Para militares, ataque ao Congresso dos EUA foi terrível e pode se repetir no Brasil em 2022

Vicente Nunes
Correio Braziliense

Militares de alta patente, de dentro e de fora do governo, consideraram “terrível” o ataque ao Congresso dos Estados Unidos por defensores do presidente Donald Trump. Eles não escondem o temor de fatos semelhantes ocorrerem no Brasil, dado o radicalismo que se vê hoje no país.

Para os fardados, fez muito bem o Congresso norte-americano em ter retomado os trabalho e reconhecido a vitória do democrata Joe Biden, que superou Trump nas urnas e no colégio eleitoral nas eleições realizadas em novembro de 2020. “Foi um sinal muito importante para a democracia daquele país”, disse um general.

SAIRÁ PELOS FUNDOS – No entender dos militares, ao referendar Biden, o Congresso dos EUA mostrou que não compactuará com a violência que chocou o mundo e deixou quatro pessoas mortas. Trump, para os fardados, sairá pelas portas dos fundos. “Simplesmente, Trump ultrapassou todos os limites”, acrescentou um almirante.

Todos reconhecem a forte ligação do presidente Jair Bolsonaro com Trump. E ressaltam o histórico de “balburdia política” no Brasil, a mais recente, em 2013, governo de Dilma Rousseff. Houve uma tentativa de invasão do Congresso, contida a tempo. “Nos EUA, infelizmente, apesar de todos os avisos, o Congresso não preparou sua segurança para conter a invasão”, disse o mesmo almirante.

SOCIEDADE IMATURA – Os militares traçam um paralelo entre as democracias dos Estados Unidos, exemplo para o mundo, e do Brasil, ainda em formação. Portanto, para eles, é sempre importante ficar atento a todos os movimentos, a fim de se evitar atos extremos. “O que temos de ressaltar é que a nossa sociedade é mais jovem e imatura do que a norte-americana”, destaca um integrante da Aeronáutica.

O problema se agrava porque Bolsonaro diz que todos devem se preparar para, em 2022, ver cenas ainda mais violentas do que as registradas nos Estados Unidos caso ele não seja reeleito. Para o presidente, se não houver votos impressos, as fraudes eleitorais estarão consolidadas. E a violência, também.

SEM RADICALISMOS – Na visão dos militares, o debate político é saudável, mas sem radicalismos de direita e de esquerda. “O contraponto e a diversidade de opinião devem existir para que o somatório traga melhor resultado. Nada feito com violência traz resultados construtivos e positivos”, diz o mesmo integrante da Aeronáutica. “A guerra tem de ser de ideias e de propostas, e todas têm de ser aceitas.”

Um dos militares consultados pelo Blog lembra o que disse o general Villas-Bôas, comandante do Exército nos governos Dilma e Temer: “Independentemente do governo, sempre haverá Forças Armadas para defenderem o Brasil”. Mais: isso passa por “legalidade, legitimidade e credibilidade”.

MÚSICA – Ivete Sangalo e Criolo – Um dia de domingo

MÚSICA

Ivete Sangalo e Criolo – Um dia de domingo

Com novas regras do governo, Brasil fecha 2020 com recorde de 180 mil novas armas de fogo registradas

Bolsonaro pensa (?) que armando o cidadão acaba com a violência

Deu o G1 / BBC

Quase 180 mil novas armas de fogo foram registradas na Polícia Federal (PF) em 2020, um recorde influenciado pelas medidas do governo Jair Bolsonaro que facilitaram o acesso a esses itens no país.

Segundo dados obtidos pela BBC News Brasil com a PF, foram registradas 179.771 novas armas no ano passado, um aumento de 91% ante o registrado em 2019 (94.064), ano em que já havia ocorrido uma forte alta (84%). É o maior patamar da série disponibilizada pela instituição, que começa em 2009.

AUMENTO – Com isso, o resultado dos dois primeiros anos do governo Bolsonaro (273.835) representa um aumento de 183% em relação ao total de novos registros de armas de fogo em 2018 e 2017 (96.512). A liberação do acesso a armas de fogo é uma das principais bandeiras do presidente.

Além de mudanças normativas promovidas pelo governo para facilitar o acesso a armas, especialistas em segurança pública consideram que a constante defesa de Bolsonaro e seus filhos a favor de que pessoas comuns se armem explica o crescimento dos novos registros pela PF. É justamente a categoria cidadão que teve o maior número de novas armas registradas na Polícia Federal no ano passado: foram 122.378, o que representa quase 70% do total.

