Malafaia diz que Moraes deveria ser preso no lugar de Braga Netto. Paulo Cappelli e Petrônio Viana

Tribuna da Internet | Moraes não aprende com os erros e está envergonhando o Supremo

Charge reproduzida do Arquivo Google

Paulo Cappelli e Petrônio Viana
Metrópoles

Aliado de Bolsonaro, o pastor Silas Malafaia classificou como “imoral e ilegal” a prisão preventiva do general Walter Braga Netto, decretada no sábado (14/12) pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes.

A decisão considerou que Braga Netto atuou para prejudicar as investigações que miram militares que teriam articulado um plano para impedir a posse de Lula após as eleições de 2022. Em um vídeo, Malafaia afirmou que Moraes “deveria ser preso”.

DISSE MALAFAIA – “Conversa entre dois generais de um ano e meio atrás não é fato novo nem tampouco fato concreto. Conversa não é fato concreto. Não tem materialidade. Onde está que Braga Netto tentou impedir [as investigações]? Isso é uma vergonha, um abuso de poder do ditador da toga [Moraes], pra promover a perseguição política.”

“Agora, pra gente pensar: esse inquérito foi concluído há mais de dez dias, mais de 30 pessoas foram indiciadas e o caso foi enviado ao MP [Ministério Público Federal]. Como alguém pode ser preso agora por obstrução de uma investigação que já foi concluída? Isso é um absurdo. A prisão de Braga Netto é imoral, ilegal e mancha o Judiciário”, afirmou o líder religioso.

ATAQUE AO SUPREMO – Malafaia também atacou o Supremo, que, segundo ele, estaria “protegendo” Moraes.

“O STF deixou de ser Supremo Tribunal Federal para se tornar Supremo Tribunal da Injustiça. Uma confraria de amigos pra proteger o ditador da toga, Alexandre de Moraes. Esse sim vem atentando contra o Estado Democrático de Direito. Ele tem que sofrer impeachment e ser preso. Ele preside inquéritos imorais e ilegais, como o da fake news, abuso de poder, usando informações do TSE pra abastecer inquéritos no STF para perseguição política”, criticou o líder evangélico.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Ao ler essa pequena notícia, pensei que Silas Malafaia tivesse formação jurídica, porque ele demonstra conhecer mais a lei do que o ministro Alexandre de Moraes. No entanto, Malafaia é leigo, porque se formou em Psicologia e em Teologia. Mesmo sem dispor de conhecimento específico, Malafaia está certo ao constatar a ilegalidade da prisão do general Braga Netto. A medida é absolutamente irregular, porque ninguém (Braga Netto nem réu é) pode ser preso preventivamente sob justificativa de estar “obstruindo” uma investigação que foi oficialmente encerrada 23 dias antes, em 21 de novembro. Mais grave é a conivência dos demais ministros, que apoiam qualquer maluquice decretada por Moraes. (C.N.) 

Nas redes sociais, até o FBI estaria envolvido na prisão de Braga Netto

Braga Netto está preso no mesmo cômodo onde ficou general que idealizou morte de Lula e Moraes

Prisão de Braga Netto cria novas teorias conspiratórias

Deu na Folha

A operação da Polícia Federal que levou à prisão de Walter Braga Netto, general da reserva e candidato a vice-presidente de chapa derrotada em 2022, abriu um novo capítulo nas tentativas de elucidar e responsabilizar figuras ligadas ao plano de golpe ao fim do governo Jair Bolsonaro.

A repercussão desse caso, em mais de 90 mil grupos públicos de WhatsApp monitorados pela plataforma Palver, virou tema central do debate político e revelou um cenário de intensas reações, narrativas conflitantes e teorias conspiratórias.

SUPEROU LULA – No total dos termos analisados, Braga Netto concentrou 36% de todas as menções, superando Lula (32%), Bolsonaro (22%) e Moraes (8%). Ao todo, o tema alcançou 475 mil usuários nos grupos monitorados, indicando a intensidade e a abrangência da repercussão digital.

