Veja Vídeo: Polícia vai prender rapaz que fez crueldade com o próprio cão

Por André Beltrão — Blog do Ricardo Antunes

A Polícia Civil já está atrás do indivíduo que jogou seu próprio cachorro da janela do carro de placa PFQ-2729. Ainda não se sabe se o dono do animal e do carro são a mesma pessoa, mas o fato revoltou os moradores de Areia, em Beberibe (Recife).

O blog vai acompanhar o caso e pede que, por enquanto, vamos fazer o mesmo famoso para que a polícia intime logo esse criminoso para que depois responda na justiça por essa crueldade.

Veja o desespero do pobre cachorro correndo atrás do carro. Uma cena repugnante e que as autoridades não vão deixar passar em branco.

Zé de Abreu é condenado a indenizar hospital por publicação sobre facada de Bolsonaro

Ator disse no Twitter que atentado sofrido pelo presidente na campanha de 2018 teria sido ‘elaborado’ pelo serviço de inteligência de Israel com apoio do Hospital Albert Einstein

O ator José de Abreu foi condenado a indenizar hospital por publicação no Twitter. Foto: Soraya Ursine/Estadão

Rayssa Motta –  Estadão

A  3ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo manteve decisão de primeira instância que condenou o ator José de Abreu a indenizar o Hospital Albert Einstein em R$ 20 mil por danos morais.

Em janeiro de 2019, o ator disse no Twitter que a facada sofrida pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na cidade mineira de Juiz de Fora, durante a campanha eleitoral, teria sido ‘elaborada’ pelo serviço de inteligência de Israel com apoio da unidade de saúde da capital paulista.

Após a repercussão negativa da fala, o ator apagou a postagem, mas a Sociedade Beneficente Israelita Brasileira acionou a Justiça e ganhou a ação movida em primeira instância.

Diante da decisão desfavorável, o ator apresentou recurso, alegando cerceamento de defesa, que também foi rejeitado pela Corte no início de junho. A decisão foi tornada pública neste sábado, 7.

A relatora do caso, Maria do Carmo Honório, ressaltou que o comentário ofensivo, feito por uma personalidade pública com milhares de seguidores, corrobora a repercussão negativa da fala. Em suas palavras, “inegáveis as consequências negativas advindas da publicação feita pelo apelante e, em face da ofensa à imagem, fama e reputação da apelada, o dano extrapatrimonial restou bem caracterizado”.

A magistrada destacou ainda que o episódio ocorreu logo após processo eleitoral que trouxe à tona questões relativas ao poder das mídias sociais na propagação de fake news, o que indica que o ator deveria ter adotado cautela maior em suas palavras. “Em que pese a liberdade de manifestação e expressão ser garantida constitucionalmente, este direito não é absoluto ou ilimitado. Todo cidadão, ao se manifestar, deve ter em mente que eventual excesso deve ser coibido, ainda mais ao imputar falsamente fato definido como crime a quem sabe que não cometeu”, escreveu.

O então candidato à Presidência, Jair Bolsonaro (PSL), sofreu atentado a faca em Juiz de Fora (MG). Foto: Fábio Motta / Estadão

Em voto convergente, o desembargador Carlos Alberto Salles sustentou que, ao atribuir fato ofensivo à reputação do hospital na rede social em que possui mais de 400 mil seguidores, ‘sabendo ou devendo saber que se tratava de algo inverídico’, o ator ‘produziu verdadeira desinformação, ou seja, um conteúdo falso, disseminando-o intencionalmente ou correndo, de maneira consciente, o risco de causar danos’.

Martha Rocha, a primeira Miss Brasil, morre no Rio de Janeiro

Em 1954, ela ficou em segundo lugar no Miss Universo, deu fama a um bolo e já contou ao Estadão que teve a faixa de Miss roubada

Marta Rocha, 1ª Miss Brasil morre aos 83 anosMartha Rocha, a primeira Miss Brasil morre no Rio de Janeiro  Foto: ACERVO ESTADAO

Leandro Nunes, O Estado de S.Paulo
Miss Brasil, Maria Martha Hacker Rocha, morreu aos 83 anos, neste sábado, 4, no Rio de Janeiro. De acordo com informações, Martha sofreu um ataque cardíaco, seguido de parada respiratória. Foi levada ao hospital, mas não resistiu.

