A importância de Confúcio na China, um país ligado ao Brasil desde o Império

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Antonio Carlos Rocha

Os primeiros imigrantes chineses chegaram ao Brasil logo depois da Abolição da Escravatura. Grupos de trabalhadores daquele imenso país vieram trabalhar nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, principalmente, e uns poucos se aventuraram por outros estados, chegando inclusive a Pernambuco.

Maiores detalhes sobre o assunto o leitor encontra no ótimo livro: “A China no Brasil – Influências, Marcas, Ecos e Sobrevivências Chinesas na Sociedade e na Arte Brasileiras”, tese de doutorado de José Roberto Teixeira Leite na Unicamp, Universidade de Campinas, 320 páginas, dezenas de fotos e ilustrações.

VISTA CHINESA – D. Pedro II era um apaixonado pela cultura chinesa, filosofia e arte. Entre outras, mandou construir no alto da Floresta da Tijuca, um mirante que existe até hoje, sendo um belo cartão postal da cidade maravilhosa, aVista Chinesa. Nosso Imperador chegou a visitar aquele país, depois caiu, ou seja, foi derrubado pela Proclamação da República.

Coincidência ou não, décadas depois o então vice-presidente João Goulart, também visitou a China. Ao voltar, tornou-se presidente e logo depois foi derrubado. Para quem gosta de superstições, eis aí uma boa reflexão.

Torço, faço votos que o Presidente eleito, Bolsonaro, mantenha esta amizade centenária e até estreite os laços de amizade comercial.

CONFÚCIO E A CHINA – Ainda sobre a China, estou lendo o magnífico livro do jornalista dos EUA, Michael Schumann, correspondente da revista Time em Pequim já há vários anos. E por ser um sinólogo respeitado, tem algumas obras publicadas sobre assuntos da região onde vive e trabalha. Um de seus livros foi traduzido em nosso país: “Confúcio e o Mundo que Ele Criou – a História e o Legado do Filósofo que mais influenciou a China e o Leste Asiático”.

Podemos dizer que a China hoje não é mais comunista. Na verdade é confucionista, cada vez mais.

IMPÉRIO DO CENTRO – E isto me faz lembrar que, nos ano 1970, quando a antiga Rede Manchete passou uma série de reportagens sobre este longínquo país. Um amigo, praticante da Rosacruz e revisor do antigo Jornal do Brasil impresso, me disse: “A sabedoria chinesa multimilenar logo vai ultrapassar/superar as bases filosóficas ocidentais do comunismo. Lá eles tem muitas filosofias: confucionismo, budismo, taoísmo e outros importantes pensadores como Lao Tse, os estudos multimilenares da acupuntura e a chamada Medicina Tradicional Chinesa.”

“China, o Império do Centro” era o título do seriado documental. O “centro” é uma alusão ao Caminho do Meio de Buda, evitando-se os extremos.

Dito e feito, no livro em questão, o autor nos mostra que os dirigentes chineses trataram de elevar o Patriarca Confúcio a um pedestal grandioso, que cada vez mais tem a admiração, o estudo e a pesquisa, não apenas em seu país, mas em países próximos do continente asiático.

A obra em questão, ao longo de 384 páginas, nos fala do Confúcio homem, ser humano, pensador, sábio, Confúcio e os seus diálogos com os reis, as elites, os pobres. Depois, em um segundo capítulo, tem Confúcio como pai, como professor influenciando a pedagogia moderna e até um Confúcio machista.

O terceiro capítulo nos mostra a descoberta de Confúcio pelos pesquisadores na área da administração de empresa. Gestores e empreendedores estão descobrindo o Confúcio empresário, o Confúcio político e até um Confúcio comunista, sendo um comunismo mais próximo do humanismo, sem as violências conhecidas. Um comunismo de centro, um comunismo democrático, uma social democracia.

Ora, se existe esse manancial de possibilidades com um único “gênio” do Oriente, não há porque importar os teóricos e discutíveis políticos do Ocidente.

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