LETRAS NO CAMINHO

É POR AÍ

“A arte é muitas coisas. Uma das coisas que a arte é, parece, é uma transformação simbólica do mundo. Quer dizer: o artista cria um outro mundo – mais bonito ou mais intenso ou mais significativo ou mais ordenado – por cima da realidade imediata. Isso faz Picasso, isso Rousseau. Isso faz Volpi, isso faz José Antônio da Silva. Naturalmente, esse outro mundo que o artista cria ou inventa nasce de sua cultura, de sua experiência de vida, das ideias que ele tem na cabeça, enfim de sua visão de mundo…” (Ferreira Gullar – poeta)
VAMOS QUE VAMOS

“– A vida, senhor Visconde, é um pisca-pisca. A gente nasce, isto é, começa a piscar. Quem pára de piscar chegou ao fim, morreu. Piscar é abrir e fechar os olhos – viver é isso. É um dorme e acorda, dorme e acorda, até que dorme e não acorda mais […] A vida das gentes neste mundo, senhor Sabugo, é isso. Um rosário de piscados. Cada pisco é um dia. Pisca e mama, pisca e brinca, pisca e estuda, pisca e ama, pisca e cria filhos, pisca e geme os reumatismos, e por fim pisca pela última vez e morre. – E depois que morre?, perguntou o Visconde. – Depois que morre, vira hipótese. É ou não é?” (Monteiro Lobato – escritor)

PRÊMIO PERNAMBUCO DE LITERATURA DIVULGA VENCEDORES

 
 
Foram anunciados nesta quarta-feira (08) os vencedores do I Prêmio Pernambuco de Literatura, promovido pela Secretaria de Cultura de Pernambuco, a Fundarpe e a Companhia Editora de Pernambuco (Cepe). Ao todo, o concurso recebeu 192 inscrições de 35 cidades pernambucanas.
O vencedor do prêmio de R$ 20 mil foi o petrolinense Bruno Guimarães Liberal, com o livro de contos “Olho morto amarelo”. Os dois ganhadores da Região Metropolitana do Recife foram Delmo Montenegro, com o livro de poemas “Recife, no hay”, e Fernando Monteiro, com o romance “O livro de Corintha”, ambos do Recife; José Walter Moreira dos Santos, de Vitória de Santo Antão (Zona da mata), com o livro de contos “O metal de que somos feitos” e Jeilson José Ferreira da Silva, de Passira (Agreste), com o livro de poemas “Discursos e anatomias”.
Fonte: jconline.ne10.uol.com.br

 

 

IHJ ORGANIZA A 2ª EDIÇÃO DA REVISTA LITERÁRIA

 

 

O Instituto Histórico de Jaboatão (IHJ) anuncia para breve o lançamento da 2ª edição da sua Revista Literária em comemoração aos 40 anos de fundação do IHJ. A coordenação editorial é composta por Ivaldo Montarroios, José Luiz Melo e Natanael Lima Jr.

 

 

 

 

APL DIVULGA AGENDA CULTURAL DO MÊS DE MAIO/2013

 

 

Dia: Terça-Feira (14)

 

Hora: 15h

 

Evento: Oficina Literária com o escritor e Acadêmico Raimundo CarreroDia: Quinta-Feira (16)Hora: 15h

 

Evento: Grupo de Estudos Clarice Lispector

 

Dia: Terça-Feira (21)

 

Hora: 15h

 

Evento: Oficina Literária com o escritor e Acadêmico Raimundo Carrero

 

Hora: 16h

 

Evento: Projeto “Em Tom de Conversa” – Acadêmico Abdias Moura

 

Dia: Segunda-Feira (27)

 

Hora: 16h

 

Evento: Reunião Ordinária – Palestra do Acadêmico Antônio Campos sobre o escritor peruano Mario Vargas Llosa

 

Dia: Terça-Feira (28)

 

Hora: 15h

 

Evento: Oficina Literária com o escritor e Acadêmico Raimundo Carrero

 

Hora: 16h

 

Evento: Projeto “Poetas Pernambucanos” – Ascenso Ferreira

 

CÃMARA BRASILEIRA DO LIVRO (CBL) REALIZA O 4º CONGRESSO INTERNACIONAL DO LIVRO DIGITAl
DIAS 13 E 14 DE JUNHO DE 2013 – FECOMERCIO – SP

 

 

 

 

Com o tema “Livro além do Livro”, o 4º Congresso Internacional CBL do Livro Digital será realizado nos dias 13 e 14 de junho de 2013. O local será no espaço da Fecomercio Eventos, na capital paulista.

