O amor, a solidão e a tristeza de Alphonsus de Guimaraens, o mais místico dos poetas simbolistas

Imagens que passais pela retina - ppt carregarO juiz e poeta mineiro Afonso Henriques da Costa Guimaraens (1870-1921), que adotou o nome de Alphonsus de Guimaraens, é considerado o mais místico dos poetas simbolistas, tendo em sua poesia as características marcantes dessa escola literária: o misticismo, a sugestividade, a musicalidade, os aspectos vagos e nebulosos, a sonoridade, a espiritualidade. Entre seus temas preferidos figuram a morte, o amor, a solidão e a melancolia, como no poema “Ismália”, escrito em honra a sua falecida ex-noiva e prima Constança.

ISMÁLIA
Alphonsus de Guimaraens

Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar…
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.

No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar…
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar…

E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar…
Estava perto do céu,
Estava longe do mar…

E como um anjo pendeu
As asas para voar…
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar…

As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par…
Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar…

Bolsonaro descarta golpe, garante eleições, elogia Barroso e defende urnas eletrônicas

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Jair Bolsonaro atribui sua mudança a uma certa maturidade

Deu na Veja

Isolado politicamente e em baixa nas pesquisas sobre a avaliação de seu governo e a corrida eleitoral de 2022, o presidente Jair Bolsonaro disse à revista Veja que não existe nenhuma chance de tentar um golpe no país.

“Daqui pra lá, a chance de um golpe é zero. De lá pra cá, a gente vê que sempre existe essa possibilidade”, disse o presidente na entrevista.

“De lá pra cá é a oposição, pô. Existem 100 pedidos de impeachment dentro do Congresso. Não tem golpe sem vice e sem povo. O vice é que renegocia a divisão dos ministérios. E o povo que dá a tranquilidade para o político voltar”, completou.

VAI TER ELEIÇÕES – Na entrevista à Veja, ao falar sobre as eleições de 2022, disse que não irá “melar” a disputa e até elogiou decisões recentes do ministro Luís Roberto Barroso, presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

A atual crise institucional, patrocinada por Bolsonaro, teve início quando o presidente disse que as eleições de 2022 somente seriam realizadas com a implementação do sistema do voto impresso — mesmo após essa proposta já ter sido derrubada pelo Congresso.

“Olha só: vai ter eleição, não vou melar, fique tranquilo, vai ter eleição. O que o Barroso está fazendo? Ele tem uma portaria deles, lá, do TSE, onde tem vários setores da sociedade, onde tem as Forças Armadas, que estão participando do processo a partir de agora. As Forças Armadas têm condições de dar um bom assessoramento.”

URNA ELETRÔNICA – “Com as Forças Armadas participando, você não tem por que duvidar do voto eletrônico. As Forças Armadas vão empenhar seu nome, não tem por que duvidar. Eu até elogio o Barroso, no tocante a essa ideia —desde que as instituições participem de todas as fases do processo”, completou.

O tom da entrevista de Bolsonaro à Veja reflete um presidente tentando dar sinais de moderação desde os atos do 7 de Setembro, o que nem aliados acreditam que irá durar muito tempo.

Na entrevista à Veja, Bolsonaro disse que ‘extrapolou’ no 7 de Setembro. “Esperavam que eu fosse chutar o pau da barraca. Você imagina o problema que seria chutar o pau da barraca. Eu não convoquei a manifestação.”

SEM INTENÇÃO – No início do mês, dois dias após atacar o STF (Supremo Tribunal Federal) com ameaças golpistas, o Bolsonaro divulgou uma nota na qual recuou, afirmou que não teve “nenhuma intenção de agredir quaisquer dos Poderes” e atribuiu palavras “contudentes” anteriores ao “calor do momento”.

“Nunca tive nenhuma intenção de agredir quaisquer dos Poderes. A harmonia entre eles não é vontade minha, mas determinação constitucional que todos, sem exceção, devem respeitar”, afirmou à época.

A mudança de tom do presidente após repetidos xingamentos a integrantes da corte desagradou grupos bolsonaristas, foi elogiada pelos presidentes do Senado e da Câmara, mas vista com ceticismo pelos magistrados. “Eu vinha falando que estamos lutando por liberdade e comecei a falar uns 15 dias antes que estaria na Esplanada e em São Paulo. Mas em São Paulo, quando eu falei em negociar, eu senti um bafo na cara. Extrapolei em algumas coisas que falei, mas tudo bem.”

