Polícia realiza 6ª fase da Zelotes com foco no grupo Gerdau

Há mandados de condução coercitiva e buscas, mas nenhum de prisão.
Em nota, grupo disse que não deu autorização para negociações ilegais.

Camila BomfimDa TV Globo, em Brasília

Agentes saíram às ruas para cumprir 18 mandados de busca e apreensão e 20 de condução coercitiva (quando a pessoa presta depoimento na delegacia e depois é liberada), mas nenhum de prisão. As ações desta quinta ocorrem nos estados de São Paulo, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Pernambuco e no Distrito Federal.

 

OPERAÇÃO ZELOTES
PF apura corrupção em órgão da Fazenda.

A polícia também tem mandado para cumprir duas oitivas com pessoas que já foram presas na Zelotes e estão no presídio da Papuda, noDistrito Federal: José Ricardo da Silva, ex-conselheiro do Carf, e do lobista Alexandre Paes dos Santos.

Um dos mandados de condução coercitiva para André Gerdau, diretor-presidente  e presidente do comitê executivo da Gerdau.

(Correção: Inicialmente, investigadores daPolícia Federal informaram que havia  mandado de condução coercitiva para Jorge Gerdau, fundador e presidente do presidente do Conselho Consultivo do Grupo. Depois, a PF corrigiu a informação, que foi atualizada às 8h25.)

Segundo a polícia, o grupo Gerdau fechou contratos com escritórios de advocacia que atuaram de maneira ilícita para manipular o andamento de julgamentos e decisões no Carf.

Há também mandados de condução coercitiva para diretores da Gerdau e pessoas ligadas a empresas que teriam feito supostos pagamentos que, segundo as investigações, foram usados para comprar ou manipular decisões no Carf.

A polícia realizou também busca e apreensão na sede administrativa da empresa, no Rio Grande do Sul.

Em nota divulgada na manhã desta quinta, a empresa informou que está colaborando integralmente com as investigações da Polícia Federal e que não concedeu qualquer autorização para que seu nome fosse utilizado em pretensas negociações ilegais. A Gerdau disse ainda que repele veementemente qualquer atitude que tenha ocorrido nesse sentido. Ao concluir a nota, a empresa afirma que está à disposição das autoridades competentes para prestar os esclarecimentos que vierem a ser solicitados.

Mandados cumpridos
Balanço divulgado pela Polícia Federal no fim da manhã informou que 9 mandados de condução coercitiva foram realizados em Brasília, 5 em São Paulo, 4 no Rio Grande do Sul, 1 no Rio de Janeiro e 1 no Recife.

Já os mandados de busca e apreensão foram realizados em Brasília (4), São Paulo (7), Rio Grande do Sul (5), Rio de Janeiro (1) e Recife (1).

Agentes da PF chegam com malotes à sede da Polícia Federal, em São Paulo, durante a 6ª fase da Operação Zelotes, que tem o grupo Gerdau como alvo das investigações (Foto: Leonardo Benassatto/Futura Press/Estadão Conteúdo)Agentes da PF chegam com malotes à sede da Polícia Federal, em São Paulo, durante a 6ª fase da Operação Zelotes, que tem o grupo Gerdau como alvo das investigações (Foto: Leonardo Benassatto/Futura Press/Estadão Conteúdo)

 

Histórico
A Zelotes foi deflagrada há um ano, em março de 2015. Inicialmente, o alvo da operação era o esquema de fraudes nos julgamentos do Carf.

Segundo as apurações, conselheiros suspeitos de integrar o esquema criminoso passavam informações privilegiadas de dentro do Carf para escritórios de assessoria, consultoria ou advocacia.

Esses escritórios, de acordo com os investigadores, procuravam empresas multadas pela Receita Federal e prometiam controlar o resultado dos julgamentos de recursos. O esquema teria movimentado R$ 19 bilhões em irregularmente.

A PF diz que ficou “comprovado” que conselheiros e funcionários do órgão “defendiam interesses privados, em detrimento da União”, “valendo-se de informações privilegiadas”.

Segundo a PF, mesmo depois do início da operação, as investigações encontraram indícios de que os crimes continuaram a ser cometidos.

Num segundo momento, a Zelotes passou a apurar também um suposto esquema de venda de medidas provisórias. A PF descobriu que uma das empresas que atuava no órgão recebeu R$ 57 milhões de uma montadora de veículos entre 2009 e 2015 para aprovar emenda à MP 471 de 2009, que rendeu a essa montadora benefícios fiscais de R$ 879,5 milhões. Junto ao Carf, a montadora deixou de pagar R$ 266 milhões.

Em 4 de dezembro, 16 pessoas suspeitas  se tornaram réus na Zelotes depois que a Justiça Federal aceitou denúncia do Ministério Público Federal no Distrito Federal.

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