Em princípio” quer dizer “em tese”. Ex: Em princípio, todos concordaram com minha sugestão.    5 – “À-toa”, (com hífen), é um adjetivo e significa “inútil”, “desprezível”. Ex: Esse rapaz é um sujeito à-toa. “À toa”, (sem hífen), é uma locução adverbial e quer dizer “a esmo”, “inutilmente”. Ex: Andava à toa na vida.    6 – Com a conjunção se, deve-se utilizar acaso, e nunca caso. O certo: “Se acaso vir meu amigo por aí, diga-lhe…” Mas podemos dizer: “Caso o veja por aí…”.    7 – ‘Acerca de’ quer dizer ‘a respeito de’. Veja: Falei com ele acerca de um problema matemático. Mas há cerca de é uma expressão em que o verbo haver indica tempo transcorrido, equivalente a faz. Veja: Há cerca de um mês que não a vejo.    8 – Não esqueça: alface é substantivo feminino. A Alface está bem verdinha.    9 – Além pede sempre o hífen: ‘além-mar’, ‘além-fronteiras’, etc.    10 – Algures é um advérbio de lugar e quer dizer ‘em algum lugar’. Já alhures significa ‘em outro lugar’.    11 – Mantenha o timbre fechado do o no plural dessas palavras: ‘almoços’, ‘bolsos’, ‘estojos’, ‘esposos’, ‘sogros’, ‘polvos’, etc.    12 – O certo é ‘alto-falante’, e não auto-falante.    13 – O certo é ‘alugam-se casas’, e não aluga-se casas. Mas devemos dizer precisa-se de empregados, trata-se de problemas. Observe a presença da preposição (de) após o verbo. É a dica pra não errar.    14 – Depois de ditongo, geralmente se emprega x. Veja: ‘afrouxar’, ‘encaixe’, ‘feixe’, ‘baixa’, ‘faixa’, ‘frouxo’, ‘rouxinol’, ‘trouxa’, ‘peixe’, etc.    15 – Ancião tem três plurais: ‘anciãos’, ‘anciães’, ‘anciões’.    16 – Só use ao ‘invés de’ para significar ‘ao contrário de’, ou seja, ‘com ideia de oposição’. Veja: Ela gosta de usar preto ao invés de branco. Ao invés de chorar, ela sorriu. Em vez de quer dizer em lugar de. Não tem necessariamente a idéia de oposição. Veja: Em vez de estudar, ela foi brincar com as colegas. (Estudar não é antônimo de brincar).    17 – Ainda se vê e se ouve muito aterrisar em lugar de aterrissar, com dois s. ‘Escreva sempre com o s dobrado’.    18 – ‘Não existe preço barato ou preço caro’. Só existe preço alto ou baixo. ‘O produto, sim, é que pode ser caro ou barato’. Veja: Esse televisor é muito caro. O preço desse televisor é alto.    19 – Ainda se vê muito, principalmente na entrada das cidades, a expressão bem vindo (sem hífen) e até benvindo. As duas estão erradas. Deve-se escrever ‘bem-vindo’, sempre com hífen.    20 – Atenção: ‘nunca empregue hífen depois de bi, tri, tetra, penta, hexa, etc’. O nome fica sempre coladinho. O Sport se tornou tetracampeão no ano 2000. O Náutico foi hexacampeão em 1968. O Brasil foi bicampeão em 1962.    21 – Veja bem: ‘uma revista bimensal é publicada duas vezes ao mês’, ou seja, ‘de 15 em 15 dias’. ‘A revista bimestral só sai nas bancas de dois em dois meses’. Percebeu a diferença?    22 – Hoje, tanto se diz ‘boêmia’ como ‘boemia’. Nelson Gonçalves consagrou a segunda, com a tonacidade no mia.    23 – Cuidado: ‘Eu caibo’ dentro daquela caixa. A primeira pessoa do presente do indicativo assim se escreve porque o verbo é irregular.    24 – Preste atenção: ‘o senador Pederneiras foi cassado’. Mas ‘o leão foi caçado’ e nunca foi achado. Portanto, ‘cassar’ (com dois s) quer dizer tornar nulo, sem efeito.    