MUDANÇA RADICAL – Bolsonaro passou os últimos dois meses com seguidos ataques ao STF e xingamentos a alguns de seus ministros como estratégia para convocar seus apoiadores para os atos do 7 de Setembro, quando repetiu as agressões e fez uma série de ameaças à corte e a seus integrantes.

Os principais alvos de Bolsonaro sempre foram os ministros Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso. No 7 de Setembro, porém, buscou também emparedar o presidente do STF, ministro Luiz Fux.

AINDA ACREDITAM – Segundo pesquisa Datafolha da semana passada, para 50% dos brasileiros a retórica golpista de Bolsonaro pode se tornar realidade e existe a chance de o presidente tentar um golpe de Estado. A agenda antidemocrática de seus apoiadores é percebida assim pela maioria, assim como ações dos três Poderes são vistas como ameaças.

O apoio à democracia, por sua vez, segue sólido: 70% dos ouvidos pelo Datafolha dizem crer que o sistema é o melhor para o país, o segundo maior nível da série histórica iniciada em 1989. Já o contingente que admite a ditadura como opção está no menor patamar, 9%.

O temor de que o Brasil volte a ser uma ditadura, como foi sob os militares de 1964 a 1985 ou com Getúlio Vargas de 1937 a 1945, é o mais alto desde que o Datafolha começou a questionar isso, em fevereiro de 2014: 51%, ante 45% que dizem não acreditar no risco e 5% que não sabem dizer.

Eduardo Bolsonaro, ministra Tereza Cristina e Bruno Bianco, da AGU, estão com Covid

Depois de mandar “enfiar máscara no rabo”, Eduardo Bolsonaro toma vacina  contra Covid | Bela Megale - O Globo

Eduardo foi vacinado pelo próprio ministro da Saúde

Deu na Folha

O deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) recebeu diagnóstico de Covid-19 nesta sexta-feira (24). O diagnóstico foi confirmado pelo filho do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em suas redes sociais.

A ministra da Agricultura, Tereza Cristina (DEM-MS), e o ministro da AGU (Advocacia-Geral da União), Bruno Bianco, também confirmaram a infecção no mesmo dia.

EM QUARENTENA – Eduardo integrou a comitiva do presidente Bolsonaro que viajou a Nova York para participar da Assembleia-Geral da ONU. Todo o grupo que esteve nos Estados Unidos foi colocado em isolamento, por recomendação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), após o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, receber o diagnóstico de Covid na terça-feira (21).

O deputado disse no Twitter não acreditar que a vacina é “inútil” por causa da sua infecção. Mas afirmou que é “mais um argumento contra o passaporte sanitário”. “Sabemos que as vacinas foram feitas mais rápidas do que o padrão. Tomei a 1ª dose de Pfizer e contraí Covid”, afirmou ele na rede social.

TERESA CRISTINA ESTÁ BEM – Eduardo disse ao portal R7 que fez o teste na quinta (23) e recebeu o resultado nesta sexta-feira. Já a ministra da Agricultura afirmou em sua conta no Twitter que está bem, cancelou compromissos e ficará isolada para cumprir quarentena.

O ministro da AGU, Bruno Bianco, esteve na cerimônia de recondução do procurador-geral da República, Augusto Aras, na quinta-feira (23). O ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, também esteve no evento. Imagem divulgada pelo Palácio do Planalto mostra Bianco cumprimentando Aras, que estava sem máscara.

Já a agenda de Tereza Cristina registra jantar com o embaixador do Reino Unido no Brasil, Peter Wilson, na terça-feira (21). No dia seguinte, a ministra teve reuniões com a senadora Kátia Abreu (PP-TO) e com o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas. Ela não viajou com Bolsonaro aos Estados Unidos.

A ministra publicou imagem da conversa com Tarcísio, que não usava máscara. Ela também recebeu outras autoridades nesta semana, como o secretário-executivo de Mudanças Climáticas da cidade São Paulo, Antonio Pinheiro Pedro.

TESTE EM BOLSONARO – O presidente Bolsonaro deverá realizar um novo teste RT-PCR no fim de semana e sair do isolamento se não for detectada a presença do vírus.

Em transmissão nas redes sociais na quinta-feira (23), Bolsonaro disse que duas pessoas conhecidas foram infectadas com Covid, mesmo vacinadas. Bolsonaro usou os diagnósticos para voltar a desacreditar os imunizantes, mas não citou quem havia testado positivo para Covid.

“Vou amanhã ligar para elas, para elas divulgarem. Mostrar que vacinas tomaram, para a gente realmente ter um protocolo que funcione”.

