Justiça concede medida protetiva a Cíntia Chagas após agressões

Lucas Bove não pode se aproximar dela ou mencioná-la nas redes sociais ou imprensa

Cíntia Chagas e Lucas Bove Fotos: Alexia Privitera

A influenciadora Cíntia Chagas conseguiu na Justiça uma medida protetiva contra seu ex-marido, o deputado Lucas Bove (PL-SP), após registrar um boletim de ocorrência por agressão. De acordo com o portal Leo Dias, o parlamentar está proibido de se aproximar dela, entrar em contato ou mencioná-la em postagens ou meios de comunicação.

A decisão foi registrada no dia 5 de setembro de 2024, menos de um mês após o casal anunciar a separação. Assim, Bove deve manter distância mínima de 300 metros da influenciadora. A medida também protege os familiares de Cíntia e testemunhas.

A decisão foi assinada pela juíza dra. Danielle Galhano Pereira da Silva com base na Lei Maria da Penha. Entre as medidas de proteção, fica proibido até mesmo que o deputado frequente os mesmos locais que a influenciadora, ou que divulgue informações sobre ela, quer seja em suas redes sociais, ou na de terceiros. Caso não cumpra a decisão, Lucas Bove poderá ter a prisão preventiva decretada.

Cíntia Chagas e Lucas Bove se casaram em maio deste ano, em uma cerimônia realizada na Itália. O divórcio foi firmado em agosto, quase três meses após o casamento. Até o momento, nenhum dos dois chegou a comentar publicamente sobre o motivo da separação, até que o portal Leo Dias teve acesso ao boletim de ocorrência, provas anexadas e à decisão judicial.

Nobel de Literatura vai para escritora sul-coreana Han Kang

Segundo o comitê, Han foi escolhida “por sua prosa poética intensa que confronta traumas históricos e expõe a fragilidade da vida humana”. Ela é a primeira mulher asiática a ganhar o prêmio.

Escritora sul-coreana é a 18ª mulher a receber o Nobel de Literatura

O prêmio é atribuído à pessoa que “tiver produzido no campo da literatura o trabalho mais notável. Cada vencedor recebe 10 milhões de coroas suecas (cerca de R$ 5,3 milhões). 

Segundo a Academia, Han foi escolhida “por sua prosa poética intensa que confronta traumas históricos e expõe a fragilidade da vida humana.” 

“Em sua obra, Han Kang confronta traumas históricos e conjuntos de regras invisíveis e, em cada um de seus trabalhos, expõe a fragilidade da vida humana. Ela tem uma consciência única das conexões entre o corpo e a alma, os vivos e os mortos e, com seu estilo poético e experimental, tornou-se uma inovadora na prosa contemporânea”, escreveu a Academia.

Han é autora de romances, ensaios e contos. Ela é a primeira mulher asiática a ganhar o prêmio. Ela também é apenas a segunda sul-coreana a ganhar o Prêmio Nobel em qualquer categoria. O primeiro foi o ex-presidente Kim Dae-jung, laureado com o Nobel da Paz em 2000

Quem é Han Kang 

Han Kang nasceu em 1970, na Coreia do Sul, na cidade de Gwangju. Aos nove anos de idade, ela se mudou para a capital Seul. Ela estudou literatura coreana na Universidade Yonsei, na capital.

Ela tem sido aclamada pela crítica em seu país natal, com poemas publicados desde 1993, e foi vencedora do Prêmio Internacional Man Booker, em 2016, com o romance A Vegetariana, originalmente editado em 2007. Em 2018, foi finalista com o romance O Livro Branco. Ambos possuem tradução para o português publicados pela Editora Todavia

Em 2016, Han disse que escrever romances “é uma forma de questionamento para mim”.

– Eu apenas tento completar minhas perguntas por meio do processo de minha escrita e tento permanecer nas perguntas, às vezes  dolorosas,às vezes, bem, às vezes exigentes – afirmou.

Com A Vegetariana, a escritora disse que queria “questionar sobre ser humano e queria descrever uma mulher que, desesperadamente, não queria mais pertencer à raça humana por mais tempo e queria desesperadamente rejeitar seres humanos que cometem tanta violência.”

