Operação das fake news é ‘ilegal e inconstitucional’, diz procuradora

“Respeito o STF mas o Inquérito das “Fakes News” é completamente ilegal”, diz procuradora.

A Polícia Federal (PF) cumpriu mandados de buscas e apreensões, nesta quinta-feira (27), por determinação do ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito das fake news do Supremo Tribunal Federal (STF).

O inquérito, que vem sendo duramente criticado por juristas, foi aberto pelo ministro Dias Toffoli em março de 2019 e terminaria em junho deste ano, mas pode ser prorrogado.

Em uma série de mensagens no Twitter, a procuradora Thaméa Danelon, ex-integrante da operação “Lava Jato” em São Paulo, enfatizou que o inquérito é “completamente ilegal e inconstitucional”.

A procuradora também lembrou que a ex-Procuradora-Geral da República (PGR), Raquel Dogde, no ano passado, arquivou o referido inquérito, contudo, não foi acolhido pelo STF.

Confira na íntegra as mensagens de Danelon:

1. Respeito o STF mas o Inquérito das “Fakes News” é completamente ilegal e inconstitucional, pois: 1) viola o Sistema Acusatório (juiz não pode investigar, apenas o MP e a Polícia);

2) ofende o Princípio da Livre Distribuição (o juiz q, no futuro, julgará o caso, não pode ser escolhido, deve haver um livre sorteio entre os juízes);

3) não investiga fatos objetivos e específicos, “Fake News” não é um crime tipificado no Código Penal; e ameaça ao STF e familiares é extremamente vago;

4) os supostos crimes não ocorreram nas dependências do STF, assim não há competência (processual) da Suprema Corte;

5) Deve-se lembrar q ex PGR Raquel Dogde, no ano passado, ARQUIVOU referido Inquérito, contudo, não foi acolhido pelo STF.

6) No ano passado uma revista foi censurada pelo inquérito das “Fakes News” e diversas pessoas sofreram busca e apreensão, na minha opinião, indevidas, sendo violada a Liberdade de Expressão.

7) Investigados não conseguiram ter acesso ao Inquérito em questão, em afronta à própria Súmula Vinculante 14 do STF, q autoriza ao advogado do investigado vista dos autos.

8) Na data de hoje, outras buscas e apreensões igualmente indevidas foram realizadas. No meu entender, tudo seria NULO de pleno Direito.

Tudo aponta para uma crise, diz Bolsonaro

Confira o texto na íntegra:

“- TUDO APONTA PARA UMA CRISE:

1. Primeiras páginas dos jornais abordaram com diferentes destaques, as decisões envolvendo a atuação do Supremo Tribunal Federal, da Polícia Federal, do Tribunal de Contas da União e do Tribunal Superior Eleitoral em relação ao governo Bolsonaro e seus aliados.
2. O ministro do STF, Celso de Mello, fez um pedido de investigação contra o deputado federal Eduardo Bolsonaro, à Procuradoria Geral da República, por crime de incitação à subversão da ordem política ou social. A prática viola a Lei de Segurança Nacional.

3. A notícia-crime foi protocolada na Corte depois do parlamentar dizer, em um vídeo publicado nas redes sociais, que não se trata de uma questão de “se”, e sim “quando” haverá uma ruptura político-institucional.

4. Nas primeiras páginas dos jornais, o pedido da Polícia Federal para a prorrogação das investigações do inquérito, no âmbito do STF, que apura se o PR interferiu politicamente, ou não, na PF, segundo a acusação do ex-ministro da Justiça Sérgio Moro. PF que ouvir oficialmente o PR sobre a denúncia.

5. Estadão e O Globo publicam, em suas primeiras páginas, o pedido do ministro Og Fernandes, do Tribunal Superior Eleitoral, para que a chapa Bolsonaro/Mourão se manifeste, em três dias, sobre a inclusão de informações do inquérito das fakenews em dois processos da Justiça Eleitoral, que questionam a diplomação dos dois.

6. A acusação é a de que a chapa usou empresas para efetuar disparos em massa de mensagens com notícias falsas contra opositores. ?
*- Estadão realça que esse seria o caminho mais próximo para retirá-los do Poder.*

7. Segundo o Estadão, a investigação do STF para apurar ameaças, ofensas e fakenews contra ministros e familiares da Corte pode chegar ao chamado “gabinete do ódio”, que trabalharia próximo ao PR e seria comandado pelo vereador Carlos Bolsonaro. Faltando 45 dias para ser concluído, o jornal já fala da intenção dos investigadores de prorrogar o inquérito.