25 – Existem palavras que ‘só devem ser empregadas no plural’. Veja: os óculos, as núpcias, as olheiras, os parabéns, os pêsames, as primícias, os víveres, os afazeres, os anais, os arredores, os escombros, as fezes, as hemorróidas, etc.    26 – Pouca gente tem coragem de usar, mas o plural de caráter é ‘caracteres’. Então, Carlos pode ser um bom-caráter, mas os dois irmãos dele são dois maus-caracteres.    27 – ‘Cartão de crédito e cartão de visita não pedem hífen’. ‘Já cartão-postal exige o tracinho’.    28 – ‘Catequese se escreve com s’, mas ‘catequizar é com z’. Esse português…    29 – O exemplo acima foge de uma regrinha que diz o seguinte: os verbos derivados de palavras primitivas grafadas com s formam-se com o acréscimo do sufixo -ar: análise-analisar, pesquisa-pesquisar, aviso-avisar, paralisia-paralisar, etc. 30 – ‘Censo é de recenseamento’; ‘senso refere-se a juízo’. Veja: O censo deste ano deve ser feito com senso crítico.    31 – ‘Você não bebe a champanhe. Bebe o champanhe’. É, portanto, palavra masculina.    32 – ‘Cidadão só tem um plural: cidadãos’. 33 – Cincoenta não existe. ‘Escreva sempre cinquenta’.    34 – Ainda tem gente que erra quando vai falar gratuito e dá tonicidade ao i, como de fosse gratuíto. ‘O certo é gratuito’, da mesma forma que pronunciamos intuito, circuito, fortuito, etc.     35 – E ainda tem gente que teima em dizer rúbrica, em vez de rubrica, com a sílaba bri mais forte que as outras. ‘Escreva e diga sempre rubrica’.    36 – ‘Ninguém diz eu coloro esse desenho’. Dói no ouvido. Portanto, o verbo colorir é defectivo (defeituoso) e não aceita a conjugação da primeira pessoa do singular do presente do indicativo. ‘A mesma coisa é o verbo abolir’. Ninguém é doido de dizer eu abulo. Pra dar um jeitinho, diga: Eu vou colorir esse desenho. Eu vou abolir esse preconceito.    37 – ‘Outro verbo danado é computar’. Não podemos conjugar as três primeiras pessoas: eu computo, tu computas, ele computa. A gente vai entender outra coisa, não é mesmo? Então, para evitar esses palavrões, decidiu-se pela proibição da conjugação nessas pessoas. Mas se conjugam as outras três do plural: computamos, computais, computam.    38 – Outra vez atenção: os verbos terminados em -uar fazem a segunda e a terceira pessoa do singular do presente do indicativo e a terceira pessoa do imperativo afirmativo em -e e não em -i. Observe: Eu quero que ele continue assim. Efetue essas contas, por favor. Menino, continue onde estava.    39 – A propósito do item anterior, devemos lembrar que os verbos terminados em -uir devem ser escritos naqueles tempos com -i, e não -e. Veja: Ele possui muitos bens. Ela me inclui entre seus amigos de confiança. Isso influi bastante nas minhas decisões. Aquilo não contribui em nada com o progresso.    40 – ‘Coser significa costurar’. ‘Cozer significa cozinhar’.    41 – ‘O correto é dizer deputado por São Paulo’, ‘senador por Pernambuco’, e não deputado de São Paulo e senador de Pernambuco.    42 – ‘Descriminar’ é absolver de crime, inocentar. ‘Discriminar’ é distinguir, separar. Então dizemos: Alguns políticos querem descriminar o aborto. Não devemos discriminar os pobres.    43 – ‘Dia a dia (sem hífen) é uma expressão adverbial que quer dizer todos os dias, dia após dia’. Por exemplo: Dia a dia minha saudade vai crescendo. Enquanto que ‘dia-a-dia (com hífen) é um substantivo que significa cotidiano’ e admite o artigo: O dia-a-dia dessa gente rica deve ser um tédio.    