As seis maiores emergências hospitalares de Pernambuco passarão por obras de manutenção – preventivas e corretivas. O Governo de Pernambuco, por meio da Secretaria de Administração (SAD) e da Secretaria de Saúde (SES), publicou, nesta sexta-feira (13), no Diário Oficial do Estado (DOE), o aviso da abertura do processo de contratação de empresas para a prestação dos serviços. O valor máximo total estimado é de R$ 84,3 milhões.
“Estamos garantindo a readequação das grandes emergências do Estado, melhorando a qualidade do serviço prestado à população e oferecendo espaços mais dignos para os profissionais de saúde, os pacientes e seus familiares”, afirmou a governadora Raquel Lyra.
O processo vai ocorrer de forma virtual, através da plataforma integrada de contratações públicas e gestão de bens e materiais de Pernambuco (www.peintegrado.pe.gov.br). As empresas interessadas devem entregar suas propostas até às 10h do dia 1º de outubro – data da realização do pregão eletrônico.
A licitação tem o objetivo de suprir as necessidades de infraestrutura das unidades de saúde com mão de obra qualificada e o fornecimento de materiais de manutenção de maneira contínua. Estão sendo contemplados no processo os hospitais Getúlio Vargas (R$ 9 milhões); Otávio de Freitas (R$ 15,8 milhões); Barão de Lucena (R$ 10,1 milhões); Agamenon Magalhães (R$ 15,4 milhões); Restauração (R$ 17,5 milhões); e Regional do Agreste (R$ 16,3 milhões). As propostas já podem ser realizadas pelas empresas no site do PE Integrado.
“A manutenção das nossas unidades hospitalares é fundamental para garantir a segurança e o bem-estar dos pacientes e profissionais de saúde. Nosso intuito é manter os nossos hospitais livres de pequenos problemas prediais, mantendo o ambiente mais adequado para cuidar melhor das pessoas”, disse a secretária de Saúde, Zilda Cavalcanti.
O processo de contratação para a manutenção predial dos hospitais em formato de pregão eletrônico faz parte do planejamento estratégico do Governo do Estado de execuções contratuais cada vez mais eficientes, visando o atendimento imediato para as necessidades da gestão pública. “A proposta é que os prestadores de serviço atendam às necessidades dos nossos hospitais de forma eficiente, executando a manutenção com a mão de obra e os materiais necessários, na parte estrutural, elétrica, hidráulica, bem como outras manutenções rotineiras que os prédios apresentem”, pontua o gerente de Licitações de Obras e Serviços de Engenharia da Secretaria de Administração, Romero Amorim.
Legenda da foto,A morte de Mahsa Amini, em 2022, gerou indignação global contra a repressão às mulheres no Irã
Dois anos depois de Mahsa Amini, de 22 anos, morrer após entrar em coma sob custódia policial, e dos protestos que se seguiram no Irã, muitas mulheres continuam desafiando o rigoroso código de vestimenta do país. Mas o retorno da polícia da moralidade às ruas e novas punições para quem desrespeitar as regras renovam os esforços das autoridades iranianas para controlar o que as mulheres vestem.
“De início, eu ansiosamente arregacei um pouco as mangas. Depois, gradualmente, deixei os botões do meu sobretudo abertos. Eventualmente, o lenço em volta do meu pescoço tornou-se apenas um pedaço de tecido sem sentido.”
Rojin, 36 anos, é uma das mulheres que pararam de seguir o rigoroso código de vestimenta do Irã nos últimos dois anos, apesar dos riscos. Recusar-se a usar o hijab (lenço de cabeça) em público pode levar a multas e prisão. O termo “atos diários de resistência” foi cunhado nas redes sociais por mulheres iranianas para descrever este e outros gestos de desobediência.
Rojin diz que parte do medo que as mulheres tinham de serem punidas “desapareceu”. Na cidade onde mora, Sanandaj, na província do Curdistão, ela diz que virou normal ver mulheres e meninas sem o hijab. “Você não consegue imaginar mais as ruas sem os cabelos soltos das meninas.”
Mahsa Amini morreu após ser presa pela polícia da moralidade por supostamente violar regras do uso do hijab. Testemunhas relataram, na época, tê-la visto sendo espancada dentro de uma van policial. O Irã negou reiteradamente ter causado sua morte, atribuída a um problema cardíaco repentino.
Mas em março, uma missão de investigação da ONU disse ter encontrado evidências de trauma no corpo de Masha, sofrido enquanto ela estava sob custódia policial, levando a missão a concluir que Masha morreu em decorrência de violência física.
A morte causou indignação generalizada contra a polícia da moralidade e o establishment clerical do país. E por mais que os protestos tenham diminuído após forte repressão das forças de segurança, para muitos no Irã a morte de Masha representou um ponto de virada.
A BBC Persa conversou com 18 mulheres de diferentes partes do país para entender o que mudou desde então. Estamos usando pseudônimos para protegê-las.
