Caseiro confirmou um encontro de Lula com o empreiteiro Léo Pinheiro em sítio de Atibaia

Ex-presidente da OAS, Léo Pinheiro (foto) teria encontrado Lula na propriedade. (Foto: Reprodução)

O juiz Sérgio Moro agendou para 11 de setembro o interrogatório do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no caso do sítio de Atibaia. No mesmo processo, em depoimento na quarta-feira (20), o caseiro Élcio Vieira, conhecido como Maradona, confirmou que Lula esteve no sítio com Léo Pinheiro, então presidente da construtora OAS, e com Paulo Gordilho, engenheiro da empreiteira, antes de serem iniciadas as reformas na cozinha e no lago.

O ex-presidente é acusado de ter recebido benefícios das construtoras Odebrecht e OAS na forma de obras no sítio, que está em nome de terceiros. Lula será o último dos réus a ser ouvido por Moro. Os demais réus do processo começam a prestar depoimento a partir de 27 de agosto.

Fase final dos depoimentos

O interrogatório dos réus é a fase final dos depoimentos a Moro. Depois deles, as defesas e o MPF (Ministério Público Federal) apresentam as alegações finais e o juiz dá a sentença. No total, as vantagens ao ex-presidente Lula, segundo o Ministério Público Federal, somaram R$ 1,02 milhão. Além das duas empreiteiras, também o pecuarista José Carlos Bumlai fez parte das obras. Para os procuradores, foram propinas pagas devido ao cartel da Petrobras, que Lula ajudava a manter em funcionamento.

Em seu depoimento, o caseiro disse que não ouviu a conversa de Lula com Léo Pinheiro e Gordilho. Acrescentou que Fernando Bittar não estava presente, pois já havia deixado a propriedade. Maradona confirmou ainda que a ex-primeira-dama Marisa Letícia acompanhou a fase final das obras, escolhendo o material de acabamento. Ele disse também que Rogério Aurélio Pimentel, segurança de Lula, acompanhou as obras do sítio.

O sítio de Atibaia está em nome de Bittar e de Jonas Leite Suassuna Filho. Para o MPF, Lula era o verdadeiro dono da propriedade. A defesa de Lula afirma que ele usava o sítio porque era amigo da família Bittar há décadas e que pretendia inclusive comprá-lo.

O empresário Emílio Odebrecht disse que a ex-primeira dama Marisa Letícia pediu que a empresa ajudasse na reforma do sítio, que ele acreditava ser do então presidente. Disse ainda que no penúltimo dia do mandato de Lula disse a ele que entregaria o sítio pronto em meados de janeiro, mas que Lula nada respondeu. Como não houve qualquer demonstração de surpresa por parte de Lula, ele acreditou que ele já sabia das obras.

Abuso de autoridade

O juiz Sérgio Moro afirmou que vai apurar a denúncia de que houve abuso de autoridade durante as investigações sobre o sítio de Atibaia. Em depoimento, Lietides Pereira Vieira, irmão do caseiro da propriedade, relatou que a mulher dele, conhecida como Lena, foi retirada da casa dela, por volta de 6h da manhã, e levada a prestar depoimento dentro do sítio, junto com o filho de 8 anos. Os dois foram levados por procuradores da Lava-Jato e policiais federais.

Segundo Lietides, que prestou serviços no sítio como eletricista, o menino adoeceu e faz tratamento psicológico até hoje. Lietides prestou depoimento no processo sobre o sítio de Atibaia.

O eletricista disse que a mulher ficou cerca de uma uma hora no sítio, prestando depoimento. Depois, segundo ele, ela foi levada de volta para casa. Ainda segundo Lietides, durante o tempo em que estiveram no sítio policiais e procuradores perguntaram se ela tinha visto Lula no sítio e para quem ela trabalhava. Segundo o MPF, tudo correu de acordo com a lei:

“Não precisamos constranger ninguém para obter um depoimento. Não ouvi o que foi dito, mas aparenta ser história mal contada”, afirmou Januário Paludo, integrante da força tarefa da Lava-Jato.

O pedreiro Edvaldo Vieira, outro irmão do caseiro do sítio de Atibaia, também disse ter sido visitado por procuradores do Ministério Público Federal e entregou cópia de uma gravação da conversa com os procuradores. Afirmou que se sentiu intimidado.

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