Ela valsando, só na madrugada, se julgando amada ao som dos bandolins…

                                                                   

O cantor e compositor carioca Oswaldo Viveiros Montenegro conta que fez a música “Bandolins” para a cunhada do amigo Zé Alexandre, na época uma bailarina. A moça tinha um namorado também bailarino, mas o casal teve que se separar devido a um convite ao namorado para morar na França. Por ser menor, a família da bailarina não permitiu que ela também fosse. Oswaldo diz que, na música, tentou retratar a moça dançando sozinha. A música “Bandolins” foi gravada no LP Oswaldo Montenegro, em 1980, pela WEA, logo se transformando em um grande sucesso, alavancando, definitivamente, a carreira do então desconhecido cantor e compositor.

BANDOLINS
Oswaldo Montenegro

Como fosse um par que nessa valsa triste
Se desenvolvesse ao som dos bandolins
E como não e por que não dizer
Que o mundo respirava mais se ela apertava assim
Seu colo e como se não fosse um tempo
Em que já fosse impróprio se dançar assim
Ela teimou e enfrentou o mundo
Se rodopiando ao som dos bandolins

Como fosse um lar, seu corpo a valsa triste iluminava
E a noite caminhava assim
E como um par o vento e a madrugada iluminavam
A fada do meu botequim
Valsando como valsa uma criança
Que entra na roda, a noite tá no fim
Ela valsando só na madrugada
Se julgando amada ao som dos bandolins

P&C – TI

Bolsonaro não vetou parte do projeto anticrime para proteger o filho Flávio, diz Moro

Moro conta novas interferências de Bolsonaro na PF e vai ao ...

Deu em O Globo

O ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro afirmou, em entrevista à revista “Crusoé” veiculada nesta sexta-feira, que o presidente Jair Bolsonaro não vetou dois pontos do projeto anticrime para proteger o filho, o senador Flávio Bolsonaro.

Segundo o ex-juiz da Lava-Jato em Curitiba, as restrições à decretação de prisão preventiva e a acordos de colaboração premiada batem de frente com o discurso contra a corrupção e a impunidade adotados por Bolsonaro na campanha eleitoral.

ABIN PARALELA – Em entrevista a Rodrigo Rangel, da revista ‘Crusoé’, ao ser questionado sobre uma ‘Abin paralela’ do presidente Bolsonaro, o ex-ministro Sérgio Moro disse que, no início do governo, houve ‘solicitações informais’ de um número ‘até significativo’ de policiais federais para atuar no Planalto

“Me chamou a atenção um fato quando o projeto anticrime foi aprovado pelo Congresso. Infelizmente houve algumas alterações no texto que acho que não favorecem a atuação da Justiça criminal. Tirando a questão do juiz de garantias, houve restrições à decretação de prisão preventiva e também restrições a acordos de colaboração premiada. Propusemos vetos, e me chamou a atenção o presidente não ter acolhido essas propostas de veto, especialmente se levarmos em conta o discurso dele tão incisivo contra a corrupção e a impunidade. Limitar acordos e prisão preventiva bate de frente com esse discurso. Isso aconteceu em dezembro de 2019, mesmo mês em que foram feitas buscas relacionadas ao filho do presidente”, afirmou Moro à Crusoé.

PEDIDO ABORTADO – Questionado sobre a suposta existência de uma “Abin paralela”, em referência à Agência Brasileira de Informação, ele disse que foram solicitados, no início do governo, “talvez” cinco policiais federais para atuar diretamente no Palácio do Planalto, sem ser externado o motivo. O pedido foi feito, segundo ele, informalmente, mas depois foi abortado.

“Isso nunca me foi colocado nesses detalhes. O que houve no começo do governo, no início de 2019, foram solicitações informais para que nós cedêssemos um número até significativo de policiais federais para atuar diretamente no Palácio do Planalto. Mas essa ideia, como foi revelado pelo falecido Gustavo Bebianno, foi abortada. Isso foi cortado. Isso não evoluiu.”

INCOERÊNCIA – O ex-ministro diz ainda que o presidente é incoerente com o discurso de campanha ao fazer alianças com parlamentares do centrão, “que não se destacam exatamente pela imagem de probidade”. Segundo Moro, a aliança tem como barrar um pedido de impeachment no Congresso.

