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Bancas digitais seguem modelo do Netflix e oferecem acesso ilimitado por preço fixo

A popularidade de serviços baseados no conceito all-you-can-consume, como Netflix, Spotfy, Rdio, entre outros, inaugurou uma nova modalidade de negócios no mercado editorial. Seguindo a lógica de o cliente consumir por um valor fixo todo o conteúdo digital que quiser, seja programas de TV, filmes, séries ou músicas nessas plataformas on-line, agora as bancas digitais oferecem a mesma facilidade, disponibilizando, de forma ilimitada ou parcial, todo o seu acervo de jornais e revistas para assinantes.

A tendência começou há pouco mais de um ano nos Estados Unidos, Canadá e Europa, com serviços como o InPrint, Press Reader, Next Issue e Ztory. Os planos variam de US$ 0,99 a US$ 39,99 dependendo do pacote escolhido e o período da assinatura.

O Brasil também ensaia suas primeiras experimentações com o Iba Clube, da Abril, e a Nuvem do Jornaleiro, da Editora Gol, em parceria com a Vivo. Assim como nas plataformas estrangeiras, ambos oferecem aplicativos gratuitos que funcionam em computadores e dispositivos móveis, como tablets e smartphones dos sistemas Android e iOS, da Apple.

Na Abril, o serviço passou por uma remodelação em março, e deixou de vender títulos avulsos para oferecer por um valor fixo de R$ 19,90 até quatro revistas, valor 66% mais barato do que se o material fosse adquirido separadamente. Por uma quantia adicional o leitor também pode incluir novas publicações ao seu acervo. Atualmente, o serviço oferece 37 produtos editoriais, entre eles,Veja, Quatro Rodas e Exame.

Crédito:Divulgação
Iba Clube oferece 37 revistas da editora Abril

Para Ricardo Perez, diretor comercial de assinaturas da editora, a nova modalidade é uma tendência de mercado. “As pessoas não precisam mais ter a propriedade de um filme, música ou livro. Parte delas quer ter acesso a esse conteúdo de maneira ilimitada, pagando um valor fixo por mês. Serviços com essa lógica têm apresentado crescimento acelerado.”

Considerado pioneiro no segmento de bancas digitais no Brasil, o aplicativo O Jornaleiro também aposta no novo modelo comercial com a Nuvem do Jornaleiro. O serviço oferece acesso ilimitado a jornais e revistas de 150 países por uma assinatura semanal de R$ 3,49 para clientes Vivo. Para as demais operadoras, o valor é de R$ 17,99 no primeiro mês de acesso, mas caso os usuários assinem o pacote por um ano, o valor é de R$ 179,99. Entre os principais títulos brasileiros, destaque para IstoÉ, InfoMoney e Caras.

Novos mercados

Tendo em vista a abertura do modelo de bancas digitais all-you-can-read no país, que só na Abril promete atingir 10 mil assinantes ativos até o fim do ano, empresas de tecnologia estrangeiras estão atraídas pelas oportunidades do mercado. Sua atuação, contudo, não tem o objetivo de fazer concorrência com os players locais, mas de trabalhar em conjunto, fornecendo pontos de contato para os veículos atingirem novas audiências.

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Maria Terrell é diretora da operação brasileira do Press Reader

Com presença em mais de 60 países, o Press Reader oferece suas mais de 3 mil publicações não apenas para os 30 milhões de assinantes pagos, mas também para os clientes de hotéis, cruzeiros, bibliotecas, aeroportos, entre outros estabelecimentos que também assinam o serviço.

Segundo Maria Terrell, diretora da operação brasileira da plataforma, o serviço acaba sendo uma grande vantagem para as publicações serem conhecidas por turistas e cidadãos de todas as partes do mundo. “Entre 80% e 90% do tráfego das casas editoriais que estão na plataforma vem de fora do mercado original da publicação. Ou seja, é outro canal para achar audiência que você não teria de outra forma”, explica.

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Ricardo Perez é diretor comercial de assinaturas da Editora Abril

O aplicativo está disponível para download nas principais plataformas, como Apple, Android e Windows, gratuitamente. Já a assinatura mensal, que dá acesso irrestrito ao conteúdo, é de US$ 39,99. Para os que não desejam fazer o investimento, a ferramenta oferece ao leitor publicações gratuitas, como o Metro, além da primeira página de todos os jornais.

Tendo em vista a aproximação com as empresas de comunicação locais, o Press Reader acaba de criar um departamento comercial exclusivo em língua portuguesa. A empresa também participou da 5ª Conferência Ibero-Americana de Revistas, realizada em setembro, em São Paulo, apresentando o negócio e passando oficialmente a dialogar de forma mais próxima com os veículos nacionais.

“Cada título no Brasil tem seu próprio valor, sua audiência, e por isso, é muito importante que todos os estados sejam representados em nossa plataforma. Quando alguém do Mato Grosso do Sul, por exemplo, for para Shangai, nós queremos ser um quiosque global verdadeiro, ou seja, que o leitor encontre publicações de sua terra natal”, defende Maria.

Perez, da Abril, enxerga de forma positiva essa aproximação com o mercado brasileiro, sinal de que o novo modelo de negócios é promissor e que a aposta do Iba Clube está no caminho correto. Apesar de não confirmar se em breve a editora incluirá seus títulos na plataforma digital norte-americana, o executivo sinaliza que avalia as oportunidades de mercado, visando as melhores alternativas para as marcas da casa.

Atualmente, a banca digital conta com 23 publicações brasileiras, entre elas, o jornal Folha de S.Paulo, Agora São Paulo, O Dia, Brasil Econômico, Correio*, Meia Hora, entre outros. Para fazer parte da banca é gratuito, basta que o veículo envie o pdf da edição. Já o pagamento se dá através de royalties, pagos de acordo com o valor de cada exemplar e do número de downloads feitos em um período três meses.

“A ideia é que os veículos brasileiros entendam que o Press Reader é uma nova fonte para o aumento de circulação e audiência, sem custo. A plataforma não é apenas mais uma fonte de assinantes, mas de novos públicos”, finaliza Maria.

 

fonte:PI

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