CPI da Covid já descobriu ação coordenada nas redes para atacar opositores do governo

GABINETE DO ÓDIO – Contra o Vento

Charge do Humberto (Folha de Pernambuco)

Paulo Cappelli
O Globo

Mensagens em poder da CPI da Covid indicam que blogueiros ligados ao governo usavam grupos de Whatsapp para coordenar ataques nas redes sociais contra adversários políticos do presidente Jair Bolsonaro.

A estratégia foi usada em mobilizações contra o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP), uma das principais denunciantes do suposto esquema que envolveria também a divulgação de notícias falsas e o uso de robôs — a parlamentar prestou depoimento à CPMI das Fake News. O material foi obtido com exclusividade pelo GLOBO.

GABINETE DO ÓDIO – Em uma conversa num grupo de WhatsApp, em abril de 2020, o youtuber bolsonarista Bernardo Küster afirmou: “Recebi ordens do GDO para levantar forte a tag #DoriaPiorQueLula. Bora lá no Twitter”, escreveu, sendo apoiado por outros integrantes do chat.

O termo “GDO”, segundo senadores da CPI da Covid, seria uma referência a “Gabinete do Ódio”, forma como um grupo de auxiliares do presidente com atuação nas redes ficou conhecido.

Em um diálogo com um assessor parlamentar da deputada bolsonarista Caroline de Toni (PSL-SC), que tinha acesso a documentos sigilosos da CPMI das Fake News, Küster perguntou quando poderia “vazar” uma informação que obtivera sobre a “Pepa”, termo jocoso usado para se referir a Joice, que denunciou ataques orquestrados de apoiadores de Bolsonaro nas redes sociais.

FICOU COM MEDO – O assessor, contudo, ficou com medo de passar a informação e ser descoberto pela parlamentar, mas buscou uma alternativa: “Falei com o adv (advogado) do gabinete do Edu, e ele disse que vai tentar outro caminho (…) Se isso vier a público agora, a Joice vai solicitar ao pessoal lá quem acessou (o sistema). Vai foder o cara lá e a mim tbm, que contei (sic)”, explicou o assessor parlamentar a Kuster. A CPI apura se “Edu” seria uma referência ao deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), que, àquela época, fazia ataques frequentes a Joice.

Em outubro de 2019, o mesmo assessor avisou a Küster que a CPMI das Fake News havia apresentado requerimento para convocar o youtuber. Küster reclamou que a medida teve como fundamento uma reportagem, e o assessor complementou:

“Absurdo mesmo. O pessoal do Gabinete do Ódio tbm foi assim. Filipe G. Martins (assessor de Bolsonaro para assuntos internacionais) também foi convocado com base nessa reportagem lixo”. O auxiliar, então, diz que atuaria para tentar impedir a convocação de Küster.

DENTRO DO PLANALTO – A expressão “gabinete do ódio” ficou conhecida publicamente para indicar assessores lotados no Palácio do Planalto encarregados de utilizar a internet para atacar opositores do governo e disseminar fake news. O núcleo de Bolsonaro sempre negou a existência do grupo, mas, nas mensagens, o termo é usado com frequência.

Em uma delas, em dezembro de 2019, Küster diz a Filipe Martins, assessor para assuntos internacionais da Presidência, que havia acabado de entrevistar Bolsonaro. O youtuber relatou que a conversa no Planalto ocorreu na presença de “um gordinho de óculos”. Martins respondeu: “O Tércio. Membro original do gabinete do ódio”. Tércio Arnaud é assessor especial lotado na Presidência da República e é um dos responsáveis por produzir conteúdo para as redes de Bolsonaro.

Em outra conversa no mesmo mês, Küster sugeriu a Mateus Diniz, também assessor de Bolsonaro e apontado como integrante do “gabinete do ódio”, que o presidente deveria gravar uma mensagem de Natal desejando votos de felicidades aos brasileiros e passando uma mensagem “de esperança”. Diniz respondeu, brincando: ” O Gabinete do Ódio Ltda. Já pensou nisso hahaha”.

ERA TUDO BRINCADEIRA… – Indagado sobre a mensagem em que cita “ordens do gabinete do ódio” para fazer publicações no Twitter, Küster afirmou ao GLOBO ter escrito a frase em tom de brincadeira.

— Essa história se tornou uma narrativa em 2018. Eu digo isso, “ordens do GDO”, mas na verdade não tem ordem de ninguém. Nunca recebi ordem do Carluxo (referência ao vereador Carlos Bolsonaro) nem de ninguém. É uma coisa espontânea, uma brincadeira. Se o GDO de fato existisse, ninguém saberia.

