Raquel Lyra anuncia fim da cobrança do Fundo Estadual de Equilíbrio Fiscal

Com o objetivo de melhorar o ambiente de negócios no Estado, a governadora Raquel Lyra anunciou, nesta quinta-feira (17), o fim da exigência do Fundo Estadual de Equilíbrio Fiscal (FEEF). A medida foi detalhada durante reunião na sede da Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe), que contou com a presença da vice-governadora Priscila Krause, e do presidente da FIEP, Bruno Veloso. O pleito antigo do empresariado foi atendido a fim de aumentar a competitividade de Pernambuco em relação a outros estados, criando um ambiente mais favorável ao desenvolvimento econômico e à atração de novos investimentos.

O Projeto de Lei com a implementação das mudanças no FEEF será enviado à Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) nos próximos dias. “A extinção do FEEF foi construída com muito diálogo com os representantes da indústria. Desenhamos o melhor cenário possível, com a redução de maneira escalonada já a partir do próximo ano. Com o fim do Fundo, a indústria será mais estimulada a investir mais em Pernambuco e garantir mais competitividade para o nosso mercado interno. Temos a certeza de que depois de tantas negociações, vamos ter aprovação por ampla maioria na Alepe para fazer de Pernambuco um estado bom para fazer negócios e empreender, gerando emprego e renda para toda a população”, ressaltou Raquel Lyra.

A extinção do Fundo Estadual de Equilíbrio Fiscal (FEEF) ocorrerá de forma escalonada. A redução gradual da alíquota será de 2% ao ano, saindo de 10% para 8% em 2025, e de maneira sucessiva passará para 6% em 2026, 4% em 2027 e 2% em 2028; sendo zerada no ano de 2029. De acordo com a Secretaria da Fazenda, o valor pago mensalmente a partir de janeiro de 2025 não será superior ao valor pago no mesmo mês de 2024, proporcionando maior previsibilidade para o planejamento financeiro das empresas.

O secretário estadual da Fazenda Wilson José de Paula afirmou que o fim do Fundo de Equilíbrio Fiscal corresponde ao momento de crescimento econômico do Estado. “Esse é um pleito histórico do setor produtivo de Pernambuco e esse trabalho que a governadora fez tem como objetivo alcançar o equilíbrio das contas de Pernambuco. O FEEF visava ao equilíbrio fiscal do Estado num período muito difícil. Mas agora, nesse momento de retomada de crescimento de Pernambuco, a governadora entendeu que é hora de dar um fim a essa exigência do fundo de forma gradual”, explicou.

Além disso, as empresas terão a oportunidade de regularizar possíveis pendências referentes ao FEEF por meio de um parcelamento em até 60 meses, sem comprometer sua saúde financeira. Essa ação integra a política de conformidade fiscal, reforçando a importância da adesão aos programas de regularização tributária como ferramenta de apoio ao crescimento sustentável.

O presidente da FIEP, Bruno Veloso, ressaltou que a extinção do FEEF foi uma construção com diferentes atores. “Com a medida anunciada hoje, chegamos ao que consideramos um entendimento possível e viável para todos. A indústria recupera parte da sua competitividade, Pernambuco fortalece seu ambiente de negócios para manutenção e atração de investimentos e a sociedade próspera com mais oportunidades para geração de emprego e renda. Uma construção baseada no diálogo entre empresários, deputados estaduais e Governo do Estado”, considerou.

Já o secretário de Desenvolvimento Econômico, Guilherme Cavalcanti, afirmou que a iniciativa garante maior sustentabilidade econômica para o Estado. “Este Fundo foi instituído em caráter temporário até que os estados encontrassem equilíbrio fiscal. E Pernambuco conseguiu equilibrar suas contas a partir da gestão feita pela governadora Raquel Lyra. Essa é uma medida de justiça fiscal, de melhoria do ambiente de negócios e fortalecimento do tecido industrial de todo o Estado”, comentou.

