L I T E R A T U R A – BOÊMIO – Gilberto Freyre

L I T E R A T U R A

O sociólogo, antropólogo, historiador, pintor, escritor e poeta pernambucano Gilberto de Mello Freyre (1900-1987) perguntou a si mesmo: quem sabe se na madrugada do Recife “Boêmio” não encontrarei a mulher que sempre quis?
Resultado de imagem para L I T E R A T U R A - BOÃ?MIO - Gilberto Freyre
BOÊMIO
Gilberto Freyre

Boêmio e até byroniano:
sair liricamente ruas afora,
ir pela beira do cais do Capibaribe
ora recitando baixinho versos à Vovó Lua
ou à Dona Lua, ora assobiando
altos trechos da Viúva Alegre ouvida cantar
por italiana opulentamente gorda no Santa Isabel
e sempre gozando o silêncio da meia-noite recifense, o ar
bom da madrugada que
dá ao Recife o seu melhor encanto.

Quem sabe se não encontrará alguma mulher bonita?
Alguma pálida iaiá de cabelos e desejos soltos?
Ou mesmo alguma moura –
encantada
na figura de uma encantadora
mulata
de rosa ou flor cheirosa no cabelo?    

Deixe uma resposta