Sobre o episódio envolvendo Joice Hasselmann e a CPMI das Fake News, Küster afirmou que as informações mencionadas sobre a deputada nunca chegaram a ser publicadas.

QUERIA VAZAR – Eram informações que não posso revelar, porque estavam sendo apuradas, mas que não foram confirmadas. Queria vazar para um jornal, mas o assessor disse que não poderia porque, do contrário, saberiam quem vazou. E, como não tivemos confirmação de que o assunto era de fato relacionado à deputada Joice, ninguém vazou nada, e o assunto morreu ali.

Filipe Martins preferiu não se pronunciar. A reportagem não conseguiu contato com Tércio Arnaud, com o deputado Eduardo Bolsonaro e com a deputada Caroline de Toni.

Criminalidade digital avança de forma descontrolada, numa economia paralela

 Charge do Iotti para Pioneiro de 30/08/2019

Charge do Iotti (Gaúcha/zero Hora)

Luiz Roberto Nascimento Silva
O Globo

A criminalidade financeira foi tema de minha dissertação de mestrado na UFRJ. Qual seria a diferença entre o crime praticado por alguém que assalta o caixa de uma mercearia e o praticado por outro, que, com o uso hábil de uma caneta, assalta igualmente o bolso de vários incautos investidores? De forma reduzida e simplificada, vemos assim a diferença entre o crime do colarinho branco e o blue collar.

Isso retorna à minha mente com a história recente do ex-garçom de vida simples que em seis anos movimentou 38 bilhões de reais num esquema de pirâmide com criptomoedas, deixando um rastro de lesados desesperados. É enredo para a Netflix.

DE UM PARA OUTRO – Pirâmide financeira não é novidade. Sua lógica é simples. Monta-se um esquema artificioso pelo qual o dinheiro de Pedro é usado para pagar juros maiores a Paulo, capta-se mais dinheiro com Maria, que será emprestado para Antônia, e assim segue até quando as pessoas desconfiam, e a roda da fortuna desmonta. Os exemplos mais famosos são de Ponzi na década de 20 e recentemente de Maddoff, ambos nos EUA.

O crime faz parte da natureza humana. Assim, ele se adapta às novas realidades. Nesse episódio de Cabo Frio, a novidade é a criptomoeda. A moeda sempre foi uma ficção. O homem atribuiu valor de troca para as mais diferentes coisas. No início, era o gado. Depois, essa função foi transferida para as moedas cunhadas em prata e ouro. A emissão do papel moeda por um governo foi invenção americana surgida na dramaticidade da Guerra Civil.

As criptomoedas são digitais num mundo crescentemente digital. Foi gigantesco o crescimento dos bancos digitais, sem agências físicas, nos quais o cliente comunica-se remotamente com seus gestores. Denominou-se “desbancarização” a esse processo, através do qual algumas dessas instituições tornaram-se maiores do que bancos tradicionais. Os governos de todo o mundo adotam moedas digitais, como fizemos com o recente Pix. Não há caminho de volta.

FORA DE CONTROLE – O problema com as criptomoedas não é serem digitais. Até aí, tudo bem. A questão fica complicada quando se sabe que elas funcionam fora do radar do controle das autoridades monetárias. Operam no anonimato.

Transitam no mundo bilhões de recursos sobre os quais não se sabe a origem e que muitas vezes ingressam depois no mundo formal, adquirindo bens e negócios concretos, concorrendo de forma desleal com os segmentos econômicos tributados. Economias mundiais de regimes fiscais rígidos com enorme pressão fiscal, como é o nosso caso, possuem paradoxalmente rios de liquidez correndo ao lado da formalidade.

O crime cibernético, subproduto da revolução digital, consome bilhões de dólares das empresas para sua proteção. São recentes e conhecidos os resgates pagos em criptomoedas em todo o mundo, como o que ocorreu com uma brasileira líder mundial no setor de alimentos.

HACKERS EM AÇÃO – Um grande grupo de medicina diagnóstica teve seu sistema invadido, e o tempo que ficou sem funcionar impactou seu balanço. Uma poderosa varejista passou por intenso ataque.

Os hackers evoluíram na pandemia. O crime compensa até agora porque ninguém é preso, rastreado ou perseguido pelos governos, também não há imposto, pois o resgate é pago em bitcoins.

Para enfrentar essa nova criminalidade, precisamos de uma polícia especializada, cujos integrantes sejam uma mistura de Sherlock Holmes com Alan Turing.

