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No país tropical

 

  por Leila Cordeiro

 

No mínimo intrigante o modo como o sucesso é medido no Brasil. Pelas pernas que calçam chuteiras e ganham milhões, pela voz de cantores que fazem da música o objeto da conquista e pela pouca ou nenhuma roupa das mulheres que buscam o sucesso com o “talento” que Deus lhes deu.

O que mais se vê nas manchetes dos principais sites da intenet é o seguinte: o jogador que usa as pernas para driblar até o vento, mas ao mesmo tempo as usa para conquistar mulheres; o cantor que coleciona namoradas e que usa trinados românticos em todos os sentidos e a mulherada sarada, de músculos definidos e conceitos indefinidos, usada à exaustão, cada vez mais disponível e pronta para sair bem na foto de qualquer revista masculina. Sabe-se lá a que custo!

Que pena, não? Quanto talento desperdiçado, quanta bola mal jogada e quanta voz adulterada pelas técnicas avançadas do som de gravação. Quanta gente que se vende por tão pouco e depois não consegue colher o que plantou, já que a semente foi tão superficial.

Quem sabe atrás daquelas mulheres que se dedicam apenas à malhação não estariam profissionais talentosas com profissões que poderiam estar ajudando nosso Brasil a crescer e conquistar cada vez mais sucesso no exterior? Falta incentivo ao estudo e à educação e sobra facilidade na indústria do entretenimento, sempre em busca do que pode explorar com mais facilidade. É assim no Brasil conhecido no exterior como “paraíso do turismo sexual”.

Não pense o leitor que estamos aqui para pregar moralidade, não tenho pretensões de querer ditar regras sobre o que deve ou não ser feito por alguém que busca ascender ao estrelato. Mas também não custa chamar a atenção para o que acontece no chamado mundo do “entretenimento”, onde quem tem valor é aquele ou aquela que está sempre disponível para o que der e vier, sejam do futebol, da música, dos programas de reality show.

A internet, com suas colunas e sites “especializados” criou esse mundo artificial onde se dá valor aos mais disponíveis e mais envolvidos em escândalos e traições. Profissionais sérios são esquecidos por essa mídia sanguessuga que parte do princípio do “quanto mais baixo o nível, melhor”.

Será esse o Brasil real, a potência emergente que encanta os gringos? O país exótico de mulheres de corpos esculturais que frequentam as praias do balneário de luxo. Não, nada disso. Temos um país exótico sim, concordo. Mas feito de pessoas bonitas, inteligentes e com outras preocupações que não sejam as daquelas que frequentam as colunas de “celebridades” o ano todo e os camarotes de cervejaria nos desfiles de escolas de samba.

São essas que merecem a nossa força e o nosso respeito para que continuemos a ser um país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza.

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