“No que se refere à agenda anticorrupção, de fortalecimento das instituições e aprimoramento da lei para tanto, sim, e já faz algum tempo. No que se refere às alianças políticas, o discurso do presidente era muito claro no sentido de que ele não faria alianças políticas com o Centrão e agora ele está fazendo. E a culpa por isso não pode ser posta em mim, dizendo: “Olha, foi preciso fazer aliança com o Centrão cpor causa da saída do Moro”. Não, isso precedeu a minha saída. Começou antes, pelo receio do presidente de sofrer um impeachment. A motivação principal da aliança é essa”, diz o ex-juiz.

MP do TCU pede apuração sobre financiamento por recursos públicos no ‘gabinete do ódio’

Charge do Iotti (gauchazh.clicrbs.com.br)

Patrik Camporez
Estadão

O “gabinete do ódio”, estrutura do Palácio do Planalto responsável por fazer ataques nas redes sociais e em grupos de WhatsApp a críticos do presidente Jair Bolsonaro, entrou na mira do Tribunal de Contas da União (TCU).

O subprocurador Lucas Furtado ingressou com uma representação para que a Corte de Contas analise se a ação do grupo de servidores é financiada por recursos públicos. Na representação, o procurador classificou o “gabinete do ódio” como uma Parceria Público Privada (PPP), que funciona com o aporte de recursos públicos e de empresas.

“PUXADINHO” – Como revelou o Estadão, o “gabinete do ódio” está instalado dentro da estrutura do gabinete do presidente Jair Bolsonaro. Seriam 23 servidores nessa função. A atuação do grupo é investigada também pelo inquérito do Supremo Tribunal Federal (STF) que apura a disseminação de fake news.

No despacho em que pediu busca e apreensão em endereços de blogueiros e youtubers esta semana, o  ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito, classificou o “gabinete do ódio” como uma “associação criminosa”, que receberia dinheiro de empresários. Nenhum servidor do Planalto, contudo, foi alvo. O grupo também é investigado pela Comissão Parlamentar dos Inquéritos (CPI) das Fake News do Congresso.

Na representação ao TCU, Furtado pede que sejam identificados os integrantes do governo que compõem o “gabinete do ódio” e, comprovadas as ilegalidades, sejam punidos administrativamente e devolvam aos cofres públicos recursos usados para disseminar notícias falsas. Essa estrutura, diz o procurador, teria por “missão a criação, divulgação e organização de movimentos antidemocráticos e de disparos de fake news em redes sociais contra adversários políticos com ameaças a autoridades e instituições”.

FAKE NEWS – Outro objetivo da representação é investigar o possível uso de recursos públicos para financiar ataques de fake news na campanha eleitoral de 2018. O subprocurador-geral Lucas Furtado destaca que a decisão do ministro Alexandre de Moraes, de determinar a quebra do sigilo fiscal e bancário dos investigados no Inquérito 4781/DF, abrange o período iniciado em julho de 2018, compreendendo o período eleitoral daquele ano.

Por isso, pede que seja avaliada a possibilidade da criação de uma força-tarefa para o compartilhamento de informações ou, pelo menos, a atuação conjunta do Ministério Público Eleitoral, Tribunal Superior Eleitoral e TCU para apurar possíveis crimes cometidos pela chapa vitoriosa, para a presidência da república, nas eleições de 2018.

FINS CALUNIOSOS – Para o integrante do MP de Contas, a estrutura pública do Palácio do Planalto, onde despacha o presidente Jair Bolsonaro, estaria sendo utilizada para fins caluniosos, ameaças e infrações com o objetivo de atingir a “honorabilidade de diversas autoridades” dos poderes Judiciário e Legislativo do País.

No documento encaminhado à Corte, Furtado classifica as fake news como um fenômeno que ameaça o regime democrático, os princípios da República e a convivência pacífica da sociedade brasileira. Diz ainda que o Gabinete do Ódio é uma estrutura “anômala” que funciona dentro do próprio Estado.

