| A BELA E A FERA |
Carlos Brickmann Investigações do Petrolão, delações premiadas, ameaça de rejeição das contas de campanha da presidente Dilma, tudo isso é desagradável para o Governo. Incomoda, aborrece. Mas não é fatal. Sempre há um jeito de botar a culpa em outro. O Brasil, não esqueçamos, condenou PC Farias por intermediar corrupção, mas não condenou corruptos nem corruptores (deve ser o único caso no mundo em que um intermediário, a julgar pelo resultado dos processos, agia sozinho). Quem pegou penas pesadas no Mensalão foram também os intermediários, não quem abriu a caverna do Tesouro nem quem ficou com a melhor parte. Há, entretanto, duas armadilhas em que gente poderosa pode ser apanhada: a primeira, a liberação judicial, obtida pelo repórter Thiago Herdy, do Grupo Globo, do sigilo que encobria as despesas do cartão corporativo de Rose Noronha, que chefiou o gabinete da Presidência em São Paulo; a segunda, o processo aberto pelo escritório de advocacia americano Wolf Popper contra a Petrobras, por enganar quem comprou suas ações na Bolsa de Nova York. A empresa é acusada de superfaturar seus ativos, o que mexeu com o preço das ações em Bolsa. Caso condenada nos EUA, a Petrobras fica sujeita a indenizar os acionistas. Sai caro. Por que o cartão corporativo de Rose é perigoso? Porque o Governo assim o considerou, ao carimbar as despesas como sigilosas. Algum motivo para isso existe. E a ação americana? Por que nos EUA não há acordo secreto possível. Se houver pressões por lá, serão contra a Petrobras, não a favor. |