O corpo da baiana nascida em Salvador foi enterrado neste domingo, 5, no Cemitério do Santíssimo Sacramento.

A eleição de Martha Rocha

A ex-modelo foi eleita Miss Brasil em 1954, então com 18 anos, quando o concurso passou a ser realizado oficialmente. Naquele mesmo ano, ela ainda ficou em segundo lugar na disputa de Miss Universo, perdendo para Miriam Stevenson, em um concurso nos EUA. O motivo: a brasileira tinha duas polegadas a mais de quadril, ou seja, além do “ideal”.

De acordo com a cobertura do Estadão na época, a votação foi acirrada. Muitos norte-americanos afirmaram que escolheriam Martha como vencedora. O então cônsul brasileiro em Los Angeles, Roberto de Oliveira Campos, afirmou: “Uma esplêndida propaganda do Brasil nos Estados Unidos”. Para ele, a modelo nascida em Salvador transformou a cara do País no exterior. “Estou inclinado a aceitar a teoria dos que pretendem que o coração do Brasil está na Bahia”, defendeu.

A conquista do posto rendeu um recado especial de Martha aos leitores do Estadão, transmitido no dia 28 de julho de 1954. “Sinto-me imensamente feliz pelo título obtido. Não fui eu quem o ganhou, mas a beleza da mulher brasileira que tentei representar.”

De volta ao Brasil, o sucesso de Martha foi fulminante. Seu nome batizou um bolo, inspirou um modelo de carro – com duas polegadas de distância entre os eixos – e foi recebida como grande musa brasileira com marchinhas e festas.

A trajetória da modelo abriu portas para o segmento no âmbito internacional. Nas décadas seguintes, o Brasil conquistaria bons lugares no Miss Universo; a primeira foi Ieda Maria Vargas, em 1963, Miss Mundo e Miss Beleza Internacional.

Em 2004, em uma entrevista ao Estadão, Martha afirmou que não tinha mais o troféu de Miss Universo nem a faixa de Miss Brasil. Segundo ela, os objetos foram roubados em Salvador, em 1975, durante o velório de sua mãe.

Na época, ela organizava uma exposição com mais de 400 peças de seu acervo pessoal, incluindo reprodução de trajes e fotos com personalidades e políticos, como Juscelino Kubitschek e sua esposa Sara, o ator de Hollywood Tony Curtis, o príncipe Charles e a rainha da Inglaterra Elizabeth II. Também havia uma foto da modelo com o presidente Getúlio Vargas, meses antes do suicídio.

Depois dos 50 anos, Martha enfrentou um câncer e para se recuperar foi viver com o filho em Volta Redonda, no Rio.

Martha Rocha, a primeira Miss Brasil, morre no Rio de Janeiro
Admirada no Brasil, a baiana virou nome de bolo e modelo de carro  Foto: ACERVO ESTADÃO

A ideia de permanecer na cidade chegou junto com a descoberta de talento artístico para pintura, ela contou ao Estadão, em 2004. “Costumo dizer que tenho o mar, as rochas, tudo dentro de mim. Eu poderia ter escolhido viver em qualquer lugar do mundo, até em castelos na França. Acusam-me de caipira, mas o que tenho é amor pelo Brasil.”

Nos últimos anos, Martha enfrentou dificuldades financeiras e afirmou em suas redes sociais que teria perdido todo seu dinheiro para o cunhado. “Em 1995, com a fuga de Jorge Piano com todo o meu dinheiro, superei meus problemas com suporte dos meus filhos, amigas e o meu trabalho honrado, vendendo meus quadros e ganhando cachê para divulgar o concurso Miss Brasil.” Ela deixa três filhos: dois do primeiro casamento com o banqueiro português Álvaro Piano e uma filha com Ronaldo Xavier de Lima.

