Lula e o Sertão de Deus: Quando a vaidade transborda mais que a água

A Soberba, a Prepotência e o Narcisismo Secam a Humildade

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante visita à estação de bombeamento da EBI-3, no Sitio Negreiros. Salgueiro (PE)  • Ricardo Stuckert / PR

Durante cerimônia de entrega do Ramal do Apodi, em Cachoeira dos Índios (PB), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez uma declaração que causou espanto e repercussão imediata: “Deus deixou o sertão sem água porque sabia que eu ia ser presidente da República e ia trazer água pra cá.” A fala, proferida diante de moradores e lideranças locais, soou menos como celebração e mais como um ato de exaltação pessoal — um espetáculo de soberba, prepotência e narcisismo que afronta a memória coletiva do povo sertanejo.

Ao se colocar como figura messiânica, quase escolhida por Deus para cumprir um desígnio, Lula ultrapassou os limites do discurso político para flertar com a autodeificação. Como se séculos de sofrimento, seca, fome e abandono tivessem sido apenas um intervalo providencial à espera de sua chegada. É, no mínimo, uma leitura ofensiva da realidade e da fé de um povo que resistiu por gerações à espera de políticas públicas dignas — e não de salvadores ungidos pela própria vaidade.

Essa postura revela um traço perturbador de liderança que se alimenta da ideia de centralidade absoluta: a crença de que nada existia antes dele e que tudo de bom que acontece só se torna possível por sua vontade. É a expressão pura do narcisismo político. Pior: é a transformação de um gesto de governo em culto personalista, como se a água que chega às torneiras sertanejas estivesse contaminada pela necessidade de aplauso eterno.

A soberba e a prepotência presentes nessa fala não são apenas desvios retóricos. Elas comprometem o espírito democrático, pois subjugam a coletividade à imagem de um único indivíduo. Esquecem que obras como a transposição do Rio São Francisco resultam do trabalho de muitas mãos, muitos técnicos, muitos anos e muitos governos — inclusive com críticas e ajustes feitos por diversos setores da sociedade.

O sertão não esperou Lula para ter sede, nem Deus precisa justificar a ausência d’água com a presença de um presidente. A fé do povo nordestino é muito mais antiga e mais profunda do que qualquer mandato. E sua história não pode ser reescrita ao gosto do ego de um só homem.

O Brasil precisa de estadistas, não de vaidosos que se imaginam encarnações divinas do progresso. O que o sertão espera — e sempre esperou — é respeito, dignidade, políticas públicas contínuas e um governo que compreenda que servir é muito mais nobre do que ser adorado.

Nova Tarifa Social na conta de energia: saiba quem pode se beneficiar em Pernambuco

Uma nova Medida Provisória (MP) do Governo Federal pode beneficiar mais de 1,2 milhão de pernambucanos inscritos na Tarifa Social de Energia Elétrica.

A proposta altera o formato de cálculo do benefício, reduzindo o limite de isenção de consumo de energia elétrica para até 80 kWh mensais. Atualmente, os descontos são escalonados, variando conforme a faixa de consumo até o limite de 220 kWh.

De acordo com Adriano Barros, representante comercial da Neoenergia Pernambuco, a mudança não altera o número de beneficiários neste momento, mas modifica a forma como o desconto é aplicado.

A conta de energia vai vir zerada?

Embora o consumo de até 80 kWh seja isento de tarifa, outras cobranças podem aparecer na conta de luz, dependendo da legislação local.

Em Pernambuco, por exemplo, há isenção do ICMS para quem consome até 140 kWh mensais. Já tributos federais, como PIS e Cofins, são calculados sobre o valor faturado, ou seja, se o faturamento for zero, esses impostos não incidem.

No entanto, a Contribuição de Iluminação Pública (CIP), criada por lei municipal, pode continuar sendo cobrada, variando conforme as regras de cada município.

Como ter acesso ao benefício?

O benefício da Tarifa Social é voltado para famílias inscritas no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico) ou que possuam o Número de Identificação Social (NIS).

Em Pernambuco, a orientação é que as pessoas procurem o Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) mais próximo para realizar o cadastro.

“Não é necessário que o titular da conta seja quem tem direito ao benefício. Basta comprovar a residência naquela unidade, apresentar o NIS no CRAS e fazer a associação da conta ao contrato”, explicou Adriano.

Esse cadastro já chega automaticamente para a empresa. Mas caso o consumidor tenha alguma dúvida ou deseje fazer o cadastro junto à fornecedora, pode ir até uma agência física de atendimento da Neoenergia.

Além do atendimento presencial, há canais como o telefone 116 e o WhatsApp (81) 3276-9900, além do aplicativo.

Lula assinará MP para usar rede privada contra fila do SUS em busca de marca na saúde

Na imagem, duas pessoas estão se cumprimentando com um aperto de mãos. À esquerda, um homem de cabelo grisalho e óculos, vestindo um terno escuro e uma gravata clara. À direita, um homem com barba branca e cabelo grisalho, também vestindo um terno escuro. Ao fundo, outras pessoas estão presentes, mas não são claramente visíveis. O ambiente parece ser uma cerimônia formal, com um fundo colorido.

Folha de S.Paulo

O presidente Lula (PT) deve assinar na sexta-feira (30) uma MP (Medida Provisória) para reformular o programa do Ministério da Saúde que promove o acesso a consultas e procedimentos especializados no Sistema Único de Saúde (SUS).