Dessa forma, caberia ao TCU apurar eventual emprego irregular dos recursos públicos dentro dessa estrutura de divulgação de desinformações. “Situação que demanda a imprescindível atuação do controle no intuito de identificar os responsáveis, calcular o dano, adotar as providências necessárias à recomposição dos cofres públicos lesados e aplicar as sanções cabíveis, a exemplo de multa pecuniária e inabilitação para o exercício de cargo público”, diz trecho da representação.

GASTOS INDEVIDOS – Lucas Furtado ressalta que não só o uso de dinheiro, mas a utilização de materiais, infraestrutura e mão de obra custeados pelos cofres públicos devem ser levados em consideração no cálculo de gastos indevidos.

Segundo o subprocurador, a “irrigação de dinheiro” público para o esquema supostamente criminoso poderia estar acontecendo também por meio da utilização de verbas publicitárias de empresas públicas e sociedades de economia mista, com a finalidade de monetizar sites e blogs que veiculam notícias falsas.

Recentemente, o TCU barrou a veiculação, por parte do Banco do Brasil, de publicidade oficial em site que seria propagador de notícias falsas. Uma segunda decisão, também motivada por representação do MP de Contas, mandou o governo Federal suspender os gastos com publicidade em sites que divulgam fake news.

MPF abre inquérito civil para investigar Prefeitura do Recife

A compra de respiradores para unidades de atendimento a vítimas da Covid-19, no Recife, é alvo de um inquérito civil aberto pelo Ministério Público Federal em Pernambuco. O objetivo da Procuradoria da República é investigar possível superfaturamento e lavagem de dinheiro para aquisição dos equipamentos, com recursos do Sistema Único de Saúde (SUS), pela prefeitura.

A investigação, comandada pela procuradora da República Sílvia Regina Pontes Lopes, tem como meta detectar possíveis irregularidades nos contratos assinados entre a gestão municipal e a empresa Juvanete Barreto Freire, de São Paulo.

Essa aquisição dos respiradores também é alvo de uma investigação feita pela Polícia Federal. Ontem, a PF deflagrou a segunda fase da Operação Apneia, realizando buscas na sede da prefeitura e na casa do secretário de Saúde da capital, Jaílson Correia, que teve o celular apreendido, segundo o assessor de comunicação da corporação Giovani Santoro.

A aquisição dos respiradores foi alvo também de questionamentos do Ministério Público de Contas (MPCO). Por causa disso, a prefeitura disse, na última sexta, que a empresa Juvanete Freire havia desistido do negócio.

De acordo com o Ministério Público Federal estão sendo apuradas irregularidades na Juvanete Freire, que tinha cadastramento na Receita Federal com o nome fantasia de Brasmed Veterinária.

O Grupo de Combate à Corrupção do MPF apontou dispensa de licitação de R$ 4,3 milhões e a existência de dois termos aditivos: um de R$ 2,1 milhões e o outro, de R$ 5,1 milhões.

Ainda de acordo com o MPF, a empresa não tem funcionário nem veículo próprio. Além disso, receberia mais de R$ 11 milhões para vender respiradores para o Recife.

O MPF aponta, ainda, a partir de informações do MPCO de Pernambuco, que o procurador da empresa no estado, Adriano César Lima Cabral, teria vínculos com pessoas de cargos de confiança em órgãos da administração estadual.

Isso teria levantado a suspeita, segundo o MPF, a suspeita de Adriano seria “o verdadeiro vendedor dos respiradores” e a Juvanete Barreto Freire, “a empresa laranja”.

O MPF afirma também que, depois do início das apurações do MPCO, a administração pública alterou a fonte de recursos relacionada a compra dos ventiladores pulmonares.

Quarentena rígida não será prorrogada

O Governo de Pernambuco não irá prorrogar a quarentena mais rígida no Recife, Olinda, Jaboatão dos Guararapes, Camaragibe e São Lourenço da Mata. A partir da próxima segunda-feira, as cinco cidades voltam a se submeter às mesmas regras de isolamento dos demais municípios pernambucanos.

As cinco cidades, que estão há quase duas semanas obedecendo à quarentena mais rígida, são responsáveis por 75% dos casos confirmados e 68% dos óbitos da Covid-19 em Pernambuco. O objetivo da maior restrição à circulação de pessoas nesses municípios foi o de reduzir a curva de contágio do novo coronavírus.