8. Estadão noticia que o “gabinete do ódio” também entrou na mira do Tribunal de Contas da União. O subprocurador, Lucas Furtado, ingressou com uma representação para que o plenário do TCU analise se a ação do grupo de servidores é financiada, ou não, por recursos públicos. O grupo teria 23 servidores trabalhando na assessoria especial do gabinete presidencial.

9. A Rede desistiu da ação que apresentou no ano passado, que solicitava o fim do inquérito aberto para apurar ataques e ofensas ao Supremo Tribunal Federal. Agora, o partido não quer o final do inquérito, que serviu para o ministro-relator do caso, ministro do STF, Alexandre de Moraes, acusar um rol de pessoas ligadas ao PR. E que a PGR quer suspender.

10. O inquérito, diz o partido, apresentava “inquietantes indícios antidemocráticos”, mas, um ano depois, “se converteu em um dos principais instrumentos de defesa da democracia”. Oportunismo jurídico. O ministro Edson Fachin decidirá se aceita ou não o pedido da Rede.

11. Jornais também destacaram na suas capas o manifesto dos procuradores da República, com a assinatura de 590 de 1.150 integrantes do MPF, para a adoção da lista tríplice para a nomeação do chefe da instituição.

12. Segundo a leitura política da mídia, o manifesto é uma reação à postura do atual PGR, Augusto Aras, que estaria favorecendo o PR, e foi escolhido fora da lista tríplice encaminhada ao Presidente da República.

13. Na capa da Folha de S. Paulo e do O Globo o fato do ministro da Educação, Abraham Weintraub, ter ficado calado no depoimento à Polícia Federal, no prédio do MEC, sobre suas declarações contra os ministros do STF na reunião ministerial do dia 22 de abril.

14. PR lhe concedeu a medalha do mérito naval, que a mídia entendeu como uma “provocação.” Presidente da Câmara, Rodrigo Maia, voltou a atacar Weintraub, lamentando o país ter um “ministro tão desqualificado.”

Autor de ‘Sentimental Demais’, Evaldo Gouveia morre aos 91 anos

O artista estava em um leito da Unidade de Terapia Intensiva, no hospital de São Carlos, em Fortaleza

O músico e compositor Evaldo Gouveia morreu aos 91 anos em Fortaleza, na noite de ontem 29. Autor da música Sentimental DemaisAlguém Me disseBrigas, e Trovador, o cearense não teve a causa da morte divulgada.

Autor de
O enterro foi realizado sem velório, por causa da pandemia do novo coronavírus Foto: EVALDO GOUVEIA /FACEBOOK

Em 2017, Gouveia sofreu um AVC quando estava no Rio e precisou voltar para o Ceará. O artista estava em um leito da Unidade de Terapia Intensiva, no hospital de São Carlos, em Fortaleza. O enterro foi realizado sem velório, por causa da pandemia do novo coronavírus.

O cantor Fagner lamentou a morte do artista em sua rede social. “Era uma relação muito próxima, bem familiar; ele sempre me chamava de Raimundinho e falava com carinho da tia Chiquinha e do padrinho Zé Félix”, escreveu. “A partida de Evado é uma grande perda para a música brasileira. Mas sua obra será eterna, pois seu repertório é imortal; fala de uma época, de um Brasil. Evaldo foi o primeiro Hit Maker do país.

As composições de Gouveia foram cantadas por artistas como Altemar Dutra, Nelson Gonçalves, Alaíde Costa e Maysa Monjardim. Ele também fez parte do Trio Nagô, ao lado de Mário Alves e Epaminondas Souza.

Altermar Dutra Jr. filho do cantor, lamentou a morte de Gouveia. “Quando estávamos juntos, era como um elo, que me fazia viajar nas lembranças paternas. Já chove esta saudade, Grande Evaldo Gouveia.”

