Raquel veta projeto que previa isenção da taxa do SSA da UPE para estudantes da rede estadual

A governadora Raquel Lyra vetou a íntegra de projeto de lei que previa a isenção do pagamento da taxa de inscrição no Sistema Seriado de Avaliação (SSA) da Universidade de Pernambuco (UPE) para estudantes da rede estadual de ensino. Segundo o texto do veto, publicado na edição de ontem do Diário Oficial do Estado, a medida teria “sensível impacto financeiro para a UPE, no limite podendo inviabilizar a realização do certame público”.

Atualmente, segundo o regimento da UPE, têm direito à isenção da taxa de inscrição candidatos inscritos no CadÚnico do governo federal e servidores da própria instituição e seus dependentes Este ano, a inscrição no certame custou R$ 122. De autoria do deputado Jarbas Filho, o projeto queria isentar os estudantes da rede estadual de pagarem essa taxa. As informações são do portal FolhaPE.

Em nota técnica, no entanto, a UPE afirmou que:

– Em 2024, registraram-se para o SSA-UPE 63.443 inscrições, das quais 27.213 (42,89% do total) já se beneficiam da gratuidade da inscrição.

– Excluídas as inscrições não confirmadas, verificaram-se 36.230 (57,11% do total) inscrições com pagamento.

– Desse total de pagantes inscritos, 13.960 declararam ser estudantes oriundos de escolas públicas, ou seja, 38,53% dos estudantes pagantes, caso já aprovado estivesse o projeto de lei, deixariam de pagar as inscrições o que acarretaria um impacto financeiro de aproximadamente R$ 2 milhões para os cofres públicos.

A UPE ponderou ainda que, caso o projeto fosse aprovado, considerando os mais de 291 mil estudantes matriculados na rede estadual de ensino, “ocorreria um incremento sem precedentes de inscritos não pagantes”.

Dessa forma, afirmou a instituição, o custo financeiro para a realização do SSA poderia atingir o patamar de R$ 17 milhões.

O projeto havia sido aprovado pela Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe). O veto da governadora será votado pelos deputados estaduais. Caso a maioria absoluta dos parlamentares votem contra o veto, o texto vira lei automaticamente.

UPE disse não ter sido consultada

Em nota pública divulgada em 7 de novembro, a UPE afirmou reconhecer a importância da ação, mas disse que não foi consultada para a “discussão sobre as fortes repercussões financeiras e logísticas” que a nova lei poderia ocasionar nos certames.

“[A UPE] expressa sua preocupação quanto à realização de novos ciclos avaliativos do SSA”, completou a instituição.

No texto do projeto do deputado Jarbas Filho, a lei previa que a isenção constasse expressamente no edital de abertura. Este ano, a UPE ofertou 3.620 vagas para 58 cursos de graduação distribuídas em 12 campi.

As vagas são distribuídas meio a meio entre o SSA e o Sistema de Seleção Unificada (Sisu) do Ministério da Educação (MEC), a partir das notas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), sendo 1.810 para cada forma de acesso.

Inconstitucional

O veto cita também que a eventual lei seria inconstitucional, uma vez que, conforme decidido pelo Supremo Tribunal Federal (STF), “é inconstitucional a lei estadual de benefício fiscal que concede benefício fiscal sem a prévia estimativa de impacto orçamentário e financeiro”.

“Como o PL 1071/2023 envolve renúncia de receita pública, consistente na concessão de gratuidade da inscrição no SSA-UPE para um número expressivo de inscritos, sem que se tenha realizado o referido estudo de impacto orçamentário e indicado a respectiva origem dos recursos, forçoso é reconhecer sua incompatibilidade com a Constituição Federal, por maior que tenha sido o mérito da referida proposição legislativa”, defende a governadora no texto.

