Quem foi enterrado em Stonehenge?

Uma nova pesquisa revelou a origem dos restos mortais sepultados em Stonehenge

Quem foi enterrado em Stonehenge?
As descobertas mostraram que dez pessoas enterradas em Stonehenge eram provenientes do País de Gales (Foto: Wikimedia)

Embora seja um dos monumentos pré-históricos mais famosos do mundo, Stonehenge ainda guarda muitos segredos, apesar de séculos de estudo. Agora, uma pesquisa inédita recém-publicada na revista Scientific Reports identificou os cadáveres enterrados em Stonehenge.

A maioria das pesquisas sobre o monumento localizado em Wiltshire, na região de Wessex, Reino Unido, concentrou-se em sua construção e não nas pessoas enterradas no local.

O estudo dos cadáveres enterrados em Stonehenge sempre significou um desafio para os pesquisadores. Além de terem sido sepultados entre 3.180 e 2.380 a.C., eles foram cremados.

Mas Christophe Snoek, um pós-doutorando da Vrije Universiteit Brussel, da Bélgica, associou sua paixão pela arqueologia ao conhecimento de engenharia química para fazer uma análise minuciosa dos restos mortais encontrados no local.

As descobertas mostraram que dez pessoas enterradas em Stonehenge eram provenientes do País de Gales, a mesma origem das pedras azul-acinzentadas da construção, o que sugeriu que essas pessoas ajudaram a transportar as pedras e a construir o monumento.

“O estudo foi pioneiro na identificação dos restos mortais enterrados em Stonehenge e na importância do monumento para o período Neolítico”, observou Snoeck.

Em sua pesquisa de doutorado na Faculdade de Arqueologia da Universidade de Oxford, Snoeck comprovou que a cremação não destruía algumas informações importantes sobre os cadáveres. Essa descoberta estimulou-o a examinar os túmulos em Stonehenge.

A Historic England and English Heritage, a instituição britânica responsável pela preservação de monumentos históricos no Reino Unido, deu permissão a Snoeck e seus colegas para fazer uma análise dos isótopos de estrôncio em 25 cadáveres. O estrôncio, um elemento químico da família dos metais alcalinoterrosos, identificou os alimentos ingeridos na última década antes da morte.

Essa análise dos ossos forneceu informações referentes ao local onde essas pessoas viveram nos últimos dez anos de vida. “A cremação destrói a matéria orgânica, inclusive o DNA, mas a matéria inorgânica é preservada e o estudo do esmalte dos dentes revelou dados importantes”, disse Snoeck.

A temperatura da cremação, dependendo do método, pode atingir mais de 537,78 ºC e afetar as informações contidas nos ossos. Mas, segundo Snoeck, os elementos químicos leves, como carbono e oxigênio, sofrem alteração, o que não acontece com o estrôncio, um metal sete vezes mais pesado do que o carbono.

A análise dos ossos associada ao exame de plantas, água e dentes dos atuais habitantes do Reino Unido revelou que 15 pessoas eram originárias da região de Wessex e os outros dez tinham morado na última década de vida no País de Gales.

“O progresso da pesquisa arqueológica foi fundamental para extrair tantas informações de fragmentos pequenos de ossos incinerados”, observou Rick Schulting, coautor do estudo e professor de arqueologia da Universidade de Oxford.

Snoeck quer desenvolver novos métodos para aplicá-los em outros locais que contenham restos mortais cremados. Porém, em suas palavras o trabalho em Stonehenge “foi emocionante e assustador ao mesmo tempo. De certa forma, tivemos a sensação de ressuscitar os cadáveres enterrados”.

Fonte:
CNN-Who was buried at Stonehenge? New study sheds light

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