‘Lei das Fake News’ é um naufrágio de primeira classe para os direitos individuais

Nuvem de ameaças

J.R.Guzzo, O Estado de S.Paulo

O Brasil está em vias de se tornar talvez a primeira e única democracia do mundo (no papel, pelo menos, está escrito que isso aqui é uma democracia) onde a imprensa que se descreve como “tradicional”, ou “grande”, apoia ativamente um projeto de lei que agride a liberdade de expressão. Ou se declara a favor, com toda a franqueza, ou então dá o seu apoio em forma de silêncio; o resultado é mais ou menos o mesmo. O projeto em questão, que acaba de ser aprovado no Senado por 44 votos num total de 81 possíveis, e vai agora para a apreciação da Câmara dos Deputados, é essa Lei da Liberdade, Responsabilidade e Transparência na Internet – mas podem me chamar de “Lei das Fake News”. É um naufrágio de primeira classe para os direitos individuais dos brasileiros.

A lei, aprovada num plenário vazio, por meio do “voto eletrônico” e remoto, sem qualquer discussão séria e nenhuma justificativa para a pressa extrema em sua tramitação, não provê liberdade, nem responsabilidade, nem transparência. Para começo de conversa, qualquer lei que se meta a aprimorar a liberdade está condenada, necessariamente, a produzir o efeito contrário. Ela tem de dizer, em algum momento, que há liberdade “desde que” – e esse “desde que”, por definição, vai diminuir a liberdade que a lei pretendia “aprimorar”. O texto aprovado, além disso, embaralha as responsabilidades dos acusados de traficar notícias falsas e torna mais opaco o lado já escuro das redes sociais. Em suma: faz o contrário do que anuncia.

Além de tudo o que tem de ruim, a nova lei parece ser um caso clínico em matéria de hipocrisia. Alguém pode acreditar que os políticos que pretendem regular aquilo que você diz no WhatsApp estejam realmente interessados em banir a mentira da vida pública brasileira? Não é isso o que mostra o exame da folha corrida dessa gente. Ninguém, aí, ficou subitamente interessado em distinguir o falso do verdadeiro – o que querem, de fato, é intimidar quem fala mal deles, criando uma nuvem de ameaças sobre todos os que hoje usam o livre acesso à internet para dizer o que pensam. Não protege o cidadão dos políticos. Protege os políticos do cidadão.

senado
Votação do texto-base do projeto de lei das Fake News no Senado Foto: Jefferson Rudy / Senado

As pessoas fazem mau uso das redes sociais? Sim, fazem – frequentemente, aliás, fazem um péssimo uso. Mas os crimes que podem ser cometidos por meio da liberdade de expressão já estão previstos há 80 anos no Código Penal Brasileiro, com penas de multa, detenção ou reclusão. São a calúnia, a difamação e a injúria – só esses três, pois nenhuma lei conseguiu até hoje definir algum outro. Existe, além disso, todo um arsenal de punições cíveis para os que causem danos a quem quer que seja por dizer mentiras em público, ou por fazer insultos, ou por espalhar falsidades, ou por se expressar com malícia. Por que, então, criminalizar o que está nas redes sociais, quando tudo que se pode fazer de mal pela palavra já é crime?

A única mensagem verdadeira que a “Lei das Fake News” quer passar ao público é a seguinte: “Cuidado com o que vocês estão falando na internet”. É a mesma, exatamente, que o STF passa há 15 meses com o seu inquérito secreto para apurar “atos contra a democracia”, uma agressão serial às garantias básicas do cidadão – da liberdade de expressão ao direito de defesa. E o que a mídia teria a dizer sobre isso? Até agora não disse nada; só aplaudiu. Tudo bem: liberdade de imprensa não é apenas o direito que um veículo tem para publicar aquilo que quer; é, também, o direito de não publicar aquilo que não quer. Mas é preciso aceitar, aí, a ideia de que o Senado e o Supremo, daqui para diante, vão pensar cada vez mais por todos nós.