CONTEÚDO ESTADÃO

Música – Buena Vista Social Club ‘Chan Chan’ at Carnegie Hall

Música

Buena Vista Social Club ‘Chan Chan’ at Carnegie Hall

A farra da pandemia

Diante da urgência no combate ao coronavírus, a Prefeitura de Recife comprou respiradores, de forma fraudulenta, de uma empresa de produtos veterinários

Crédito: Sergio Bernardo/JC Imagem

CONDUÇÃO PERIGOSA O prefeito de Recife, Geraldo Júlio (PSB), é investigado pela compra de 500 respiradores, no valor de R$ 11,5 milhões, de uma empresa de produtos veterinários (Crédito: Sergio Bernardo/JC Imagem)

Por Anna França – Isto É

O afrouxamento das regras para compras governamentais na área da saúde na luta contra o Covid-19 abriu um espaço enorme para a multiplicação de fraudes pelo Brasil. No Recife, o Ministério Público de Contas de Pernambuco (MPCO) denunciou o prefeito Geraldo Júlio (PSB) por comprar 500 respiradores pelo exorbitante valor de R$ 11,5 milhões, junto à Juvanete Barreto Freire, cadastrada como micro empreendedor individual (MEI) de Paulínia, no interior de São Paulo, configurando-se em grande irregularidade, já que a empresa não passa de revendedora de produtos veterinários. A PF entende que a prefeitura administrada por Geraldo Júlio usou uma empresa laranja para cometer crimes. Na última quinta-feira (28), a PF cumpriu mandados de busca e apreensão na sede da prefeitura de Recife e na casa do secretário de Saúde da capital, Jaílson Correia, que teve também o celular apreendido. Esta foi a segunda etapa da Operação Apneia da PF deflagrada junto com o Ministério Público Federal (MPF) e a Controladoria Geral da União (CGU). Foram cumpridos também mandados de busca e apreensão em São Paulo, na sede da empresa que vendeu os respiradores com a clara suspeita de fraudes.

DÚVIDA O MPF questionou a lei assinada pelo governador Paulo Câmara (PSB), que parou de exigir licitações para aquisições destinadas aos hospitais de campanha do Recife (Crédito:Divulgação)

As investigações constataram que no negócio foram utilizadas empresas fantasmas. Elas possuem débitos com a União superiores a R$ 9 milhões. Além disso, a firma não existe no endereço fornecido à Receita. Ela não possue funcionários e nem bens em seu nome. Dos 500 respiradores comprados, 35 foram entregues. Em entrevista a uma rádio de Pernambuco, o procurador do MPCO, Cristiano Pimentel, diz que a compra chamou atenção por ter sido feita junto a uma empresa cujo capital social é de apenas R$ 50 mil e é registrada apenas para venda de produtos veterinários e colchões. Apesar disso a empresa fez um negócio com a prefeitura de R$ 11,5 milhões. O procurador se surprendeu ainda com o valor de compra dos equipamentos, em média de R$ 23 mil, quando o preço de mercado está bem acima disso. “É preciso fazer uma auditoria, integrada por médicos do Tribunal de Contas do Estado, para averiguar se esses equipamentos servem às necessidades de atendimento dos doentes”, afirmou.

O ex-ministro Mendonça Filho, pré-candidato do DEM ao governo municipal de Recife, questionou que os respiradores comprados por Geraldo Júlio estavam em fase de testes em porcos e que não havia a confirmação de que serviriam para o uso em humanos.

Nesta semana, aleem da Prefeitura de Recife, o governo do Rio de Janeiro foi alvo de operações da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público (MP), questionando desde aquisições de respiradores até a construção de hospitais de campanha não terminados. No Rio, o valor dos contratos investigados chegam a R$ 183 milhões. Em Santa Catarina, o governo desembolsou R$ 33 milhões por 200 respiradores que não foram entregues. No Pará, os primeiros 152 respiradores de um total de 400 importados da China por R$ 50 milhões, chegaram sem condições de uso. Até agora, pelo menos 11 estados e o Distrito Federal estão na mira das investigações por mau uso do dinheiro público e há suspeitas de que outros engrossarão a lista.

Livre da obrigatoriedade de licitação, a aquisição de urgência pode representar danos não só à saúde como aos cofres públicos. Segundo a organização Transparência Internacional, é normal que em situações de catástrofes e pandemias as regras sejam flexibilizadas, mas não se deve abrir espaço para que irregularidades aconteçam. Isso porque em momentos de urgências surgem muitos oportunistas por causa da lei de oferta e demanda, que dá ao fornecedor o maior poder nas negociações. Um exemplo disso é a exigência de pagamento antecipado e os produtos acabam não chegando. “Isso está acontecendo em todo o mundo, porque a necessidade é grande. Mas, no Brasil, a centralização das compras pelo governo federal traria mais poder ao comprador pelo ganho de escala, reduzindo problemas”, explica Guilherme France, coordenador de pesquisa da Transparência Internacional, que organizou junto com o Tribunal de Contas da União (TCU) uma cartilha com as recomendações para transparência de contratos emergenciais da Covid-19.