VIOLÊNCIA – Enquanto Bolsonaro defende o acesso a armas de fogo para defesa pessoal, especialistas em segurança pública dizem que mais armas circulando causam aumento da violência e dos homicídios. Entre as mudanças implementadas pelo governo nos últimos dois anos, foi o aumento do limite de armas e munições que pessoas com porte de arma podem adquirir. Além disso, o governo também liberou acesso a armas de maior potencial ofensivo.

“Agora é muito mais fácil para qualquer um ter o registro. Não precisa mais provar efetiva necessidade (de ter a arma). Basta a palavra do cidadão dizendo que tem efetiva necessidade. Ou seja, acabou a restrição que existia antes de a PF fazer uma análise para enxergar se havia uma efetiva necessidade”, afirma o especialista em segurança pública Daniel Cerqueira, presidente do Instituto Jones dos Santos Neves.

“Isso significa que qualquer pessoa que tenha dinheiro para pagar um registro e comprar arma pode ter uma arma. Então foi um liberou geral da arma de fogo que vai contra o Estatuto do Desarmamento”, acrescentou.

“Será preciso mais que um presidente para consertar a imagem dos EUA”, diz Ian Bremmer

Bolsonaro é ineficaz”, diz Ian Bremmer, especialista em prever crises | VEJA

Bremmer, do grupo Eurasia, diz que estrago foi muito grande

Thayz Guimarães
O Globo

Em seu discurso da vitória, em 2008, Barack Obama recorreu à tradição do excepcionalismo americano para enviar uma mensagem ao mundo, reafirmando que “o farol dos EUA” ainda brilhava “com a mesma intensidade” e que “a verdadeira força de nossa nação não emana da capacidade de nossas armas ou do tamanho de nossa riqueza, mas do poder persistente de nossos ideais: democracia, liberdade, oportunidade e inflexível esperança.”

Essa visão de uma democracia americana sólida, porém, parece ter caído por terra na última quarta-feira, quando apoiadores de Donald Trump invadiram o Capitólio, a sede do Congresso, insuflados pelo próprio presidente, numa última tentativa de impedir a certificação da vitória eleitoral do democrata Joe Biden, afirma o cientista político Ian Bremmer, presidente do Grupo Eurasia, a consultoria de riscos geopolíticos.

Em entrevista ao GLOBO, Bremmer afirma que será preciso bem mais que um presidente para consertar a imagem dos EUA, uma vez que “o mundo não sabe mais se a liderança americana e seu modelo de democracia são sustentáveis”. Por outro lado, a falta de outra potência que possa fornecer liderança global, ele diz, torna o ambiente geopolítico ainda mais desafiador.

No relatório de riscos de 2021 publicado pela sua empresa, o número um é a fragilidade do governo Biden, considerado ilegítimo por metade do país e dos legisladores. Esse risco ficou menor depois da invasão do Capitólio por apoiadores de Trump?
Pelo contrário, o risco agora é obviamente maior. Um amigo meu, que é senador democrata, me escreveu na manhã de quinta-feira e disse que seu dia estava sendo insano, desanimador e preocupante. Para o coronavírus, pelo menos, temos vacinas. Não existe vacina para a disfuncionalidade e a divisão política dos EUA, que é o país mais poderoso do mundo. Há muitas pessoas pedindo o impeachment de Trump ou o acionamento da 25ª Emenda. Mas não acho que ele vá ser condenado no Senado [controlados ainda pelos republicanos, até a posse dos dois senadores democratas eleitos em segundo turno pelo Geórgia], porque depois de tudo o que aconteceu, mais de cem membros do Partido Republicano ainda votaram para derrubar a eleição. Isso é loucura.

Biden, que foi senador por 35 anos, com frequência é lembrado como um grande articulador no Congresso. Isso não seria um ponto a favor de seu governo?
Biden vai ter que lidar com isso, mas ele é o presidente mais velho já eleito nos EUA e vai assumir o governo em meio a uma grande crise e a uma onda de desinformação maciça. As pessoas ficarão de olho em qualquer deslize dele, e a reação popular tende a ser desproporcional. Enquanto isso, o mundo todo olha para os EUA e não sabe se pode realmente confiar neles, se a liderança americana ou mesmo seu modelo de democracia são sustentáveis. Se isso acontecesse em um país como a Turquia, talvez não nos importássemos tanto, mas, como são os EUA, todos nós nos importamos muito.

