UFPE vai expandir o CAV com a construção de novos prédios

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A UFPE deu importantes passos, na última sexta (16), para a expansão do Centro Acadêmico de Vitória, em Vitória de Santo Antão. O reitor, Alfredo Gomes, e o prefeito do município, Paulo Roberto (MDB), assinaram a escritura do terreno do antigo zoológico da cidade, que foi doado pela prefeitura à universidade, e receberá novos projetos do CAV, entre elas o Restaurante Universitário. O evento foi realizado no hall do prédio principal do centro, no bairro do Alto do Reservatório.

Na ocasião também foi assinada a ordem de serviço para a construção da 4ª Etapa do centro, cujas obras são estimadas em R$ 18.912.799,75, recursos oriundos do novo Plano de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), do Governo Federal, com previsão de término em novembro de 2026. A 4ª etapa do CAV compreende uma área total de intervenção de 3.980,14 m², sendo um prédio com quatro pavimentos, que contará com 14 de salas de aula com capacidade para 50 alunos cada, cinco laboratórios, laboratório de informática, biotério (espaço destinado a criação e manutenção de animais de laboratório, que são utilizados em pesquisas científicas, ensaios e experimentos); oito salas para as coordenações dos cursos, salas de reunião, 14 salas para professores, secretarias, copa e outros espaços.

Participaram do evento o vice-reitor Moacyr Araújo, a deputada federal Iza Arruda, o diretor do CAV, José Antônio dos Santos, e a vice-diretora, Michelle Galindo. Ainda prestigiaram a cerimônia os pró-reitores Pedro Carelli (Pesquisa e Inovação), Carol Leandro (Pós-Graduação), Helen Frade (Planejamento), Conceição Reis (Extensão), Cinthia Alves (Assuntos Estudantis), diretores de pró-reitorias e superintendentes da Universidade, os ex-diretores do CAV Florisbela Câmara e José Eduardo Garcia, docentes, técnicos e alunos do centro. Pela prefeitura, também estavam o secretário de Educação, Carmelo Souza da Silva, e o procurador municipal Felipe Moura.

O reitor Alfredo Gomes elogiou o prefeito e a relação fraterna que foi construída com ele. “Mesmo antes da posse, já conversamos sobre as possibilidades de apoio mútuo”, disse. “Este momento hoje da assinatura da escritura é a culminância da boa relação que a UFPE tem com o município”, destacou, agradecendo a parceria. Alfredo Gomes informou que os recursos para a nova etapa são do Novo PAC, assim como a verba para a instalação do novo Centro Acadêmico do Sertão da UFPE, em Sertânia, em fase de implantação. O reitor anunciou ainda que foi lançado o edital de licitação da obra do Complexo Poliesportivo do CAV, que vai garantir novos espaços (quadra coberta, piscina, banheiros e apoio) para uso dos alunos dos cursos de Educação Física.

O prefeito Paulo Roberto mostrou-se muito satisfeito com a parceria existente entre o município e a universidade, pela repercussão que as ações do CAV trazem para Vitória e para todo o seu entorno. Na solenidade, ele falou da luta da comunidade do Alto do Reservatório, onde fica localizado o centro acadêmico, e a necessidade de investir ainda mais na localidade, com a expansão do CAV e a abertura de novas vias para facilitar a mobilidade no bairro. “Queremos contribuir cada vez mais para o conhecimento e trabalhar para as futuras gerações”, destacou.

João Campos concede benefício fiscal a bets no Recife

Em meio a discussões sobre os efeitos sociais causados pelas apostas esportivas, a Prefeitura do Recife aprovou um novo incentivo fiscal para bets.

O Projeto de Lei 02/2025, proposto pelo prefeito João Campos, do PSB, e aprovado em regime de urgência pela Câmara Municipal, altera o Código Tributário do Recife (Lei nº 15.563/1991) para reduzir de 5% para 2% a alíquota do ISSQN (Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza) sobre serviços relacionados à distribuição e venda de bilhetes e produtos de loteria — como bingos, cartões, pules, cupons de apostas, sorteios e prêmios.

A mudança beneficia diretamente bets, equiparando seu tratamento fiscal ao setor de Tecnologia da Informação do Porto Digital.

Essa redução faz parte da estratégia da gestão municipal para atrair e manter investimentos no setor de apostas esportivas, que cresce no Brasil nos últimos anos. A justificativa apresentada para a redução da alíquota inclui o potencial contributivo da atividade econômica e sua importância para o município.

A decisão da Câmara não foi unânime e enfrentou resistência de alguns vereadores, que manifestaram preocupações sobre os impactos negativos do vício em jogos de azar. As demais atividades econômicas do município continuam sujeitas à alíquota padrão de 5% do ISSQN.

Parlamentares de diferentes partidos argumentaram que o benefício fiscal pode incentivar a expansão do mercado de bets.

O projeto entrou em vigor em 2 de abril, logo após sua publicação no Diário Oficial do Recife. No entanto, a Prefeitura não fez uma divulgação ampla da aprovação da nova norma

O Agente Secreto”: Tubarões do Brasil em Suspense Político no Festival de Cannes. Por Flávio Chaves

É Brasil! Wagner Moura dança frevo no tapete vermelho do Festival de Cannes

Por Flávio Chaves – Jornalista, poeta, escritor e membro da Academia Pernambucana de Letras. Foi Delegado Federal/Minc  – O cinema brasileiro voltou a rugir nas telas internacionais com o novo filme de Kleber Mendonça Filho, O Agente Secreto. Com Wagner Moura no papel principal, a obra já é uma das mais comentadas da edição deste ano do prestigiado Festival de Cannes, onde disputa a cobiçada Palma de Ouro. Trata-se de um suspense carregado de densidade política, que lança um olhar profundo sobre a memória, os subterrâneos do poder e os “tubarões” que governam — ou manipulam — o Brasil.

Filmado em parte no Recife, cidade onde Mendonça costuma ancorar sua estética e crítica social, o longa nos conduz por uma trama tensa e instigante. É uma narrativa que opera como denúncia e como reflexão, cruzando os vestígios da ditadura com os mecanismos de dominação contemporâneos. Há uma atmosfera de conspiração e silêncio, típica dos thrillers clássicos, mas com sotaque e pulsação nacionais.

Wagner Moura, ator conhecido por papéis de forte cunho político, entrega mais uma atuação carregada de vigor e profundidade. Seu personagem não é um herói convencional: é alguém que se move entre dilemas éticos, rastros de violência institucional e as sombras de um passado que insiste em não passar.

O Agente Secreto não apenas coloca o Brasil na vitrine do cinema mundial — coloca também a nossa realidade política sob os refletores. E o faz com o talento de um cineasta que já foi aclamado por obras como Aquarius e Bacurau, e que agora retorna com uma narrativa mais afiada do que nunca.

Na Croisette, Mendonça leva mais do que um filme: leva consigo as inquietações de um país inteiro. Leva os sussurros das salas de tortura, os arquivos queimados, os interesses ocultos — e os “tubarões” que nadam, vorazes, nos salões do poder.

Em tempos de apagamento histórico e revisionismo oportunista, O Agente Secreto se impõe como obra urgente. Um chamado à memória, ao enfrentamento e à consciência. E, talvez por isso mesmo, já seja um dos filmes mais esperados e politicamente relevantes da temporada.