O Impacto do Projeto de Lei (PL) 49/2015 no Mercado de Livros. Por Flávio Chaves

 Um produto essencial que pode se tornar de difícil acesso       Por Flávio Chaves – Jornalista, poeta, escritor e membro da Academia Pernambucana de Letras. Foi Delegado Federal/Minc                                                                                   A cultura de leitura no Brasil já enfrenta desafios históricos, mas o Projeto de Lei (PL) 49/2015, em tramitação no Congresso, pode trazer um impacto direto e preocupante para o mercado editorial e para os leitores. Se aprovado, o PL tornaria os livros – impressos e digitais – mais caros, reduzindo drasticamente o alcance da literatura e dificultando o acesso à educação e ao conhecimento.O PL 49/2015 propõe uma reestruturação da carga tributária que, atualmente, isenta os livros de vários impostos no Brasil. Essa imunidade fiscal foi estabelecida para garantir que o livro, um produto essencial para a formação educacional e cultural do país, não sofresse com os custos elevados impostos pelo sistema tributário. Entretanto, o projeto visa eliminar essa proteção, igualando o livro a produtos comerciais e aumentando seu preço final para o consumidor.

A lógica por trás da tributação dos livros, segundo os defensores do projeto, é a de que o setor editorial já se beneficiou de isenções fiscais por décadas. Eles argumentam que a retirada desse privilégio estimularia uma “competição saudável” no setor. No entanto, na prática, a medida tende a encarecer os preços. Hoje, editoras e distribuidoras trabalham com margens já apertadas, e a tributação adicional aumentaria os custos de produção e distribuição. Esse aumento se refletiria inevitavelmente no preço final para o consumidor, tornando o livro menos acessível para a população de baixa renda.

A leitura é fundamental para a construção de uma sociedade mais crítica, informada e participativa. Com livros mais caros, o acesso à cultura e à educação será ainda mais limitado, agravando a exclusão social e a desigualdade de acesso à informação. No Brasil, onde os índices de leitura já são preocupantemente baixos, a possibilidade de aumento no preço dos livros pode desincentivar novos leitores e dificultar o hábito de leitura, especialmente entre jovens e estudantes.

Além disso, o impacto dessa medida se estende ao mercado digital. Plataformas de leitura eletrônica e e-books, que têm crescido como alternativa mais acessível, também sofreriam com a tributação. Isso significa que, mesmo a literatura digital, que antes oferecia uma opção econômica e prática, se tornaria financeiramente inacessível para muitos.

O mercado editorial é formado em grande parte por pequenas e médias editoras, que lutam para sobreviver em um cenário econômico já desfavorável. Com um custo de produção elevado, a quantidade de publicações poderá ser reduzida, levando a uma menor diversidade de títulos e de autores. O incentivo a novos escritores, especialmente aqueles que estão no início da carreira, também poderá ser impactado, dificultando a publicação de obras relevantes para a cultura brasileira.

Bibliotecas, que são um recurso essencial para o acesso gratuito e democrático ao conhecimento, também sofreriam consequências. Com livros mais caros, o poder de compra dessas instituições será limitado, impactando diretamente seu acervo e, por consequência, o acesso à leitura gratuita para comunidades inteiras.

O argumento de que a medida aumentaria a competitividade no setor editorial parece, na prática, contradizer os objetivos de democratização do acesso ao conhecimento. Tornar o livro um produto caro é um retrocesso para a sociedade brasileira, onde a leitura é uma ponte para a cidadania e o desenvolvimento intelectual. Em um país marcado por desigualdades, é fundamental que a literatura e o acesso ao conhecimento sejam tratados como bens essenciais, e não como produtos de luxo.

Para construir um futuro mais justo, precisamos de uma sociedade que tenha acesso fácil e democrático à educação e à cultura. O PL 49/2015, ao retirar a imunidade tributária dos livros, coloca em risco esse acesso e ameaça o desenvolvimento cultural e educacional da população. É essencial que a legislação considere a importância social do livro e mantenha as condições que favoreçam a formação de leitores. Afinal, investir na leitura é investir em uma sociedade mais consciente e participativa.