Caixa paga 6ª parcela do Auxílio Emergencial a nascidos em abril

Trabalhadores informais nascidos em abril recebem hoje (24) a sexta parcela da nova rodada do auxílio emergencial. O benefício tem parcelas de R$ 150 a R$ 375, dependendo da família.

O pagamento também será feito a inscritos no Cadastro Único de Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico) nascidos no mesmo mês. O dinheiro é depositado nas contas poupança digitais e poderá ser movimentado pelo aplicativo Caixa Tem. Somente de duas a três semanas após o depósito, o dinheiro poderá ser sacado em espécie ou transferido para uma conta corrente.

Também hoje, recebem a sexta parcela do auxílio emergencial os participantes no Bolsa Família com Número de Inscrição Social (NIS) de final 6. As datas da prorrogação do benefício foram anunciadas em agosto.

Ao todo 45,6 milhões de brasileiros estão sendo beneficiados pela nova rodada do auxílio emergencial. Ele é pago apenas a quem recebia o benefício em dezembro de 2020. Também é necessário cumprir outros requisitos para ter direito à nova rodada.

*Com informações de Agência Brasil

PTB apresenta proposta de filiação a Bolsonaro

O Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), partido presidido pelo ex-deputado federal Roberto Jefferson, apresentou uma proposta de filiação ao presidente Jair Bolsonaro. A informação é da CNN Brasil.

A proposta sugere que o presidente poderá indicar aliados para postos de destaque na executiva nacional da legenda. O texto, que foi apresentado no início desta semana a um interlocutor do presidente, já que ele estava em viagem no exterior, também inclui a previsão de que o presidente terá poder de escolha de candidatos da legenda para o Senado.

Bolsonaro tem sido pressionado por deputados aliados para escolher ainda neste ano uma legenda, facilitando a filiação dentro da chamada janela partidária.
Bolsonaro, no entanto, tem sinalizado que só tomará a decisão no início do próximo ano. Em entrevista à “Veja”, o presidente citou legendas como PP, PL, Republicanos e PTB.

O PTB também tem atuado para filiar ex-ministros do presidente. O objetivo é lançá-los para postos no Poder Legislativo, em uma tentativa de aumentar sua bancada federal.

A legenda sondou recentemente os ex-ministros Ernesto Araújo (Relações Exteriores), Ricardo Salles (Meio Ambiente) e Abraham Weintraub (Educação). Hoje, a bancada federal da sigla conta com 10 deputados federais.

CNC projeta 94,2 mil vagas temporárias de Natal, maior oferta em 8 anos

A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) projeta 94,2 mil contratações para vagas temporárias para o período das festas de fim de ano em 2021, a maior oferta dos últimos 8 anos. O dado é da Pesquisa da CNC divulgada nesta sexta-feira (24).

As previsões da confederação são baseadas em aspectos sazonais das admissões e desligamentos no comércio varejista, registrados mensalmente através do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados).

A entidade tem uma expectativa de aumento de 3,8% nas vendas de Natal em relação à mesma data de 2020.

Caso as projeções de contratação se confirmem, o varejo brasileiro produziria a maior oferta de trabalho temporário desde o Natal de 2013, quando foram abertos 115,5 mil postos.

Anatel aprova versão final do edital do 5G e marca leilão para 4 de novembro

A previsão do governo é que o 5G comece a ser ofertado a partir de julho de 2022, inicialmente nas capitais dos estados.

No leilão do 5G, serão oferecidas a operadoras de telefonia quatro faixas de frequência: 700 MHz; 2,3 GHz; 3,5 GHz; e 26 GHz. Essas faixas funcionam como “avenidas” no ar para transmissão de dados. É por meio delas que o serviço de internet de quinta geração será prestado.

As operadoras de telefonia que arrematarem as faixas terão de comprar e instalar os equipamentos necessários para oferecer o serviço aos seus clientes, como as torres de transmissão. Além disso, elas terão que investir para cumprir contrapartidas exigidas no edital.

O prazo de outorga, isto é, o direito de exploração das faixas, será de até 20 anos. O leilão será dividido entre lotes nacionais e regionais.

As quatro faixas que serão leiloadas foram avaliadas inicialmente pela Anatel em R$ 45,6 bilhões. Esse era o valor que as empresas deveriam pagar ao governo pelo direito de explorar as faixas.

Porém, o Ministério das Comunicações decidiu transformar a maior parte desse valor em exigências de investimentos por parte das vencedoras do leilão.

