Vinte pessoas são presas por brigas de torcida antes de Santa Cruz x Sport

Da Folha de Pernambuco

Vinte pessoas foram presas por conta das brigas de torcida neste sábado (1°), antes do clássico entre Santa Cruz e Sport. A Secretaria de Defesa Social de Pernambuco (SDS-PE) afirmou ainda que segue investigando o caso.

“Os casos serão investigados pela Delegacia de Polícia de Repressão à Intolerância Esportiva”, garantiu a secretaria.

De acordo com a pasta, antes do jogo, cerca de 650 pessoas foram conduzidas até o Batalhão de Polícia de Choque (BPChoque) e passaram por revista, sendo acompanhados até o local da partida, no Arruda. Dessas, “14 foram detidas por violência entre torcedores, após incidentes nos bairros da Iputinga, Torre e Madalena”, completa a SDS, por meio de nota.

Outros três foram detidos pela Polícia Civil de Pernambuco, na Delegacia de Paulista, na Região Metropolitana do Recife. Eles foram autuados em flagrante delito por tentar invadir o TI Pelópidas.

Além dessas, mais três prisões em flagrante aconteceram no Cabo de Santo Agostinho. O motivo foi um confronto no município com uso de explosivos.

Feridos

O Hospital da Restauração (HR), localizado no bairro do Derby, Centro da Capital pernambucana, afirmou que atendeu 12 pessoas vítimas de agressão física por conta das brigas de torcida neste sábado.

Segundo a SDS, nove foram liberadas e mais três seguem internadas. Não houve mortes.

A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSDB), deve conceder entrevista coletiva sobre o assunto ainda neste sábado. A expectativa é que ela fale sobre os próximos passos da segurança em Pernambuco para eventos esportivos.

Confira, abaixo, a nota da SDS-PE na íntegra.

Cenas lamentáveis foram vistas desde o início da manhã deste sábado (1), em diversos locais da Capital e Região Metropolitana do Recife. Integrantes de organizadas do Santa Cruz e do Sport causaram tumulto pelas ruas, antes do início do clássico, que acontece no Estádio do Arruda.

Após o confronto, 12 pessoas foram encaminhadas para o Hospital da Restauração. Nove delas foram liberadas e três seguem internadas. Importante informar que não houve morte.

Antes do jogo cerca de 650 pessoas foram conduzidas até o Batalhão de Polícia de Choque (BPChoque) e passaram por revista, sendo acompanhados, até o local da partida, no Arruda. 14 pessoas foram detidas por violência entre torcedores, após incidentes nos bairros da Iputinga, Torre e Madalena. Confusões também foram registradas em locais da RMR.

O CLÁSSICO. Por CLAUDEMIR GOMES

  Por CLAUDEMIR GOMES  –   Os clássicos fazem a diferença em qualquer competição do mundo. Isto é fato. No Campeonato Pernambucano, onde os alicerces têm três pilares de sustentação – Sport, Náutico e Santa Cruz – a liturgia do futebol também é respeitada e segue sendo louvada pelas grandes torcidas. Comportamento fácil de se constatar através do burburinho observado na cidade por conta do Clássico das Multidões – Santa Cruz x Sport – que será disputado na tarde deste sábado, no Estádio do Arruda.

Embora o Estadual tenha se tornado um torneio mequetrefe, os clássicos seguem agitando as torcidas. Fato que justifica o sucesso da venda antecipada dos ingressos.

Tricolores e rubro-negros chegam para o primeiro confronto entre ambos na temporada, e que pode vir a ser o único também, com números expressivos que alimentam a confiança das torcidas. O Santa Cruz é líder, enquanto o Sport é o único time que se mantém invicto após a disputa de cinco rodadas.

Não consta nos regulamentos das competições, mas sabemos que, o time que vence os clássicos fatalmente coloca a mão na taça. Até a década de 80, do século passado, o Pernambucano era recheado de clássicos. Em 1983, por exemplo, quando o Santa Cruz foi tri-supercampeão, o Estadual foi disputado em três turnos com duas fases, cada um. Com espaço para um jogo extra, para decisão do turno. Foi uma enxurrada de clássicos.

A partir dos anos 90 surgiram novas competições e os espaços dos Estaduais tiveram que ser compartilhados. Nos dias de hoje, as competições domésticas, que se tornaram apêndices indesejados pelos grandes clubes, são realizadas no curto espaço de dois meses.

