Roberto Requião, o plano B de Lula

Mais do que opção de vice, senador do Paraná é nome que hoje o petista cogita apoiar na eleição presidencial, caso não possa concorrer

 Requião
Por André Barrocal

Luiz Inácio Lula da Silva quer ir até o fim com o plano de concorrer a presidente, e desde agosto corre no PT um parecer de um advogado, Luiz Fernando Casagrande Pereira, a descrever o passo a passo de uma candidatura sub judice. A marcação para janeiro do julgamento do recurso do petista contra a condenação à prisão tornou o cenário “sub judice” bem mais provável.

Tornou também ainda mais necessário para Lula e seus aliados íntimos pensarem concretamente em uma alternativa eleitoral, na hipótese de o ex-presidente ser alijado da disputa. Essa alternativa já despontava em conversas reservadas antes ainda da marcação do julgamento. Uma candidatura do senador nacionalista Roberto Requião (PMDB-PR).

Quem conta é um amigo do ex-presidente, voz das mais próximas de Lula. Dias desses, o senador reuniu-se com Lula e a presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR), e foi sondado sobre ser vice na chapa lulista. Para o namoro terminar em Requião na cabeça de chapa, não seria difícil.

 

Na conversa, Requião mostrou que toparia a parceria. A esta altura da política brasileira e de sua carreira, tem menos restrições à tendência moderada de Lula, cujo governo recebeu várias críticas do paranaense por excesso de “conciliação”, sobretudo na área econômica. Até por que o próprio Lula anda mais esquerdista.

Nesta parceria, Requião teria de deixar o PMDB e achar outro abrigo. Embora repudie o governo do peemedebista Michel Temer, devido ao neoliberalismo, e os rumos igualmente direitistas impostos ao partido pelos “temerismo”, o senador sempre rejeitou a ideia de trocar de ninho. É do PMDB “autêntico” dos tempos da ditadura militar. Mas, diz um assessor, agora cogita trocar.

Segundo o amigo de Lula, Requião é o melhor B devido a seus méritos pessoais, mas também a problemas das demais opções. Inclusive daquelas existentes no PT.

O ex-governador da Bahia e ex-ministro de Lula e Dilma Rousseff Jaques Wagner seria “tímido” demais para se impor politicamente.

O ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad, a favor de quem o próprio Lula chegou a falar como alternativa, é tido como de perfil parecido (e indesejável) com o de Dilma Rousseff: gerencial e centralizador demais, político e carismático de menos.

O ex-ministro José Dirceu faz circular no PT que, se Lula apoiar Haddad, ele, Dirceu, irá de Ciro Gomes, o presidenciável do PDT.

Requião e Lula
Lula, Requião e a presidente de PT, Gleisi Hoffmann, em seminário sobre a Lava Jato, em março (Foto: Ricardo Stuckert)

Ciro, segundo o amigo lulista, seria pouco confiável. As declarações do ex-governador do Ceará simpáticas à marcação do julgamento de Lula para 24 de janeiro – “Justiça boa é Justiça rápida”, disse ele – não devem ter ajudado em nada a mudar as impressões petistas.

Apoiar a presidenciável do PCdoB, Manuela D’Ávila, não está sob cogitação no PT, por ser uma candidatura destinada prioritariamente a puxar votos para os comunistas e garantir que eles ultrapassem a cláusula de barreira e possam eleger deputados.

Nem apoiar o líder dos sem-teto, Guilherme Boulos, que deve ser lançado pelo PSOL. Apesar de os dois “barbudos” darem-se muito bem. Antes de começar a levar a sério a ideia de concorrer, Boulos conversou três ou quatro vezes com Lula.

Uma união da dupla em um eventual segundo turno da eleição de 2018 em torno de um candidato de esquerda ou centro-esquerda, caso haja um no páreo, é muito provável.

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