O brutal assassinato do delegado que se recusava a prender ‘escravos fugidos’

O delegado Joaquim Firmino de Araújo CunhaDireito de imagemCORTESIA ERIC APOLINÁRIO
Image captionEpisódio trágico foi ‘decisivo para acelerar o abandono do escravismo por parte das elites sociais’, diz a socióloga Angela Alonso


O linchamento de um delegado de polícia abolicionista 132 anos atrás levou uma cidade do interior paulista a mudar de nome.

Uma história tão insólita que parece ficção.

Joaquim Firmino de Araújo Cunha foi encurralado por cerca de 200 pessoas na madrugada de 11 de fevereiro de 1888 e morto violentamente dentro casa, onde estavam também a mulher, Valeriana, e os filhos.

Os mandantes do crime: um inglês e um americano que haviam se mudado para o Brasil depois de lutarem na Guerra de Secessão dos Estados Unidos do lado dos confederados, que eram contrários ao fim da escravidão no país.

A história ficou por muito tempo dormente na pequena Itapira, hoje com pouco mais de 70 mil habitantes, e vem sendo redescoberta nos últimos anos.

Penha do Rio do Peixe

Naquela época, Itapira se chamava Penha do Rio do Peixe. A cerca de 170 km da capital, era mais uma das cidades paulistas que fizeram riqueza a partir das grandes fazendas de café e da exploração da mão de obra escravizada.

Às vésperas da abolição, São Paulo era uma das províncias mais resistentes à ideia de libertar os negros escravizados e, não por acaso, uma das que concentravam maior contingente dessa população no país.

Em 1887, de acordo com as estatísticas de povoamento reunidas pelo IBGE, São Paulo contabilizava cerca de 107 mil escravizados, volume superado apenas por Minas Gerais (191,9 mil) o Rio de Janeiro (162 mil). Juntas, as três províncias concentravam pouco mais de 63% do total.

A cidade de Penha do Rio do Peixe por volta de 1880Direito de imagemCORTESIA ERIC APOLINÁRIO
Penha do Rio do Peixe por volta de 1880: cidade enriqueceu com o negócio do café

Em paralelo, o movimento abolicionista que nascera na década de 1870 ganhava força.

De um lado, associações abolicionistas tentavam sensibilizar a opinião pública por meio da imprensa e realizavam eventos para angariar apoio e recursos que seriam usados para comprar alforrias, por exemplo.

De outro, os negros escravizados empreendiam fugas, faziam poupança para tentar comprar a liberdade e entravam na Justiça para reivindicar sua alforria.

A polícia era convocada a reprimir as revoltas — mas também passou a se rebelar.

Esse era o caso de Joaquim Firmino, que nascera em Mogi Mirim e assumira o cargo de delegado de polícia em 1885, aos 30 anos.

“Naquele tempo, o cargo de delegado era indicado. Geralmente era alguém que cumpria ordens (das elites locais), um pau mandado — coisa que ele não foi”, diz o historiador Eric Apolinário, morador de Itapira, que está escrevendo um livro sobre o episódio. Intitulada O Crime da Penha, a obra deve ser lançada em 2021.

O delegado fazia parte de uma agremiação abolicionista, o Clube Cosmopolita, e com frequência se recusava a prender “escravos fugidos”, a denominação que se usava na época. Chegou a acobertar fugas, muitas delas com destino ao quilombo Jabaquara, em Santos, e a esconder “fugitivos” em sua própria casa.

O comportamento desagradava os “barões do café”, entre eles João Baptista de Araújo Cintra, fazendeiro de Atibaia que, por sua vez, era próximo de James Hankins Warne, um inglês que viveu nos EUA antes de vir para o Brasil e que lutou na guerra civil do país ao lado dos americanos que eram contra o fim da escravidão.

Warne era casado com a sobrinha de João Baptista, Joaquina de Araújo Cintra, e administrava uma fazenda que comprou dos sogros em Penha do Rio do Peixe.

James WarneDireito de imagem CORTESIA ERIC APOLINÁRIO
James Warne foi um dos milhares de imigrantes que vieram do sul dos EUA para o interior paulista atraídos pelos subsídios e incentivos fiscais oferecidos pelo Império

Ele e o colega americano John Jackson Klink, que também foi combatente do exército confederado, estão entre milhares de imigrantes que vieram do sul dos Estados Unidos para o interior paulista atraídos pelos subsídios e incentivos fiscais oferecidos por Dom Pedro 2º na tentativa de desenvolver novas técnicas agrícolas e novas culturas no Brasil.

