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Trump filho complica Trump pai

O primogênito do presidente americano confirma que tentou obter informações contra Hillary Clinton com amigos russos. A revelação deu mais combustível para os opositores que acusam o chefe do Executivo dos EUA de se aliar ao país de Vladimir Putin

Crédito: Divulgação

Por Cilene Pereira

Desta vez o gatilho da mais nova dor de cabeça para o presidente americano, Donald Trump, foi seu filho mais velho, o empresário Donald Trump Jr., ou Don Jr., como é chamado. Desde a semana passada, o primogênito da família ocupa o epicentro do caso que ameaça a administração do republicano desde a sua posse, em janeiro, envolvendo suspeitas de que ele tenha agido em conluio com autoridades russas durante a campanha eleitoral, em 2016, para atacar sua concorrente, a democrata Hillary Clinton. Don Jr. admitiu ter se reunido com a advogada russa Natalia Veselnitskaya em um encontro no qual esperava ouvir informações importantes contra a oponente do pai. Saiu sem nada, segundo ele. Verdade ou não, o estrago foi feito. Trump filho complicou a vida de Trump pai.

A confirmação da reunião entre Don Jr. e a russa só foi feita pelo próprio empresário um dia depois de o jornal The New York Times publicar reportagem sobre o encontro e as trocas de emails que o antecederam. Na terça-feira 11, o filho de Trump decidiu divulgar o conteúdo das mensagens, em uma tentativa de se adiantar e prevenir danos que poderiam surgir. De nada adiantou a estratégia. O teor das conversas adicionou ainda mais combustível ao caso e desnudou a rede de contatos entre os Trump, seus assessores e várias figuras importantes da Rússia do presidente Vladimir Putin, com quem o governante americano mantém boa relação.

O encontro aconteceu após a intermediação do publicitário e jornalista inglês Rob Goldstone, assessor do cantor russo Emin Agalarov. O popstar é filho do magnata Aras, dono de diversos empreendimentos imobiliários na Rússia. Trump, o presidente, mantém relações com os dois desde 2013, quando esteve em Moscou participando do concurso de Miss Universo.

Reação democrata

Em 3 de junho de 2016, Goldstone enviou ao filho de Trump um email no qual dizia que Aras havia se encontrado com um alto funcionário do governo russo e oferecia ao amigo americano dados incriminadores sobre Hillary. “É informação de altíssimo nível e muito sensível. Seria muito útil a seu pai”, disse o assessor. “Se for o que você diz, eu adoraria”, respondeu Don Jr. Quatro dias depois, o publicitário mandou novo email, desta vez para informar o empresário que Emin havia lhe solicitado que agendasse a reunião entre Don Jr. e a advogada Natalia. O primogênito da família presidencial confirmou e informou Goldstone que, no encontro, estariam também Paul Manafort, chefe de campanha, e seu cunhado, Jared Kushner. No dia 9, Natalia encontrou os americanos na Trump Tower, em Nova York.

A reação dos democratas à revelação foi expressiva. “Estamos além da obstrução de Justiça. Isso se aproxima de perjúrio, falsos testemunhos e, potencialmente, traição”, afirmou o senador Tim Kaine, vice na chapa de Hillary. Na esfera das investigações em andamento sobre a possível conjuração entre Donald Trump e representantes russos, funcionou como um grande complicador para a situação do chefe do executivo americano a confirmação do encontro entre seu filho e membros de sua campanha e a advogada russa e, tão forte quanto isso, o conteúdo das mensagens trocadas entre os grupos. As comissões de Inteligência e de Justiça do Senado e o de Inteligência da Câmara, designadas para conduzir os processos, já disputam para ver qual das duas será a primeira a chamar Don Jr. para depor.

“Se for o que você diz, eu adoraria”, respondeu Don Jr. ao assessor que lhe ofereceu encontro com russa que passaria dados

Na Casa Branca, Trump pai seguiu fiel a sua retórica de que é vítima de ataques da imprensa e saiu em defesa do primogênito. “Ele não fez nada de errado”, declarou. Trump filho procurou aplicar a política de redução de danos e tentou passar a ideia de que, em uma campanha eleitoral, é natural promover reuniões como a que fez com a russa Natalia. “Obviamente sou a primeira pessoa numa campanha a ir a um encontro para ouvir informações sobre um político”, disse. “Mas nenhum detalhe relevante foi passado”, afirmou.

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