Este ano, com o futebol pernambucano tendo apenas dois clubes na Copa do Nordeste – Sport e Náutico – e com o Trio de Ferro disputando o Brasileiro em séries distintas – A, C e D – os clássicos do Estadual ganharam importância. Coisa da rivalidade. Além do mais, a disputa caseira é a única onde nossos clubes têm a real chance de chegarem ao título.

Em alguns momentos é possível ouvir, de algum pseudo cronista, ou trainee de dirigente, a classificação de confrontos intermediários como sendo clássicos. Coisa de emergentes despreparados. No futebol pernambucano os clássicos se resumem aos confrontos diretos entre Náutico, Sport e Santa Cruz. Nada mais que isso.

Hoje cedo, na “resenha” diária do café da manhã da Padaria Diplomata, o assunto dominante era o Clássico das Multidões. Os tricolores, como se já estivessem degustando os “milhões” que os empresários da SAF prometeram injetar no clube, apostam no poder da superação, que por enquanto vem no grito da torcida. Os rubro-negros simplificavam o sentimento numa frase: “É preciso ter Paciência”.

Como estamos na era das Bets, os novos analistas do futebol se escudam nos números como se o futebol fosse uma ciência exata. A turma das estatísticas desconhece que os clássicos transcendem, em muito, as barreiras da burocracia.

O romantismo do passado nos deixava mais embriagados com as essências dos clássicos da época. Sendo assim, acreditando que teremos um sábado especial para o futebol pernambucano, encerro com Vinícius de Moraes e seu fantástico DIA DA CRIAÇÃO:

“Porque hoje é sábado

Há um espetáculo de gala

Há um renovar-se de esperanças

E há uma tensão inusitada

O dia é sábado…”.

Novo comando do Congresso amplia riscos a Lula

Por Caio Junqueira

Do CNN

O novo comando do Congresso, que assume neste sábado (1º), amplia o risco político para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na segunda metade deste mandato e, consequentemente, o potencial de mais instabilidade política até 2026.

Esse cenário decorre de vários motivos. Vamos a eles.

O primeiro é que se faz preciso constatar que, a partir de segunda-feira (3), quando começam de fato os trabalhos legislativos, uma chave em Brasília terá virado.

Se nos últimos dois anos, a Câmara, sob o comando de Arthur Lira (PP-AL), foi mais independente e agressiva com o Palácio do Planalto, esse papel agora deverá ser exercido pelo Senado de Davi Alcolumbre.

Na mesma lógica, se nos últimos dois anos, o Senado de Rodrigo Pacheco foi mais comedido e moderado com o Planalto, esse papel, a partir de segunda-feira, tende a ser da Câmara de Hugo Motta.

Um dos principais dirigentes partidários do país disse de forma reservada à CNN que Davi estará para Arthur Lira como Hugo Motta estará para Rodrigo Pacheco.

A premissa dessa avaliação é compartilhada também por deputados e senadores com quem a CNN conversou nesta semana. E é o perfil político de Alcolumbre que justifica a análise, além do histórico dele na passagem anterior pelo cargo, durante a primeira metade do governo Jair Bolsonaro.

O senador tem, como principal agenda, a defesa agressiva dos próprios interesses e dos outros senadores. Isso significa que a agenda legislativa andará na mesma proporção em que ele e o Senado forem atendidos. O problema é que o cenário apresenta mais pontos de dissenso do que de consenso entre os Poderes.

É o caso das emendas parlamentares. Muito do poder conquistado por Alcolumbre no Senado e na política brasileira, nos últimos anos, decorre do poder que lhe foi transferido por Bolsonaro para a gestão de emendas parlamentares, ainda na época do orçamento secreto.

É justamente o tema no qual o ex-ministro de Lula e atual magistrado do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, traça uma cruzada, com apoio discreto do governo, para tirar o papel do Congresso nessa gestão.

O segundo ponto decorre deste das emendas. O STF, o MPF e a PF avançam em investigações de desmandos na utilização desse mecanismo parlamentar, que, a rigor, abastece, de recursos públicos federais, as bases de deputados e senadores e faz a engrenagem da micropolítica girar.

