Hospitais do Rio estão sem sistema de combate a incêndio desde 2003, diz Travancas

Coordenador de captação de recursos da prefeitura enviou ofício a deputados federais pedindo R$ 46 milhões para obras

Centro de Emergência Regional da unidade foi atingido Foto: Reprodução/Sulacap News
Centro de Emergência Regional da unidade foi atingido Foto: Reprodução/Sulacap News

Por Pedro Zuazo

 O advogado Victor Travancas, coordenador de captação de recursos da prefeitura do Rio, afirma que nenhum hospital da rede municipal conta com sistema de combate a incêndio desde 2003. Em uma tentativa de reverter esse quadro, o advogado enviou um ofício à bancada dos deputados federais do Rio, em Brasília, solicitando a destinação de R$ 46 milhões em verbas de emendas parlamentares para implantar os sistemas. O pedido, no entanto foi negado.

No documento, estão listadas 22 unidades de saúde que necessitam de obras para implementação do sistema, incluindo o Hospital municipal Lourenço Jorge, na Barra, cujo complexo foi atingido por um incêndio de grandes proporções, neste sábado.

— Todos os hospitais municipais estão sem sistema de combate a incêndio desde 2003. Por isso, desde o início de outubro estou correndo atrás dos deputados para conseguir recursos de emendas. Na última terça-feira, na reunião de bancada, eles dispunham de R$ 170 milhões, mas preferiram direcionar as verbas para obras de estrada no interior do estado — diz Travancas, que reclama da falta de recursos destinados ao município: — Temos recebido só 2% dos recursos de emendas parlamentares.

Há dois meses, a prefeitura foi alertada sobre o problema por pelo menos um órgão, o conselho distrital de saúde da área programática 4, que abarca o Lourenço Jorge. O presidente do conselho, Azaury Monteiro, ao constatar a ausência de equipamentos de combate a incêndio nas unidades de atenção básica, enviou um ofício ao município questionando sobre a existência de contratos firmados com esse fim.

— Pedi a informação porque não vejo esses equipamentos. Embora o pedido tenha sido feito há cerca de dois ou três meses, não tive resposta até hoje — diz Azaury.

O diretor do Sindicato dos Médicos Alexandre Telles classificou o incêndio como uma omissão do poder público.

— O órgão de controle social já havia alertado sobre o problema. Isso demonstra uma clara omissão do poder público. Temos apontado diariamente que a perspectiva é de piora no atendimento, diante do corte no orçamento proposto pelo prefeito. Já vivemos um subfinanciamento no Sistema Único de Saúde (SUS), temos unidades superlotadas, falta de equipamentos de incêndio. Nosso posicionamento é que isso é um retrocesso social — diz.

Em nota, o Sinditado dos Médicos afirmou que o evento é uma consequência do “desmonte da saúde pública operado pela prefeitura do Rio”.

“Perplexos, e ainda sem saber da dimensão do sinistro que vitimiza estrutura, população e profissionais no Hospital Lourenço Jorge, constatamos uma consequência dramática do descaso com a saúde por parte do poder público. Trata-se da consequência, nua e crua do desmonte da saúde  pública operado pela prefeitura do Rio de Janeiro. Outras tragedias anunciadas – dado o anunciado corte de 725 milhões de reais no orçamento para a saúde no próximo ano -, virão, esperem!”, diz a nota.

O incêndio de grandes proporções que atingiu parte do complexo do Hospital municipal Lourenço Jorge, na Barra, neste sábado, começou pouco antes das 16h, no segundo andar da Coordenação de Emergência Regional (CER). O setor funciona como uma triagem de pacientes de maior ou menor gravidade e os direciona para outras unidades do complexo hospitalar. Apenas atendimentos de atenção imediata são realizados nesta unidade.

Segundo relatos de pessoas que estavam no local no momento do incêndio, dezenas de pacientes estavam sendo tratados na unidade. Todos foram removidos a tempo e encaminhados para o complexo principal do centro médico. Não há informações sobre feridos até o momento. O fogo teria começado na parte elétrica, no segundo andar da CER.

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