Cidades como Americana e Santa Bárbara D’Oeste se tornaram colônias de imigrantes americanos nesse período.

Os relatos sobre a madrugada de 11 de fevereiro de 1888 descritos no processo judicial aberto após o assassinato do delegado — e uma das principais fontes de informação utilizadas pelo historiador Eric Apolinário para reconstruir aquele dia — dão conta de que Warne e Klink incitaram moradores da cidade a se vingarem de Joaquim Firmino.

A intenção inicial, conforme os documentos, era dar-lhe “um susto”.

Registro do assassinato do delegado na Gazeta de Mogi MirimDireito de imagemCORTESIA ERIC APOLINÁRIO
Registro do assassinato na Gazeta de Mogi Mirim: delegado foi espancado até morrer

Cerca de um mês antes, diz Apolinário, o delegado disse a fazendeiros da cidade que não era função da polícia ir atrás de “escravos fugitivos”. A briga chegou a ser judicializada, mas o delegado manteve sua posição.

Na noite do assassinato, cerca de 200 pessoas armadas com facas, espingardas e porretes foram à casa de Joaquim Firmino, cercaram-na e começaram a disparar. O imóvel crivado de balas sobreviveu até 1970, quando foi comprado e demolido.

Ao perceber que os invasores haviam quebrado as janelas e já entravam pela porta da frente, o delegado mandou a esposa, Valeriana, e os filhos se esconderem e tentarem se salvar.

Julieta, de 9 anos, chegou a se ajoelhar e pedir a um dos agressores que não matassem o pai.

Ele foi espancado até à morte no quintal.

Relato sobre o assassinato corre o país

O crime teve grande repercussão nacional.

O artista Angelo Agostini, abolicionista famoso que escrevia e desenhava para a Revista Illustrada, viajou do Rio de Janeiro para Penha do Rio do Peixe para retratar o episódio.

“A imprensa abolicionista passa a falar sobre o caso, tenta transformar Joaquim Firmino em uma espécie de mártir”, diz Apolinário.

Ilustração de Angelo Agostini sobre o casoDireito de imagemCORTESIA ERIC APOLINÁRIO
Ilustração de Angelo Agostini sobre o caso: crime teve repercussão nacional

Segundo o historiador, algumas fontes dizem que o relato sobre o episódio chega ao Império e aos ouvidos da princesa Isabel, que já vinha sendo pressionada por deputados e senadores e por parte da opinião pública a acabar com a escravidão.

Três meses depois, no dia 13 de maio de 1888, ela sancionou a Lei Áurea.

O assassinato de Joaquim Firmino, diz Angela Alonso, professora livre-docente do Departamento de Sociologia da Universidade de São Paulo, “foi decisivo para acelerar o abandono do escravismo por parte das elites sociais”.

“Isso porque apontou a possibilidade da guerra civil, isto é, que a desobediência civil dos abolicionistas (o incentivo à fuga de escravos) poderia ser respondida por milícias privadas a soldo de proprietários de escravos resistentes à abolição. Estas duas mobilizações políticas correriam ao largo do Estado, tirando, assim, das elites políticas a possibilidade de dirigir o processo político em torno da escravidão”, diz a autora de Flores, Votos e Balas: O movimento abolicionista brasileiro (1868-88).

De Penha do Rio do Peixe a Itapira

Nos anos seguintes, diz o historiador itapirense, a elite local tenta apagar a memória do crime. Um dos maiores indicativos nesse sentido, para ele, foi a mudança de nome da cidade em 1890.

O idealizador do projeto foi um dos próprios acusados, John Jackson Klink, que também era presidente da Câmara Municipal. O argumento era que “a Penha” estava marcada de maneira muito negativa no cenário nacional.

