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Os cidadãos e os políticos – ontem, a esperança venceu o medo; hoje, a vergonha vence o orgulho

Por Salvador Bonomo

Destinei grande parte da vida à luta do nosso povo (1964-1985) para a volta ao estado democrático de direito, sendo, inclusive, coordenador das Diretas-Já” no ES. Construí democracia, cujas bandeiras foram Anistia, Assembleia Nacional Constituinte e Diretas-Já. Hoje, porém, olhando o tempo pelo retrovisor sinto-me frustrado, pois foi inexitoso o resultado.

Democracia, segundo Abraham Lincoln, é “governo do povo, pelo povo, para o povo”; é berço que forma cidadãos, que devem gozar do direito à vida, à liberdade, à igualdade e à propriedade. Ou seja, desfrutar de direitos civis, políticos, sociais e econômicos. Não existe cidadão, sem cidadania, e não há cidadania, sem democracia. Logo, ser cidadão requer participação com vistas à construção da democracia, cuja ausência é evidente.

Entretanto, é necessário relevar-se que não se constrói democracia corrompendo-se os semelhantes e degradando-se as instituições. Ao contrário, imperioso é aperfeiçoá-las e voltá-las para formar cidadãos e promover o bem-estar do conjunto da Sociedade.

Tento, sem êxito, divisar a formação de cidadãos e, como consequência, a promoção do bem-estar do povo. Porém, o que vejo é recair sobre os ombros, sobretudo dos mais pobres, grande carga tributária de primeiro mundo, ao passo que lhes são devolvidos serviços públicos de terceiro. Conclusão: subtrai-se recurso do povo, negam serviços essenciais, o que é papel precípuo de um Estado justo.

É inconteste que não há democracia no nosso país, pois é deficiente em educação, saúde e segurança: existem 61 milhões de inadimplentes; 14 milhões de desempregados; ocorrem 50 mil assassinatos anuais; além de ser o 79º em corrupção.

É irrecusável que é antidemocrático um país em que 50% do poder legislativo federal e os três últimos presidentes (Lula, Dilma e Temer) possuem pendências judiciais, além de um Poder Judiciário que, em regra, não profere suas decisões em tempo razoável!

Em virtude de significativa parcela do eleitorado temer o Partido dos Trabalhadores, como revelara a famosa atriz Regina Duarte por vídeo, Luiz Inácio Lula da Silva maquiou-se de Lulinha Paz e Amor”, escolheu decente empresário como seu vice – o saudoso José de Alencar -, hasteou sedutoras bandeiras – transparência, ética, moralidade e, até, uma forma diferente de governar – e se elegeu presidente em 2002, quando, ironizando, cravou: “a esperança venceu o medo”.

Muitas das autoridades se elegem com a promessa de executar projetos de Nação. No entanto, assim que empossados, substituem tais propostas por projetos de Poder, como o fez o PT, cuja denúncia foi feita por ilustres fundadores de tal partido.  O Frei Beto cravou: O PT trocou um projeto de governo por um projeto de Poder”.

Concluo, relembrando que, se, em 2002, 84% do povo se orgulhavam da naturalidade, hoje – em face da crise ética, política e econômica, em que PT e base aliada chafurdaram o país -, 47% se envergonham de ser brasileiros. Ontem, segundo Lula, a esperança venceu o medo; hoje, a vergonha vence o orgulho, a que acresço dicção de Chico Anísio (1931-2012), No Brasil de hoje, os cidadãos têm medo do futuro. Os políticos têm medo do passado”

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