44 – ‘A pronúncia certa é disenteria’, e não desinteria.    45 – A palavra ‘dó (pena) é masculina’. Portanto, ‘Sentimos muito dó daquela moça’. 46 – ‘Nas expressões é muito, é pouco, é suficiente, o verbo ser fica sempre no singular’, sobretudo quando denota quantidade, distância, peso. Ex: Dez quilos é muito. Dez reais é pouco. Dois gramas é suficiente.    47 – ‘Há duas formas de dizer’: é proibido entrada, e é proibida a entrada. Observe a presença do artigo a na segunda locução.    48 – Já se disse muitas vezes, mas vale repetir: ‘televisão em cores’, e não a cores.     49 – Cuidado: ‘emergir é vir à tona’, vir à superfície. Por exemplo: O monstro emergiu do lago. Mas ‘imergir é o contrário’: é mergulhar, afundar. Veja o exemplo: O navio imergiu em alto-mar.    50 – A confusão é grande, mas ‘se admitem as três grafias’: ‘enfarte, enfarto e infarto’.    51 – Outra dúvida: nunca devemos dizer estadia em lugar de estada. Portanto, a minha estada em São Paulo durou dois dias. Mas a estadia do navio em Santos só demorou um dia. Portanto, ‘estada para permanência de pessoas, e estadia para navios ou veículos’.    52 – E não esqueça: ‘exceção é com ç’, mas ‘excesso é com dois ss’.    53 – Lembra-se dos ‘verbos defectivos’? Lá vai mais um: ‘falir’. No presente do indicativo só apresenta a primeira e a segunda pessoa do plural: nós falimos, vós falis. Já pensou em conjugá-lo assim: eu falo, tu fales…Horrível, não?    54 – Todas as expressões adverbiais formadas por ‘palavras repetidas dispensam a crase’: ‘frente a frente’, ‘cara a cara’, ‘gota a gota’, ‘face a face’, etc.    55 – Outra vez tome cuidado. Quando for ao supermercado, ‘peça duzentos ou trezentos gramas’ de presunto, ‘e não duzentas ou trezentas’. Quando significa unidade de massa, grama é substantivo masculino. ‘Se for a relva, aí sim, é feminino’: não pise na grama; a grama está bem crescida.    56 – É frequente se ouvir no rádio ou na TV os entrevistados dizerem: Há muitos ‘anos atrás…’ Talvez nem saibam que estão construindo uma frase redundante. Afinal, há já dá idéia de passado. Ou se diz simplesmente ‘há muito anos…’ ou ‘muitos anos atrás…’ Escolha. Mas não junte o há com atrás.    57 – Cuidado nessa arapuca do português: as palavras paroxítonas terminadas em -n recebem acento gráfico, mas as terminadas em -ns não recebem: ‘hífen’, ‘hifens’; ‘pólen’, ‘polens’.    58 – Atenção: ‘Ele interveio’ na discórdia, ‘e não interviu’. Afinal, ‘o verbo é intervir, derivado de vir’.    59 – ‘Item não leva acento’. Nem seu plural itens. 60 – O certo é ‘a libido’, feminino. Devo dizer: ‘Minha libido’ hoje não tá legal.    61 – Todo mundo gosta de dizer ‘magérrima’, ‘magríssima’, mas o superlativo de magro é ‘macérrimo’.    62 – Antes de particípios não devemos usar melhor nem pior. Portanto, devemos dizer: os alunos mais bem preparados são os do 2o grau. E nunca: os alunos melhor preparados…    63 – Essa história de ‘mal com l’, e ‘mau com u’, até já cansou: É só decorar: ‘Mal’ é antônimo de bem, e ‘mau’ é antônomo de bom. É só substituir uma por outra nas frases para tirar a dúvida. 