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Internação súbita do doleiro Youssef resgata os casos Carlos Lacerda, Michele Sindona e Celso Daniel

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Muito estranho – A indisposição que levou o doleiro Alberto Youssef para a UTI do Hospital Santa Cruz, em Curitiba, neste sábado (25), é no mínimo estranha, principalmente se considerado o fato de que o País está a poucas horas de uma eleição presidencial que pode varrer do cenário político um partido que deixou evidente na última década a sua essência criminosa.

Preso na Operação Lava-Jato e revelando às autoridades federais detalhes do Petrolão, na esteira de um acordo de delação premiada, Youssef, de acordo com as primeiras informações, teve uma queda de pressão após almoçar e foi levado em ambulância para o hospital da capital dos paranaenses. Uma simples queda da pressão arterial não é motivo para uma internação como a que foi submetido o doleiro, que tornou-se “persona non grata” na cúpula do Partido dos Trabalhadores, cada vez mais atolado no maior escândalo de corrupção da história nacional.

Alberto Youssef não apenas vem revelando as entranhas do Petrolão, algo anteriormente feito por Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras, como tem centenas de documentos (cópias de notas fiscais e de depósitos bancários) que comprovam as operações ilícitas que beneficiaram partidos políticos, empreiteiras e políticos. Isso é motivo mais do que suficiente para transformar sua eventual morte em objeto do desejo de nove entre dez acusados de participação no esquema criminoso.

Abaixo seguem alguns estranhos inexplicáveis crimes, os quais podem servir de ponto de reflexão para o problema de saúde do doleiro da Lava-Jato. Sempre lembrando que Dilma Rousseff, a presidente-candidata, disse certa vez que ela e o PT são capazes de fazer o diabo para vencer uma eleição. Que cada um que acessar esta matéria tire as suas conclusões, levando em conta que nos subterrâneos da política a palavra “coincidência” simplesmente inexiste.

Jogo sujo e rasteiro tirou a vida de Carlos Lacerda

O mal súbito que acometeu o doleiro da Operação Lava-Jato obriga o site a resgatar alguns fatos históricos com vieses quase idênticos. O primeiro deles trata da estranha morte de Carlos Lacerda, em 21 de maio de 1977, no Rio de Janeiro. O jornalista e ex-governador morreu em decorrência de endocardite bacteriana (infecção no coração) um dia após se internar na Clínica São Vicente, na cidade do Rio de Janeiro, com desidratação causada por uma gripe.

Com febre, Lacerda recebeu um medicamento injetável para baixar a temperatura e combater a infecção, mas despediu-se da vida horas depois. Contudo, há indícios de que uma cooperação entre militares da Argentina, Chile, Paraguai e Brasil – a Operação Condor – tenha sido a responsável pela execução de Carlos Lacerda no leito do hospital fluminense.

Outro caso de morte emblemática ocorreu na Itália, no vácuo da seara criminosa que emoldura o Vaticano. O editor do ucho.info é um dos poucos jornalistas ao redor do planeta que além de saber muito sobre a ação do crime organizado na Santa Sé, conhece como funciona os bastidores da Igreja Católica, sempre refém de criminosos desprovidos de escrúpulo, alguns deles escondidos debaixo de sisudas batinas.

Eliminação de Sindona como cartilha do crime

Ousado como banqueiro, Miclehe Sindona, conhecido como “Tubarão”, dirigiu uma instituição financeira na Suíça e levou à bancarrota a Banca Privata Italiana, tendo atuado durante décadas como braço financeiro da Cosa Nostra, a máfia siciliana. Sindona também foi acusado de pagar propina de US$ 5,5 milhões a ao bispo Paul Marcinkus e a Roberto Calvi, o milanês que presidiu o Banco Ambrosiano, ponta do iceberg que sacudiu o Vaticano no final doa anos 70 e no começo dos 80.

Em 1986, Michele Sindona foi condenado à prisão perpétua pela morte do advogado Giorgio Ambrosoli, ocorrida em 1979. Ambrosoli foi indicado pela Justiça italiana como síndico da massa falida da Banca Privata Italiana, quando descobriu a atuação criminosa de Sindona na instituição financeira. Antes disso, Michele Sindona foi nomeado pelo papa Paulo VI como assessor financeiro do Vaticano e membro do conselho de administração do Banco do Vaticano, cujo nome oficial é .