Antônio Skármeta: O carteiro da poesia eterna. Por Flávio Chaves

O escritor chileno Skármeta, autor do romance “O Carteiro de Pablo Neruda”, morreu nesta terça-feira aos 83 anos

      Por Flávio Chaves – Jornalista, poeta, escritor e membro da Academia Pernambucana de Letras. Foi Delegado Federal/Minc       – Antônio Skármeta nos deixou neste 15 de outubro, e a dor de sua ausência parece apertar o peito. No entanto, a grandiosidade de sua vida ecoa em cada canto onde a literatura se entrelaça com a ternura, onde o amor e a liberdade caminham lado a lado. Em cada página escrita, em cada personagem que deu vida, o autor chileno soube nos ensinar sobre a beleza da simplicidade e o poder das pequenas ações.

Tive o privilégio de conhecê-lo em 2009, durante a Fliporto, o Festival de Literatura de Porto de Galinhas. Daquele encontro, surgiu uma amizade fraterna, cultivada através de correspondências nas quais falávamos sempre sobre cinema, literatura e, principalmente, sobre as questões sociais que tanto nos doíam. Ele tinha um olhar profundo para os excluídos, aqueles que muitas vezes o mundo abandona à própria sorte. Lembro-me de uma vez em que lhe perguntei: “Quanto de sonho um homem precisa para sobreviver nesse mundo cruel em que habitamos?”. E ele, com sua sensibilidade de escritor e poeta, respondeu de maneira delicada e inteligente, como só ele sabia fazer, mostrando que os sonhos, embora desafiados pelas realidades duras, são o alicerce de nossa existência.

Quatro anos depois, nosso caminho se cruzou novamente, numa viagem a São Paulo, onde nossa amizade se fortaleceu ainda mais, quando nos reencontramos na Feira do Livro do Colégio Miguel de Cervantes. Voltamos a nos ver, dessa vez em uma viagem ao Chile. Naquela ocasião, fui levado a refletir sobre a força da literatura latino-americana. Sempre acredito que o mundo da literatura é um tacho que arde e pesa como chumbo. O literato é um ser, permanentemente, em estado de exílio.

É impossível não lembrar O Carteiro e o Poeta, a obra que trouxe consigo a suavidade da poesia de Pablo Neruda e a força do amor ingênuo de Mario Jiménez. Mario, aquele jovem carteiro que, sem conhecer a profundidade das palavras, buscava no poeta um meio de conquistar a bela Beatriz. Ah, Beatriz… quantas Beatrizes habitam nossas vidas, pessoas que nos fazem querer ser mais, querer entender o mundo de uma maneira mais lírica, mais poética.

A vida para ele sempre se apresentou com esse encanto. Ele acreditava que o amor tinha uma linguagem própria e que a poesia poderia transformar o mais singelo dos gestos em algo eterno. O carteiro, com sua simplicidade, não buscava apenas as palavras; ele queria o sentido, o pulsar da vida que Neruda lhe ensinava a sentir. E o poeta, com sua grandeza, desvelava a Mario que o amor não se conquista, mas se cultiva — como uma metáfora, que exige tempo, paciência e a delicadeza de um olhar profundo.

Como não pensar agora no escritor, e imaginar que ele próprio foi esse carteiro, que percorreu os caminhos da vida carregando poesia e histórias para todos os que tiveram a felicidade de cruzar seu caminho? Sua literatura, sempre envolvida pelas dores e as esperanças do Chile, também era uma carta de amor ao mundo. Ele soube como poucos narrar a vida comum com uma beleza que nos faz parar e refletir sobre o que realmente importa.

Seus livros, como O Carteiro e o Poeta, nos mostraram que as palavras são capazes de abrir portas para o amor, para a liberdade e para a justiça. Ele não apenas escrevia, ele nos abraçava com suas histórias. Ensinava a amar o impossível, a lutar pelo que acreditamos e a nunca desistir de nossos sonhos.

