Avisos nada sutis ao capitão

Por Ricardo Noblat (foto)

Para jamais esquecer

O presidente eleito Jair Bolsonaro deve se perguntar por que tem recebido de presente tantos exemplares da Constituição.

Diante de sua cadeira, na sessão do Congresso que celebrou 30 anos da Constituição de 1988, havia um exemplar que ele usou para amparar seu curto pronunciamento onde invocou Deus cinco vezes.

Ao visitar o ministro José Antonio Dias Tóffoli, presidente do Supremo Tribunal Federal, recebeu dele mais um exemplar, este em embalagem especial.

A ministra Rosa Weber, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, presenteou-o com mais um na visita que Bolsonaro lhe fez ontem na companhia do seu principal assessor, o general Augusto Heleno.

Não será, portanto, por falta de exemplares e de avisos nada sutis que ele deixará de cumprir o que a Constituição prescreve.

Lula e o gostinho de liberdade

À espera de nova condenação

Recolhido desde 7 de abril último a uma cela da Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, Lula provará, esta tarde, o que mais poderá se parecer com uma sensação de liberdade quando for tirado de lá para ser interrogado no prédio da Justiça Federal pela juíza Gabriela Hardt, sucessora de Sérgio Moro no comando da Lava Jato.

Terá direito a tudo que se reserva a uma celebridade. A segurança do prédio e ao longo do percurso de cinco quilômetros será reforçada, o trânsito interditado, escolta especial da Polícia Federal, e um número desconhecido de atiradores de elite postados no alto de prédio para prevenir um eventual atentado.

O interrogatório é a última etapa do processo que Lula responde sobre a real propriedade do sítio de Atibaia, no interior de São Paulo, O Ministério Público o acusa de ser o verdadeiro dono do sítio, reformado pelas construtoras Odebrecht e OAS a título de pagamento de propina. Lula jura que é inocente.

Até advogados dele admitem que esse seja o processo que mais os preocupa dado ao acúmulo de indícios, evidências e provas que contrariam a tese da defesa. Mesmo assim insistem que o sítio está registrado em nome de terceiros, e que Lula e sua família só o utilizavam por uma deferência dos donos, seus amigos.

Na semana passada, em depoimento à juíza Hardt, o ex-presidente da Odebrecht, Marcelo, complicou ainda mais a situação de Lula. Ele mostrou e-mails trocados com executivos da empresa na época em que o sítio estava sendo reformado. Os e-mails dão conta de que Lula sabia da reforma e do uso de dinheiro de propina para pagá-la.

Hardt tem fama de ser mais dura do que Moro em suas sentenças. É provável que ela condene Lula mais uma vez. Da primeira, Lula foi condenado a 12 anos e um mês de prisão no caso do tríplex da praia de Guarujá, reformado de graça pela OAS. A condenação tornou-o inelegível até 2016 quando completará 81 anos de idade.

Revista Veja

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