Anielle Franco ficará afastada do cargo por uma semana, diz site

A ministra pediu um tempo para cuidar de sua saúde emocional após caso de assédio

Anielle Franco Foto: Bruno Spada / Câmara dos Deputados

A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, ficará afastada do cargo na próxima semana para tratar da sua saúde mental e emocional. A informação foi passada pela revista Veja e se refere ao caso de assédio sexual que Anielle sofreu por parte do ex-ministro dos Direitos Humanos, Silvio Almeida.

A notícia de que a ministra foi uma das vítimas de abuso por parte do ex-ministro ganhou os noticiários na semana passada e nesta sexta-feira (6) o presidente Lula resolveu demiti-lo do cargo.

A palavra de Anielle foi necessária para esclarecer as acusações, ela foi ouvida pelo controlador-geral da União (CGU), Vinicius Carvalho, o advogado-geral da União (AGU), Jorge Messias, a ministra das Mulheres, Cida Gonçalves, e a ministra de Gestão e Inovação, Esther Dweck.

Segundo a imprensa, o assédio de Silvio para com a ministra aconteceu durante uma reunião na sede do Ministério da Igualdade Racial, em Brasília (DF), em 16 de maio de 2023. Na ocasião, Almeida teria passado a mão entre suas pernas.

Depois da demissão do ex-ministro, ela se pronunciou pelas redes sociais dizendo que irá contribuir com as investigações, mas não deu detalhes sobre o acontecido.

– Peço que respeitem meu espaço e meu direito à privacidade. Contribuirei com as apurações, sempre que acionada – disse a ministra.

Site lista posição dos senadores sobre impeachment de Moraes

Um novo pedido de destituição do ministro será apresentado no Senado

Plenário do Senado Federal Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

O site Votos Senadores apresenta a lista da posição dos parlamentares sobre o pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Atualizado diariamente, o site traz informações de como votarão os senadores no pedido.

No placar deste domingo (8), a maioria não revelou como votaria sobre o caso. São 34 senadores indefinidos, contra 31 a favor da destituição de Moraes e 16 contrários.

A lista dos parlamentares que concordam com a saída de Moraes tem políticos de diversos partidos, como o Partido Liberal, Partido Novo, União Brasil, Progressistas, Republicanos e Podemos.

Na lista dos contrários, a maioria é do Partido dos Trabalhadores, segundo pelo PDT, PSD e PSB. Os senadores do chamado “Centrão”, são os indecisos sobre o assunto, como MDB, União Brasil, PSD, Republicanos, Podemos, Progressistas e outros.

NOVO PEDIDO SERÁ APRESENTADO
Um novo pedido de impeachment contra o ministro será protocolado na próxima segunda-feira (9).

O novo pedido se iniciou em 14 de agosto e é uma reação às denúncias contra Moraes, que foram publicadas pela Folha de S.Paulo, de suposto uso indevido da estrutura do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para perseguir aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O ministro negou as acusações.

O senador Eduardo Girão (Novo-CE) disse na semana passada que os senadores não vão votar no pedido, para não serem considerados impedidos no processo de julgamento.

Exílio de Edmundo González: Uma partida forçada, uma Venezuela que chora e um ditador que envergonha a América Latina. Por Flávio Chaves

  Por Flávio Chaves – Jornalista, escritor e membro da Academia Pernambucana de Letras. Foi Delegado Federal/Minc    –     É uma dor que transcende o corpo e a alma, esse exílio forçado que dilacera o coração. Edmundo González não partiu porque quis, não foi a saudade ou o desejo de novos horizontes que o empurraram para a Espanha. Foi a brutalidade de um regime, a mão pesada de um ditador que se agarra ao poder, o medo de uma nação envenenada pela tirania.

A Venezuela, sua pátria amada, já não era mais refúgio, mas prisão. A voz de Edmundo, que ecoava a esperança de um povo faminto por liberdade, foi silenciada pela perseguição implacável. Nicolás Maduro, com sua arrogância ditatorial, envergonha a terra que deveria proteger. Envergonha uma geração, uma América Latina que assiste, impotente, ao sufocar de um país outrora próspero.

E assim, sem o direito de escolher, Edmundo parte. O trem segue, mas seus sonhos ficam para trás, sepultados nas ruas de Caracas, entre o povo que ele não pode mais abraçar. Cada quilômetro rumo à Espanha é um pedaço de sua história que se esvai. Ele olha pela janela, mas a paisagem estrangeira não lhe fala de seus avós, de sua infância, de suas lutas. O trem segue, mas Edmundo segue vazio.

O exílio é uma violência que não se vê. É a morte de uma parte de si mesmo, é o grito que não encontra eco em solo estrangeiro. Edmundo, agora em solo espanhol, carrega consigo a angústia de quem foi arrancado de seu lugar. Ele leva consigo a dor de quem sabe que, ao voltar, não encontrará o país que deixou. Porque, quando o ditador toma o poder, rouba não só a liberdade, mas também a memória, a história e a identidade de um povo.

Nicolás Maduro, em sua recusa covarde de aceitar a vontade do povo, transformou a Venezuela em um palco de tristeza, medo e perseguição. Ele “amadureceu” apenas na crueldade. E enquanto Edmundo se afasta, seus olhos, cheios de saudade, miram um horizonte distante, sabendo que a jornada de retorno pode nunca acontecer.