Hoje, enquanto tentamos lidar com sua partida, podemos sentir que o mundo ficou um pouco mais vazio. Mas também sabemos que nos deixou um legado que jamais desaparecerá. Suas histórias estão guardadas em nossos corações e nos fazem olhar o mundo com mais ternura. Talvez, assim como Mario, estejamos sempre em busca das palavras certas para expressar o que sentimos. E, com sua delicadeza e sensibilidade, ele nos mostrou que, às vezes, o mais simples dos gestos — como o voo de uma metáfora — pode conter o infinito.

Que a saudade por ele seja como a poesia: eterna e suave. E que, enquanto escrevo essa crônica, possa sentir que ele ainda está aqui, falando aos ouvidos a beleza das palavras que nos deixou.

Goleada agridoce. Por CLAUDEMIR GOMES

Por CLAUDEMIR GOMES

A décima rodada das Eliminatórias Sul-americanas para a Copa de 2026 foi marcada por uma enxurrada de gols: a rede balançou 17 vezes nos cinco jogos realizados. Mas é importante observar que, goleadas nem sempre traduzem a história real dos jogos com fidelidade. Isto é fato. Alguns resultados mascaram a realidade dos fatos.

A Seleção Brasileira, nas duas últimas apresentações, contra Chile e Peru, respectivamente, o lanterna e o vice lanterna das Eliminatórias Sul-americanas, contabilizou duas vitórias – 2×1 (Chile) e 4×0 (Peru) – resultados que levaram o time a dar um salto na tabela de classificação, e folgaram o nó da corda que estava apertando o pescoço do técnico Dorival Júnior.

Dorival Júnior no comando da Seleção Brasileira é um exemplo clássico da dualidade entre o ser e o parecer, onde fica ressaltada a importância da aparência nas relações humanas. O treinador, que em início de carreira teve uma passagem pelo Sport, tem qualidades que são inquestionáveis, mas sua aparência na área técnica durante os jogos é de um %u201Cbobão%u201D. Como bem disse o imperador romano, Júlio César: “A mulher de César não basta ser honesta, deve parecer honesta”.

As disputas das Eliminatórias Sul-americanas alcançaram o returno e o cenário começa a ser definido. No final teremos um quadro similar ao das disputas passadas. Brasil e Argentina são figuras carimbadas; a novidade da vez é a Colômbia; Equador e Uruguai também devem passar. Enfim, como foram abertas mais vagas, com o aumento do número de seleções, quem tem pouca qualidade técnica também embarca no último vagão.

A Copa do Mundo perdeu muito do seu encanto quando o viés comercial passou a ser a coisa mais importante para a FIFA. Os primeiros parceiros comerciais da entidade que promove a competição foram vistos no Mundial da Argentina, em 1978. De lá pra cá a coisa tomou uma proporção gigantesca, com um salto estratosférico pós Mundial dos Estados Unidos, em 1994, quando o Brasil conquistou o tetracampeonato.

Diria que a qualidade técnica da disputa caiu quase que proporcionalmente, mas em sentido contrário, ao crescimento comercial. Hoje, a Champions League nos oferta jogos com qualidade técnica superior às partidas da Copa do Mundo. Vale lembrar que, para tudo existe exceções. Mas no geral é assim.

Portanto, não nos enganemos com a goleada imposta pela Seleção Brasileira aos pernas-de-pau do Peru. O que aconteceu ontem, no Estádio Mané Garrincha parecia mais um clichê das inúmeras CPIs que são colocadas para votação no Congresso, e na Câmara, e tudo termina em pizza.

É mestre José Joaquim Pinto de Azevedo! A cantiga da perua é uma só. Por incrível que pareça, nas arquibancadas, aquela elite estranha que só vai a jogos da Seleção porque ganha convites, ainda canta: “Pra frente Brasil, salve a Seleção”.

É um show!