Os EUA vão se unir depois do que aconteceu na quarta-feira?
Não, não e não. Metade do país ainda acha que a eleição foi roubada. Dependendo de qual canal de notícias você assiste, quais pessoas você segue nas redes e em quem você vota, sua visão de mundo é completamente diferente. Não existe mais um mecanismo de união do país. É preciso entender o quanto nossas instituições políticas se desgastaram ao longo das últimas décadas. A união nacional que existiu após o 11 de Setembro e Pearl Harbor, que foram os piores desastres para os EUA, não existe mais. Muitos republicanos discursaram [na noite de quarta-feira] como se nada tivesse acontecido, condenando a violência, mas não Trump. Esse momento não é um ponto de inflexão para os EUA, e sim um grande obstáculo na estrada — onde ainda estamos dirigindo nosso carro.

Em que medida a reputação internacional dos EUA foi afetada?
A reputação internacional dos EUA sofreu um dano enorme. Em 1989, o mundo todo viu que os EUA tinham um modelo de governança eficaz e, inclusive no bloco soviético, as pessoas passaram a querer um sistema igual, por isso se revoltaram e derrubaram o muro. Hoje, ninguém olharia para os EUA e diria: “Quero que meu país funcione assim”. Você pode até querer viajar para os EUA, que seus filhos estudem aqui, comprar uma casa ou trabalhar nos EUA, mas não gostaria que o sistema político de seu país funcionasse como o dos EUA. Os próprios americanos, cada vez mais, não acreditam que sua democracia funcione para eles.

E as relações com potências não-aliadas?
Se você é a China ou a Rússia, por exemplo, você vê esse momento como uma oportunidade de argumentar pela equivalência moral dos sistemas. Você poderia dizer para os EUA: “Vocês não podem nos dar um sermão sobre direitos humanos” ou “Olhe para você, você não pode nos dizer como fazer uma eleição”, e isso é lamentável. Mesmo os aliados americanos não têm mais tanta certeza se os EUA estão realmente comprometidos com as causas que dizem estar. E isso também é um problema, porque não há ninguém que possa responder se os EUA não fornecerem liderança global. Os EUA ainda são o país mais poderoso do mundo.

Que impactos isso terá na política internacional do governo Biden?
Biden vai se engajar novamente com a OMS, com o Acordo de Paris para o clima, o acordo nuclear iraniano, todas essas coisas. E as pessoas querem isso. Os aliados americanos ficarão mais confortáveis com Biden do que estavam com Trump. Mas isso é muito diferente de dizer que tudo vai voltar a ser como era antes. Essa erosão aconteceu ao longo de décadas, e vai ser preciso mais que um presidente para superá-la, especialmente porque os problemas subjacentes são muito significativos.

A que “problemas subjacentes” o senhor se refere?
Os americanos não estão acostumados com o verdadeiro multilateralismo. Estamos acostumados a sentar com nossos aliados e dizer: “Aqui está o que queremos fazer. Espero que você o siga”. Biden terá que adotar uma abordagem muito mais humilde, se comprometer muito mais para conseguir que os países façam o que ele quiser. Não será uma tarefa fácil, embora seja útil o fato de que ele terá uma maioria no Senado, com 50% dos senadores e o voto de desempate.

Essa então seria uma grande oportunidade para Pequim virar o jogo contra Washington?
Os EUA ainda são, de longe, o país mais poderoso do mundo. Mas, para fazer com que os países trabalhem com você quando a ordem geopolítica está se fragmentando e as instituições estão cada vez menos alinhadas às suas prioridades, você precisa ser capaz de persuadir os países a se juntarem a você. O problema é que o poder brando dos EUA está desgastado, mesmo com a persistência do hard power, e também os seus aliados estão mais fragmentados. O Reino Unido deixou UE, então a Europa está mais dividida, enquanto a China está ficando mais forte e a Rússia mais fraca. O ambiente geopolítico também é mais desafiador.

MÚSICA – Margriet Eshuijs – Self Pity

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Margriet Eshuijs – Self Pity

Opositores ao PSB, Raquel Lyra e Túlio Gadêlha se reúnem e buscam parcerias

Divulgação
A prefeita Raquel Lyra recebeu em seu gabinete, na manhã desta sexta-feira (8), o deputado federal Túlio Gadelha. As lideranças políticas buscaram firmar parcerias para ajudar o município do Agreste.

