A crise das pesquisas eleitorais com erros ou interesses ocultos nas eleições de 2024. Por Flávio Chaves

Por Flávio Chaves – Jornalista, poeta, escritor e membro da Academia Pernambucana de Letras. Foi Delegado Federal/Minc

Os institutos de pesquisa, historicamente, se propõem a oferecer previsões confiáveis sobre intenções de voto, medindo o pulso da população e sinalizando tendências políticas. Entretanto, este ano, a precisão dessas previsões foi amplamente questionada, com erros significativos em 99% dos resultados, segundo apontam diversas análises. A frequência e a amplitude dessas falhas indicam que algo na metodologia ou na execução pode estar comprometido.

Primeiro, há a questão da metodologia. Pesquisas de opinião dependem de técnicas estatísticas rigorosas, amostras representativas e modelos que captem as nuances regionais, socioeconômicas e culturais dos eleitores. No entanto, alguns especialistas apontam que mudanças recentes no comportamento do eleitorado e na dinâmica social, como o impacto das redes sociais, têm desafiado esses modelos tradicionais, tornando-os menos precisos.

Outro aspecto controverso é a imparcialidade dos membros envolvidos na execução e análise dos dados. Em um cenário polarizado, alguns institutos poderiam, inadvertidamente ou intencionalmente, deixar que suas próprias visões políticas interfiram nos resultados apresentados. Essa possibilidade coloca em xeque a integridade de parte do setor, gerando desconfiança no público. O debate se intensifica com os vultosos valores que circulam nesses contratos de pesquisa, suscitando especulações sobre a pressão que determinados grupos podem exercer para garantir resultados que favoreçam suas causas.

Por fim, há os interesses econômicos e a influência política. Em um ambiente onde pesquisas têm um peso estratégico nas campanhas eleitorais, é possível que alguns resultados atendam mais aos interesses de certos grupos do que à realidade dos eleitores. Esse efeito pernicioso distorce a percepção pública, favorecendo uma narrativa política conveniente para quem está por trás das pesquisas.

Essas falhas frequentes e graves nos resultados sugerem que, em vez de refletores da vontade popular, algumas pesquisas podem ter se tornado ferramentas de manipulação, impulsionadas pelo desejo de influenciar os rumos políticos. Em um cenário onde as “baforadas espumosas de raiva delirante” se espalham pelas redes e pela mídia, a credibilidade de parte desses institutos é colocada em xeque.

Resta à sociedade questionar e buscar mais transparência nos métodos e motivações desses institutos para que as pesquisas voltem a servir como instrumentos democráticos e não como peças de um jogo político orquestrado.

AO MESTRE COM CARINHO. Por CLAUDEMIR GOMES

Por CLAUDEMIR GOMES

O título acima – Ao mestre com carinho – é de um filme lançado em 1967, com a assinatura do diretor, James Clavell, tendo como protagonista o extraordinário Sidney Poitier.  Mais que um simples título de filme, sempre interpretei a “chamada” como uma advertência ao que sempre deveria acontecer: oferecermos carinho e gentileza aos nossos mestres como forma de gratidão.

Hoje, dia 10 de novembro, estamos comemorando o aniversário do jornalista Lenivaldo Aragão, que faço questão de lhe tratar carinhosamente de mestre Leni. Reconheço que as vezes ele fica encabulado, e para disfarçar, brinca repetindo uma frase que carrega pronta: “Minha parte dos elogios quero em dinheiro”.

Costumo dizer que fui um privilegiado. Quando cheguei para me incorporar a equipe de esportes do Diário de Pernambuco, em 1975, o editor era o jornalista Adonias de Moura, um dos maiores cronistas esportivos do País. No seu time, só craques: Lenivaldo Aragão, Silvio Oliveira, Júlio José, Valdi Coutinho, Amaury Veloso e Robson Sampaio.

Adonias se comportava como se fosse o paizão de todos eles. Ninguém se atrevia a dizer nada sobre os “meninos de Adonias”. O velho Bubu nos dava essa segurança. Mas eu cheguei justamente para ocupar a vaga daquele que escalei como meu grande mestre: Lenivaldo Aragão. Leni estava se transferindo para a revista Placar.

A mudança de endereço em nada alterou a empatia existente entre nós. Digamos que impossibilitou uns encontros na Portuguesa, no Piquenique, no Dom Pedro ou no Savoy, mesmo assim tomamos bons tragos pela vida afora. Quando ele começava a cantarolar os frevos de Capiba, Nelson Ferreira, Antônio Maria, o Hino do Cisne Branco, e tantos outros, sabíamos que a alegria do mestre estava em alta.

Tive o prazer de participar de uma homenagem que o comandante do Navio Escola Cisne Branco fez pra ele, uma recepção informal, mas de um significado tamanho para quem, na juventude, sonhou em ser marinheiro e conhecer o mundo através dos mares. Um momento de emoção para Lenivaldo durante uma das edições da Refeno, em Fernando de Noronha.

