General Mourão e militares convocam um ato contra corrupção na Av. Paulista

Resultado de imagem para intervenção militar charges

Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Carlos Newton

Como diria o Barão de Itararé, há algo no ar. Depois de divulgar uma mensagem bombástica no Facebook, na última sexta-feira, dia 23, em que se declarou “envergonhado pela falta de espírito público, pela covardia moral, pela linguagem empolada – destinada a enganar o homem comum -, pelas falsidades e, principalmente, por observar que uns merecem mais que outros ante os olhos daquele colegiado”, referindo-se ao Supremo Tribunal Federal, o general da reserva Antonio Hamilton Martins Mourão aparece ao lado de outros militares num vídeo que circula nas redes sociais e grupos de Whatsapp, em nova mensagem.

Como se sabe, desde o ano passado, quando estava na ativa e era membro do Alto Comando do Exército, o general Mourão vem fazendo sucessivos pronunciamentos políticos, sem receber punição, fato que demonstra conivência do comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, e do próprio Alto Comando.

AVENIDA PAULISTA – Desta vez, ao lado de outros militares, o general Mourão gravou um vídeo fazendo uma convocação para um ato público na Avenida Paulista, a se realizar no próximo sábado, dia 31 de Março.

Todos os brasileiros patriotas que desejam que o nosso País tenha um projeto, um rumo, um norte pra seguir, longe da corrupção, longe da incompetência, longe da má-gestão, eu convido para o dia 31 de março comemorarmos o 54º aniversário da contrarrevolução de 64 e também principalmente congregarmos e termos esse sentimento de brasilidade cada vez mais aflorado. Viva o Brasil!”, diz o general.

Segundo o jornalista Domingos Fraga, do site R7 da TV Record, o movimento liderado pelo militar “é contra a corrupção e pelo Brasil, mas foi marcado para 31 de março por ser o aniversário do que os militares chamam de contrarrevolução. Em 31 de março de 1964, o presidente civil João Goulart foi deposto e no dia 1º de abril houve o Golpe Militar no País”.

O general Mourão foi protagonista de polêmicas no ano passado, ao fazer duras críticas ao governo Temer e defender a possibilidade de intervenção militar no País. A manifestação que está convocando foi marcada para o vão do Masp, no centro de São Paulo, a partir das 13h.

MENSAGEM CLARA – Para quem viveu os idos de março de 1964, a mensagem é bastante clara, sem que haja a menor reação do novo ministro da Defesa e dos comandantes militares. O país vive em plenitude democrática, com os três Poderes funcionando livremente, mas a situação é muito delicada, devido à corrupção que contaminou o Executivo e o Legislativo.

A manifestação é uma resposta ao Judiciário, porque, ao contrário do que se esperava, o Supremo demonstra resistência na punição de envolvidos nos múltiplos esquemas de corrupção. Para protegê-los e libertar os que já estão presos, o tribunal pretende concretizar o maior retrocesso jurídico da História do Brasil, caminhando para impedir a prisão de criminosos condenados em segunda instância, diferindo do que é praticado em 193 dos 194 países que formam a ONU, conforme assinalou recentemente o jornalista Merval Pereira, no site de O Globo.

O fato concreto é que a democracia brasileira realmente corre riscos. Mas quem a ameaça não é o general Mourão e seus aliados. Desta vez, a normalidade democrática está sendo ameaçada pela desfaçatez e falta de espírito público de grande parte dos membros do Supremo, que estão agindo de maneira irracional e leviana.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.