Manuela e Greenwald percorreram circuitos de sombras para violar os diálogos políticos

Por Pedro do Coutto

Em sua edição de sábado, O Globo publicou reportagem de Aguirre Talento, Wilton Carvalho e Leandro Prazeres focalizando a atuação conjunta do hacker Walter Delgatti e da ex-deputada Manuela d’Ávila, com objetivo ainda não totalmente clarificado mas concretizando a invasão de conversas que se pensava asseguradas pela invulnerabilidade, mas que agora chegam à superfície com a descoberta de tal pacto voltado para sombras dos interesses não totalmente revelados.

O hacker Walter Delgatti informou e Manuela Dávila confirmou a abertura da ação conjunta que invadiu privacidades e revelou conversas particulares de quinze autoridades do país.

O MOTIVO? – O esquema teve como objetivo revelar conversas do procurador Dallagnol com o juiz Sérgio Moro. Com que objetivo? Ainda não focou claro o propósito, mas vai-se chegar a isso na superfície das investigações da Polícia Federal.

Um fato marcante foi que Manuela d’Ávila intermediou o contato do Hacker com o site Intercept. Manuela foi candidata à vice-presidência da República na chapa de Fernando Haddad nas eleições presidenciais de 2018.

A reportagem de O Globo iluminou as várias etapas do circuito violador de privacidades asseguradas pela Constituição Federal.

DEIXOU RASTRO – Claro que a invasão rompeu a plataforma legal e deixou um rastro a ser completado no que se refere a todo movimento que envolve a questão, começando pela identificação dos verdadeiros objetivos da trama que surpreendeu o país. Uma lição ficou marcada pelo episódio. Se através do sistema Telegram, os autores principais do crime chegaram facilmente a seus objetivos, imagine o que amanhã ou depois pode ser feito tendo como alvo grandes bancos e grandes empresas.

Francamente, eu não sabia como poderia ser feito um ataque a comunicações pessoais. Evidentemente que a operação, à qual dou o nome de curvas sombrias, foi desencadeada com um objetivo maior.

SOLTAR LULA – Parece ser transparente a finalidade do assalto aos diálogos entre Sérgio Moro e Deltan Dalagnol. Neste caso, o alvo era alcançar a meta impossível de anular a condenação do ex-presidente Lula. Entretanto, no percurso o hacker deixou claro que o objetivo era mais amplo, tanto assim que surgiram informações sobre ataques a conversas particulares de 15 autoridades públicas.

O fato concreto é que as reportagens nos jornais de ontem, incluindo O Estado e a Folha de São Paulo, são apenas um primeiro lance desvendado pela Polícia Federal. Acredito que a partir daí novas correntes de informações surgirão. Uma simples questão de lógica. Pois tudo, dentro da lógica, tem início meio e fim. O meio já surgiu. O fim da história ainda está para surgir. Não vai demorar muito.

TI

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