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Hipótese de substituição de Temer ganha força entre aliados; na Argentina, Maia fala como presidente

Por Fábio Góis

Alguns dos principais fiadores da gestão Michel Temer, denunciado por corrupção passiva e fragilizado no Palácio do Planalto, já dão sinais de que a saída do presidente pode estar mais próxima do que parece. Próceres de partidos como PSDB e DEM, dois dos principais partidos da base governista, já falam abertamente na substituição do peemedebista, que participa da reunião do G-20 na Alemanha. A solução para o impasse, a menos de um ano do impeachment de Dilma Rousseff, foi apontada pelo senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), que mantém o comando tucano depois do afastamento temporário do colega Aécio Neves (PSDB-MG) – presidente licenciado do PSDB, Aécio foi alvejado no mesmo caso que ameaça Temer, as delações de executivos do Grupo JBS.

Antes comedido ao falar sobre uma nova troca no Planalto, o senador cearense já diz acreditar que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), agora primeiro na linha sucessória presidencial desde a queda de Dilma, pode significar uma transição de governo viável – que Temer dá sinais de não ser mais – até as próximas eleições, em 2018. “Rodrigo Maia tem condições de juntar os partidos ao redor de um nível mínimo de estabilidade que o país precisa. Estamos chegando na ingovernabilidade e tem que haver agora um acordo para dar estabilidade mínima para se chegar a 2018”, declarou o cacique tucano, ontem (quinta, 7), a jornalistas em seu gabinete no Senado. As declarações foram veiculadas na edição de ontem (quinta, 6) do Jornal Nacional (TV Globo).

Sabedor de que a tendência da bancada do PSDB é cada vez mais de desembarque do governo Temer, Tasso já vislumbra um futuro próximo com o DEM, partido que é principal parceiro dos tucanos no Congresso, no comando do país – nesse sentido, o tucano tem dito que o problema é Temer e seu entorno de ministros e auxiliares investigados, mas não sua política de governo, a ser apoiada desde que com pessoas livres de problemas com a Justiça.

“A equipe econômica tem que ficar e o governo tem que ser o mais próximo possível do intocável na postura ética”, acrescentou Tasso, para quem a cada “fato novo”, seja ou não na Operação Lava Jato, a crise política fica mais insolúvel e a gestão peemedebista vai “chegando à ingovernabilidade”.

Com a ida de Temer para a reunião do G-20, que junta na Alemanha as 20 mais importantes economia, Maia recusou assumir a Presidência da República e, em missão oficial, partiu para a Argentina. Entre outros compromissos, o deputado participou do Fórum de Relações Internacionais e Diplomacia, com direito a foto nas suas redes sociais e declarações sobre o momento do país – fala costumeira de chefes de Estado em visita ao exterior.

“Precisamos ter muita tranquilidade e prudência neste momento. Em vez de potencializar, precisamos ajudar o Brasil a sair da crise”, escreveu Maia em sua conta no Twitter, ao lado de uma foto do evento. “Temos que estabelecer o mais rápido possível a agenda da Câmara dos Deputados. Não podemos estar satisfeitos apenas com a reforma trabalhista. Temos Previdência, Tributária e mudanças na legislação de segurança pública”, acrescentou.

Xadrez na CCJ da Câmara

A mudança de postura dos principais aliados de Temer vem na esteira da escolha do relator da denúncia por corrupção passiva que ameaça o presidente na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara. De perfil independente, o deputado Sérgio Zveiter (PMDB-RJ), ex-presidente da seccional fluminense da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), já afirmou não temer pressão do governo e que seu parecer será estritamente técnico, e não político.

Enquanto os tais fatos novos continuam a assombrar Temer nas páginas policiais – como a iminente delação premiada do deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e do operador financeiro do PMDB Lúcio Funaro, ambos condenados e presos na Lava Jato –, líderes da base aliada de Temer na Câmara troca membros titulares na CCJ por deputados dispostos a assumir a defesa do presidente. Mas, com a tendência de que todos os seis tucanos no colegiado votem pela procedência da denúncia, o apoio governista tem diminuído nos últimos dias.

Caso a CCJ aprove a continuidade da denúncia contra Temer, um parecer com o resultado da deliberação será encaminhado ao plenário, onde o conjunto dos 513 deputados se reúnem. sob o comando de Rodrigo Maia, para a decisão final. São necessários ao menos 342 votos para que a Câmara autorize o Supremo Tribunal Federal (STF), onde Temer é um dos diversos políticos investigados na Lava Jato, a levar adiante a acusação da Procuradoria-Geral da República, com provável transformação do caso em ação penal – estágio do processo em que o presidente estaria na condição de réu. O peemedebista precisa, em ano pré-eleitoral, de 172 votos para se salvar do afastamento por 180 dias, quando estaria sob julgamento no STF.

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