Um vendaval chamado Jair Bolsonaro varre a política brasileira

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Charge reproduzida do Arquivo Google

Pedro do Coutto

A frase que está no título sintetiza bem, a meu ver, o fenômeno que está conduzindo a campanha eleitoral rumo as urnas de 2018.O vendaval balançou antigos redutos políticos que se encontravam comprometidos com o passado. Não estou tratando de nenhum processo de adivinhação. Ou seja, como será esse futuro que vai nascer das urnas de domingo 28. Mas assinalo que sem dúvida alguma haverá uma renovação no país com o sepultamento de práticas que só desabonaram governos do país, inclusive a Presidência da República e alguns estados, Rio de Janeiro entre estes.

A corrupção e a violência incontida tornaram-se os maiores fatores que impulsionaram e vão levar a candidatura Bolsonaro à vitória.

ANTES DO DATAFOLHA – Me baseio nas mais recentes pesquisas do IBOPE sobre a corrida presidencial. Escrevo este artigo na tarde de quinta-feira e, portanto, antes da divulgação do novo levantamento do Datafolha por encomenda de O Globo, da Rede Globo e da Folha de São Paulo. Não creio que a diferença vá ser ponderável entre um resultado e outro. A margem é muito grande no universo de dois candidatos para haver diferenças substanciais quanto aos números encontrados. Mas falei no vendaval Jair Bolsonaro.

Acompanhando eleições no país desde 1950, só encontro dois exemplos que podem ser comparados ao avanço de Bolsonaro: Getúlio Vargas em 1950 e Jânio Quadros em 1960. Os leitores mais jovens podem perguntar: e Juscelino em 55? JK em 55 teve 33% da votação contra 27% de Juarez Távora, 20 de Ademar de Barros e 10% de Plínio Salgado. Os votos brancos e nulos somaram 10%, aliás sua escala habitual. Mas Bolsonaro está influindo diretamente nos desfechos estaduais. É preciso frisar que antes as eleições brasileiras eram em turno único. A maioria absoluta foi instituída pela Constituição de 1988.

DEPOIS DO VENDAVAL – A influência de Bolsonaro é muito forte, como a repórter Fernanda Krakovics destacou ontem em O Globo ao analisar o também fenômeno Wilson Witzel no RJ. Há vários outros exemplos da influência decisiva do apoio de Bolsonaro a candidaturas que lideram as disputas regionais. Bem. Mas temos de pensar um pouco no que irá ocorrer no Brasil depois do vendaval deste mês. Será um esforço de reconstrução e de moralização da administração em todos os seus níveis, o que inclui o afastamento de conluios entre bases partidárias e grandes empresas.

Esta é a pergunta que se coloca quando já se começa a perceber que o futuro está perto. São nove dias para as eleições e dois meses e meio para a instalação do governo que surge das urnas.

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