Afrouxamento de regras para contratos na área da saúde abriu espaço para multiplicação de fraudes nas compras em 11 estados

PGR repudia ‘ato de vandalismo’ em sua sede

Como publicamos mais cedo, a placa em frente ao prédio da Procuradoria-Geral da República em Brasília amanheceu, neste sábado, com a pichação “Procuradoria-Geral do Bolsonaro”.

Em nota, a PGR se manifestou sobre o ato de vandalismo.

“A Procuradoria-Geral da República repudia o ato de vandalismo contra sua sede,  que já se encontra em investigação para responsabilização civil e criminal do ato que danificou patrimônio público. As medidas de reforço na segurança das unidades de todo o país serão tomadas com a maior rapidez possível. Bem como as demais medidas administrativas que se fizerem necessárias.”

A pichação, segundo a assessoria da PGR, já foi apagada.

Antagonista

Dona Maria Lia. Por José Paulo Cavalcanti Filho

  Por José Paulo Cavalcanti Filho  –  Escritor, poeta,membro da Academia Pernambucana de Letras e um dos maiores conhecedores da obra de Fernando Pessoa. Integrou a Comissão da Verdade

Minha mãe tinha 18 anos. Sempre teve. Ou pensava, e agia, como se tivesse. O que dá no mesmo. Para definir quem era, basta lembrar frase de Dostoiévski que vivia repetindo: “Sinto um prazer quase indecente de viver”. Quando fez 40 anos, mandei bilhete: “Mamãe. Não é por nada não mas a IDA começa aos 40”. A volta veio só bem mais tarde: “Meu filho. Esperei 40 anos para lhe responder. A IDA pode ser que comece aos 40. Mas a VIDA começa mesmo é aos 80”. Num dos últimos aniversários dela, escrevi: “Me diga Dona/ Maria Lia/ Luar da noite/ Flor do meu dia/ Se brilha ainda/ A luz infinda/ Que eu perseguia”. Essa luz findou, agora. É o destino de todos nós. Com 92 anos, publicou livro contando histórias do passado (Recordar é Viver). Nele, está um poema premonitório que escreveu, Ele Acreditou. Em que dizia:

Ele acreditou nos adultos

E compreendeu que eles não eram sábios.

 

Ele acreditou na inteligência

E viu que ela construiu uma bomba que pode destruir o mundo.

 

Ele acreditou na retidão do caráter

E sofreu vendo seu pai ser perseguido por não compactuar com posturas indignas.

 

Ele acreditou na paixão

E se queimou, portando ainda tisnas dentro da alma.

 

Ele acreditou na vida

E a transpôs para outros seres, mas desesperou-se descobrindo quanto ela é frágil e tão facilmente extinguível!

 

Ele acreditou na ciência

E soube que ela é provisória.

 

Ele acreditou em Deus

E o encontrou injusto e incoerente.

 

Então ele acreditou na morte…

E ela não o decepcionou.

A morte nunca decepciona, dona Maria Lia tinha razão. É sempre certa. E sempre triste. Mas segue a vida. Um personagem de Carlos Nejar (em A Explosão), Jordana Duarte, depois de perder aquela que a criou, “Olhava para o céu e sabia que lá estava vagando sua mãe”. Assim seja, com todos os filhos. Por isso ao acordar, e até fim dos tempos, a primeira coisa que farei vai ser olhar para o alto. Na esperança de ver, pelos céus impossíveis e distantes, minha mãe passeando nos raios de uma luz infinda. Jovem e bela. Feliz. Em paz.

Nomear procurador-geral para o Supremo era praxe durante a ditadura 

Nomear procurador-geral para o Supremo era praxe durante a ditadura
“Só prá complementar, se aparecer aí uma terceira vaga — espero que ninguém desapareça —, o Augusto Aras entra fortemente na terceira vaga.” Em live nesta semana, o presidente Jair Bolsonaro prometeu nomear o procurador-Geral da República, Augusto Aras, para o Supremo Tribunal Federal. Desde 1988, quando o Brasil ganhou uma nova Constituição, nenhum mandatário da República indicou um PGR para o STF. Mas ainda que seja tão vaga quanto improvável, a promessa de Bolsonaro ressuscita uma prática que valia quase como norma durante os anos da ditadura militar.