Deputado reage ao veto

Após o veto, o deputado Jarbas Filho emitiu nota em que cita que o projeto tramitou na Alepe por mais de um ano e que a Casa “entendeu e reconheceu a importância que o projeto terá na construção de um futuro para os jovens pernambucanos”. Leia a íntegra:

Com a decisão do veto ao Projeto de Lei 1071/2023, de minha autoria, que propõe a isenção da taxa de inscrição do vestibular seriado da UPE aos alunos da rede pública estadual, lamento que, neste momento, o governo estadual não teve a percepção do real impacto social desta matéria para os estudantes de Pernambuco.

O PL tramitou na Alepe por mais de um ano. Passou por todas as comissões, e foi aprovado no plenário, por unanimidade, em duas votações. Ou seja, a Casa entendeu e reconheceu a importância que o projeto terá na construção de um futuro para os jovens pernambucanos.

A UPE é uma universidade pública, mantida pelo governo estadual. Os recursos para a gratuidade virar lei não podem depender do bolso dos alunos que estão tentando ingressar na faculdade. O impacto financeiro não pode ser colocado acima do alcance social que a nova lei terá na vida de milhares de estudantes e de suas famílias.

É preciso considerar que a proposta será um investimento no futuro de 290 mil estudantes de ensino médio das escolas estaduais ao possibilitar que tentem uma vaga de graduação numa instituição de alto nível como a UPE. É a universidade pública que tem mais abrangência no Estado, presente em 11 cidades, em todas as regiões.

De cada 10 alunos que estão no ensino médio em Pernambuco, oito estudam em escolas estaduais. É fundamental, portanto, que a UPE seja ocupada por mais jovens egressos da rede estadual de ensino. Mas infelizmente, hoje, pouco mais de 10% desses estudantes tentam ingressar na universidade pelo SSA, devido principalmente ao custo para participar do processo seletivo.

Continuarei lutando, na Alepe, para que esse importante projeto se transforme em lei, pois tenho a convicção do quanto ele é necessário para aumentar as chances dos jovens melhorarem de vida através da educação. O ganho social é imenso, promovendo, principalmente, mais equidade. Além da repercussão no desenvolvimento econômico ao investir na formação profissional dos estudantes que sairão do ensino médio direto para a educação superior.

Jarbas Filho – deputado estadual pelo MDB

Justiça anula eleição de prefeito que planejou ceder o lugar a amante

O amor é lindo e a política, uma beleza

Eduardo Honório (União Brasil), 66 anos, prefeito reeleito de Goiana, em Pernambuco, com 78% dos votos válidos, teve o registro de sua candidatura indeferido em decisão unânime do Tribunal Superior Eleitoral anunciada nesta quinta-feira (5).

Os ministros entenderam que Honório já cumpriu oito anos consecutivos de mandato e que, portanto, como diz a lei, não poderia exercer mais um. Quem governará Goiana a partir de 1º de janeiro de 2025 será o futuro presidente da Câmara Municipal.

Caberá aos 17 vereadores eleitos em outubro escolher entre si quem presidirá a Câmara Municipal. O escolhido terá 90 dias para convocar novas eleições para prefeito, e ele mesmo poderá se candidatar. Dos 17 vereadores, 11 devem a Honório sua eleição.

Honório foi eleito vice-prefeito em 2016, na chapa de Oswaldo Rabêlo. Em 2017, Rabêlo afastou-se do cargo para tratamento de saúde, nunca mais voltou e Honório assumiu. Nas eleições de 2020, Honório foi candidato a prefeito e se reelegeu.

Honório não poderia ter sido candidato neste ano. A juíza eleitoral de Goiana negou-lhe o registro, como mais tarde também o fez por unanimidade o Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco. Mas Honório recorreu da decisão ao Tribunal Superior Eleitoral.

“O que vale é a palavra de Brasília”, repetiu Honório ao longo da campanha. Ele tinha um plano: eleger sua amante, Paula Brito, vereadora, em seguida presidente da Câmara, para que ela possa se candidatar a prefeita na eleição suplementar. O plano vai bem.

Casado há décadas com dona Maria das Neves, a Nevinha, professora aposentada, mais velha do que ele e mãe de seus três filhos (dois deles homens), Honório sempre teve duas mulheres. A anterior, Amélia Corrêa, também é professora aposentada.