Escritos do advogado de defesa dos acusados, Brasília MachadoDireito de imagemCORTESIA ERIC APOLINÁRIO
Os réus no processo do crime contrataram famoso advogado da época para defendê-los

Joaquim Firmino foi enterrado em Mogi Mirim — até hoje não se sabe a localização exata. A esposa, Valeriana, viveu por mais três décadas, tendo de cruzar com os algozes do marido na cidade.

O delegado não tem mais descendentes vivos. “Uma neta faleceu nos anos 90 sem deixar herdeiros”, diz Apolinário.

A história ficaria guardada por quase um século, até um memorialista resgatá-la na década de 1950. A obra, entretanto, só seria publicada nos anos 2000, ele acrescenta, em meio à pressão de descendentes dos acusados para que a memória do caso não voltasse a circular.

Apolinário, que há anos também pesquisa sobre o passado da cidade, organizou em 2016 uma exposição sobre o “crime da Penha” no Museu Histórico de Itapira, onde é coordenador, e segue contando às novas gerações sobre o caso.

Quem matou o delegado?

Cerca de 20 pessoas foram acusadas pelo assassinato.

Para preparar sua defesa, eles contrataram por uma grande soma Brasílio Machado, advogado famoso na época, professor da Faculdade de Direito de São Paulo — que conseguiu, ao final, que todos os réus fossem absolvidos.

O processo está hoje no Museu do Palácio da Justiça em São Paulo, como documento histórico.

Por falta de pagamento da gestão de Paulo Câmara, rede privada recusa usuários do Sassepe

A razão apontada é de que a gestão de Paulo Câmara não repassa recursos há pelo menos cinco meses.

Por falta de pagamento da gestão de Paulo Câmara, rede privada recusa usuários do SassepeGovernador Paulo Câmara. Foto: Hélia Scheppa/SEI
Hospitais da rede privada conveniados com o governo de Pernambuco estão suspendendo o atendimento a usuários do Sistema de Assistência à Saúde dos Servidores do Estado (Sassepe). A razão apontada é de que a gestão de Paulo Câmara não repassa recursos há pelo menos cinco meses.

Um exemplo é o Memorial Hospital de Goiana, que contempla dez municípios da Mata Norte. Lá, os atendimentos a usuários do Sassepe foram cancelados há alguns dias, conforme atesta uma fonte que preferiu não se identificar.

Em maio, o Instituto de Recursos Humanos (IRH), responsável pelo Sassepe e vinculado à Secretaria de Administração de Pernambuco, chegou a anunciar a ampliação da rede credenciada para os servidores públicos.

A informação é do Blog do Magno Martins que afirmou entrar em contato com a assessoria do IRH, mas não obteve resposta.

MÚSICA – Mercedes Sosa – Gracias A La Vida

MÚSICA

Mercedes Sosa – Gracias A La Vida

LITERATURA – Silêncio (Beethoven) – Texto de Pablo Neruda

Pablo Neruda

PESQUISAS X VOTOS . Por  José  Nivaldo  Júnior

Resultado de imagem para jose nivaldo junior   Por  José  Nivaldo  Júnior  – Consultor em comunicação,advogado,historiador, escritor e membro da Academia Pernambucana de Letras. 

Trabalho com pesquisas de opinião eleitoral desde 1978. Foi a minha primeira campanha como profissional. Trabalhei para Cristina Tavares e Fernando Lyra, ambos eleitos Deputados Federais pela oposição, em Pernambuco. Ambos de saudosíssima memória. Fazem muita falta. Também participei como voluntário da disputa de Jarbas Vasconcelos para o Senado.

SUBLEGENDA
Era uma época de grandes limitações. Antes da Anistia. Censura instalada. Leis feitas para a ditadura não perder. Sob o comando de Eurico Andrade e Joca Souza Leão redigi algumas peças para a campanha. Jarbas, consulte-se a história, ganhou mas não levou. Era época da sublegenda. Teve quase o dobro dos votos somados dos adversários da Arena, o partido governista. Quase. O Eleito foi Nilo Coelho, com cerca de 300 mil votos a menos.