Diante dos fatos, o Vaticano, sem ter como explicar a nomeação do criminoso, informou por meio de nota que fora enganado por Sindoma. Cumprindo pena em prisão de segurança máxima na Lombardia, Michele Sindona prometeu revelar detalhes dos escândalos, mas morreu em sua cela, em março de 1986, enquanto tomava café. Durante a perícia, a polícia descobriu que a bebida continha cianureto, a mesma tática usada para assassinar João Paulo I. Momentos antes da sua morte, Sindona recebeu a visita do bispo Paulo Marcinkus, conhecido como Gorila e acusado de responsável pela morte do papa João Paulo I, que de acordo com informações oficiais foi vítima de infarto.

Quem foi Marcinkus

Nascido nos Estados Unidos, Paul Marcinkus, o Gorila (que já havia presidido o Banco Ambrosiano), chegou ao posto de terceiro homem mais importante do Vaticano e, durante dezoito anos (1971 a 1989), presidiu o Banco do Vaticano, que era sócio-controlador do Ambrosiano. Por seu porte físico avantajado e jeito truculento, Marcinkus passou a atuar como guarda-costas do papa Paulo VI e foi acusado de participar da trama que levou João Paulo I à morte.

O escândalo do Ambrosiano foi tamanho, que o Vaticano funcionou como refúgio para um marginal que falava em nome de Cristo não fosse preso e condenado. Para proteger Marcinkus, a Santa Sé colocou sua rede criminosa para atuar nos bastidores da Justiça italiana, a quem coube investigar o caso.

Para justificar a não punição a Marcinkus e aos outros administradores do Banco Ambrosiano, a Justiça italiana invocou o Tratado de Latrão, que transformou o Vaticano em Estado e prevê, em um dos seus artigos, que “os entes centrais da Igreja Católica estão isentos de qualquer ingerência por parte do Estado italiano”. Marcinkus viveu no Vaticano à sombra do Tratado de Latrão até voltar para os Estados Unidos, onde morreu em 2006.

O bárbaro e covarde assassinato de Celso Daniel

Então prefeito de Santo André, no Grande ABC, e à época um dos próceres do Partido dos Trabalhadores, Celso Daniel fora escolhido para ocupar o Ministério da Fazenda no primeiro governo do agora lobista Lula. Escalado para comandar a campanha presidencial petista, em 2002, Celso Daniel foi morto porque discordou da destinação dada ao dinheiro das propinas cobradas de empresários da cidade do Grande ABC.

Na verdade, o dinheiro imundo que serviria para financiar a campanha de Lula foi desviado, em parte, para outros fins. Alguns integrantes da cúpula petista se beneficiaram do tal desvio e adquiriram imóveis de padrão elevado em cidades de veraneio no entorno da cidade de São Paulo.

O caso do assassinato de Celso Daniel é um tanto complexo, mas com um pouco de paciência é possível compreendê-lo. A participação de petistas no crime explica a súbita e não explicada morte do médico-legista Celso Delmonte Printes, que defendeu a tese de que Celso Daniel foi barbaramente torturado.

A morte misteriosa do legista que incomodava o PT

Insistir na tese de que o assassinato de Celso Daniel foi um crime comum é não querer compreender o conteúdo das gravações telefônicas do caso, as quais foram divulgadas com exclusividade pelo ucho.info e cujos principais trechos estão disponíveis ao final desta matéria. De igual modo é irresponsabilidade ignorar o fato de que Celso Daniel foi barbaramente torturado. Em crime comum não há razão para tortura, quiçá não seja para se obter alguma informação.

O médico-legista Carlos Delmonte Printes, que acompanhou o caso, afirmou que Celso Daniel foi torturado antes de morrer. No dia 12 de outubro de 2005, Delmonte foi encontrado morto no seu escritório em São Paulo, em circunstâncias consideradas estranhas. Após investigações, a polícia concluiu que o legista morreu em decorrência da ingestão de três medicamentos.

No mesmo dia 12 de outubro, o editor do ucho.info, responsável pela divulgação das gravações do caso Celso Daniel, foi chamado por um destacado integrante da Justiça para ser informado sobre uma tentativa de intimidação e de um plano para matá-lo. O tal servidor do Judiciário, cujo nome será mantido em sigilo por questões de segurança, recebeu em seu gabinete um cidadão de nome Donizete, que afirmou estar a serviço de um “figurão” do PT, o qual está acostumado “a cortar o mal pela raiz”. A afirmação foi uma referência ao desejo desse “figurão”, à época com importante cargo na República, de eliminar o editor.

De acordo com o servidor da Justiça [desembargador], autoridades federais de segurança foram acionadas tão logo o capataz Donizete deixou o recinto. Na sequência, alguns familiares do editor (mãe e filhos) foram alvo de seguidas ameaças.

 

com informações de ucho.info

 

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