Todas concordam que não há como voltar a como as regras eram aplicadas antes da morte de Masha, mas também falaram dos esforços renovados das autoridades para aplicar regras, que determinam que as mulheres devem cobrir seus cabelos com hijab e usar roupas longas e largas para disfarçar suas curvas.
As patrulhas da polícia moral do Irã foram retomadas no ano passado após uma pausa gerada pela repercussão da morte de Masha. Câmeras de vigilância capazes de detectar mulheres sem hijab foram instaladas nas ruas e no transporte público.
Agora, carros com motoristas ou passageiras com cabelos descobertos podem ser confiscados. E, no ano passado, próximo ao aniversário da morte de Masha, o parlamento do Irã aprovou um polêmico projeto de lei que aumentaria as penas de prisão e multas para mulheres e meninas que violassem o código de vestimenta.
Agora, aquelas que estiverem vestidas “de forma inadequada” enfrentam a possibilidade de até 10 anos de prisão — para os quais foi acordado um “julgamento” de três anos — embora, por enquanto, a implementação tenha sido pausada devido a objeções do Conselho dos Guardiões do país.
Legenda da foto,Uma onda sem precedentes de protestos tomou o Irã em 2022 e as forças de segurança reagiram com repressão brutal
Várias mulheres com quem falamos dizem que planejam seus trajetos diárias de forma a evitarem serem detectadas. Sara K, 26, de Mahabad, diz: “Às vezes, pego os becos, o que torna o caminho mais longo, ou, em ruas onde sei que há câmeras, abaixo o quebra-sol (do carro) para esconder meu rosto.”
“O medo que o governo incutiu em nós — de que se você sair sem um hijab, será presa, forçada a assinar um termo de compromisso (por escrito de não quebrar a lei do hijab novamente), multada ou ter seu carro apreendido — faz com que a sociedade patriarcal pressione novamente as mulheres a cumprirem a regra de uso do hijab.”
A ofensiva relacionada ao código de vestimenta intensificou as divisões sobre o tema.
Enquanto alguns homens permanecem agindo em solidariedade às mulheres — ajudando-as, por exemplo, a fugir da polícia da moralidade — outros contribuem para garantir o cumprimento das regras.
Shadi, de Karaj, acredita que as tensões em torno do hijab aumentaram no ano passado.
Ela observa que alguns homens que apoiavam as mulheres agora estão mais propensos a criticar a escolha das roupas. O que Shadi atribui ao retorno da polícia da moralidade, à introdução de multas e à ameaça de fechamento de empresas que atendem mulheres consideradas violadoras do código de vestimenta.
Como resultado, ela escolhe roupas que permitem manter sua liberdade sem gerar problemas.
“Para evitar conflitos, tive que jogar um lenço em volta do pescoço, embora não acredite no hijab. Além dos avisos da polícia da moralidade, é frustrante quando pessoas comuns — motoristas de táxi, funcionários de cafés ou outros — me lembram disso.”
Nas ruas, policiais são responsáveis por fazer cumprir o código de vestimenta
Relatos de mulheres sendo presas, espancadas e multadas por não obedecerem às regras preocupam as famílias preocupadas com filhas determinadas a seguir no caminho escolhido apesar dos riscos.
“A prisão e a multa de mulheres não afetam apenas o indivíduo — tornam-se um problema para toda a família. Já vi muitos casos em que as famílias, de diferentes maneiras, tentam convencer suas filhas a usar o hijab fora de casa,” diz Rojin.
Reza, um advogado de 40 anos, de Teerã, diz saber de funcionários do sistema de justiça que usam os dados pessoais das mulheres de forma indevida.
“Em alguns casos, gerentes de escritório e funcionários do tribunal pegam os números de telefone das mulheres sob o pretexto de ajudá-las e flertam através de ligações até que o caso seja resolvido. As clientes, não tendo outra escolha, muitas vezes sentem-se forçadas a entrar no jogo para que o caso seja encerrado.”
Como o código de vestimenta surgiu
O rigoroso código de vestimenta do Irã remonta ao início dos anos 1980.
O país do Oriente Médio tornou-se uma república islâmica durante a revolução de 1979, quando a monarquia foi derrubada e os clérigos assumiram o controle político sob a liderança do aiatolá Khomeini.
Logo após assumir o poder, ele decretou que todas as mulheres deveriam usar o véu — independentemente de religião ou nacionalidade — e introduziu uma série de restrições às suas liberdades.
A polícia da moralidade — conhecida formalmente como “Gasht-e Ershad” (Patrulhas de Orientação) — tem a tarefa, entre outras coisas, de garantir que as mulheres estejam em conformidade com a interpretação das autoridades sobre o que são roupas “adequadas”.
Os policiais têm o poder de parar as mulheres e avaliar se elas estão mostrando muito cabelo; se suas calças e sobretudos são muito curtos ou justos; ou se estão usando muita maquiagem.
Em 2014, as mulheres iranianas começaram a compartilhar fotos e vídeos de si mesmas desrespeitando publicamente as leis do hijab como parte de um protesto online chamado “Minha Liberdade Furtiva”. Outros movimentos surgiram desde então, como “Quartas-feiras Brancas” e “Meninas da Rua da Revolução”.