Com isso, a previsão é que as empresas vencedoras paguem R$ 8,6 bilhões ao governo e invistam R$ 37 bilhões para cumprir as contrapartidas previstas no edital.

O Tribunal de Contas da União, contudo, pediu uma revisão na precificação das faixas. Essa revisão foi feita pela Anatel, mas os novos valores ainda não foram informados pela agência.

Clássicos da literatura mundial: Hamlet

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     Hamlet é uma tragédia de William Shakespeare, escrita entre 1599 e 1601. A peça, situada na Dinamarca, reconta a história de como o Príncipe Hamlet tenta vingar a morte de seu pai Hamlet, o rei, executando seu tio Cláudio, que o envenenou e em seguida tomou o trono casando-se com a mãe de Hamlet. A peça traça um mapa do curso de vida na loucura real e na loucura fingida — do sofrimento opressivo à raiva fervorosa — e explora temas como a traição, vingança, incesto, corrupção e moralidade.

Apesar da enorme investigação que se faz acerca do texto, o ano exato em que Shakespeare escreveu-o permanece em debate. Três primeiras versões da peça sobrevivem aos nossos dias: essas são conhecidas como o Primeiro Quarto, o Segundo Quarto e o First Folio. Cada uma dessas possui linhas ou mesmo cenas que estão ausentes nas outras. Acredita-se que Shakespeare escreveu Hamlet baseado na lenda de Amleto, preservada no século XIII pelo cronista Saxo Grammaticus em seu Gesta Danorum e, mais tarde, retomada por François de Belleforest no século XVI, e numa suposta peça do teatro isabelino conhecida hoje como Ur-Hamlet.
Dada a estrutura dramática e a profundidade de caracterização, Hamlet pode ser analisada, interpretada e debatida por diversas perspectivas. Por exemplo, os estudiosos têm se intrigado ao longo dos séculos sobre a hesitação de Hamlet em matar seu tio. Alguns encaram o ato como uma técnica de prolongar a ação do enredo, mas outros a vêem como o resultado da pressão exercida pelas complexas questões éticas e filosóficas que cercam o assassinato a sangue-frio, resultado de uma vingança calculada e um desejo frustrado.

Hamlet é a peça mais longa de Shakespeare, e provavelmente a que mais trabalho lhe deu, mas encontrou nos tempos um espaço que a consagrou como uma da mais poderosas e influentes tragédias em língua inglesa: durante o tempo de vida de Shakespeare, a peça estava entre uma das mais populares da Inglaterra e ainda figura entre os textos mais realizados do mundo, no topo, inclusive, da lista da Royal Shakespeare Company desde 1879. Escrita para o Lord Chamberlain’s Men, calcula-se que sobre Hamlet já se escreveram cerca de 80.000 volumes, muitos deles certamente são obras de grandes nomes que foram influenciados pela tragédia shakespeariana, como Machado e Goethe e Dickens e Joyce, além de ser considerada por muitos críticos e artistas de todo o planeta como uma obra rica, aberta, universal e muitas vezes perfeita.

O protagonista de Hamlet é o Príncipe Hamlet de Dinamarca, filho do recentemente morto Rei Hamlet e sobrinho do Rei Cláudio, irmão e sucessor de seu pai. Após a morte do Rei Hamlet, Cláudio casa-se apressadamente com a então viúva Gertrudes, mãe do príncipe. Num plano de fundo, a Dinamarca está em disputa com a vizinha Noruega, e existe a expectativa de uma suposta invasão liderada pelo príncipe norueguês Fórtinbras.

A peça abre numa noite fria do Castelo de Elsinore, o Castelo Real Dinamarquês. Os sentinelas tentam convencer Horácio, amigo do Príncipe Hamlet, que eles têm visto o fantasma do rei morto, quando ele aparece novamente. Depois do encontro de Horácio com o Fantasma, Hamlet resolve vê-lo com seus próprios olhos. À noite, o Fantasma aparece para Hamlet. O espectro diz a Hamlet que é o espírito de seu pai morto, e revela que Cláudio o matou com um frasco venenoso, despejando o líquido em seus ouvidos. O Fantasma pede que Hamlet vingue sua morte; Hamlet concorda, com pena do espectro, decidindo fingir-se de louco para não levantar suspeitas. Ele, contudo, duvida da personalidade do fantasma. Ocupados com os assuntos do estado, Cláudio e Gertrudes tentam evitar a invasão de Fórtinbras. Um tanto preocupados com o comportamento solitário e errático de Hamlet, acrescido de seu luto profundo diante da morte do pai, eles convidam dois amigos do príncipe – Rosencrantz e Guildenstern – para descobrirem a causa da mudança de comportamento de Hamlet. Hamlet recebe os companheiros calorosamente, todavia logo discerne que eles estão contra ele.