O mestre Leni, sem dizer nada, apenas como referência, me ensinou a pôr vários pontos nos Is. Me deu a oportunidade de escreve para a Revista Placar, me chamou para ser sócio e lançar o semanário Tablóide; me convidou para escrever na revista Campeão…

Gratidão sempre mestre Leni!

Todas as louvações que forem feitas a você são justas e merecidas. És um ponto fora da curva. Nossa lenda, nossa enciclopédia, sabes mais que o google. Isso eu garanto.

Eita! Se os elogios forem transformados em dinheiro valerão uma grana. Risos!

Abraço fraterno neste dia tão especial para os seus amigos.

De uma coisa você pode ter certeza: você será sempre minha referência maior como cronista esportivo.

Um brinde ao maestro do Cisne Branco!

A origem do sonho de liberdade no Brasil com o primeiro grito pela república em Olinda. Por Flávio Chaves

Esta  ilustração tenta capturar a atmosfera histórica de Olinda no início do século XVIII.

 Por Flávio Chaves – Jornalista, poeta, escritor e membro da Academia Pernambucana de Letras. Foi Delegado Federal/Minc

Em 10 de novembro de 1710, uma voz ecoou pelas ruas de Olinda e plantou a semente de um sonho que viria a crescer ao longo dos séculos: a busca pela liberdade e pela autonomia nacional. Esse grito – conhecido como o Primeiro Grito pela República no Brasil – foi dado por Bernardo Vieira de Melo, um homem visionário que, em meio ao contexto colonial, ousou sonhar com uma pátria livre do domínio de Portugal. Em Olinda, surgiu o primeiro passo para o movimento republicano, e sua importância reverbera até os dias de hoje.

No Hino de Pernambuco, há um trecho que eterniza a ligação entre Olinda e a República: “A República é filha de Olinda”. Esta frase poderosa não é apenas uma celebração da cidade, mas também uma recordação do espírito audacioso que a cidade representa. No início do século XVIII, Olinda era um centro de grande efervescência cultural e intelectual, lugar de pioneirismos e marcos históricos que desenhavam uma identidade única para a região e para o Brasil nascente.

Olinda é, sem dúvida, uma cidade de muitos primeiros. O espírito inovador e o desejo pelo progresso a tornaram palco de grandes realizações que marcaram o Brasil. Foi ali que surgiram as primeiras publicações literárias, as primeiras bibliotecas públicas, o primeiro teatro, o primeiro hospital, a primeira escola de agronomia, e um dos primeiros cursos de Direito do Brasil, que dividiria a primazia com São Paulo.

Cada uma dessas instituições refletia um desejo de avançar, de educar, de formar pessoas que poderiam transformar a realidade de sua época. Mais do que edifícios e estruturas físicas, essas conquistas foram o reflexo de uma comunidade inquieta, que não se contentava com a subordinação e ansiava por autonomia e liberdade. Olinda, com suas ladeiras e suas igrejas barrocas, tornou-se então símbolo da resistência e do desejo por independência.

Bernardo Vieira de Melo, advogado e proprietário, era conhecido por seu espírito indomável e seu posicionamento audacioso em prol da liberdade. Em 1710, quando lançou o grito pela República, Bernardo não apenas se posicionava contra os abusos e o jugo colonial, mas também questionava o modelo de governo que a Coroa Portuguesa impunha sobre a colônia. Ele sonhava com uma forma de governo em que o poder fosse descentralizado, onde a voz do povo fosse ouvida, e onde as decisões fossem tomadas em prol do bem comum.

Embora seu gesto pudesse parecer isolado para a época, ele antecipou o que seria, mais de um século depois, a grande luta pela independência e, finalmente, pela proclamação da República em 1889. Bernardo Vieira de Melo é um precursor, um visionário que se arriscou ao desafiar o império, inspirando futuros movimentos republicanos e se consolidando como um ícone na busca pela soberania e justiça.

Olinda permanece eternamente em nossos corações como a cidade onde a liberdade começou a ser sonhada. Suas ruas, igrejas, e casarões testemunharam momentos que ajudaram a construir uma nação. A República que floresceria no Brasil décadas depois foi concebida no idealismo de homens como Bernardo Vieira de Melo e nos pioneiros que acreditaram na força da educação, da cultura e da política para transformar a sociedade.

Em 1710, Olinda não apenas ecoou o Primeiro Grito pela República, mas também o primeiro grito de que mudanças seriam possíveis. E, ainda hoje, quando o Hino de Pernambuco entoa que a “República é filha de Olinda”, lembramos que cada conquista pela liberdade tem raízes profundas, fincadas em solo pernambucano.