O longa de animação “Uma História de Amor e Fúria”, foi o vencedor do 4º Festival de Cinema Brasileiro na China. O anúncio foi feito na noite de domingo (8/9) em Pequim.
A mostra oferece ao público chinês a rara chance de conhecer produções recentes do cinema brasileiro, que quase nunca chega ao circuito comercial do país.
Composto de profissionais ligados à indústria cinematográfica chinesa, o júri ficou dividido entre os cinco filmes exibidos no festival.
Ao final da votação, saiu vencedor o único filme da mostra com um conteúdo político explícito. Dividido em episódios, “Uma História de Amor e Fúria” conta a história do Brasil a partir da mitologia indígena.
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Um homem com quase 600 anos de idade acompanha a história do Brasil, enquanto procura a ressurreição de sua amada Janaína. Com traço e linguagem de HQ, mostra a história do Brasil como você nunca viu. A versão dos que nunca desistiram de lutar.
Do diretor Luiz Bolognesi e com vozes de Selton Mello, Camila Pitanga e Rodrigo Santoro, “Uma História de Amor e Fúria” é o mais novo longa-metragem de animação adulta brasileiro.
A própria aprovação do longa pela censura chinesa para exibição no festival já havia causado surpresa, por conter elementos considerados sensíveis no país.
A animação dirigida por Luiz Bolognesi refaz a trajetória do Brasil numa evolução de imagens sangrentas, até projetar um futuro sombrio, em que os pobres não tem acesso a água limpa.
No filme, curiosamente, o dinheiro usado num Rio de Janeiro dominado por milícias do ano de 2096 é o yuan, mesmo nome da moeda chinesa.
Além das cenas de sexo e violência, há um teor de subversão permanente que contraria a historiografia oficial brasileira, privilegiando o ponto de vista dos que combatem o poder.
O mote do filme é resumido na frase do protagonista (voz do ator Selton Melo): “Viver sem conhecer o passado é como andar no escuro”.
Ao justificar o voto dado ao filme, um dos jurados explicou que foi uma oportunidade de conhecer melhor a história do Brasil.
Ao longo de quatro dias de exibição em Pequim, os filmes atraíram um bom público. O festival agora terá uma segunda etapa de exibições em Xangai, entre os dias 13 e 15 deste mês.
Os outros filmes que participam da mostra são”Gonzaga, de Pai para Filho”, de Breno Silveira; “Elena”, de Petra Costa; “Girimunho”, de Clarissa Campolina and Helvécio Martins; “Doméstica”, de Gabriel Mascaro; e “Meu Pé de Laranja Lima”, de Marco Bernstein.
Na pré-seleção, a censura barrou quatro longas: “O Som ao Redor”, de Kleber Mendonça Filho; “Chamada a Cobrar”, de Anna Muylaert; “Rânia”, de Roberta Marques; e “O que se Move”, de Caetano Gotardo.