PEDRO ALENCAR
Foi Fernando Lyra quem me apresentou a Pedro. Instituto Porte. Ele trabalhava também para Nilo, do outro partido. A primeira lição que aprendi com Pedro foi não misturar trabalho com ideologia. Cliente é cliente. Aprendi mais uma de saída: não é você (prestador de serviço) que escolhe o cliente. O cliente é que lhe escolhe. E aprendi o valor de pesquisas bem feitas e bem interpretadas para orientar uma campanha.

PESQUISAS
Ainda aprendo muito com meus clientes. Fernando Lyra, entre outras qualidades (muitos o consideram o maior orador de palanque do Brasil) era devorador de pesquisas. Foi o meu guia nesse mundo intrincado onde a percepção de um detalhe pode mudar todo o entendimento. Ao longo desses 42 anos de percurso, atuei em rigorosamente todas as eleições. Pelas agências ou como prestador de consultoria pessoa física.

METODOLOGIAS
Trabalhei
com os mais conceituados institutos do planeta. Uma curiosidade: Leonel Brizola, cliente como candidato ou presidente do PDT em quatro campanhas nacionais, não confiava no Ibope. Usava o Gallup americano. O mais famoso do mundo. O que me familiarizou com metodologias diversas e as mais avançadas na época.

AMOSTRAGEM
As pesquisas políticas e eleitorais são levantamentos estatísticos de opinião. O retrato correto do momento investigado depende da fidelidade da amostragem. Se essa for representativa da população, não importa o método. Em casa, na rua, por telefone, o resultado sai dentro da margem de erro e do intervalo de confiança (detalhe que nunca ninguém leva em conta).
Esse raciocínio, naturalmente, não se aplica a manipulações desonestas, cada vez mais raras, mas que ainda existem. Laranjas podres têm em todo setor.

OPINIÃO MUDA
Dizem que política é como as nuvens, muda constantemente. O mesmo se pode dizer da opinião. Sobre qualquer assunto. Da mesma forma que uma pessoa pode mudar, a coletividade também muda. Muitas vezes o politico reclama de determinado instituto. “Comigo errou”. Aí eu pergunto quantos dias antes da eleição a pesquisa foi aplicada. “15 dias, três semanas, um mês.” Eu acho graça.
O momento pesquisado era outro.

O FATO NOVO
Em determinadas circunstâncias, seis meses antes o eleitor já está definido e não muda mais o voto. Em outras, a definição acontece na fila de votação. Por isso, dizem os políticos sábios, o resultado que vale é o da urna. Porque em cada percurso tem sempre a possibilidade da grande armadilha: o fato novo. Ou um fator ainda mais intangível mas não menos objetivo: a direção dos ventos da política.

COMEÇOU A TEMPORADA
Sempre pioneiro, o Blog do Magno, em parceria com o Instituto Potencial , com O PODER e o programa Frente a Frente, deu a largada a meia noite de quarta feira na temporada de pesquisas deste ano. Sempre que uma levantamento é publicado, muitos não gostam dos resultados. Frequentemente contestam, se insurgem, insultam, até ameaçam. Quando ocorre isso sempre oriento: contrate um instituto sério, registre a pesquisa e se quiser, publique. Mas, se depender de mim, cliente nenhum discute com números.

AJUDA OU ATRAPALHA?
Aliás, não há qualquer evidência de que à publicação de uma pesquisa favorável aumente a vontade coletiva de votar naquele candidato. Isso até pode acontecer. Na mesma proporção do resultado inverso. Já vi muitos candidatos perderem não apesar mas porque a pesquisa indicava que ganhariam.

O TEMPO ELEITORAL
Está muito longe da eleição. Nesses tempos de pandemia, muita coisa ainda pode mudar. Entretanto essa primeira rodada de pesquisas, que inclui os principais municípios metropolitanos, é fundamental. Para determinar um ponto confiável de partida. Para possibilitar um acompanhamento mais preciso da evolução do quadro, as famosas tendências. Os “vieses” de alta, de baixa ou de estabilidade que frequentemente são mais importantes que os números em si. Sabendo-se que o calendário da campanha não avança no ritmo do padrão gregoriano.

