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José Serra anuncia que PSDB permanecerá no governo Temer

Partido tem 4 ministérios, mas relação com o governo estremeceu após delações da JBS envolverem presidente. Uma ala da sigla defendia a saída imediata do governo e outra, a permanência.

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Por Fernanda Calgaro e Gustavo Garcia

O senador José Serra (PSDB-SP) afirmou na noite desta segunda-feira (12), durante reunião da comissão executiva do partido em Brasília, que o PSDB permanecerá no governo Michel Temer.

Além dos integrantes da Executiva Nacional, também estiveram presentes à reunião os quatro ministros do partido, deputados, senadores, governadores – entre os quais Geraldo Alckmin (SP), Beto Richa (PR), Simão Jatene (PA) e Marconi Perillo (GO) –, prefeitos de capitais – incluindo João Doria (São Paulo) e Arthur Virgílio Neto (Manaus) – e dirigentes regionais.

De acordo com o senador tucano, que foi ministro das Relações Exteriores, o partido “não fará nenhum movimento agora no sentido de sair do governo”.De acordo com ele, a decisão tomada é que os ministros tucanos não sairão do governo.

O PSDB detém o comando dos ministérios de Relações Exteriores, Secretaria de Governo, Cidades e Direitos Humanos e é um dos principais aliados do governo no Congresso.

“Quando os fatos mudam, eu mudo de opinião. Se os fatos mudarem, vamos avaliar”, afirmou Serra a jornalistas, que aguardavam o fim da reunião do lado de fora. O encontro dos tucanos ainda estava em andamento até pouco depois das 21h.

A relação entre o partido e o governo sofreu um abalo depois que surgiram as acusações feitas de executivos da JBS envolvendo o nome do presidente. Investigado pela Operação Lava Jato, Temer é alvo de inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) corrupção passiva, obstrução à Justiça e organização criminosa.

Há ainda a expectativa de que o Ministério Público Federal apresente uma denúncia contra ele nas próximas semanas.

Diante da crise política, o PSDB sofreu uma divisão interna. Há uma ala, especialmente entre os parlamentares mais jovens da legenda, que pressiona pela saída do governo.

A discussão sobre eventual desembarque vem sendo ensaiada há várias semanas, mas acabou adiada devido às pressões internas de tucanos contrários. A reunião da cúpula do PSDB, prevista para a semana passada, chegou a ser postergada a fim de se esperar o julgamento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na última sexta-feira, no qual a chapa Dilma-Temer foi absolvida das acusações de irregularidades na campanha eleitoral de 2014.

Apesar do resultado favorável a Temer, os descontentes com a aliança entendem que o partido não deveria levar isso em conta.

Relator da reforma trabalhista no Senado, o senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES), é um dos que defendem que o partido entregue os cargos no Executivo. Para ele, as denúncias contra Temer são “devastadoras” e comprometem o andamento das reformas no Congresso.

“Todo tempo do governo será dedicado à sua defesa […] Os fatos indicam que o partido [PSDB] deve entregar os cargos para que a gente possa lutar pelas reformas”, disse.

Para Temer, a permanência dos tucanos na base aliada seria importante não só pela sustentação política, mas também porque o PSDB é um dos principais apoiadores do governo na aprovação das reformas enviadas pelo Planalto para o Congresso.

Segundo o colunista do G1 e da GloboNews Gerson Camarotti, o presidente licenciado do PSDB, Aécio Neves, afastado do Senado por ordem do Supremo, tem articulado a permanência da legenda na base governista.

Em troca, Aécio está de olho no apoio do PMDB no Conselho de Ética do Senado, a fim de salvar seu mandato em caso de eventual processo por quebra de decoro. Ele foi denunciado ao STF por corrupção passiva e obstrução da Justiça.

De acordo com o Blog da Andréia Sadi, interlocutores de Michel Temer também têm sinalizado com o apoio do PMDB à candidatura tucana nas eleições presidenciais de 2018.

Atualmente, dois tucanos despontam como principais pré-candidatos da sigla: o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e o prefeito de São Paulo, João Doria.

Há duas semanas, Temer procurou Alckmin para pedir ao governador que desmobilizasse a debandada do PSDB de São Paulo. Alckmin tem trabalhado neste sentido.

Outra preocupação de Michel Temer é em relação à denúncia que a Procuradoria-Geral deve apresentar contra o presidente. Para que ele vire réu no Supremo, o prosseguimento do processo no Supremo precisa ser autorizado pelos deputados.

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