A narrativa construída em parte dos grupos de esquerda celebra o ocorrido como um momento histórico e irônico, destacando a coincidência da prisão no aniversário da ex-presidente Dilma Rousseff e logo após uma “Sexta-feira 13” com simbolismo petista.

DEMOCRACIA – Nesses espaços, o enredo é tratado como um “roteiro perfeito” de justiça poética, reforçando a ideia de que a democracia estaria triunfando sobre supostas tramas autoritárias.

Por outro lado, entre apoiadores da direita e simpatizantes do bolsonarismo, predominam indignação e acusações de perseguição política.

Há até quem veja a prisão como um “teatro” criado por instituições “aparelhadas” – STF, Polícia Federal e governo Lula– para desgastar Bolsonaro e seu círculo de aliados, minando a credibilidade da direita. Também nesses grupos, teorias conspiratórias se espalham rapidamente.

AÇAO DO FBI – Dentre elas, a suposta participação do FBI na operação desde o 8 de janeiro, internações e cirurgias de Lula consideradas “falsas” e uma “ditadura judicial” que estaria censurando a direita. Links duvidosos, perfis anônimos e conteúdos sem verificação circulam para sustentar essas alegações.

Enquanto parte da esquerda vê no episódio um sinal de avanço no esclarecimento das tramas golpistas, setores da direita afirmam que a detenção de Braga Netto seria apenas um degrau rumo à prisão de Bolsonaro.

Essa expectativa intensifica o clima de tensão, seja entre quem espera a responsabilização do ex-presidente, seja entre os que temem um cerco jurídico que poderia atingir o “núcleo duro” do bolsonarismo.

ESTRATÉGIA – Nas mensagens, mantém-se o apelo para que apoiadores de Bolsonaro não desistam, reforçando hashtags, divulgando conteúdo favorável ao ex-presidente e classificando cada ação institucional contrária a figuras da direita como “injustiça”.

A prisão do general é enquadrada, assim, no contexto de uma batalha contínua, na qual redes como o WhatsApp cumprem papel estratégico na mobilização e na disseminação de narrativas.

O ecossistema de mensageria, propício à proliferação de teorias conspiratórias, acusações sem provas e versões manipuladas, intensifica a polarização e dificulta um debate público sólido.

Manuel Bandeira reviveu seu primeiro amor em três etapas da vida

Eu gosto de delicadeza. Seja nos gestos,... Manuel Bandeira - Pensador

O crítico literário e de arte, professor de literatura, tradutor e poeta Manuel Carneiro de Sousa Bandeira Filho (1866-1968), conhecido como  Manuel Bandeira,  no poema “Três Idades” lembra a sua primeira paixão.

TRÊS IDADES
Manuel Bandeira

A vez primeira que te vi,
Era eu menino e tu menina.
Sorrias tanto… Havia em ti
Graça de instinto, airosa e fina.
Eras pequena, eras franzina…

Ao ver-te a rir numa gavota,
Meu coração entristeceu.
Por quê? Relembro, nota a nota,
Essa ária como enterneceu
O meu olhar cheio do teu.

Quando te vi segunda vez,
Já eras moça, e com que encanto
A adolescência em ti se fez!
Flor e botão…sorrias tanto…
E o teu sorriso foi meu pranto…
Já eras moça…Eu, um menino…

Como contar-te o que passei?
Seguiste alegre o teu destino…
Em pobres versos te chorei.
Teu caro nome abençoei.
Vejo-te agora. Oito anos faz,
Oito anos faz que não te via…
Quanta mudança o tempo traz
Em sua atroz monotonia!

Que é do teu riso de alegria?
Foi bem cruel o teu desgosto.
Essa tristeza ê que mo diz…
Ele marcou sobre o teu rosto
A imperecível cicatriz:
És triste até quando sorris…

Porém teu vulto conservou
A mesma graça ingênua e fina…
A desventura te afeiçoou
À tua imagem de menina.
E estás delgada, estás franzina…