DERROTAS DO ÓBVIO
Largar na frente é vantagem mas não garante a vitória.
Até novembro, muitos imponderáveis podem ocorrer. O que decide eleição é a campanha e a tendência política na hora decisiva. Em cada pleito, o eleitor faz escolhas e manda recados. Por isso, as eleições e o óbvio nem sempre andam de mãos dadas.

50 anos das conquistas do Tri e da Jules Rimet (II).  Por FRANCISCO DACAL

 Por FRANCISCO DACAL – Escritor e administrador de empresas

    O futebol é um esporte de transcendentes emoções. Vai além dos estádios e das épocas. Nesse momento, estamos a sentir. Várias são as lembranças e demandas sobre a Seleção Brasileira do Tri, impossível de caber num único artigo, onde, 50 anos após, a realidade e o imaginário já se confundem. Durante a Copa do Mundo de 1970 no México, a Canarinha era embalada por… “Noventa milhões em ação / pra frente Brasil / no meu coração / todos juntos vamos / pra frente Brasil / salve à Seleção!”… Agora somos mais de duzentos milhões, desfrutando, com orgulho, de uma página heroica.

    O Tricampeonato Mundial foi consequência do planejamento, preparação, estratégia e de uma geração de jogadores da mais alta qualidade técnica, comprometidos, integralmente, com os desafios de ganhar a Copa. Os registros finais são de recordes e fatos singulares, que veem demonstrar o porquê do encantamento dessa jornada e da Seleção do Brasil de 1970.

    Foi a primeira seleção Tricampeã. Invicta, venceu todos os jogos que disputou.

    Ganhou as partidas contra as três ex-campeãs mundiais que cruzaram seu caminho: Inglaterra, Uruguai e Itália. 

    Jairzinho, apelidado o Furacão da Copa, pela forma arrasadora com que vencia os adversários, fez gol em todos os jogos da Seleção. Sete, no total, sendo dois contra a Tchecoslováquia. Único jogador a realizar este feito em Copas do Mundo.   

    Pelé, com a Copa de 70, ganhou o seu terceiro título mundial de seleções, entre as quatro Copas disputadas. Nesta, anotou quatro gols e fez assistências para outros seis gols. Marcas inigualáveis. Foi eleito o melhor jogador da Copa. Com tudo, o Rei do Futebol veio a tornar-se o melhor jogador de todos os tempos.

    Rivelino, apelidado “A Patada Atômica”, impressionou pela potencia e precisão dos seus chutes. Marcou três gols.

    Gerson, o maestro, realizou três assistências (lançamentos), por cobertura, que redundaram em gols. Inédito. Foi eleito o segundo melhor jogador da Copa tendo disputado apena três partidas.

    Tostão, o centroavante que inspirou o atual falso 9, marcou dois gols e deu assistências para outros dois.

     Na faixa mais adiantada da Seleção, cinco jogadores usavam a camisa 10 em seus clubes: Pelé, Tostão, Jairzinho, Gerson e Rivelino.

     No quarto do gol do Brasil, na goleada por 4 x 1 sobre a Itália, nove jogadores tocaram na bola, do início à conclusão: Tostão, Everaldo, Piazza, Gerson, Clodoaldo, Rivelino, Jairzinho, Pelé e Carlos Alberto, que marcou. Somente Brito e Felix não tocaram na Bola. Este gol é considerado a mais perfeita jogada de todas as Copas.

    Sete jogadores dos onze titulares da Canarinha marcaram gols durante a Copa: Jairzinho, Pelé, Tostão, Rivelino, Clodoaldo, Gerson e Carlos Alberto. Recorde.

    A seleção dos melhores jogadores da Copa do Mundo de 1970 foi formada com a participação de seis jogadores brasileiros: Carlos Alberto, Piazza, Gerson, Jairzinho, Pelé e Rivelino.

    No último dia 21 de junho, a imprensa internacional não economizou em enaltecer os 50 anos da Copa do Mundo de 1970 e as conquistas do título de Tricampeão e da Taça Jules Rimet, definitivamente, pela Seleção Brasileira. O epílogo dessa bela história pode ficar retratado numa manchete de capa do El País da Espanha: Eterno Brasil e Eterno México 70.