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Xeque-mate contra Israel nas Colinas do Golan

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A área de Golan é estratégica por seus recursos hídricos

MK Bhadrakumar
Indian Punchline

Israel sofreu duro revés no conflito sírio, com a implantação da polícia militar russa na ‘zona protegida’ que está sendo estabelecida no sudoeste da Síria perto das Colinas do Golan. O Ministério da Defesa da Rússia anunciou a implantação na segunda-feira. O general-coronel Sergei Rudskoy, chefe do principal comando operacional do Estado-Maior da Rússia, disse em Moscou que as forças russas instalaram pontos de trânsito e postos de observação na área sudoeste de “desescalada”. O general disse, ainda, que EUA, Israel e Jordânia foram informados da implantação policial.

As áreas limítrofes da zona de “desescalada” foram definidas entre Rússia e EUA na véspera da reunião dos presidentes Donald Trump e Vladimir Putin em reunião paralela à cúpula do G20 em Hamburgo.

ISRAEL CRITICA – Segundo o ministro de Relações Exteriores da Rússia Sergey Lavrov, para a definição da “zona de desescalada” foram consideradas as preocupações de segurança de Israel. Mas o primeiro-ministro de Israel Benjamin Netanyahu tem manifestado insistentemente sua rejeição ao acordo EUA-Rússia, sob o argumento de que não levou na devida conta a percepção de Israel, que vê ameaça na presença do Irã e do Hezbollah nas regiões do sudoeste da Síria.

O ministro da Defesa de Israel Avigdor Liberman disse à mídia que Jerusalém fixou algumas linhas vermelhas: “Não toleraremos nenhuma presença iraniana na fronteira e continuaremos a agir contra isso.”

Bem obviamente, Israel não confia na Rússia. Israel suspeita que seja questão de tempo até que milícias xiitas e o Hezbollah comecem a infiltrar-se silenciosamente no sudoeste da Síria, ajudando o regime de Assad e seus amigos iranianos a consolidar o controle sobre as áreas de fronteira perto de Israel e Líbano.

JOGADA ESTRATÉGICA – Na realidade, tudo isso é uma grande jogada estratégica. Israel há muito tempo paga, fornece suprimentos de todos os tipos e apoia os grupos extremistas (incluindo grupos de al-Qaeda e ISIS) que operam na área na qual a “zona de desescalada” está sendo implantada. Israel até forneceu apoio de fogo para esses grupos terroristas sempre que foram atacados por forças do governo sírio.

Israel esperava que a área pudesse, de algum modo, ser mantida como uma zona de ‘conflito congelado’, a qual, com o tempo, poderia ser anexada por Israel. Israel, portanto, preferia que a “zona de desescalada” próxima das Colinas de Golan fosse implantada pelos EUA – não pela Rússia. Mas Washington não dá sinais de querer envolver-se. Como se lê num comentário publicado esta semana na revista Atlantic.

DIZ O COMENTÁRIO – “O Pentágono está focado em operações em Mosul e Raqqa, a centenas de quilômetros de distância. Os comandantes em campo com certeza considerariam qualquer presença militar dos EUA no sudoeste da Síria como cara e desnecessária dispersão de força humana na luta contra o Estado Islâmico. Dados os limitados recursos de inteligência-vigilância-reconhecimento na região, é também improvável que o Comando Central dos EUA aceitasse desviar as já escassas plataformas ISR para monitorar o cessar-fogo (…). Tudo isso (…) significa que o cessar-fogo Trump-Putin provavelmente está entregando à Rússia as chaves do sudoeste da Síria”, diz o comentário da Atlantic.

É mais ou menos o que se desenrola em campo. O acordo EUA-Rússia declara que a supervisão da “zona de desescalada” será feita pela polícia militar russa.

COMO NO XADREZ – É xeque-mate contra a política intervencionista de Israel na Síria. Os monitores russos reagirão firmemente, se Israel se comportar como criança mimada.

Dito claramente, o sonho israelense de expansão territorial para o sudoeste da Síria, como parte de uma ‘Israel Expandida’ (que iria além até das Colinas do Golan ocupadas) espatifou-se na aterrissagem. O plano B de Israel era que, como parte de qualquer acordo na Síria, a ‘comunidade internacional’ teria de, no mínimo, legitimar a ocupação das Colinas do Golan. Também não acontecerá.

Mais uma vez a credibilidade de Netanyahu sofre duro golpe. Há dois anos, sua ‘linha vermelha’ contra o programa nuclear iraniano – que Israel agiria militarmente e autonomamente contra o Irã etc. – acabou também completamente desmoralizada.

NOVA LINHA – Agora, Netanyahu vem com nova ‘linha vermelha’ no front setentrional de Israel, contra a presença iraniana na Síria… mas não tem capacidade para fazê-la valer. Mais uma vez, a comunidade internacional simplesmente ignora os maus modos de Israel.

Muito significativamente, os EUA nada fizeram para se opor a uma massiva operação do Hezbollah que começou semana passada para tomar o controle das colinas na fronteira Líbano-Síria que estavam sob ocupação de vários grupos terroristas como Ahrar, al-Qaeda, ISIS (alguns dos quais, companheiros de cama e mesa de Israel). A mídia iraniana noticiou que os combatentes do Hezbollah alcançaram ali uma vitória retumbante. Claro: é imensamente importante para o Hezbollah (e o Irã) garantir que a fronteira Líbano-Síria permaneça aberta.

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