A crônica domingueira. Por Magno Martins

    Por Magno Martins – Jornalista, poeta e escritor  –  Escolhi a temática do amor para a crônica de hoje. Não foi por acaso. Compartilho a emoção antecipada da formalização do meu casamento no civil com minha Nayla Valença, na próxima sexta-feira (13), em Arcoverde, na presença apenas de familiares e poucos amigos mais próximos.

Justiça torna réus o mandante e o executor do atentado contra o jornalista Ricardo Antunes

   A Justiça de Pernambuco transformou em réus o empresário e o agressor envolvidos no brutal atentado contra o jornalista Ricardo Antunes, ocorrido em agosto de 2023, no centro do Recife. Ambos foram formalmente acusados pelo Ministério Público e agora responderão judicialmente como mandante e executor da tentativa de homicídio.

A decisão representa um marco na luta contra a violência dirigida à imprensa e reafirma que a liberdade de expressão é um direito constitucional que não pode ser atacado com impunidade. Ricardo Antunes, conhecido pela coragem com que conduz reportagens investigativas e pela independência editorial, foi violentamente espancado em via pública — uma agressão que, segundo a denúncia, teve motivação direta em razão de seu exercício profissional.

Com base nas provas colhidas pela Polícia Civil e apresentadas pelo Ministério Público, a Justiça entendeu haver elementos suficientes para configurar o crime como um atentado à vida e à liberdade de imprensa, com clara articulação entre o mandante e o agressor. A denúncia foi aceita na íntegra, e os acusados agora responderão por tentativa de homicídio qualificado, entre outros possíveis crimes correlatos.

Ricardo Antunes, que ainda se recupera das sequelas físicas e emocionais da violência sofrida, declarou que vê na decisão um avanço importante não apenas pessoal, mas coletivo: “Esta luta não é só minha. É de todos os jornalistas que insistem em fazer seu trabalho com dignidade num país onde a verdade ainda custa caro.”

A tramitação do processo será acompanhada por entidades de defesa da liberdade de imprensa, jornalistas independentes e organizações de direitos humanos, que alertam para o risco de novos ataques em um ambiente onde o jornalismo investigativo tem sido constantemente alvo de intimidações e retaliações.

O caso de Ricardo Antunes, agora reconhecido judicialmente como crime planejado e executado contra um jornalista em pleno exercício da profissão, reforça a urgência de políticas públicas e mecanismos de proteção a comunicadores ameaçados. Punir os culpados não é apenas fazer justiça a Ricardo — é proteger o direito de toda a sociedade de ser informada.

Leões do Norte: A política de Pernambuco reconstruída em carne, voz e tempo. Por Flávio Chaves

   Por Flávio Chaves – Jornalista, poeta, escritor e membro da Academia Pernambucana de Letras. Foi Delegado Federal/Minc  –   Há livros que informam. Outros, que documentam. Poucos, no entanto, conseguem devolver a carne ao osso da história, fazer com que nomes sepultados nos arquivos se ergam novamente, não como mitos, mas como homens concretos — imperfeitos, contraditórios, determinantes. Foi isso que fez Magno Martins ao escrever Leões do Norte — não apenas um livro, mas um gesto cívico. Uma devolução à memória coletiva de Pernambuco de seus protagonistas maiores: os governadores que, desde 1931, ocuparam o vértice do poder estadual e ajudaram a escrever os capítulos decisivos do século XX e deste início de século XXI.

Ao longo de mais de vinte perfis — de Carlos de Lima Cavalcanti a Paulo Câmara — o autor não apenas narra gestões, mas reconstrói atmosferas, embates, viradas históricas. Com apuro de jornalista, escuta de cronista e olhar de memorialista, Magno escreve para o agora, mas com um ouvido colado à espinha dorsal do tempo. Seu texto é vívido, direto, mas carregado de subtextos, intenções, silêncios eloquentes. Ele entende que a política é feita tanto de palavras ditas quanto das não ditas — e sabe explorá-las com a maestria dos que não se rendem ao panfleto, mas também não se escondem na omissão.

Não há caricaturas fáceis nem celebrações vazias. Os “leões” aqui rugem com todas as suas rugas e glórias, suas conquistas e suas quedas. Barbosa Lima Sobrinho, Agamenon Magalhães, Miguel Arraes, Marco Maciel, Jarbas Vasconcelos, Eduardo Campos — e tantos outros que, por escolha, acaso ou destino, ocuparam o Palácio do Campo das Princesas — ganham retratos justos, firmes e, acima de tudo, humanos. Ao final de cada capítulo, o leitor tem a sensação de que conheceu mais do que um governante: conheceu um tempo, um estilo, uma mentalidade de época.

É isso que faz de Leões do Norte uma obra rara. Não se trata de nostalgia nem de juízo definitivo sobre o passado — trata-se de compreensão. De reunir fios soltos, compreender enredos interrompidos, perceber como a política local ecoa nos dramas nacionais, como o poder em Pernambuco nunca foi uma ilha, mas sim um espelho do Brasil em miniatura, com suas grandezas e misérias.

Com edição da Eu Escrevo Editora e prefácio do jurista Maurício Rands, o livro chega às mãos do público como um convite ao debate, à reflexão e ao pertencimento histórico. Será lançado na próxima segunda-feira, 9 de junho, no Recife, em noite especial que reunirá nomes da cultura, da política e da imprensa. Mas o essencial é que a obra já cumpre, desde já, sua função maior: recuperar o fio da história para que ele não se rompa, nem se apague.

No Brasil do esquecimento fácil e da memória negligenciada, Leões do Norte se impõe como um ato de resistência — e de amor. Amor pela política, pela história e por Pernambuco.