A medida busca reduzir a fila da rede pública e é a principal aposta do governo para emplacar uma marca forte na área da saúde.

Com a mudança na legislação, o ministério pretende encaminhar pacientes do SUS para serem atendidos dentro de clínicas e hospitais privados. Ao oferecer consultas, exames e cirurgias, esses estabelecimentos privados poderão abater dívidas com o governo.

A pasta comandada por Alexandre Padilha (PT) também deseja alugar espaços ociosos em hospitais com equipes contratadas pelo governo, além de expandir serviços de telemedicina.

A MP reformulará o programa Mais Acesso a Especialistas, lançado em 2024. O plano é elevar o orçamento do programa, hoje em R$ 2,4 bilhões anuais, para ao menos R$ 4 bilhões.

O valor captado ainda depende de negociações com o Ministério da Fazenda sobre o volume das dívidas a ser abatido, além das emendas que o ministério tentará atrair no Congresso. Em previsões mais otimistas, integrantes do governo falam em elevar o orçamento para R$ 7 bilhões ou até R$ 10 bilhões.

A pasta também deve lançar um painel com dados sobre as filas do SUS. A ideia é que os pacientes tenham acesso às informações sobre a espera por exames e cirurgias.

O governo começou a distribuir nesta terça-feira (27) os convites para o lançamento de programa do Ministério da Saúde “cujo objetivo é ampliar e acelerar o atendimento especializado para a população do SUS”. A cerimônia está marcada para ocorrer no Palácio do Planalto.

O mesmo evento deve marcar a inauguração de aceleradores lineares, que são equipamentos usados no tratamento de câncer, a hospitais localizados nos municípios de São Paulo (SP), Bauru (SP), Piracicaba (SP), Teresina (PI), Rio de Janeiro (RJ) e Curitiba (PR).

O ministério também quer que os hospitais privados contratados na nova etapa do programa de redução de filas do SUS tenham de expor a marca da iniciativa, a exemplo do que ocorre em ações como o Farmácia Popular.

No formato atual, o ministério repassa recursos para que estados e municípios financiem o atendimento em hospitais em prazo mais curto, mas não exige a exibição de símbolos do governo federal.

A MP deverá incluir procedimentos de ginecologia no programa, que hoje contempla ações de oncologia, cardiologia, oftalmologia, otorrinolaringologia e ortopedia.

A nova política também deve prever aumentar o repasse a municípios que expandirem turnos de atendimento especializado.

A expansão do orçamento do programa inclui a previsão de trocar ao menos R$ 2,7 bilhões em dívidas de hospitais e operadoras de planos de saúde por serviços. O abatimento das dívidas tributárias terá de ser incluída no orçamento de 2026.

Integrantes do ministério dizem que é difícil estimar a fila atual de procedimentos do SUS, pois há estados que adotam padrões de dados diferentes. Em 2023, porém, a pasta divulgou relatório apontando mais de um milhão de procedimentos cirúrgicos eletivos travados em todo o Brasil.

O ministério afirma que o SUS realizou 13,6 milhões de cirurgias eletivas no último ano, maior volume da história, e cerca de 10% superior ao registrado em 2023.

Uma medida provisória tem força de lei ao ser editada e efeito imediato, mas precisa ser aprovada pelo Congresso para se tornar lei definitiva. O prazo de vigência é de 60 dias, prorrogável uma vez por igual período, se não apreciada pelos parlamentares, deixa de valer.

Padilha recebeu deputados da base do governo nesta terça para apresentar e pedir apoio à MP. Uma das preocupações da equipe do ministro é sobre críticas que especialistas em saúde e integrantes da própria esquerda podem fazer às parcerias com o setor privado.

A proposta foi bem recebida pelos líderes partidários, mas com a ressalva de que ainda é preciso ver o texto da MP para analisar eventuais mudanças.

Padilha fez uma apresentação genérica, de acordo com os congressistas, e não detalhou, por exemplo, qual será a tabela para remuneração das instituições privadas que aceitarem participar do programa. Também não apresentou o orçamento e o novo nome.

O ministro disse aos parlamentares que trechos da MP ainda estão em discussão, mas que a medida será finalizada até sexta. O governo ainda irá lançar editais para cadastramento dos hospitais e operadoras que desejam trocar as suas dívidas ou alugar estruturas.

O ministério ainda deve lançar a reformulação do programa em eventos feitos em outros estados.

“É uma ação emergencial e positiva, em face do problema grave e urgente das filas. Não enfraquece o SUS”, disse o deputado Márcio Jerry (PCdoB-MA), após o encontro com o ministro.

A verba prevista atualmente no Orçamento para o Mais Acesso a Especialistas serve para custear cerca de nove milhões de exames e consultas especializadas em prazo mais curto, como até 60 dias. Quando o atendimento é finalizado nesse período, a secretaria de Saúde recebe um valor mais alto do que é pago pela Tabela SUS.

Na última semana, o presidente Lula afirmou que o relançamento do programa é uma prioridade do governo. “Muitas vezes a doença não espera, e as pessoas morrem. Estamos preparando para anunciar o mais especialistas, todo mundo tem direito a uma segunda consulta do especialista, tem direito a uma radiografia, que hoje só rico tem direito”, disse o presidente na abertura da Marcha dos Prefeitos.