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Operação Onerat termina com três suspeitos e um policial mortos

Ministro da Justiça diz que resultados vão além dos números e secretário diz desconhecer vazamento

A Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro divulgou no início da noite o balanço da Operação Onerat, uma megaoperação contra roubo de cargas deflagrada em comunidades, deflagrada desde a madrugada deste sábado, 5, pelas forças de segurança que atuam no Rio. Ao todo, três suspeitos morreram em confronto com policiais e 24 prisões foram realizadas. Um policial militar também morreu em acidente de trânsito durante a ação.

O sargento da PM Anderson Dias Pereira, do Batalhão de Ação com Cães (BAC) estava numa viatura que foi atingida por um ônibus. Ele levava dois suspeitos à Cidade da Polícia. Outro policial militar que estava no veículo e os dois suspeitos ficaram feridos e estão internados no Hospital Salgado Filho.

Dentre as prisões realizadas na Operação Onerat, 18 foram através de mandados expedidos pela Justiça – dos quais nove criminosos já cumpriam pena por outros crimes –, um foragido e cinco prisões em flagrante. Dois menores também foram apreendidos.

A operação apreendeu 21 carros, 1 moto, 3 pistolas, 2 granadas e 4 radiotransmissores. Cargas roubadas – quantidade não foi informada – também foram recuperadas, incluindo material escolar, cosméticos, roupas e parte do conteúdo roubado de um caminhão dos Correios no Morro São João, na sexta-feira. Além disso, 4 quilos de cocaína e 13 quilos de maconha foram apreendidos.

Reação. No início da tarde os ministros Torquato Jardim (Justiça) e Sérgio Etchegoyen (Segurança Institucional) falaram com a imprensa sobre o balanço das atividades de operação. Apesar do tom otimista, ficou evidente a frustração dos comandantes da ação, que recorreu até a carros blindados – eram 71, para o transporte de tropas.

“Os resultados são maiores do que números”, disse Jardim. “Mais do que os números que foram citados aqui hoje, é a ideia de que há uma ação presente do Estado.” , disse. Questionado se estava satisfeito com o resultado a operação, Torquato respondeu: “Sim, até agora sim”, afirmou Não se estendeu, porém, na resposta.

Etchegoyen  ficou irritado quando lhe perguntaram sobre o  baixo número de prisões e apreensões de armas.

“Nós podemos no final da operação sentar e contabilizar uniformes rasgados, pneus gastos, material depreciado, viaturas e equipamentos  e podemos chegar a conclusão de que foram milhares de dólares ou da moeda que os senhor (o repórter) achar melhor”, disse. “ E se nós perguntássemos isso para a mãe de quem levou um tiro e se essa operação tivesse aprendido a arma que matou o filho dela? Não me parece que esse seja o parâmetro que tenha significado nesse momento.”

Policiais e militares agiram nos Complexos do Lins e Camarista Méier e no  morro de São João, no Engenho Novo, na zona norte, além do morro da Covanca, em Jacarepaguá, na zona oeste. Militares fizeram cerco nessas regiões, em pontos estratégicos, interditaram ruas e revistaram passantes e veículos. O espaço aéreo foi restrito para aeronaves civis nessas áreas.  Uma das vias interditadas, com a ajuda dos blindados, além de outros veículos, foi a Estrada Grajaú-Jacarepaguá. A via, uma das que ligam as zonas oeste e norte, foi fechada nos dois sentidos, de madrugada.

Participaram da ação 3.600 integrantes do Exército e da Marinha, 256 da Polícia Federal, 115 da Polícia Rodoviária Federal, e 570 PMs, além de policiais civis. Paraquedistas do Exército se infiltraram na mata perto de algumas comunidades, para cortar a rota de fuga de criminosos. Os dois suspeitos foram mortos, segundo a Polícia, por resistência à prisão. Dos 40 mandados de prisão expedidos pela Justiça, quinze foram cumpridos, mas apenas seis resultaram em novas prisões. Outros nove eram contra presos que já estavam na cadeia, por causa de outras acusações. Houve ainda três presos em flagrante, sem relação com as ordens judiciais expedidas.

Também foram apreendidos quatro rádios de comunicação e recuperados dezesseis carros roubados e uma motocicleta. Apesar dos números baixos, o secretário de Segurança do Rio, Roberto Sá, afirmou desconhecer se houve vazamento de informações para os criminosos,  que teria possibilitado que fugissem.

“Sem dúvida o que a gente busca é sempre o maior número de prisões possível”, disse ele. “Houve um golpe na criminalidade hoje, não na sua maior liderança, mas para isso a gente tem que ter a paciência de efetuar esse papel das Polícias dentro do Estado de Direito democrático. O que está sendo possível de ser cumprido é o que esta sendo apresentado”.

Para efeito de comparação, uma operação da 76ª DP (Niterói), na madrugada de sexta-feira, 4, em conjunto com a Polícia Militar, apreendeu sete fuzis, quatro pistolas, uma espingarda calibre 12, munições, além de vários carregadores de modelos diversos. Os agentes monitoravam traficantes da comunidade do Sabão, no Bairro do São Lourenço, em Niterói, na Região Metropolitana, e descobriram que o tráfico de drogas da comunidade utilizava como paiol um condomínio de classe média no bairro do Barreto”.

O  Portal dos Procurados lançou cartaz oferecendo recompensa de R$ 1 mil por informações que levem a polícia a capturar os acusados conhecidos pelos apelidos de Furinho, Nisinho, Jamaicano, Miguelinho, Maninho, Diel, Coroa, Piloto, Tchá Tchá, Hilton, Brancão, Vagner, Da Mata, Da Cabrita, além de uma recompensa de R$ 30 mil pelo traficante Da Russa. Segundo denúncias, seria o comandante geral do tráfico em todo o Complexo do Lins.

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