Polônio é o conselheiro-chefe de Cláudio; seu filho, Laertes, está indo de viagem à França, enquanto sua irmã, Ofélia é cortejada por Hamlet. Nem Polônio nem Laertes acreditam que Hamlet nutra desejos sinceros com Ofélia, e ambos alertam para ela esquecê-lo. Pouco depois, Ofélia fica alarmada pelo comportamento estranho de Hamlet e confessa ao pai que o príncipe irá ter com ela num dos aposentos do castelo, mas olha fixamente para ela e nada diz. Polônio assume que o “êxtase do amor” é o responsável pela loucura de Hamlet, e informa isso a Cláudio e Gertrudes. Mais tarde, Hamlet discute com Ofélia e insiste para que ela vá “a um convento”. Hamlet continua sem saber se o espírito lhe contou a verdade, mas a chegada de uma trupe artística em Elsinore apresenta-se como uma solução para a dúvida. Ele vai montar uma peça, encenando o assassinato do pai – assim como o espectro lhe relatou – e determinar, com a ajuda de Horácio, a culpa ou a inocência de Cláudio, estudando sua reação. Toda a corte é convocada para assistir o espetáculo; Hamlet fornece comentários durante toda a encenação. Quando a cena do assassinato é realizada, Cláudio, “muito pálido, ergue-se cambaleante”, ato que Hamlet interpreta como prova de sua culpabilidade. O rei, temendo pela própria vida, bane Hamlet à Inglaterra em um pretexto, vigiado por Rosencrantz e Guildenstern, com uma carta que manda o portador ser assassinado.

Gertrudes, “em grandíssima aflição de espírito”, chama o filho em sua câmara e pede uma explicação sensata sobre a conduta que resultou no mal-estar do rei. Durante o caminho, Hamlet encontra-se com Cláudio rezando, distraído. Hamlet hesita em matá-lo, pois raciocina que enviaria o rei ao céu, por ele estar orando. No quarto da rainha, têm um debate fervoroso. Polônio, que espia tudo atrás da tapeçaria, faz um barulho; Hamlet, acreditando ser Cláudio, dá uma estocada através do arrás e descobre Polônio morto. O Fantasma aparece, dizendo que Hamlet deve acolher sua mãe suavemente, embora volte a pedir vingança. Demente em luto pela morte do pai, Ofélia caminha por Elsinore cantando libertinagens. Laertes retorna da França enfurecido pela morte do pai e melancólico pela loucura da irmã. Cláudio convence Laertes que Hamlet é o único responsável pelo acontecido; e é então que chega a notícia de que o príncipe voltou à Dinamarca porque seu barco foi atacado por piratas no caminho da Inglaterra. Rapidamente Cláudio propõe a Laertes uma luta de espadas entre ele e Hamlet onde o primeiro dos dois utilizará uma espada envenenada, sendo que na ocasião será oferecido ao príncipe uma taça de vinho com veneno, se o “plano A” falhar. Até que Gertrudes interrompe a conversa dizendo que Ofélia afogou-se.

Vemos depois dois rústicos discutindo o aparente suicídio de Ofélia num cemitério, preparando-se para cavar sua sepultura. Hamlet aparece com Horácio e se aproxima de um dos rústicos, que depois segura um crânio que conta ser de Yorick, um bobo da corte que Hamlet conheceu na infância. Quando o cortejo fúnebre de Ofélia aparece liderado por Laertes e Hamlet descobre que o rústico cavava a sepultura da moça, ele e Laertes se investem em luta, na cova, dizendo amar Ofélia, mas o conflito é separado pelos demais. No regresso a Elsinore, Hamlet conta a Horácio como escapou do destino mortal que foi entregue a Rosencrantz e Guildenstern. Interrompendo a conversa, Orisco aparece para convidar o príncipe a um combate de armas brancas proposto pelo rei. Quando o exército de Fórtinbras cerca Elsinore, a competição começa e ambos os cavalheiros tomam posição. O rei, como planejou anteriormente, separa a taça envenenada e deposita dentro do líquido uma pérola, oferecendo-a a Hamlet, que deixa a bebida para depois. Hamlet vence o primeiro e o segundo assalto, e a rainha toma a taça envenenada, “bebendo a sua sorte”. Enquanto a mãe enxuga a face do filho, Laertes decide feri-lo com a arma envenenada. Hamlet, usando sua força, atraca-se com o inimigo e, no corpo-a-corpo, trocam as espadas. Ele penetra profundamente em Laertes o item envenenado. A rainha confessa que morre por conta do veneno, enquanto Laertes revela que o rei é o culpado de toda a infâmia. A rainha morre envenenada.

