As novas inimigas do PT

Basta tomar uma decisão, qualquer decisão, contra o partido para ganhar o ódio eterno de seus líderes e militantes

Ascânio Seleme – O Globo

Com a sua infinita capacidade de procurar e achar fantasmas, o Partido dos Trabalhadores tem, desde o início desta semana, mais três inimigas. A ministra Laurita Vaz, presidente do Superior Tribunal de Justiça, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, e a juíza da 12ª Vara de Execuções Penais do Paraná, Carolina Moura Lebbos. As três se opuseram a duas novas jogadas do PT. Mais grave ainda, tiveram a ousadia de atingir o ex-presidente Lula com as suas ações, impedindo que ele fosse solto naquela manobra da tropa de choque do partido de domingo passado e proibindo-o de fazer campanha desde a sala em que está preso da PF de Curitiba.

As três passaram imediatamente a receber ataques de lideranças políticas do PT na Câmara e no Senado e viraram objeto da ira da militância nas redes sociais. A presidente do STJ denunciou e refutou a tramoia dos deputados petistas com o desembargador plantonista que pretendia livrar Lula num fim de semana. A ministra também rejeitou mais de uma centena de habeas corpus em favor do ex-presidente com teor idêntico. A procuradora-geral pediu que o desembargador que quis soltá-lo seja investigado pelo STJ e pelo Conselho Nacional de Justiça, e a juíza do Paraná proibiu Lula de fazer campanha da cadeia.

Laurita, Raquel e Carolina exerciam seu ofício e cumpriam o seu dever. Não foram instadas ou manobradas por forças externas. Responderam a demandas que lhes foram colocadas e tomaram decisões legais em razão das funções públicas que ocupam, ao contrário do desembargador Rogério Favreto, que extrapolou de seu mandato ao tentar interferir solitariamente, num plantão oportunista dominical, em sentenças promulgadas por colegiado de seu tribunal e por instâncias superiores. O PT viu “criminalização judicial” nestes atos.

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