“Só teremos os dados completos com o resultado da quarentena no domingo, mas as informações preliminares mostram uma estabilização da epidemia. Não prorrogaremos as regras mais rígidas na Região Metropolitana, mas ainda precisamos manter o isolamento social”, afirmou o governador Paulo Câmara.

Na próxima segunda-feira, o Governo de Pernambuco vai detalhar o plano de retomada das atividades econômicas no Estado. O estudo foi conduzido pelas secretarias de Desenvolvimento Econômico, da Fazenda, do Trabalho e Qualificação e de Desenvolvimento Urbano. A liberação das atividades será gradativa, respeitando as orientações sanitárias e com um período de 11 semanas para ser totalmente posta em prática.

O planejamento também inclui a análise da quantidade de trabalhadores por segmento e de que maneira o retorno de cada atividade influenciará em pontos complementares como o transporte público. A ideia é que os setores adotem horários diferentes de expediente para não saturar o sistema nos horários de pico.

Gonzaga defende prorrogação do auxílio emergencial

O deputado federal Gonzaga Patriota (PSB) voltou a defender a prorrogação do auxílio emergencial de R$ 600, que hoje tem previsão para três meses. De acordo com ele, se a crise continuar, esse valor será fundamental para ajudar várias famílias que estão sendo afetadas por causa da covid-19.

“Precisamos estudar uma forma de amparar os trabalhadores que hoje dependem do auxílio emergencial para enfrentar esse período de pandemia que deve durar mais de três meses. Essa é uma solução até que os brasileiros possam retomar integralmente suas atividades”, argumentou.

O socialista lembra que essa medida não é apenas uma questão econômica, mas sim de saúde pública. “O cidadão só pode ficar em casa se ele tiver condições para isso”. E completou: “Não é um momento fácil para ninguém, por isso, o governo precisa fazer sua parte, encontrar alternativas e soluções para ajudar os brasileiros a enfrentar esse desafio”.

Justiça autoriza quebrar sigilo de secretário do Recife

Jornal do Commercio

A juíza da 36ª Vara Federal, Carolina Souza Matos, decretou a quebra do sigilo bancário pelo Banco Central e fiscal pela Receita Federal do secretário de Saúde do Recife, Jailson Correia, e de outros gestores da Prefeitura do Recife, além dos integrantes e das empresas da ‘Família Freire’, envolvidos no suposto contrato fraudulento dos respiradores da Juvanete Barreto Freire e da Bioex Equipamentos Médicos Odontológicos. No total são 16 pessoas e empresas que terão seus sigilos quebrados do período de 1º de janeiro de 2018 até o dia 18 de maio de 2020. A quebra do sigilo foi solicitada pelo Ministério Público Federal, que integra junto com a Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) uma investigação sobre o caso dos respiradores, batizada de operação Apneia.

Com a determinação judicial de quebra do sigilo fiscal, o MPF e a PF poderão ter acesso a todas as informações das pessoas físicas e jurídicas investigadas nas bases de dados da Receita Federal e das Secretarias das Fazendas de Estados e Municípios entre 2018 e 2020. Isso inclui declarações de imposto de renda, notas fiscais de mercadorias e serviços, além de dados de importações de mercadorias. Já a quebra do sigilo bancário permitirá o acesso a todas as contas de depósitos, poupança, investimentos e outros bens.

Do lado da PCR, além do secretário Jailson Correia também figuram na lista dos que tiveram o sigilo quebrado servidores que participaram de alguma forma do negócio com a Juvanete Barreto Freire, seja na contratação, na rescisão ou no pagamento. Todos os que terão suas movimentações investigadas fazem parte da Secretaria de Saúde do Recife, como a gerente de Monitoramento de Infraestrutura, Mariah Simões da Mota Loureiro Amorim Bravo, o gerente de Projetos Especiais, Paulo Henrique Mota Matoso, o diretor executivo de Administração e Finanças, Felipe Soares Bittencourt e a Gerente Geral de Finanças, Fernanda Emanuelle Arantes Castro da Silva.

A ‘Família Freire’ também teve a quebra dos sigilos autorizada: Juvanete Barreto Freire, Juarez Freire da Silva, Leonardo e Rodrigo Barreto Freire, além das várias empresas do grupo familiar, como Bioex, Cirúrgica Brasmed, Empresa Brasileira de Produtos Cirúrgicos e outras.

