5 de maio – Dia da Língua Portuguesa: A alma viva de nossos povos. Por Flávio Chaves

 Por Flávio Chaves – Jornalista, poeta, escritor e membro da Academia Pernambucana de Letras. Foi Delegado Federal/Minc –   Hoje, 5 de maio, celebramos o Dia Mundial da Língua Portuguesa — uma data que ultrapassa as fronteiras da gramática e das regras para alcançar o coração da identidade de milhões de pessoas espalhadas pelos cinco continentes. Mais do que um idioma, o português é ponte, herança, território de afetos, resistência e beleza.

A língua portuguesa nasceu do latim vulgar nas margens do Douro, em terras ibéricas, e atravessou mares, séculos e impérios. Chegou ao Brasil com a espada e a cruz, mas foi reinventada aqui com a ginga do povo, com o sotaque da terra, com o batuque, o suor e a poesia. Misturou-se com o tupi, com o iorubá, com o crioulo, com o árabe e com a alma brasileira. Tornou-se língua de Machado de Assis, de Clarice Lispector, de Guimarães Rosa, de Mia Couto, de José Eduardo Agualusa, de Cecília Meireles, de Caetano Veloso, de Cora Coralina — e também nossa, que escrevemos e sonhamos com ela todos os dias.

A data foi oficialmente reconhecida pela UNESCO em 2019, como uma forma de celebrar os países lusófonos e valorizar a diversidade cultural e histórica que pulsa dentro do idioma falado por mais de 260 milhões de pessoas no mundo. Brasil, Portugal, Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste e comunidades em tantos outros cantos do planeta formam essa grande constelação lusófona.

O português é a língua das cartas de amor e das cartas de alforria. É língua de resistência nas comunidades, de louvor nas igrejas, de denúncia nos jornais, de lirismo nas canções. É o idioma que acolhe nossas dores e celebrações, que dá corpo ao pensamento e voz à história.

Neste 5 de maio, celebrar a Língua Portuguesa é também lembrar que ela vive e se transforma todos os dias na boca do povo. É responsabilidade de todos nós protegê-la da vulgarização, do empobrecimento e do descaso. Cuidar da língua é cuidar de quem somos — é resistir contra a indiferença, é afirmar o direito de existir com dignidade e beleza.

Que sigamos escrevendo, lendo, declamando, ensinando e amando essa língua que pulsa como um rio caudaloso em nossas veias históricas. Que o português continue sendo o espaço onde o passado se encontra com o futuro — e onde a humanidade encontra palavras para dizer o indizível.

Viva a língua portuguesa. Viva a palavra que nos une.