Viagem de Crivella custou R$ 130 mil aos cofres públicos

Além de prefeito, comitiva tem cinco pessoas. Apenas duas não receberam diárias do municípioPOR O GLOBO

Marcelo Crivella e comitiva na Europa – Reprodução Facebook / Agência O Globo

O GLOBO

RIO – Sob críticas desde que deixou o Rio para uma viagem à Europa durante o carnaval, o prefeito Marcelo Crivella gastou, de acordo com dados fornecidos pelo próprio município, cerca de R$ 130 mil com passagens na classe executiva e diárias. Além dele, a comitiva é composta por cinco pessoas — duas não receberam diárias, de acordo com a assessoria do prefeito, apenas as passagens. O périplo oficial por três países — Alemanha, Áustria e Suécia — teria como objetivo buscar tecnologia de ponta para colaborar com o combate à violência, embora a área seja atribuição do estado e não do município. A volta do grupo, que deverá prestar contas à Câmara de Vereadores, chegou a ser anunciada para ontem pelo próprio Crivella, em vídeo postado em redes sociais, mas só deve acontecer nesta sexta-feira.

 

Uma das escalas que tem suscitado mais polêmica foi na Agência Espacial Europeia (ESA), aonde o prefeito informou ter ido para verificar a possibilidade de usar drones no controle urbano. Ele chegou gravar um vídeo com um pesquisador do órgão. A agência, que fica na cidade alemã de Darmstadt, informou ao GLOBO, no entanto, que a visita teve caráter privado.

Apenas na noite desta quinta-feira, após dois dias de pedidos reiterados do jornal, a prefeitura informou os gastos de Crivella com a viagem. Além do prefeito, estão na comitiva o chefe executivo do Centro de Operações Rio (COR), Guilherme Sangineto, o diretor-presidente da Empresa Municipal de Informática (Iplanrio), Fábio Pimentel de Carvalho, e o coordenador de Inteligência da PM, coronel Antônio Jorge Goulart. Ontem, foi divulgado que uma quinta pessoa se integrou ao grupo, o engenheiro industrial Luis La Torre, sem dar mais detalhes.

ENGENHEIRO TAMBÉM VIAJOU

Desde de que tomou posse como prefeito, Crivella passou 36 dias em viagens oficiais, segundo a TV Globo, em três continentes: Europa, Ásia e África. Na Rússia, ele disse que buscava parceria para projetos urbanísticos, mas, até agora, os projetos com empresários do país não decolaram. Na Holanda, Crivella participou de uma conferência internacional de ciclistas, a Velo-City, que acontecerá no Rio este ano. Na França, seria troca de experiências com a prefeitura de Paris. Em Joanesburgo, na África do Sul, onde também esteve, o prefeito participou de um culto da Igreja Universal, denominação da qual é bispo licenciado, no dia 13 de outubro.

Crivella tem abastecido sua página no Facebok com vídeos pessoais. Na quarta-feira, antes da tempestade que deixou mortos, ele publicou uma gravação em que aparece falando da Suécia. “É frio pra chuchu, aqui tá gelado, é neve, mas estamos cumprindo nossa missão em busca de tecnologia para melhorar a segurança do Rio”, disse.

Ainda sobre os gastos com esta última viagem, a prefeitura garantiu que os cofres municipais não estão pagando as diárias de dois integrantes da comitiva, o coordenador de Inteligência da PM e o engenheiro industrial. Mas não esclareceu de onde estaria saindo o dinheiro dessas despesas. Perguntada, a Polícia Militar não informou se é o estado que está arcando com os gastos do oficial da inteligência da corporação. As informações sobre o engenheiro são ainda mais obscuras, já que não se sabe para que empresa ele trabalha.

Cada passagem Rio/São Paulo/Frankfurt/Viena/Estocolmo/Frankfurt/Rio custou R$ 21.545,00 ao município. A diária do prefeito é de 435,87 euros, enquanto de Sangineto e Pimentel recebem 358,03 euros, cada.

Depois de buscar drones na ESA, Crivella passou pela Schiebel, na Áustria, que também fabrica o equipamento e já teria prestado serviços à Marinha do Brasil. Por fim, o prefeito esteve em Linköping, na Suécia, onde visitou a CyberAero, concorrente da Schiebel.

Vereadores de oposição disseram ontem que vão cobrar explicações detalhadas da viagem de Crivella.

Deixe uma resposta