Brasil é campeão do comprometimento de renda para pagar dívidas pessoais

Enquanto bancos têm lucros bilionários, 62% dos brasileiros estão endividados | Sindicato dos Bancários

Charge reproduzida do Google

José Roberto de Toledo
do UOL

O brasileiro sobe no mais alto lugar do pódio quando o assunto é comprometimento de renda para pagar dívidas, afirmou o professor Lauro Gonzales, da Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP). O primeiro lugar se deve a uma inclusão financeira apoiada numa obtenção de crédito predatória. Segundo o especialista, enquanto o acesso e uso a serviços financeiros explodiram recentemente, a qualidade ainda deixa muito a desejar.

Acesso é, digamos, as pessoas terem possibilidade de acessar um serviço financeiro. Isso é diferente do uso, porque não é porque você tem acesso, que você vai usar. (…) Tem três grupos de fatores andando juntinhos. Um é o próprio Banco Central e uma série de mudanças regulatórias que aconteceram, eu diria que nos últimos vários anos, cujos efeitos se somaram, não é uma coisa só.

VEJAM O PIX – Para dar exemplos concretos, o Pix. O Pix é uma mudança recente, final de 2020 (…). A existência das fintechs, dessas instituições de pagamento, onde a gente vai, a gente vê aquelas maquininhas hoje (…). A explosão disso tem a ver com mudanças regulatórias que aconteceram também nesse período todo.

O segundo grupo de fatores são as novas tecnologias e novos atores que, hoje, oferecem serviços que só bancos ofereciam. O terceiro é o grande aumento no volume de transferência de recursos, caso do Bolsa Família recentemente.

O Brasil ficou muito tempo numa espécie de ‘série B’ de contas correntes, por exemplo, ou de contas em instituições formais. Acho que esse é um bom exemplo. Por quê? Porque essas contas são a porta de entrada para vários outros serviços. O Brasil estava lá naquela faixa, mais ou menos assim, cerca de 60% dos adultos com conta corrente.

VIROU FRANÇA – Então, o Brasil estava numa posição intermediária. O Brasil não estava lá embaixo na ‘série C’, mas não estava como os países desenvolvidos. Nos últimos anos, deu um salto. O Brasil, em poucos meses, virou a França.

O acesso, o número de adultos com conta corrente hoje, é semelhante ao de países desenvolvidos, acima de 90%. Se a gente pega, por exemplo, o número de pessoas que são beneficiárias do Bolsa Família e tem conta corrente, esse número hoje já está próximo de 100%. Utilizando essas contas formais, acesso e uso, nesse caso. Então, aumentou drasticamente.

Segundo Lauro Gonzales, professor da FGV, se o acesso e o uso explodiram, a qualidade tem muito a melhorar, e o resultado é o endividamento da população, sobretudo da parcela mais pobre.

ENDIVIDADOS – Quando a gente olha, por exemplo, o comprometimento de renda da galera que está dentro do Bolsa Família — e esse número me assustou, confesso, quando eu olhei essa pesquisa —, a gente vê, assim, coisa da casa de 35% da renda comprometida com pagamento de amortização e juros de dívida para usuários do Bolsa Família. Sendo que esse número já é alto para a população em geral. No Brasil, tipicamente, esse número varia entre 25% e 27%, conforme dados do próprio Banco Central (…).

“De cada R$ 100 que você ganha, em média, R$ 36 está indo para o pagamento, só sobra R$ 64”, diz Lauro Gonzales. “Isso é muito por duas razões. Primeiro, se a gente comparar com outros países, o segundo colocado tem um nível de comprometimento de renda que é tipicamente metade do existente no Brasil. Isso é, a população em geral. Entre os pobres, eu tenho certeza que o Brasil é campeão com esses números que eu estou falando”.

O professor da FGV salienta que os dados da pesquisa refletem a dimensão da qualidade.

TIPO DE CRÉDITO – “Então, que tipo de serviço, que tipo de crédito essa população está consumindo? Não é o crédito que o Acredita [programa de crédito do governo federal] está se propondo a fazer”, indaga Lauro Gonzales, acrescentando:

“Esse crédito que hoje está inchando, está engrossando o caldo do endividamento, é um crédito muito ligado a consumo e muito ligado a uma combinação de cartão de crédito e consignado. Aliás, o consignado é um capítulo à parte nessa história toda, porque muito embora as taxas sejam baixas, ele pode acabar sendo utilizado assim como alavanca para outros créditos, ele pode acabar comprometendo uma parcela muito grande da renda também”, conclui o economista, preocupado com o crescente endividamento do governo e da população.

A alta rejeição de Guilherme Boulos prejudica sua arrancada na reta final

19.out.2024 - Apoiadores de Guilherme Boulos (PSOL) aguardavam por candidato e pelo presidente Lula (PT) na zona sul de São Paulo, mas ato foi cancelado

Neste sábado, Lula cancelou caminhada por causa da chuva

Roberto Nascimento

O eleitor de São Paulo foi massificado pela estratégia do prefeito Ricardo Nunes (MDB), que associa o candidato do PSOL como radical de esquerda, isso assustou a classe média e até eleitores da periferia.
Nem mesmo a gestão incompetente de Nunes no Apagão Elétrico, ao não retirar em tempo hábil, as árvores caídas nas vias urbanas e culpando exclusivamente a ENEL, deu os resultados esperados por Boulos. Na última semana, o prefeito recuou apenas 4 %, nas pesquisas.