 

Entre os assuntos que serão abordados, estão: comercialização, pirataria, bibliotecas, soluções para didáticos e acadêmicos, revisores o que muda?, social commerce. As novidades para esta edição ficam por conta da transmissão ao vivo, possibilitando a participação maciça de congressistas em diferentes estados brasileiros e países. Além disso, a Escola do Livro realizará minicursos e oficinas paralelas com a temática do congresso.

 

Mais informações acessem o site: www.congressodolivrodigital.com.br
Sobre o último dia
Lula Côrtes
(09/05/1949 – 26/03/2011
Foto: Adriano Sobral
As águas paradas
não movem nada
marés viciadas são negras
Tão cheias de morte
de ossos, de trastes
de porcos refrescando as tetas
Parece que a calma que emana
o espelho intocado
onde o céu se espelha
é tão inflamável, tão inevitável
ver tudo explodir com
uma simples centelha
“O apartamento mergulhou no silêncio para sempre”
Candeias, Jan/2000
Inumeráveis as noites
Natanael Lima Jr
Imagem: Reprodução









da janela do quarto
vejo a noite transfigurar-se bela
sutilmente bela
única, tímida, frágil
refletindo-se negra
alma, canção, poesia
inumeráveis as noites!
o universo se move
e as estrelas parecem imóveis
renegadas, esquecidas, abandonadas
nas madrugadas do teu corpo
inumeráveis as noites!
quis possuí-las
e as vislumbrei despidas
reveladas de corpo e alma
translúcidas vidas
inumeráveis as noites!
(In À espera do último girassol e outros poemas, 2011, p. 49)
A felicidade
Frederico Spencer
Imagem: Reprodução









Mesmo que o dia te moa
e na noite não encontres
no teu lençol, as estrelas
no céu te esperam
para se completar
e formar essa constelação
quando chegas, inundando
de luz o nosso dia
tomadores de luz e ópio
retornaremos sempre à noite
em busca das estrelas
que trazes entre os dentes.
Só, não esqueça que na noite
soltamos nossos bichos
em busca da felicidade.
*Do livro Código de Barras, ainda inédito
Um momento
Douglas Menezes*
 

Imagem: Reprodução












Eu não queria ver só de relance
uma lua cheia digitada
um sol net que a gente fabrica.
Eu não queria dedos nervosos
mas mentes tranquilas
fabricando sons e luzes.
Eu não queria me ver assim
frente a um brilho que me ofusca os olhos
e buscando crianças perdidas,
nunca achadas.
Mundo que se vê e ouve
mas não se pega, não se cheira, não se sente.
Mundo de amigos de superfície
de imagens maquiadas
e piadas sem graça.
O que quero, enfim
é a graça do bêbado na feira
é a molhada terra da chuva.
O que quero, enfim
é o sol quente da praia que não vejo mais
ou uma lua natural de namorados
e astronautas.
Quero sim, me livrar da mentirosa luz
que me afasta da vida
e cega esses olhos cansados de olhar
o que não querem.

*Douglas Menezes é escritor e membro da Academia Cabense de Letras

Desmunde
Ivan Marinho*
Imagem: Reprodução












Como é tolo acreditar nas palavras!
Como é tolo acreditar!
A vida é beijo, é esquiva
depois do almoço, o jantar.
Quem reza o terço da vida
não conta a mesma conta
e se o faz cativa
do mundo, sequência pronta.
Trinca de ás, sonho besta
quando o garçom traz a nota
da conta.
*Ivan Marinho é poeta e membro da Academia Cabense de Letras
“Eu sei, mas não devia” de Marina ColasantI

Imagem: Reprodução

Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.

A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E porque à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.
A gente se acostuma a acordar de manhã, sobressaltado porque está na hora.
A tomar café correndo porque está atrasado. A ler jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíches porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.
A gente se acostuma a abrir a janela e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números da longa duração
A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto
A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que paga. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagará mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com o que pagar nas filas em que se cobra.
A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes, a abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema, a engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.
A gente se acostuma à poluição. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às besteiras das músicas, às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À luta. À lenta morte dos rios. E se acostuma a não ouvir passarinhos, a não colher frutas do pé, a não ter sequer uma planta.
A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente só molha os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer, a gente vai dormir cedo e ainda satisfeito porque tem sono atrasado.
A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele.  Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito.
A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.
(In Eu sei, mas não devia, Editora Rocco – Rio de Janeiro, 1996, pág. 09.) *Marina Colasanti é escritora e jornalista. Em 2010, recebeu o Prêmio Jabuti pelo livro “Passageira em Trânsito”.

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