O último procurador-geral a vestir a toga de ministro do Supremo foi Sepúlveda Pertence. Ele foi nomeado pelo presidente José Sarney (1985-1989) para chefiar o Ministério Público da União em 1985, já na era pós-ditadura, e para assumir uma cadeira no supremo em 1989. Sepúlveda tinha sido membro do Ministério Público do Distrito Federal, mas foi cassado pela ditadura militar em 1968, por força do AI-5.

Quando foi nomeado procurador-geral por Sarney, exercia a advocacia privada. Foi a Constituição de 1988 que determinou que o procurador-Geral da República seria escolhido pelo presidente da República “dentre integrantes da carreira, maiores de 35 anos, após a aprovação de seu nome pela maioria absoluta dos membros do Senado, para mandato de dois anos, permitida a recondução”.

Durante o período da ditadura militar, todos os ocupantes do Palácio do Planalto fizeram o gambito do chefe do Ministério Público da PGR para o STF. Castello Branco (1964-67), o primeiro general-presidente, nomeou o primeiro PGR da ditadura. Osvaldo Trigueiro de Albuquerque Mello foi nomeado pouco mais de um mês depois do golpe. Antes de completar dois anos no cargo, foi chamado para ocupar no STF numa das vagas criadas pelo AI-2, que aumentou de 11 para 16 o número de ministros da corte.

Ministro PGR Nomeado
por
STF Nomeado
por
Firmino Paz 1979-1981 Figueiredo 1981-1982 Figueiredo
Moreira Alves 1972-1975 Médici 1975-2003 Geisel
Francisco Albuquerque 1969-1972 Médici 1972-1983 Médici
Décio de Miranda 1967-1969 Costa e Silva 1978-1986 Geisel
Osvaldo Trigueiro 1964-1965 Castello Branco 1965-1975 Castello Branco

Décio Meirelles de Miranda foi o único do grupo que não fez a transição direta da PGR para o STF. Nomeado para comandar o Ministério Público em 1967, por Costa e Silva (1967-69), permaneceu no cargo por dois anos, quando foi nomeado ministro do Tribunal Federal de Recursos, futuramente Superior Tribunal de Justiça, em 1988.

Quase uma década mais tarde, o general Ernesto Geisel (1974-1979) lembrou-se de seu nome para alojá-lo no Supremo. Logo ao assumir a presidência, o general Emílio Médici (1969-1974) nomeou Francisco Manoel Xavier de Albuquerque para a PGR e ao findar o mandato de dois anos colocou-o no Supremo.

Seu sucessor na PGR foi José Carlos Moreira Alves, que foi nomeado por Médici e a quem o general Geisel transplantou para a Suprema Corte, onde se tornou uma das mais influentes figuras por quase três décadas. Além da chefia da PGR e do comando do STF, Moreira Alves ocupou, ainda que momentaneamente, a presidência da República (de 7 a 10 de julho de 1986) e do Congresso (em 1º e 2 de fevereiro de 1987, na instalação da Assembleia Nacional Constituinte). Foi o único brasileiro a presidir os três poderes da República.

O último premiado com uma suprema nomeação foi Firmino Ferreira Paz, a quem o general João Baptista Figueiredo (1979-1985) designou PGR em 1979 e elevou a ministro do STF em 1981. Um prêmio mesmo: um ano depois, aposentou-se ao atingir a idade da aposentadoria compulsória de 70 anos. Para os outros quatro procuradores-gerais do período autoritário, faltou a vaga no Supremo para recompensá-los. São eles: Alcino Salazar (1965-1967, governo Castello Branco); Haroldo Teixeira Valadão (30/3 a 13/11 1967, sob Costa e Silva); Henrique Fonseca de Araújo (1975-1979, Ernesto Geisel); Inocêncio Mártires Coelho (1981-1985, governo João Figueiredo).