Hamlet fere o rei com a espada envenenada, mas ele diz estar apenas machucado. Furioso, o sobrinho obriga Cláudio a beber a taça com veneno à força, e o mata, vingando a morta de seu pai. Laertes, morrendo aos poucos, despede-se de Hamlet, ambos perdoam-se. Quando é a vez de Hamlet, Horácio diz que será fiel ao príncipe morrendo junto com ele, mas o primeiro não permite, tombando para trás e dizendo que a eleição cairá certamente em Fórtinbras. Hamlet morre, dizendo “O resto é silêncio.” Fórtinbras invade o castelo com seu exército e ordena que “quatro capitães conduzam Hamlet como um soldado, para o cadafalço”. Os soldados carregam o corpo do príncipe; soa a marcha fúnebre, e depois uma salva de canhões.

      O texto abaixo é do escritor Theófilo Silva, presidente da Sociedade Shakespeare de Brasília.

“Hamlet tem diante de si um mundo muito difícil. Ao regressar da Universidade de Wittemberg, encontra o pai, o rei da Dinamarca, morto, envenenado pelo próprio irmão, Cláudio, que logo em seguida casou-se com Gertrudes, mãe de Hamlet. A morte não foi natural como divulgado. O fantasma de seu pai apareceu a ele informando o fato e exigindo vingança. Ele também perdeu o trono para Cláudio, que é agora o rei da Dinamarca.
A melancolia toma conta de Hamlet, ele passa a fingir que está louco, sua dor o transforma em filósofo e daí constrói monólogos (solilóquios) que calam fundo em todos nós: “Oh! Se esta sólida, completamente sólida carne pudesse ser dissolvida numa gota de orvalho…”. Entre outras coisas porque: “Há algo de podre no reino da Dinamarca”.
E as pessoas que estão ao seu redor? Será que sua mãe é inocente? Sua namorada, Ofélia, saberá de alguma coisa? Em quem confiar? A Dinamarca está entregue a um grupo de bêbados! Tudo parece conspirar contra ele. Um fiel amigo e leal servidor, Horácio é a única pessoa que ele confia.
No seu segundo solilóquio, ele faz uma observação arrasadora: “Ser ou não ser, eis a questão”! E pergunta, por que temos que suportar: “os ultrajes e desdéns do tempo, a injúria do opressor, a afronta do soberbo, as angústias do amor desprezado, a morosidade da lei, a insolência do poder e as humilhações que o mérito recebe do homem mais indigno…”. Sim! Por quê?
Para ele o homem é uma obra-prima, mas: “Que valeria um homem, se o bem principal e o interesse de sua vida consentissem em dormir e comer. Sem dúvida não passaria de um animal”.
Durante uma discussão com a mãe – que está inocente na morte do marido – ele mata por engano, pensando que era Cláudio, o pai de Ofélia, que estava escondido entre as cortinas espionando para Cláudio.
Esse fato deixa o rei Cláudio desconfiado, para ele: “a loucura dos grandes deve ser vigiada”. Toda a máquina do Estado é voltada para vigiar Hamlet. Até a inocente e infeliz Ofélia é usada numa trama para destruí-lo. Dois ex-colegas de escola são encarregados de levá-lo para a Inglaterra e matá-lo.
Hamlet escapa de todas as armadilhas, até que a espada envenenada de Laertes o mata. Ele já sabia que sua hora chegara: ”Existe uma providência especial na queda de um pardal”. Ele morre junto com Cláudio e Gertrudes.
Num Brasil extremamente corrupto: judiciário arrogante, ineficaz e paquidérmico; legislativo desmoralizado; vários braços do executivo corrompidos; uma elite mascarada e insolente; uma Imprensa exausta de denúncias a ouvidos moucos – nos transforma todos em contemporâneos de Hamlet. Quando neste país haverá justiça? Quando alguém será punido?
As palavras de Hamlet a seguir são muito maiores que isso, mas servem de eco para a situação que vive o homem honesto no Brasil de hoje: “… nossas vontades caminham por sendas tão contrárias, que nossos planos sempre são derrubados, os desejos são nossos, seus fins não nos pertencem”. Há algo de muito podre na república do Brasil.”