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O paradoxo de Varsóvia

Quem acha que o populismo cresce quando a economia tropeça e o desemprego dispara precisa examinar a Polônia — tudo no país vai bem, menos a democracia

Por Luíza Queiroz

Desde a queda da União Soviética, em 1991, a Polônia tem sido vista como o ex-país comunista que mais deu certo. O PIB deve crescer 3,3% neste ano, a renda per capita em dólares é maior que a do Brasil e a taxa de ocupação está próxima do pleno emprego. Além disso, o país passa longe de problemas com que outros membros da União Europeia precisam lidar, como a imigração descontrolada e ameaças terroristas. Mas o populismo de direita é uma praga regional que não poupa nem os países com um contexto favorável. Em 2015, os poloneses votaram nos ultraconservadores do partido Lei e Justiça (PiS), do atual presidente Andrzej Duda. Sua principal plataforma é aproveitar-se do medo — infundado — dos imigrantes muçulmanos. “A histeria foi criada artificialmente por veículos de comunicação próximos ao governo. Não houve um grande influxo de imigrantes na Polônia”, diz Hubert Tworzecki, cientista político polonês da Universidade Emory, nos Estados Unidos.

Fortalecido nas urnas, Duda fez o que todo populista faz: atacou as demais instituições democráticas para ganhar mais poder. Na semana passada, houve protestos nas ruas com o intuito de impedir que ele aprovasse três leis para aumentar o controle do Executivo sobre o Judiciário. A Comissão Europeia também entrou na jogada para tentar demovê-lo, e Duda acabou sancionando apenas uma delas, que afeta os tribunais regionais. Inabalável, o presidente prometeu voltar a insistir nas demais. Pretende apresentar um projeto de lei próprio acerca da reforma judiciária dentro de dois meses. Pelo visto, a jovem democracia polonesa ainda vai enfrentar maus bocados.

 

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