64 – Pronuncie ‘máximo’, como se houvesse dois ss no lugar do x. (mássimo)    65 – Toda vez que disser: ‘É meio-dia e meio você estará errando. ‘O certo é: meio-dia e meia’, ou seja, meio-dia e meia hora.    66 – Não tenho ‘nada a ver’ com isso, e ‘não haver’ com isso.    67 – ‘Nem um nem outro’ leva o verbo para o singular: Nem um nem outro conseguiu cumprir o que prometeu.    68 – Toda vez que usar o ‘verbo gostar’ tenha cuidado com a ligação que ele tem com a preposição de. Ex: a coisa de que mais gosto é passear no parque. A pessoa de que mais gosto é minha mãe.    69 – Lembre-se: ‘pára’, com acento, é do verbo parar, e ‘para’, sem acento, é a preposição. Portanto: Ele não pára de repetir para o amigo que tem um carro novo.    70 – E tem mais: ‘pelo’, (sem acento), é preposição (contração da preposição por com o artigo a) e pêlo, com acento, é o cabelo.    71 – E quer mais? ‘Pêra’, a fruta, leva acento, só para diferenciar de uma antiga preposição também chamada ‘pera’. Já o plural dispensa o acento: ‘peras’. Dá pra entender? O jeito é decorar.    72 – Ainda tem mais uma palavra com acento diferencial: ‘pôde’, terceira pessoa do singular do pretérito perfeito do verbo poder. É para diferenciar de ‘pode’, a forma do presente. Então dizemos: Ele até que pôde fazer tudo aquilo, mas hoje não pode mais. Percebeu a diferença?    73 – ‘Pôr só leva acento quando é verbo’: “Quero pôr tudo no seu devido lugar”. Mas ‘se for preposição, não leva acento’: Por qualquer coisa, ele se contenta.    74 – Fique atento: nunca diga, nem escreva 1 de abril, 1 de maio. Mas sempre: ‘primeiro de abril’, ‘primeiro de maio’. Prevalece o ordinal.    75 – É chato, pedante ou parece ser errado dizer quando eu ‘vir’ Maria, darei o recado a ela. Mas esse é o emprego correto do ‘verbo ver’ no futuro do subjuntivo. Se eu o vir, quando eu o vir. Mas quando é o verbo vir que está na jogada, a coisa muda: quando eu ‘vier’, se eu ‘vier’.    76 – Só use ‘quantia’ para somas em dinheiro. Para o resto, pode usar ‘quantidade’. Veja: Recebi a quantia de 20 mil reais. Era grande a quantidade de animais no meio da pista.    77 – O prefixo ‘recém’ sempre se separa por hífen da palavra seguinte e deve ser pronunciado como oxítona: recém-chegado de Londres. 78 – Não esqueça: ‘retificar é corrigir’, e ‘ratificar é comprovar, reafirmar’: “Eu ratifico o que disse e retifico meus erros. 79 – Quando disser ‘ruim’, diga como se a sílaba mais forte fosse – im. Não tem cabimento outra pronúncia.    80 – Fique atento: só empregamos ‘São’ antes de nomes que começam por consoante: ‘São Mateus’, ‘São João’, ‘São Tomé’, etc. Se o nome começa por vogal ou h, empregamos ‘Santo: ‘Santo Antônio’, ‘Santo Henrique’, etc.    81 – E lembre-se: ‘seção, com ç’, quer dizer ‘parte de um todo, departamento’: a seção eleitoral, a seção de esportes. Já ‘sessão, com dois ss’, significa intervalo de tempo que dura uma reunião, uma assembléia, um acontecimento qualquer: ‘A sessão do cinema demorou muito tempo’.    82 – Não confunda: ‘senão’, (juntinho), quer dizer”caso contrário” e ‘se não’, (separado), equivale a “se por acaso não”. Veja: Chegue cedo, senão eu vou embora. Se não chegar cedo, eu vou embora. Percebeu a diferença?    83 – Tire esta dúvida: quando ‘só’ é adjetivo equivale a sozinho e varia em número, ou seja, pode ir para o plural. Mas ‘só’ como advérbio, quer dizer somente. Aí não se mexe. Veja: Brigaram e agora vivem sós (sozinhos). Só (somente) um bom diálogo os trará de volta. 