Fonte: ConJur

“Aprofundamento das investigações chegará ao Gabinete do Ódio”, diz a ex-bolsonarista Joice Hasselmann

“Aprofundamento das investigações chegará ao Gabinete do Ódio”, diz a ex-bolsonarista Joice Hasselmann
A deputada federal acusa Carluxo de comandar a milícia digital (Reprodução)

A deputada federal e ex-aliada bolsonarista, hoje rompida e rival atroz do clã, Joice Hasselmann (PSL-SP), afirmou, nesta quarta-feira, dia 27, que ‘no fim da linha do esquema’ investigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no inquérito das fake news está o Palácio do Planalto.

A manifestação, através de nota enviada à imprensa, veio após a operação da Polícia Federal que apreendeu celulares e computadores de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) suspeitos de financiar a disseminação de notícias falsas e conteúdo de ódio contra integrantes do STF e outras instituições.

DINHEIRO PÚBLICO – Segundo a deputada, “o esquema de produção de ataques e mentiras contra adversários políticos e a democracia” envolve dinheiro público de gabinetes de políticos ligados à família Bolsonaro e recursos de empresários com trânsito constante no Palácio do Planalto.

“O aprofundamento das investigações chegará, inevitavelmente, ao chamado Gabinete do Ódio, uma espécie de “puxadinho” do gabinete presidencial, de onde Carlos Bolsonaro comanda uma verdadeira milícia digital, que inclui políticos, assessores parlamentares, empresários e blogueiros”, denunciou a deputada.

Joice afirmou ainda que a proximidade de conclusão das investigações – que, segundo ela, comprovariam o envolvimento dos filhos e amigos do presidente –, teria motivado Bolsonaro a interferir politicamente na Polícia Federal para proteger aliados. A parlamentar protocolou, inclusive, um dos pelo menos 35 pedidos de impeachment contra o presidente que se acumulam no Congresso.

INTERFERÊNCIA – Para ela, Bolsonaro deve ser submetido ao processo, que pode levar à sua destituição do cargo de presidente, porque cometeu crime de responsabilidade por falsidade ideológica e por interferência em investigação da Polícia Federal para obstruir a Justiça e beneficiar os filhos.

Ex-líder do governo no Congresso, a deputada rompeu com o Planalto depois de um “racha” no PSL que terminou com a debandada dos Bolsonaro do partido. Joice chegou a disputar a liderança da sigla na Câmara, enquanto o presidente articulava para que o caçula, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), assumisse o posto.

FAKE NEWS – As acusações da deputada envolvendo o Planalto em esquemas de disseminação de notícias falsas e discursos de ódio já haviam sido feitas, em dezembro do ano passado, na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) das Fake News da Câmara dos Deputados.

Segundo Hasselmann, um dos grupos de propagadores de notícias falsas e difamações mais ativos seria o chamado “gabinete do ódio”, integrado pelos assessores especiais da Presidência da República Filipe Martins, Tercio Arnaud, José Matheus e Mateus Diniz. O grupo seria pautado, segundo ela, pelos filhos mais novos do presidente, Eduardo e Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), e pelo “guru” Olavo de Carvalho.


Fonte: Estadão

Ela valsando, só na madrugada, se julgando amada ao som dos bandolins…

                                                                   

O cantor e compositor carioca Oswaldo Viveiros Montenegro conta que fez a música “Bandolins” para a cunhada do amigo Zé Alexandre, na época uma bailarina. A moça tinha um namorado também bailarino, mas o casal teve que se separar devido a um convite ao namorado para morar na França. Por ser menor, a família da bailarina não permitiu que ela também fosse. Oswaldo diz que, na música, tentou retratar a moça dançando sozinha. A música “Bandolins” foi gravada no LP Oswaldo Montenegro, em 1980, pela WEA, logo se transformando em um grande sucesso, alavancando, definitivamente, a carreira do então desconhecido cantor e compositor.

BANDOLINS
Oswaldo Montenegro

Como fosse um par que nessa valsa triste
Se desenvolvesse ao som dos bandolins
E como não e por que não dizer
Que o mundo respirava mais se ela apertava assim
Seu colo e como se não fosse um tempo
Em que já fosse impróprio se dançar assim
Ela teimou e enfrentou o mundo
Se rodopiando ao som dos bandolins

Como fosse um lar, seu corpo a valsa triste iluminava
E a noite caminhava assim
E como um par o vento e a madrugada iluminavam
A fada do meu botequim
Valsando como valsa uma criança
Que entra na roda, a noite tá no fim
Ela valsando só na madrugada
Se julgando amada ao som dos bandolins

P&C – TI