Escrito em três partes, o livro narra a violenta repercussão da decisão da protagonista de não comer carne. Seus romances geralmente apresentam protagonistas femininas que se sentem isoladas ou em desacordo com as rígidas normas sociais da Coreia do Sul

“A empatia física de Han Kang por histórias de vida extremas é reforçada por seu estilo metafórico cada vez mais carregado”, escreveu a Academia Sueca. Seu último romance traduzido no Brasil, em 2023, foi o livro Lições de Grego (Editora D. Quixote), originalmente publicado em 2011. “O livro é uma bonita meditação sobre perda, intimidade e as condições finais da linguagem”, disseram os organizadores do Prêmio Nobel. 

Outra obra aclamada da autora é Atos Humanos, de 2014 e publicado em 2021 pela Editora Todavia. No livro de ficção, ela narra eventos reais que aconteceram em sua cidade natal, Gwangju, quando centenas de estudantes foram assassinados pelo Exército, em 1980.

Reformulação da Academia

Ela é apenas a 18ª mulher a receber o Nobel de Literatura entre os 121 laureados desde 1901. A última premiada foi a francesa Annie Ernaux, em 2022.

A Academia Sueca, organizadora do prêmio, recebe constantes críticas pelo longo histórico de premiação a homens e pela baixa representatividade geográfica dos vencedores na categoria literária. Entre os 121 ganhadores, por exemplo, 97 eram europeus. 

Em 2018, a entrega do prêmio chegou a ser adiada após 18 mulheres denunciarem o marido de uma integrante da Academia Sueca por assédio sexual, por meio do movimento #MeToo. 

Desde então, a organização prometeu dedicar maior foco à diversidade geográfica e linguística dos laureados. A proposta é parte de um longo trabalho de redefinição dos critérios para a escolha dos melhores escritores. Das 18 mulheres vencedoras, por exemplo, 9 foram laureadas nas duas últimas décadas.

Outros vencedores

Até agora, foram anunciados os vencedores do Nobel de Química, o bioquímico David Baker e os especialistas em IA Demis Hassabis e John M. Jumper por calcular estruturas proteicas tridimensionais, o Nobel de Física, que foi para os cientistas John Hopfield e Geoffrey Hinton, que “usaram conceitos fundamentais da física estatística para criar redes neuronais artificiais que funcionam como memórias associativas” e o Nobel de Medicina, entregue aos americanos Victor Ambros e Gary Ruvkun pela descoberta de uma nova classe de moléculas de RNA.

Deputados do PSOL denunciarão Lucas Bove por agredir Cíntia

Bancada irá representá-lo no Conselho de Ética

Lucas Bove Foto: Marco A. Cardelino/Alesp

A bancada do PSOL na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) anunciou que, nesta sexta-feira (11), entrará com uma denúncia contra o deputado estadual Lucas Bove (PL) junto ao Conselho de Ética. A representação será em função da acusação de que ele teria agredido sua ex-mulher, a influenciadora Cíntia Chagas.

Os psolistas justificarão os atos de violência do parlamentar como “quebra de decoro” para pedir sua cassação. Segundo a deputada Mônica Seixas (PSOL), há previsão no regimento interno para denunciá-lo politicamente.

– É inaceitável e chocante que um agressor de mulheres esteja em cargo de autoridade. Eu, como muita gente, fiquei chocada com os relatos de violência física e psicológica que o deputado Lucas Bove cometeu contra sua ex, Cíntia Chagas. Me choca ler que ele ameaçou destruir a reputação dela e não se preocupou com a sua, muito seguro de que homens podem seguir agredindo e violentando. Violência contra mulher é crime, e como tal, há previsão no regimento da Casa de quebra de decoro – disse Seixas ao portal Metrópoles.

O portal Leo Dias foi quem divulgou o motivo da separação do casal após ter acesso ao boletim de ocorrência movido pela influenciadora contra o deputado. Cíntia alegou agressões físicas e psicológicas e ainda anexou provas ao boletim de ocorrência.

A Justiça já concedeu uma medida protetiva contra seu ex-marido e desde então, Bove deve manter distância mínima de 300 metros da influenciadora; está proibido de frequentar os mesmos lugares que ela; não pode mencioná-las em suas redes sociais ou veículos de imprensa; nem mesmo tentar contato com a vítima.

Cíntia Chagas e Lucas Bove se casaram em maio deste ano, em uma cerimônia realizada na Itália. O divórcio foi firmado em agosto, quase três meses após o casamento. As fotos do boletim de ocorrência mostram que a violência acontecia desde o início do namoro, em 2022.