O caso mais vistoso é o do “Rei do Lixo”, que saiu da primeira instância de Salvador para a Corte em janeiro, e está sob relatoria de Nunes Marques. Alcolumbre não é investigado, mas um relatório da PF cita a chefe de gabinete dele como interlocutora do empresário no Congresso.

A leitura comum hoje, no Legislativo, é que o rumo dessa investigação tem potencial explosivo e será definidora das relações entre os Poderes. Nunes Marques quer fazer o desembargador do TRF1, Carlos Brandão, ministro do STJ. Uma das grandes dúvidas em Brasília, hoje, é se ele avança no caso e atende a um, até agora, discreto interesse do governo de fragilizar Alcolumbre ou se ele segura o caso contra o novo presidente do Senado e conta com o estilo Alcolumbre para ajudar a colocar o aliado no STJ.

Isso tudo em um ambiente já em curso de movimentação do Senado para, além de segurar as emendas sob controle do Congresso, avançar sobre as agências reguladoras e sobre espaços estratégicos e bilionários do governo, como o Ministério de Minas e Energia.

Interesses não atendidos do Senado passarão a significar interesses do governo suspensos na casa. Apenas como exemplo: em 2021, Alcolumbre segurou, por mais de três meses, a sabatina de André Mendonça para a CCJ, após ter interesses contrariados com o governo Bolsonaro. É possível prever, por exemplo, que a licença para explorar petróleo na margem equatorial, bandeira de Alcolumbre, entre nesse jogo.

Câmara

Na Câmara, o cenário para Lula, na superfície, parece ser mais tranquilo, mas também apresenta percalços.

Hugo Motta, relatam dez entre dez políticos, é moderado, conciliador, busca consensos e evita o confronto.

No entanto, importante observar alguns pontos sobre ele e a Câmara.

O primeiro é que o principal mentor político dele é o senador Ciro Nogueira (PP-PI), ex-Casa Civil de Bolsonaro e que planeja uma candidatura anti-Lula em 2026. É a ele que Hugo Motta consultará nos conflitos daquele que talvez, hoje, seja o cargo mais poderoso da República. Interessa a Ciro um Lula forte ou fraco em 2026? A resposta é óbvia.

O segundo ponto é que Motta é do mesmo partido do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Embora negue interesse em se candidatar em 2026, não é pouca coisa que o nome mais forte para derrotar Lula e o PT em 2026 seja correligionário do presidente da Câmara. Na última segunda-feira, Tarcísio e Bolsonaro receberam Motta em um jantar em São Paulo, o que deixa claro que, se faltava ao presidenciável um aliado de peso como porta de entrada no universo de Brasília, ele passa a ter.

O terceiro ponto é que, como a ampla maioria do Congresso, Motta é de direita e avesso à agenda econômica petista. O deputado foi voto seguro nos governos Temer e Bolsonaro nas reformas econômicas liberalizantes, que foram aprovadas pelo Congresso e, nas últimas semanas, sinalizou ao mercado que mantém essas posições a despeito da agenda estatizante e intervencionista do PT.

O quarto ponto é que a Câmara começa o segundo biênio de Lula com um Centrão dividido e que começa a dar sinais de desgarramento de Lula. O presidente do PSD, Gilberto Kassab, já deu uma luz nesta semana ao traçar um cenário ruim para Lula em 2026. Some-se a isso o projeto presidencial do União Brasil e uma insatisfação com o que considera ter havido digital do governo na Operação Overclean (“Rei do Lixo”).

Além de um Republicanos dividido entre o Palácio do Planalto e dos Bandeirantes, tem-se um caldo em ebulição. A rigor, no Centrão hoje, o partido mais próximo de Lula é o MDB.

Tudo isso, dentro do Congresso, se agrava com o que ocorre fora dele. Inflação em alta, popularidade em baixa e um governo que teima em não adequar a rota.

Lula, claro, tem instrumentos na mão para neutralizar esse cenário, mas a fórmula de distribuir cargos e emendas não funciona em Brasília há mais de dez anos. A saída seria uma composição política em torno dos aspectos políticos, jurídicos e, principalmente, policiais envolvendo as emendas parlamentares, mas essa é, hoje, a agenda que cria o amálgama entre Lula e o STF, a grande aliança dessa quadra da política brasileira. Contra a qual o Congresso está disposto a lutar.