Vídeo: Escola troca halloween por culto: “Deus é luz e Nele não há trevas”

Escola de confissão cristã não celebrou o dia das bruxas

Escola CEMACO Foto: Instagram @escolacemaco

A escola Centro Educacional Mattos Cordeiro (CEMACO), localizada em São João de Meriti (RJ), realizou um culto nesta quinta-feira (31), dia em que muitas escolas celebraram o halloween.

O tema da reunião foi “Deus é luz e Nele não há trevas” e as crianças apresentaram dança, cantaram louvores, receberam orações e foram ministradas pelos professores.

– No dia em que muitos comemoram a morte e as trevas, nós reservamos um momento para celebrar a VIDA e a LUZ que há no Deus que nos criou. Através de nós, Jesus, clareia! – diz a publicação da escola no Instagram.

Como escola de confissão cristã, a entidade educacional resolveu se posicionar contra as celebrações ao dia da bruxa.

– Neste dia, buscamos oferecer uma alternativa que fortaleça a identidade cristã, celebrando a luz, a verdade e a vida. Nossa intenção é proporcionar aos alunos uma visão clara dos ensinamentos bíblicos e um ambiente de reflexão que contraste com as práticas associadas ao halloween – disse a diretora Ana Cristina de Mattos Soares Cordeiro, ao site Guiame.

A celebração foi organizada não apenas pelos funcionários e professores, mas também pelos alunos que foram convidados para ajudarem de forma ativa na execução do projeto.

Assista:

Em editorial, Estadão chama Haddad de “poste de Lula”

Veículo questionou a fragilidade do ministro dentro do governo petista

Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e presidente Luiz Inácio Lula da Silva Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil

O jornal O Estado de São Paulo questionou a falta de “robustez” do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em um editorial publicado neste domingo (1°) sobre o pacote fiscal anunciado na última semana. No texto, que já no título chama Haddad de “poste de Lula”, o veículo ressaltou que o pronunciamento feito pelo chefe da pasta econômica na última quarta-feira (27) teve um tom meramente “eleitoreiro”.

– Parece um paradoxo, e é mesmo: um ministro convertido na face visível de um pacote anunciado em rede nacional como se fosse propaganda eleitoral, e ao mesmo tempo porta-voz do resultado de um extenuante esforço da equipe econômica, mas que adquiriu contornos populistas – declarou o jornal.

Ao longo do artigo, o veículo até tenta relativizar a culpa de Haddad sobre a péssima repercussão do pacote econômico – que levou a uma disparada do dólar a patamares recordes dia após dia ao longo da última semana – como quando diz que ninguém conseguiria “conter o ímpeto eleitoreiro de Lula, que determina todos e cada um de seus passos e de suas decisões”.

Entrentanto, o próprio jornal diz que falta a Haddad a “fortaleza similar” a outros nomes que, segundo o Estadão, “ocuparam a mesma cadeira e triunfaram politicamente, como Rodrigues Alves, Getúlio Vargas e FHC”, e “a robustez de homens notáveis que exerceram seu poder à frente da economia de forma quase inquestionável, como Rui Barbosa, Santiago Dantas, Delfim Netto e Mario Henrique Simonsen”.

O veículo também diz que o que se viu durante o anúncio oficial de cerca de 7 minutos sobre o pacote econômico foi “a fragilidade do ministro da Fazenda” e declarou que o “calvário” de Haddad rumo ao anúncio demonstrou “o isolamento e o esmaecimento da equipe econômica”. Para o jornal, o ministro da Fazenda tem perdido a disputa entre as forças políticas do governo.

Por fim, o jornal destaca que “ninguém duvida que o modo lulista de governar requer bajuladores fiéis, estímulo aos conflitos internos e acenos contraditórios a públicos distintos, conforme as circunstâncias mais convenientes para si”, mas que Lula e o PT têm ignorado o fato de que “ter um ministro da Fazenda confiável e com respaldo do chefe para exercer poder é imprescindível”.

– FHC demitiu amigos para preservar a autoridade de Pedro Malan na política econômica. Delfim era o homem forte de Emílio Médici. Simonsen, o de Ernesto Geisel. É essa sabedoria presidencial que permite ao país distinguir ministros da Fazenda dotados de instrumentos necessários para fazer o que é preciso daqueles que se convertem em meros operadores obedientes dos seus chefes – completou.