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Zeus nos livre das sete pragas dos gafanhotos vermelhos

     José Adalberto Ribeiro, jornalista
 

RIBEIROLÂNDIA – Neste domingo, 26 de outubro, haverá o Dia do Juízo Final na boca das urnas. Macunaíma, o herói sem nenhum caráter, entrou na roda. Dança, dança, Macunaíma!

Pelo amor de Zeus, ó benditas urnas, livrai-nos das sete pragas dos sapos, dos piolhos, dos pentelhos vermelhos, das moscas, das sarnas, das trevas e dos gafanhotos de Macunaíma. Amém! 

Os discípulos de Macunaíma querem construir para ele uma estátua o coração do Brasil. Em louvor da corrupção, da malandragem, da capoeira, em louvor das nossas mais honoráveis tradições desde a colonização.

Escrevi um belo dia, que por sinal não era tão belo, que a corrupção tá no sangue verde-amarelo. Vez por outra o Brasil tem surtos de moralidade. Mas, a corrupção é sistêmica, da epiderme até o miolo. 

Os brasileiros adoram Macunaíma, e não estou delirando. Olhai a boca das urnas! Pois só quem ama Macunaíma é que possui ouvidos capaz de cair na lábia dos devotos da corrupção. Olhai os lírios dos campos de petróleo, olhai as mutretas de Pasadena e da Petrobrás. Olhai as tetas dos fribois. O BNDES é uma mãe, mamãe!

O papaizinho aqui, serei eu também um corrupto, discípulo de Macunaíma? Sem delação premiada eu não sei de nada. Prometo que vou mandar investigar se sou corrupto.

Mas, estou desconfiado de mim mesmo, de ter cometido alguns malfeitos. Eu pecador me confesso a Zeus: revelei dia desses, perante a comissão da verdade vermelha, que quando menino eu era o chefe da quadrilha dos pivetes que roubavam manga rosa nos quintais dos vizinhos (a manga rosa tinha mais valor de mercado que as mangas espadas). Hoje quando eu vejo uma manga rosa no Bompreço fico vermelho de emoção e tenho vontade de dar um bote. Mas também tenho medo de ser preso e levado para o Cotel. Assim, controlo minhas emoções macunaímicas.

Naquele tempo da minha infância na Serra da Borborema os ladrões de galinha eram considerados antissociais e levavam surra da polícia. Ah que saudades dos ladrões de penosas das noites de lua cheia! Injustiça histórica, nunca houve delação premiada para eles. Quem não se lembra dos lanceiros de antigamente?! Eram os ladrões mãos de seda, especialistas na arte de furtar carteiras. Furtar carteiras na maciota é uma arte, exige muita destreza. Os lanceiros ganhavam a vida com muito sacrifício nas paradas de ônibus e outros locais de aglomerações. Não usavam armas, não faziam mal a ninguém. Generosos, surrupiavam o dinheiro e deixavam os documentos em algum lugar. Havia os lanceiros aventureiros que viajavam para atuar nas feiras de cidades do Interior. Quanta disposição! Quando eram presos contavam uma historia comovente e convenciam os delegados.

Os corruptos de hoje se consideram honestíssimos.

Eles tinham ética, não se apropriavam dos documentos de ninguém. Hoje existe até indústria de roubo de CPF. Isto, sem falar no Imposto de Renda, que confisca nossos salários e se você der bobeira será inscrito na dívida ativa da União, pelo simples fato de tentar uma sonegaçãozinha . Eu tremo de medo quando vejo o símbolo do Leão.   

Mas, a tremedeira maior, minha angústia, minha aflição, é a ameaça dos gafanhotos vermelhos.
Zeus nos livre das sete pragas dos discípulos de Macunaíma! Se o Brasil cair novamente nesses caminhos da perdição, só nos resta lembrar o poema de Drummond:

“Eu também já fui brasileiro,
Moreno como vocês.
Ponteei viola, guiei Ford
E aprendi na mesa dos bares que o nacionalismo é uma virtude.
Mas, há uma hora em que os bares se fecham
E todas as virtudes se negam”.
Agora repito a minha cantiga:

Pelo amor de Zeus, ó benditas urnas, livrai-nos das sete pragas dos sapos, dos piolhos, dos pentelhos vermelhos, das moscas, das sarnas, das trevas e dos gafanhotos de Macunaíma. Amém!      

FONTE:BLOGDOMAGNO

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