De acordo com Gadelha, serão destinados para Caruaru emendas participativas, totalizando oito projetos nas mais diversas áreas, como saúde, meio ambiente, educação e mobilidade.

“São ações como essas que vão fortalecer o nosso trabalho pelos próximos anos. Juntos vamos trabalhar para desenvolver projetos importantes para a população e a cidade”, ressaltou a prefeita.

Projeto criminaliza decretos de isolamento social dos prefeitos e governadores

O Projeto de Lei 2917/20 impede prefeitos e governadores de determinarem, durante estado de calamidade pública, medidas que interfiram em direitos fundamentais, como a livre locomoção. A proposta tramita na Câmara dos Deputados e altera a Lei do Impeachment.
Segundo o texto, a conduta será considerada crime de responsabilidade contra o livre exercício dos direitos políticos, individuais e sociais.

Autores do projeto, os deputados Guilherme Derrite (PP-SP) e  Major Fabiana (PSL-RJ) entendem que alguns direitos fundamentais previstos na Constituição Federal só podem ser relativizados por Estado de Sítio ou Estado de Defesa, e os demais direitos em hipótese alguma.

“Essa flexibilização de direitos fundamentais, sem qualquer parâmetro técnico e razoável, está ocorrendo por meio de decretos de governadores e prefeitos, muitos deles sem respaldo das Assembleias Legislativas”, diz a justificativa.

“Em nome de medidas sanitárias, as autoridades administrativas revestem-se de uma falsa legitimidade, e reverberam atos arbitrários, sem qualquer demonstração de estudos científico que lhes deem respaldo”, conclui.

Distanciamento social
Dede o início da pandemia de Covid-19 no País, diversas cidades brasileiras, seguindo orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS), adotaram medidas para conter a disseminação do novo coronavírus.

Entre essas medidas estão o distanciamento social, que consiste incentivar uma distância mínima entre as pessoas; o isolamento social, que é o estímulo ao confinamento em casa; e, em casos extremos, o isolamento total, quando as pessoas são proibidas de sair de casa — exceto para ir a supermercados, farmácias ou buscar atendimento médico.

Tramitação
A proposta será analisada pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania e pelo Plenário.

Ministério da Saúde anuncia que distribuirá vacina do Butantan a todos os estados

Ampola da vacina contra o coronavírus que está sendo desenvolvida pelo instituto Butantan
Ampola da vacina contra o coronavírus que está sendo desenvolvida pelo instituto Butantan – Foto: Imagem: Pedro Ladeira/Folhapress
O Ministério da Saúde informou nesta sábado (9) que fechou acordo com o Instituto Butantan, de São Paulo, para distribuir com exclusividade as vacinas contra o novo coronavírus pelo SUS (Sistema Único de Saúde) para todos os estados, simultaneamente.

Na sexta-feira, o Butantan fez pedido à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para aplicar doses da Coronavac, desenvolvida em parceria com o laboratório chinês Sinovac. A previsão é de que a Anvisa se manifeste sobre o pedido em até 10 dias.

“Assim, brasileiros de todo o país receberão a vacina simultaneamente, dentro da logística integrada e tripartite, feita pelo Ministério da Saúde e as Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde”, informou em nota, o Ministério da Saúde.

Na nota, o ministério informou ainda que já havia assinado junto ao Butantan contrato para a aquisição de 46 milhões de doses da Coronavac fabricada pelo instituto.

O ministério informou que as doses serão distribuídas proporcionalmente à população de estados, que farão a distribuição entre os municípios.

A pasta da Saúde informou que nos próximos dias deve acontecer uma reunião entre o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, e representantes de Conass (Conselhos Nacionais de Secretários Estaduais) e Conasems (Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde) para detalhamento dos próximos passos da logística e calendário da campanha.

Participaram do encontro ontem, em São Paulo, os assessores especiais do Ministério da Saúde, Zoser Hardmann e Aírton Cascavel; a coordenadora do PNI (Programa Nacional de Imunizações), Francieli Fantinato; o superintendente de São Paulo do Ministério da Saúde,

José Carlos Paludeto; além do presidente e da diretora do Instituto Butantan, Dimas Covas e Cíntia Retz, respectivamente. O coordenador do Fórum Nacional de Governadores, Wellington Dias (PT-Piauí) também participou do encontro por videoconferência.

