Informação de relevância aos governantes: jornalismo não é obra de ficção

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O presidente Bolsonaro faz questão de ser hostil aos jornalistas

Pedro do Coutto

O título deste artigo está inspirado numa obra de Carlos Heitor Cony. As edições de ontem de O Globo, Folha de São Paulo e O Estado de São Paulo destacaram os novos atos de hostilidade de parte do governo Bolsonaro para com os jornalistas e a imprensa em geral. A experiência profissional, no meu caso, leva a que se coloque um detalhe essencial. O jornalismo não é uma obra de ficção, ele parte dos fatos que se sucedem incessantemente todos os dias e transportam os temas que abordam a opinião pública. Deixa-se a ficção para James Joyce, Marcel Proust, Nelson Rodrigues e, como não podia deixar de ser, para Shakespeare.

Em nosso país, nesses primeiros quase 100 dias de governo verifica-se claramente um duelo entre o Palácio do Planalto e os jornalistas que cobrem o movimento trepidante da política.

SEM FAKE NEWS – Nenhum jornalista, nesse período pode ser acusado da prática da imaginação para abalar o Palácio do Planalto. Não foram os jornalistas os autores de postagens na Internet de fatos que rebaixaram o nível que cabe ao poder assegurar. O Palácio do Planalto é que parece decidido a transferir equívocos de seus integrantes, creditando-os à imprensa.

Acontece que os fatos estão se desenrolando em torno do poder foram gerados a partir de Brasília. Não foi o jornalismo quem demitiu Bebiano. Não foram os jornais e revistas que criaram a confusão entre Vélez Rodrigues e Olavo de Carvalho. Diga-se de passagem que foi o próprio Olavo de Carvalho quem afirmou ter indicado os ministros das Relações Exteriores e da Educação.

EXONERAÇÕES – Agora, por exemplo, os jornais de ontem ressaltaram a decisão tomada pelo Ministro da Educação em decorrência do debate que o envolveu com o filósofo que indicou titulares de duas pastas do governo Bolsonaro. O desentendimento ganhou características de humor quando Vélez Rodrigues anunciou que resolveu exonerar seis ocupantes de cargos comissionados do MEC. Adotou uma fórmula de comédia: exonerou três adeptos da filosofia de Olavo de Carvalho e, para compensar, fez o mesmo com técnicos que discordam das opiniões do mesmo Olavo de Carvalho. Quer dizer: não importou a competência dos afastados e deixou claro que quem exonera assim, dessa forma, não levou em conta a capacidade dos seis que estão deixando a Esplanada de Brasília.

O ato atrás do fato desloca o pensamento para um sentido de desordem e de improvisação, a partir do duelo a florete e dos muitos casos no qual se envolve o pensador que decidiu morar nos Estados Unidos.

DIZ JOICE – Ontem Ângela Boldrini e Tiago Resende publicaram na Folha de São Paulo entrevista da deputada Joice Hasselmann, líder do governo na Câmara. No texto, a deputada do PSL paulista sustenta que chegará a hora de baixar o tom nas redes sociais.

Ela fez questão de ressaltar que estava se referindo a atuação do presidente Jair Bolsonaro no Twitter.

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