O caso com Amélia durou cerca de 40 anos. Goiana acostumou-se a ver Honório ora com Nevinha, ora com Amelinha. Há meses, Honório trocou Amelinha por Paula Brito, 45 anos de idade, diretora do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência de Goiana.

ReproduçãoPaula Brito
Paula Brito, eleita vereadora em Goiana (PE)

Dona Nevinha nunca fez política. Paula sempre fez. Honório lançou Paula à vereadora pelo PP e ela se elegeu com 2.177 votos, o terceiro mais votado. O primeiro foi André do Forró dos Errados, com 2.532 votos. Quem apoiou o músico? Dona Nevinha.

A primeira-dama de Goiana renunciou à sua vida confortável e foi à luta para eleger André do Forró dos Errados. Virou uma questão de honra para ela desbancar Paula. Nos grupos locais de WhatsApp, leu-se: “Dona Nevinha está botando pra torar”.

Quem agora “está botando pra torar” é Honório, empenhado em ser sucedido por Paula para continuar mandando em Goiana, um município com 85 mil habitantes e cuja receita anual é de R$ 1,5 bilhão, graças a uma montadora de veículos ali instalada.

O amor não é lindo? E a política não é uma beleza?

Com Informações Metrópoles

Morre o poeta Ferreira Gullar no ano de 2016

 O renomado poeta, crítico de arte e ensaísta Ferreira Gullar morreu em 4 de dezembro de 2016, no Rio de Janeiro, aos 86 anos, devido a uma pneumonia. O escritor se destacou como um dos fundadores do neoconcretismo. Sua carreira foi marcada por uma rica produção literária, engajamento político e contribuições significativas para a cultura brasileira.

Nascido em em São Luís, no Maranhão, em 10 de setembro de 1930, e batizado como José Ribamar Ferreira, o poeta adotou o sobrenome Gullar, de sua mãe, para criar seu pseudônimo. Ele começou a escrever poesia ainda jovem e publicou seu primeiro livro, “Um Pouco Acima do Chão”, em 1949. No entanto, foi com o livro “A Luta Corporal” (1954) que ele ganhou reconhecimento e estabeleceu seu estilo inovador. Nesse período, ele estava ligado ao movimento concretista, que buscava uma poesia mais objetiva e experimental. Posteriormente, Gullar se afastou do concretismo e desenvolveu uma abordagem mais pessoal e emotiva em sua poesia.

Na década de 1960, Ferreira Gullar foi um dos principais líderes do movimento neoconcretista, que rejeitou a rigidez formal do concretismo em favor de uma abordagem mais fluida e subjetiva da arte. Seu “Manifesto Neoconcreto” de 1959 foi um marco importante nesse movimento.

Além de sua carreira literária, Ferreira Gullar também se destacou como crítico de arte, escrevendo sobre artistas brasileiros e internacionais em diversas publicações. Seu trabalho como crítico influenciou o pensamento artístico no Brasil e ajudou a promover o desenvolvimento da arte contemporânea no país.

Paralelamente, a vida de Gullar também foi marcada por seu engajamento político. Durante a ditadura militar no Brasil (1964-1985), ele se posicionou contra o regime autoritário, sendo preso e posteriormente exilado. Seu poema “Poema Sujo” (1976), escrito durante seu exílio, é uma das obras mais importantes da literatura brasileira do século XX e expressa sua angústia e revolta diante da repressão política.

Militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB), Ferreira Gullar viveu na União Soviética, na Argentina e Chile durante a época em que ficou exilado. Após seu retorno ao Brasil em 1977, ele continuou a produzir poesia e ensaios. O escritor recebeu inúmeros prêmios ao longo de sua carreira, incluindo o Prêmio Jabuti, um dos mais prestigiosos da literatura brasileira, e o Prêmio Camões, instituído pelos governos de Portugal e do Brasil.

Em 2014, Gullar tomou posse da cadeira número 37 na Academia Brasileira de Letras. Nos últimos anos de vida, Ferreira Gullar manifestou desilusão com o socialismo e se tornou um crítico dos governos de esquerda.