DESCOLADO – Nunes inteligentemente, dispensou o apoio de Bolsonaro, com alta rejeição na capital, o que poderia contaminar o prefeito como um negacionista, reacionário, golpista e anticiência, as marcas do ex-presidente. Nunes preferiu colar no governador privatista e atual queridinho dos poderosos empresários da Avenida Faria Lima.

Aliás, o sucesso nas pesquisas do candidato Nunes, tem sido colocado na conta de Tarcísio, o que tem tornado Jair Bolsonaro uma fera ferida, porque gregos e troianos do poder político e empresarial já “elegeram” o governador como futuro presidente.

Bastou Valdemar da Costa Neto, presidente do PL, expressar o óbvio, dizendo que Tarcísio é o candidato da direita para 2026, dando como certa a inelegibilidade de Bolsonaro, para abrir um climão entre Bolsonaro e Valdemar.

PLANO B – O ex-presidente ameaçou abandonar o PL e criar um partido para chamar de seu. Costa Neto quase teve um infarto. Tentou botar panos quentes, incluindo o filho Eduardo Bolsonaro como um bom nome para presidente, mas Bolsonaro ficou ainda mais irritado, porque o número um da Direita é ele e o plano B sempre foi Flávio Bolsonaro, o senador.

No campo da esquerda, Boulos foi praticamente abandonado pelo PT e por Lula, que nunca acreditaram na viabilidade do candidato do PSOL. O PT está um pote até aqui de lágrimas com o eleitor paulista, que não crê como antes no sonho das propostas petistas, agora defasadas com os novos desafios de um tempo tecnológico, de IA e do empreendedorismo, tão bem percebido e explorado pel  /,o enganador e encantador de serpentes Pablo Marçal.

Neste sábado, Lula ia fazer uma caminhada com Boulos pela capital paulista, mas teve de ser cancelada, por causa da chuva. Seria muito pouco, para alavancar o candidato do PSOL. Lula não entendeu que a derrota de Boulos será também uma derrota dele e de toda a esquerda. É melhor perder, sabendo que tudo foi feito para ganhar, do que fingir que apoia, para não ficar atrelado a um perdedor.

COVARDEMENTE – Nesse ponto, Lula agiu covardemente com Boulos, como Bolsonaro fez com Nunes. Na campanha, Bolsonaro fincou um pé na canoa de Nunes e outro pé na canoa de Marçal, enquanto Lula tirava os dois pés da canoa de Boulos, e agora tenta desesperadamente ajudar na última semana antes do segundo turno, sabendo de antemão que não dá mais.

Em eleição, não se pode recuperar o tempo perdido, se errar a escolha, só é possível corrigir na próxima eleição, mesmo assim, se tiverem humildade para reconhecer os erros e mudar radicalmente de rumos, caso contrário, vão perder novamente e de maneira avassaladora.

Musk vai sortear R$ 5,6 milhões por dia para quem assinar petição

Petição assume compromisso de defender a liberdade de expressão e o direito de portar armas

Elon Musk Foto: EFE/EPA/CJ GUNTHER

O empresário Elon Musk disse, neste sábado (19), que concederá 1 milhão de dólares (R$ 5,6 milhões) por dia, até a eleição, para uma pessoa selecionada aleatoriamente e que tiver assinado a petição do America PAC, seu comitê de ação política, prometendo defender o direito à liberdade de expressão e ao direito de portar armas.

Musk fundou o America PAC para registrar eleitores em estados indecisos e persuadi-los a votar no republicano Donald Trump. A ação do fundador da Tesla e da SpaceX é algo inédito na política americana.

O proprietário da rede social X fez o anúncio num comício em Harrisburg, Pensilvânia, onde entregou o primeiro cheque a um dos espectadores.

– Um dos desafios que enfrentamos é como podemos fazer com que as pessoas saibam sobre esta petição – disse.

Após a ação de marketing, Musk acredita que, agora, esta notícia “vai realmente voar”.

A conta do America PAC no X publicou que a oferta está disponível para eleitores registrados na Pensilvânia que assinarem a petição. O grupo já havia divulgado uma oferta de 100 dólares (R$ 566) para os eleitores do estado que assinarem a petição e 47 dólares (R$ 266) para eleitores de outros estados decisivos, incluindo Michigan e Wisconsin. O documento diz:

– Ao assinar abaixo, prometo meu apoio à Primeira e Segunda Emendas.

Musk investiu 75 milhões de dólares (R$ 424,9 milhões) no America PAC nos últimos três meses até setembro, de acordo com registros federais.

Antes do novo anúncio de 1 milhão de dólares, os especialistas em legislação eleitoral estavam divididos sobre se a oferta de recompensas pela assinatura da petição – aberta apenas aos eleitores registrados – era contra a lei, por fornecer um incentivo. Um advogado de Musk não respondeu imediatamente a um pedido de comentário sobre o assunto na noite de sábado.

É crime federal, punível com pena de prisão, pagar pessoas com a intenção de induzi-las ou recompensá-las a votar ou a se registrar. A proibição abrange não apenas despesas monetárias, mas também qualquer coisa de valor monetário, como “bebidas alcoólicas, chances de loteria e benefícios sociais”, diz um manual de crimes eleitorais do Departamento de Justiça.

*AE