Mauri König ganha o Prêmio Maria Moors Cabot, de Columbia, por sua luta pelos direitos humanos e contra o tráfico sexual e a corrupção

por Jorge Eduardo Mosquera

Mauri König. Foto Jorge Eduardo Mosquera

Mauri König

O repórter Mauri König, da Gazeta do Povo, é um dos vencedores deste ano do Prêmio Maria Moors Cabot, o Cabot Prize, o mais antigo e um dos mais prestigiados do jornalismo mundial. O anúncio foi feito na quinta-feira (05) pela Escola de Jornalismo da Universidade de Columbia.

A premiação, criada em 1938 pelo industrial e filantropo Godfrey Lowells Cabot, em memória de sua mulher, Maria, é conferida desde 1939 e se destina a homenagear jornalistas que trabalham no ocidente e, por meio de suas reportagens, contribuem para o avanço da cooperação interamericana.

Junto com Mauri foram premiados o repórter da The New Yorker Jon Lee Anderson (autor da uma também premiada biografia de Che Guevara), a fotógrafa documentarista e repórter freelancer Donna DeCesare, especialista em América Latina, e o diretor da revista colombiana Semana Alejandro Rubino Santos.

Segundo o comunicado da universidade, Mauri König tem “arriscado a vida ao denunciar abusos contra os direitos humanos, tráfico sexual e corrupção”.

O presidente de Columbia, Lee C. Bollinger, disse que o Prêmio Maria Moors Cabot reconhece corajosas reportagens sobre a América Latina, onde a liberdade de imprensa ainda está distante e o exercício da profissão implica um grande risco pessoal. O prêmio não é concedido por um único trabalho, como o Prêmio Esso, no Brasil, mas por toda a obra construída pelo jornalista.

Os vencedores receberão medalhas e US$ 5 mil em cerimônia marcada para o dia 21 de outubro, no campus da universidade de Columbia.

“O melhor desse prêmio, assim como o Prêmio Internacional de Liberdade de Imprensa, que recebi em 2012, é o reconhecimento de todo um histórico profissional, e não de um trabalho apenas. É como uma chancela ao que se está fazendo”, escreveu Mauri König para A Gralha.

E mais: “Uma premiação como essa prova ser possível fazer jornalismo de qualidade e de profundidade mesmo em veículos regionais. No caso brasileiro, a Gazeta do Povo está fora do eixo Rio-São Paulo-Brasília, e mesmo assim permite a seus profissionais fazerem coberturas que transcendem sua área de circulação.“

A importância do prêmio: “O Cabot Prize se distingue das demais premiações não só pela antiguidade e por referendar o conjunto da obra de um profissional, mas também por prezar, antes de tudo, pela qualidade da informação que se está levando ao público, independentemente do porto do veículo de imprensa.”

Mauri König nasceu em Pato Branco (PR) em 1967. Graduado em letras e jornalismo, pós-graduado em jornalismo literário, iniciou a carreira jornalística em 1990 na tríplice fronteira Brasil-Paraguai-Argentina, onde foi correspondente de O Estado de S. Paulo, Gazeta Mercantil e Folha de Londrina. É repórter especial da Gazeta do Povo desde 2002.

König é um dos cinco jornalistas brasileiros mais premiados de todos os tempos, segundo ranking do Jornalistas&Cia e do Instituto Corda. Entre seus principais prêmios estão dois Esso, dois Embratel, quatro Vladimir Herzog, dois Lorenzo Natali Prize (da União Europeia) e outro da Sociedade Interamericana de Imprensa.

Em 2012, König ganhou o Prêmio Internacional de Liberdade de Imprensa do Comitê de Proteção aos Jornalistas, de Nova York. Agora o Prêmio Maria Moors Cabot, o Cabot Prize, o mais antigo prêmio do jornalismo mundial, concedido desde 1939 a jornalistas de todo o mundo que se destacam na profissão.

O Brasil Oculto é seu segundo livro. O primeiro, Narrativas de um correspondente de rua, de 2008, foi finalista do Prêmio Jabuti.

A bologueira cubana Yoani Sanchez, bastante criticada pela esquerda por suas posições e histórias inversossímeis sobre a vida em Cuba, participará da cerimônia para receber o prêmio conferido a ela em 2009. Naquele ano ela foi impedida de deixar Cuba. Os organizadores esperam agora que, com a mudança das leis cubanas, Yoani, que já viajou para vários países, compareça à entrega dos prêmios.

Os brasileiros que já venceram o Maria Moors Cabot são o porta-voz da Globo, Merval Pereira (2009); o maior repórter brasileiro desde sempre, José Hamilton Ribeiro (2006); a “urubóloga” Miriam Leitão (2005); o repórter especial do jornal carioca O Dia João Antônio Barros, de linha de trabalho igual à de Mauri König (2003); o hoje colunista da Folha Clóvis Rossi (2001); Ricardo Arnt, Gilberto Dimenstein e Otavio Frias Filho, todos da Folha (1991); Carlos Lins da Silva, também da Folha (1990); Roberto Civita, dono da Editora Abril (1988); Luiz Fernando Levy, Roberto Müller e Paulo Sotero, todos da Gazeta Mercantil (1987); Fernando Pedreira, do Estado de S. Paulo (1974); Alberto Dines, do Jornal do Brasil (1970); Alceu Amoroso Lima, líder católico e colunista do Jornal do Brasil (1969); M. F. Nascimento Brito, dono do Jornal do Brasil (1967); Roberto Marinho (1965); Hernane Tavares de Sá (1958); Paulo Bittencourt, dono do Correio da Manhã e Roberto Marinho (1957); Danton Jobim (1954); Austregésilo de Athayde (1952); Orlando Ribeiro Dantas (1948); Assis Chateaubriand (1945); Paulo Bittencourt e Sylvia Bittencourt (1941).


Transcrito d’A Gralha. Jornal eletrônico, redigido por Ana Cecília Pontes de Souza, Jorge Eduardo França Mosquera, Julio Tarnowski Junior e Leandro Taques, que acreditam ser possível construir uma imprensa livre, mas comprometida com um mundo melhor e a felicidade do ser humano.