Celso quer apuração de denúncia contra Eduardo

G1

O ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), enviou na noite desta sexta-feira (29) ao procurador-geral da República, Augusto Aras, os autos de comunicação de crime formulada contra o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente Jair Bolsonaro, por suposta prática de crime contra a Segurança Nacional.

No despacho, Celso, que é relator da suposta interferência do presidente na Polícia Federal (PF), após denúncia do ex-ministro da Justiça Sergio Moro, afirmou ser “imprescindível, em regra, a apuração dos fatos delatados, quaisquer que possam ser as pessoas alegadamente envolvidas, ainda que se trate de alguém investido de autoridade na hierarquia da República, independentemente do Poder (Legislativo, Executivo ou Judiciário) a que tal agente se ache vinculado”.

Celso de Mello também escreveu que “cabe ter presente, neste ponto, por oportuno, que o Ministério Público e a Polícia Judiciária, sendo destinatários de comunicações ou de revelações de práticas criminosas, não podem eximir-se de apurar a efetiva ocorrência dos ilícitos penais noticiados”.

A medida é uma praxe, uma vez que o tribunal, ao receber uma notícia-crime, deve reportá-la às autoridades de investigação. A notícia-crime foi apresentada na quinta (28) pelo advogado Antonio Carlos Fernandes, do Ceará, e cita as declarações de Eduardo na live.

Quem está na chuva…

POR ISSO QUE O RECIFE ESTÁ NA LAMA

Diz um ditado popular que quem está na chuva é para se molhar. Na vida pública, qualquer semelhança não será mera coincidência. E com o advento da internet, que democratizou o acesso à informação, quebrando o monopólio do poder da notícia nas mãos de restritos grupos, que se cuide o político que cometer deslizes ou pisar em casca de banana. Seus dias certamente serão de infortúnios.

Que o diga o prefeito do Recife, Geraldo Júlio (PSB), protagonista de um baita escândalo nacional no qual, coitado, quem está pagando o pato é o boi de piranha Jailson Correia, secretário de Saúde, que recebeu ordens superiores para comprar respiradores apropriados e testados em porcos e não nos recifenses que padecem nos hospitais sem respiradores suficientes para escapar da morte e do horror da pandemia do coronavírus.

Os tais respiradores de porcos custariam a bagatela de R$ 11,5 milhões não fossem a denúncia neste blog e a imediata ação do Ministério Público. O resto da história todo mundo já sabe, porque ganhou a mídia nacional colocando a capital pernambucana nas páginas policiais quando, historicamente, seus gestores sempre apareciam na liderança do ranking nacional como exemplos de boa fé e administração.

Nos últimos dias, a internet tem sido campo fértil para memes que retratam a indignação da população do Recife.

BLOG DO MAGNO

‘O Aleph’, de Jorge Luis Borges, inspira peça de Samir Yazbek e Antunes Filho

Com o título provisório de ‘O Outro Borges’, o trabalho está quase finalizado e aguarda o fim das restrições da pandemia para estrear em um teatro do Sesc

BorgesBorges. Autor é personagem do espetáculo Foto: Mario Muchnik

Segundo Yazbek, aos poucos ele e Antunes perceberam que a obra de Borges era rica o suficiente para a elaboração de uma peça. “Foi assim que chegamos ao conto O Aleph como base ficcional para a dramaturgia”, conta o dramaturgo, em primeira mão, ao Estadão.

“A primeira ideia surgiu a partir do que nos estimulava o próprio Aleph, a ‘pequena esfera de cor tornesol, de um fulgor quase intolerável’, assim descrita por Borges”, comenta Yazbek. “O argumento que Antunes propunha estabelecia um contraste entre as simbologias dessa esfera e a aspereza do mundo material, representada, na peça, pela desapropriação da casa de Borges (personagem principal da obra), em função da construção de uma linha do metrô. O metrô, portanto, ameaçava a casa que continha o Aleph – uma metáfora para abordarmos a decadência da cultura no mundo contemporâneo.”