84 – É comum vermos no rádio e na tv o entrevistado dizer: O que nos falta são ‘subzídios’. Quer dizer, fala com a pronúncia do z. Mas não é: pronuncia-se ‘ss’. Portanto, escreva ‘subsídio’ e pronuncie ‘subssídio’.    85 – ‘Taxar’ quer dizer ‘tributar’, ‘fixar preço’. ‘Tachar’ é ‘atribuir defeito’, ‘acusar.    86 – E nunca diga: ‘Eu torço para o Flamengo’. Quem torce de verdade, ‘torce pelo Flamengo’.    87 – Todo mundo tem dúvida, mas preste atenção: 50% dos estudantes passaram nos testes finais. Somente 1% terá condições de pagar a mensalidade. Acreditamos que 20% do eleitorado se abstenha de votar nas próximas eleições. Mais exemplos: 10% estão aptos a votar, mas 1% deles preferem fugir das urnas. Quer dizer, concorde com o mais próximo e saiba que essa regra é bastante flexível.    88 – ‘Um dos que’ deixa dúvidas,mas, pela norma culta, devemos pluralizar. Há gramáticos que aceitam o emprego do singular depois dessa expressão: Eu sou um dos que foram admitidos. Sandra é uma das que ouvem rádio.    89 – ‘Veado’ se escreve com e, e não com I.    90 – Esse português da gente tem cada uma: ‘tem viagem com G e viajem com J’ . Tire a dúvida: viagem é o substantivo: A viagem foi boa. Viajem é o verbo: Caso vocês viajem, levem tudo.    91 – O prefixo ‘vice’ sempre se separa por hífen da palavra seguinte: vice-prefeito, vice-governador, vice-reitor, vice-presidente, vice-diretor, etc.    92 – Geralmente, se usa o ‘x depois da sílaba inicial en’: enxaguar, enxame, enxergar, enxaqueca, enxofre, enxada, enxoval, enxugar, etc. Mas cuidado com as exceções: encher e seus derivados (enchimento, enchente, enchido, preencher, etc) e quando -en se junta a um radical iniciado por ch: encharcar (de charco), enchumaçar (de chumaço), enchiqueirar (de chiqueiro), etc.    93 – Não adianta teimar: ‘chuchu’ se escreve mesmo é com ‘ch’.    94 – ‘Ciclo vicioso’ não existe. O correto é ‘círculo vicioso’. 95 – E qual a diferença entre ‘achar’ e ‘encontrar’? Use ‘achar’ para definir aquilo que se procura, e ‘encontrar’ para aquilo que, sem intenção nenhuma, se apresenta à pessoa. Veja: Achei finalmente o que procurava. Maria encontrou uma corda debaixo da cama. Jorge achou o gato dele que fugiu na semana passada.    96 – ‘Adentro’ é uma palavra só: meteu-se porta adentro. A lua sumiu noite adentro.    97 – Não existe ‘adiar para depois’. Isso é redundante, porque adiar só pode ser para depois.    98 – ‘Afim’ (juntinho) tem relação com afinidade: gostos afins, palavras afins. ‘A fim de’ (separado) equivale a para: veio logo a fim de me ver bem vestido.    99 – Pode parecer meio estranho, mas pode conjugar o ‘verbo aguar’ normalmente: eu águo, tu águas, ele água, nós aguamos, vós aguais, eles águam.    100 – ‘Centigrama’ é uma palavra masculina: dois centigramas.

Ah, o amor… – William Shakespeare

ah--o-amor------william-shakespeare

“De almas sinceras a união sincera
Nada há que impeça: amor não é amor
Se quando encontra obstáculos se altera,
Ou se vacila ao mínimo temor.
Amor é um marco eterno, dominante,
Que encara a tempestade com bravura;
É astro que norteia a vela errante,
Cujo valor se ignora, lá na altura.
Amor não teme o tempo, muito embora
Seu alfange não poupe a mocidade;
Amor não se transforma de hora em hora,
Antes se afirma para a eternidade.
Se isso é falso, e que é falso alguém provou,
Eu não sou poeta, e ninguém nunca amou.”