Legenda da foto,Em Teerã, mulheres sem véus desafiam o rigoroso código de vestimenta do país – algo que se tornou mais comum desde a morte de Amini
As pressões que as mulheres enfrentam e as atitudes para mudar diferem pelo país.
Mas até mesmo áreas mais conservadoras viram uma mudança.
Sanaz, de Mashhad, uma cidade conhecida como um local de peregrinação religiosa, diz que costumava haver um “ambiente muito rigoroso” sobre o uso do hijab, mas a partir de 2022 as meninas começaram a aos poucos sair sem ele.
“É claro que varia de bairro para bairro. Em ruas como Vakilabad, Ahmadabad e Hashemieh, as mulheres são mais livres, mas em áreas como o entorno do santuário e Ferdowsi Boulevard, por causa do ambiente religioso, menos mulheres andam sem hijabs”, diz ela.
Mas embora algumas mulheres tenham ficado mais ousadas em Mashhad, e não haja patrulhas da polícia da moralidade na cidade, alguns civis agem como aplicadores das regras, diz Sanaz.
E apesar dos riscos significativos que enfrentam, as mulheres com quem a BBC falou insistem que continuarão a desafiar o código de vestimenta do país.
“Tendo experimentado um grau de liberdade neste país, vou continuar”, diz Shadi.
Legenda da foto,China enfrenta um rápido envelhecimento da opulaçãoPor Kelly Ng – Role, BBC News
A China “aumentará gradativamente” sua idade de aposentadoria pela primeira vez desde a década de 1950, à medida que o país enfrenta o envelhecimento da população e o encolhimento do orçamento previdenciário.
O Legislativo aprovou na sexta-feira (13/9) propostas para aumentar a idade legal de aposentadoria de 50 para 55 anos para mulheres em empregos que envolvem trabalho braçal ou manual e de 55 para 58 anos para mulheres em empregos administrativos e intelectuais.
Para os homens, o aumento da idade mínima de 60 para 63 anos.
A idade atual de aposentadoria da China está entre as mais baixas do mundo.
De acordo com o plano aprovado, a mudança ocorrerá a partir de 1º de janeiro de 2025, com as idades para aposentadoria serão elevadas a cada poucos meses ao longo dos próximos 15 anos, segundo a mídia estatal chinesa.
A aposentadoria antes da idade legal não será permitida, informou a agência de notícias estatal Xinhua, embora as pessoas possam adiar sua aposentadoria por no máximo três anos.
A partir de 2030, os trabalhadores também terão que fazer mais contribuições ao sistema de Previdência Social para receber pensões.
Até 2039, eles terão que ter 20 anos de contribuições para ter direito a pensões.
A Academia Chinesa de Ciências Sociais, administrada pelo Estado, disse em 2019 que o principal fundo de pensão estatal do país ficará sem dinheiro até 2035 — e essa estimativa era anterior à pandemia de covid-19, que atingiu duramente a economia chinesa.
O plano para aumentar as idades mínimas de aposentadoria e ajustar a política previdenciária foi baseado em “uma avaliação abrangente da expectativa de vida média, condições de saúde, estrutura populacional, nível de educação e oferta de força de trabalho na China”, informou a agência Xinhua.
Mas o anúncio atraiu algum ceticismo e descontentamento na internet chinesa.
“Nos próximos dez anos, haverá outro projeto de lei que adiará a aposentadoria até os 80 anos”, escreveu um usuário em um site de mídia social chinês Weibo.
“Que ano miserável! Trabalhadores de meia-idade enfrentam cortes salariais e aumento da idade de aposentadoria. Aqueles que estão desempregados acham cada vez mais difícil conseguir empregos”, outro entrou na conversa.
Outros disseram que aguardavam um anúncio assim.
“Isso era esperado, não há muito o que discutir. Os homens na maioria dos países europeus se aposentam aos 65 ou 67 anos, enquanto as mulheres aos 60. Essa também será a tendência em nosso país”, disse um usuário do Weibo.
Uma crise demográfica em desenvolvimento
A população da China caiu pelo segundo ano consecutivo em 2023, à medida que sua taxa de natalidade continua a diminuir.
Enquanto isso, sua expectativa de vida média aumentou para 78,2 anos, disseram autoridades no início deste ano.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde, quase um terço da população da China — cerca de 402 milhões de pessoas — terá mais de 60 anos até 2040, ante 254 milhões em 2019.
Uma economia em desaceleração, benefícios governamentais em declínio e uma política de filho único de décadas criaram uma crise demográfica crescente na China, escreveu a correspondente da BBC na China, Laura Bicker, no início deste ano.
A Previdência da China está ficando sem dinheiro, e o tempo do país está se esgotando para construir um fundo suficiente para cuidar do crescente número de idosos.
Na próxima década, cerca de 300 milhões de pessoas, que atualmente têm entre 50 e 60 anos, devem deixar a força de trabalho chinesa.
Esta é a maior faixa etária do país, quase equivalente ao tamanho da população dos Estados Unidos.