No início do projeto, há mais de 30 anos, Antunes e Yazbek cogitavam de ter Raul Cortez no papel de Borges – agora, o protagonista e o resto do elenco estão sendo cogitados. O dramaturgo chegou a escrever duas versões: uma antes e outra depois de uma viagem a Buenos Aires, onde ele conheceu os lugares que Borges frequentou. Lá, encontrou-se com a viúva do escritor, Maria Kodama. “Ela compreendeu o que eu procurava deixar claro para todos (inclusive para Antunes): só me interessaria recriar a vida e a obra de Borges, se eu pudesse ir além de uma perspectiva meramente biográfica.”

Um dos motivos de o projeto não ter decolado na época foram as regras impostas por Antunes Filho. “Ele era um homem extremamente exigente e precisava de parceiros que estivessem à sua altura”, reconhece Yazbek. “Quando o conheci, ele já era um artista consagrado, com larga experiência no teatro nacional. O fato é que precisei amadurecer como autor – e também como indivíduo – para corresponder ao desafio.”

Assim, mesmo que cada um cuidasse de seu trabalho, eles eventualmente voltavam à peça. “Ao longo de duas décadas, eu sempre voltava ao texto, de alguma forma”, explica Yazbek. “Conversando com Antunes, eu amadurecia as minhas ideias, muitas vezes sem saber que o fazia. E Antunes não era nada paternalista comigo, no sentido de querer acompanhar as versões que eu escrevia. Ele estimulava a minha solidão enquanto autor. Às vezes telefonava para me perguntar se eu estava com medo de ficar sozinho. Se eu dissesse que não, ele julgava que eu estava no caminho certo para me tornar um autor.”

Quando o diretor foi internado, no ano passado, Yazbek sentiu a necessidade de finalmente concluir o projeto. “Quando conversei com Antunes no hospital, ele ainda estava lúcido. Em determinado momento, ciente do risco de perdê-lo, falei do meu desejo de retomar esse projeto. Ele me olhou como quem não acreditava no que eu dizia. Afinal, aquela não era a primeira vez em que eu manifestava esse desejo”, conta o dramaturgo. “A partir da morte de Antunes, contudo, fui tomado por uma profunda necessidade de finalizar a peça. O recolhimento propiciou-me entender o que, talvez, andasse me travando. Intimamente, senti-me no dever de retribuir, com uma peça bem escrita – o que Antunes Filho esperava –, o tanto que recebi dele ao longo dos anos.”

Assim, o trabalho foi retomado e amplamente modificado – tudo foi praticamente reescrito. Apenas o conto O Aleph, como metáfora da cultura, foi mantido. “O embate com as forças do progresso, representadas pela linha do metrô, também permaneceu. A peça, no entanto, ganhou novas camadas. Creio que ela se beneficiou de um olhar mais épico, no sentido brechtiano, não pela noção de uma ‘interpretação distanciada’ ou mesmo pela busca de um ‘teatro narrativo’, mas pelo ganho da perspectiva social”, explica Yazbek.

Samir Yazbek
Amigos. Em 1996, Antunes e Samir Yazbek Foto: Acervo pessoal

O título da peça, O Outro Borges, também ganhou força não apenas por tratar do conflito entre a persona pública do autor e a sua subjetividade, mas, conta Yazbek, para destacar a personagem do “jovem Borges”, já presente na versão inicial e que representa, no atual contexto, a possibilidade de impedir o declínio dessa cultura.

Na trama, Borges, já velho e doente, planeja viajar com a mulher amada quando descobre que está prestes a morrer. Mesmo assim, é necessário que ele viva um pouco mais para preparar seu legado. “É como se a morte de Antunes tivesse me encorajado a tentar realizar, finalmente, o que ele tanto esperava que eu realizasse.”

“Por intermédio dessa personagem, a própria noção de cultura passou a ser problematizada, na medida em que Borges foi, muitas vezes, considerado elitista e até acusado de se aproximar da ditadura militar argentina, embora a tenha criticado em diversas declarações que deu ao longo da vida”, observa Yazbek. “De todo o modo, o embate arte/sociedade tornou-se central na atual versão da peça, ensejando uma parábola para sondar a sociedade brasileira, tão injusta e tão desigual. Foi por isso que decidi retirar os nomes próprios das personagens, para assumir que o momento histórico brasileiro é mais importante do que ser fiel à obra ou à vida de Borges. Trata-se do meu Borges.”