Fim das coligações partidárias desafia eleição para deputado federal em 2022

A eleição de 2020 acabou há menos de dois meses, mas as estratégias eleitorais visando 2022 já começam a entrar no radar. As eleições gerais do ano que vem serão as primeiras sem as coligações, entretanto, na Câmara dos Deputados, há a intenção de mudanças do sistema. Nas regras vigentes, levando em conta o cenário de 2018, seriam necessários 170 mil votos para um partido fazer o primeiro deputado federal, algo que dificultaria a vida dos partidos e, possivelmente, geraria a necessidade de uma quantidade massiva de candidatos. Diante disso, há dentro do parlamento, visões distintas sobre o modelo atual e se ele deve, ou não, seguir para 2022.

O deputado Daniel Coelho (Cidadania) frisa que o fim das coligações “representa os desejos da população” e afirma que os partidos vão trabalhar suas estratégias, buscar formar suas chapas e atrair filiados. Porém, enxerga a necessidade de uma mudança no cenário atual. “Ainda há um debate em aberto sobre outras formas de eleição, acho que o Congresso deveria se debruçar em uma reforma política. Sou defensor do sistema distrital misto, por ser adotado nas maioria das democracias consolidadas do planeta”, avalia Daniel, destacando que “não podemos desistir de uma reforma eleitoral mais profunda”. O sistema defendido por ele combina voto proporcional e majoritário, com o eleitor tendo dois votos: um no candidato do distrito (os mais votados seriam eleitos) e em na legenda.

Para Silvio Costa Filho (Republicanos) o sistema atual vai ser revertido para 2022. “Sou defensor da verdade eleitoral. O correto é ganhar quem tiver mais votos. Defendo que o voto distrital passe a valer em 2022 e vou trabalhar no Congresso para que isso avance. Com certeza o Congresso, em 2021, vai fazer uma minirreforma eleitoral. Acho que o modelo da verdade eleitoral fortalece mais a democracia”, afirma Silvio. Ele enfatiza que, no cenário atual, os candidatos vão aos partidos nos quais será mais fácil se eleger. “Não vão aos partidos onde ele defende o programa de governo e o conteúdo programático. Na hora que ficarem as mesmas regras, ele vai pro partido que mais se assemelha com o que defende”, acrescenta.

O deputado Carlos Veras (PT) entende que não há “perspectiva de mudança” e relembra que o PT, em 2018, já saiu sozinho, em Pernambuco, na corrida pelo parlamento. Ele refuta a tese de que a verdade eleitoral, ou seja, o voto distrital, é uma forma mais justa de eleição. “É onde os mais ricos são votados, há concentração de votação. Se for assim, não há necessidade da existência de partidos, isso acaba com os partidos. Claro que há muitos partidos e devemos discutir uma reforma ampla, mas a verdade eleitoral não tem nada de verdade eleitoral, daria vantagem para quem for financiado pelo capital privado”, sublinha o petista, afirmando ainda que essa modalidade “nega a política”.

Por outro lado, uma mudança é dada como certa pelo deputado Fernando Rodolfo (PL). “Eu nem cogito a permanência da regra atual”, enfatiza. O parlamentar diz que o clima no Congresso, hoje, é de mudança das regras eleitorais que vigoraram na eleição municipal de 2020. “AHá uma possibilidade real também é ter o sistema do distritão, onde são eleitos os mais votados, com possibilidade de, a partir de 2026, partir para o distrital misto. Se isso não prosperar, em último caso, deve voltar a permissão para as coligações”, garante.

Permanência

Em um cenário de manutenção do sistema atual, a cientista política e professora da Faculdade de Facho, Priscila Lapa, crê que os partidos que contam com “uma única liderança”, podem precisar repensar suas estratégias. “Não sei se vai prevalecer no âmbito nacional a estratégia de múltiplas candidaturas majoritárias, por exemplo, como vimos nas eleições municipais para dar visibilidade a novos nomes e favorecer a chapa proporcional do partido”, pontua.

Ela aposta que uma das estratégias será a de realizar grandes campanhas de filiação para atrair “novos nomes para fortalecer os partidos eleitoralmente, mas que não sejam exatamente uma ameaça às lideranças tradicionais”. “Creio que podem ocorrer grandes articulações nacionais para que os partidos ganhem visibilidade e estrutura para atrair votos e atingir o quociente eleitoral”, aposta.

MÚSICA – Fernanda Takai – I Don’t Want To Talk About It

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Fernanda Takai – I Don’t Want To Talk About It