Mega-Sena acumula e prêmio vai para 100 milhões

61 apostas acertaram cinco dezenas e irão receber R$ 77.957,21 cada

Volantes da Mega Sena sendo preenchidos para apostas/Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Volantes da Mega Sena sendo preenchidos para apostas (Rafa Neddermeyer/Agência Brasil)

Nenhum apostador acertou as seis dezenas do concurso 2.875 da Mega-Sena, realizado nesta quinta-feira (12). O prêmio acumulou e está estimado em R$ 100 milhões para o próximo sorteio.

Os números sorteados foram: 06 – 15 – 31 – 38 – 40 – 49

61 apostas acertaram cinco dezenas e irão receber R$ 77.957,21 cada. 4.656 apostas acertaram quatro dezenas e irão receber R$ 1.459,06 cada.

Apostas

Para o próximo concurso, as apostas podem ser feitas até as 19h (horário de Brasília) de sábado (14), em qualquer lotérica do país ou pela internet, no site ou aplicativo da Caixa.

A aposta simples, com seis dezenas, custa R$ 5.

Morre Elyanna Caldas, dama do piano e da palavra em Pernambuco

   A cultura pernambucana amanheceu em silêncio nesta quinta-feira, 12 de junho de 2025. Faleceu em Recife, aos 88 anos, a pianista, professora e acadêmica Elyanna Caldas, uma das figuras mais respeitadas da música erudita e da literatura no Estado. Ela estava internada no Hospital Memorial São José, onde veio a óbito deixando um legado que ultrapassa partituras e páginas escritas: um legado de arte, elegância e dedicação.

Elyanna Caldas foi uma das fundadoras do curso de música da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), onde formou gerações de músicos, com o mesmo rigor técnico e sensibilidade estética que marcaram sua própria trajetória. Sua atuação como professora não se limitava ao ensino formal: era uma mentora silenciosa, uma referência para quem acreditava que a música era, antes de tudo, uma forma elevada de humanismo.

Mas Elyanna não se fez apenas no piano. Ela também ocupava a cadeira de número 14 da Academia Pernambucana de Letras, onde levou sua visão artística para além das teclas, abraçando a palavra como forma complementar de expressão. Era, portanto, uma mulher de dois mundos: o som e a escrita. A harmonia e o verbo.

Sua carreira não foi limitada às fronteiras de Pernambuco. Elyanna se apresentou internacionalmente, levando o nome da cultura brasileira a palcos na França, na Polônia e em outros países da Europa, sempre com o mesmo refinamento e sensibilidade que encantavam plateias e colegas.

A perda de Elyanna Caldas deixa um vazio na cena cultural, mas sua história permanece como símbolo de uma geração que acreditava na arte como instrumento de transformação e beleza. Em tempos de ruído, sua vida foi melodia. Em tempos de pressa, ela nos lembrava do valor do compasso. Hoje, Pernambuco perde uma artista, uma intelectual e uma mulher que afinou sua existência com as notas mais altas da sensibilidade.

O velório e demais informações ainda não foram divulgados pela família.

Vídeo: Bern nada, Recife afunda. Por Flávio Chaves

Milhões foram para o fundo: O Capibaribe nunca foi Rio, sempre foi cofre

 Obras de dragagem no Rio Capibaribe: uma promessa que se repete há décadas, afunda em discursos e nunca chega a emergir na realidade.

  Por Flávio Chaves – Jornalista, poeta, escritor e membro da Academia Pernambucana de Letras. Foi Delegado Federal/Minc  – Na capital da Suíça, uma cena beira o inacreditável para nós, brasileiros: ao fim do expediente, homens e mulheres de terno, vestidos e pastas retornam para casa não pela calçada, não pelo trânsito caótico de carros e buzinas, mas flutuando suavemente pelas águas cristalinas do rio Aare. Com bolsas impermeáveis que servem de boia e proteção para seus pertences, deixam-se levar pela correnteza límpida, em uma experiência que alia lazer, sustentabilidade e mobilidade urbana. Um ritual que traduz a simbiose entre cidade e natureza, entre planejamento público e bem-estar cotidiano. Bern vive o rio.

E por que não nós? O Capibaribe, se tivesse sido tratado como o Aare, poderia hoje ser muito mais do que a cicatriz cinza que corta o Recife. Poderia ser, por exemplo, uma alternativa viável e poética ao trânsito sufocante das avenidas asfaltadas. Um corredor urbano de água, navegável e nadável, para quem quisesse ir e vir com o corpo livre, com o tempo a favor e com a paisagem como companhia. Um espaço que unisse turismo, esporte, contemplação e deslocamento. Um rio vivo, útil e belo. Mas o que se vê é o contrário: um rio esquecido, malcheiroso, de costas para a cidade e cada vez mais distante de qualquer projeto de vida.

Desde a década de 1980, prefeitos e governadores assumem o cargo com o mesmo refrão eleitoral: despoluir o Capibaribe e torná-lo navegável. Sem exceção, todos prometeram. Nenhum cumpriu.

O que se vê, ano após ano, é um ciclo de discursos reciclados e orçamentos robustos. Projetos bilionários, estudos técnicos, audiências públicas, cerimônias de lançamento e depois… o silêncio da água escura e o mau cheiro. O que é mais cavernoso é a fortuna já despejada no rio. Quanto se gastou até hoje com consultorias, obras anunciadas e não entregues, barcaças fantasmas, píeres abandonados, dragagens inacabadas? Qual o volume de recursos públicos jogado no Capibaribe sem que ele, em retorno, tenha sequer voltado a ser um rio minimamente digno?

Enquanto o Aare é um corredor de vida, saúde e beleza, o Capibaribe tornou-se um canal de frustração coletiva, uma cicatriz urbana que corta o Recife e sangra a confiança do povo. Ali, em Bern, o rio integra a política ambiental com a mobilidade urbana e promove cidadania com prazer. Aqui, o Capibaribe é usado como retórica de campanha, apenas isso. Um símbolo não de transformação, mas de inércia.

A diferença entre os dois rios é mais que geográfica. É política. É cultural. É de compromisso com o bem comum. Se a Suíça nada em um projeto coletivo de sustentabilidade real, o Recife afunda na repetição de promessas que, ao longo de décadas, deixaram rastros de inércia e escândalo. É chegada a hora de encarar o Capibaribe como aquilo que ele sempre foi: um rio central para a vida da cidade, não um depósito de ilusões ou de esgotos.

Talvez, um dia, a gente possa também tirar os sapatos no fim do dia e mergulhar no coração da cidade. Mas, para isso, é preciso coragem. Coragem para romper com os ciclos de promessas vazias. Coragem para que o Recife volte a viver seu rio.